Associação que recebeu R$ 16,6 milhões para a Expoacre Juruá funciona em casa com estrutura improvisada
A Associação Transformar, contratada pelo Governo do Acre para executar a Expoacre Juruá 2026 por R$ 16.648.310, mantém sua sede em um imóvel de aparência residencial, sem identificação externa visível e com estrutura incompatível, à primeira vista, com a administração de um dos maiores eventos públicos do estado.
A fachada registrada no endereço oficial da entidade mostra uma casa cercada por muros e grades, com portões metálicos, garagem, árvore sobre a calçada e sinais de desgaste no revestimento. Não há placa, letreiro, recepção ou qualquer elemento aparente que identifique o local como sede de uma organização responsável por movimentar mais de R$ 16 milhões em recursos públicos.
O cenário reforça o caráter enxuto declarado pela própria associação. No Plano de Trabalho entregue à Casa Civil, a entidade informa possuir apenas duas salas, um banheiro, dois computadores, um telefone celular e três integrantes permanentes: presidente, secretária e tesoureiro.
Mesmo com essa estrutura mínima, a Associação Transformar assumiu a execução integral da Expoacre Juruá. Entre as atribuições estão a contratação de artistas nacionais e regionais, montagem de palco, sonorização, iluminação, segurança privada, publicidade, alimentação, transporte, hospedagem, logística e outros serviços necessários para receber dezenas de milhares de pessoas.
A entidade foi a única participante do chamamento público aberto pelo governo. Criada em julho de 2020 e presidida por Carlos Henrique Oliveira do Nascimento, a associação não apresenta, nos cadastros públicos consultados, histórico detalhado de grandes projetos executados ou de parcerias anteriores com valores próximos ao contrato da Expoacre Juruá.
A distância entre o tamanho da operação e a estrutura declarada chama atenção. Enquanto o contrato envolve dezenas de fornecedores, serviços de grande porte e milhões de reais, a sede oficial funciona em um ambiente com características domésticas e sem aparência de núcleo administrativo preparado para controlar uma operação dessa dimensão.
O Plano de Trabalho prevê que a maior parte da execução seja repassada a empresas terceirizadas. Na prática, a associação funciona como responsável pela gestão dos recursos e pela contratação dos serviços, apesar de contar com equipe permanente de apenas três pessoas e estrutura física reduzida.
Até agora, a Casa Civil não tornou públicos os critérios técnicos usados para considerar a Associação Transformar apta a executar o evento. Também não foram apresentados documentos que comprovem experiência anterior da entidade na administração de projetos com porte, complexidade e volume financeiro semelhantes.
Dos R$ 16.648.310 previstos no Termo de Colaboração, R$ 15.848.310 já aparecem como repassados à associação. A diferença de R$ 800 mil entre o valor global e o montante identificado nos pagamentos ainda não foi esclarecida oficialmente.







