A Prefeitura de Rio Branco recebeu nesta quinta-feira (28) o Selo de Sustentabilidade pelo uso de energia renovável nas unidades ETA I e ETA II do Saerb, responsáveis por parte do abastecimento de água da capital. A certificação reconhece a adoção de uma matriz elétrica mais limpa nas operações do sistema e marca o segundo ano seguido de reconhecimento à autarquia.
O selo foi concedido após a migração das unidades para o Mercado Livre de Energia, modelo que permite a contratação de fornecimento com prioridade para fontes renováveis. Com a mudança, o município deixou de emitir 909,552 toneladas de dióxido de carbono equivalente, indicador usado para medir gases de efeito estufa.
A certificação segue parâmetros internacionais de contabilização de emissões e reforça a estratégia da gestão municipal de reduzir o impacto ambiental da operação do serviço de água. Além do efeito ambiental, a medida também está ligada à busca por mais eficiência no consumo de energia, um dos principais custos da estrutura de captação e tratamento.
A nova certificação mantém uma política adotada pelo Saerb nos últimos anos. No ciclo anterior, a autarquia já havia recebido reconhecimento semelhante pela contratação de energia proveniente de fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas.
A avaliação da prefeitura é de que a medida consolida uma mudança estrutural no abastecimento da capital, com ganho ambiental e modernização da operação. O reconhecimento também reforça o discurso da gestão sobre a adoção de práticas sustentáveis em serviços públicos essenciais.
A Prefeitura de Cruzeiro do Sul executou na terça-feira, 26 de maio, uma série de serviços de infraestrutura em áreas urbanas e rurais do município, com ações de recuperação de vias, tapa-buracos, drenagem, melhorias de acesso, manutenção de ramais e revitalização de espaços públicos. Os trabalhos foram concentrados em bairros da cidade e em comunidades mais afastadas, com foco em mobilidade, escoamento da água e abastecimento.
Entre as intervenções, a gestão municipal fez a recuperação da pista da Vila Olímpica, que passa por revitalização para receber uma competição esportiva prevista para esta semana. Também houve melhorias no acesso à Creche Anexo da Escola São Cristóvão, no bairro Igarapé Preto.
Na Rua Alfredo Teles, no bairro João Alves, as equipes atuaram com instalação de bueiros e aterro da área. A obra integra o pacote de drenagem levado a diferentes pontos da cidade para reduzir os transtornos provocados pelas chuvas e melhorar o escoamento da água.
Na zona rural, os serviços chegaram aos ramais do Cunha e Lorinho, na Estrada da Canela Fina, com terraplanagem e recuperação da camada vegetal para melhorar as condições de tráfego. Na comunidade da Praia Grande, o trabalho incluiu a substituição da tubulação danificada pela força do rio no sistema de abastecimento de água, além da continuidade do desvio que busca restabelecer o acesso e retirar moradores do isolamento.
De acordo com a prefeitura, as equipes também mantiveram serviços nos bairros São Luís e Nossa Senhora das Graças e no Ramal do Remanso, dentro de um cronograma de atuação simultânea em diferentes regiões do município.
Um caminhão perdeu força ao tentar subir a ladeira da Avenida Lauro Miller, no bairro João Alves, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta quinta-feira, 28. O veículo começou a descer de ré e o motorista jogou o caminhão contra um muro para evitar uma colisão mais grave. Ninguém ficou ferido, mas o caso reacendeu o alerta sobre os riscos do tráfego de veículos pesados em trechos íngremes da cidade.
O episódio ocorreu na subida conhecida como ladeira da Maternidade, uma das áreas de maior atenção no trânsito local. O caminhão não conseguiu vencer a inclinação e, ao perder força, recuou na pista. A manobra feita pelo condutor impediu que o veículo atingisse carros que poderiam estar logo atrás, mas o susto reforçou a preocupação de moradores e motoristas que circulam diariamente pelo trecho.
A situação não é isolada. Em julho de 2024, uma carreta bitrem carregada de brita também apresentou falha ao subir a Avenida Lauro Miller e começou a descer descontrolada, quase atingindo uma casa. Em março de 2025, um caminhão sofreu falha mecânica ao subir uma ladeira no bairro Morro da Glória e ficou parado no meio da pista. Já no início deste mês, uma carreta carregada de cimento perdeu força na chamada ladeira do Bode, na Avenida Copacabana, voltou na subida e acabou parcialmente tombada. Em julho de 2022, outro caminhão já havia perdido o freio em uma ladeira da Avenida Boulevard Thaumaturgo, num sinal de que o problema se repete em diferentes pontos do perímetro urbano.
A repetição desses casos levou o município a apertar as regras para a circulação de veículos pesados. Em abril deste ano, a prefeitura publicou a Lei nº 1.071, que passou a regulamentar o tráfego, o estacionamento e as operações de carga e descarga de veículos articulados e pesados no perímetro urbano. A norma deu à Secretaria Municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana a tarefa de definir vias permitidas, restritas ou proibidas, além de estabelecer rotas e horários específicos.
O novo caso na subida da Maternidade mostra que a restrição legal, por si só, ainda não resolveu um problema antigo de Cruzeiro do Sul. Em uma cidade marcada por ladeiras acentuadas em áreas urbanas movimentadas, a combinação entre carga pesada, falha mecânica e inclinação continua transformando subidas e descidas em pontos de risco frequente.
O Ministério Público do Acre se reuniu nesta quinta-feira, 28 de maio, com a superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no estado para discutir as medidas de manutenção e a possível reconstrução da BR-364, com foco no trecho entre Manoel Urbano e Feijó, considerado o mais crítico da rodovia. O encontro faz parte do acompanhamento do cumprimento de uma sentença da Justiça Federal sobre as condições da estrada, uma das principais ligações terrestres do Acre.
Participaram da reunião o promotor de Justiça de Sena Madureira, Júlio César Medeiros, a promotora de Justiça de Feijó, Giovana Kohata, e o superintendente do DNIT no Acre, Ricardo Araújo. A discussão girou em torno das providências que o órgão federal pretende adotar para recuperar a trafegabilidade da BR-364 e enfrentar os pontos mais vulneráveis da via.
Durante o encontro, o DNIT apresentou as ações em andamento em 11 trechos, chamados de lotes, que vão da divisa entre Acre e Rondônia até a ponte sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul. Além da manutenção da rodovia, também entraram na pauta o controle do peso das cargas que circulam pelas BRs 364 e 317 e a situação das pontes sobre os rios Caeté e Tarauacá.
Para o promotor Júlio César Medeiros, a reunião abre espaço para novas saídas diante dos problemas enfrentados por quem depende da estrada. “Essa reunião com o superintendente do DNIT, em conjunto com a promotora de Justiça de Feijó e o NAT, foi providencial em busca de novas soluções para a BR-364, especialmente para a sua reconstrução no trecho mais crítico, que é justamente entre Manoel Urbano e Feijó”, afirmou.
A BR-364 é uma das principais rotas de integração do Acre e tem papel central no deslocamento de pessoas, no transporte de cargas e no abastecimento de municípios do interior. A discussão entre MPAC e DNIT ocorre em meio à pressão por respostas mais rápidas para garantir condições mínimas de tráfego e reduzir os impactos causados pelo desgaste da estrada.
O deputado Edvaldo Magalhães afirmou que o Programa Luz para Todos em Feijó avançou após uma reunião com o vereador e presidente da Câmara Municipal, Tarcísio Araújo, lideranças comunitárias e representantes da Energisa. A expectativa, segundo ele, é de que o contrato seja renovado já na próxima semana, o que permitiria retomar ações previstas para o início do ano e ampliar o acesso à energia em comunidades do município.
A sinalização foi tratada como uma boa notícia para moradores que aguardam há meses a chegada do serviço. Com a possível renovação, a aposta é na retomada imediata do cronograma, abrindo perspectiva para atender localidades que ainda vivem sem energia regular e dependem da continuidade do programa para melhorar a rotina.
Ao destacar o andamento das tratativas, Edvaldo reforçou que a demanda vem sendo acompanhada de perto por representantes de Feijó. Ele agradeceu a atuação de Tarcísio Araújo, que levou o pleito adiante, e também citou o presidente da Energisa, Ricardo Xavier, pela receptividade à pauta.
A expectativa agora gira em torno da formalização do novo contrato. Se a renovação for confirmada nos próximos dias, a medida deve destravar uma etapa aguardada por diversas comunidades, que veem na chegada da energia um passo decisivo para melhorar as condições de armazenamento de alimentos, o acesso a serviços básicos e a qualidade de vida no interior de Feijó.
O estado do Acre registra atualmente um de seus piores momentos nos índices nacionais de ensino e enfrenta problemas estruturais na rede pública, como escolas operando em instalações precárias e salários docentes defasados. O diagnóstico foi traçado pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques durante o segundo episódio do podcast “Aqui tem Acre”, conduzido pela apresentadora Marcela. O encontro abordou a crise no setor governamental e fundamentou a necessidade de um plano de reconstrução centrado na expansão da internet nas escolas e na recomposição salarial da categoria, visando reinserir o estado entre as dez melhores educações do país.
A situação do sistema de ensino contrasta com o cenário de gestões anteriores, quando o Acre saltou das últimas posições para o grupo dos dez primeiros colocados no ranking nacional do Ensino Fundamental e Médio. No passado, a estratégia envolveu a criação de um plano decenal, a construção de escolas em áreas rurais e indígenas por meio de mutirões, e o estabelecimento do maior piso salarial do país para os professores no ano de 2008. Naquele período, o investimento focou na formação superior para docentes de todos os 22 municípios acrianos, em parceria com a Universidade Federal do Acre, e na reestruturação do ambiente de sala de aula para reverter a evasão escolar.
Hoje, a realidade administrativa tomou outro rumo. As queixas apresentadas envolvem a falta de construção de novas unidades de ensino nos últimos oito anos e suspeitas de irregularidades ligadas à reforma contínua de prédios antigos e à compra de merenda escolar por meio de atravessadores. A deterioração estrutural chegou ao ponto de escolas funcionarem improvisadas em currais, demandando a intervenção de órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado. “O Acre paga hoje um dos piores salários do Brasil para os professores, mesmo o estado tendo muito mais recursos em caixa do que no passado”, afirmou Binho Marques. O ex-governador relatou o envio de um documento detalhado sobre as necessidades da área ao atual chefe do Executivo acriano no início de sua gestão, sem obter retorno ou implementação das medidas sugeridas.
A superação do quadro exige o restabelecimento de um pacto envolvendo professores, poder público e comunidade escolar, fugindo de decisões isoladas de gabinete. O plano estratégico desenhado para as próximas gestões abandona o foco exclusivo na alvenaria e volta a atenção para a infraestrutura digital. O projeto prevê a instalação de internet de banda larga de alta velocidade e baixa latência em todas as escolas da rede estadual, permitindo que os estudantes acrianos tenham paridade de aprendizado com alunos da Ásia e da América do Norte. A mesma rede de fibra ótica servirá de base tecnológica para a expansão da telemedicina nos municípios isolados do interior, conectando pacientes a médicos especialistas baseados na capital em tempo real.
A retomada dessa agenda educacional projeta impactos diretos na retenção de jovens no estado e no aquecimento da economia local. Com a reestruturação da carreira docente, a expectativa é devolver o poder de compra aos profissionais e frear o endividamento da categoria. No campo político e administrativo, a movimentação já estabelece as bases para o próximo ciclo eleitoral majoritário. Binho Marques colocou seu nome à disposição para assumir novamente a Secretaria de Estado de Educação em um eventual novo governo, com a missão de aplicar a experiência administrativa adquirida no Ministério da Educação e replicar o modelo de gestão que elaborou e que atualmente serve de base para o treinamento de secretários das maiores capitais do país.
O Vale do Juruá deve entrar na estratégia federal de desenvolvimento regional voltada à cadeia do café, em um movimento anunciado nesta quinta-feira, 28, por Perpétua Almeida. A proposta prevê a estruturação da chamada Rota do Café na região, com a intenção de atrair investimentos, organizar a cadeia produtiva, ampliar a agregação de valor e abrir novas frentes de geração de emprego e renda no Acre.
A próxima etapa está marcada para junho, quando técnicos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional devem ir ao Juruá para iniciar visitas de campo e montar, com lideranças locais, um plano de ação para o setor. A programação prevê imersões em propriedades rurais e unidades industriais, seguidas de um workshop com produtores, autoridades e representantes de instituições parceiras. A expectativa é reunir cerca de 80 participantes no processo de formatação do programa de investimentos.
A entrada do Acre nessa agenda dá ao café um peso maior dentro de uma política nacional voltada à estruturação de cadeias produtivas em áreas priorizadas. No caso do Juruá, a aposta é usar essa engrenagem para transformar a produção de café em um eixo mais sólido de desenvolvimento regional, com impacto direto sobre renda, industrialização e mercado.
O anúncio também fecha um ciclo político e econômico construído por Perpétua em torno da cafeicultura do Juruá. A articulação se conecta à agenda que ela vinha defendendo na ABDI, onde o café passou a ser tratado como vetor de industrialização da agricultura familiar. Ao falar sobre a nova etapa, Perpétua afirmou que “a inclusão do Juruá nas Rotas de Desenvolvimento Regional é a continuidade do trabalho que fizemos na ABDI”.
Essa base começou a ganhar forma em Mâncio Lima, onde foi instalado em 2025 um complexo industrial de café da agricultura familiar que passou a reorganizar a cadeia na região. A estrutura abriu espaço para o beneficiamento local da produção, reduziu a dependência de processamento fora do estado e reforçou a aposta em um modelo apoiado no cooperativismo e na agregação de valor dentro do próprio Juruá.
A expansão seguiu neste ano com o anúncio de uma nova unidade em Cruzeiro do Sul, ampliando a capacidade regional de beneficiamento. O movimento reforça a ligação entre produção rural, processamento industrial e circulação de renda na economia local. Ao tratar dessa etapa, Perpétua definiu a iniciativa como parte da consolidação de “um cinturão produtivo” do café no Vale do Juruá.
O avanço da estrutura industrial veio acompanhado de outras ações para dar sustentação técnica ao setor, como investimentos em análise de solo e apoio à produção. Esse conjunto ajuda a explicar por que o café passou a ocupar espaço central no discurso de desenvolvimento para o Juruá. A região já não aparece apenas como área produtora, mas como base de uma cadeia que tenta combinar campo, indústria e mercado em uma mesma estratégia.
Com a entrada do Acre na Rota do Café, o governo federal passa a olhar para o Juruá não só pelo potencial agrícola, mas pela capacidade de transformar a cafeicultura em plataforma de desenvolvimento regional. A aposta agora é fazer dessa estrutura já montada o ponto de partida para uma nova fase de expansão econômica no interior do estado.
Pessoas com deficiência permanente, autistas e famílias atípicas poderão deixar de enfrentar a exigência de apresentar repetidamente laudos e passar por novas perícias para acessar direitos e serviços públicos, caso avance no Congresso o PL 1414/2025, apresentado pelo senador Alan Rick e aprovado na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
O projeto altera a Lei Brasileira de Inclusão e a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista para reduzir a burocracia em casos já diagnosticados. Pela proposta, avaliações biopsicossociais de deficiências permanentes ou irreversíveis passam a ter validade por prazo indeterminado, sem necessidade de reavaliações sucessivas para comprovação da condição.
Nos casos de deficiência progressiva ou reversível, o texto fixa validade de cinco anos para a avaliação, com possibilidade de ajuste pela equipe multiprofissional responsável. A proposta também muda as regras da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. O documento passaria a valer por dez anos para menores de 18 anos e por prazo indeterminado para maiores de idade, sem exigência de nova avaliação para renovação.
Ao defender o projeto, Alan Rick afirmou que a rotina de mães e responsáveis por pessoas com deficiência e autismo é marcada por consultas, terapias, laudos e deslocamentos constantes. Segundo o senador, o poder público precisa reduzir a burocracia e dar tratamento prioritário às famílias atípicas. “O autismo não pode ser invisível aos olhos do Estado. Não pode ser visto como um desafio apenas das famílias, mas sim como um dever coletivo da sociedade, das instituições e do poder público”, disse.
O parlamentar também relacionou a proposta legislativa a investimentos destinados ao Acre para ampliar o atendimento especializado. De acordo com ele, cerca de R$ 35 milhões já foram articulados para ações voltadas ao diagnóstico precoce, inclusão social, terapias multidisciplinares e fortalecimento da rede de atendimento a pessoas com deficiência, autistas e pacientes com outros transtornos.
Entre os recursos citados estão R$ 10 milhões para credenciamento de entidades especializadas junto à Sesacre, R$ 4,8 milhões para a Prefeitura de Rio Branco credenciar clínicas especializadas, R$ 4,5 milhões em parceria com a Uninorte para exames como BERA e TERA e mais R$ 10 milhões para mutirões itinerantes de investigação diagnóstica nos municípios acreanos. O mandato também informou repasses para APAEs no estado, telemedicina, estrutura de fisioterapia e fonoaudiologia e ampliação do atendimento no CER III de Rio Branco.
Alan Rick cobrou agilidade do governo do Acre para concluir o credenciamento de clínicas particulares pelo SUS e colocar os serviços em funcionamento. Segundo ele, os recursos já estão disponíveis e a demora no início do atendimento amplia o prejuízo para crianças e adolescentes que aguardam terapias, exames e acompanhamento especializado.
A proposta aprovada na Comissão de Direitos Humanos segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais do Senado. A expectativa do autor é que a medida avance como forma de reduzir entraves administrativos e ampliar o acesso de pessoas com deficiência e autistas a políticas públicas e serviços essenciais.
O prefeito Salatiel Magalhães visitou a Escola Padre Trindade, unidade de tempo integral da rede municipal de Rodrigues Alves, e acompanhou o horário do almoço dos estudantes para verificar de perto a rotina da escola e a alimentação servida aos alunos.
Durante a agenda, o prefeito sentou-se à mesa com as crianças, compartilhou a refeição e observou a merenda oferecida diariamente na unidade. A visita também incluiu conversa com a equipe gestora e com a comunidade escolar, em um momento voltado ao acompanhamento das ações da rede municipal de ensino.
Ao comentar a visita, Salatiel Magalhães agradeceu o trabalho desenvolvido na escola e ressaltou a importância da alimentação no ambiente educacional. “Quero agradecer à equipe gestora da Escola Padre Trindade pelo empenho, pela organização e pelo carinho com nossos alunos. E aos estudantes, meu agradecimento especial pelo acolhimento. É gratificante ver uma merenda de qualidade sendo servida com dedicação, contribuindo diretamente para o desenvolvimento e o aprendizado das nossas crianças e adolescentes”, afirmou.
A merenda escolar integra uma das frentes de investimento da gestão municipal na educação, com foco na oferta de alimentação adequada, no suporte às equipes das escolas e no atendimento aos estudantes da rede pública. A visita à Escola Padre Trindade reforçou esse acompanhamento e o cuidado com o dia a dia das unidades de ensino do município.
Em uma edição especial, no Vale dos Buritis, o Jornal da Manhã, da Rádio Integração, recebeu o ex-governador Tião Viana e o advogado Virgílio Viana, de 23 anos, pré-candidato a deputado federal. A entrevista, conduzida por Chico Melo e Rogério Venceslau, colocou no centro da conversa a entrada de Virgílio na política, o peso do legado familiar, a saída de jovens do Acre, a falta de oportunidades e a disputa sobre o rumo do Estado nos últimos anos. A entrevista foi ao ar na manhã desta quinta-feira (28), em cadeia no Youtube e na 99,9 FM.
Logo na abertura, Chico Melo apresentou Tião como parte da história política do Acre e Virgílio como um jovem que tenta ocupar espaço em um momento de desgaste da política tradicional. Tião tratou a presença do filho como uma passagem entre gerações. Para ele, estar ao lado de Virgílio naquele cenário era “uma entrega do passado do Acre, dos últimos anos, do presente e entregando ao futuro uma oportunidade”. A frase resumiu o tom da entrevista: Virgílio não aparece apenas como filho de um ex-governador, mas como alguém que tenta transformar herança política em projeto próprio.
Virgílio negou que tenha sido empurrado para a disputa. Contou que a decisão nasceu de uma inquietação pessoal diante do que vê no Estado. “Eu tô muito incomodado com o cenário que eu vejo o Acre vivendo hoje”, disse. O pré-candidato afirmou que passou a sentir esse incômodo ao ver amigos, familiares e jovens de sua geração deixando o Acre em busca de oportunidade e qualidade de vida em outros lugares. Para ele, esse êxodo juvenil virou uma ferida aberta no Estado.
O ponto mais forte da fala de Virgílio foi a defesa de que o Acre precisa voltar a oferecer futuro para quem nasce, estuda e quer trabalhar aqui. Ele citou jovens que concluem o ensino médio, entram na universidade, formam-se e, depois, não encontram espaço no mercado. Disse que muitos acabam dependendo de algum arranjo em prefeitura, governo ou secretaria. Na avaliação dele, essa falta de caminho empurra parte da juventude para a frustração e, nos casos mais graves, para o crime. “Isso não pode ser o novo normal do Acre”, afirmou.
Tião Viana revelou que a decisão do filho não foi recebida de imediato com entusiasmo dentro de casa. Disse que, como pai, tentou convencê-lo a seguir outro caminho. Chamou o Congresso Nacional de ambiente contaminado por práticas ruins e afirmou que chegou a aconselhar Virgílio a atuar como advogado ou criar uma organização para ajudar pessoas fora da política. “Esse mundo tá podre”, disse Tião, ao lembrar a reação que teve quando ouviu do filho que ele queria disputar uma vaga de deputado federal.
Virgílio, porém, insistiu. O argumento que convenceu a família, segundo Tião, foi o de que o espaço público não pode ser abandonado. “Se não for pessoa boa pro parlamento, vão ficar só as ruins”, afirmou o ex-governador, ao reproduzir a fala do filho. A partir daí, disse que ele e a ex-primeira-dama Marlúcia Viana aceitaram acompanhar a caminhada. “Pai e mãe tão na chuva e no sol com filho que ama”, completou.
A entrevista também abriu espaço para Tião defender o legado de seus governos. Ele citou a integração da BR-364, investimentos em infraestrutura, saneamento, mecanização agrícola, saúde, educação e desenvolvimento regional. Disse que a estrada foi tratada como prioridade porque era a “espinha dorsal” do Acre. Na comparação com o cenário atual, afirmou que o Estado perdeu capacidade de investimento e passou a viver preso à folha de pagamento.
Na educação, Tião fez uma das críticas mais duras. Afirmou que o Acre chegou a ocupar a oitava posição no Brasil e a primeira na Amazônia durante sua gestão, mas hoje aparece em situação muito pior. Também citou a criação do curso de Medicina e a formação de jovens médicos no Estado. Ao falar da saúde, lembrou relatos de moradores de Feijó sobre a perda de estrutura hospitalar e a dificuldade de acesso a cirurgias e especialistas.
Virgílio tentou ligar essa memória administrativa ao presente. Disse que o Acre precisa recuperar prestígio em Brasília, buscar recursos federais, tratar emendas parlamentares com responsabilidade e priorizar áreas que cheguem à vida real das pessoas. Falou em agricultura familiar, cultura, esporte, programas sociais e políticas para a juventude. Para ele, cultura e esporte são “vacinas contra a criminalidade” e contra a falta de perspectiva.
A conversa também entrou no tema do desenvolvimento econômico. Tião defendeu industrialização, bioeconomia, produção de alimentos, uso inteligente da terra e valorização da floresta em pé. Virgílio reforçou a ideia com exemplos como granjas, suínos, açaí, cacau, café, cooperativas e produção rural em pequenas áreas. “O Acre pode se desenvolver, pode se industrializar de uma forma sustentável”, disse.
No campo político, Virgílio reconheceu que encontra uma juventude descrente e dividida pela polarização nacional. Defendeu o diálogo e citou programas federais como Pé-de-Meia, crédito para trabalhadores de aplicativo, Pronampe, Desenrola Brasil, reformas habitacionais e Vale Gás. Para ele, a política precisa sair da briga permanente e chegar ao cotidiano das famílias.
A imagem mais concreta usada por Virgílio foi a de uma criança de quatro anos, no bairro São Francisco, em Rio Branco, cozinhando em um fogão quebrado, com lenha, perto do igarapé. A lembrança serviu para amarrar o principal recado da entrevista: política não pode ser apenas disputa de poder, cargo ou sobrenome. Precisa chegar à casa de quem vive sem estrutura, ao jovem que quer ficar no Acre, ao produtor que precisa trabalhar e às famílias que não aguentam mais promessas distantes.
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