Produtores expõem crise dos ramais e fala de Calixto revela improviso do governo na Operação Verão

Secretário tenta jogar parte da responsabilidade para as prefeituras, fala em R$ 15 milhões iniciais e culpa áudio por manifestação; dados do Deracre mostram repasses pendentes, saldos abertos e histórico de lentidão na execução

A manifestação de produtores rurais na Assembleia Legislativa do Acre, nesta terça-feira, 7, colocou a crise dos ramais no centro da agenda política do Estado. Agricultores e moradores da zona rural foram à Aleac cobrar do Deracre um cronograma oficial de recuperação das estradas vicinais, com a lista dos ramais que serão atendidos, prazo de execução e garantia de continuidade das máquinas em campo.

A cobrança ocorre após o vazamento de um áudio atribuído a um diretor do Deracre, no qual ele teria relatado dificuldade de recursos, risco de paralisação dos serviços e retirada de máquinas terceirizadas das frentes da Operação Verão. O episódio ampliou uma insatisfação que já vinha das comunidades rurais, especialmente em regiões como a Transacreana, onde moradores relatam ramais intrafegáveis, pontes danificadas e dificuldade para escoar a produção.

Diante da pressão, o secretário de Governo, Luiz Calixto, tentou reorganizar a versão oficial em entrevista ao jornalista Itaan Arruda, do AC24Agro. Mas, ao tentar justificar a situação, acabou deixando clara a dimensão da crise.

Calixto afirmou que o governo já fez convênios com alguns municípios para recuperação de ramais, disse que disponibilizou equipamentos como tratores e caçambas e informou que a Operação Verão conta, inicialmente, com uma dotação de R$ 15 milhões. Ao mesmo tempo, o secretário transferiu parte da responsabilidade às prefeituras ao dizer que “a questão dos ramais é uma obrigação municipal” e que o Estado entra apenas como “colaborador”.

A fala é sensível porque o governo estadual vinha vendendo a Operação Verão como uma grande ação própria. No lançamento oficial, a gestão Mailza Assis anunciou mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores, meta de atender 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões.

Agora, pressionado por produtores, o governo reduz o tom e passa a falar em “possibilidades”, “colaboração” e limitação financeira. Calixto também reconheceu que o Acre tem uma malha de cerca de 20 mil quilômetros de ramais e que o governo não tem condições de resolver tudo. A declaração reforça a pergunta feita pelos produtores: se o Estado sabia que não teria capacidade para atender todos os ramais, por que não apresentou desde o início um cronograma público, realista e transparente?

O secretário também tentou atribuir a manifestação ao áudio vazado. Segundo ele, quando a gravação circulou, a Operação Verão havia sido lançada havia pouco tempo e ainda não existiriam medições realizadas nem dívidas a pagar. Calixto classificou o episódio como precipitação de um gestor do próprio órgão e disse que a situação criou um clima de incerteza junto aos produtores.

A justificativa, porém, não encerra a crise. O áudio pode ter acelerado a mobilização, mas não criou os ramais ruins, não destruiu pontes, não isolou comunidades e não produziu, sozinho, a desconfiança sobre a continuidade das máquinas. O problema é anterior e mais profundo: o governo anunciou uma operação de grande porte, mas os dados de execução ainda não sustentam, de forma clara, o tamanho da propaganda.

Na base de pagamentos do Deracre, até o início de julho, havia R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte específico de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. No mesmo período, o termo literal “Operação Verão” aparecia quase só em diárias, com apenas R$ 37,8 mil pagos.

Ou seja: o governo tenta tratar a crise como um problema de comunicação interna, mas os números mostram uma fila de compromissos abertos e uma diferença grande entre o anúncio político e o rastro financeiro disponível até agora.

A tentativa de empurrar parte da responsabilidade para as prefeituras também precisa ser confrontada com dados. Na base atualizada de pagamentos do Deracre em 2026, os repasses para municípios somam R$ 26,1 milhões empenhados e R$ 20,6 milhões pagos. Ainda há R$ 5,5 milhões empenhados e não pagos para prefeituras.

Entre os saldos abertos aparecem Cruzeiro do Sul, com R$ 1,5 milhão; Assis Brasil, com R$ 1 milhão; Brasileia, com R$ 1 milhão; Porto Walter, com R$ 942 mil; Jordão, com R$ 667 mil; e Santa Rosa do Purus, com R$ 400 mil.

No recorte de repasses com menção direta a ramais, a situação é ainda mais reveladora. O Deracre empenhou R$ 475 mil para ações municipais ligadas a ramais. Desse total, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados e não pagos, todos ligados a Porto Walter, para manutenção de ramais.

Isso mostra que a explicação de Calixto é insuficiente. Se o governo diz que os ramais são obrigação municipal, precisa mostrar quais prefeituras receberam, quais ainda têm recursos pendentes, quais convênios estão em execução e quais ramais ficaram fora do planejamento. Não basta dizer que o Estado é colaborador quando a própria gestão estadual lançou a Operação Verão como vitrine e prometeu máquinas em todo o Acre.

O que aparece, até aqui, é uma condução marcada por improviso. Primeiro, o governo anuncia uma operação grandiosa, com números fortes e promessa de presença em todas as regiões. Depois, diante da cobrança, admite limitação de recursos, fala em dotação inicial de R$ 15 milhões, joga parte da responsabilidade para os municípios e culpa um áudio interno pelo desgaste político.

A crise dos ramais não é apenas um problema de chuva, verão ou logística. É uma crise de planejamento e de execução. O governo Gladson/Mailza acumula histórico de lentidão na recuperação de ramais e chega a julho de 2026 pressionado por produtores que ainda precisam pedir o básico: saber onde a máquina vai entrar, quando o serviço começa e se ele será concluído.

A manifestação na Aleac obrigou o governo a prometer a apresentação de um cronograma no Deracre. Esse calendário, no entanto, deveria ter sido a primeira etapa da Operação Verão, não uma resposta tardia à pressão dos produtores.

No campo, a pergunta permanece simples: se o dinheiro estava garantido, por que houve risco de retirada de máquinas? Se a operação estava planejada, por que os produtores precisaram ocupar a Aleac para cobrar cronograma? E, se os ramais são responsabilidade das prefeituras, por que o governo vendeu a Operação Verão como solução estadual para a crise?

Após 21 anos sem escola, comunidade da Resex Chico Mendes volta a ter aulas

Depois de 21 anos sem oferta regular de ensino, 15 crianças começaram a estudar nesta segunda-feira, 6 de julho, na comunidade Buenos Aires, no Seringal Remanso, dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, em Rio Branco. Entre elas está Keulyane Vasques de Carvalho, de 10 anos, que entrou pela primeira vez em uma sala de aula. A retomada das atividades ocorre dois meses após uma força-tarefa de órgãos públicos chegar à região para ouvir moradores e cobrar respostas para a ausência de serviços básicos.

Isolada e a cerca de 74 quilômetros da capital acreana, a comunidade enfrenta dificuldades severas de acesso, agravadas no inverno amazônico. Em parte do ano, segundo os moradores, o deslocamento até Rio Branco pode ficar comprometido por até 180 dias. Foi nesse cenário que famílias relataram, na visita feita há dois meses, que crianças cresciam sem estudar, moradores não tinham atendimento regular de saúde e produtores enfrentavam obstáculos para escoar a produção.

A reabertura da escola começou a sair do papel após a mobilização do líder comunitário Odair José, que buscou apoio institucional para tirar do papel uma reivindicação antiga. Nesta segunda, ao acompanhar o início das aulas, ele resumiu o sentimento da comunidade ao lembrar que já havia procurado diferentes órgãos sem sucesso e que agora via “nossos filhos estudando” depois de mais de duas décadas de espera.

As aulas começaram em turmas multisseriadas e a estrutura também deve atender jovens e adultos que não tiveram acesso à alfabetização. O início do funcionamento, no entanto, ainda está longe de encerrar os desafios da comunidade. Mãe de uma aluna de 9 anos, Sheila Maciel diz que precisa cavalgar cerca de uma hora para levar a filha até a escola e que não pode deixá-la fazer o trajeto sozinha por causa da mata fechada e da presença de animais silvestres.

A rotina também exige adaptação dos professores. A docente Clenilce Pontes afirma que há alunos de 12 e 13 anos entrando pela primeira vez em uma sala de aula e que ela e outra professora passarão o mês inteiro na comunidade, com ida à cidade apenas uma vez por mês. Segundo ela, o trabalho exige cuidado redobrado diante do atraso escolar e do isolamento da região.

Além da educação, a chegada do poder público à comunidade passou a incluir ações de saúde e intervenções para melhorar o acesso por ramal nos trechos onde é possível operar com máquinas. A prefeitura informou que o atendimento educacional começou com suporte municipal e que novas etapas dependem da continuidade da atuação conjunta entre diferentes órgãos.

O retorno das aulas não resolve sozinho os problemas acumulados em uma área marcada por longas distâncias, falta de infraestrutura e dificuldade de acesso a serviços básicos. Para as famílias da comunidade Buenos Aires, porém, o 6 de julho passa a marcar o fim de uma espera de 21 anos e o início de uma mudança concreta na vida de crianças que, até agora, só conheciam a escola de longe.

USF Ana Rosa Amorim passa por reforma de R$ 432 mil em Rio Branco

A Unidade de Saúde da Família Ana Rosa Amorim, localizada no Ramal Gurgel, na região do Amapá, em Rio Branco, começou a passar por reforma nesta terça-feira (7). A obra tem investimento de R$ 432.170,00, com recursos de emenda parlamentar, e prazo de seis meses para conclusão.

A intervenção inclui melhoria, adequação e recuperação da estrutura física da unidade, com foco em acessibilidade, segurança, funcionalidade dos ambientes e melhores condições de atendimento à população. O espaço também deve oferecer estrutura mais adequada para o trabalho dos servidores da saúde.

Entre os serviços previstos estão demolições e remoções, retirada de revestimentos, forros, telhas, pintura antiga, luminárias, portas, janelas e louças. A reforma também contempla impermeabilização, transporte de entulho, adequações elétricas, nova iluminação interna e externa, instalação de tomadas, interruptores, cabos e implantação de rede lógica.

A unidade receberá ainda substituição de portas e janelas, novos revestimentos de paredes e pisos, porcelanato, forro em gesso e PVC, além de reforma da cobertura com telha metálica termoacústica, calhas, rufos e tubulação para águas pluviais.

Na área de segurança, estão previstas adequações de combate a incêndio, com extintores, iluminação de emergência, placas de sinalização, saídas de emergência e central de GLP. A obra inclui ainda pintura interna e externa, recuperação de muro, gradis metálicos, calçada de contorno, estacionamento, piso intertravado, piso podotátil e outras adaptações de acessibilidade.

O prefeito Alysson Bestene afirmou que a unidade é importante para ampliar a cobertura da Atenção Primária no Segundo Distrito. “É importante para a população, porque temos trabalhado na ampliação da cobertura em todas as regionais de Rio Branco, garantindo melhores condições de trabalho aos profissionais e uma unidade boa, limpa, adequada e acessível para as famílias que utilizam o SUS”, disse.

Bestene também afirmou que mais de 40 unidades já foram reformadas e que há uma programação de novas intervenções na rede municipal. Segundo ele, quatro unidades recebem ordem de serviço neste mês.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, disse que a reforma faz parte de um programa de reestruturação iniciado em 2021. “Já foram reformadas 42 unidades e a nossa meta é reformar toda a rede municipal de saúde”, afirmou.

Biths também informou que o atendimento à população não será suspenso durante a execução da obra. Os serviços serão mantidos em parceria com a associação de moradores, em um espaço que passa por adequações para receber os usuários enquanto a unidade estiver em reforma.

Ex-esposa de Madson Cameli volta a cobrar Justiça e questiona permanência de acusado em cargo público

A manifestação pública de Melissa Sampaio em uma postagem sobre o pedido de afastamento de um servidor do Hospital Manoel Marinho Monte, em Plácido de Castro, recolocou no centro do debate a cobrança por tratamento igual a denúncias de assédio e violência no Acre. Ao reagir ao caso, Melissa questionou por que, enquanto há pedido de medida imediata em uma investigação de assédio moral no serviço público, o homem que ela acusa de agressão continua em cargo de destaque no governo estadual.

No comentário, Melissa escreveu: “É importante ver medidas sendo adotadas diante de denúncias de assédio. Mas não posso deixar de perguntar: e o meu agressor, que hoje ocupa um dos mais altos cargos do Governo do Estado? A sociedade também espera que a lei seja aplicada com o mesmo rigor, independentemente do cargo que alguém ocupe.”

A fala foi feita depois da divulgação de que o Ministério Público recomendou à Secretaria de Estado de Saúde o afastamento preventivo do servidor investigado no hospital de Plácido de Castro, com prazo de cinco dias úteis para a medida e abertura de processo administrativo disciplinar. O órgão sustenta que a providência é necessária para proteger os demais servidores e preservar a regularidade do atendimento público de saúde.

O comentário também reacende o caso de Melissa, que voltou a público nas últimas semanas com relatos de agressões físicas e psicológicas durante o relacionamento com o ex-marido, Madson de Castro Cameli. Ela afirmou que viveu sob medo constante, descreveu uma rotina de tensão dentro de casa e passou a cobrar celeridade da Justiça, sob o argumento de que a demora prolonga o sofrimento de mulheres que denunciam violência.

Ao relembrar o episódio, a cobrança de Melissa ganha peso político e institucional. De um lado, ela vê o Ministério Público agir com rapidez diante de indícios de assédio moral em uma unidade de saúde do interior. De outro, afirma ainda esperar uma resposta mais firme no caso que envolve sua própria denúncia. A comparação, feita por ela de forma direta, transformou um comentário em novo ponto de pressão sobre o poder público e sobre a exigência de isonomia na aplicação da lei.

As acusações no caso envolvendo Melissa são negadas pela defesa do acusado, que sustenta versão diferente para os fatos.

Prefeitura define semifinais do 50tão e final do futebol feminino em Cruzeiro do Sul

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul realiza nesta semana, no estádio O Cruzeirão, as semifinais do Campeonato de Futebol Master do 50tão e a final do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino. As competições são organizadas pela Diretoria Municipal de Esportes e Lazer e terão, juntas, R$ 25 mil em premiação.

As semifinais do Master do 50tão serão disputadas nesta quarta-feira, 8 de julho, a partir das 18h30. O primeiro jogo será entre Futebol e Lazer Master e Atlético Rio Môa. Na sequência, União Futebol Club e Atlético Mineiro Esporte Clube entram em campo pela outra vaga na decisão.

A final do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino será realizada na sexta-feira, 10 de julho, também no estádio O Cruzeirão. A rodada começa às 18h30, com a disputa de terceiro lugar entre Igarapé Preto e Flamengo. Depois, Corinthians de CZS e Atlético Mutirão decidem o título da competição.

A premiação será dividida entre os dois campeonatos. O futebol feminino terá R$ 15 mil em prêmios, enquanto o Campeonato Master do 50tão receberá R$ 10 mil. As fases finais fecham duas competições voltadas ao incentivo do esporte local, com participação de equipes femininas e de atletas acima de 50 anos.

O diretor municipal de Esportes e Lazer, Gilvan Ferreira, afirmou que a gestão deve manter o calendário esportivo com novas competições. “Estamos finalizando mais dois campeonatos prometidos pelo prefeito Zequinha Lima, que são o campeonato feminino e o dos 50tão, voltados para ex-atletas acima de 50 anos. Essas duas competições terão premiação de R$ 25 mil. E teremos mais competições como o Copão do Vale do Juruá e seguimos com o Campeonato Cruzeirense de futebol Masculino da 1ª e 2ª divisão”, disse.