Perpétua Almeida critica ausência de mulheres na Aleac e promete mandato voltado a grandes causas

Eleita para o quinto mandato de deputada federal, Perpétua Almeida (PCdoB) afirmou nesta segunda-feira (5) que pretende retornar à Câmara dos Deputados com uma atuação concentrada em pautas sociais, agricultura familiar, geração de emprego, educação e desenvolvimento econômico. Ao comentar o resultado das eleições no Acre, a parlamentar também criticou a ausência de mulheres entre os 24 deputados estaduais eleitos para a próxima legislatura.

Ao falar sobre a nova vitória nas urnas, Perpétua tratou o resultado como parte de uma trajetória iniciada há mais de duas décadas na política acreana. Em duas eleições anteriores, ela chegou a ocupar a posição de deputada federal mais votada do estado.

“5ª vitória? Eu sou pentacampeã das urnas, não é?”, afirmou.

A deputada também disse que pretende manter sua identidade política durante o novo mandato. Filiada ao PCdoB, Perpétua afirmou que não pretende esconder sua posição ideológica e relacionou sua atuação à defesa de políticas voltadas principalmente à população de menor renda.

“É possível fazer política de mãos limpas. Sem medo de dizer que sou de esquerda. Todo mundo sabe, não adianta esconder”, declarou.

Entre as prioridades apresentadas por ela estão investimentos na agroindústria, bioindústria e pequenas e médias empresas. A proposta é ampliar o beneficiamento da produção dentro do próprio Acre, principalmente dos produtos ligados à agricultura familiar.

“Eu vou continuar falando, porque é a gente industrializar a produção dos pequenos, da agricultura familiar, de quem bota comida na nossa mesa”, disse.

Perpétua também citou universidades, institutos federais, políticas para a juventude e geração de empregos entre os temas que pretende levar novamente ao Congresso Nacional.

“As pessoas querem melhorar de vida é agora. E é com os nossos mandatos que a gente vai ajudar”, afirmou.

Um dos pontos da entrevista foi o resultado da disputa pela Assembleia Legislativa. Nenhuma mulher conseguiu uma das 24 cadeiras da Aleac nas eleições de 2026. Perpétua afirmou ter comemorado a reeleição do marido, o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), mas disse ter recebido com preocupação a composição exclusivamente masculina do Parlamento estadual.

“Eu confesso que quando eu vi o resultado da Assembleia Legislativa do Acre, eu fiquei muito feliz pela vitória do Edvaldo, meu marido, que é um militante de causas, militante de esquerda. Mas o fato de não ter nenhuma mulher ali, pelo amor de Deus, o que está acontecendo com o Acre?”, questionou.

A deputada relacionou a baixa representação feminina na política aos problemas enfrentados pelas mulheres no estado, entre eles a violência doméstica e o feminicídio.

“Logo o nosso Estado, campeão em feminicídio. Um Estado que todas as pesquisas dizem que não é seguro para as mulheres viver. Como é que é isso?”, disse.

Para Perpétua, o resultado precisa ser analisado por partidos e pela própria sociedade para identificar as razões que levaram a Assembleia Legislativa a ficar sem representação feminina na próxima legislatura.

“Em vez de a gente botar mais mulheres na Assembleia, para ajudar a gente superar esse desafio, a gente tira as mulheres que tem lá dentro e só bota homens”, afirmou.

Sobre os próximos quatro anos na Câmara, a parlamentar definiu a proposta de atuação como um mandato voltado às “grandes causas” e afirmou que pretende dar continuidade a projetos iniciados em períodos anteriores.

“Um mandato de grandes causas, de boas lutas, um mandato de dedicação, um mandato de entrega total. Para mim, política é isso. É olhar para quem precisa e trabalhar com eles”, declarou.

Perpétua citou como exemplos de ações apoiadas por seus mandatos as feiras destinadas a mulheres produtoras rurais e à agricultura familiar em Rio Branco. Segundo ela, cinco espaços tiveram participação de seu mandato na viabilização.

A deputada também mencionou projetos voltados à recuperação de jovens dependentes de drogas, investimentos em laboratórios de universidades e apoio à instalação de indústrias e pequenas unidades industriais no Acre.

“Quando eu vejo laboratórios nas universidades, quando eu vejo indústrias sendo construídas, inauguradas, mini-indústrias também, e sei que o meu mandato chegou lá, eu vou dar continuidade a esse trabalho, porque deu certo”, afirmou.

Fonte: Na Proa da Notícia

Acre será o único estado do país sem mulheres na Assembleia Legislativa em 2027

O Acre será o único estado brasileiro sem nenhuma mulher no Parlamento estadual a partir de 2027. As eleições deste domingo (4) definiram os 24 deputados que vão compor a próxima legislatura da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), e todas as vagas foram conquistadas por homens.

O resultado elimina a representação feminina atualmente existente na Casa. Hoje, três das 24 cadeiras são ocupadas por mulheres: Antonia Sales (MDB), Maria Antônia (PP) e Michelle Melo (União Brasil). As três disputaram a reeleição em 2026, mas ficaram fora da nova composição.

Com isso, a participação feminina na Aleac cairá de 12,5% para zero. A situação não se repete em nenhuma outra unidade da Federação. Nas demais Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, pelo menos duas mulheres foram eleitas para a próxima legislatura.

No cenário nacional, 218 mulheres foram eleitas para as Assembleias estaduais e para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, diante de 841 homens. São 1.059 cadeiras no total, com as mulheres ocupando 20,6% das vagas. No Acre, serão 24 homens e nenhuma mulher.

O Ceará terá a maior presença feminina proporcionalmente: 14 das 46 cadeiras serão ocupadas por mulheres, pouco mais de 30% da Assembleia. São Paulo terá o maior número absoluto, com 28 deputadas entre os 94 parlamentares eleitos.

A ausência de mulheres também representa uma mudança em relação à eleição de 2022, quando Antonia Sales, Maria Antônia e Michelle Melo garantiram três vagas. A partir da posse da nova legislatura, em 2027, a Aleac voltará a ter uma composição totalmente masculina, situação que não ocorria após uma eleição estadual no Acre desde 1994.