No Jornal da Manhã, Edvaldo cobra investigação da ponte de Sena Madureira e questiona valores

No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?

A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.

O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.

Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.

A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.

A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.

A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.

A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?

No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.

Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.

Aleac homenageia fazedores de cultura e deputado lança PL para priorizar artistas do Acre em eventos com verba pública

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou na segunda-feira, 11 de maio de 2026, uma sessão solene no plenário da Casa em homenagem a fazedores de cultura e com cobranças por ampliação do acesso a políticas públicas do setor. A solenidade reuniu artistas, escritores, poetas, grupos de teatro, quadrilhas juninas, produtores e agentes ligados à preservação e difusão de manifestações culturais no Estado, em iniciativa do deputado estadual Afonso Fernandes.

No discurso de abertura, o parlamentar defendeu que mecanismos de incentivo, como a Lei Rouanet, a Lei Paulo Gustavo e programas estaduais e municipais, cheguem com mais efetividade a quem produz cultura de forma contínua nas comunidades. “O olhar do poder público precisa ser criterioso e sensível para que a cultura do Estado continue viva”, disse Afonso, ao sustentar que a política cultural precisa alcançar quem está na ponta, movimentando tradições populares e expressões artísticas que ajudam a manter a identidade acreana.

Durante a sessão, Afonso Fernandes lançou oficialmente o Projeto de Lei “Acre no Palco”, proposta que cria diretrizes para priorizar artistas, grupos, coletivos e trabalhadores da cultura acreana em eventos oficiais, festivais, feiras, exposições, solenidades e programações promovidas, apoiadas ou patrocinadas pelo governo do Estado. “O artista acreano não pode ser coadjuvante na própria terra”, afirmou o deputado ao apresentar a iniciativa. A proposta, segundo o texto anunciado, não impede a contratação de atrações nacionais ou internacionais, mas estabelece prioridade para talentos locais em eventos financiados com recursos públicos.

Representando os homenageados, Jonas Lima relatou dificuldades para manter projetos culturais e associou a produção cultural à prevenção social. “É um momento histórico para os fazedores de cultura estar nesse local. É muito difícil fazer cultura aqui no Acre. Nós temos uma caminhada de 30 anos e sabemos das dificuldades. A cultura afasta os jovens das coisas erradas. Eu sou uma prova viva de que a cultura tira a pessoa do mundo do crime e do mundo das drogas”, declarou.

O presidente do Conselho Estadual de Cultura do Acre (ConCultura), Manoel Coracy Saboia Dias, defendeu que o diálogo com o poder público seja mantido para transformar demandas do setor em ações. “Este é realmente um momento de dialogar aqui na Assembleia Legislativa, de tal forma que saiam boas ideias e ações para que a cultura esteja em um patamar mais elevado, onde sempre deveria estar. Mas é importante que todos os fazedores de cultura continuem fazendo seu papel. Não é porque nós não temos toda a estrutura que vamos deixar de agir”, afirmou.

Já o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Matheus Gomes, ligou investimento cultural à redução de vulnerabilidades e à segurança pública. “Quando se investe em cultura, também se economiza na segurança pública. A criança e o jovem que encontram na arte, na dança, no teatro, na música, no audiovisual e nas quadrilhas juninas um caminho de pertencimento, de formação e de oportunidade, dificilmente serão atraídos pela criminalidade”, disse. O projeto “Acre no Palco” segue para tramitação na Aleac.