Jorge Viana grava com Luiz Albuquerque no Juruá e diz que eleição não é guerra

Jorge Viana publicou nesta segunda-feira, 7, um vídeo ao lado do influenciador digital Luiz Albuquerque, em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, e usou a conversa para defender uma disputa eleitoral sem clima de guerra. Na legenda da publicação, ele escreveu que a eleição deve ser uma chance de construir um futuro melhor e agradeceu ao criador de conteúdo por compartilhar “desses sonhos”.

Luiz Albuquerque é um nome conhecido nas redes sociais de Cruzeiro do Sul. Com vídeos feitos nas ruas, linguagem popular e forte presença entre moradores do Juruá, ele ganhou espaço mostrando personagens locais, situações do cotidiano, manifestações culturais e cobranças da população. Essa marca aparece na gravação com Viana, quando o influenciador comenta que basta caminhar pela cidade para ser parado por pessoas que querem falar de problemas, fazer reclamações e opinar sobre o futuro.

“A gente dá um passo e a galera para a gente aqui para comentar, para falar, para colocar suas reclamações e para falar sobre o futuro novo daquilo que ficou para trás”, disse Luiz Albuquerque.

Ao apresentar o influenciador, Viana citou a força dele nas redes e associou o trabalho do blogueiro à valorização da cultura acreana. “Cruzeiro do Sul. Olha só que quem está aqui comigo, Luiz Albuquerque, o cara mais famoso nas redes sociais do Cruzeiro do Sul, faz um trabalho lindo, social, valorizando a cultura do nosso povo do Acre, especialmente aqui do Juruá”, afirmou.

A gravação tem tom de caminhada de rua, longe do formato tradicional de discurso político. Viana aparece conversando com Luiz e recupera lembranças de obras no Acre, ao dizer que houve um período em que faltou mão de obra local para atender à quantidade de serviços em andamento. Ele afirmou que precisou buscar trabalhadores em Curitiba, Brasília, Goiânia, Cuiabá e Porto Velho para funções como armação de ferro e caixaria.

“Tinha tanta obra que eu tive que trazer gente de Curitiba, de Brasília, de Goiânia, de Cuiabá e Porto Velho. Não tinha mais ninguém profissional no Acre pra contratar, pra virar ferro, caixaria e tal”, disse Viana.

A presença de Luiz Albuquerque na publicação aproxima a mensagem de Viana de um público que acompanha a política pelo celular, principalmente no interior. No Juruá, o influenciador construiu audiência justamente por circular entre moradores, ouvir queixas e transformar a rotina local em conteúdo de grande alcance regional. “Eleição não é guerra, é oportunidade de construirmos um futuro melhor. Esse é meu propósito como senador dos acreanos. Obrigado por compartilhar desses sonhos, querido Luís”, escreveu Jorge.

Rodrigues Alves sedia reunião regional de saúde com foco em atendimento a neurodivergentes

Rodrigues Alves sediou uma reunião da Comissão Intergestores Regional (CIR) da 3ª Região de Saúde do Juruá, com a participação de gestores municipais e representantes da saúde estadual. O encontro discutiu medidas para fortalecer a assistência à população, com atenção ao atendimento de pessoas neurodivergentes e à organização dos serviços de saúde na região.

Participaram da reunião os secretários municipais de Saúde de Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Feijó, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também estiveram presentes a secretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), Suelen, e a secretária executiva do Cosems Acre.

O atendimento às pessoas neurodivergentes esteve entre os principais temas da pauta. Os gestores discutiram formas de ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer a rede de assistência e organizar estratégias voltadas às necessidades dos pacientes e de suas famílias.

A reunião também tratou da articulação entre os municípios da região do Juruá. Os representantes trocaram experiências sobre os serviços oferecidos, alinharam ações e discutiram soluções conjuntas para dificuldades enfrentadas pelas redes municipais de saúde.

A Comissão Intergestores Regional funciona como espaço de pactuação entre gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e permite que os municípios discutam demandas comuns, organização dos atendimentos e estratégias regionais para ampliar o acesso da população aos serviços.

Francisco Piyãko alertou por anos sobre ameaças; “Proteger a floresta para nós é proteger a nossa própria vida”

A frase de Francisco Piyãko, registrada no documentário Povos do Juruá, ganha um novo significado diante da crise de segurança vivida nesta semana na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. O líder Ashaninka, que há décadas denuncia a pressão crescente sobre a fronteira entre Brasil e Peru, viu o território que sempre procurou proteger se tornar alvo da invasão de um grupo armado que procurava lideranças indígenas.

A resposta do Estado veio com a deflagração da Operação Ashaninka, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre, com equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e articulação com órgãos federais. Mas, para quem acompanha a trajetória de Francisco Piyãko, os acontecimentos desta semana não representam uma surpresa. Eles confirmam alertas feitos há anos e registrados em dois documentários lançados pelo portal Épop.

As produções Povos do Juruá (2024) e Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta (2025) ajudam a compreender por que o rio Amônia se tornou uma das regiões mais sensíveis da Amazônia brasileira. Mais do que contar a história dos povos indígenas do Vale do Juruá, os filmes mostram como a combinação entre ausência do Estado, pressão por grandes obras, exploração ilegal de recursos naturais e avanço do crime organizado vem transformando a fronteira em uma área de permanente tensão.

Um alerta construído ao longo de décadas

Em Povos do Juruá, Francisco Piyãko conduz o espectador por uma narrativa sobre a formação da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), a luta pela demarcação das terras indígenas e a defesa da floresta.

Ao recordar esse processo, ele afirma:

“Graças à nossa coragem, creio que a gente tem um lugar ainda. Nem que seja do tamanho da nossa força, mas é um lugar seguro para a gente morar com as nossas crianças.”

A declaração sintetiza uma ideia presente durante todo o documentário: o território não foi apenas demarcado pelo Estado, mas protegido pela mobilização permanente dos próprios povos indígenas.

Em outro momento, Francisco chama a atenção para um aspecto pouco conhecido da região. A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia está localizada em uma extensa faixa de fronteira, onde a presença permanente do poder público sempre foi limitada. Segundo ele, essa realidade faz com que as comunidades acabem exercendo um papel importante na proteção da floresta e até da própria fronteira brasileira.

Essa condição, no entanto, também expõe as aldeias aos impactos provocados por atividades ilegais que se expandem no lado peruano, como exploração clandestina de madeira, abertura de estradas, narcotráfico e circulação de grupos armados.

Estradas que preocupam as comunidades

Outro eixo central das falas de Francisco Piyãko diz respeito aos projetos de infraestrutura planejados para a região.

Nos documentários, ele questiona a narrativa de que as ligações rodoviárias entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, seriam necessariamente sinônimo de desenvolvimento para quem vive na floresta.

“Essa estrada não foi feita para atender nós, o povo da floresta.”

A preocupação apresentada por ele não se limita à construção de uma rodovia. O alerta é para os efeitos que essas ligações costumam provocar em áreas de floresta preservada: aumento da exploração ilegal de madeira, ocupações irregulares, conflitos fundiários e maior facilidade para a atuação de organizações criminosas.

Nos filmes, Francisco defende que qualquer empreendimento dessa natureza seja precedido por estudos ambientais, consulta aos povos indígenas e avaliação dos impactos sobre os territórios tradicionais.

O segundo documentário amplia o debate

Se Povos do Juruá apresenta a história e a identidade dos povos indígenas do Vale do Juruá, Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta aprofunda a discussão sobre os conflitos atuais da região.

Lançado pelo portal Épop em 2025, o documentário reúne documentos, estudos técnicos, decisões judiciais e depoimentos de lideranças indígenas sobre as ameaças que cercam a fronteira Acre–Ucayali.

No filme, Francisco Piyãko reforça que a defesa feita pelas organizações indígenas não busca impedir o desenvolvimento econômico.

“O direito dos povos indígenas está reconhecido na Constituição Brasileira.”

Para ele, o debate precisa ser conduzido dentro das regras estabelecidas pela Constituição e pelos tratados internacionais, garantindo consulta prévia às comunidades e proteção dos territórios indígenas.

Essa posição também aparece em outro momento do documentário, quando afirma que a luta da Opirj busca apenas que a legislação existente seja efetivamente cumprida.

A realidade alcançou os documentários

Poucos meses depois do lançamento do segundo filme, os alertas registrados nas produções ganharam contornos concretos.

Segundo a denúncia apresentada por Francisco Piyãko às autoridades, homens armados entraram na Aldeia Apiwtxa nos dias 5 e 6 de julho procurando lideranças indígenas e ameaçando moradores.

Durante a chegada das equipes do Gefron, Francisco afirmou que a comunidade vivia um momento de tensão, mas destacou que as lideranças permaneceriam no território.

Também fez um apelo para que a presença das forças de segurança não seja apenas temporária, reforçando que o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação permanente do Estado.

As declarações dialogam diretamente com os documentários, nos quais ele explica que os povos indígenas conhecem profundamente a floresta e colaboram com sua proteção, mas não podem ser deixados sozinhos diante da expansão de atividades criminosas na fronteira.

Um convite para conhecer a região

A crise vivida hoje no rio Amônia torna os dois documentários ainda mais relevantes.

Quem assistir às produções encontrará muito mais do que um registro sobre cultura indígena. Os filmes apresentam a história da organização dos povos do Juruá, explicam a importância estratégica da fronteira entre Brasil e Peru, mostram como nasceram as articulações entre comunidades dos dois países e ajudam a compreender por que Francisco Piyãko insiste, há tantos anos, que a proteção da floresta depende também da proteção dos povos que vivem nela.

Os acontecimentos desta semana mostram que os alertas feitos pelas lideranças Ashaninka não tratavam de um cenário hipotético. Eles descreviam uma realidade que se aproximava lentamente e que agora chegou ao coração da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana defende união pelo Acre articulação para o desenvolvimento

Jorge Viana atravessou a manhã desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, no estúdio da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, tentando deslocar a conversa da briga eleitoral para uma ideia mais ampla de reconstrução do Acre. Pré-candidato ao Senado, ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador, ex-senador e ex-presidente da ApexBrasil, ele falou de ramais, BR-364, café, juventude, internet, ferrovia, meio ambiente, ponte, setor produtivo e diálogo político, sempre tentando amarrar a própria trajetória à promessa de voltar a ser útil ao estado. “Não é uma caminhada pra derrotar ninguém. É uma caminhada pra ver se o Acre vence”, disse, numa das frases que melhor resumiram a entrevista.

A fala de Jorge foi além da cobrança por ramais e BR-364. Nos ramais, ele cobrou planejamento do governo estadual e parceria com as prefeituras. Na BR-364, porém, o tom foi outro: ele não tratou a estrada apenas como uma cobrança externa, mas como uma frente que afirma ter assumido diretamente, mesmo sem mandato, por meio da relação que mantém com o governo federal e com o ministro responsável pela área. “Eu mesmo sem mandato, como tenho relação com o governo federal, com o ministro, eu liguei e estou tentando ajudar na estrada”, afirmou. A diferença é importante porque separa dois movimentos da entrevista: de um lado, Jorge critica a desorganização dos ramais; de outro, tenta se apresentar como alguém capaz de trazer solução para a rodovia que liga o Juruá ao restante do Acre.

Quando falou da BR-364, Jorge recuperou a memória do período em que o governo estadual assumiu responsabilidades sobre rodovias federais por meio de obras delegadas. Disse que buscou a delegação da BR-364 e da BR-317 ainda no governo Fernando Henrique Cardoso e que, naquela época, acumulou estradas federais, estaduais e ramais. “Botei nas minhas costas”, contou. “Eu tinha os ramais, as estradas estaduais, as federais nas minhas costas. Meu amigo, eu dei conta.” Agora, com a BR-364 sob responsabilidade federal, Jorge disse ter chamado engenheiros, montado um plano e atuado para melhorar o trecho entre Cruzeiro do Sul, Santa Luzia, Rio Liberdade e Rio Gregório. “Nós montamos um plano, o ministro veio aqui, até agosto, setembro, a estrada vai estar regular.”

A cobrança que ele aceitou para si foi pública. Jorge reconheceu que, ao assumir participação na articulação da BR-364, também se coloca sob pressão. “Se não melhorar, eu vou ter que vir aqui me explicar, vou ser cobrado. Vocês cobram, e eu acho que esse é o papel da imprensa mesmo, cobrar todos nós”, disse. Em seguida, traduziu o que considera uma rodovia minimamente aceitável para quem vive no Juruá: “O ônibus não pode ficar fazendo em 18 horas. Ele tem que voltar a fazer em 12 horas daqui pra Rio Branco. Um carro não pode demorar 15 horas, 14 horas, pra fazer e com risco de quebrar na viagem. Tem que voltar a fazer em nove horas, oito horas e meia.”

Nos ramais, a fala foi de cobrança direta. Jorge voltou ao Santa Luzia e contou ter ouvido agricultores preocupados com a produção que não consegue sair da propriedade. “Estão perdendo carregamento de banana”, afirmou. A cena é pequena, mas resume um drama antigo do Acre: quando o ramal fecha, o prejuízo nasce na roça, chega ao mercado e termina no preço pago por quem mora na cidade. “O produtor não botando o produto no mercado, vai ficar mais caro os produtos que tem pro consumidor e afeta todo mundo”, disse. Para Jorge, “trabalhar com ramal é você abraçar o cara que produz e que põe a comida na mesa das pessoas que vivem na cidade”.

A crítica aos ramais passou pelo calendário. Jorge insistiu que a operação precisa nascer no inverno para funcionar no verão. “Você tem um inverno todinho pra planejar a atuação no verão”, disse. Depois, apertou o ponto: “Você tem que planejar quando está chovendo. Nos escritórios não dá pra trabalhar na área rural. Planeja tudo pra, quando chegar em abril, estar com as máquinas arrumadinhas, e em maio tem que estar a todo vapor. Nós já estamos em julho. Já foi.” Ele também afirmou ter ouvido relatos de confusão envolvendo emendas e orçamento, mas evitou transformar o assunto em acusação fechada. “Eu não estou querendo entrar nisso porque eu não estou ocupando cargo público”, disse, antes de completar que “tem que saber o que é que está acontecendo”.

A saída defendida por Jorge passa por convênios bem feitos entre Estado e municípios. Ele não colocou o Deracre sozinho como resposta para toda a malha rural e também não transferiu a conta integralmente para os prefeitos. “Eu aconselho a governadora, aconselho o Deracre: faz o trabalho com as prefeituras”, afirmou. Na visão dele, o Estado deve entrar com coordenação, combustível e apoio, enquanto as prefeituras mobilizam máquinas e equipes que conhecem os pontos críticos. “Se fizer convênios bem feitos, com combustível e mobilizando as máquinas, amigo, dá. Tem ramal que precisa de uma raspagem pra deixar de ficar interditado. Senão, vai vir chuva, e aí, amigo, nem mel nem cabaça.”

A pré-candidatura ao Senado apareceu no meio dessa agenda como consequência da tentativa de Jorge de vender experiência, trânsito político e capacidade de articulação. Ele não negou o PT, mas recusou a ideia de disputar apenas uma guerra partidária. “O PT é meu partido, mas eu estou disputando como Acre”, disse. “Isso não é desrespeito à minha história nem ao partido.” Em outro trecho, foi ainda mais direto: “Eu não posso aqui querer pegar com minha história e botar uma candidatura: olha, isso aqui é pro partido tal derrotar o partido tal. Não, estou fora disso.” O que Jorge tenta construir é uma pré-candidatura com sotaque de serviço público, menos presa à sigla e mais apoiada na comparação entre o que diz ter feito e o que promete destravar.

Essa tentativa de reposicionamento ficou clara quando ele falou da relação com prefeitos e adversários. “Se for eleito senador, com a minha experiência, vou trabalhar pelo Acre, para trabalhar para todo mundo, de tudo que é partido. Não importa. Eu vou ter que trabalhar com todos os prefeitos”, afirmou. O discurso é calculado para um Acre cansado de briga política e acostumado a ver obras travarem quando a disputa eleitoral passa a valer mais que a necessidade da população. “Quem está querendo disputar eleição majoritária tem que sair dessa polarização idiota”, disse. “Na vida pública, o Acre está precisando é de união e trabalho.”

A frase “o Acre nos une” apareceu quando Jorge falou do encontro com o cantor Leonardo durante a Expoacre Juruá. O episódio, que poderia ficar apenas no anedotário da política, virou argumento para defender convivência com pessoas de campos diferentes. “Eu não fecho a porta pra ninguém”, disse. “Em vez de ficar numa guerra ideológica, eu não estou em guerra ideológica. Ninguém vai me pôr numa guerra ideológica só porque alguém votou no Bolsonaro.” Em seguida, costurou a mensagem que deseja levar para a pré-campanha: “Eu tenho lado, mas eu respeito o lado das pessoas. Será que a gente não pode estar junto numa causa que é o Acre?”

Jorge também levou para a entrevista a defesa do setor produtivo, especialmente do café. Falou como político, mas também como produtor. Disse que o café gera emprego, movimenta pequenas propriedades e pode formar uma nova classe média rural em municípios como Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. “Não tem nenhuma atividade que gere mais emprego do que o café. Eu sou plantador de café. Não tem. Ela gera muito emprego e todo mundo está plantando”, afirmou. A proposta apresentada por ele foi transformar o peso do ICMS em instrumento de financiamento. “Pega os sete por cento e diz: você não me paga, vai pra um fundo. Vai ajudar as cooperativas a funcionar, os sete por cento que deveriam ir pro governo pra financiar os pequenos, pro pequeno poder ter irrigação.”

A fala sobre café abriu caminho para uma agenda mais ampla de produção. Jorge contou ter visitado serraria, cerâmica e cooperativas em Cruzeiro do Sul e Nova Cintra, citou a bioeconomia, o uso da argila e a força de empresas locais. “Eu quero trabalhar muito nesse mandato com o setor produtivo”, afirmou. Para ele, os gargalos estão claros: ramal, passivo ambiental e crédito. “Hoje o maior problema dos produtores rurais do Acre é ramal. O segundo é resolver o passivo ambiental, ou até o primeiro. E o outro é a gente ter linha de crédito.” Nesse ponto, a entrevista deixou de ser apenas sobre estrada e entrou no coração da economia acreana: produzir mais, transportar melhor e vender com menos isolamento.

O meio ambiente apareceu como parte dessa mesma equação. Jorge reagiu às críticas que tentam transformar a pauta ambiental em inimiga automática do desenvolvimento e lembrou sua atuação como relator do Código Florestal. “Fui eu que fui o relator e aprovei o Código Florestal. Tirei a polícia de dentro das propriedades”, afirmou. Depois, disse que a lei não foi implementada como deveria e que muitos produtores continuam com problemas de embargo e passivo ambiental. “Eu quero ser o ajudador de resolver problema do povo do Acre, dos agricultores”, disse. Mas impôs uma condição: “Se não for uma pessoa que respeita o meio ambiente, que respeita o direito dos índios, que respeita o uso da terra, nós estamos vendo crise climática, amigo.”

A ligação com o Peru e a ferrovia também entraram no debate. Jorge defendeu a ferrovia como projeto estratégico para a Amazônia, mas rejeitou a ideia de que uma obra desse tamanho avance sem projeto, viabilidade, respeito a povos indígenas e acordo com o país vizinho. “Óbvio que uma ferrovia eu defendo e vou defender sempre, porque a Amazônia deveria ter trabalhado ferrovia desde o começo”, disse. Em seguida, puxou a conversa para o terreno concreto: “Quem vai viabilizar por onde a ferrovia passa é o governo peruano, porque ela tem que sair no lugar e ser feita dentro de outro país. Não é Jorge Viana, não é senador A, nem B, nem C.” Questionado sobre o traçado ideal, respondeu: “Se eu pudesse ter uma ferrovia que vem ao longo da BR-364 até Cruzeiro do Sul, nota dez.”

Ao falar da ponte de Rodrigues Alves, Jorge negou que Marina Silva tenha relação com a paralisação da obra e chamou a acusação de mentira. Disse que o projeto está em elaboração e defendeu uma solução provisória para reduzir o isolamento enquanto a ponte não sai. O tema serviu para reforçar uma linha recorrente da entrevista: obra pública, no Acre, não pode ser apenas promessa de campanha; precisa de projeto, licitação, recurso, execução e manutenção. Foi essa lógica que ele usou também ao falar da BR-364, dos ramais, da ferrovia e da produção.

A parte mais humana da conversa veio quando Jorge contou ter encontrado no aeroporto uma mãe com a filha prestes a deixar o Acre rumo a Santa Catarina, depois de outros dois filhos já terem ido embora. “Cara, dividir uma família”, disse. “E o que eles estão fazendo lá? Jovens tentando a melhor sorte em outro lugar.” A história abriu a defesa de internet de qualidade, fibra óptica e trabalho remoto como política de permanência da juventude. “Por que a gente não abre porta pro jovem aqui? Por que a gente não põe fibra óptica aqui? Põe internet de qualidade”, afirmou. Depois, resumiu a ambição: “O Acre pode ter a melhor internet da Amazônia. Eu só queria isso. E aí isso vai vir em serviço, emprego, principalmente pra juventude.”

A entrevista terminou com Jorge tentando ocupar um espaço político que mistura memória, prestação de contas e promessa de futuro. Ele citou o Hospital do Juruá, aeroportos, pontes, eletrificação rural, estradas e a experiência na ApexBrasil para dizer que sabe operar dentro e fora de Brasília. “Nesse trabalho meu da Apex, eu consegui criar uma relação fora do Brasil e dentro de Brasília com todo setor produtivo, e eu quero botar tudo isso a favor do Acre”, afirmou. A mensagem central não foi apenas a de quem cobra ramais ou fala da BR-364. Foi a de quem tenta convencer o eleitor de que pode articular estrada, produção, crédito, meio ambiente, internet, juventude e diálogo político numa mesma agenda. “Eu queria essa candidatura pelo futuro do Acre”, disse. Na fase correta do calendário, é pré-candidatura; no discurso, Jorge já trabalha para transformar essa condição numa ideia de retorno ao centro das decisões do estado.

Bocalom intensifica agenda no Juruá e amplia articulação para disputa pelo governo do Acre

O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, concentrou nesta semana uma série de agendas no Vale do Juruá, com passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, para ampliar alianças políticas, ouvir setores produtivos e reforçar a construção de propostas para a disputa estadual de 2026.

A agenda começou no domingo, 28, com a chegada a Cruzeiro do Sul, onde Bocalom abriu uma rodada de compromissos com empresários, lideranças políticas e representantes de comunidades da região. No dia seguinte, participou do Seminário Estadual de Desenvolvimento do Vale do Juruá, realizado na Associação Comercial de Cruzeiro do Sul, com debates sobre agronegócio, infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, turismo, cultura, esporte, qualificação profissional e novos empreendimentos.

A passagem pelo Juruá ocorre na mesma semana da Expoacre Juruá 2026, realizada entre 30 de junho e 5 de julho, em Cruzeiro do Sul. A feira movimentou a cidade, reuniu empresários, produtores rurais, empreendedores, lideranças políticas e visitantes de vários municípios, e transformou a região em um dos principais centros de discussão econômica e política do estado nos primeiros dias de julho.

Em Cruzeiro do Sul, Bocalom também cumpriu agenda na APAE, onde conheceu a estrutura de atendimento, conversou com funcionários, pais e alunos, e defendeu a manutenção de parcerias entre o poder público e instituições que prestam assistência a pessoas com deficiência. A entidade atende crianças, adolescentes, jovens e adultos de todo o Vale do Juruá nas áreas social, clínica e pedagógica.

Durante a semana, o pré-candidato também esteve na Expoacre Juruá, percorreu estandes, conversou com expositores e participou da noite gospel da feira, no Parque de Exposições. No contato com produtores e empreendedores, voltou a defender investimentos voltados ao campo, ao setor produtivo e à geração de emprego e renda no interior.

A articulação política avançou em Cruzeiro do Sul com adesões de lideranças locais. Entre os nomes que passaram a apoiar o projeto estão o médico Rondinei Brito, a médica cardiologista e empresária Joseane Tonussi e o ex-vereador Romário Tavares, que exerceu cinco mandatos no Legislativo municipal e atua na coordenação política da pré-campanha no Juruá.

Em Mâncio Lima, Bocalom reforçou a aproximação com o empresário e pecuarista Chicão da Distribuidora, candidato a prefeito nas eleições de 2024. Chicão declarou apoio à pré-candidatura e passou a integrar o grupo de lideranças locais que trabalham para ampliar a presença do tucano no município.

A agenda também chegou a Rodrigues Alves, onde Bocalom se reuniu com lideranças políticas, empresários e representantes do setor rural. No município, visitou o ex-vereador e ex-secretário municipal de Educação Petronilho Araújo e manteve diálogo com o vereador Chico Vaqueiro, ligado à pauta da agricultura e do homem do campo.

A estratégia adotada no Juruá combina encontros públicos, visitas institucionais, conversas com o setor produtivo e articulação com lideranças municipais. A movimentação marca uma tentativa de consolidar presença em uma das regiões mais importantes do estado e de transformar demandas locais em bandeiras para a pré-campanha.

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.

Acre entrega alimentos a 21 entidades no Juruá e garante renda a 45 agricultores familiares

O governo do Acre entregou alimentos a 21 entidades sociais do Juruá, em Cruzeiro do Sul, e garantiu a comercialização da produção de 45 agricultores familiares por meio do Programa de Aquisição de Alimentos. A ação foi realizada ao lado do Mercado do Agricultor e uniu o atendimento a instituições sociais com o fortalecimento da produção rural na região.

A entrega incluiu itens como abacate, melancia, farinha e goma de mandioca, farinha de tapioca, café torrado, açúcar mascavo, pepino, arroz beneficiado, colorau, banana, macaxeira, chicória, inhame, abacaxi, maxixe, couve, coentro, cheiro-verde, laranja, tangerina, limão, abóbora e mamão. Os alimentos foram destinados a entidades que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade e reforçam o abastecimento das unidades assistenciais do município.

Além de atender as instituições, a iniciativa assegura renda aos produtores rurais cadastrados no programa. Cada agricultor pode comercializar até R$ 7,5 mil em produtos ao longo do ano, com compra direta e sem atravessadores. A medida amplia o escoamento da produção local e mantém a circulação de recursos na economia da região.

No Lar dos Vicentinos, em Cruzeiro do Sul, a entrega ajuda a manter a alimentação de 34 idosos acolhidos pela instituição. Para os produtores, o programa também representa estabilidade. Agricultores da região apontam que a venda garantida permite planejar melhor o plantio e dá segurança para continuar produzindo.

A ação reforça a política de apoio à agricultura familiar no interior do estado e busca atender duas frentes ao mesmo tempo: o combate à insegurança alimentar e a valorização de quem produz no campo. No Juruá, a iniciativa consolida uma rede que liga produção rural, abastecimento e assistência social.

Alan Rick critica Mailza por viaduto e tenta atrair Zequinha para 2026

O senador Alan Rick elevou o tom contra a governadora Mailza durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 29 de maio, em Cruzeiro do Sul, ao reagir à informação de que não seria convidado para a inauguração de um viaduto em Rio Branco, obra que, segundo ele, recebeu R$ 17 milhões de emenda de seu mandato. No mesmo bloco político, o pré-candidato ao governo do Acre abriu publicamente as portas para uma aproximação com o prefeito Zequinha Lima, do PP, partido da governadora, e disse que quer o gestor cruzeirense ao seu lado na disputa de 2026.

A resposta sobre Mailza veio depois de uma pergunta sobre a polarização que começa a marcar a pré-campanha. Alan Rick confirmou que destinou a emenda para o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, ainda no período em que o projeto era tratado com a equipe do governo estadual. O senador afirmou ter registros da destinação do recurso e lembrou que gravou vídeo, à época, em frente ao Palácio Rio Branco, ao lado da então prefeita Socorro Neri e do governador Gladson Cameli. “Foi uma emenda nossa para aquele complexo da Avenida Ceará”, disse.

Alan também afirmou que, no início, integrantes do governo teriam tentado negar a autoria da emenda. Para ele, a ausência de convite para a inauguração se soma a outras atitudes que considera politicamente pequenas. O senador citou o caso do prefeito de Feijó, que, segundo ele, teria passado três dias em Rio Branco acompanhado de oito vereadores sem ser recebido pela governadora, e mencionou ainda prefeitos de Epitaciolândia e Jordão como exemplos de gestores que, na avaliação dele, enfrentaram dificuldades por estarem alinhados ao seu grupo político.

A fala mais direta veio quando Alan separou a disputa eleitoral da entrega da obra. “Não precisa me convidar. Basta que façam a obra bem feita, que entreguem a obra no tempo rápido, que seja propícia para o povo e que não desviem recursos”, afirmou. A frase expõe a linha que o senador tenta sustentar na pré-campanha: cobrar o governo, associar seu mandato a entregas concretas e dizer que não pretende condicionar apoio institucional à posição política dos prefeitos.

Na entrevista, Alan buscou contrastar sua postura com a do grupo governista. Disse que recebe todos os prefeitos do Acre em Brasília, inclusive aliados da governadora, e afirmou que, em um estado pequeno e com muitos problemas, punir município por escolha partidária é ignorar a população. “Eu recebo todos os prefeitos do Acre, principalmente trato até melhor os que são aliados da governadora para mostrar que a gente é diferente”, declarou.

Logo depois da crítica à governadora, o assunto mudou para Zequinha Lima, mas a conexão política ficou clara. O prefeito de Cruzeiro do Sul é filiado ao PP, partido de Mailza, e passou a ser tratado por Alan como um nome desejado em seu palanque. Questionado sobre o “namoro” político com Zequinha, o senador respondeu em tom aberto: “Vai ser, se Deus quiser”. Em seguida, chamou o prefeito de “pessoa do bem” e relembrou uma passagem em Brasília, quando Zequinha chegou ao gabinete em busca de emendas, cansado e com fome, e foi recebido com farofa de ovo e farinha de Cruzeiro do Sul.

A lembrança serviu para Alan reforçar a relação pessoal com o prefeito e para mostrar como pretende tratar gestores municipais caso chegue ao governo. Ele disse que Zequinha procurava recursos para Cruzeiro do Sul e que a conversa no gabinete simbolizava respeito aos prefeitos. “É assim que eu trato os prefeitos, com muito carinho, com muito respeito”, afirmou.

Alan admitiu que a situação partidária de Zequinha cria um obstáculo. O prefeito está no PP, mesma sigla de Mailza, mas o senador disse respeitar essa condição e, ao mesmo tempo, afirmou que o gestor sabe das resistências dentro do grupo governista. Segundo Alan, há falas no outro campo político de que Zequinha estaria “queimado” em Cruzeiro do Sul e poderia prejudicar a imagem da vice-governadora. O senador disse pensar o oposto. “Eu quero o Zequinha do meu lado. Para mim, o Zequinha vale ouro”, declarou.

A tentativa de atração de Zequinha tem peso eleitoral evidente. Cruzeiro do Sul é o principal município do Juruá e um dos centros decisivos da eleição estadual. Alan ressaltou que o prefeito conhece os bairros, os ramais e a realidade local. Também saiu em defesa da gestão municipal ao afirmar que todo prefeito do interior enfrenta problemas, especialmente com baixa arrecadação própria e alto custo de obras como asfaltamento.

O senador foi além da simpatia política e deixou a porta aberta para uma composição mais ampla com o Juruá. Questionado sobre a possibilidade de escolher um vice da região, respondeu que “toda possibilidade” existe, mas disse que a decisão será tomada apenas na reta final. Para Alan, o vice precisa agregar partidos, tempo de televisão, aliados, municípios, força política, carisma e votos.

A movimentação mostra dois eixos da estratégia de Alan Rick. O primeiro é pressionar Mailza em temas de gestão, emendas e tratamento aos prefeitos, tentando fixar a ideia de que o governo usa a máquina com critério político. O segundo é disputar lideranças que hoje orbitam o campo governista, especialmente no Juruá, onde Zequinha Lima pode alterar o peso regional de qualquer palanque em 2026.

Ao declarar que não precisa de convite para inauguração e, quase no mesmo fôlego, dizer que está “de braços abertos” para Zequinha, Alan Rick deixou a pré-campanha mais nítida. A disputa contra Mailza não será apenas por votos. Será também por obras, prefeitos, símbolos regionais e pela narrativa de quem trata melhor os municípios acreanos.

Alan Rick mira governo do Acre e defende produção rural, BR-364 e aliança ampla em 2026

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre, afirmou nesta sexta-feira, 29 de maio, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que sua pré-candidatura nasceu da pressão recebida nas viagens pelos municípios e que o próximo governo terá de enfrentar três prioridades imediatas: recuperar a economia, garantir trafegabilidade na BR-364 e fortalecer a produção rural.

Alan disse que tem tratado a liderança em pesquisas com responsabilidade e afirmou que o resultado real será conhecido apenas nas urnas. Ainda assim, citou a boa recepção nas agendas recentes em Feijó, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. Para ele, o movimento nas ruas mostra que o eleitor acreano quer participar mais diretamente da construção do próximo governo.

O senador afirmou que a decisão de disputar o governo ganhou força depois das eleições municipais de 2024, quando percorreu o estado apoiando aliados. Segundo ele, a cobrança pelo lançamento de sua candidatura passou a aparecer com frequência nas conversas com moradores, prefeitos e lideranças comunitárias. “A política tem que ser uma missão”, disse. “Nunca foi meu interesse ter o poder pelo poder.”

Na área econômica, Alan Rick disse que o Acre vive um quadro preocupante. Ele citou o dado de que 44 mil acreanos deixaram o estado nos últimos seis anos, segundo o IBGE, e relacionou essa saída à falta de oportunidades. Para o senador, o êxodo de jovens e trabalhadores mostra que parte da população perdeu confiança na capacidade do estado de gerar emprego, renda e futuro.

A produção rural ocupou boa parte da entrevista. Alan defendeu mais assistência técnica, crédito e equipamentos para o produtor. Ele citou entregas de tratores, implementos, tobatas e fábricas de farinha automatizadas e móveis nos municípios do Juruá. Também afirmou que 600 famílias da região recebem assistência técnica rural por meio de emendas de seu mandato.

Para o senador, entregar máquinas não basta. Ele afirmou que o produtor precisa de orientação para plantar melhor, corrigir o solo, manejar o gado, usar adubo corretamente e acessar linhas de financiamento. Alan cobrou uma atuação mais forte dos bancos públicos, especialmente do Banco da Amazônia, para que o crédito chegue ao pequeno produtor.

A BR-364 também foi tratada como prioridade. Alan disse que a rodovia é de responsabilidade federal, mas não pode ser vista como um problema distante do governo estadual. Segundo ele, a estrada interfere diretamente no abastecimento, no escoamento da produção, no custo de vida e na integração entre o Vale do Acre e o Juruá.

O senador afirmou que a bancada federal, prefeitos e entidades comerciais já cobraram do Ministério dos Transportes a reconstrução da rodovia. Ele citou um investimento superior a R$ 1,8 bilhão e disse que o Acre não pode aceitar apenas reparos temporários. A previsão mencionada na entrevista é de início, em 15 de junho de 2026, de uma etapa de reconstrução com macadame hidráulico em 415 quilômetros.

Alan Rick também criticou o governo estadual ao comentar obras e repasses. Ao falar sobre o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, disse ter destinado R$ 17 milhões em emenda e afirmou que não precisa de convite para inauguração. “O que eu quero é obra bem feita, entregue logo e dinheiro público bem aplicado”, declarou.

Na relação com prefeitos, o senador defendeu tratamento institucional, independentemente de partido. Ele afirmou que recebe todos os gestores acreanos em Brasília e criticou possíveis retaliações políticas contra municípios comandados por adversários. Para Alan, o estado é pequeno e precisa de cooperação entre mandato federal, governo estadual e prefeituras.

Sobre alianças, Alan Rick disse que pretende construir uma frente ampla. Citou conversas com lideranças nacionais e estaduais, mencionou Mara Rocha como pré-candidata ao Senado e elogiou o senador Sérgio Petecão. Também afirmou que a escolha do vice ficará para a fase final, após pesquisas e avaliação de critérios como força política, votos, partidos, tempo de televisão e presença nos municípios.

Questionado sobre o governador Gladson Cameli, Alan afirmou que o caso é triste para o Acre e que cabe à defesa provar a inocência nas instâncias judiciais. O senador disse que o estado precisa superar o desgaste político e voltar a ser reconhecido nacionalmente por resultados positivos.

Na reta final da entrevista, Alan buscou marcar posição contra a polarização. Disse que quer receber votos de eleitores da direita, do centro e da esquerda, e afirmou que não pretende alimentar ódio contra adversários. “O Acre é pequeno demais para você ficar plantando ódio só porque o cara é de um partido ou de uma ideologia diferente da sua”, afirmou.

A entrevista mostrou o eixo inicial da pré-campanha de Alan Rick: apresentar o mandato no Senado como base de entrega, transformar a escuta nos municípios em argumento político e vincular a disputa de 2026 a temas concretos, como economia, estrada, produção rural, saúde e crédito. O desafio será transformar esse discurso em plano de governo e sustentar, até a eleição, a imagem de candidato capaz de reunir forças políticas diferentes em torno de uma agenda comum.

Acre entra na Rota do Café e amplia aposta no desenvolvimento do Juruá

O Vale do Juruá deve entrar na estratégia federal de desenvolvimento regional voltada à cadeia do café, em um movimento anunciado nesta quinta-feira, 28, por Perpétua Almeida. A proposta prevê a estruturação da chamada Rota do Café na região, com a intenção de atrair investimentos, organizar a cadeia produtiva, ampliar a agregação de valor e abrir novas frentes de geração de emprego e renda no Acre.

A próxima etapa está marcada para junho, quando técnicos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional devem ir ao Juruá para iniciar visitas de campo e montar, com lideranças locais, um plano de ação para o setor. A programação prevê imersões em propriedades rurais e unidades industriais, seguidas de um workshop com produtores, autoridades e representantes de instituições parceiras. A expectativa é reunir cerca de 80 participantes no processo de formatação do programa de investimentos.

A entrada do Acre nessa agenda dá ao café um peso maior dentro de uma política nacional voltada à estruturação de cadeias produtivas em áreas priorizadas. No caso do Juruá, a aposta é usar essa engrenagem para transformar a produção de café em um eixo mais sólido de desenvolvimento regional, com impacto direto sobre renda, industrialização e mercado.

O anúncio também fecha um ciclo político e econômico construído por Perpétua em torno da cafeicultura do Juruá. A articulação se conecta à agenda que ela vinha defendendo na ABDI, onde o café passou a ser tratado como vetor de industrialização da agricultura familiar. Ao falar sobre a nova etapa, Perpétua afirmou que “a inclusão do Juruá nas Rotas de Desenvolvimento Regional é a continuidade do trabalho que fizemos na ABDI”.

Essa base começou a ganhar forma em Mâncio Lima, onde foi instalado em 2025 um complexo industrial de café da agricultura familiar que passou a reorganizar a cadeia na região. A estrutura abriu espaço para o beneficiamento local da produção, reduziu a dependência de processamento fora do estado e reforçou a aposta em um modelo apoiado no cooperativismo e na agregação de valor dentro do próprio Juruá.

A expansão seguiu neste ano com o anúncio de uma nova unidade em Cruzeiro do Sul, ampliando a capacidade regional de beneficiamento. O movimento reforça a ligação entre produção rural, processamento industrial e circulação de renda na economia local. Ao tratar dessa etapa, Perpétua definiu a iniciativa como parte da consolidação de “um cinturão produtivo” do café no Vale do Juruá.

O avanço da estrutura industrial veio acompanhado de outras ações para dar sustentação técnica ao setor, como investimentos em análise de solo e apoio à produção. Esse conjunto ajuda a explicar por que o café passou a ocupar espaço central no discurso de desenvolvimento para o Juruá. A região já não aparece apenas como área produtora, mas como base de uma cadeia que tenta combinar campo, indústria e mercado em uma mesma estratégia.

Com a entrada do Acre na Rota do Café, o governo federal passa a olhar para o Juruá não só pelo potencial agrícola, mas pela capacidade de transformar a cafeicultura em plataforma de desenvolvimento regional. A aposta agora é fazer dessa estrutura já montada o ponto de partida para uma nova fase de expansão econômica no interior do estado.