“Tenho uma família e preciso priorizar minha família”: Clodoaldo abre lado pessoal e fala da alegria que encontra na política

A decisão de não levar adiante a candidatura da esposa a deputada federal abriu o trecho mais pessoal da entrevista concedida pelo deputado estadual Clodoaldo Rodrigues ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul. Ao sair do discurso sobre eleição, alianças e mandato, ele falou da rotina longe de casa, da criação dos filhos, da responsabilidade da mulher com os pais e do limite que decidiu impor à própria vida política. “Tenho uma família e preciso priorizar minha família”, afirmou.

Clodoaldo disse que a política não pode ser tratada como projeto familiar e explicou que a escolha de não avançar com o nome da esposa passou menos por cálculo eleitoral e mais pela necessidade de preservar a estrutura da casa. Contou que a família não se mudou para Rio Branco, apesar das exigências do mandato, e que a distância virou parte da rotina. “Vivo nessa ida e vinda pela BR, chegando de noite, às vezes correndo risco nessas viagens”, disse. Na mesma resposta, resumiu o motivo que pesou na decisão: “Se minha família não foi para Rio Branco, imagine se ela estivesse em Brasília e eu em Rio Branco. Como ficariam nossos filhos?”

O deputado também falou do peso que as perdas familiares têm sobre a forma como enxerga a própria trajetória. Ao lembrar que perdeu pai e mãe cedo, puxou a conversa para um terreno mais íntimo e menos comum no vocabulário político. “Há coisas na vida em que o tempo não volta. Perdi meus pais muito cedo, pai e mãe, e sei a falta que fazem. Chega um momento em que quero curtir meus filhos, minha família e cuidar deles”, afirmou.

Foi a partir daí que Clodoaldo tentou mostrar onde, segundo ele, ainda encontra sentido na vida pública. Em vez de falar em cargo ou projeção, preferiu descrever a satisfação que sente quando é reconhecido por alguém atendido ao longo do mandato. “Eu amo a política. Gosto de fazer política porque gosto de ajudar as pessoas”, disse. Em seguida, completou com a lembrança que, segundo ele, resume o melhor da atividade política: “O melhor momento da política é quando chego ao aeroporto, estou na BR ou chego ao município, e uma pessoa vem me agradecer porque ajudei em um tratamento de saúde.”

Na mesma linha, Clodoaldo procurou afastar a imagem da política ligada a privilégio e enriquecimento. Disse que não foi para Rio Branco em busca de poder ou patrimônio e afirmou encarar a trajetória até aqui como uma etapa de serviço público. “A política, para mim, é isso. Não é dizer que o Clodoaldo está andando de SW4, tem mansão ou fez negócio. Eu não fiz negócio na política”, afirmou. “Sempre disse que fui para Rio Branco para trabalhar, não em busca de poder nem de riqueza.”

Quando voltou a falar do contato com a população, o deputado repetiu uma ideia que atravessa boa parte da entrevista: a de que o mandato só faz sentido se continuar perto de quem procura ajuda. Ao lembrar a passagem de quatro meses pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, disse que aquele período o aproximou ainda mais das demandas do dia a dia. “Quando estive na prefeitura, pude olhar para as pessoas”, afirmou. Logo depois, reforçou a visão que tenta associar ao próprio estilo político: “Eu gosto de estar no gabinete atendendo as pessoas. Quem não gosta do povo tem que sair da política e dar espaço para quem gosta.”

A família voltou ao centro da fala quando Clodoaldo disse que costuma lembrar à esposa, hoje vice-prefeita, que mandato não é posse definitiva. “Nunca esqueça quem colocou você na cadeira, porque o povo coloca e o povo tira”, afirmou. Na sequência, resumiu a regra que diz seguir dentro e fora da política: “Nosso foco tem que ser estar perto do povo e ouvir.”

No fim, o que ficou dessa parte da entrevista foi menos o deputado em pré-campanha e mais o homem que tentou explicar por que decidiu frear um projeto político dentro da própria casa. Ao falar dos filhos, dos pais que perdeu cedo e da alegria que encontra quando alguém o procura apenas para agradecer, Clodoaldo procurou dar à política um tamanho mais próximo da vida comum, onde mandato passa, eleição passa, mas o tempo longe da família não volta.

Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.