Editorial – O poder da eminência parda no governo do Acre

O governo do Acre chegou a esta terça-feira, 16 de junho, cercado por uma pergunta que já circula nos corredores da política, nas conversas de bastidor e nas rodas onde deputado baixa a voz antes de falar: quem realmente manda no Palácio Rio Branco? A crise não nasce de uma portaria, de uma exoneração ou de um discurso oficial. Nasce da presença de figuras sem mandato, sem cargo político claro e sem responsabilidade formal, mas com força suficiente para atravessar reuniões, interferir em alianças, pressionar parlamentares e tentar controlar o rumo de um governo que deveria responder diretamente à população.

A expressão é antiga, mas voltou a vestir roupa nova no Acre: eminência parda. É aquele personagem que não aparece na placa da porta, não foi escolhido pelo eleitor, não senta na Assembleia, não carrega voto no bolso, mas age como se tivesse recebido procuração para decidir o destino de quem governa. Não assina ato, mas orienta. Não ocupa cargo visível, mas manda. Não enfrenta urna, mas tenta impor caminho a quem passou pelo voto. A política acreana conhece bem esse tipo de poder sem rosto. Ele sempre aparece quando a autoridade formal começa a dividir espaço com a conveniência do bastidor.

O problema não está na existência de auxiliares próximos. Todo governo precisa de conselheiros, articuladores e pessoas de confiança. O problema começa quando esses personagens deixam de aconselhar e passam a comandar. Quando isso acontece, o governo perde nitidez. O secretário não sabe até onde pode ir. O deputado não sabe com quem negociar. O aliado não sabe se fala com a governadora ou com quem fala por ela. O cidadão, que é o verdadeiro dono da máquina pública, fica sem saber quem cobrar quando a decisão dá errado.

No Acre de hoje, essa sombra pesa sobre a imagem da governadora Mailza Assis. A governadora parece tentar manter uma aparência de controle, mas a política não perdoa hesitação. Em governo, dúvida prolongada vira fraqueza. Aliança mal resolvida vira chantagem. Base insatisfeita vira ameaça silenciosa. E quando os próprios aliados começam a reclamar de interferência externa, de emendas represadas e de decisões tomadas por quem não tem mandato, o problema já saiu do cochicho e entrou na sala principal.

A base governista, embora numerosa no papel, já não se comporta como tropa obediente. Há incômodo entre deputados, especialmente em torno da liberação de emendas e da tentativa de transformar apoio político em obediência eleitoral. Emendas parlamentares não são presente do governo. São instrumentos públicos, muitas vezes destinados a associações, comunidades, instituições filantrópicas, pequenos municípios e serviços que atendem gente de carne e osso. Quando esse dinheiro vira moeda de pressão, quem sofre não é o deputado. Quem sofre é a dona Maria que espera atendimento, o dirigente de uma entidade que mantém serviço comunitário, a família que depende de uma ação social e o interior que vive na ponta do abandono.

É aí que a eminência parda se torna perigosa. Ela não aparece para explicar a demora. Não vai ao rádio prestar contas. Não sobe em palanque para pedir voto em nome próprio. Não encara eleitor na feira, no ramal, na fila do hospital ou na porta de uma escola. Quem carrega o desgaste é a governadora. Quem perde sustentação é o governo. Quem responde nas urnas é o grupo político. A sombra manda, mas a conta chega para quem está sob a luz.

O caso do MDB aprofunda esse desgaste. O partido entrou na aliança, saiu pela tangente, conversou com outros caminhos, voltou a deixar dúvidas e manteve a governadora em uma posição desconfortável. Na política, nada enfraquece mais uma liderança do que parecer dependente de quem não se decide. Quando um aliado oscila demais, cabe ao governo impor rumo. Mailza precisa decidir se conduz a própria campanha ou se continuará esperando que outros definam o tamanho do seu projeto. A indefinição do MDB já arranha o partido, mas também atinge a governadora, porque passa a impressão de que ela insiste em uma aliança que não lhe entrega segurança.

O Acre já atravessou períodos em que o poder se organizava por cartilha, senha e bênção. Quem estava dentro do círculo resolvia. Quem estava fora precisava rezar o terço inteiro para ser ouvido. Esse tipo de política envelheceu mal, mas não desapareceu. Ela apenas trocou o gabinete fechado pelo grupo de mensagem, a antessala pelo almoço reservado, o coronel antigo pelo operador moderno. A essência continua a mesma: poucos decidem, muitos obedecem e quase ninguém assume a responsabilidade.

Um governo que aceita esse modelo vai se afastando do chão. Deixa de ouvir prefeito pequeno, deputado incomodado, servidor cansado, liderança comunitária esquecida. Passa a ouvir apenas o eco de quem vive perto do poder. E o eco é sempre perigoso, porque devolve ao governante exatamente aquilo que ele quer escutar. O Acre real é diferente. O Acre real não quer saber quem cochicha no ouvido da governadora. Quer saber quem resolve. Quer saber quem responde. Quer saber por que a máquina pública parece travada quando deveria estar funcionando.

A crítica feita no Jornal da Manhã toca exatamente nesse ponto. Não se trata apenas de disputa eleitoral. Trata-se de responsabilidade pública. Quem manda precisa aparecer. Quem decide precisa assinar. Quem interfere precisa ter nome, cargo e dever legal. A democracia não combina com poder clandestino. Governo não pode ser comandado por presença na fotografia, influência de corredor ou intimidade com quem ocupa o cargo principal. Governo exige comando aberto, cadeia de decisão limpa e autoridade capaz de dizer sim, não e por quê.

Mailza Assis ainda tem tempo de reorganizar o próprio governo, mas esse tempo não é infinito. A governadora precisa separar conselho de comando, amizade de função pública, articulação de interferência. Precisa olhar para a base e entender que deputado não é empregado de palácio. Precisa olhar para os partidos e entender que aliança sem firmeza vira humilhação pública. Precisa olhar para dentro do governo e decidir quem fala, quem manda, quem executa e quem responde.

A eminência parda sobrevive porque raramente deixa impressão digital. Por isso mesmo, um governo responsável não pode entregar sua condução a esse tipo de personagem. A sombra protege quem opera, mas enfraquece quem governa.

Alan Rick critica Mailza por viaduto e tenta atrair Zequinha para 2026

O senador Alan Rick elevou o tom contra a governadora Mailza durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 29 de maio, em Cruzeiro do Sul, ao reagir à informação de que não seria convidado para a inauguração de um viaduto em Rio Branco, obra que, segundo ele, recebeu R$ 17 milhões de emenda de seu mandato. No mesmo bloco político, o pré-candidato ao governo do Acre abriu publicamente as portas para uma aproximação com o prefeito Zequinha Lima, do PP, partido da governadora, e disse que quer o gestor cruzeirense ao seu lado na disputa de 2026.

A resposta sobre Mailza veio depois de uma pergunta sobre a polarização que começa a marcar a pré-campanha. Alan Rick confirmou que destinou a emenda para o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, ainda no período em que o projeto era tratado com a equipe do governo estadual. O senador afirmou ter registros da destinação do recurso e lembrou que gravou vídeo, à época, em frente ao Palácio Rio Branco, ao lado da então prefeita Socorro Neri e do governador Gladson Cameli. “Foi uma emenda nossa para aquele complexo da Avenida Ceará”, disse.

Alan também afirmou que, no início, integrantes do governo teriam tentado negar a autoria da emenda. Para ele, a ausência de convite para a inauguração se soma a outras atitudes que considera politicamente pequenas. O senador citou o caso do prefeito de Feijó, que, segundo ele, teria passado três dias em Rio Branco acompanhado de oito vereadores sem ser recebido pela governadora, e mencionou ainda prefeitos de Epitaciolândia e Jordão como exemplos de gestores que, na avaliação dele, enfrentaram dificuldades por estarem alinhados ao seu grupo político.

A fala mais direta veio quando Alan separou a disputa eleitoral da entrega da obra. “Não precisa me convidar. Basta que façam a obra bem feita, que entreguem a obra no tempo rápido, que seja propícia para o povo e que não desviem recursos”, afirmou. A frase expõe a linha que o senador tenta sustentar na pré-campanha: cobrar o governo, associar seu mandato a entregas concretas e dizer que não pretende condicionar apoio institucional à posição política dos prefeitos.

Na entrevista, Alan buscou contrastar sua postura com a do grupo governista. Disse que recebe todos os prefeitos do Acre em Brasília, inclusive aliados da governadora, e afirmou que, em um estado pequeno e com muitos problemas, punir município por escolha partidária é ignorar a população. “Eu recebo todos os prefeitos do Acre, principalmente trato até melhor os que são aliados da governadora para mostrar que a gente é diferente”, declarou.

Logo depois da crítica à governadora, o assunto mudou para Zequinha Lima, mas a conexão política ficou clara. O prefeito de Cruzeiro do Sul é filiado ao PP, partido de Mailza, e passou a ser tratado por Alan como um nome desejado em seu palanque. Questionado sobre o “namoro” político com Zequinha, o senador respondeu em tom aberto: “Vai ser, se Deus quiser”. Em seguida, chamou o prefeito de “pessoa do bem” e relembrou uma passagem em Brasília, quando Zequinha chegou ao gabinete em busca de emendas, cansado e com fome, e foi recebido com farofa de ovo e farinha de Cruzeiro do Sul.

A lembrança serviu para Alan reforçar a relação pessoal com o prefeito e para mostrar como pretende tratar gestores municipais caso chegue ao governo. Ele disse que Zequinha procurava recursos para Cruzeiro do Sul e que a conversa no gabinete simbolizava respeito aos prefeitos. “É assim que eu trato os prefeitos, com muito carinho, com muito respeito”, afirmou.

Alan admitiu que a situação partidária de Zequinha cria um obstáculo. O prefeito está no PP, mesma sigla de Mailza, mas o senador disse respeitar essa condição e, ao mesmo tempo, afirmou que o gestor sabe das resistências dentro do grupo governista. Segundo Alan, há falas no outro campo político de que Zequinha estaria “queimado” em Cruzeiro do Sul e poderia prejudicar a imagem da vice-governadora. O senador disse pensar o oposto. “Eu quero o Zequinha do meu lado. Para mim, o Zequinha vale ouro”, declarou.

A tentativa de atração de Zequinha tem peso eleitoral evidente. Cruzeiro do Sul é o principal município do Juruá e um dos centros decisivos da eleição estadual. Alan ressaltou que o prefeito conhece os bairros, os ramais e a realidade local. Também saiu em defesa da gestão municipal ao afirmar que todo prefeito do interior enfrenta problemas, especialmente com baixa arrecadação própria e alto custo de obras como asfaltamento.

O senador foi além da simpatia política e deixou a porta aberta para uma composição mais ampla com o Juruá. Questionado sobre a possibilidade de escolher um vice da região, respondeu que “toda possibilidade” existe, mas disse que a decisão será tomada apenas na reta final. Para Alan, o vice precisa agregar partidos, tempo de televisão, aliados, municípios, força política, carisma e votos.

A movimentação mostra dois eixos da estratégia de Alan Rick. O primeiro é pressionar Mailza em temas de gestão, emendas e tratamento aos prefeitos, tentando fixar a ideia de que o governo usa a máquina com critério político. O segundo é disputar lideranças que hoje orbitam o campo governista, especialmente no Juruá, onde Zequinha Lima pode alterar o peso regional de qualquer palanque em 2026.

Ao declarar que não precisa de convite para inauguração e, quase no mesmo fôlego, dizer que está “de braços abertos” para Zequinha, Alan Rick deixou a pré-campanha mais nítida. A disputa contra Mailza não será apenas por votos. Será também por obras, prefeitos, símbolos regionais e pela narrativa de quem trata melhor os municípios acreanos.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.

Zequinha manda recado e expõe ruídos na pré-campanha de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, entrou no centro da pré-campanha ao governo do Acre nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, por meio de uma mensagem enviada por seu assessor de imprensa, Paulo de Sá, à coluna do Crica. O recado afastou rumores de traição à governadora Mailza Assis, mas também cobrou uma correção de rumo dentro do próprio grupo governista.

“Prefeito Zequinha tem partido, tem lado e já tratou diretamente com a governadora Mailza Assis. Não iremos ficar martelando isso todos os dias”, escreveu Paulo de Sá. A frase surgiu em meio a especulações sobre uma possível aproximação de Zequinha com o senador Alan Rick, adversário direto de Mailza na disputa pelo Palácio Rio Branco.

A mensagem, porém, foi além da defesa pessoal. O assessor criticou pessoas próximas à governadora que, segundo ele, “vivem de fofocas” e deveriam “rever a metodologia adotada na pré-campanha, porque os números das pesquisas mostram que algo precisa ser corrigido”. Com isso, Zequinha deixou claro que permanece no barco de Mailza, mas não aceita ser tratado como suspeito enquanto a campanha enfrenta dificuldades para crescer.

Cruzeiro do Sul tem peso decisivo nesse tabuleiro. Maior cidade do interior e centro político do Juruá, o município não pode ser tratado como detalhe por nenhuma candidatura competitiva ao governo. Quando o prefeito da cidade precisa reafirmar lealdade em público, o problema já não é apenas boato. É sinal de que a base governista ainda busca unidade, comando e comunicação mais eficiente.

A cobrança nasce em um momento delicado. Pesquisa Veritá divulgada em maio colocou Alan Rick à frente, com Mailza em segundo lugar e Tião Bocalom em terceiro. Mesmo com a estrutura do governo e o apoio do grupo de Gladson Cameli, a governadora ainda tenta transformar presença institucional em força eleitoral nas ruas.

O recado de Paulo de Sá também conversa com uma crítica recorrente nos bastidores: Mailza precisa ser mais presente junto ao eleitor comum, menos presa à agenda oficial e mais próxima dos bairros, ramais, mercados e lideranças locais. No Acre, campanha não se vence apenas com fotografia de gabinete. O eleitor quer ver presença, escuta e resposta.

O episódio também se conecta à movimentação de Jéssica Sales, que descartou ser vice e passou a tratar o Senado como prioridade caso Gladson Cameli não consiga disputar. Essa posição mexe diretamente na composição da chapa governista e aumenta o peso político de lideranças como Zequinha na sustentação regional de Mailza.

No fim, a mensagem do assessor não foi apenas uma nota de fidelidade. Foi uma advertência. Zequinha reafirmou lado, mas cobrou respeito e estratégia. Para Mailza, o aviso é claro: antes de procurar traidores dentro da base, a pré-campanha precisa corrigir método, organizar aliados e encontrar o eleitor fora dos corredores do poder.

Foto: Felipe Freire/Secom