Denúncia aponta agressão a gestante indígena durante parto em Cruzeiro do Sul

Uma denúncia aponta que uma gestante indígena de 18 anos teria sido agredida com um tapa no rosto durante o trabalho de parto na maternidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O caso teria ocorrido na madrugada entre os dias 10 e 11 de agosto e envolve suspeita de violência obstétrica dentro da unidade pública de saúde.

O Grupo Integração ouviu pessoas que relataram o episódio, mas elas pediram para não ter os nomes divulgados por medo de represálias. De acordo com os relatos, a agressão teria sido praticada por um médico enquanto a jovem gritava por causa das dores de um parto considerado complicado.

A criança estaria em posição pélvica, quando o nascimento ocorre pelos pés, condição que exige atenção específica da equipe médica. A paciente, segundo os relatos, estaria sem acompanhante no momento do atendimento.

Pessoas ouvidas pelo Grupo Integração afirmaram que a direção da unidade teria tomado conhecimento da denúncia. O caso levantou questionamentos sobre as providências adotadas após o relato da suposta agressão e sobre o atendimento prestado a uma jovem indígena em condição de vulnerabilidade.

A paciente já recebeu alta da unidade. A apuração deve esclarecer as circunstâncias do atendimento, a conduta dos profissionais que estavam no local e as medidas adotadas pela maternidade após a denúncia.

No fim da tarde, a Coordenação Regional de Saúde do Juruá se manifestou sobre o caso e informou que abriu processo administrativo para apurar os fatos. A nota é assinada por Iglê Monte da Silva, coordenadora da Regional do Juruá, vinculada à Sesacre.

“A Coordenação Regional de Saúde do Juruá informa que, diante da denúncia envolvendo uma paciente indígena, foi instaurado processo administrativo para apuração dos fatos.

A investigação está em andamento e contempla a escuta dos profissionais que estavam presentes no momento da ocorrência, incluindo o médico citado, a fim de esclarecer com precisão as circunstâncias do caso.

A paciente recebeu todo o acolhimento e a assistência necessários durante o atendimento e já recebeu alta da unidade.

Por se tratar de um processo em andamento, a Coordenação considera necessário aguardar a conclusão da apuração antes de antecipar qualquer posicionamento sobre os fatos. Assim que o procedimento for concluído, serão prestados os devidos esclarecimentos.”

Homenagem a Mailza em solenidade pública levanta debate eleitoral no Acre

A homenagem prestada à governadora Mailza Assis pela Defensoria Pública do Acre, nesta quinta-feira, em Rio Branco, abriu debate sobre a linha que separa o reconhecimento institucional da exposição política em plena campanha eleitoral. Governadora há quatro meses e candidata ao cargo nas urnas, Mailza recebeu um ato público de reconhecimento à gestão em uma solenidade que reuniu autoridades, defensores públicos e representantes do governo.

A cerimônia ocorreu no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Acre e foi organizada pela Defensoria Pública do Estado e pela Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Acre. O evento reconheceu contribuições do Governo do Estado para o fortalecimento da estrutura da instituição, incluindo investimentos e uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada por Mailza quando exercia mandato no Senado Federal para a aquisição de uma unidade móvel de atendimento.

O ponto levantado pelo artigo do Acre ao Vivo é o momento político da homenagem. A solenidade não ocorreu em um período comum da vida administrativa. Mailza está no exercício do governo, ocupa posição de candidata e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Nesse contexto, um ato público com reconhecimento à gestão deixa de ser apenas uma agenda institucional e passa a exigir análise sobre eventual benefício eleitoral.

A Defensoria Pública tem papel essencial no atendimento jurídico da população mais vulnerável e ampliou sua estrutura nos últimos anos. O número de defensores passou de pouco mais de 40 para 61, e a instituição registrou mais de 210 mil atendimentos em 2025, com previsão de ultrapassar 240 mil neste ano. Esses dados explicam a relevância institucional do reconhecimento, mas não encerram a discussão sobre o impacto político da solenidade.

O debate se concentra no uso da imagem pública de uma governadora candidata em um evento de exaltação administrativa. Mesmo sem pedido explícito de voto, a exposição em cerimônias oficiais pode produzir efeito político quando associa a candidata a entregas, parcerias e resultados de governo. É justamente essa fronteira que o questionamento coloca em evidência.

Instituições públicas podem reconhecer parcerias, agradecer apoios e prestar contas à sociedade. O problema surge quando a forma, o momento e a comunicação do ato se confundem com a disputa eleitoral. Em ano de eleição, a prudência institucional precisa ser maior para evitar que homenagens públicas sejam interpretadas como promoção de quem está na corrida pelo voto.

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Rodrigues Alves sedia reunião regional de saúde com foco em atendimento a neurodivergentes

Rodrigues Alves sediou uma reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR) da 3ª Região de Saúde do Juruá, com a participação de gestores municipais e representantes da saúde estadual. O encontro discutiu medidas para fortalecer a assistência à população, com atenção ao atendimento de pessoas neurodivergentes e à organização dos serviços de saúde na região.

Participaram da reunião os secretários municipais de Saúde de Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Feijó, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também estiveram presentes a secretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), Suelen, e a secretária executiva do Cosems Acre.

O atendimento às pessoas neurodivergentes esteve entre os principais temas da pauta. Os gestores discutiram formas de ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer a rede de assistência e organizar estratégias voltadas às necessidades dos pacientes e de suas famílias.

A reunião também tratou da articulação entre os municípios da região do Juruá. Os representantes trocaram experiências sobre os serviços oferecidos, alinharam ações e discutiram soluções conjuntas para dificuldades enfrentadas pelas redes municipais de saúde.

A Comissão Intergestores Regional funciona como espaço de pactuação entre gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e permite que os municípios discutam demandas comuns, organização dos atendimentos e estratégias regionais para ampliar o acesso da população aos serviços.