Mailza bloqueia Integração e expõe falta de maturidade política diante das críticas

A governadora Mailza Cameli bloqueou o acesso do Grupo Integração ao perfil oficial dela no Instagram depois de uma sequência de críticas ao governo, à condução política do Palácio Rio Branco e ao papel de Madson Castro Cameli, marido da governadora, dentro da estrutura administrativa do Estado. Enquanto a conta @mailza.acre permanece aberta para outros usuários, com cerca de 57 mil seguidores, mais de 7,3 mil perfis seguidos e 5.256 publicações, o veículo passou a ver a página como privada e inacessível. O gesto pode parecer pequeno para quem trata rede social como assunto menor, mas no caso de uma governadora ele ganha outro peso: autoridade pública não escolhe quem pode fiscalizar, perguntar ou criticar.

O bloqueio veio depois de o Integração aumentar o tom sobre temas que incomodam diretamente o governo. O grupo cobrou explicações sobre a viagem de Mailza a Londres, criticou a falta de resultados concretos da agenda internacional, questionou quem manda de fato no Palácio Rio Branco e tratou como mau exemplo político a chegada da governadora de motocicleta sem capacete a um evento de pré-campanha. Em qualquer governo com musculatura política, esse tipo de cobrança seria respondido com informação, entrevista, nota pública ou prestação de contas. Mailza escolheu o atalho mais frágil: fechar a porta.

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A reação pesa ainda mais porque a cobertura mais incômoda envolve Madson Castro Cameli, nomeado chefe do Gabinete Pessoal no Palácio Rio Branco e que também bloqueou nosso Instagram. Ele não é apenas marido da governadora. Ocupa uma função dentro do núcleo de poder e, por isso, seus atos, sua influência e sua presença no governo deixaram de pertencer à esfera privada. O caso criminal envolvendo a ex-mulher dele, Melissa Sampaio, já teve manifestação do Ministério Público do Acre, atendimento do Centro de Atendimento à Vítima e medida protetiva deferida. O Integração voltou ao tema ao publicar a cobrança de Melissa pela lentidão da Justiça e, depois, uma entrevista em que ela relatou medo, agressões e revitimização. A defesa de Madson nega as acusações.

Esse é o ponto que torna o bloqueio politicamente grave. Não se trata de uma divergência banal entre uma autoridade e um perfil de Instagram. O governo foi confrontado por reportagens sobre poder, influência familiar, uso da máquina pública, prestação de contas e violência doméstica. Em vez de enfrentar o conteúdo, Mailza isolou o emissor. A atitude não responde a nenhuma pergunta. Apenas mostra que a crítica atingiu um ponto sensível.

Maturidade política não aparece nos discursos em eventos oficiais nem nas postagens bem editadas das redes sociais. Aparece quando o governo é cobrado. Aparece quando a imprensa pergunta o que o Palácio não quer responder. Aparece quando uma autoridade aceita que o cargo público exige tolerância ao contraditório. Ao bloquear o Integração, Mailza fez o contrário. Tratou a crítica como incômodo pessoal, não como parte do jogo democrático.