Governo Federal projeta R$ 5 bilhões para reconstrução da BR-364 e destrava anel viário de Brasileia

A reconstrução estrutural da BR-364 e as obras emergenciais na malha rodoviária federal do Acre deve receber um investimento de R$ 5 bilhões nos próximos anos, com licitações previstas para os trechos mais críticos até o final de 2026. “É um projeto que tem a sua projeção de 5 bilhões”, afirmou Ricardo Araújo ao explicar a dimensão das intervenções necessárias para garantir a estabilidade da pista sobre o solo argiloso local.

O cronograma de recuperação, focado na aplicação de macadame hidráulico e na desobstrução de pontos intrafegáveis para garantir o tráfego no estado, foi detalhado pelo diretor-presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no Acre, Ricardo Araújo, nesta terça-feira, durante o podcast Gazeta Entrevista, apresentado por Astério.

O projeto executivo recém-lançado pelo Ministério dos Transportes abrange a reconstrução completa do segmento entre Sena Madureira e a região do Rio Macapá, totalizando 106 quilômetros de rodovia. Uma segunda frente de obras, estendendo-se do Macapá até o município de Fejó, terá sua licitação aberta entre setembro e outubro. O material adotado para a base das pistas é o macadame hidráulico, executado com uma espessura mínima de oito centímetros de pedra. A tecnologia é capaz de drenar a água bombeada pelo peso dos veículos pesados e evitar o rompimento precoce da capa asfáltica.

“A rodovia chegou no seu limite e precisávamos de uma ação mais drástica”, afirmou Araújo sobre o esgotamento do antigo pavimento. A necessidade social e logística do estado fez com que o Acre saltasse da 12ª para a primeira posição na lista de prioridades de projetos de engenharia do DNIT. Enquanto as obras estruturais de longo prazo aguardam os trâmites licitatórios, equipes já trabalham na eliminação de cerca de 70 quilômetros fragmentados que hoje representam os maiores gargalos da estrada, especialmente no lote cinco, nas proximidades de Fejó. O plano operacional vai garantir o trânsito fluído até o mês de setembro. As primeiras intervenções na pista reduziram o tempo de viagem entre Fejó e Tarauacá de quase duas horas para 55 minutos.

As rodovias acreanas enfrentam desafios geológicos severos causados pela movimentação de terras caídas, fenômeno intensificado pela rápida variação do volume hídrico dos rios locais. As estruturas das 65 pontes federais localizadas nas BRs 364 e 317 passam por vistorias e manutenções contínuas, sobretudo nas juntas de dilatação. A ponte sobre o Rio Caité, por exemplo, sofreu um deslocamento total de três metros em sua estrutura nos últimos anos devido à erosão fluvial. O local passa por monitoramento diário e recebeu reforço nos pilares para a liberação do tráfego.

Na BR-317, os trabalhos concentram-se no recapeamento e na correção de inclinação das pistas, como a obra executada na Curva do Alemão. O trecho entre Brasileia e Assis Brasil terá a manutenção assumida por uma nova empresa vencedora de licitação, a LCM. Em Brasileia, o edital para a construção do anel viário e das vias de acesso à ponte isolada no leito do rio foi colocado novamente na praça, superando um bloqueio gerado por fraudes documentais de empresas concorrentes na primeira tentativa de certame. O projeto engloba a construção de 10 quilômetros de vias laterais e vai aliviar o tráfego pesado sobre a antiga ponte José Augusto, erguida na década de 1980 e que opera acima da capacidade projetada.

Os R$ 5 bilhões que devem ser aplicados reconstrução estrutural da BR-364 no Acre estão com rubrica orçamentária carimbada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ministro promete tirar BR-364 do estado crítico até setembro e anuncia nova frente de obras no Acre

O ministro dos Transportes, George Santoro, chegou ao Acre, trazido em uma articulação do ex-governador e ex-senador Jorge Viana, com uma promessa direta sobre a BR-364: melhorar as condições de tráfego da rodovia até setembro. A declaração foi feita na manhã desta segunda-feira, 15, antes do início da agenda oficial no estado, em meio à pressão crescente provocada pela sequência de problemas na estrada que liga Rio Branco ao interior.

Santoro reconheceu que a situação da BR-364 é grave. Segundo ele, a primeira resposta do Ministério será a manutenção emergencial dos trechos mais comprometidos, enquanto uma intervenção mais pesada será contratada para os próximos anos.

“Até setembro a gente está com a manutenção”, afirmou o ministro, ao dizer que a meta é tirar a estrada do patamar atual de precariedade. Ele também admitiu que a rodovia “está muito ruim, com vários pontos péssimos”.

O ministro disse que o governo federal pretende contratar R$ 1,7 bilhão em obras para recuperar a rodovia nos próximos três verões. A proposta é refazer trechos em outro padrão de engenharia, com intervenções mais duradouras e capazes de enfrentar as condições do solo e do inverno amazônico.

Entre os anúncios previstos para a agenda no Acre está a assinatura do aviso de licitação para reconstrução de 104 quilômetros da BR-364, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, incluindo o acesso a Manoel Urbano. O investimento estimado é de R$ 714 milhões.

Nos últimos meses, motoristas, passageiros e moradores do interior passaram a relatar com mais frequência atolamentos, buracos, trechos deformados, saídas de pista e dificuldades de deslocamento. A estrada é a principal ligação terrestre entre Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

Pela manhã, Santoro foi recebido pela governadora Mailza Assis no Palácio Rio Branco. O encontro tratou das demandas do Acre na área de transportes e dos investimentos federais previstos para a malha rodoviária. A governadora espera que a visita resulte em encaminhamentos concretos para a BR-364 e outras obras consideradas estratégicas para o estado.

A programação do ministro também inclui coletiva em trecho da BR-364, na região da Estrada do Aeroporto, além de vistorias em Sena Madureira. Uma das visitas previstas é à Ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, que desabou no início do mês. Santoro também deve acompanhar a situação da ponte sobre o Rio Caeté, no km 282 da BR-364, estrutura considerada essencial para manter a ligação terrestre com o interior.

Ao falar sobre a rodovia, o ministro também fez críticas à condução anterior da política de infraestrutura. Segundo ele, a BR-364 ficou anos sem receber o volume de investimento necessário para uma estrada com esse peso econômico e social para o Acre.

A fala de Santoro estabelece um prazo político e administrativo para o Ministério dos Transportes. Até setembro, a promessa é entregar uma rodovia ao menos em condições regulares de tráfego. Depois disso, o desafio será transformar os anúncios de recuperação estrutural em obra efetiva, em uma estrada que há anos alterna remendos, interrupções e cobranças sem resposta definitiva.

DNIT avança na recuperação da Estrada do Aeroporto e prevê liberar trecho após base de pedra em Rio Branco

O DNIT avançou na recuperação da Estrada do Aeroporto, em Rio Branco, com a execução de mais de 2,2 quilômetros de macadame hidráulico no trecho da BR-364 que dá acesso ao terminal aéreo da capital. A obra faz parte da restauração de 9,5 quilômetros da pista duplicada, entre os km 140 e 149,5, e tenta resolver um dos pontos mais críticos da rodovia no perímetro urbano.

O serviço entrou em uma fase decisiva com a reconstrução da base da estrada, etapa considerada essencial para suportar o tráfego intenso e reduzir os danos frequentes no pavimento. A técnica usada consiste na retirada do material comprometido e na recomposição da estrutura com pedras, formando uma camada mais resistente antes da aplicação do asfalto.

O superintendente regional do DNIT no Acre, Ricardo Araújo, afirmou que o objetivo é entregar uma pista com mais durabilidade e segurança para quem circula diariamente pelo acesso ao aeroporto. “A gente está reconstruindo a base da estrada com a técnica do macadame hidráulico para entregar uma via com mais qualidade e segurança. A gente tira o solo que está podre e recompõe com pedra até receber o macadame”, disse.

Com uma das pistas ainda absorvendo o fluxo concentrado de veículos, o trecho em obras passou a registrar desgaste acelerado, com buracos e deformações no asfalto. O órgão pediu atenção redobrada aos motoristas e orientou quem tem voo marcado a sair de casa com antecedência para evitar imprevistos no trajeto.

A liberação gradual do trânsito sobre a base já concluída deve começar pelos próximos dias, inicialmente até a altura do Lojão dos Parafusos. Segundo a engenheira Andressa Maciel, o macadame precisa permanecer sob tráfego por ao menos sete dias antes de receber a capa asfáltica, processo necessário para garantir a acomodação do material e permitir o avanço da recuperação no trecho mais castigado.

A intervenção ocorre em um dos principais acessos de entrada e saída de Rio Branco e atinge diretamente moradores, trabalhadores e passageiros que dependem da ligação com o aeroporto. Enquanto a obra avança, o DNIT admite os transtornos no tráfego e mantém a orientação para que os usuários redobrem a cautela ao passar pela região.

Mailza libera retomada da Orla do Quinze e relança pacote de obras de R$ 137 milhões no Acre

A governadora Mailza Assis autorizou nesta segunda-feira, 18, a retomada das obras da Orla do Quinze, em Rio Branco, e o reinício de intervenções em rodovias, ruas e ramais em municípios do Acre, num pacote que supera R$ 137 milhões. A decisão abre a temporada de obras no verão amazônico, período em que o estado concentra serviços de infraestrutura por causa da redução das chuvas.

Na capital, a principal frente será a contenção e urbanização da Orla do Quinze, na Rua Boulevard Augusto Monteiro, na área do Mercado do Quinze. O investimento passa de R$ 21 milhões, com R$ 17 milhões em recursos estaduais. A obra havia sido paralisada depois da rescisão do contrato anterior, em novembro de 2025, após problemas no andamento dos serviços.

Ao anunciar a retomada, Mailza afirmou que o governo vai aproveitar a estiagem para ampliar o ritmo das intervenções em todo o estado. “Com a chegada do verão amazônico, começa também um período decisivo para o nosso estado. É o momento de avançar com as obras, recuperar ramais, levar infraestrutura, garantir acesso e trabalhar intensamente para melhorar a vida das pessoas”, disse.

O secretário de Obras Públicas, Ítalo Lopes, afirmou que o período de inverno foi usado para resolver entraves técnicos e administrativos e concluir a nova licitação. “Não queremos perder um dia de verão”, declarou.

Com 372 metros de extensão, a obra da Orla do Quinze prevê estabilização da encosta, contenção da erosão e requalificação urbana às margens do Rio Acre. O projeto inclui museu tecnológico, quiosques, praças, bancos, paradas de ônibus, áreas verdes e mirantes. A previsão do governo é concluir a intervenção até o fim de 2026.

Além da obra na capital, o Deracre liberou cerca de R$ 137 milhões para a retomada e abertura de novas frentes em diferentes regiões. Do total, R$ 123 milhões serão usados em restauração rodoviária, pavimentação urbana, implantação viária, recuperação de ramais e adequação de estradas vicinais. Outros R$ 14 milhões serão destinados ao início de novos serviços.

Entre as ações previstas estão a restauração da AC-405, entre Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, e a implantação da primeira etapa do Arco Metropolitano de Rio Branco, que inclui a sexta ponte sobre o Rio Acre. O pacote também alcança obras de pavimentação e revitalização urbana em Sena Madureira, Acrelândia e Epitaciolândia, além de intervenções em Assis Brasil, Tarauacá, Porto Acre, Manoel Urbano, Rodrigues Alves e Brasileia.

O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que o objetivo é melhorar a mobilidade e criar condições para o escoamento da produção. “Estamos empenhados em garantir que esses serviços avancem com qualidade e responsabilidade”, disse.

A nova etapa de investimentos concentra obras urbanas e viárias em diferentes regiões do Acre e marca a tentativa do governo de acelerar entregas de infraestrutura ainda em 2026.

Retomada do Arco Viário de Rio Branco reacende obra estratégica para desafogar trânsito da capital

O governo do Acre retomou as obras do Arco Viário de Rio Branco, projeto tratado como uma das principais intervenções de mobilidade urbana em andamento na capital. A nova etapa dos serviços começou nesta sexta-feira (15), com atuação em diferentes frentes para preparar a estrutura da via que deve retirar parte do tráfego pesado das áreas centrais e abrir um novo eixo de circulação no município.

As equipes trabalham na remoção de trechos comprometidos, na regularização do subleito, no transporte e espalhamento de material para a sub-base da pista e na limpeza mecanizada ao longo do percurso. A retomada marca a reativação de uma obra esperada há anos e recoloca em andamento um corredor viário pensado para reorganizar o fluxo entre pontos estratégicos de Rio Branco.

Durante o acompanhamento dos trabalhos, a governadora Mailza Assis afirmou que a intervenção deve mudar a dinâmica do trânsito na capital. “Vai transformar a circulação em Rio Branco”, disse. O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que o avanço da obra atende a uma cobrança recorrente da população e reforçou o compromisso de manter a execução dentro do cronograma previsto.

O traçado do Arco Viário foi dividido em quatro lotes. O primeiro trecho liga a BR-364, na Vila Custódio Freire, à AC-10. O segundo segue do entroncamento da AC-10 até a Estrada do Quixadá. O terceiro vai da Estrada do Quixadá até a 6ª Ponte. O quarto trecho conecta a 6ª Ponte à BR-364, completando o anel projetado para redistribuir o tráfego e ampliar a conexão entre regiões da cidade.

O investimento total na obra é de R$ 105 milhões. Os recursos vêm do Programa de Infraestrutura e Saneamento do Estado do Acre, com financiamento externo, além de R$ 38 milhões destinados por emenda parlamentar. Com a retomada, o governo aposta na conclusão de uma via que deve alterar a logística urbana de Rio Branco e reduzir a pressão sobre avenidas e acessos já sobrecarregados.