Produtores expõem crise dos ramais e fala de Calixto revela improviso do governo na Operação Verão

Secretário tenta jogar parte da responsabilidade para as prefeituras, fala em R$ 15 milhões iniciais e culpa áudio por manifestação; dados do Deracre mostram repasses pendentes, saldos abertos e histórico de lentidão na execução

A manifestação de produtores rurais na Assembleia Legislativa do Acre, nesta terça-feira, 7, colocou a crise dos ramais no centro da agenda política do Estado. Agricultores e moradores da zona rural foram à Aleac cobrar do Deracre um cronograma oficial de recuperação das estradas vicinais, com a lista dos ramais que serão atendidos, prazo de execução e garantia de continuidade das máquinas em campo.

A cobrança ocorre após o vazamento de um áudio atribuído a um diretor do Deracre, no qual ele teria relatado dificuldade de recursos, risco de paralisação dos serviços e retirada de máquinas terceirizadas das frentes da Operação Verão. O episódio ampliou uma insatisfação que já vinha das comunidades rurais, especialmente em regiões como a Transacreana, onde moradores relatam ramais intrafegáveis, pontes danificadas e dificuldade para escoar a produção.

Diante da pressão, o secretário de Governo, Luiz Calixto, tentou reorganizar a versão oficial em entrevista ao jornalista Itaan Arruda, do AC24Agro. Mas, ao tentar justificar a situação, acabou deixando clara a dimensão da crise.

Calixto afirmou que o governo já fez convênios com alguns municípios para recuperação de ramais, disse que disponibilizou equipamentos como tratores e caçambas e informou que a Operação Verão conta, inicialmente, com uma dotação de R$ 15 milhões. Ao mesmo tempo, o secretário transferiu parte da responsabilidade às prefeituras ao dizer que “a questão dos ramais é uma obrigação municipal” e que o Estado entra apenas como “colaborador”.

A fala é sensível porque o governo estadual vinha vendendo a Operação Verão como uma grande ação própria. No lançamento oficial, a gestão Mailza Assis anunciou mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores, meta de atender 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões.

Agora, pressionado por produtores, o governo reduz o tom e passa a falar em “possibilidades”, “colaboração” e limitação financeira. Calixto também reconheceu que o Acre tem uma malha de cerca de 20 mil quilômetros de ramais e que o governo não tem condições de resolver tudo. A declaração reforça a pergunta feita pelos produtores: se o Estado sabia que não teria capacidade para atender todos os ramais, por que não apresentou desde o início um cronograma público, realista e transparente?

O secretário também tentou atribuir a manifestação ao áudio vazado. Segundo ele, quando a gravação circulou, a Operação Verão havia sido lançada havia pouco tempo e ainda não existiriam medições realizadas nem dívidas a pagar. Calixto classificou o episódio como precipitação de um gestor do próprio órgão e disse que a situação criou um clima de incerteza junto aos produtores.

A justificativa, porém, não encerra a crise. O áudio pode ter acelerado a mobilização, mas não criou os ramais ruins, não destruiu pontes, não isolou comunidades e não produziu, sozinho, a desconfiança sobre a continuidade das máquinas. O problema é anterior e mais profundo: o governo anunciou uma operação de grande porte, mas os dados de execução ainda não sustentam, de forma clara, o tamanho da propaganda.

Na base de pagamentos do Deracre, até o início de julho, havia R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte específico de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. No mesmo período, o termo literal “Operação Verão” aparecia quase só em diárias, com apenas R$ 37,8 mil pagos.

Ou seja: o governo tenta tratar a crise como um problema de comunicação interna, mas os números mostram uma fila de compromissos abertos e uma diferença grande entre o anúncio político e o rastro financeiro disponível até agora.

A tentativa de empurrar parte da responsabilidade para as prefeituras também precisa ser confrontada com dados. Na base atualizada de pagamentos do Deracre em 2026, os repasses para municípios somam R$ 26,1 milhões empenhados e R$ 20,6 milhões pagos. Ainda há R$ 5,5 milhões empenhados e não pagos para prefeituras.

Entre os saldos abertos aparecem Cruzeiro do Sul, com R$ 1,5 milhão; Assis Brasil, com R$ 1 milhão; Brasileia, com R$ 1 milhão; Porto Walter, com R$ 942 mil; Jordão, com R$ 667 mil; e Santa Rosa do Purus, com R$ 400 mil.

No recorte de repasses com menção direta a ramais, a situação é ainda mais reveladora. O Deracre empenhou R$ 475 mil para ações municipais ligadas a ramais. Desse total, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados e não pagos, todos ligados a Porto Walter, para manutenção de ramais.

Isso mostra que a explicação de Calixto é insuficiente. Se o governo diz que os ramais são obrigação municipal, precisa mostrar quais prefeituras receberam, quais ainda têm recursos pendentes, quais convênios estão em execução e quais ramais ficaram fora do planejamento. Não basta dizer que o Estado é colaborador quando a própria gestão estadual lançou a Operação Verão como vitrine e prometeu máquinas em todo o Acre.

O que aparece, até aqui, é uma condução marcada por improviso. Primeiro, o governo anuncia uma operação grandiosa, com números fortes e promessa de presença em todas as regiões. Depois, diante da cobrança, admite limitação de recursos, fala em dotação inicial de R$ 15 milhões, joga parte da responsabilidade para os municípios e culpa um áudio interno pelo desgaste político.

A crise dos ramais não é apenas um problema de chuva, verão ou logística. É uma crise de planejamento e de execução. O governo Gladson/Mailza acumula histórico de lentidão na recuperação de ramais e chega a julho de 2026 pressionado por produtores que ainda precisam pedir o básico: saber onde a máquina vai entrar, quando o serviço começa e se ele será concluído.

A manifestação na Aleac obrigou o governo a prometer a apresentação de um cronograma no Deracre. Esse calendário, no entanto, deveria ter sido a primeira etapa da Operação Verão, não uma resposta tardia à pressão dos produtores.

No campo, a pergunta permanece simples: se o dinheiro estava garantido, por que houve risco de retirada de máquinas? Se a operação estava planejada, por que os produtores precisaram ocupar a Aleac para cobrar cronograma? E, se os ramais são responsabilidade das prefeituras, por que o governo vendeu a Operação Verão como solução estadual para a crise?

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.

Tensão no Deracre! Queda em pagamentos de ramais e ruído sobre caixa da Operação Verão

Governo anunciou mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho e 12 mil quilômetros de ramais, mas base de pagamentos mostra que, até 1º de julho, o nome “Operação Verão” aparece quase só em diárias; grande licitação de ramais foi suspensa

A saída de Sula Ximenes do comando do Deracre abriu uma crise que vai além da troca de cadeira na autarquia. O problema, agora, está no caixa e na execução da Operação Verão 2026, lançada pelo governo Mailza Assis com discurso de força-tarefa, máquinas nos ramais e investimentos milionários.

O governo anunciou a operação em 1º de junho, em Rio Branco, prometendo mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores e meta de atender 12 mil quilômetros de ramais. No mesmo ato, a gestão falou em aproximadamente R$ 50 milhões para ramais e pontes, além de R$ 30 milhões em recursos federais voltados para Cruzeiro do Sul. Sula, então presidente do Deracre, afirmou que a operação teria mais de R$ 70 milhões em investimentos do governo estadual.

O discurso era de verão planejado. Os dados, porém, contam uma história mais complicada.

Levantamento feito em pagamentos do Deracre entre 2022 e 2026 mostra que o órgão não está necessariamente pagando menos no geral. Pelo contrário: até 1º de julho de 2026, o Deracre já havia pago R$ 174,1 milhões. No mesmo período de 2025, eram R$ 157 milhões. O caixa geral da autarquia, portanto, não encolheu. Cresceu.

A queda aparece quando o filtro vai para o que importa na propaganda da Operação Verão: ramais, estradas vicinais e recuperação de acessos rurais.

Até 1º de julho de 2025, o Deracre havia pago R$ 14,5 milhões em despesas com menção a ramais ou estradas vicinais. No mesmo período de 2026, o valor caiu para R$ 8,3 milhões. É uma redução de cerca de 43% nos pagamentos ligados a ramais, justamente no ano em que o governo lançou a operação como uma das principais vitrines da gestão Mailza.

A diferença fica ainda mais sensível quando o levantamento busca o termo literal “Operação Verão” nos históricos de pagamento. Em 2025, a expressão aparece em 39 registros, somando R$ 9,47 milhões pagos. A maior parte era de serviços de pessoa jurídica, com recuperação de pontos críticos, tapa-buraco e intervenções executadas em campo.

Em 2026, até 1º de julho, a mesma busca encontra 32 registros e apenas R$ 37,8 mil pagos. Todos em diárias.

Deracre tem R$ 43 milhões empenhados e não pagos em 2026

Outro dado reforça a pressão sobre o caixa do Deracre. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos. Desse total, R$ 36,2 milhões ainda nem haviam sido liquidados e R$ 6,9 milhões já estavam liquidados, mas sem pagamento registrado.

A maior concentração está em empenhos feitos em junho, mês de lançamento da Operação Verão. Só nesse período, aparecem R$ 19,6 milhões empenhados e não pagos. O saldo aberto envolve principalmente serviços de pessoa jurídica, obras e instalações, material de consumo, equipamentos e convênios.

No recorte específico de ramais e estradas vicinais, o quadro é ainda mais sensível para o discurso do governo. A base mostra R$ 11,1 milhões empenhados e não pagos em objetos ligados a ramais. Entre os maiores saldos estão o Ramal Estrada Velha, em Epitaciolândia, com R$ 4,3 milhões empenhados sem pagamento; o Ramal Centrinho e Ramal Escondido, com R$ 1,5 milhão; e contratos ligados ao Ramal dos Paulistas, Ramal do Adolar, Ramal Vai Se Ver e pontes em ramais.

O dado não significa que nenhuma máquina tenha ido a campo. O próprio governo publicou ações em ramais, como no Ramal Esperança, em Brasileia, onde informou serviços em 14 quilômetros, lançamento de piçarra, espurgo de asfalto, bueiros e mobilização de equipamentos.

Mas a base de pagamentos mostra que, até agora, o rastro financeiro da Operação Verão 2026 não acompanha o tamanho do anúncio. No papel do Deracre, o nome da operação aparece mais como deslocamento, vistoria e fiscalização do que como pagamento efetivo de obra.

No Juruá, onde a cobrança por ramais costuma pesar mais, o governo lançou uma etapa própria da Operação Verão em 12 de junho. A matéria oficial informou R$ 26 milhões em recursos federais do Ministério da Agricultura e Pecuária para recuperar cerca de 80 quilômetros de ramais em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também afirmou que o Estado colocaria recursos próprios para mais de 800 quilômetros de serviços sob demanda na região.

É exatamente aí que a pergunta sobre a origem do dinheiro ganha força. No recorte de ramais da base de 2026, o Deracre tem R$ 19,5 milhões empenhados, mas só R$ 8,3 milhões pagos. A maior parte paga saiu da fonte 15000100, classificada em documentos do Estado como recursos próprios do Tesouro Estadual. Outra parte relevante aparece na fonte 27003120, ligada a emendas parlamentares de bancada em superávit. 

Ou seja: a Operação Verão foi vendida como uma grande ação nova do governo, mas parte importante do dinheiro dos ramais aparece misturada a fontes antigas, emendas, convênios e contratos que já vinham se arrastando de anos anteriores.

O caso mais simbólico é o Contrato de Repasse nº 850470/2017. Esse convênio aparece na base de pagamentos com movimentações em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. Só em 2026, há R$ 8,86 milhões empenhados vinculados a esse número, mas apenas R$ 2,37 milhões pagos.

Esse contrato não nasceu agora. Em 2019, o próprio governo Gladson Cameli anunciou a liberação de cerca de R$ 94 milhões para recuperação de ramais em todo o Acre, recurso de emendas de bancada que, segundo a publicação oficial da época, estava “empacado” e poderia ser perdido se não fosse destravado. (Noticias do Acre)

Sete anos depois da origem da emenda e cinco anos após o governo dizer que havia destravado o recurso, o mesmo pacote ainda aparece nos pagamentos do Deracre. Isso ajuda a explicar a morosidade na política de ramais no Acre: não se trata apenas de falta de anúncio. Anúncio houve. O que falta, ano após ano, é execução no ritmo prometido à população rural.

A contratação nova que poderia dar escala à Operação Verão também não engrenou até aqui. A Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, no ComprasGov nº 90044/2026, Processo nº 0000002/2026-Deracre, foi aberta para contratar serviços de engenharia de melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá. O edital foi prorrogado para 3 de junho, mas, um dia antes da sessão, a comissão publicou aviso de suspensão por haver pedidos de esclarecimentos e/ou impugnações pendentes de resposta do órgão demandante. 

Na prática, a grande contratação de ramais do Deracre em 2026 foi suspensa no início do verão amazônico, justamente quando o governo dizia que colocaria o maquinário em campo.

A saída de Sula Ximenes piorou a leitura política. O Integração Net mostrou que, nos bastidores, a exoneração abriu ruído sobre o caixa da operação. A versão de bastidor aponta suspeita de que o dinheiro prometido para sustentar a Operação Verão não estaria disponível como havia sido combinado, com questionamentos envolvendo emenda de bancada e planejamento para recuperação de ramais. 

Os números não provam, sozinhos, falta de dinheiro. Mas sustentam a cobrança. Se o governo anunciou mais de R$ 70 milhões, mais de 40 frentes, 12 mil quilômetros de ramais e estrutura pesada em todas as regionais, precisa mostrar quais contratos bancam a operação, quanto já foi empenhado, quanto foi pago, quais ramais foram efetivamente atendidos e que parte do recurso é dinheiro novo do Estado, emenda de bancada, convênio federal ou saldo de contrato antigo.

Áudio expõe crise interna e resposta da Sefaz não encerra dúvida sobre o caixa

A crise da Operação Verão não nasceu apenas de especulação política. Reportagem do AC24Agro trouxe um áudio atribuído ao diretor de Ramais do Deracre, Celso Sousa, no qual ele afirma que havia decisão interna para “parar o trecho” e devolver máquinas terceirizadas que atuavam em ramais, na AC-90 e em aeródromos. Segundo a reportagem, o diretor relacionou o problema à falta de conexão entre Sefaz e Seplag e disse que “não está tudo certo” na execução da operação. 

A Sefaz reagiu por meio do secretário Amarísio Freitas. A versão oficial é que a Operação Verão tinha acabado de completar 30 dias, que seria imprudente falar em interrupção dos serviços nesse prazo e que o Deracre trabalha com uma cota mensal de pouco mais de R$ 15 milhões em recursos próprios. A secretaria também afirmou que o Tesouro não controla quando serão liberados recursos de emendas federais ou outras fontes. 

A resposta, porém, não elimina o questionamento. O próprio governo lançou a Operação Verão prometendo mais de 40 frentes de trabalho, mais de 400 máquinas, cerca de 500 trabalhadores, 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões. Se parte relevante desse dinheiro dependia de emendas federais, convênios ou liberações fora do controle direto da Sefaz, a pergunta permanece: quanto desse pacote estava, de fato, disponível para execução quando a operação foi anunciada?

Os dados do Deracre reforçam a dúvida. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. Ao mesmo tempo, o nome “Operação Verão” aparecia na base quase só em diárias, somando apenas R$ 37,8 mil pagos.

Há ainda outro ponto sensível: a grande licitação de ramais de 2026, a Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, foi suspensa antes da sessão prevista para 3 de junho. O processo tratava da contratação de serviços de engenharia para melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá.

Por isso, a explicação da Sefaz pode até responder ao rito financeiro mensal, mas não responde ao problema político e administrativo aberto pela Operação Verão. O que está em discussão não é apenas se a Sefaz repassa cotas ao Deracre. É se o governo anunciou uma operação maior do que o dinheiro disponível, os contratos ativos e a capacidade real de execução conseguiam sustentar naquele momento.

Hoje, a fotografia disponível é dura para o governo Gladson/Mailza: o Deracre pagou mais no conjunto, mas pagou menos em ramais; a Operação Verão 2026 aparece quase só em diárias; a licitação estadual para ramais foi suspensa; e parte da execução ainda depende de recursos antigos, anunciados desde 2019.

No palanque, a Operação Verão nasceu como vitrine. Nos dados, até agora, ela parece ter subido no telhado.

Mâncio Lima recebe 11 máquinas para recuperar mais de 300 quilômetros de ramais

Mâncio Lima vai receber 11 máquinas para reforçar a recuperação de mais de 300 quilômetros de ramais do município, após o lançamento da Operação Verão no Vale do Juruá, nesta sexta-feira, 12. A ação do Governo do Acre amplia os investimentos em infraestrutura rural e busca melhorar o acesso de produtores e comunidades da zona rural.

O anúncio foi acompanhado pelo prefeito Zé Luiz, que participou do evento e confirmou o início imediato dos serviços no município. A expectativa é de que o reforço na estrutura permita acelerar a recuperação das estradas vicinais e garantir melhores condições de tráfego em áreas usadas diariamente para o escoamento da produção e o deslocamento de moradores.

Durante o lançamento, a presidente do Deracre, Sula Ximenes, afirmou que o governo mantém apoio aos municípios para melhorar a trafegabilidade nos ramais. “Estamos trabalhando em parceria para garantir melhores condições de trafegabilidade nos ramais e atender a população com responsabilidade”, declarou.

A governadora Mailza Assis disse que a operação tem foco no acesso das famílias, no fortalecimento da produção rural e na melhoria da qualidade de vida da população. “Nosso objetivo é assegurar o acesso das famílias, fortalecer a produção e melhorar a qualidade de vida da população”, afirmou.

O prefeito Zé Luiz classificou a chegada das máquinas como um avanço para Mâncio Lima e destacou o impacto da medida para a zona rural. “Receber essas máquinas representa um grande avanço para o nosso município. Vamos iniciar os trabalhos de imediato para garantir melhores condições de trafegabilidade, fortalecer a produção rural e oferecer mais qualidade de vida às famílias que dependem dos ramais”, disse.

A Operação Verão prevê investimentos em diferentes regiões do Acre para a recuperação de ramais, rodovias e pontes, em uma estratégia de atuação conjunta entre o governo estadual, prefeituras e comunidades rurais.