Prefeito de Rodrigues Alves diz que ponte ficou parada por ter sido amarrada à estrada para o Peru

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, afirmou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, que a ponte sobre o Rio Juruá continua sem execução porque foi colocada dentro do projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru. Para ele, a obra deveria ter sido tratada separadamente, já que a necessidade da ponte é local e imediata, enquanto a rodovia internacional envolve licenciamento, consulta a povos indígenas, estudos ambientais e uma disputa jurídica bem mais ampla. “Hoje nós todos sabemos da importância de nós termos ali aquela ponte em Rodrigues Alves”, disse o prefeito.

A ponte é prometida há décadas e seria a ligação direta entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Hoje, a travessia depende da balsa. A própria conversa no programa nasceu desse ponto: não dá para falar de Rodrigues Alves sem falar da ponte. A BR-364 passa nas proximidades da frente do município, abaixo da travessia da balsa, numa área onde os limites de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima se encontram. Essa localização torna a obra mais do que uma demanda municipal. Ela mexe com o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, comerciantes, produtores rurais e moradores que dependem de Cruzeiro do Sul para serviços públicos, saúde, comércio e transporte.

Salatiel disse que a ponte acabou presa ao mesmo processo da estrada para o Peru. “Antes se dizia que ia ter a construção da estrada até o Peru e que o projeto da ponte estava dentro desse projeto dessa estrada. Depois veio o embargo pelo Ministério Público Federal dessa rodovia, onde não tiveram como executar a ponte porque estava dentro desse projeto”, afirmou. A explicação do prefeito coincide com o histórico do edital nº 130/2021 do DNIT, questionado judicialmente por entidades indígenas, indigenistas, ambientalistas e extrativistas por falta de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental e por ausência de consulta prévia a povos indígenas afetados pela rodovia até Pucallpa.

O ponto central da entrevista foi a crítica ao erro de origem. Chico Melo questionou se a ponte não deveria ter ficado fora do pacote da estrada internacional. Salatiel concordou. Para o prefeito, assim que o projeto maior foi embargado, o caminho deveria ter sido retirar a ponte daquele processo e criar uma tramitação independente em Brasília. “No próprio instante que o projeto foi embargado pelo Ministério Público Federal, era também, se possível, imediatamente ali, que se tivesse feito os mecanismos lá em Brasília para que rapidamente tirasse a ponte desse projeto”, disse.

A crítica do prefeito foi além da demora. Salatiel disse que já havia projeto e estudo para a ponte, mas a obra voltou para uma nova rodada de etapas técnicas. “Já tinha um projeto de uma ponte feito. Então por que não pegaram esse projeto e botaram ele para execução separadamente?”, questionou. Na avaliação dele, a burocracia transformou uma obra regional em promessa permanente. “As pessoas burocratizam muito as coisas que findam deixando de desenvolver uma região”, afirmou.

O contexto jurídico da ponte é mais específico do que a discussão pública costuma apresentar. Em 2023, a SOS Amazônia afirmou ser favorável à construção da ponte sobre o Rio Juruá entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul e defendeu que a ação civil pública contra a estrada para Pucallpa preservava a ponte. O MPF também afirmou que pediu a nulidade do edital da rodovia, mas tentou excluir do bloqueio o trecho da ponte sobre o Rio Juruá. A Justiça Federal não liberou o aproveitamento da licitação embargada, mas admitiu a possibilidade de novas licitações específicas para a ponte.

Esse detalhe muda o peso da discussão. A ponte não foi barrada por ser considerada desnecessária. O problema foi o caminho escolhido para tentar tirá-la do papel, uma escolha politica, com apoio da bancada federal do Acre na época. Ao entrar junto da ligação até o Peru, a obra passou a carregar o mesmo conflito da rodovia internacional, que envolve impacto ambiental, consulta a povos indígenas e abertura de uma rota até Pucallpa. Para Rodrigues Alves, a demanda é outra: atravessar o Rio Juruá sem depender de balsa.

Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes incluiu a ponte no pacote de obras rodoviárias do Acre. A pasta anunciou R$ 875 milhões para rodovias no estado e previu estudos e projetos básicos e executivos de engenharia para a construção da ponte sobre o Rio Juruá, em Rodrigues Alves, na BR-364. O investimento anunciado para essa etapa foi de R$ 1,9 milhão, com estrutura prevista de cerca de sete quilômetros.

Na entrevista, Salatiel tentou separar o que é promessa antiga do que é necessidade concreta. Para ele, a ponte não atenderia apenas Rodrigues Alves. “Aquela ponte não vai desenvolver só o município de Rodrigues Alves, ela vai desenvolver a região do Juruá”, disse. A frase resume a cobrança política que permanece sobre a obra: enquanto o projeto não avança para execução, a população continua dependendo da balsa, e Rodrigues Alves segue com uma barreira física entre sua sede, Cruzeiro do Sul e o restante da malha de serviços da região.

Governo Federal projeta R$ 5 bilhões para reconstrução da BR-364 e destrava anel viário de Brasileia

A reconstrução estrutural da BR-364 e as obras emergenciais na malha rodoviária federal do Acre deve receber um investimento de R$ 5 bilhões nos próximos anos, com licitações previstas para os trechos mais críticos até o final de 2026. “É um projeto que tem a sua projeção de 5 bilhões”, afirmou Ricardo Araújo ao explicar a dimensão das intervenções necessárias para garantir a estabilidade da pista sobre o solo argiloso local.

O cronograma de recuperação, focado na aplicação de macadame hidráulico e na desobstrução de pontos intrafegáveis para garantir o tráfego no estado, foi detalhado pelo diretor-presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Acre, Ricardo Araújo, nesta terça-feira, durante o podcast Gazeta Entrevista, apresentado por Astério.

O projeto executivo recém-lançado pelo Ministério dos Transportes abrange a reconstrução completa do segmento entre Sena Madureira e a região do Rio Macapá, totalizando 106 quilômetros de rodovia. Uma segunda frente de obras, estendendo-se do Macapá até o município de Fejó, terá sua licitação aberta entre setembro e outubro. O material adotado para a base das pistas é o macadame hidráulico, executado com uma espessura mínima de oito centímetros de pedra. A tecnologia é capaz de drenar a água bombeada pelo peso dos veículos pesados e evitar o rompimento precoce da capa asfáltica.

“A rodovia chegou no seu limite e precisávamos de uma ação mais drástica”, afirmou Araújo sobre o esgotamento do antigo pavimento. A necessidade social e logística do estado fez com que o Acre saltasse da 12ª para a primeira posição na lista de prioridades de projetos de engenharia do DNIT. Enquanto as obras estruturais de longo prazo aguardam os trâmites licitatórios, equipes já trabalham na eliminação de cerca de 70 quilômetros fragmentados que hoje representam os maiores gargalos da estrada, especialmente no lote cinco, nas proximidades de Fejó. O plano operacional vai garantir o trânsito fluído até o mês de setembro. As primeiras intervenções na pista reduziram o tempo de viagem entre Fejó e Tarauacá de quase duas horas para 55 minutos.

As rodovias acreanas enfrentam desafios geológicos severos causados pela movimentação de terras caídas, fenômeno intensificado pela rápida variação do volume hídrico dos rios locais. As estruturas das 65 pontes federais localizadas nas BRs 364 e 317 passam por vistorias e manutenções contínuas, sobretudo nas juntas de dilatação. A ponte sobre o Rio Caité, por exemplo, sofreu um deslocamento total de três metros em sua estrutura nos últimos anos devido à erosão fluvial. O local passa por monitoramento diário e recebeu reforço nos pilares para a liberação do tráfego.

Na BR-317, os trabalhos concentram-se no recapeamento e na correção de inclinação das pistas, como a obra executada na Curva do Alemão. O trecho entre Brasileia e Assis Brasil terá a manutenção assumida por uma nova empresa vencedora de licitação, a LCM. Em Brasileia, o edital para a construção do anel viário e das vias de acesso à ponte isolada no leito do rio foi colocado novamente na praça, superando um bloqueio gerado por fraudes documentais de empresas concorrentes na primeira tentativa de certame. O projeto engloba a construção de 10 quilômetros de vias laterais e vai aliviar o tráfego pesado sobre a antiga ponte José Augusto, erguida na década de 1980 e que opera acima da capacidade projetada.

Os R$ 5 bilhões que devem ser aplicados reconstrução estrutural da BR-364 no Acre estão com rubrica orçamentária carimbada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ministro promete tirar BR-364 do estado crítico até setembro e anuncia nova frente de obras no Acre

O ministro dos Transportes, George Santoro, chegou ao Acre, trazido em uma articulação do ex-governador e ex-senador Jorge Viana, com uma promessa direta sobre a BR-364: melhorar as condições de tráfego da rodovia até setembro. A declaração foi feita na manhã desta segunda-feira, 15, antes do início da agenda oficial no estado, em meio à pressão crescente provocada pela sequência de problemas na estrada que liga Rio Branco ao interior.

Santoro reconheceu que a situação da BR-364 é grave. Segundo ele, a primeira resposta do Ministério será a manutenção emergencial dos trechos mais comprometidos, enquanto uma intervenção mais pesada será contratada para os próximos anos.

“Até setembro a gente está com a manutenção”, afirmou o ministro, ao dizer que a meta é tirar a estrada do patamar atual de precariedade. Ele também admitiu que a rodovia “está muito ruim, com vários pontos péssimos”.

O ministro disse que o governo federal pretende contratar R$ 1,7 bilhão em obras para recuperar a rodovia nos próximos três verões. A proposta é refazer trechos em outro padrão de engenharia, com intervenções mais duradouras e capazes de enfrentar as condições do solo e do inverno amazônico.

Entre os anúncios previstos para a agenda no Acre está a assinatura do aviso de licitação para reconstrução de 104 quilômetros da BR-364, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, incluindo o acesso a Manoel Urbano. O investimento estimado é de R$ 714 milhões.

Nos últimos meses, motoristas, passageiros e moradores do interior passaram a relatar com mais frequência atolamentos, buracos, trechos deformados, saídas de pista e dificuldades de deslocamento. A estrada é a principal ligação terrestre entre Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

Pela manhã, Santoro foi recebido pela governadora Mailza Assis no Palácio Rio Branco. O encontro tratou das demandas do Acre na área de transportes e dos investimentos federais previstos para a malha rodoviária. A governadora espera que a visita resulte em encaminhamentos concretos para a BR-364 e outras obras consideradas estratégicas para o estado.

A programação do ministro também inclui coletiva em trecho da BR-364, na região da Estrada do Aeroporto, além de vistorias em Sena Madureira. Uma das visitas previstas é à Ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, que desabou no início do mês. Santoro também deve acompanhar a situação da ponte sobre o Rio Caeté, no km 282 da BR-364, estrutura considerada essencial para manter a ligação terrestre com o interior.

Ao falar sobre a rodovia, o ministro também fez críticas à condução anterior da política de infraestrutura. Segundo ele, a BR-364 ficou anos sem receber o volume de investimento necessário para uma estrada com esse peso econômico e social para o Acre.

A fala de Santoro estabelece um prazo político e administrativo para o Ministério dos Transportes. Até setembro, a promessa é entregar uma rodovia ao menos em condições regulares de tráfego. Depois disso, o desafio será transformar os anúncios de recuperação estrutural em obra efetiva, em uma estrada que há anos alterna remendos, interrupções e cobranças sem resposta definitiva.

URGENTE – Jorge Viana anuncia ida com ministro a Sena Madureira após queda de ponte e cobra solução para travessia

Jorge Viana anunciou que estará em Sena Madureira no próximo dia 15 ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, para discutir uma resposta à queda da ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco. Em vídeo divulgado após o desabamento da estrutura, ele prestou solidariedade às famílias atingidas, disse que procurou o Ministério dos Transportes e afirmou que a visita terá conversas com autoridades e moradores para definir uma saída para a cidade, que perdeu a principal ligação entre o Primeiro e o Segundo Distrito.

“A minha palavra é a primeira de conforto para os irmãos de Sena Madureira que viveram essa tragédia”, disse Jorge Viana. Na mesma fala, ele citou as famílias atingidas e afirmou que o momento exige apoio imediato. “Procurei o Ministério do Transporte porque o presidente Lula sempre é solidário com o Acre. Falei com o ministro dos Transportes e no próximo dia quinze nós vamos estar lá em Sena Madureira. Eu vou estar junto com o ministro Transporte, falando com as autoridades, falando com a comunidade de Sena, para ajudar na solução.”

A queda da ponte interrompeu uma estrutura inaugurada em dezembro de 2023 para encerrar um problema histórico de mobilidade em Sena Madureira. Antes da obra, moradores do Segundo Distrito dependiam de embarcações para atravessar o Rio Iaco ou precisavam fazer deslocamentos mais longos pela BR-364. A ponte passou a ser apresentada como uma ligação definitiva entre as duas partes da cidade, com impacto direto na circulação de moradores, estudantes, trabalhadores e serviços.

A entrada de Jorge Viana no caso ocorre num momento em que Sena Madureira enfrenta uma crise concreta de mobilidade, e não apenas uma disputa política sobre a obra que caiu. A cidade já convive com outra frente sensível na infraestrutura rodoviária: a ponte sobre o Rio Caeté, na BR-364, está em obras de reforço estrutural sob responsabilidade do DNIT, com operação provisória para manter a passagem. Com a ponte sobre o Rio Iaco fora de uso, o debate sobre acessos, travessias e segurança das estruturas passou a envolver ao mesmo tempo o governo do Estado, o Ministério dos Transportes e o DNIT no Acre.

No vídeo, Jorge Viana também fez uma distinção entre a busca por ajuda e a responsabilidade pela obra. “É ajudar, mesmo sabendo que essa obra é de cem por cento de responsabilidade do governo do Estado”, afirmou. A fala combina solidariedade às vítimas com a tentativa de encaminhar uma resposta institucional para a cidade, ao colocar a agenda federal como parte da solução para restabelecer a travessia e reduzir o impacto sobre a rotina de Sena Madureira.

Ao final, ele defendeu que o Acre volte a priorizar obras bem executadas e menos confronto político. “O povo acreano não está interessado em direita, esquerda, briga ideológica. Ele está interessado que as coisas no Acre voltem a ser feita e bem feitas”, disse.