Política

Sargento Adonis diz que escolha de Bocalom fortalece o Juruá

O primeiro-sargento da Polícia Militar Adonis Souza afirmou nesta segunda-feira, 27 de julho, que aceitou o convite para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Tião Bocalom por acreditar que a composição abre espaço para o Vale do Juruá dentro de um projeto estadual. Em entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, ele prometeu uma campanha feita nas ruas, nos rios e nas comunidades, negou qualquer briga com o senador Alan Rick e defendeu a experiência administrativa do pré-candidato ao governo.

Ainda assimilando a mudança provocada pelo anúncio, Adonis falou sobre o momento político e pessoal que vive. “Eu estou feliz. Confesso que a ficha ainda está em processamento para definitivamente cair. Ainda estou vivenciando esse estado de emoção”, afirmou.

Antes de tratar da disputa eleitoral, o sargento prestou solidariedade ao jornalista Chico Melo, vítima de violência dentro da própria casa. Adonis lembrou que os dois são amigos há mais de 20 anos e estudaram Letras Vernáculas na Universidade Federal do Acre. Com quase 24 anos de serviço na Polícia Militar, ele condenou o ataque e defendeu o combate ao crime dentro dos limites da lei.

“A gente sempre combateu o crime de forma muito firme, porém respeitando a dignidade da pessoa humana. Eu repudio todo e qualquer tipo de violência e quero mandar um abraço para o nosso amigo Chico Melo”, declarou.

Ao explicar como pretende contribuir com a chapa, Adonis recorreu à imagem de uma campanha distante dos gabinetes e próxima das pessoas. Ele afirmou que pretende percorrer Cruzeiro do Sul, os demais municípios do Juruá e todas as regiões do Acre.

“Nós vamos continuar gastando solado de sapato. Vamos subir rios, descer rios, subir barrancos, descer barrancos, andar em trilhas dentro da mata e dentro de igarapés. Estaremos nesse projeto de corpo, alma e também com os pés no chão”, disse.

A escolha de um nome de Cruzeiro do Sul para a vaga de vice foi apresentada por Adonis como um gesto político em favor do interior. “Tião Bocalom faz um golaço quando escolhe um filho do Juruá para compor sua chapa como vice-governador. Ele dá um presente para a região do Vale do Juruá”, afirmou.

O sargento também chamou atenção para sua condição de servidor público e para a posição que ocupa dentro da Polícia Militar. Sem mandato e sem grande estrutura financeira, ele disse que sua escolha foge do perfil normalmente procurado para completar uma chapa majoritária.

“Como é que ele escolhe um servidor público que não ostenta nenhum poderio econômico? Ele escolhe uma pessoa que é militar, mas de uma graduação considerada baixa. Poderia ter escolhido um coronel”, declarou.

Adonis afirmou que recebeu o convite com responsabilidade e que pretende estudar as necessidades do Juruá, sem limitar sua atuação à região onde nasceu e construiu sua trajetória política. “Nós somos filhos daqui, mas precisamos andar por todo o estado do Acre e construir projetos que possam melhorar a vida das pessoas”, disse.

Durante a entrevista, ele defendeu a experiência de Bocalom como professor, vereador, prefeito de Acrelândia, secretário estadual de Agricultura, presidente da Emater e prefeito de Rio Branco. Para Adonis, essa trajetória permitirá que a chapa apresente ações já experimentadas na administração pública.

“Os nossos concorrentes vão apresentar propostas. Tião Bocalom vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo”, afirmou.

A mudança de grupo político também esteve entre os principais pontos da conversa. Adonis manteve proximidade com Alan Rick e participou de disputas eleitorais ao lado do senador. Agora, os dois estarão em projetos diferentes na corrida pelo Governo do Acre. O sargento negou que a decisão tenha provocado rompimento pessoal.

“Foi uma decisão tomada com equilíbrio, pautada em princípios e coerência. Eu não estou em briga com o Alan de forma alguma”, declarou.

Adonis acrescentou que considera legítimo Alan Rick defender a própria candidatura e reivindicou o mesmo direito de escolha. “É normal ele seguir o caminho dele e defender aquilo em que acredita, como também é legítimo eu fazer minhas escolhas e seguir o projeto em que acredito. Não existe nenhuma animosidade entre mim e o senador”, afirmou.

A entrevista concentrou-se mais na formação da chapa, na representação do Juruá e no perfil de campanha do que em propostas detalhadas de governo. Adonis falou em melhorar a vida da população e impulsionar a economia do Acre, mas não apresentou metas, prazos ou programas específicos para áreas como saúde, educação, segurança, produção rural e infraestrutura.

A maneira como pretende exercer a política foi resumida em uma das declarações mais fortes da entrevista. “A política é para servir. Política é um sacerdócio, é a arte de servir bem as pessoas”, disse.

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