Paciente oncológica de 79 anos passa mal no aeroporto de Rio Branco e relato aponta falta de ambulância do Samu

Uma denúncia encaminhada à redação do Grupo Integração relata que uma paciente oncológica de 79 anos passou mal na manhã desta quarta-feira (23), na área de embarque do Aeroporto Internacional de Rio Branco, quando se preparava para viajar a Cruzeiro do Sul.

Durante a ocorrência, o acesso venoso da idosa teria se rompido, provocando sangramento. A brigadista que prestava os primeiros atendimentos pediu auxílio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a resposta recebida, segundo o relato encaminhado à redação, foi de que não havia ambulância disponível para atender a paciente.

A mulher estava em uma cadeira de rodas e acompanhada da filha. Ela tem câncer no fígado e no pâncreas e seguia de Rio Branco para Cruzeiro do Sul para realizar um exame. Segundo as informações encaminhadas ao Grupo Integração, o procedimento não seria realizado na capital acreana. “Paciente de RBR indo fazer o exame em CZS pq aqui em RBR não faz”, afirmou a fonte.

Diante da situação, pessoas que estavam no aeroporto chegaram a procurar algum médico que pudesse prestar auxílio à paciente, mas não encontraram profissional disponível naquele momento.

A ocorrência aconteceu próximo à entrada da área de embarque. A equipe de brigadistas do aeroporto permaneceu prestando assistência à paciente no local.

Mãe relata ajuda de Alan Rick para conseguir tratamento fora do Acre para filha com cardiopatia

Quando Maria Isis começou a cansar para mamar e a respirar com dificuldade, Adriana já sabia que a cardiopatia descoberta ainda na maternidade exigia uma resposta rápida. A menina tinha pouco mais de dois meses quando foi internada e passou a depender de uma vaga fora do Acre para receber atendimento especializado. Neste domingo (13), a história voltou a público em um vídeo divulgado pelo candidato ao governo Alan Rick, no qual a mãe relata como procurou o então senador e conseguiu encaminhar a filha para tratamento em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Maria Isis nasceu aparentemente saudável. Antes de deixar a maternidade, uma pediatra percebeu um sopro durante a ausculta e pediu um ecocardiograma. O exame confirmou a cardiopatia congênita. A família recebeu alta e voltou para casa, mas a situação mudou poucas semanas depois. Com cerca de um mês, a criança passou a demonstrar cansaço intenso e dificuldade para se alimentar. “Quando a gente internou, ela tinha dois meses e dezessete dias”, conta Adriana.

A partir da internação, começou a espera por uma vaga fora do estado. Adriana conta que a transferência era difícil porque o hospital que poderia receber a filha estava com a UTI lotada. Enquanto isso, Maria Isis permanecia internada no Acre. “A gente ficou no hospital dias e dias sem saber o que fazer”, afirma. Para a mãe, cada dia aumentava a preocupação porque a criança continuava respirando com dificuldade e precisava de atendimento que, segundo ela, não estava disponível no estado naquele momento.

Foi por meio de uma amiga que Adriana decidiu procurar Alan Rick. Ela havia ouvido relatos de famílias que buscaram ajuda do parlamentar para conseguir atendimento médico fora do Acre. Primeiro, passou a enviar vídeos da filha pelas redes sociais. Depois, conseguiu o número pessoal do então senador e mostrou como Maria Isis estava.

“Pedi, por favor, que ele nos ajudasse, que ajudasse a salvar a vida da minha filha, porque, se ela não viajasse, ela não tinha chances de vida aqui”, relembra.

O contato aconteceu durante a noite. Na manhã seguinte, por volta das 6 horas, Alan Rick telefonou para Adriana e disse que tentaria falar diretamente com um hospital. Cerca de 15 minutos depois, segundo a mãe, veio uma nova ligação. “Adriana, a vaga da Maria já está garantida no hospital de São José do Rio Preto. Agora vocês corram com o TFD para que ela vá o quanto antes”, recorda.

Adriana afirma que ainda guarda o áudio enviado por Alan Rick naquele período, confirmando a vaga. A lembrança está ligada principalmente ao estado da filha nos dias de internação. No vídeo, ela descreve que Maria Isis fazia tanto esforço para respirar que o ombro subia próximo à cabeça. “Qual a outra pessoa que vai se compadecer de ver um vídeo como eu mandei para ele, um vídeo da minha filha respirando com muita dificuldade, e agir?”, questiona.

O relato também assume caráter político ao longo da gravação. Adriana elogia a atuação de Alan Rick e declara apoio à candidatura dele ao governo. “A gente vê ele se compadecendo do outro, tendo empatia, se colocando no lugar do outro”, diz. Ela afirma acreditar que uma eventual gestão do candidato poderia produzir mudanças na saúde e em outras áreas do Acre.

A publicação integra a comunicação eleitoral de Alan Rick e leva para a campanha uma experiência pessoal vivida durante o período em que ele exercia o mandato de senador. Na legenda, o candidato agradece a Adriana e Wanderley por permitirem que ele participe da história de Maria Isis e afirma que outras famílias também o procuram para compartilhar episódios semelhantes.

No caso de Adriana, a memória daquele período permanece concentrada na diferença entre descobrir a doença e conseguir chegar ao atendimento. Depois dos dias de internação, da espera por uma vaga e da busca por ajuda, é esse ponto que ela escolhe para encerrar o depoimento. “A minha filha hoje pode ter um tratamento, pode ter um diagnóstico e, depois do diagnóstico, vem o tratamento. Gratidão a Deus e a ele”, afirma.

Eduardo Velloso defende centros cirúrgicos nos 22 municípios e fim da escala 6×1

O candidato ao Senado Eduardo Velloso defendeu a implantação de centros cirúrgicos nos 22 municípios do Acre, a valorização dos profissionais de saúde e o fim da escala de trabalho 6×1 durante sabatina realizada na noite de segunda-feira (31), em Rio Branco. Na entrevista, ele também apresentou propostas para habitação, infraestrutura e atuação parlamentar.

Na área da saúde, Velloso afirmou que pretende ampliar a capacidade de atendimento no interior para reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes até a capital. A proposta prevê centros cirúrgicos adaptados à estrutura e à demanda de cada município.

O candidato também defendeu a criação de um plano de cargos e carreira para médicos e outros profissionais da saúde como forma de estimular a permanência de trabalhadores no interior do estado. “A saúde como um todo merece um avanço, merece um plano de cargos e carreira, sim”, afirmou.

Na habitação, Velloso citou articulações feitas junto ao Ministério das Cidades para viabilizar projetos do Minha Casa, Minha Vida no Acre. Ele afirmou ter contribuído para o direcionamento de 150 unidades habitacionais a municípios do interior e disse que pretende manter diálogo com o governo federal, independentemente de quem estiver no comando do Executivo.

“Eu estou lá para representar você, para dialogar”, declarou ao defender uma relação institucional entre o mandato parlamentar e o governo federal.

A jornada de trabalho também entrou na sabatina. Velloso se posicionou contra a escala 6×1 e favorável ao modelo 5×2, com um período de transição para trabalhadores e empresas. Para o candidato, a mudança pode ampliar o tempo destinado ao descanso e à convivência familiar sem comprometer necessariamente a produtividade.

“Eu sou contra a escala 6×1”, afirmou.

Velloso também respondeu a perguntas sobre fundo partidário, emendas parlamentares e alianças políticas. Ao tratar da atuação no Congresso Nacional, disse que não pretende seguir automaticamente orientações partidárias e que as decisões do mandato devem considerar os interesses do Acre.

O candidato relacionou parte das propostas à experiência como médico e deputado federal. Segundo ele, a decisão de disputar uma vaga no Senado foi tomada após viagens pelos municípios acreanos e conversas com moradores, especialmente sobre dificuldades enfrentadas na saúde pública.

“Eu decidi escutar a população. Houve um chamado para que eu fizesse mais do que o mandato de deputado proporciona, as pessoas pediam por mais ações na saúde, que no Senado podem ser feitas”, afirmou.

Reforma da URAP Cláudia Vitorino começa em Rio Branco e atendimentos serão redistribuídos

A Prefeitura de Rio Branco autorizou nesta segunda-feira (17) o início da reforma da Unidade de Referência de Atenção Primária (URAP) Cláudia Vitorino, no Segundo Distrito da capital. Durante as obras, os atendimentos serão transferidos para outras unidades municipais de saúde, com reforço de médicos, enfermeiros e técnicos para evitar a interrupção dos serviços.

A reforma faz parte de um investimento de aproximadamente R$ 16 milhões destinado à recuperação de unidades de saúde de Rio Branco. O recurso federal foi liberado por meio de emenda parlamentar do senador Márcio Bittar e deve financiar intervenções em cerca de cinco unidades da rede municipal.

Com a suspensão temporária dos atendimentos no prédio da URAP, moradores poderão procurar outras unidades do Segundo Distrito. Uma das alternativas será a Unidade Francisco Barbosa Guerra, no bairro Comara, próxima à Cláudia Vitorino.

Uma equipe também permanecerá na unidade durante o período da obra para orientar os pacientes sobre os locais onde consultas, procedimentos e demais serviços estarão disponíveis.

A diretora da URAP, Aldenizi Almeida, afirmou que os profissionais serão distribuídos pela rede durante a reforma. “A nossa equipe vai estar nas unidades de saúde do Segundo Distrito, com reforço de profissionais, médicos, enfermeiros e técnicos. A gente fecha para uma reforma, mas continua trabalhando”, afirmou.

O prefeito Alysson Bestene disse que a liberação do recurso federal permitiu o início das obras previstas no pacote de recuperação da estrutura municipal de saúde. Segundo ele, a Cláudia Vitorino está entre as unidades tradicionais do Segundo Distrito e será preparada para receber novamente os pacientes após a intervenção.

Além das melhorias voltadas ao atendimento, a reforma pretende adequar os espaços utilizados pelos profissionais de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde ficará responsável pela redistribuição das equipes enquanto os trabalhos estiverem em andamento.

A Prefeitura não informou a duração prevista da obra nem a data para a retomada dos atendimentos no prédio da URAP Cláudia Vitorino.

Rodrigues Alves sedia reunião regional de saúde com foco em atendimento a neurodivergentes

Rodrigues Alves sediou uma reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR) da 3ª Região de Saúde do Juruá, com a participação de gestores municipais e representantes da saúde estadual. O encontro discutiu medidas para fortalecer a assistência à população, com atenção ao atendimento de pessoas neurodivergentes e à organização dos serviços de saúde na região.

Participaram da reunião os secretários municipais de Saúde de Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Feijó, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também estiveram presentes a secretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), Suelen, e a secretária executiva do Cosems Acre.

O atendimento às pessoas neurodivergentes esteve entre os principais temas da pauta. Os gestores discutiram formas de ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer a rede de assistência e organizar estratégias voltadas às necessidades dos pacientes e de suas famílias.

A reunião também tratou da articulação entre os municípios da região do Juruá. Os representantes trocaram experiências sobre os serviços oferecidos, alinharam ações e discutiram soluções conjuntas para dificuldades enfrentadas pelas redes municipais de saúde.

A Comissão Intergestores Regional funciona como espaço de pactuação entre gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e permite que os municípios discutam demandas comuns, organização dos atendimentos e estratégias regionais para ampliar o acesso da população aos serviços.

Prefeitura de Rio Branco amplia consultas em urologia para reduzir fila de espera no SUS

A Prefeitura de Rio Branco ampliou, nesta segunda-feira, 20, a oferta de consultas especializadas em urologia na rede municipal de saúde. A medida, executada pela Secretaria Municipal de Saúde, tem como objetivo atender pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde e reduzir a fila de espera na especialidade, que reúne cerca de 3,5 mil pessoas.

O atendimento ocorre de forma gradual, conforme critérios técnicos e assistenciais definidos pelo setor de regulação. A organização da demanda busca dar prioridade aos casos já encaminhados pela rede, ordenar os chamados e evitar que pacientes com necessidade de acompanhamento especializado permaneçam por mais tempo sem consulta.

A força-tarefa deve atender, em média, de 20 a 24 pacientes por semana. O diretor de Regulação, Controle e Avaliação, Emerson Bezerra, afirmou que a ampliação do serviço melhora o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento de doenças urológicas. “A iniciativa fortalece o atendimento especializado, amplia o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e garante mais qualidade de vida aos usuários do Sistema Único de Saúde”, disse.

O serviço atende homens e mulheres com diferentes problemas urológicos, principalmente casos de cálculos renais e urinários. Também são acompanhados pacientes com doenças da próstata e alterações urinárias, além de outras condições que exigem avaliação médica especializada.

O médico urologista Cláudio Freire explicou que os casos ambulatoriais são avaliados e conduzidos na própria rede, enquanto pacientes com indicação cirúrgica ou necessidade de atendimento de maior complexidade são encaminhados para continuidade do tratamento. “Realizamos as consultas e avaliações necessárias, resolvendo os casos ambulatoriais e encaminhando para cirurgia quando necessário”, afirmou.

Entre os pacientes atendidos está o aposentado Denis Morais, de 67 anos, que aguardava havia cerca de três anos e meio pela consulta. Ele contou que recebeu uma ligação da equipe de saúde para confirmar se ainda tinha interesse no atendimento. “Confirmei que sim e hoje estou aqui. Já faço tratamento da próstata há três anos e meio e vou continuar o acompanhamento com o médico. É importante cuidar da saúde e manter esse acompanhamento”, relatou.

A ampliação das consultas em urologia integra as ações da gestão municipal para reorganizar a demanda por atendimentos especializados. Com a força-tarefa, a rede busca diminuir o tempo de espera, melhorar o fluxo de encaminhamentos e garantir acompanhamento a pacientes que precisam de diagnóstico e tratamento na área.

Prefeitura de Rio Branco amplia regulação e reduz filas para consultas, exames e cirurgias

A Prefeitura de Rio Branco ampliou, em julho, a atuação da Regulação municipal para reduzir filas de espera e acelerar o acesso de pacientes a consultas, exames e cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde. As ações são conduzidas pela Secretaria Municipal de Saúde e incluem mutirões, novos atendimentos especializados, parcerias com clínicas credenciadas e ampliação de procedimentos de média complexidade.

Em pouco mais de um mês, a Diretoria de Regulação, Controle e Avaliação passou a concentrar esforços em áreas com maior demanda reprimida. Uma das primeiras medidas foi o mutirão de ultrassonografias, realizado em parceria com clínicas credenciadas e unidades de saúde. A ação zerou a fila de ultrassonografias de mama, com cerca de 500 pacientes atendidos, e ampliou a oferta de ultrassonografias de abdômen total.

Os pacientes atendidos já haviam passado pelo processo de regulação da Secretaria Municipal de Saúde e aguardavam o agendamento dos procedimentos. A reorganização do fluxo busca direcionar com mais rapidez as vagas disponíveis para quem já está na fila, obedecendo aos critérios do SUS e à ordem de espera.

“Nosso compromisso é tornar a Regulação cada vez mais eficiente e garantir que os serviços cheguem à população com mais rapidez. Estamos trabalhando para diminuir o tempo de espera, sempre respeitando os critérios do SUS e priorizando quem aguarda há mais tempo”, afirmou o diretor de Regulação, Controle e Avaliação, Emerson Bezerra.

A Secretaria Municipal de Saúde também iniciou mutirões de fonoaudiologia para atender a alta procura pelo serviço. O primeiro atendimento aos fins de semana contemplou 120 pacientes, e a previsão é manter a ação mensalmente. Na saúde mental, a Diretoria de Regulação prepara um mutirão de psicologia para ampliar os atendimentos especializados.

A rede municipal também passou a ofertar consultas de urologia duas vezes por semana. A especialidade foi incorporada recentemente ao atendimento municipal e deve acelerar a avaliação de pacientes que aguardavam consulta.

Nas cirurgias eletivas, a Secretaria Municipal de Saúde ampliou a parceria com o Hospital Santa Juliana para procedimentos ginecológicos de média complexidade. O planejamento prevê mais de 500 cirurgias, entre laqueadura tubária, histerectomia e laparotomia por videolaparoscopia.

Até agora, mais de 60 pacientes foram agendados para avaliação pré-operatória. Desse total, 16 passaram por laqueadura tubária e quatro por histerectomia. Novos atendimentos seguem em programação pela fila única de regulação, em ação conjunta entre Município e Estado.

Os procedimentos por videolaparoscopia são feitos com técnica minimamente invasiva, que reduz o tempo de recuperação e o desconforto no pós-operatório. A expectativa da gestão municipal é ampliar gradualmente o número de cirurgias e diminuir o tempo de espera dos pacientes.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a ampliação dos mutirões e das cirurgias faz parte de uma estratégia contínua para melhorar o acesso da população aos serviços especializados. “Em pouco mais de um mês, já vemos resultados importantes, como a intensificação dos mutirões, a ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias eletivas e a redução das filas de espera. Esse é um trabalho que terá continuidade”, disse.

Acre chega a 2026 entre serviços em crise, dependência do FPE e silêncio político, diz Leonildo Rosas

A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”

A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.

Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”

Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”

As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”

Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”

Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”

Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”

Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.

Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”

Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”

Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.

Rio Branco amplia vacinação antirrábica até novembro

A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta segunda-feira (13) uma campanha itinerante de vacinação antirrábica para cães e gatos em diferentes regiões da capital. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde, seguirá até novembro para facilitar o acesso dos tutores, aumentar a cobertura vacinal e prevenir a transmissão da raiva.

A primeira etapa ocorre no Arasuper Tangará até sexta-feira (17), com atendimento das 8h às 12h. A vacinação é gratuita e destinada a cães e gatos com pelo menos três meses de idade.

Um trailer instalado em frente à Unidade de Referência de Atenção Primária Francisco Roney Meireles também funciona como ponto fixo. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, no mesmo horário, das 8h às 12h.

Após a passagem pelo Tangará, as equipes atenderão no Arasuper Isaura Parente, de 20 de julho a 7 de agosto, e no Arasuper Betel, de 10 a 28 de agosto. A campanha seguirá pelo Arasuper Sobral, de 31 de agosto a 18 de setembro, e pelo Arasuper Aviário, de 21 de setembro a 9 de outubro.

Em outubro, a vacinação será realizada no Arasuper 6 de Agosto, entre os dias 12 e 23, e no Arasuper Amapá, de 26 de outubro a 6 de novembro. A última etapa ocorrerá no Aramix Vila Acre, de 9 a 20 de novembro.

“Ao levarmos a vacinação para pontos estratégicos da cidade, conseguimos atender mais tutores, ampliar a cobertura vacinal e fortalecer a prevenção contra a raiva”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Rennan Biths.

Os cães devem ser levados com coleira e guia. A focinheira deve ser usada quando necessária. Os gatos precisam ser transportados em caixas ou recipientes seguros. Os tutores também devem apresentar a carteira de vacinação do animal. Quem não possuir o documento receberá uma nova carteira gratuitamente.

A raiva é uma zoonose que pode ser transmitida aos seres humanos e apresenta alta letalidade após o aparecimento dos sintomas. A vacinação de cães e gatos é a principal forma de prevenção da doença e protege tanto os animais quanto a população.

Cruzeiro do Sul cria programa de vacinação nas escolas públicas

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul instituiu um programa de vacinação nas escolas públicas para ampliar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes. O decreto foi assinado pelo prefeito Zequinha Lima e publicado na sexta-feira, 10 de julho, com ações integradas entre as secretarias municipais de Saúde e Educação.

O atendimento será destinado prioritariamente aos estudantes da educação infantil e do ensino fundamental matriculados em escolas públicas ou instituições que recebem recursos públicos. Alunos do ensino médio e superior, além de outros integrantes da comunidade escolar, também poderão ser incluídos, conforme a disponibilidade de vacinas e as normas do Programa Nacional de Imunizações.

As atividades serão organizadas pela Coordenação Municipal de Imunização, pelas Unidades Básicas de Saúde e pelo Programa Saúde na Escola. A previsão é que a vacinação seja realizada pelo menos uma vez por ano, com possibilidade de novas ações durante campanhas específicas ou buscas ativas por estudantes com doses atrasadas.

As escolas deverão avisar os pais ou responsáveis com antecedência mínima de cinco dias. Para menores de 18 anos, a aplicação das vacinas dependerá de autorização e da apresentação da caderneta de vacinação. Na ausência do documento, as equipes poderão consultar os sistemas oficiais e emitir um novo cartão.

O decreto também determina que as unidades de ensino enviem, no início de cada ano letivo, uma cópia digital ou fotografia da carteira de vacinação dos estudantes à Unidade Básica de Saúde responsável pela região. A medida permitirá o acompanhamento da situação vacinal e a convocação de alunos que precisem atualizar as doses.

O secretário municipal de Saúde, Rafael Gomes, afirmou que a integração entre as áreas de Saúde e Educação facilitará o acesso às vacinas e ajudará a proteger os estudantes e a comunidade escolar.