Tião Viana defende retomada da industrialização e diz que Acre precisa de nova etapa econômica

O ex-governador do Acre Tião Viana afirmou, nesta terça-feira (29), em entrevista exclusiva ao Sistema Integração de Comunicação, que o estado precisa retomar uma agenda de industrialização, geração de empregos e investimentos na produção para ampliar as oportunidades à população. Durante a conversa, o ex-senador também falou sobre democracia, infraestrutura, políticas públicas, as eleições de 2026 e a candidatura do filho, Vigílio Viana, a deputado federal.

Ao analisar o cenário nacional, Tião Viana colocou a defesa da democracia como um dos pontos centrais do atual momento político brasileiro. Para ele, o país vive um período de disputa entre diferentes modelos de organização política e social.

“O que eu manifesto sobre esse momento do Brasil é a relevância da democracia na vida de cada um, na vida das comunidades, de um país continente como é o Brasil”, afirmou.

Na avaliação do ex-governador, o desenvolvimento econômico precisa caminhar ao lado da inclusão social, da educação e da redução das desigualdades. Ao trazer a discussão para o Acre, Tião disse que vê a necessidade de uma nova agenda econômica voltada principalmente à industrialização.

“Acre só terá futuro se apostar na economia, na industrialização, mais terra para as populações de baixa renda, seja reforma agrária, [e] tecnologia”, declarou.

Tião Viana relembrou projetos executados durante os dois mandatos em que esteve à frente do governo estadual e afirmou que havia, naquele período, uma estratégia para criar uma nova plataforma econômica no Acre. Entre os exemplos citados estão investimentos na piscicultura, produção de aves e suínos, setor moveleiro, infraestrutura rodoviária e habitação.

O ex-governador disse que a industrialização deveria ter avançado nos anos seguintes. Segundo ele, parte da estrutura implantada perdeu espaço ou deixou de receber estímulos.

“Faltou a continuidade. Faltou a nova etapa da economia para o Acre avançar”, disse.

Durante a entrevista, Tião também lembrou a situação da BR-364 e afirmou que a integração rodoviária entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul teve papel importante para aproximar as regiões do estado. Ele citou obras realizadas durante sua gestão e defendeu investimentos de longo prazo para garantir estabilidade à rodovia.

Outro setor mencionado foi a piscicultura. Tião lembrou a implantação de milhares de tanques para criação de peixes e das estruturas industriais criadas em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Segundo ele, o objetivo era transformar a atividade em uma alternativa permanente de renda, especialmente para pequenos produtores.

Ao falar sobre geração de emprego, o ex-governador defendeu investimentos em cadeias produtivas capazes de agregar valor à produção dentro do próprio Acre. Ele citou ainda a produção de café no Juruá e o desenvolvimento da avicultura e da suinocultura como exemplos de atividades que podem ampliar a participação da indústria na economia estadual.

“Indústria gera emprego de qualidade, gera bom salário e eleva o padrão de qualidade de vida das famílias”, afirmou.

Tião também fez críticas à atual situação de políticas públicas estaduais e relatou problemas que disse ter encontrado durante viagens recentes ao interior. Na entrevista, afirmou ter recebido relatos sobre dificuldades em escolas e cobrou maior atenção para educação, desenvolvimento econômico e infraestrutura.

A conversa ocorreu a poucos dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para domingo, 4 de outubro. Ao tratar do processo eleitoral, o ex-governador defendeu que os eleitores façam suas escolhas de forma consciente e voltou a relacionar o voto à preservação da democracia.

“A minha esperança é que uma hora o Acre vai acordar e vai se reencontrar com a verdade, com a democracia, com o estado da fraternidade”, declarou.

Tião também falou sobre a entrada do filho, Vigílio Viana, na disputa por uma vaga de deputado federal. Ele contou que, inicialmente, tentou convencer o filho a não entrar para a política, diante da avaliação crítica que faz do atual ambiente político.

Segundo o ex-governador, Vigílio respondeu que a saída de pessoas interessadas em mudar a política significaria deixar o espaço apenas para aqueles que recebem críticas da sociedade.

“Eu disse: ‘Não, meu filho, não seja candidato. A política está contaminada’. […] Ele disse: ‘Mas, pai, então é só para os ruins irem para a política e os bons vão ficar escondidos?’. Aí eu me rendi a ele”, contou.

Tião afirmou que acompanha a campanha como pai e vê na candidatura do filho uma oportunidade de participação de uma nova geração na vida pública. Durante a entrevista, ele também recordou viagens feitas ao lado de Vigílio quando governava o Acre e afirmou que essas experiências permitiram ao filho conhecer diferentes regiões e comunidades do estado.

No encerramento da entrevista, o ex-governador prestou homenagem a Cruzeiro do Sul pelos 122 anos de fundação e recordou experiências vividas na região do Juruá e na Serra do Divisor.

“Que o Brasil e o Acre sejam abençoados neste domingo por um suspiro crescente de democracia e que surja o novo ser do amanhã, a nova geração amorosa e de paz”, concluiu.

É gente! TCE determina suspensão de novas nomeações que ampliem gastos no Governo Mailza

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) determinou que a governadora Mailza Cameli suspenda novas nomeações para cargos em comissão e designações para funções de confiança que aumentem as despesas com pessoal do Estado. A medida cautelar foi publicada nesta quarta-feira (30) e prevê multa diária de R$ 500, aplicada pessoalmente à governadora, caso a ordem seja descumprida.

A decisão foi tomada pelo conselheiro Ronald Polanco Ribeiro no Processo nº 150.521, aberto a partir de uma representação apresentada pelo senador Alan Rick. O procedimento apura possíveis irregularidades nos gastos do Poder Executivo com cargos comissionados e funções de confiança, principalmente em relação ao Valor Referencial Mensal utilizado pelo TCE para acompanhar essas despesas.

A cautelar não proíbe todas as nomeações no Governo do Acre. A determinação alcança novos atos que aumentem a despesa com pessoal, ampliem o valor que já ultrapassa o parâmetro considerado pelo Tribunal ou sejam realizados sem comprovação de que não haverá aumento de gastos. A ordem também vale para a administração indireta estadual.

Os números apresentados no processo mostram que o parâmetro mensal considerado pelo TCE é de aproximadamente R$ 18,47 milhões. Em junho, as despesas analisadas chegaram a R$ 19,36 milhões, cerca de R$ 889,8 mil acima desse valor. No mês seguinte, os gastos subiram para R$ 19,98 milhões, com uma diferença de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Em agosto, as despesas alcançaram R$ 20,89 milhões. O excesso calculado pelo Tribunal foi de R$ 2,41 milhões, equivalente a 13,10% acima do valor de referência. Do total gasto naquele mês, R$ 17,45 milhões foram destinados a cargos em comissão e outros R$ 3,43 milhões a funções de confiança.

Mailza terá dois dias úteis, após ser oficialmente notificada, para comprovar que cumpriu a cautelar e informar quais medidas administrativas foram adotadas para impedir novas nomeações ou designações que aumentem as despesas. Em caso de descumprimento, além da multa diária, a decisão prevê possibilidade de responsabilização civil e administrativa e eventual apuração por crime de desobediência.

O TCE também determinou que a Secretaria de Estado de Administração apresente informações detalhadas sobre a folha de pagamento. O secretário Paulo Roberto Correia da Silva terá 15 dias úteis para encaminhar dados referentes ao período de janeiro a agosto de 2026.

Entre as informações exigidas estão a quantidade de cargos ocupados e vagos, os valores de remuneração, a relação nominal das pessoas nomeadas para cargos comissionados e funções de confiança, os atos de provimento e as memórias de cálculo utilizadas pelo governo. O Tribunal também quer explicações sobre valores classificados na folha como “não identificados”.

Depois de adotar as medidas para reduzir ou readequar as despesas, o Governo do Acre deverá comprovar ao TCE que os gastos retornaram aos limites estabelecidos. A decisão é cautelar e o processo ainda será analisado quanto ao mérito. Mailza poderá apresentar defesa e contestar os valores e os critérios utilizados na apuração.

Pastor Agostinho e lideranças religiosas declaram apoio a Zé Lopes e Alan Rick em grande encontro

Nem a chuva impediu o grande número de amigos, pastores e lideranças de todas as gerações da Igreja Batista do Bosque, que lotaram um buffet em Rio Branco.
Na reta final da eleição, o pastor Agostinho Gonçalves declarou apoio ao projeto político de Zé Lopes, candidato a deputado estadual, e de Alan Rick e Rico Leite, ao Governo do Acre.

O encontro recebeu ainda a candidata a deputada federal Mirla Miranda e ao Senado, Mara Rocha e foi marcado por manifestações de esperança na política, além da discussão sobre o papel social desenvolvido pelas igrejas, especialmente em comunidades onde projetos religiosos e voluntários chegam a famílias em situação de vulnerabilidade.

Zé Lopes destacou que se eleito, quer ajudar a fortalecer iniciativas sociais desenvolvidas pelas igrejas e organizações não governamentais que ajudem na assistência social, geração de renda e no enfrentamento da dependência química.

“Existem lugares onde muitas vezes o poder público tem dificuldade de chegar, mas as igrejas chegam. Quero ser um deputado parceiro desses projetos, ajudando a criar condições para que esse trabalho social alcance ainda mais pessoas”, afirmou Zé Lopes.

O candidato também defendeu a ampliação da Rede de Empreendedores, aproximando capacitação, orientação e oportunidades de pequenos empreendedores ligados às comunidades e aos projetos sociais.

“Tem muita gente dentro das nossas comunidades que sabe vender, cozinhar, construir, prestar serviços e que precisa apenas de uma oportunidade para transformar esse talento em renda para sua família. Queremos ampliar a nossa Rede de Empreendedores, levar capacitação, orientação e criar pontes para que essas pessoas possam crescer com dignidade e independência”, declarou.

“Vamos trabalhar pela regularização fundiária e documental das igrejas que ainda enfrentam esse problema. Regularizar significa dar segurança jurídica e criar condições para que essas instituições possam organizar e ampliar seus projetos dentro daquilo que a legislação permite.”

Zé Lopes afirmou ainda que a parceria política com Alan Rick pretende incorporar essas demandas a uma agenda mais ampla de fortalecimento do trabalho social e em prol das oportunidades.