Socorro Rodrigues aceita ser vice de Thor Dantas na disputa pelo Governo do Acre

A advogada Socorro Rodrigues, do Podemos, aceitou nesta quarta-feira, 29 de julho, o convite para ocupar a vaga de vice na chapa do médico Thor Dantas, pré-candidato do PSB ao Governo do Acre. A composição será oficializada nesta quinta-feira, 30, durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, marcada para as 17h, no Parque das Acácias, em Rio Branco.

Thor foi à casa de Socorro para formalizar o convite, que já havia sido discutido por telefone e em encontros anteriores. Ao confirmar a entrada na chapa, a advogada afirmou que recebe a decisão com responsabilidade e relacionou sua participação à presença das mulheres na política acreana.

“Recebo esse convite com muita alegria e confirmo minha total adesão. É motivo de muita honra”, declarou Socorro. Ela afirmou que pretende representar as mulheres do Acre e citou como características dessa representação a coragem, a força, a determinação e a sensibilidade.

A escolha de Socorro encerra a definição da chapa majoritária da aliança formada por PT, PCdoB, PV, PSB e Podemos. Thor afirmou que procurava uma candidata com experiência profissional, compromisso ético e atuação na defesa de direitos.

“Uma mulher forte, competente, experiente, que tem sólida atuação na advocacia e na luta pelos direitos fundamentais”, afirmou Thor ao justificar a escolha. O pré-candidato também relacionou a composição à união de experiências diferentes, com um médico e uma advogada na disputa pelo governo estadual.

Socorro atua nas áreas de Direito Tributário e Direito Eleitoral. Ela foi vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Acre e ocupa o cargo de conselheira federal da entidade. Também participa de ações de combate à violência contra as mulheres. A eleição de 2026 será sua primeira disputa por um cargo majoritário estadual.

A convenção desta quinta-feira também deverá oficializar a candidatura do ex-governador Jorge Viana ao Senado, além dos nomes da coligação para as disputas de deputado federal e deputado estadual. A Frente Ampla pelo Acre prevê apresentar cerca de 100 candidatos aos cargos proporcionais.

Jorge Viana reúne padres e defende fé, diálogo e serviço ao Acre

Depois de participar de uma missa, o pré-candidato ao Senado Jorge Viana sentou-se à mesa com padres da Diocese de Rio Branco na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, na Casa dos Padres, no bairro Calafate. Entre café, orações e conversas sobre os problemas enfrentados pela população, o encontro aproximou a linguagem da fé do debate político e colocou o diálogo, a esperança e o serviço aos mais pobres no centro da agenda apresentada para o Acre.

O café da manhã foi organizado pelo padre Antônio Menezes, licenciado das funções sacerdotais e pré-candidato a deputado estadual. Também participaram os padres Macoy Soares, ecônomo da Diocese de Rio Branco e reitor do Santuário da Divina Misericórdia; Matheus, da Paróquia do Bujari; Erenildo, da Paróquia São Felipe; e Júnior, da Paróquia São Paulo Apóstolo. Dona Nice, responsável pelo preparo da mesa, completou o grupo reunido após a celebração religiosa.

A cena mais simples daquela manhã ocorreu diante da cafeteira. Viana preparou a própria bebida e serviu os sacerdotes e Dona Nice. O gesto acompanhou o sentido que conduziu a conversa: a liderança política, na visão apresentada durante o encontro, precisa começar pelo cuidado com as pessoas e pela disposição de servir.

Ao redor da mesa, o diálogo avançou para questões que atravessam o cotidiano das famílias acreanas. Os participantes falaram sobre falta de oportunidades, saída de moradores para outros estados, desemprego, violência, desigualdade social e abandono das parcelas mais vulneráveis da população. A presença dos padres levou à conversa experiências vividas dentro das comunidades, onde a Igreja mantém contato diário com famílias atingidas pela pobreza e pela ausência de políticas públicas.

Viana afirmou que a missa e a recepção dos sacerdotes renovaram sua disposição para trabalhar pelo estado. Ao falar sobre uma possível volta ao Senado, pediu que não lhe faltasse o compromisso de “servir ao Acre com amor, humildade e compromisso com as pessoas”. Na fala do pré-candidato, fé e atuação pública apareceram unidas pela ideia de comunhão, palavra usada para defender uma política menos marcada pelo confronto e mais aberta à escuta.

Padre Antônio Menezes tratou a esperança cristã como uma responsabilidade diante da realidade. “A esperança nunca é passiva”, afirmou. Para ele, acreditar em dias melhores exige cuidar das pessoas, enfrentar as injustiças e colocar o interesse coletivo acima de projetos particulares. O sacerdote também defendeu que a política seja exercida como missão, especialmente quando as decisões atingem os mais pobres.

Padre Macoy Soares levou à conversa a preocupação com os acreanos que deixam o estado em busca de emprego, renda e segurança. Ele defendeu um Acre capaz de oferecer condições para que as famílias permaneçam perto de suas raízes, com dignidade e perspectivas de futuro. Também falou sobre o trabalho social desenvolvido pela Igreja e sobre a necessidade de parceria com agentes públicos comprometidos com quem costuma permanecer distante dos centros de decisão.

O encontro terminou com o compromisso de ampliar as conversas com diferentes setores da sociedade. Viana defendeu a escuta como parte da construção de respostas para os problemas do estado e voltou a relacionar desenvolvimento, união e atenção às pessoas. Em torno de uma mesa preparada sem cerimônia, a pré-campanha ganhou o vocabulário da fé: esperança como movimento, diálogo como método e poder como serviço.

Bocalom apresenta projeto para fortalecer produção e gerar emprego no Acre

O pré-candidato ao governo do Acre Tião Bocalom apresentou, na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, as bases do projeto político que pretende levar à disputa estadual ao lado do pré-candidato a vice-governador Sargento Adonis. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bocalom colocou a geração de emprego, o fortalecimento da agricultura e a aproximação entre o Vale do Juruá e as demais regiões do estado no centro de sua proposta.

A passagem por Cruzeiro do Sul ocorreu após a apresentação pública de Sargento Adonis como integrante da chapa. Bocalom afirmou que a escolha nasceu de uma sequência de conversas e da identificação de valores comuns entre os dois. Para ele, o militar reúne ligação com a população, disposição para percorrer o estado e conhecimento da realidade vivida pelas famílias do Juruá.

“Deus colocou no coração dele e colocou no meu coração que a gente tinha que andar juntos”, disse Bocalom. O pré-candidato contou que recebeu manifestações favoráveis ao nome de Adonis vindas de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e de outras cidades acreanas.

Bocalom também lembrou a participação de Adonis na eleição municipal de 2020, quando o militar disputou a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e conquistou uma votação expressiva por meio do contato direto com os moradores. A trajetória, segundo ele, demonstrou capacidade de mobilização e abriu caminho para a formação de uma chapa com presença política no Juruá.

“Eu tenho certeza absoluta de que o Adonis vai representar muito bem o nosso Vale do Juruá. Não é só Cruzeiro do Sul. A família dele tem raízes em Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Isso é muito importante”, afirmou Bocalom. Ele definiu o pré-candidato a vice como um homem simples, cristão, leal e comprometido com uma forma de fazer política voltada ao atendimento da população.

A produção rural ocupou a maior parte da entrevista. Bocalom defendeu uma política estadual que ofereça ramais em condições de tráfego, assistência técnica, mecanização, tratores, combustível, peças e acompanhamento permanente aos produtores. O objetivo, afirmou, é criar condições para que as famílias aumentem a produtividade, ampliem a renda e movimentem o comércio dentro dos próprios municípios.

O pré-candidato usou sua experiência com o cultivo de café para explicar o potencial da agricultura acreana. Ele relatou que mantém uma área de quatro hectares e que a produção passou de 140 sacas por hectare, no ano anterior, para 204 sacas por hectare na colheita mais recente. Para Bocalom, resultados como esse podem alcançar milhares de famílias quando o poder público garante estrutura, conhecimento técnico e apoio contínuo.

“Eu quero que o produtor ganhe dinheiro. Não tem outra saída para a agricultura familiar. É o café, é o cacau, é o leite, é o arroz, é o milho e é o feijão, produtos que são consumidos aqui”, declarou. Bocalom calcula que o aumento da produção local pode manter mais de R$ 2 bilhões por ano circulando no Acre, reduzir a compra de alimentos de outros estados e criar novas oportunidades de trabalho.

Na visão apresentada durante a entrevista, a riqueza produzida no campo chega às cidades por meio da compra de máquinas, veículos, materiais de construção, alimentos, serviços e outros produtos. Bocalom resumiu essa relação ao afirmar que “campo rico é cidade rica”, defendendo uma economia na qual o desenvolvimento rural fortaleça também os comerciantes e trabalhadores das áreas urbanas.

A agroindustrialização aparece como uma etapa desse processo. Bocalom explicou que fábricas de café, arroz, leite, óleo, carne suína e carne de frango precisam de matéria-prima em quantidade suficiente para operar durante todo o ano. Por isso, o primeiro passo de seu projeto será ampliar a produção e organizar as cadeias produtivas.

“Só existe indústria se tiver matéria-prima. Vamos fazer matéria-prima primeiro, que as indústrias vêm”, afirmou. A proposta prevê que o crescimento da agricultura abra espaço para novos empreendimentos, agregue valor aos produtos acreanos e mantenha uma parcela maior da riqueza dentro do estado.

Bocalom também apresentou o trabalho como instrumento de transformação social. Ele afirmou que deseja criar oportunidades para que as famílias possam aumentar a renda, comprar a casa própria, adquirir veículos, investir na propriedade e garantir melhores condições de estudo aos filhos.

“Eu quero dar oportunidade para o povo ganhar dinheiro, comprar seu caminhão, comprar seu carro, comprar sua casa e colocar o filho para estudar. É isso que eu quero”, declarou. O pré-candidato associou essa visão aos projetos de café desenvolvidos no Juruá e elogiou os produtores que vêm ampliando a atividade em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e municípios próximos.

Sargento Adonis afirmou que assumiu o projeto com responsabilidade e disposição para percorrer todas as regiões acreanas. “O que eu tenho para ofertar ao povo do Acre é a minha sinceridade e a minha lealdade. Nós vamos caminhar de Assis Brasil a Mâncio Lima, carregando nas costas o projeto do Tião Bocalom”, disse.

A entrevista marcou o início de uma agenda conjunta no Juruá e apresentou uma chapa baseada na experiência administrativa de Bocalom e na presença regional de Adonis. Com a produção rural como principal caminho para gerar emprego e renda, os dois defenderam um projeto de integração do Acre, apoio ao trabalhador e criação de oportunidades para as famílias nos municípios.

Alan Rick oficializa candidatura ao governo do Acre e coloca combate à corrupção no centro da campanha

Sob chuva e diante de apoiadores reunidos no ginásio do Sesc, em Rio Branco, o senador Alan Rick, do Republicanos, oficializou a candidatura ao governo do Acre com um discurso voltado ao combate à corrupção, à recuperação da confiança no poder público e à permanência dos acreanos no estado. Ao lado do empresário Ricardo Leite, anunciado como candidato a vice-governador, Rick atacou a atual administração e apresentou o enfrentamento aos desvios de recursos públicos como uma das principais bandeiras da campanha pelo Palácio Rio Branco.

O senador usou a expressão “corrupção endêmica” para definir o cenário que pretende enfrentar. A acusação atravessou a entrevista coletiva concedida antes da convenção e voltou ao centro do discurso no palco, quando ele associou suspeitas de desvio, obras públicas com problemas e investigações recentes à perda de serviços essenciais para a população.

“Nós precisamos nos livrar dessa corrupção endêmica. Não é possível nos acostumar com isso, achar que é normal a roubalheira que assola o nosso estado”, declarou o senador para uma multidão de apoiadores.

Rick citou episódios que chegaram ao noticiário político e policial do Acre e usou os casos para sustentar a crítica ao funcionamento da máquina estadual. Entre eles, mencionou a queda de uma ponte construída havia menos de três anos e uma investigação envolvendo recursos destinados à educação, à merenda escolar e ao transporte de estudantes.

“Não é normal uma ponte construída há menos de três anos cair e nada ser feito. Não é normal roubarem R$ 51 milhões da educação, da merenda escolar e do transporte dos alunos”, disparou o candidato, sendo ovacionado pelo público presente.

Ao levar a discussão para além das denúncias e dos valores citados, Alan Rick relacionou a corrupção e a falta de oportunidades à saída de moradores do Acre. A migração de famílias, jovens e trabalhadores em busca de emprego e melhores condições de vida em outros estados apareceu como uma das consequências de um poder público que, na avaliação do senador, deixou de oferecer perspectivas à população.

Ao ser questionado sobre sua principal missão, ele foi taxativo: “Trazer de volta a esperança para o povo do Acre, que perdeu tanta gente que foi embora do estado por falta de esperança, por essa corrupção endêmica que hoje nos envergonha. Não podemos aceitar mais tanta corrupção, tanta crueldade com o erário público e com o nosso povo”.

A declaração transformou o êxodo de acreanos em um dos eixos políticos da candidatura. Rick apresentou a recuperação da confiança no estado como condição para gerar empregos, atrair investimentos e impedir que parte da população continue enxergando a mudança para outras regiões como única possibilidade de crescimento profissional e segurança econômica.

O senador também mencionou suspeitas de caixa dois, lavagem de dinheiro e uso de institutos para movimentar recursos com finalidade eleitoral. As acusações foram atribuídas por ele a investigações e denúncias já divulgadas publicamente.

“Não é normal tentarem desviar dinheiro através de institutos para guardar recurso para a campanha deles. E aí, todos os órgãos de controle… não sou eu que estou dizendo, são as denúncias estampadas nos jornais”, pontuou.

A candidatura nasce diante de uma disputa em que o grupo governista dispõe da estrutura administrativa do estado e de alianças construídas ao longo dos últimos anos. Alan Rick reconheceu esse desequilíbrio ao falar sobre o uso da máquina pública durante o processo eleitoral. A resposta, segundo ele, dependerá da mobilização dos eleitores e da capacidade da oposição de transformar insatisfação em voto.

“Dizem que vão nos atropelar com a máquina, que vão usar o dinheiro para nos vencer, que eles vão fazer o que puder ser feito e o que tiver que ser feito para nos derrotar. Só que eles não combinaram com o povo do Acre”, desafiou.

Para reforçar a mensagem, Rick recorreu à memória da Revolução Acreana e à luta liderada por Plácido de Castro e pelos seringueiros. A comparação colocou a eleição como uma disputa pela condução política do estado e pela recuperação do que chamou de dignidade da população. O senador, no entanto, afastou qualquer referência à violência e apresentou o voto como instrumento dessa mudança.

“Estamos com a melhor arma, que é uma arma que não precisa ser preenchida com chumbo nem com pólvora. É a arma do voto, é a arma da democracia”, concluiu.

Com o lema “O Trabalho da Esperança”, a convenção marcou o início público da campanha de Alan Rick ao governo e apresentou Ricardo Leite como o nome escolhido para compor a chapa. O discurso deixou clara a estratégia eleitoral: confrontar o grupo que administra o estado, associar denúncias de corrupção à precariedade dos serviços públicos e defender uma mudança de comando como caminho para recuperar empregos, investimentos e confiança no futuro do Acre.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Mailza bloqueia Integração e expõe falta de maturidade política diante das críticas

A governadora Mailza Cameli bloqueou o acesso do Grupo Integração ao perfil oficial dela no Instagram depois de uma sequência de críticas ao governo, à condução política do Palácio Rio Branco e ao papel de Madson Castro Cameli, marido da governadora, dentro da estrutura administrativa do Estado. Enquanto a conta @mailza.acre permanece aberta para outros usuários, com cerca de 57 mil seguidores, mais de 7,3 mil perfis seguidos e 5.256 publicações, o veículo passou a ver a página como privada e inacessível. O gesto pode parecer pequeno para quem trata rede social como assunto menor, mas no caso de uma governadora ele ganha outro peso: autoridade pública não escolhe quem pode fiscalizar, perguntar ou criticar.

O bloqueio veio depois de o Integração aumentar o tom sobre temas que incomodam diretamente o governo. O grupo cobrou explicações sobre a viagem de Mailza a Londres, criticou a falta de resultados concretos da agenda internacional, questionou quem manda de fato no Palácio Rio Branco e tratou como mau exemplo político a chegada da governadora de motocicleta sem capacete a um evento de pré-campanha. Em qualquer governo com musculatura política, esse tipo de cobrança seria respondido com informação, entrevista, nota pública ou prestação de contas. Mailza escolheu o atalho mais frágil: fechar a porta.

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A reação pesa ainda mais porque a cobertura mais incômoda envolve Madson Castro Cameli, nomeado chefe do Gabinete Pessoal no Palácio Rio Branco e que também bloqueou nosso Instagram. Ele não é apenas marido da governadora. Ocupa uma função dentro do núcleo de poder e, por isso, seus atos, sua influência e sua presença no governo deixaram de pertencer à esfera privada. O caso criminal envolvendo a ex-mulher dele, Melissa Sampaio, já teve manifestação do Ministério Público do Acre, atendimento do Centro de Atendimento à Vítima e medida protetiva deferida. O Integração voltou ao tema ao publicar a cobrança de Melissa pela lentidão da Justiça e, depois, uma entrevista em que ela relatou medo, agressões e revitimização. A defesa de Madson nega as acusações.

Esse é o ponto que torna o bloqueio politicamente grave. Não se trata de uma divergência banal entre uma autoridade e um perfil de Instagram. O governo foi confrontado por reportagens sobre poder, influência familiar, uso da máquina pública, prestação de contas e violência doméstica. Em vez de enfrentar o conteúdo, Mailza isolou o emissor. A atitude não responde a nenhuma pergunta. Apenas mostra que a crítica atingiu um ponto sensível.

Maturidade política não aparece nos discursos em eventos oficiais nem nas postagens bem editadas das redes sociais. Aparece quando o governo é cobrado. Aparece quando a imprensa pergunta o que o Palácio não quer responder. Aparece quando uma autoridade aceita que o cargo público exige tolerância ao contraditório. Ao bloquear o Integração, Mailza fez o contrário. Tratou a crítica como incômodo pessoal, não como parte do jogo democrático.

Jornal da Manhã em Colunas – 29 de junho de 2026

Bocalom aposta na produção

Tião Bocalom colocou a produção rural no centro do discurso de pré-campanha ao governo do Acre. Ex-prefeito de Acrelândia por três mandatos e ex-prefeito de Rio Branco por dois, ele voltou a defender o lema “produzir para empregar” e usou a experiência de Acrelândia como vitrine, com café, leite e banana puxando a economia local.

Crítica à florestania

Bocalom também retomou críticas ao modelo político da chamada florestania. A avaliação dele é que o debate ambiental deixou em segundo plano o morador da Amazônia. O discurso reforça a tentativa de ocupar o espaço de candidato ligado à produção, ao emprego e à renda.

Acre dependente de Rondônia

Um dos pontos mais fortes da entrevista foi a crítica à dependência econômica do Acre em relação a Rondônia. Bocalom afirmou que o estado compra de fora produtos básicos como arroz, feijão, milho e leite, enquanto só mantém autossuficiência na carne. A fala deve aparecer com frequência na campanha.

Ouvidoria nos municípios

A pré-campanha de Bocalom tem sido marcada por visitas ao interior. Ele apresenta essas agendas como uma espécie de ouvidoria, com conversas diretas com moradores e levantamento de demandas locais. A estratégia mira especialmente o eleitor dos municípios, onde a pauta da produção costuma ter peso eleitoral.

Kelen no estúdio

A presença de Kelen Rejane Nunes Bocalom, esposa de Tião Bocalom, também foi registrada durante a entrevista. O pré-candidato aproveitou o momento para falar da vida pessoal e reforçar uma imagem mais próxima do eleitor.

Mailza perde sustentação

A governadora Mailza Assis enfrenta um momento de desgaste na articulação para 2026. A avaliação política apresentada no Jornal da Manhã é que a candidatura à reeleição perdeu força depois da saída de Gladson Cameli do governo e da reorganização dos aliados em torno de outros projetos.

Zequinha com Alan Rick

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, aparece no centro da movimentação no Juruá. A expectativa é de apoio a Alan Rick, movimento que amplia o isolamento de Mailza Assis e fortalece o projeto do senador na disputa pelo governo.

Alan Rick ganha terreno

Alan Rick passou a ser o principal beneficiário da debandada na base governista. Com o Republicanos organizado em torno de sua pré-candidatura, o senador tenta consolidar apoios no interior e atrair partidos que antes orbitavam o Palácio Rio Branco.

MDB em rota de saída

O MDB também aparece como peça importante nesse rearranjo. A eventual saída do partido da base de Mailza Assis teria impacto direto na composição eleitoral, principalmente pelo peso da legenda em Cruzeiro do Sul e pela influência de Vagner Sales no Juruá.

Márcio Bittar no cálculo

O senador Márcio Bittar também entra na conta das alianças. O PL tende a pesar na formação do bloco de direita e pode ser decisivo na definição do palanque mais competitivo contra Mailza Assis.

Plano de emergência

Com a perda de aliados, interlocutores do governo já discutem alternativas para evitar isolamento maior. Uma das hipóteses comentadas é abrir mão da candidatura própria e tentar indicar o vice em uma chapa mais forte. A avaliação, no entanto, é que o movimento seria difícil e revelaria o grau de pressão sobre o grupo governista.

Café ganha força no Juruá

A sessão solene do Dia do Café, realizada no Teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul, reforçou o peso da produção cafeeira na região. Vinte pioneiros foram homenageados, em uma pauta que mistura economia, agricultura familiar e política.

Luiz Gonzaga conduz homenagem

A solenidade foi presidida pelo deputado estadual Luiz Gonzaga. O presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior, estava fora do estado. O ato colocou o café como uma das apostas econômicas mais fortes do Juruá.

Expoacre Juruá aquece bastidores

A véspera da Expoacre Juruá 2026 movimenta Cruzeiro do Sul e também os bastidores da política. A feira começa em 30 de junho e deve reunir público, produtores, empresários e lideranças políticas em um ambiente favorável a conversas eleitorais.

Editorial – O poder da eminência parda no governo do Acre

O governo do Acre chegou a esta terça-feira, 16 de junho, cercado por uma pergunta que já circula nos corredores da política, nas conversas de bastidor e nas rodas onde deputado baixa a voz antes de falar: quem realmente manda no Palácio Rio Branco? A crise não nasce de uma portaria, de uma exoneração ou de um discurso oficial. Nasce da presença de figuras sem mandato, sem cargo político claro e sem responsabilidade formal, mas com força suficiente para atravessar reuniões, interferir em alianças, pressionar parlamentares e tentar controlar o rumo de um governo que deveria responder diretamente à população.

A expressão é antiga, mas voltou a vestir roupa nova no Acre: eminência parda. É aquele personagem que não aparece na placa da porta, não foi escolhido pelo eleitor, não senta na Assembleia, não carrega voto no bolso, mas age como se tivesse recebido procuração para decidir o destino de quem governa. Não assina ato, mas orienta. Não ocupa cargo visível, mas manda. Não enfrenta urna, mas tenta impor caminho a quem passou pelo voto. A política acreana conhece bem esse tipo de poder sem rosto. Ele sempre aparece quando a autoridade formal começa a dividir espaço com a conveniência do bastidor.

O problema não está na existência de auxiliares próximos. Todo governo precisa de conselheiros, articuladores e pessoas de confiança. O problema começa quando esses personagens deixam de aconselhar e passam a comandar. Quando isso acontece, o governo perde nitidez. O secretário não sabe até onde pode ir. O deputado não sabe com quem negociar. O aliado não sabe se fala com a governadora ou com quem fala por ela. O cidadão, que é o verdadeiro dono da máquina pública, fica sem saber quem cobrar quando a decisão dá errado.

No Acre de hoje, essa sombra pesa sobre a imagem da governadora Mailza Assis. A governadora parece tentar manter uma aparência de controle, mas a política não perdoa hesitação. Em governo, dúvida prolongada vira fraqueza. Aliança mal resolvida vira chantagem. Base insatisfeita vira ameaça silenciosa. E quando os próprios aliados começam a reclamar de interferência externa, de emendas represadas e de decisões tomadas por quem não tem mandato, o problema já saiu do cochicho e entrou na sala principal.

A base governista, embora numerosa no papel, já não se comporta como tropa obediente. Há incômodo entre deputados, especialmente em torno da liberação de emendas e da tentativa de transformar apoio político em obediência eleitoral. Emendas parlamentares não são presente do governo. São instrumentos públicos, muitas vezes destinados a associações, comunidades, instituições filantrópicas, pequenos municípios e serviços que atendem gente de carne e osso. Quando esse dinheiro vira moeda de pressão, quem sofre não é o deputado. Quem sofre é a dona Maria que espera atendimento, o dirigente de uma entidade que mantém serviço comunitário, a família que depende de uma ação social e o interior que vive na ponta do abandono.

É aí que a eminência parda se torna perigosa. Ela não aparece para explicar a demora. Não vai ao rádio prestar contas. Não sobe em palanque para pedir voto em nome próprio. Não encara eleitor na feira, no ramal, na fila do hospital ou na porta de uma escola. Quem carrega o desgaste é a governadora. Quem perde sustentação é o governo. Quem responde nas urnas é o grupo político. A sombra manda, mas a conta chega para quem está sob a luz.

O caso do MDB aprofunda esse desgaste. O partido entrou na aliança, saiu pela tangente, conversou com outros caminhos, voltou a deixar dúvidas e manteve a governadora em uma posição desconfortável. Na política, nada enfraquece mais uma liderança do que parecer dependente de quem não se decide. Quando um aliado oscila demais, cabe ao governo impor rumo. Mailza precisa decidir se conduz a própria campanha ou se continuará esperando que outros definam o tamanho do seu projeto. A indefinição do MDB já arranha o partido, mas também atinge a governadora, porque passa a impressão de que ela insiste em uma aliança que não lhe entrega segurança.

O Acre já atravessou períodos em que o poder se organizava por cartilha, senha e bênção. Quem estava dentro do círculo resolvia. Quem estava fora precisava rezar o terço inteiro para ser ouvido. Esse tipo de política envelheceu mal, mas não desapareceu. Ela apenas trocou o gabinete fechado pelo grupo de mensagem, a antessala pelo almoço reservado, o coronel antigo pelo operador moderno. A essência continua a mesma: poucos decidem, muitos obedecem e quase ninguém assume a responsabilidade.

Um governo que aceita esse modelo vai se afastando do chão. Deixa de ouvir prefeito pequeno, deputado incomodado, servidor cansado, liderança comunitária esquecida. Passa a ouvir apenas o eco de quem vive perto do poder. E o eco é sempre perigoso, porque devolve ao governante exatamente aquilo que ele quer escutar. O Acre real é diferente. O Acre real não quer saber quem cochicha no ouvido da governadora. Quer saber quem resolve. Quer saber quem responde. Quer saber por que a máquina pública parece travada quando deveria estar funcionando.

A crítica feita no Jornal da Manhã toca exatamente nesse ponto. Não se trata apenas de disputa eleitoral. Trata-se de responsabilidade pública. Quem manda precisa aparecer. Quem decide precisa assinar. Quem interfere precisa ter nome, cargo e dever legal. A democracia não combina com poder clandestino. Governo não pode ser comandado por presença na fotografia, influência de corredor ou intimidade com quem ocupa o cargo principal. Governo exige comando aberto, cadeia de decisão limpa e autoridade capaz de dizer sim, não e por quê.

Mailza Assis ainda tem tempo de reorganizar o próprio governo, mas esse tempo não é infinito. A governadora precisa separar conselho de comando, amizade de função pública, articulação de interferência. Precisa olhar para a base e entender que deputado não é empregado de palácio. Precisa olhar para os partidos e entender que aliança sem firmeza vira humilhação pública. Precisa olhar para dentro do governo e decidir quem fala, quem manda, quem executa e quem responde.

A eminência parda sobrevive porque raramente deixa impressão digital. Por isso mesmo, um governo responsável não pode entregar sua condução a esse tipo de personagem. A sombra protege quem opera, mas enfraquece quem governa.

Alan Rick critica Mailza por viaduto e tenta atrair Zequinha para 2026

O senador Alan Rick elevou o tom contra a governadora Mailza durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 29 de maio, em Cruzeiro do Sul, ao reagir à informação de que não seria convidado para a inauguração de um viaduto em Rio Branco, obra que, segundo ele, recebeu R$ 17 milhões de emenda de seu mandato. No mesmo bloco político, o pré-candidato ao governo do Acre abriu publicamente as portas para uma aproximação com o prefeito Zequinha Lima, do PP, partido da governadora, e disse que quer o gestor cruzeirense ao seu lado na disputa de 2026.

A resposta sobre Mailza veio depois de uma pergunta sobre a polarização que começa a marcar a pré-campanha. Alan Rick confirmou que destinou a emenda para o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, ainda no período em que o projeto era tratado com a equipe do governo estadual. O senador afirmou ter registros da destinação do recurso e lembrou que gravou vídeo, à época, em frente ao Palácio Rio Branco, ao lado da então prefeita Socorro Neri e do governador Gladson Cameli. “Foi uma emenda nossa para aquele complexo da Avenida Ceará”, disse.

Alan também afirmou que, no início, integrantes do governo teriam tentado negar a autoria da emenda. Para ele, a ausência de convite para a inauguração se soma a outras atitudes que considera politicamente pequenas. O senador citou o caso do prefeito de Feijó, que, segundo ele, teria passado três dias em Rio Branco acompanhado de oito vereadores sem ser recebido pela governadora, e mencionou ainda prefeitos de Epitaciolândia e Jordão como exemplos de gestores que, na avaliação dele, enfrentaram dificuldades por estarem alinhados ao seu grupo político.

A fala mais direta veio quando Alan separou a disputa eleitoral da entrega da obra. “Não precisa me convidar. Basta que façam a obra bem feita, que entreguem a obra no tempo rápido, que seja propícia para o povo e que não desviem recursos”, afirmou. A frase expõe a linha que o senador tenta sustentar na pré-campanha: cobrar o governo, associar seu mandato a entregas concretas e dizer que não pretende condicionar apoio institucional à posição política dos prefeitos.

Na entrevista, Alan buscou contrastar sua postura com a do grupo governista. Disse que recebe todos os prefeitos do Acre em Brasília, inclusive aliados da governadora, e afirmou que, em um estado pequeno e com muitos problemas, punir município por escolha partidária é ignorar a população. “Eu recebo todos os prefeitos do Acre, principalmente trato até melhor os que são aliados da governadora para mostrar que a gente é diferente”, declarou.

Logo depois da crítica à governadora, o assunto mudou para Zequinha Lima, mas a conexão política ficou clara. O prefeito de Cruzeiro do Sul é filiado ao PP, partido de Mailza, e passou a ser tratado por Alan como um nome desejado em seu palanque. Questionado sobre o “namoro” político com Zequinha, o senador respondeu em tom aberto: “Vai ser, se Deus quiser”. Em seguida, chamou o prefeito de “pessoa do bem” e relembrou uma passagem em Brasília, quando Zequinha chegou ao gabinete em busca de emendas, cansado e com fome, e foi recebido com farofa de ovo e farinha de Cruzeiro do Sul.

A lembrança serviu para Alan reforçar a relação pessoal com o prefeito e para mostrar como pretende tratar gestores municipais caso chegue ao governo. Ele disse que Zequinha procurava recursos para Cruzeiro do Sul e que a conversa no gabinete simbolizava respeito aos prefeitos. “É assim que eu trato os prefeitos, com muito carinho, com muito respeito”, afirmou.

Alan admitiu que a situação partidária de Zequinha cria um obstáculo. O prefeito está no PP, mesma sigla de Mailza, mas o senador disse respeitar essa condição e, ao mesmo tempo, afirmou que o gestor sabe das resistências dentro do grupo governista. Segundo Alan, há falas no outro campo político de que Zequinha estaria “queimado” em Cruzeiro do Sul e poderia prejudicar a imagem da vice-governadora. O senador disse pensar o oposto. “Eu quero o Zequinha do meu lado. Para mim, o Zequinha vale ouro”, declarou.

A tentativa de atração de Zequinha tem peso eleitoral evidente. Cruzeiro do Sul é o principal município do Juruá e um dos centros decisivos da eleição estadual. Alan ressaltou que o prefeito conhece os bairros, os ramais e a realidade local. Também saiu em defesa da gestão municipal ao afirmar que todo prefeito do interior enfrenta problemas, especialmente com baixa arrecadação própria e alto custo de obras como asfaltamento.

O senador foi além da simpatia política e deixou a porta aberta para uma composição mais ampla com o Juruá. Questionado sobre a possibilidade de escolher um vice da região, respondeu que “toda possibilidade” existe, mas disse que a decisão será tomada apenas na reta final. Para Alan, o vice precisa agregar partidos, tempo de televisão, aliados, municípios, força política, carisma e votos.

A movimentação mostra dois eixos da estratégia de Alan Rick. O primeiro é pressionar Mailza em temas de gestão, emendas e tratamento aos prefeitos, tentando fixar a ideia de que o governo usa a máquina com critério político. O segundo é disputar lideranças que hoje orbitam o campo governista, especialmente no Juruá, onde Zequinha Lima pode alterar o peso regional de qualquer palanque em 2026.

Ao declarar que não precisa de convite para inauguração e, quase no mesmo fôlego, dizer que está “de braços abertos” para Zequinha, Alan Rick deixou a pré-campanha mais nítida. A disputa contra Mailza não será apenas por votos. Será também por obras, prefeitos, símbolos regionais e pela narrativa de quem trata melhor os municípios acreanos.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.

Zequinha manda recado e expõe ruídos na pré-campanha de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, entrou no centro da pré-campanha ao governo do Acre nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, por meio de uma mensagem enviada por seu assessor de imprensa, Paulo de Sá, à coluna do Crica. O recado afastou rumores de traição à governadora Mailza Assis, mas também cobrou uma correção de rumo dentro do próprio grupo governista.

“Prefeito Zequinha tem partido, tem lado e já tratou diretamente com a governadora Mailza Assis. Não iremos ficar martelando isso todos os dias”, escreveu Paulo de Sá. A frase surgiu em meio a especulações sobre uma possível aproximação de Zequinha com o senador Alan Rick, adversário direto de Mailza na disputa pelo Palácio Rio Branco.

A mensagem, porém, foi além da defesa pessoal. O assessor criticou pessoas próximas à governadora que, segundo ele, “vivem de fofocas” e deveriam “rever a metodologia adotada na pré-campanha, porque os números das pesquisas mostram que algo precisa ser corrigido”. Com isso, Zequinha deixou claro que permanece no barco de Mailza, mas não aceita ser tratado como suspeito enquanto a campanha enfrenta dificuldades para crescer.

Cruzeiro do Sul tem peso decisivo nesse tabuleiro. Maior cidade do interior e centro político do Juruá, o município não pode ser tratado como detalhe por nenhuma candidatura competitiva ao governo. Quando o prefeito da cidade precisa reafirmar lealdade em público, o problema já não é apenas boato. É sinal de que a base governista ainda busca unidade, comando e comunicação mais eficiente.

A cobrança nasce em um momento delicado. Pesquisa Veritá divulgada em maio colocou Alan Rick à frente, com Mailza em segundo lugar e Tião Bocalom em terceiro. Mesmo com a estrutura do governo e o apoio do grupo de Gladson Cameli, a governadora ainda tenta transformar presença institucional em força eleitoral nas ruas.

O recado de Paulo de Sá também conversa com uma crítica recorrente nos bastidores: Mailza precisa ser mais presente junto ao eleitor comum, menos presa à agenda oficial e mais próxima dos bairros, ramais, mercados e lideranças locais. No Acre, campanha não se vence apenas com fotografia de gabinete. O eleitor quer ver presença, escuta e resposta.

O episódio também se conecta à movimentação de Jéssica Sales, que descartou ser vice e passou a tratar o Senado como prioridade caso Gladson Cameli não consiga disputar. Essa posição mexe diretamente na composição da chapa governista e aumenta o peso político de lideranças como Zequinha na sustentação regional de Mailza.

No fim, a mensagem do assessor não foi apenas uma nota de fidelidade. Foi uma advertência. Zequinha reafirmou lado, mas cobrou respeito e estratégia. Para Mailza, o aviso é claro: antes de procurar traidores dentro da base, a pré-campanha precisa corrigir método, organizar aliados e encontrar o eleitor fora dos corredores do poder.

Foto: Felipe Freire/Secom