Mâncio Lima abre festas de 49 anos com agenda cívica, obras e antecipação salarial

Mâncio Lima abriu na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, a programação oficial dos 49 anos de emancipação política do município, no Vale do Juruá. A cerimônia foi realizada na Praça São Sebastião e marcou o início de uma agenda com atos cívicos, atividades culturais, eventos esportivos, inaugurações e a tradicional cavalgada.

A solenidade começou com a execução do Hino de Mâncio Lima e reuniu estudantes das escolas Antônio de Oliveira Dantas e Belarmino de Mendonça, além de autoridades municipais, representantes da Polícia Militar, vereadores, secretários, servidores e moradores da cidade. Durante o ato, o prefeito Zé Luiz, o vice-prefeito Andinho Lima e o presidente da Câmara, Zeca do Pentecostes, fizeram o hasteamento das bandeiras nacional, estadual e municipal.

No discurso de abertura, o prefeito afirmou que a programação foi organizada para receber moradores e visitantes durante os dias de festa e destacou a revitalização da Escola Padre Edson como uma das principais entregas previstas. Segundo ele, a obra recebeu investimento superior a R$ 2 milhões. O presidente da Câmara também reforçou o convite para a participação popular e associou o momento à atuação conjunta entre os poderes no município.

A agenda comemorativa inclui rodeio, desfile cívico, reinauguração da Alameda das Águas, eventos culturais e esportivos, além de inaugurações. Durante a abertura, a prefeitura também anunciou a antecipação do pagamento dos servidores efetivos para sexta-feira, 22 de maio.

A administração informou que a medida deve colocar mais de R$ 2 milhões em circulação no comércio local durante o período festivo, enquanto os pagamentos aos prestadores de serviço estão previstos para 27 de maio. A abertura das comemorações ocorre em meio ao calendário de aniversário do município e busca combinar celebração popular com anúncios administrativos, em uma tentativa de dar peso político e econômico à data.

Prefeito vistoria obras do CAPS AD e do Centro do Idoso em Cruzeiro do Sul

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, vistoriou as obras do CAPS AD, a área onde a prefeitura pretende construir um novo CRAS e a reforma e ampliação do Centro do Idoso. As visitas ocorreram no bairro Jardim Primavera e na Avenida Yaco, dentro de uma agenda voltada à ampliação da rede de assistência social no município.

O CAPS AD está em fase avançada de execução e recebeu investimento de R$ 2,1 milhões do Ministério da Saúde. A unidade deve reforçar o atendimento especializado a pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas em Cruzeiro do Sul.

Ao lado do espaço, a gestão municipal prepara a construção de um novo CRAS, com recursos de convênio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e emenda parlamentar do senador Alan Rick, no valor de R$ 710 mil. O projeto está em fase de licitação.

A prefeitura também executa a reforma e ampliação do atual CRAS com recursos de R$ 696 mil, oriundos do mesmo ministério e de emenda parlamentar. Durante a vistoria, Zequinha Lima afirmou que a estrutura existente já não atende ao volume da demanda e que a abertura de uma nova unidade deve ampliar os serviços oferecidos à população.

No Centro do Idoso, a obra de reforma e ampliação é financiada com emenda especial estadual de R$ 250 mil, destinada pelo deputado estadual Luiz Gonzaga. A intervenção prevê a ampliação do salão de festas e melhorias em áreas como cozinha e refeitório, após pedidos feitos por frequentadores do espaço.

Durante o período da obra, os atendimentos aos idosos serão transferidos para o Centro Multiuso, no bairro AABB, a partir da próxima quarta-feira, sem interrupção das atividades.

Prefeitura acelera pavimentação nos bairros Chico Mendes e Vitória em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco ampliou os serviços de pavimentação e recuperação asfáltica nos bairros Chico Mendes e Vitória, com obras em andamento na Rua Maestro Sandoval e na Rua União. A ação faz parte do programa Prefeitura nas Ruas, que reúne intervenções de infraestrutura em várias regiões da capital e prevê investimentos de cerca de R$ 50 milhões.

As equipes executam tratamento de base, reforço da sub-base e aplicação de capa asfáltica para melhorar a durabilidade do pavimento e garantir melhores condições de tráfego. No Chico Mendes, a Rua Maestro Sandoval recebe pavimentação completa em um trecho que enfrentava dificuldades de acesso, especialmente no período chuvoso.

No bairro Vitória, os trabalhos também avançam em vias incluídas no cronograma da prefeitura. O encarregado da obra, Valdenor da Silva, afirmou que o serviço foi intensificado após o lançamento do programa e disse que a meta é ampliar a recuperação das ruas atendidas.

A melhora já é percebida por moradores da região. Marcelo de Souza afirmou que os buracos dificultavam a entrada até de carros pequenos e disse que a pavimentação atende uma necessidade antiga da comunidade.

Além das frentes abertas nos dois bairros, a prefeitura mantém equipes em outras áreas de Rio Branco com ações de tapa-buracos, recapeamento e recuperação viária. A proposta é ampliar a mobilidade urbana e reduzir os problemas causados pelo desgaste das ruas.

Perpétua Almeida anuncia pré-candidatura à Câmara e diz que quer “recuperar mandato” no Acre

A ex-deputada federal Perpétua Almeida anunciou, em vídeo publicado nas redes sociais, que é pré-candidata a deputada federal pelo PCdoB na chapa do campo progressista que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na gravação, ela diz que vai disputar a eleição para retomar o mandato que, segundo afirmou, não exerceu após um erro da Justiça Eleitoral reconhecido posteriormente, mas não corrigido.

No vídeo, Perpétua resgata a votação que recebeu na eleição passada e afirma que foi eleita, mas acabou ficando fora da Câmara. Ao justificar a nova candidatura, ela afirma que não interrompeu a atuação política e cita o período em que passou a ocupar a diretoria da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, por indicação do presidente Lula.

Na fala, a pré-candidata atribui à atuação no órgão a chegada de projetos industriais ao Acre. Ela menciona a entrega da indústria de beneficiamento do Café do Juruá, diz que outras três unidades estão em andamento e cita ainda a indústria de açaí em Feijó como uma das próximas entregas. Ao apresentar a linha política que pretende defender na campanha, Perpétua afirma que quer manter o foco em industrialização, agroindústrias e cooperativas, com prioridade para o pequeno produtor.

A ex-parlamentar também faz um balanço da passagem que teve pela Câmara dos Deputados e lista ações que considera marcos do mandato, como a indenização dos soldados da borracha, a solução para a dívida dos fiéis e medidas relacionadas ao uso de espingardas por moradores de comunidades rurais. Ela também afirma que emendas apresentadas no período continuam chegando a quem mais precisa.

Em tom de confronto político, Perpétua ainda convoca eleitores a compararem o que classifica como resultados de seus mandatos com a atuação da atual bancada federal do Acre. No fim da mensagem, pede que apoiadores acompanhem as redes sociais e participem da construção de propostas para a campanha.

Assista:

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Operação da PCAC no Juruá identifica 49 suspeitos e atende 230 vítimas no Acre

A Polícia Civil do Acre divulgou nesta quinta-feira (21) o balanço da Operação Caminhos Seguros 2026, realizada entre 4 e 18 de maio, com reforço em Cruzeiro do Sul e em municípios do Vale do Juruá. A ação terminou com 49 suspeitos identificados e 230 vítimas de violência contra crianças e adolescentes atendidas em todo o estado.

No Acre, a operação mobilizou equipes em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. Ao longo de 15 dias, os trabalhos reuniram ações de prevenção, investigação e repressão, com apoio de 33 viaturas e articulação com a rede de proteção formada por saúde, assistência social e conselhos tutelares.

O balanço também registra 148 boletins de ocorrência, 99 inquéritos policiais instaurados e 58 procedimentos concluídos com identificação de autoria e materialidade. Durante a ofensiva, a Polícia Civil representou por 11 medidas cautelares, pediu 13 medidas protetivas de urgência e lavrou um termo circunstanciado.

A delegada Juliana De Angelis afirmou que a operação reforça o compromisso da corporação com a proteção integral de crianças e adolescentes. Segundo ela, o trabalho também buscou ampliar o alcance das ações educativas em escolas e espaços públicos, com orientação sobre prevenção, denúncia e acolhimento.

A ofensiva integrou a mobilização nacional do Maio Laranja, voltada ao enfrentamento da violência sexual e de outras formas de agressão contra crianças e adolescentes. No Dia D da campanha, em 14 de maio, o Acre já havia registrado 18 denúncias, 16 suspeitos investigados, 72 vítimas atendidas, duas prisões em flagrante e apreensões de material ligado à pornografia infantil e juvenil.

TJAC e TRE-AC unem instituições em pacto contra desinformação nas eleições de 2026 no Acre

O Tribunal de Justiça do Acre e o Tribunal Regional Eleitoral do Acre formalizaram nesta quinta-feira (21), em Rio Branco, um pacto interinstitucional para combater a desinformação nas eleições de 2026. A assinatura ocorreu durante a 1ª Reunião de Trabalho Preparatória para o pleito e reuniu 16 instituições públicas, em uma articulação voltada à proteção da integridade eleitoral e ao fortalecimento da confiança da população no processo democrático.

A adesão do TJAC foi representada pela vice-presidente da Corte, desembargadora Regina Ferrari. O acordo reúne órgãos do sistema de Justiça, forças de segurança e outras entidades públicas para atuar de forma coordenada diante da circulação de conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados que possam afetar o ambiente eleitoral no Acre.

Entre as medidas previstas estão a divulgação de informações confiáveis, o incentivo à educação midiática, o reforço da transparência institucional e a adoção de estratégias preventivas para conter a propagação de notícias falsas. O trabalho conjunto também deve passar pela RedeJus, rede estadual de comunicadores do sistema de Justiça, criada para ampliar o alcance de conteúdos oficiais ao longo da preparação para as eleições.

Durante a solenidade, a presidente do TRE-AC, desembargadora Waldirene Cordeiro, afirmou que a união entre as instituições busca preservar a verdade, a transparência e a legitimidade do processo eleitoral. Regina Ferrari disse que a atuação integrada tende a garantir uma eleição segura, transparente e dentro da normalidade.

A programação incluiu ainda uma reunião técnica sobre os desafios do pleito de 2026 e uma palestra do jurista Diogo Rais sobre desinformação, propaganda eleitoral digital e provas digitais. No Acre, a mobilização se soma a ações que já vêm sendo desenvolvidas pela Justiça Eleitoral nos últimos anos para orientar eleitores, ampliar a checagem de informações e reduzir o impacto de boatos durante as campanhas.

Entenda o caso Gladson Cameli: advogado explica por que ex-governador está inelegível após condenação no STJ

O ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão, está hoje inelegível e não poderia registrar candidatura se o prazo terminasse nesta quinta-feira, 21 de maio, conforme análise feita pelo advogado Emerson Soares no programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM. A explicação ocorreu em meio à confusão provocada por publicações que passaram a tratar a anulação de parte das provas pelo Supremo Tribunal Federal como se ela tivesse derrubado todo o processo. Para o advogado, a situação jurídica é outra: a condenação permanece válida, os recursos ainda são possíveis, mas a chance de uma liminar devolver a elegibilidade de Gladson foi classificada por ele como remota.

A dúvida central apresentada no programa foi direta: se o último dia para registro de candidatura fosse hoje, Gladson poderia registrar a candidatura ao Senado? Emerson Soares respondeu sem margem para dupla interpretação. “Não. Efetivamente, não”, afirmou. A base da resposta está na Lei Complementar 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis os condenados por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado. Como a condenação de Gladson foi dada pela Corte Especial do STJ, um colegiado, o advogado sustentou que a inelegibilidade já produz efeitos, mesmo sem o trânsito em julgado.

A condenação citada no debate foi a imposta pelo STJ no caso ligado à Operação Ptolomeu. Gladson foi condenado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A pena fixada chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. O tribunal também determinou multa, indenização superior a R$ 11 milhões ao Estado do Acre e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado anteriormente para tentar disputar o Senado.

Emerson Soares explicou que, por envolver crimes contra a administração pública, a inelegibilidade não se encerraria apenas com oito anos contados da condenação. Na leitura apresentada por ele, Gladson teria de cumprir a pena e, depois disso, ainda ficaria oito anos impedido de disputar eleições. “Fazendo uma matemática bem simples, ele está inelegível por 33 anos e nove meses”, disse o advogado. Ele acrescentou que esse cálculo considera apenas a condenação já proferida, sem contar possíveis efeitos de novas condenações em outros processos.

O advogado também tratou da nova ação penal recebida pelo STJ, ligada à duplicação da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Para ele, essa segunda frente ainda está no início e não é, neste momento, o fator que impede a candidatura de Gladson. “Hoje, o que torna ele inelegível é tão somente essa condenação”, afirmou. A nova ação, segundo a explicação dada no programa, ainda terá defesa prévia, instrução e tramitação própria. A condenação já imposta pelo STJ é o ponto jurídico decisivo para o quadro eleitoral atual.

A principal confusão pública, na avaliação do advogado, está na decisão do STF sobre relatórios de inteligência financeira do Coaf. Emerson explicou que parte dessas provas foi considerada ilegal por problemas na forma como entrou no processo, sem respeito à cadeia de custódia. Isso, porém, não significaria a queda da condenação. “Essas provas que foram excluídas por serem consideradas ilegais não tiveram influência, não serviram de base probatória para formulação da denúncia, tampouco para imposição da condenação”, afirmou.

Para o advogado, a publicação recente do acórdão do STF não representa um fato novo capaz de reabrir automaticamente o caminho eleitoral de Gladson. Ele classificou a repercussão como uma leitura equivocada do andamento processual. “Foi só a materialização instrumental de uma decisão que já existia desde o ano passado. Então não é fato novo e muito menos é uma anulação do processo que foi julgado pelo STJ”, disse. Em outro momento, reforçou: “O que foi divulgado ontem, parecendo que o governador podia ser candidato sem nenhum problema, não é bem assim não”.

A possibilidade de recurso existe. Emerson Soares afirmou que a defesa pode levar o caso ao Supremo por meio de recurso extraordinário, mas explicou que esse caminho é estreito porque exige discussão constitucional, demonstração de repercussão geral e superação de barreiras de admissibilidade. “Possibilidade no direito sempre existe”, disse ele, antes de ponderar que a via recursal não permite rediscutir livremente provas e fatos. Na avaliação dele, o STF não costuma reexaminar o conjunto probatório nesse tipo de recurso.

A alternativa mais comentada no campo político seria uma liminar para suspender os efeitos da condenação e permitir o registro da candidatura. Emerson explicou que essa medida teria de demonstrar dois requisitos: a plausibilidade jurídica do pedido e o risco de dano pela demora, já que o prazo eleitoral se aproxima. Mesmo reconhecendo que o risco da demora seria mais fácil de demonstrar por causa do calendário eleitoral, o advogado avaliou que o ponto mais difícil seria convencer o Supremo de que há chance concreta de reversão da decisão do STJ. “As possibilidades desse recurso extraordinário ser admitido são remotas, mas não são impossíveis, e mais remota ainda é uma peça recursal conseguir desconstruir todo um voto, toda uma instrução do Superior Tribunal de Justiça”, afirmou.

Emerson também comentou o peso político de Gladson, que segue com forte capital eleitoral no Acre e nunca perdeu uma eleição. Ainda assim, afirmou que popularidade não basta para alterar uma decisão judicial. O advogado fez questão de registrar sua relação pessoal com o ex-governador e disse falar “com dor”, por gostar de Gladson e já ter atuado como advogado dele na primeira candidatura à Câmara Federal. “Eu tenho uma admiração por ele, inegavelmente, independentemente de qualquer coisa. É um grande líder político do nosso estado e da região Norte, nunca perdeu uma eleição”, disse. Logo depois, ponderou que, sem Gladson na disputa, “o cenário muda radicalmente” e “as peças se mexem no tabuleiro”.

Outro ponto explicado no programa foi o prazo para recursos. Emerson informou que a defesa já apresentou embargos de declaração, instrumento usado para questionar pontos de obscuridade, omissão ou contradição e também para preparar o caminho do recurso ao STF. Como os embargos interrompem o prazo, o período para o recurso extraordinário ainda não começou. Quando começar, segundo ele, o prazo será de 15 dias corridos, contados a partir da publicação da decisão correspondente, com prorrogação apenas se o vencimento cair em fim de semana ou dia sem expediente.

A análise feita no Jornal da Manhã também separou dois conceitos que têm sido misturados no debate político: o lícito e o justo. Para Emerson, a licitude está ligada ao respeito ao devido processo legal, com contraditório, ampla defesa e julgamento por autoridade competente. Já a justiça social pode variar conforme a percepção de cada pessoa. Ao tratar da condenação de Gladson, ele afirmou que, do ponto de vista judicial, o resultado deve ser compreendido a partir das regras do processo e dos recursos cabíveis. “A decisão do juiz não se questiona, se recorre”, disse.

O quadro, portanto, é este: Gladson Cameli foi condenado por órgão colegiado, está hoje inelegível pela Lei da Ficha Limpa, ainda pode recorrer ao STF e pode tentar uma liminar para suspender os efeitos da condenação. Mas, na avaliação jurídica apresentada por Emerson Soares, essa possibilidade existe mais no campo técnico do que no campo da probabilidade. A anulação de parte das provas pelo STF não derrubou a condenação, não anulou o processo e não devolveu automaticamente a condição de candidato ao ex-governador. Até uma decisão em sentido contrário, o impedimento eleitoral permanece.

Crise política e falta de planejamento aceleram saída de jovens do Acre, dizem Jorge Viana e Binho Marques

A crise política, a perda de capacidade de investimento do Estado e a ausência de um projeto de longo prazo estão empurrando jovens e famílias do Acre para outras regiões do país, sobretudo o Sul e o Sudeste. Essa foi a avaliação feita pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques na estreia do Podcast do Jorge Viana, apresentado por Marcela e pelo jornalista Toinho Alves, em um debate sobre o enfraquecimento da economia acreana e os caminhos para reter mão de obra e recuperar a atividade produtiva local.

Ao longo da conversa, os dois ex-governadores afirmaram que o Acre vive hoje um movimento oposto ao de décadas anteriores, quando o mercado de trabalho local absorvia trabalhadores e chegava a atrair profissionais de outros estados. Agora, segundo eles, moradores da periferia e jovens em idade produtiva estão deixando o estado para buscar emprego em cidades como Joinville, Chapecó e João Pessoa, muitas vezes em vagas de baixa qualificação e sob condições mais duras de adaptação.

Na avaliação de Binho Marques, a fragmentação da máquina pública entre grupos políticos comprometeu a capacidade de planejamento do Estado e travou políticas estruturantes. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos”, disse. Segundo ele, a ocupação de secretarias e órgãos estratégicos por indicações políticas substituiu metas permanentes de desenvolvimento por agendas imediatas, com impacto direto sobre a gestão pública e a execução de projetos.

O debate também apontou reflexos desse quadro sobre a economia interna. Jorge Viana e Binho citaram o abandono de polos produtivos e mudanças nas compras governamentais como sinais de enfraquecimento das cadeias locais. Um dos exemplos citados foi a redução da participação de cooperativas e agroindústrias acreanas no fornecimento de alimentos, inclusive para a merenda escolar, o que, segundo eles, reduz a circulação de renda dentro do próprio estado e enfraquece a produção regional.

Para os ex-governadores, a reversão desse cenário depende de um novo ciclo de investimentos e de uma estratégia capaz de conectar o Acre às transformações da economia digital. A ampliação da infraestrutura de internet, com fibra óptica alcançando municípios, comunidades rurais e aldeias indígenas, foi apontada como condição central para criar oportunidades de trabalho remoto, qualificação profissional e permanência da juventude no estado.

A aposta, segundo os debatedores, passa por combinar conectividade, formação técnica e inserção do Acre na agenda da bioeconomia. A avaliação apresentada no podcast é que, sem um programa consistente de compras públicas regionalizadas e sem expansão do acesso à internet de alta capacidade, o estado corre o risco de aprofundar a perda de população jovem e reduzir ainda mais sua base produtiva nos próximos anos.