Justiça nega pedido de Mailza para retirar vídeo de suplente de Alan Rick sobre Marcha para Jesus

A Justiça Eleitoral do Acre negou nesta terça-feira, 1º de setembro, o pedido de tutela de urgência apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis Cameli e pela Coligação Avança Acre para retirar das redes sociais uma publicação de Gemil Salim de Abreu Júnior, primeiro suplente do senador e candidato ao governo Alan Rick. O vídeo atribui a uma suposta perseguição política do Governo do Estado a falta de apoio à Marcha para Jesus de 2026 em Cruzeiro do Sul.

A manifestação que provocou a disputa judicial foi publicada por Gemil após a confirmação de que o evento evangélico não receberia neste ano a estrutura e os recursos estaduais utilizados em edições anteriores. No vídeo, o suplente relacionou a decisão ao cenário político do município e às alianças formadas para as eleições.

“O Governo do Estado do Acre, por perseguição e por assuntos políticos, decidiu retirar toda a estrutura e todo o apoio”, afirmou Gemil ao tratar do evento.

A declaração faz referência à Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul e à situação política na região do Juruá. Gemil sustentou que a falta de estrutura, como palco, trio elétrico e apoio para atrações, compromete a realização do evento pelas igrejas locais.

Mailza e a Coligação Avança Acre recorreram à Justiça Eleitoral contra a publicação e pediram a retirada do conteúdo em caráter de urgência. O pedido, porém, foi negado, mantendo a postagem disponível nesta fase do processo.

O Governo do Acre já havia contestado publicamente a acusação de perseguição. A gestão informou que a impossibilidade de financiar a Marcha para Jesus está relacionada ao cancelamento do Edital nº 001/2026 da Fundação Elias Mansour, ocorrido em 23 de junho, antes da definição das atuais alianças eleitorais.

A administração estadual atribuiu o cancelamento a restrições relacionadas ao período eleitoral, falta de prazo para concluir o chamamento e apontamentos de órgãos de controle. A demanda específica apresentada por lideranças religiosas de Cruzeiro do Sul teria chegado ao governo em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital.

O Executivo sustenta que a sequência das datas afasta a relação entre a falta do repasse e os apoios políticos firmados posteriormente no município. A gestão também declarou que pretende manter o diálogo com as igrejas para futuras parcerias dentro das regras administrativas e eleitorais.

Gemil Júnior é o primeiro suplente da chapa que elegeu Alan Rick para o Senado em 2022. Caso Alan seja eleito governador do Acre e deixe o mandato no Senado, Gemil poderá assumir a vaga atualmente ocupada pelo parlamentar.

O episódio ocorre em meio ao avanço da campanha pelo governo do Acre e amplia o embate entre os grupos de Alan Rick e Mailza Assis. As acusações de perseguição política já vinham sendo usadas pelo grupo do senador em críticas ao atual governo, enquanto integrantes da gestão estadual rejeitam a existência de retaliações contra adversários.

Gemil Júnior acusa governo de retirar apoio à Marcha para Jesus em Cruzeiro do Sul por motivo político

O primeiro suplente do senador Alan Rick, Gemil Júnior, acusou nesta sexta-feira (28) o governo do Acre de retirar o apoio à Marcha para Jesus de Cruzeiro do Sul por motivação política. Em vídeo direcionado principalmente aos moradores do Juruá e à comunidade evangélica, ele afirmou que a falta de estrutura pública inviabilizou a realização do evento em 2026 e relacionou a decisão ao posicionamento político da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Cristão evangélico há 20 anos e natural de Cruzeiro do Sul, Gemil disse que a situação interrompe uma sequência de edições realizadas com apoio do poder público. Ele também citou fiéis de Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Feijó que costumam se deslocar para acompanhar a programação religiosa no município.

“Pela primeira vez na história de Cruzeiro do Sul, desde quando os governos entraram e ajudaram e apoiaram a Marcha para Jesus, agora, em 2026, nós não teremos Marcha para Jesus aí na região”, declarou.

Gemil atribuiu diretamente a ausência do evento a uma decisão política do governo estadual. Segundo ele, estrutura e apoio que eram disponibilizados em anos anteriores não foram mantidos para a programação deste ano.

“Esse ano o governo do Estado do Acre, por perseguição, por assuntos políticos, decidiu retirar toda a estrutura e todo o apoio para a Marcha para Jesus”, afirmou.

Na sequência, o primeiro suplente de senador relacionou a decisão à atual disputa eleitoral no Acre e ao posicionamento adotado pelo grupo político que administra Cruzeiro do Sul. Para Gemil, a falta de apoio ocorreu porque a prefeitura não aderiu ao projeto eleitoral ligado ao governo estadual.

“Infelizmente, nós não teremos a marcha em Cruzeiro do Sul. Infelizmente, nós não teremos um momento que durante muitos anos os cristãos puderam participar, e apenas por um motivo: simplesmente porque a Prefeitura de Cruzeiro do Sul não decidiu caminhar politicamente com a candidata do governo do Estado do Acre”, disse.

Gemil reconheceu que sua manifestação pode ser interpretada dentro do cenário político, mas afirmou que também trata o caso como uma questão religiosa. Ele argumentou que as igrejas da região não têm recursos para bancar sozinhas a estrutura necessária para realizar um evento do porte da Marcha para Jesus.

“As igrejas não têm condições financeiras de realizar”, declarou.

Ao encerrar a manifestação, Gemil comparou a falta de apoio à Marcha em Cruzeiro do Sul com os investimentos realizados pelo poder público em eventos de entretenimento. Ele afirmou ser favorável à realização de festas e grandes programações, citando a Expoacre e a Expo Juruá, mas criticou o fato de a comunidade evangélica do município ficar sem a marcha neste ano.

“Nós somos muito a favor de todo tipo de entretenimento, Expo Juruá, Expoacre. O povo precisa de entretenimento, mas infelizmente o nosso povo não terá a marcha em 2026”, afirmou.

Governo bancou show de R$ 300 mil na Marcha em Rio Branco e R$ 6,45 milhões em atrações da Expoacre

A manifestação de Gemil ocorre no mesmo ano em que o governo do Acre participou diretamente da realização da 30ª Marcha para Jesus em Rio Branco. O evento ocorreu em 30 de maio, teve concentração em frente ao Palácio Rio Branco e terminou com apresentação nacional do cantor gospel Thalles Roberto.

A contratação de Thalles Roberto e sua banda para o encerramento da Marcha na capital foi registrada no valor de R$ 300 mil. O objeto da contratação especificava que a apresentação fazia parte da 30ª edição da Marcha para Jesus em Rio Branco. Além do show, o governo disponibilizou suporte logístico, estrutura física e planejamento de segurança para o evento.

Pouco mais de dois meses depois, a Casa Civil desembolsou R$ 6,45 milhões na contratação de seis atrações nacionais da programação pública da Expoacre 2026, realizada entre 1º e 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana.

Leonardo e Ana Castela foram contratados no mesmo instrumento por R$ 2,55 milhões, sem divisão pública do valor individual destinado a cada artista. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão, enquanto Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. A apresentação do padre Fábio de Melo foi contratada por R$ 500 mil e a banda gospel Som & Louvor por R$ 300 mil.

Os cinco contratos destinados às seis atrações totalizaram R$ 6,45 milhões. O valor corresponde somente às apresentações musicais financiadas diretamente pelo governo na Expoacre de Rio Branco e não inclui despesas com reformas, palco, iluminação, segurança, montagem e outros serviços da feira. O show de Bruno & Marrone também ficou fora da conta porque foi promovido pela iniciativa privada, com venda de ingressos.

Em relação a Cruzeiro do Sul, o governo do Acre negou que a ausência de repasse para a Marcha para Jesus tenha motivação política. A gestão afirmou que o Edital nº 001/2026/FEM, que previa R$ 2,4 milhões para a realização do evento em 21 municípios do interior, foi cancelado pela Fundação de Cultura Elias Mansour em 23 de junho por restrições do período eleitoral, falta de prazo para concluir o chamamento e apontamentos de órgãos de controle. Rio Branco não fazia parte desse edital porque a edição da capital já havia sido realizada.

O governo informou ainda que a demanda específica de Cruzeiro do Sul chegou à gestão em 15 de julho, mais de três semanas depois do cancelamento do edital. A administração estadual sustenta que, naquela data, as candidaturas e os apoios políticos do atual cenário eleitoral ainda não estavam formalizados. A gestão afirmou que houve uma impossibilidade legal e administrativa de financiamento e não uma retirada de apoio por razões políticas.