Rosana Nascimento critica gestão Mailza e declara apoio a Alan Rick

A representante do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, Rosana Nascimento, declarou apoio ao candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) nesta terça-feira, 8 de setembro, durante reunião da Frente Sindical, em Rio Branco. A sindicalista criticou a gestão da governadora Mailza Assis (PP), cobrou valorização dos servidores públicos e defendeu a redução de despesas do Estado para abrir espaço a reajustes salariais.

Rosana afirmou que o governo precisa rever gastos com eventos, aluguel de imóveis, cargos comissionados e contratos terceirizados. Na avaliação dela, a economia poderia ampliar os recursos destinados ao funcionalismo, especialmente aos trabalhadores da Educação, que enfrentam dificuldades financeiras e recorrem a empréstimos para complementar a renda.

“Eu tenho esperança que vai ter corte, que vai poder atender, principalmente, os servidores que vivem hoje, gente, com R$ 2.500. É humanamente impossível”, afirmou. A sindicalista disse que a falta de reajustes tem contribuído para o endividamento da categoria e cobrou medidas para recuperar o poder de compra dos trabalhadores.

Entre as despesas questionadas, Rosana citou o pagamento de aluguéis de prédios pelo governo. Ela defendeu o aproveitamento de imóveis públicos que estejam abandonados ou sem utilização, como alternativa para reduzir custos. Também criticou a quantidade de cargos comissionados e pediu a realização de concursos públicos para ampliar o quadro de servidores efetivos.

A representante sindical associou a contratação de servidores concursados ao fortalecimento da Previdência estadual. “O senhor não precisa contratar esses abusos de cargos comissionados que não contribuem para o Acre Previdência. Tem que ter concurso efetivo”, disse, ao defender mudanças na política de pessoal do Estado.

Durante o encontro, Rosana também fez críticas à administração de Mailza Assis e mencionou denúncias relacionadas a contratos e gastos públicos. As afirmações foram apresentadas como parte de sua avaliação política sobre a atual gestão. “Eu não suporto mais esse grupo. (…) Nós precisamos mudar essa realidade”, declarou.

Ao anunciar apoio a Alan Rick, a sindicalista afirmou que já havia decidido apoiar o senador antes de receber um pedido dele. “Independentemente de o Alan ter me pedido o apoio, eu já tinha decidido. (…) Eu quero lutar para tirar esse grupo e quero pedir aos colegas que também não aceitem a continuidade desse grupo.”

Rosana encerrou a manifestação pedindo que Alan Rick, caso seja eleito, mantenha diálogo permanente com os sindicatos e participe da construção de medidas para atender às reivindicações dos servidores. “Nós não queremos quebrar o Estado. Nós queremos ser valorizados. (…) Governador, nós queremos construir junto”, afirmou.

TRE-AC defere candidatura de Clodoaldo Rodrigues após decisão do TCE

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deferiu, por unanimidade, nesta terça-feira, 8 de setembro, o registro de candidatura de Francisco Clodoaldo de Souza Rodrigues, o Clodoaldo Rodrigues, a deputado estadual pela Federação União Progressista. O tribunal rejeitou a impugnação do Ministério Público Eleitoral (MPE) após o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) suspender parte dos efeitos da decisão que havia julgado irregulares as contas de 2019 da Câmara Municipal de Cruzeiro do Sul, período em que o candidato presidia a Casa.

A mudança ocorreu depois que o TCE-AC concedeu, em 4 de setembro, uma medida cautelar para suspender parcialmente o Acórdão nº 13.867/2023. Com a nova decisão, o próprio Ministério Público Eleitoral reviu sua posição e passou a defender o deferimento do registro.

A impugnação tinha como fundamento a rejeição das contas da Câmara de Cruzeiro do Sul relativas a 2019. O julgamento do Tribunal de Contas imputou débito de R$ 162.747,80 e aplicou multas. Na ação eleitoral, o MPE sustentava que as irregularidades eram insanáveis e configuravam, em tese, ato doloso de improbidade administrativa, o que poderia enquadrar Clodoaldo nas hipóteses de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa.

A defesa contestou o pedido e apresentou documentos relacionados principalmente a procedimentos licitatórios e obrigações previdenciárias. Inicialmente, o Ministério Público manteve a impugnação por entender que os documentos não afastavam os efeitos da decisão do TCE-AC.

O quadro mudou com a decisão proferida no Processo nº 150.564. Ao acolher embargos de declaração, o Tribunal de Contas reconheceu omissões e suspendeu cautelarmente os efeitos dos subitens 1.4, 1.9, 1.11, 2, 2.1 e 2.2 do acórdão de 2023, até nova deliberação. O reexame foi motivado pela apresentação de documentos novos considerados pertinentes aos apontamentos questionados.

Após a suspensão parcial, a Procuradoria Regional Eleitoral passou a entender que os apontamentos ainda em vigor, considerados isoladamente, não reuniam elementos suficientes para caracterizar irregularidades insanáveis configuradoras de ato doloso de improbidade administrativa. Por isso, opinou pela improcedência da impugnação e pelo deferimento da candidatura.

A relatora do processo, juíza Rogéria José Epaminondas Mesquita, acompanhou o novo entendimento do MPE. No voto, afirmou que a rejeição de contas, por si só, não basta para gerar inelegibilidade. A legislação exige o preenchimento cumulativo de requisitos, entre eles a configuração de ato doloso de improbidade administrativa. Para a magistrada, esse requisito não ficou caracterizado diante da situação jurídica atual das contas.

O deferimento do registro não equivale à aprovação definitiva das contas de Clodoaldo. Parte dos efeitos da decisão do TCE-AC permanece em vigor, enquanto os capítulos suspensos ainda serão reexaminados. O Ministério Público também ressalvou que uma eventual decisão definitiva do Tribunal de Contas poderá produzir efeitos, observados os limites temporais do processo de registro de candidatura.

O TRE-AC também examinou a existência da ação civil pública por ato de improbidade administrativa nº 0800197-72.2024.8.01.0002, em tramitação na 2ª Vara Cível de Cruzeiro do Sul. Há nos autos apenas o registro do recebimento da petição inicial, o que não equivale a julgamento definitivo de procedência nem demonstra, por si só, o dolo específico exigido para a inelegibilidade analisada.

Com o julgamento, Clodoaldo Rodrigues teve o registro deferido para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre com o número 11555. O acórdão foi publicado em sessão nesta terça-feira. Não há informação sobre trânsito em julgado ou eventual interposição de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

Áudio vazado: prefeito do MDB chama governo de Mailza de irresponsável após morte no Acre

O prefeito de Santa Rosa do Purus, Tamir Sá (MDB), criticou o governo da governadora Mailza Assis (PP) em um áudio que circulou nesta terça-feira (8), após a morte de Davi de Lima, de 34 anos. O diarista morreu no município, no interior do Acre, enquanto aguardava transporte aéreo para ser transferido ao Pronto-Socorro de Rio Branco. O caso provocou questionamentos sobre a assistência a pacientes graves em cidades isoladas.

Na gravação, Tamir atribuiu responsabilidade ao governo estadual pela demora no resgate. O prefeito classificou a situação como “o rapaz morrer à míngua por conta de um governo irresponsável, que brinca com a vida do povo”. Ele também afirmou que havia aviões e helicópteros disponíveis e criticou o fato de o paciente não ter sido transportado a tempo.

Davi foi atingido por uma facada no abdômen durante um desentendimento na noite de segunda-feira (7). Ele deu entrada na Unidade Mista de Saúde de Santa Rosa do Purus por volta das 22h, recebeu atendimento e precisou ser intubado após o agravamento do quadro clínico. A equipe de saúde solicitou uma aeronave para levá-lo à capital, mas o transporte não chegou antes da morte, registrada por volta das 12h30 de terça-feira.

Santa Rosa do Purus não possui ligação rodoviária com os demais municípios acreanos. Em situações que exigem atendimento especializado fora da cidade, a transferência de pacientes depende do transporte aéreo. A disponibilidade das aeronaves mencionadas pelo prefeito, os motivos da demora e as providências adotadas pelo Estado ainda não haviam sido esclarecidos publicamente nas informações disponíveis sobre o episódio.

A crítica também tem repercussão política por partir de um prefeito do MDB, partido que integra a aliança de Mailza para as eleições de 2026. A legenda oficializou apoio à governadora em julho e indicou a ex-deputada federal Jéssica Sales para a vaga de vice-governadora. A manifestação de Tamir, portanto, parte de uma liderança de uma sigla que participa da chapa governista, embora não haja informação de que o episódio tenha provocado mudança no posicionamento do partido.

A Polícia Militar iniciou buscas pelo suspeito de esfaquear Davi, identificado como Elison Silva dos Santos. As circunstâncias e a motivação do crime deverão ser investigadas. A morte do paciente e a demora na transferência são questões distintas, e a responsabilidade pelo atendimento e pelo transporte depende do esclarecimento dos procedimentos adotados no caso.

Com informações da Contilnet

TRE-AC barra candidatura de Antônia Lucileia a deputada federal por condenações de peculato e improbidade

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) indeferiu, por unanimidade, nesta terça-feira, 8 de setembro, o registro de candidatura de Antônia Lucileia da Cruz Ramos Câmara a deputada federal pelo MDB. A decisão acolheu a impugnação do Ministério Público Eleitoral, que apontou inelegibilidade decorrente de condenações por peculato e por ato doloso de improbidade administrativa relacionado à prática de “rachadinha”.

Os seis magistrados que participaram da votação acompanharam o relator, desembargador Lois Carlos Arruda. O julgamento foi presidido pela desembargadora Waldirene Oliveira da Cruz-Lima Cordeiro, que não participou da votação. A decisão foi tomada no processo nº 0600182-90.2026.6.01.0000.

A Procuradoria Regional Eleitoral apresentou a impugnação em 3 de agosto, com fundamento em condenação colegiada pelo crime de peculato. No mesmo dia, acrescentou ao pedido outra causa de inelegibilidade, baseada em condenação por improbidade administrativa. A defesa contestou o aditamento e sustentou que o Ministério Público não poderia ampliar os fundamentos da impugnação depois do protocolo inicial.

O TRE-AC rejeitou o argumento. Para os magistrados, o acréscimo foi apresentado dentro do prazo legal e não prejudicou o direito de defesa, já que a candidata teve conhecimento da nova causa de inelegibilidade e apresentou contestação específica.

A condenação por improbidade envolve a apropriação de remunerações pagas pela Câmara dos Deputados a assessor parlamentar que não exercia efetivamente as funções do cargo. A Justiça Eleitoral considerou que a conduta reconhecida na condenação reúne enriquecimento ilícito, lesão ao patrimônio público e dolo específico, requisitos para a inelegibilidade prevista na Lei Complementar nº 64/1990.

Na ação de improbidade, a candidata recebeu sanções de ressarcimento dos valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, perda de função pública, suspensão dos direitos políticos por cinco anos, multa civil e proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período.

A defesa também tentou afastar os efeitos da condenação criminal por peculato. O argumento foi de que uma decisão monocrática de 22 de julho de 2026 reconheceu a incompetência absoluta do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e determinou a remessa da ação penal ao Supremo Tribunal Federal, que deverá examinar sua competência e a validade dos atos processuais anteriores.

Os magistrados entenderam, porém, que a remessa ao STF não anulou expressamente o acórdão condenatório. Enquanto o Supremo não decidir sobre a validade dos atos, a condenação colegiada permanece apta a produzir efeitos eleitorais.

Com o indeferimento, Antônia Lucileia fica impedida de disputar a eleição com o registro deferido pelo TRE-AC. A decisão ainda pode ser questionada por meio de recurso às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

Créditos de carbono no Acre sob investigação: CEVA apura contratos de R$ 3,4 milhões

A Comissão Estadual de Validação e Acompanhamento (CEVA) cobra explicações sobre contratações da Companhia de Desenvolvimento e Serviços Ambientais do Acre (CDSA) ligadas à comercialização de créditos de carbono. A apuração, que já havia levado a própria estatal a abrir uma auditoria interna em abril de 2026, ganhou repercussão internacional nesta terça-feira, 8 de setembro, com uma reportagem da Quantum Commodity Intelligence. O veículo especializado no mercado de commodities e carbono examinou dois contratos firmados em 2025 com a VR Consultoria, no valor aproximado de R$ 3,4 milhões, e levantou dúvidas sobre os procedimentos adotados para a contratação da consultoria e a escolha da Sylvera e do banco Standard Chartered. O Integração Net já havia identificado R$ 3,25 milhões pagos à VR entre 2023 e 2026 e cobrado do governo a demonstração dos resultados obtidos com esses gastos.

A questão não é apenas quanto o Acre gastou para preparar sua entrada no mercado internacional. A CEVA quer saber por que a CDSA contratou a VR diretamente, quais serviços foram entregues, como os preços foram definidos e se existem vínculos comerciais entre as consultorias e as instituições financeiras envolvidas na operação. A comissão integra a estrutura de participação e controle social do Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa), política criada para remunerar a conservação ambiental e repartir benefícios com povos indígenas, extrativistas, agricultores familiares e outros grupos que vivem da floresta. As decisões sobre a venda de carbono, portanto, alcançam uma política pública construída ao longo de mais de uma década e recursos que o governo promete destinar a essas populações.

A investigação tem uma sequência anterior à publicação internacional. Em 27 de abril de 2026, a CDSA instituiu, por meio da Portaria nº 21, uma comissão para examinar de forma integrada três contratos da VR Consultoria. O procedimento recebeu o número SEI 0068.010331.00039/2026-38 e foi aberto para apurar “possíveis inconsistências sanáveis e não sanáveis”, permitir correções administrativas e avaliar a continuidade das relações contratuais. Em 18 de agosto, a CEVA encaminhou à Ouvidoria do Sisa um ofício cobrando acesso aos processos e ao resultado da auditoria. O Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas do Estado também foram incluídos entre os destinatários para acompanhamento.

A cobrança alcança os contratos nº 002/2024, nº 006/2025 e nº 12/2025. A CEVA pediu cópias integrais dos processos, incluindo os objetos, valores, prazos, justificativas para a contratação direta, pareceres jurídicos, comprovação da especialização da empresa, compatibilidade dos preços e registros de publicação. Também requisitou a relação de todas as consultorias e assessorias brasileiras ou estrangeiras contratadas para as operações do Acre Carbon Standard (ACS) e do programa jurisdicional ART/TREES, com os respectivos fundamentos legais. O pedido inclui informações sobre eventuais vínculos diretos ou indiretos entre essas empresas e as instituições financeiras que participam das negociações.

A CDSA é uma sociedade de economia mista e está submetida à Lei Federal nº 13.303/2016, a Lei das Estatais. A legislação permite a contratação direta em situações específicas, mas exige que a administração demonstre o enquadramento legal, inclusive quando alega inviabilidade de competição e notória especialização. A ausência de licitação, isoladamente, não comprova ilegalidade. O ponto sob exame é se a estatal reuniu os elementos necessários para justificar a escolha da VR e o preço dos serviços. A CDSA informou à Quantum que a legislação admite essas hipóteses, mas não apresentou ao veículo os documentos que sustentariam sua aplicação aos contratos questionados.

Um dos contratos examinados pela Quantum, destinado à obtenção de uma classificação internacional para o programa de carbono, tem valor de R$ 2,57 milhões. A dúvida é se esse montante inclui os honorários da Sylvera ou se corresponde apenas à remuneração da VR Consultoria. A distinção importa porque a contratação envolve serviços diferentes: a consultoria contratada pelo Estado para estruturar a operação e a empresa responsável por avaliar a qualidade dos créditos. Sem os instrumentos completos e a discriminação dos pagamentos, não é possível estabelecer quanto foi destinado a cada serviço nem verificar se houve sobreposição de despesas.

A Sylvera informou à Quantum que seu contrato foi firmado diretamente com a CDSA, sem participação da VR no instrumento. A empresa também afirmou que a consultoria não influenciou a classificação atribuída aos créditos e que desconhece o procedimento de contratação adotado pela estatal acreana. Essas declarações afastam, na versão da Sylvera, a existência de interferência da VR na avaliação técnica, mas não substituem a necessidade de tornar públicos os contratos e os respectivos valores. A apuração não apresenta prova de irregularidade praticada pela agência de classificação.

A escolha do Standard Chartered também entrou no campo das cobranças. O banco anunciou em 7 de agosto de 2025 um acordo para comercializar créditos jurisdicionais do Acre ao longo de cinco anos, com a possibilidade de levar até 5 milhões de créditos ao mercado em 2026. A Quantum afirma que não localizou no Diário Oficial do Estado a publicação do instrumento que formalizaria a parceria. Questionado sobre eventual relação comercial com a VR, o banco não comentou. A ausência de publicação localizada pelo veículo não permite afirmar, por si só, que o contrato não existe ou que houve irregularidade. A questão é qual instrumento foi assinado, quais obrigações foram assumidas e por que seu conteúdo não foi disponibilizado aos órgãos de controle.

A dúvida sobre a natureza do acordo não surgiu agora. Em 21 de agosto, o deputado federal Roberto Duarte, do Republicanos, tornou pública uma cobrança baseada em respostas recebidas de órgãos estaduais. De acordo com o parlamentar, a CDSA informou que não havia contrato de venda assinado com o Standard Chartered, mas um acordo de confidencialidade, enquanto o Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) havia informado que contratos e pareceres relacionados à operação existiam e estavam sob responsabilidade da estatal. Duarte encaminhou pedidos de informação e representações a órgãos de controle e cobrou a divulgação do resultado da auditoria interna.

O Integração Net acompanha essa diferença desde junho. Em 23 de junho de 2026, a reportagem “Mailza busca crédito de carbono em Londres enquanto Acre paga R$ 3,2 milhões em consultoria dos próprios cofres” apresentou um levantamento de despesas da CDSA no Portal da Transparência. Os registros identificaram R$ 3.256.745,01 pagos à VR Consultoria Empresarial LTDA entre 2023 e 2026, com recursos próprios do Tesouro Estadual. Desse total, R$ 2.534.924,05 haviam sido pagos somente em 2025. Os lançamentos abrangiam serviços relacionados ao Sisa, ao Programa ISA Carbono, ao REDD+, aos créditos jurisdicionais, ao mercado financeiro internacional, à classificação de risco e à articulação com instituições nacionais e estrangeiras.

Os valores exigem cuidado na comparação. Os R$ 3.256.745,01 identificados pelo Integração Net correspondem a pagamentos realizados ao longo de quatro exercícios, enquanto os cerca de R$ 3,4 milhões mencionados pela Quantum representam o valor de dois contratos de 2025. Contrato firmado, despesa empenhada e pagamento realizado são etapas diferentes da execução financeira. Os montantes não podem ser somados nem tratados como equivalentes sem a conferência dos processos, das notas fiscais e dos registros de liquidação. A auditoria deverá permitir essa conciliação e esclarecer se os serviços contratados foram integralmente executados.

Na reportagem de junho, o Integração Net também cobrou respostas sobre o resultado financeiro da política de carbono. A pergunta era quanto o Estado havia recebido pela comercialização de novos créditos jurisdicionais, quais compradores tinham sido identificados e que recursos haviam chegado às comunidades. O acordo anunciado com o Standard Chartered não representava uma venda antecipada nem receita garantida. O próprio banco informou à Reuters, em agosto de 2025, que não havia compromisso de vender os créditos naquele momento. A projeção de até 5 milhões de unidades em 2026 dependia da conclusão das etapas necessárias para que os ativos chegassem ao mercado.

No caso do ART/TREES, o processo ainda depende de etapas técnicas próprias. Em 26 de março de 2026, o secretariado do ART aceitou os documentos apresentados pelo Acre para o período de crédito de 2023 a 2027 e o relatório de monitoramento de 2023. A aceitação autorizou o avanço para a validação e a verificação independentes. A emissão de créditos serializados depende da conclusão dessas etapas e de aprovação posterior pelo conselho do ART. A classificação da Sylvera pode contribuir para a avaliação da qualidade e dos riscos do programa, mas não substitui esse procedimento de certificação.

A estratégia internacional também passou por uma mudança de rota. O Acre havia iniciado negociações com a Coalizão LEAF/Emergent, chegando a assinar uma carta de intenções no fim de 2023. Posteriormente, o governo passou a concentrar a comercialização no Standard Chartered. Em 7 de agosto de 2025, o governo estadual anunciou uma parceria com potencial de até 40 milhões de créditos, enquanto o comunicado do banco apresentou a expectativa de até 5 milhões de créditos chegando ao mercado em 2026. A diferença entre o volume potencial da operação, a quantidade efetivamente emitida e as vendas realizadas precisa permanecer clara para que projeções comerciais não sejam confundidas com receita pública.

Em 26 de junho, o Integração Net aprofundou essa mudança na reportagem “Mailza em Londres: uma reunião que poderia ter sido um e-mail”. A matéria examinou a participação de Victor Hugo Rondon Soto, apresentado pelo governo como gerente-geral do Projeto de Crédito de Carbono do Estado e identificado como sócio-administrador da VR Consultoria, na articulação internacional da política. Também reuniu críticas de representantes da governança do Sisa à falta de acesso às negociações e à utilização do sigilo comercial como justificativa para restringir informações. A relação entre a função exercida por Rondon na estrutura do projeto e os serviços contratados de sua empresa é um dos pontos que exigem delimitação documental: quais atribuições cabiam à consultoria, quem autorizava as decisões e quais entregas eram de responsabilidade de cada contratado.

A repartição dos benefícios dá dimensão social à discussão. A estratégia estadual reserva 72% dos recursos líquidos gerados ao Estado para beneficiários do Sisa e 28% para o poder público. Dentro da parcela destinada aos beneficiários, a divisão anunciada contempla povos indígenas, comunidades extrativistas e agricultores familiares. Para quem vive da floresta, porém, o percentual não resolve sozinho a questão. É necessário conhecer a base de cálculo, os custos descontados antes da repartição, os critérios de distribuição, os responsáveis pelas decisões e os mecanismos de fiscalização. Uma receita anunciada em milhões de dólares não corresponde ao mesmo valor disponível para as comunidades depois de despesas, remuneração de intermediários e demais obrigações da operação.

A participação dessas populações também depende de consulta adequada. Em abril de 2025, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Acre recomendaram que o governo e o IMC garantissem consulta livre, prévia e informada antes de incluir territórios indígenas e comunidades tradicionais no Programa ISA Carbono. Os órgãos defenderam o direito de cada comunidade decidir se deseja participar e, caso queira, desenvolver seus próprios projetos. Também orientaram o Estado a não tratar as consultas públicas regionais sobre repartição de benefícios como substitutas da consulta exigida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. A discussão sobre contratos e receitas, portanto, não elimina a obrigação de respeitar os direitos dos povos afetados.

A CEVA também pediu informações sobre o estágio das negociações, o volume de créditos envolvidos, a estrutura financeira, os riscos jurídicos e a destinação prevista para os recursos. À Secretaria de Estado da Fazenda, cobrou esclarecimentos sobre a contabilização de eventuais receitas dos ativos ambientais e sobre a forma de execução e fiscalização desses valores. O ofício estabeleceu prazo de até 20 dias para o fornecimento das informações, prorrogável por mais dez mediante justificativa. A comissão reconheceu a competência legal da CDSA para negociar os créditos, mas cobrou condições para exercer o controle social previsto na própria estrutura do Sisa.

A repercussão internacional acrescenta pressão a uma cobrança que já existia dentro do Acre. A Quantum avalia que dúvidas sobre os procedimentos de contratação podem afetar a confiança no programa jurisdicional e provocar atrasos na emissão dos créditos. Essa possibilidade não significa que os contratos serão anulados, que a comercialização será suspensa ou que a Sylvera e o Standard Chartered tenham cometido irregularidades. O resultado dependerá da análise dos processos e das decisões das instâncias competentes.

A CDSA informou à Quantum que a legislação permite contratações diretas nas hipóteses previstas em lei. A Sylvera afirmou que contratou diretamente com a estatal e que a VR não interferiu em sua avaliação. O Standard Chartered não comentou os questionamentos sobre eventual relação comercial com a consultoria. A VR e os demais envolvidos têm espaço para apresentar suas versões, documentos e esclarecimentos. Até a conclusão das apurações, não há base para atribuir responsabilidade jurídica a qualquer deles.

A prestação de contas precisa permitir que qualquer cidadão acompanhe a sequência completa: quanto foi contratado, quanto foi pago, o que foi entregue, quais créditos foram emitidos, quanto foi vendido, qual receita entrou no Tesouro e que parcela chegou aos beneficiários. Sem essa correspondência, o governo pode apresentar uma operação de grande valor potencial, mas não permite que a população conheça seu resultado financeiro e social.

Para o contribuinte acreano e para as comunidades que devem receber os benefícios, essa é a informação necessária para avaliar uma política que movimenta milhões de reais antes de demonstrar, de forma completa, quanto dinheiro novo produziu e como foi distribuído.

Bocalom visita indústrias em Rio Branco e defende incentivos à produção

O candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom visitou indústrias em Rio Branco nesta terça-feira, 8 de setembro, para discutir propostas de incentivo à produção e à geração de empregos. A agenda passou pelo Distrito Industrial e pela Miragina, onde ele conversou com empresários e trabalhadores sobre as necessidades do setor produtivo.

Na Janel, empresa que atua na fabricação de cerâmica e no beneficiamento de madeira, Bocalom defendeu a criação de condições para ampliar investimentos, produção e contratações. O empresário Manoel Eugênio Nogueira participou do encontro e cobrou medidas que permitam o crescimento das empresas acreanas.

O candidato também esteve na Miragina S/A Indústria e Comércio, na Estrada do Aviário. Com mais de 59 anos de atuação, a empresa emprega mais de 150 trabalhadores e mantém três unidades voltadas à fabricação de biscoitos e macarrão e ao beneficiamento de castanha.

Durante a visita, Bocalom ouviu sugestões dos colaboradores e apresentou propostas para estimular novos investimentos. O presidente da Miragina, José Luiz Assis Felício, defendeu segurança e condições para que as empresas continuem investindo no estado.

A proposta apresentada pelo candidato tem como foco ampliar a produção local e aproveitar matérias-primas disponíveis no Acre, com agregação de valor aos produtos. “A nossa proposta é aquecer a economia pelo caminho da produção”, afirmou Bocalom. As medidas foram apresentadas como parte de uma política de incentivo à atividade industrial, mas não foram detalhados valores, prazos ou instrumentos específicos para sua execução.

Jorge Viana acompanha obras na Estrada do Aeroporto e reafirma compromisso com as BRs 364 e 317

Ex-governador destaca retomada dos investimentos federais e afirma que quer atuar no Senado para garantir recursos permanentes às duas principais rodovias do Acre

O candidato ao Senado Jorge Viana acompanhou esta semana o andamento das obras de recuperação da BR-364, no trecho da Estrada do Aeroporto, em Rio Branco, e reafirmou que a infraestrutura rodoviária será uma de suas prioridades caso seja eleito. Durante a visita, ele destacou os investimentos realizados pelo Governo Federal nos últimos anos e defendeu uma solução permanente para as BRs 364 e 317, consideradas fundamentais para a integração territorial e o desenvolvimento econômico do Acre.

Jorge lembrou que as condições das duas rodovias ocuparam grande espaço no noticiário nos últimos anos e atribuiu a deterioração das estradas à falta de investimentos e de manutenção adequada.

“A BR-364 e a BR-317 ficaram muito no noticiário nos últimos anos, mas a verdade é uma só: por puro abandono. Nem o Governo do Estado cuidou, nem aqueles que tiveram oportunidade de ajudar, inclusive ocupando posições importantes no Congresso Nacional. O certo é que a BR-364 quase acabou”, afirmou.

Segundo Jorge, a diferença no volume de recursos destinados à rodovia demonstra a retomada da atenção do Governo Federal para a infraestrutura acreana. Ele ressaltou que, enquanto no governo federal anterior foram destinados cerca de R$ 230 milhões à BR-364 ao longo de quatro anos, nos últimos três anos os investimentos e recursos liberados para a recuperação da estrada já ultrapassam R$ 1,2 bilhão.

“Agora a estrada está recebendo um tratamento definitivo. O que eu estou defendendo é que a gente encontre uma solução para que essa estrada saia da pauta dos maus políticos e fique como aquilo que ela realmente é: a espinha dorsal da infraestrutura do Acre”, declarou.

Articulação por recursos mesmo sem mandato

Durante a visita à Estrada do Aeroporto, Jorge destacou que, mesmo sem exercer atualmente mandato parlamentar, participou das articulações em Brasília para assegurar investimentos nas rodovias acreanas. Ele citou reuniões com o então ministro dos Transportes Renan Filho e com o atual ministro George Santoro.

Entre as intervenções mencionadas está justamente o trecho entre Rio Branco e o aeroporto, onde Jorge acompanhou o andamento dos serviços. Segundo ele, estão sendo investidos cerca de R$ 40 milhões na recuperação do segmento, com a utilização de macadame, uma camada de aproximadamente 25 a 30 centímetros de pedra utilizada como base para aumentar a resistência da pavimentação.

Jorge também recordou que esse trecho da rodovia foi executado durante seu período como governador do Acre e ressaltou a importância de realizar agora uma intervenção mais duradoura.

“Mesmo sem ter mandato, fui atrás. Estive com o ministro Renan Filho e depois com o ministro George Santoro, e garantimos recursos para fazer esse trecho de Rio Branco até o aeroporto de forma definitiva. Só nele estão sendo investidos cerca de R$ 40 milhões”, disse.

De acordo com Jorge, aproximadamente 60 quilômetros da BR-364 já receberam serviços com essa técnica. Ele destacou ainda a previsão de licitação para intervenções em mais de 100 quilômetros entre Sena Madureira e a região posterior a Manoel Urbano, além da recuperação, pelo atual Governo Federal, de cerca de 120 pontos da rodovia que apresentavam problemas de desmoronamento.

“Quero ser senador para cuidar dessas duas estradas”

Jorge afirmou que pretende transformar a atenção permanente às BRs 364 e 317 em uma das prioridades de seu eventual mandato. Para ele, as duas rodovias precisam deixar de depender de ações emergenciais e passar a contar com planejamento, manutenção e recursos contínuos.

“Eu quero ser senador para cuidar dessas duas estradas: da divisa do Acre com Rondônia até Cruzeiro do Sul, pela BR-364, e da divisa com o Amazonas até Assis Brasil, pela BR-317, que é a nossa Estrada do Pacífico. Esse é um dos desafios que me motivam a ser senador”, afirmou.

O candidato também fez críticas ao uso político dos problemas enfrentados nas rodovias e disse que pretende trabalhar para que a precariedade das estradas não volte a ser uma realidade recorrente para a população.

“Vamos acabar com essa história de políticos ganharem eleição às custas da desgraça do povo acreano e da falta de apoio para a infraestrutura. O melhor jeito de fazer isso é ter alguém que faça um trabalho sério”, declarou.

Jorge acrescentou que já tratou do assunto diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou ter recebido do presidente o compromisso de manutenção dos investimentos necessários às rodovias acreanas.

“O presidente Lula já me garantiu que vai assegurar os recursos para que a estrada nunca mais volte a viver o drama que viveu nos últimos anos. É esse trabalho que quero fazer no Senado: garantir recursos, acompanhar as obras e cuidar para que a BR-364 e a BR-317 sejam tratadas como infraestrutura permanente e estratégica para o futuro do Acre”, concluiu.

Assessoria

Alan Rick comemora liderança na Veritá e aposta em campanha de rua

O senador Alan Rick (Republicanos), candidato ao Governo do Acre, comemorou nesta terça-feira (8) o resultado da pesquisa do Instituto Veritá, que o colocou na liderança da disputa com 39,8% das intenções de voto. Durante uma agenda de rua, ele afirmou que os números reforçam a estratégia de manter contato direto com os eleitores e apresentar propostas para o estado.

“Isso nos deixa muito felizes e mostra que a nossa campanha está no caminho certo”, afirmou Alan. O candidato disse que a recepção da população tem sido construída por meio de conversas e visitas, em uma campanha que classificou como “pé no chão”. Ele também associou o resultado à expectativa de mudanças no Acre.

Na avaliação do senador, a liderança aumenta a confiança no trabalho desenvolvido até agora. Alan agradeceu o apoio dos eleitores e afirmou que pretende continuar percorrendo os municípios para ouvir a população e defender seu projeto de governo.

No cenário estimulado da Veritá, Alan aparece 11,9 pontos percentuais à frente de Mailza Assis (PP), que tem 27,9%. Tião Bocalom (PSDB) ocupa a terceira posição, com 11,7%. Os demais candidatos somam 12,5%, enquanto brancos, nulos, indecisos e pessoas que não responderam representam 7,9%.

A pesquisa foi realizada por iniciativa própria do Instituto Veritá entre 29 de agosto e 1º de setembro de 2026, com 1.030 eleitores em todo o Acre. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número AC-08816/2026.