Erro técnico tira Binho Marques da suplência de Jorge Viana ao Senado

Um erro técnico no registro da candidatura impediu o ex-governador Binho Marques de integrar a chapa de Jorge Viana ao Senado nas eleições de 2026. Mesmo fora da suplência, ele confirmou que seguirá na campanha e atuará na coordenação das candidaturas de Jorge Viana ao Senado e de Thor Dantas ao governo do Acre.

Em carta aberta divulgada nesta sexta-feira, 7, Binho afirmou que o problema envolveu prazos e datas do registro eleitoral. Ele disse que reconhece o erro e que respeitará a decisão da Justiça.

“Houve um erro técnico no registro da minha candidatura como primeiro suplente do senador Jorge Viana. Um erro de prazos, de datas. Erramos”, afirmou.

Binho também reforçou que continuará diretamente envolvido na campanha. “Vou trabalhar mais ainda pela vitória da Frente Ampla, seja na coordenação das campanhas do Jorge e do Thor, seja nas ruas”, declarou.

O ex-governador ainda manifestou apoio a Jorge Viana para o Senado, Thor Dantas para o governo do Acre e Lula para a Presidência da República.

Prefeitura de Rio Branco discute melhorias em ramais na região do Barro Vermelho

A Prefeitura de Rio Branco reuniu moradores, produtores rurais e lideranças comunitárias nesta sexta-feira (7), no Ramal do Junqueira, na região do Barro Vermelho, para ouvir demandas sobre acesso, transporte da produção e serviços públicos nas comunidades rurais dos ramais do Junqueira, Juca e Autofrota.

A agenda contou com a presença do prefeito Alysson Bestene, do senador Sérgio Petecão e da vereadora Elzinha Mendonça. O encontro teve como foco a melhoria das condições dos ramais, usados diariamente por famílias que vivem no campo e dependem das vias para trabalhar, estudar, buscar atendimento e escoar a produção rural.

O prefeito afirmou que a gestão municipal tem buscado manter contato direto com as comunidades para definir prioridades a partir das demandas apresentadas pelos moradores. “Temos buscado estar presentes nas principais ações, conversando com as pessoas e ouvindo as lideranças comunitárias. Hoje estamos reunidos com a comunidade, juntamente com o senador Petecão e a vereadora Elzinha. Vamos trabalhando e unindo forças para mudar a realidade das pessoas e melhorar a vida delas em suas comunidades”, disse Alysson Bestene.

A produtora rural Fátima Teles afirmou que a presença das autoridades reforça a expectativa por melhorias no direito de ir e vir. Ela relatou que o ramal tem forte produção agrícola e reúne famílias que dependem da estrada para transportar alimentos e manter as atividades no campo. “É só isso que queremos: poder levar nossas produções, porque este é um ramal muito produtivo. Aqui tem homens e mulheres trabalhadores”, afirmou.

A vereadora Elzinha Mendonça disse que as intervenções nos ramais podem melhorar o cotidiano dos moradores da região, principalmente dos produtores rurais. “Isso vai trazer dignidade, permitir que as pessoas escoem suas produções e tenham melhores condições de acesso”, afirmou.

A presidente do Ramal do Junqueira, Rosicleia Souza, afirmou que serviços já realizados começaram a melhorar o deslocamento dos moradores. Ela disse que a comunidade aguardava as intervenções havia bastante tempo e que a continuidade do trabalho pode ampliar o acesso a saúde, educação e transporte para as famílias da região.

Cruzeiro do Sul mantém obras durante ponto facultativo e usa 20 toneladas de asfalto em tapa-buracos

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul manteve equipes de infraestrutura trabalhando nesta sexta-feira (7), mesmo com o ponto facultativo, em diferentes regiões do município. Os serviços incluem recuperação de vias, drenagem, manutenção de acessos e operação tapa-buracos, com o objetivo de dar continuidade ao cronograma de obras e melhorar as condições de mobilidade nas áreas urbana e rural.

No bairro João Alves, trabalhadores atuam na recuperação da estrada, com aplicação de uma nova camada de revestimento. O serviço também inclui melhorias no sistema de drenagem para reduzir problemas provocados pela água e aumentar a durabilidade da via.

Outra equipe trabalha na região da Praia Grande, onde um mutirão foi mobilizado para concluir os serviços de arrudeio. As frentes são coordenadas pela Secretaria Municipal de Obras, Mobilidade Urbana e Habitação.

Na zona rural, os trabalhos alcançam as comunidades Boca do Moa, Carobas e Badejo do Meio. As equipes realizam manutenção dos acessos usados por moradores e produtores rurais.

A prefeitura também executa uma operação tapa-buracos em diferentes pontos da cidade. Para a recuperação dos trechos desgastados, estão sendo utilizadas 20 toneladas de massa asfáltica.

O secretário municipal de Obras, Mobilidade Urbana e Habitação, Carlos Alves, afirmou que as equipes aproveitaram o ponto facultativo para ampliar os serviços previstos no cronograma.

“Mesmo no ponto facultativo, nossas equipes continuam trabalhando em várias frentes. Estamos recuperando a estrada no bairro João Alves, melhorando a drenagem, concluindo os serviços na Praia Grande e levando manutenção às comunidades Boca do Moa, Carobas e Badejo do Meio. Também estamos utilizando 20 toneladas de massa asfáltica na operação tapa-buracos”, afirmou.

Os serviços continuam distribuídos entre bairros, comunidades rurais e trechos da malha viária urbana do município.

Imac reforça fiscalização contra queimadas e desmatamento no Vale do Juruá

O Instituto de Meio Ambiente do Acre reforçou em agosto as ações de fiscalização contra queimadas e desmatamento no Vale do Juruá, no interior do estado, por causa do período de estiagem. A operação integra o plano anual de combate a crimes ambientais e deve continuar até novembro, fase em que o risco de incêndios florestais aumenta na região.

Na regional de Cruzeiro do Sul, as equipes atuam por terra e com apoio de monitoramento aéreo para localizar áreas com suspeita de desmate e queimadas irregulares. As ocorrências são mapeadas por imagens de satélite antes da ida dos fiscais a campo.

A chefe interina do Imac no Juruá, Marla Amorim, afirmou que o planejamento foi feito com antecedência para ampliar a presença das equipes no período mais crítico do ano. “As áreas são identificadas por meio de imagens de satélite e, a partir dessas informações, nossas equipes vão a campo verificar se há irregularidades. Somente para este mês de agosto recebemos 28 pontos com indícios de desmatamento e queimadas que já estão sendo fiscalizados”, disse.

Queimadas e desmatamentos feitos sem autorização ambiental podem levar a multa, embargo da propriedade e restrições para acesso a financiamentos rurais. As penalidades mudam conforme o tipo e o tamanho da área atingida. Em reserva legal ou área de preservação permanente, os valores podem passar de R$ 5 mil por hectare. Fora dessas áreas, as multas ficam em torno de R$ 1 mil por hectare.

Além da fiscalização, o Imac orienta produtores rurais sobre a regularização ambiental, incluindo o Cadastro Ambiental Rural e as licenças exigidas para desmate e queima controlada. O órgão mantém ações durante todo o ano, mas amplia as operações na estiagem, quando cresce o risco de degradação ambiental.

Marla Amorim afirmou que a redução do desmatamento também ajuda a combater incêndios, já que o fogo costuma ser usado após a derrubada da vegetação. “Quando combatemos o desmatamento, também reduzimos as queimadas, porque, na maioria das vezes, o fogo é utilizado após a derrubada da vegetação”, afirmou.

A destruição da floresta também afeta o equilíbrio ambiental, a disponibilidade de recursos naturais e agrava os efeitos das mudanças climáticas. Nos últimos anos, o Acre enfrentou alta pressão de queimadas, o que levou os órgãos ambientais a ampliar ações integradas de fiscalização e orientação no campo.

PF investiga fraude no Seguro-Defeso e cumpre mandados em Rio Branco e Cruzeiro do Sul

A Polícia Federal cumpriu seis mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (7) em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, durante uma investigação sobre possíveis fraudes na concessão do Seguro-Defeso. A Operação Maré de Apate apura a emissão e o uso irregular de registros de pescador artesanal por pessoas que supostamente não exerciam atividade pesqueira e teriam obtido o benefício de forma indevida.

A apuração envolve Registros Gerais da Atividade Pesqueira (RGP) que teriam sido emitidos para permitir o acesso ao Seguro-Defeso. Os investigadores também trabalham com a suspeita de participação de agentes públicos e particulares na emissão, distribuição e intermediação das carteiras.

Outra frente da investigação tenta esclarecer se estruturas administrativas foram utilizadas para entregar os documentos aos beneficiários. As buscas tiveram como objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a reconstruir o funcionamento do esquema e identificar todos os envolvidos.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal do Acre. O material apreendido será analisado para determinar a participação de cada investigado e calcular possíveis prejuízos causados aos cofres públicos.

Os investigados poderão responder por estelionato previdenciário, associação criminosa, falsidade ideológica e corrupção eleitoral. Outros crimes também poderão ser apurados conforme o avanço das investigações.

O Seguro-Defeso é destinado a pescadores artesanais durante períodos em que a pesca fica temporariamente proibida. A investigação busca esclarecer se registros profissionais foram usados de maneira irregular para liberar pagamentos a pessoas que não cumpriam os requisitos para receber o benefício.

Jorge Viana fala sobre Expoacre, produção de café, política e meio ambiente no Acre

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana defendeu maior foco da Expoacre na geração de negócios, anunciou planos de exportar café produzido no estado e comentou os embates políticos e ambientais no Acre durante entrevista ao ac24horas, na sexta noite da Expoacre 2026, em Rio Branco. Antes de chegar aos estúdios, ele enfrentou o trânsito intenso da Via Verde e recorreu a motocicletas para conseguir cumprir o horário da entrevista.

“Andreia, me põe um problema que a solução eu arrumo, eu sou nativo. Liga pro Gabriel, manda duas motos vir nos resgatar aqui”, contou Viana ao relatar o deslocamento. “É bom conhecer cada palmo desse chão que eu amo, que é o Acre”, acrescentou.

Na entrevista, o ex-governador relembrou a situação do Parque de Exposições Wildy Viana quando assumiu o governo estadual, em janeiro de 1999. Segundo ele, a feira agropecuária estava interrompida e o espaço permanecia sem atividades havia anos.

“Quando eu assumi o governo em janeiro de 99, não tinha Expoacre. O parque estava paralisado há anos”, afirmou. Para Viana, o evento deve conciliar entretenimento com atividades voltadas à economia e à geração de oportunidades.

“Sempre achei que é muito importante você ter o negócio e o entretenimento. Não gosto quando chamam de ‘arraialzão’. Se o pessoal tá chamando de arraial, é porque não tá legal”, disse. Ele também defendeu maior espaço para negócios durante a feira. “Tem que dar mais atenção aos negócios, focar na economia para que os nossos irmãos acrianos não tenham que ir embora buscar uma melhor sorte na vida em outro estado.”

Viana também falou sobre sua atuação como produtor rural. Há quatro anos, investe no cultivo de café clonal e mantém uma estrutura de produção com indústria própria. A expectativa é iniciar a venda do produto para o mercado internacional.

“Esse ano, se Deus quiser, eu pretendo ser o primeiro a exportar produção de um café de grande qualidade pros Estados Unidos, quem sabe à China”, afirmou. O ex-governador disse que pretende usar a experiência para ampliar a participação de outros produtores acreanos no mercado externo. “Eu tenho que ser pioneiro nisso, para depois dar a mão pros meus colegas cafeicultores e fazer o Acre ser exportador também de café.”

Ao tratar do cenário político, Viana afirmou que passou a evitar confrontos que, na avaliação dele, não contribuem para enfrentar os problemas do estado. A declaração ocorreu ao comentar divergências com adversários políticos, entre eles o senador Márcio Bittar.

“Eu mudei sem mudar de lado, mas eu acho que é triste uma pessoa que tem o privilégio de viver mais dias, mais janeiros, e não procura ficar um pouco melhor”, declarou. Viana afirmou que as dificuldades econômicas e sociais do Acre exigem menos confronto político. “O nosso estado tá passando por tanta dificuldade. Ter uma pessoa ou pessoas querendo acirrar as diferenças na hora da dificuldade não vai ajudar em nada.”

Ao falar sobre sua atuação política, o pré-candidato disse que pretende concentrar esforços na busca de soluções para problemas do estado. “Eu sou um resolvedor de problema, eu penso assim, e eu quero ser um resolvedor de problema do Acre. Eu não tenho mais tempo para gastar energia discutindo bobagem.”

A relação entre produção agropecuária e preservação ambiental também esteve entre os temas da entrevista. Viana, engenheiro florestal e relator do Código Florestal aprovado em 2012, comentou os embargos aplicados pelo Ibama no Acre e criticou posições radicalizadas no debate ambiental.

“Você acha que a pessoa vai resolver um problema ambiental tendo ódio do meio ambiente?”, questionou. Na sequência, defendeu medidas que conciliem preservação e atividade econômica. “Quem é que pode resolver? Quem conhece o assunto, quem quer proteger o meio ambiente, mas quer também criar condição pro produtor criar e produzir.”

Viana apontou áreas já desmatadas como alternativa para ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas de floresta. “Aqui no entorno de Rio Branco tem 400 mil hectares já desmatados que pode ser implantado milho mecanizado, soja, café, algodão, açaí”, afirmou.

Para o ex-governador, a expansão da produção depende ainda de crédito, assistência técnica e regularização das propriedades atingidas por embargos. “Falta política para a gente melhorar o juro, aplicar mais crédito barato pros pequenos, desembargar as propriedades e oferecer assistência técnica por parte do governo.”

Gladson quer o Senado, mas a condenação continua no caminho; e está inelegível

Gladson Cameli pode repetir quantas vezes quiser que é candidato ao Senado. Pode reunir aliados, subir em palanque, aparecer ao lado de Mailza Assis, organizar chapa, mobilizar prefeitos e tratar a eleição como uma etapa natural depois de deixar o governo. Nada disso muda o ponto que está diante dele desde 6 de maio: Gladson continua condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão e continua alcançado pela Lei da Ficha Limpa.

A condenação não desapareceu com recurso. Não foi anulada. A pena não caiu. O julgamento mais recente dos embargos de declaração também não produziu a virada que a defesa precisava. A Corte Especial mexeu apenas em pontos de esclarecimento do acórdão, sem retirar a condenação, reduzir a pena ou suspender seus efeitos eleitorais. No essencial, Gladson entrou em agosto do mesmo jeito que saiu de maio: condenado por decisão colegiada e com um problema jurídico real para registrar sua candidatura.

É importante colocar os fatos nessa ordem porque a política costuma correr mais rápido que o processo. No Acre, Gladson continua sendo tratado por aliados como candidato ao Senado. Na Justiça, continua sendo o réu condenado na Ação Penal 1.076, resultado de uma das frentes mais pesadas da Operação Ptolomeu.

A Corte Especial do STJ o condenou por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. A soma chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. Vieram ainda multa, indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre e a perda do cargo de governador, que já havia sido deixado por Gladson semanas antes para cumprir o calendário eleitoral e preparar o projeto de retorno ao Senado.

A pena não saiu de um único episódio.

O julgamento reuniu contratos públicos, empresas privadas, movimentações financeiras, pagamentos e operações que, para a maioria dos ministros, formavam uma estrutura organizada para retirar dinheiro dos cofres públicos e fazer parte desses recursos chegar ao patrimônio privado do grupo investigado.

Uma das empresas colocadas no centro desse caminho foi a Murano Construções. Ela recebeu cerca de R$ 18 milhões em contratos analisados durante a investigação. Técnicos da Controladoria-Geral da União calcularam prejuízo superior a R$ 16 milhões no conjunto examinado. A condenação também passou pela relação da Murano com empresas ligadas ao núcleo familiar de Gladson.

O STJ reconheceu 31 ocorrências de peculato-desvio em continuidade delitiva e considerou 46 operações na condenação por lavagem de dinheiro. Não é uma condenação construída sobre uma frase, uma reunião ou uma assinatura isolada. O tribunal enxergou repetição.

Esse ponto ajuda a entender o tamanho do problema jurídico que Gladson carrega para a eleição.

No processo, dinheiro apontado como produto dos crimes apareceu ligado a despesas particulares. Entre os bens examinados estavam parcelas de um apartamento de alto padrão em São Paulo e gastos relacionados a veículo de luxo. Foi nesse percurso, dos contratos públicos até o patrimônio privado, que a acusação montou parte do caso de lavagem de dinheiro aceito pelo STJ.

A defesa sempre negou os crimes e atacou a validade das provas. Um dos argumentos ganhou força quando o Supremo Tribunal Federal anulou elementos produzidos em uma fase da investigação por entender que houve problema de competência. Os advogados de Gladson tentaram ampliar o alcance dessa decisão para comprometer toda a ação penal.

Não conseguiram.

A maioria da Corte Especial entendeu que as provas anuladas pelo Supremo não sustentavam a condenação e que havia material obtido de forma independente. A discussão atravessou o processo, mas não impediu o julgamento nem derrubou os elementos usados pelos ministros para condená-lo.

Depois vieram os embargos de declaração.

E aqui está a atualização mais recente: eles não mudaram a realidade eleitoral de Gladson.

A defesa voltou ao STJ tentando corrigir e questionar pontos do acórdão. A Corte Especial acolheu parte dos embargos para esclarecimentos, sem alterar o resultado. Gladson continuou condenado a 25 anos e nove meses.

Essa sequência importa porque recurso e reversão são coisas diferentes.

Gladson pode recorrer. Pode tentar levar questões ao Supremo. Pode pedir medida cautelar. Pode buscar uma decisão capaz de suspender os efeitos da condenação. Tudo isso faz parte do jogo jurídico.

O que ele não pode é transformar a existência desses caminhos em uma absolvição que ainda não aconteceu.

Também é preciso separar prisão de inelegibilidade.

Gladson não começa agora a cumprir os 25 anos e nove meses porque ainda existem recursos e a condenação não chegou ao trânsito em julgado. Para a eleição, porém, a exigência é diferente. A Lei da Ficha Limpa alcança determinadas condenações impostas por órgãos colegiados antes mesmo da decisão definitiva.

É exatamente onde ele está.

Gladson foi condenado por uma corte colegiada em crimes que entram no alcance da legislação eleitoral. Por isso, enquanto não houver decisão suspendendo ou derrubando os efeitos dessa condenação, a inelegibilidade continua no caminho da candidatura.

Não é o partido que resolve isso.

O Progressistas pode escolher Gladson. Os aliados podem apresentá-lo como candidato. Ele próprio pode dizer que é “candidatíssimo”. O pedido de registro pode ser protocolado.

Nada disso substitui a decisão da Justiça Eleitoral.

É o Tribunal Regional Eleitoral do Acre que terá de examinar as condições jurídicas do registro de uma candidatura ao Senado. E, quando essa análise chegar, haverá sobre a mesa uma informação impossível de contornar: Gladson foi condenado pelo STJ.

Há ainda uma confusão recorrente sobre o tempo dessa inelegibilidade. Não é correto resumir o caso dizendo apenas que Gladson “ficou inelegível por oito anos”. A legislação atual dá tratamento específico a condenações por crimes contra a administração pública. Dependendo da manutenção da condenação e do cumprimento da pena, o período pode ir muito além de oito anos contados a partir de 2026.

É justamente por isso que uma reversão judicial é tão importante para o projeto político de Gladson.

Sem ela, não se trata apenas de administrar uma crise durante uma campanha. Trata-se de conseguir superar a barreira que pode impedir que essa campanha produza um mandato.

E o calendário já não oferece distância confortável.

O prazo para registro das candidaturas termina em 15 de agosto. A política acreana pode passar esses dias discutindo alianças, pesquisas, suplências, prefeitos, estrutura partidária e votos. O processo de Gladson continuará fazendo uma pergunta anterior a todas essas: ele poderá ser candidato com registro válido?

Até agora, a resposta jurídica permanece contra ele.

Há ainda outro processo no STJ. Gladson virou réu em uma segunda ação relacionada às obras da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Nesse caso, aparecem acusações de peculato-desvio e fraude em licitação, com suspeitas sobre o direcionamento de contrato para empresa ligada à família Cameli e sobrepreço de aproximadamente R$ 3,6 milhões calculado pela CGU.

Mas esse segundo processo precisa ficar no lugar correto.

Nele, Gladson ainda não foi condenado.

A inelegibilidade que hoje ameaça sua candidatura ao Senado não nasce dessa nova ação. Nasce da condenação que já existe na Ação Penal 1.076.

É essa diferença que não pode ser escondida nem exagerada.

Gladson não está preso. Continua recorrendo. Pode conseguir uma decisão favorável daqui para frente. Se conseguir, o quadro muda e terá de ser contado como mudança.

Até lá, o que existe é o que foi decidido.

Um ex-governador que deixou o Palácio Rio Branco para tentar voltar ao Senado, mas chegou ao período eleitoral com uma condenação de 25 anos e nove meses.

Um político que continua competitivo dentro de seu grupo, mas que depende de uma vitória nos tribunais antes de transformar força eleitoral em mandato.

Um candidato declarado que, juridicamente, continua inelegível.

A política pode tentar correr na frente.

A condenação continua logo atrás.

Shows da Expoacre 2026 custaram R$ 12,7 milhões no Juruá e em Rio Branco

Os shows nacionais contratados para as edições da Expoacre 2026 em Cruzeiro do Sul e Rio Branco somaram R$ 12,7 milhões em cachês. No Juruá, seis atrações tiveram R$ 6,25 milhões reservados no Plano de Trabalho da feira. Na capital, cinco contratos que atenderam seis artistas chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que já foi integralmente liquidado e pago pelo Governo do Acre.

Na Expoacre Juruá, realizada em Cruzeiro do Sul, o maior cachê previsto foi o de Leonardo, no valor de R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima teve R$ 1,7 milhão reservado. A dupla Ícaro e Gilmar aparece com R$ 750 mil, enquanto Tierry e padre Fábio de Melo tiveram R$ 650 mil cada. A Banda Morada completa a relação com R$ 400 mil. Os seis valores chegam a R$ 6,25 milhões.

A contratação no Juruá ocorreu dentro do Termo de Colaboração CC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. A entidade recebeu R$ 15.848.310 para executar a feira, enquanto o valor global previsto para a parceria era de R$ 16.648.310.

Os R$ 6,25 milhões destinados aos artistas aparecem de forma individual no Plano de Trabalho, mas o dinheiro da feira foi transferido pelo governo à associação em um repasse global. Por essa razão, o valor representa o custo previsto dos cachês. A confirmação do pagamento final feito a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Em Rio Branco, a contratação ocorreu diretamente pela Casa Civil. Os cinco contratos destinados às principais atrações nacionais somaram R$ 6,45 milhões e já constam como integralmente empenhados, liquidados e pagos.

O contrato de maior valor foi de R$ 2,55 milhões e reuniu Leonardo e Ana Castela. Como os dois artistas foram contratados no mesmo instrumento, não há separação do valor pago individualmente a cada um.

Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima custou R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo recebeu R$ 500 mil e a Banda Som e Louvor, R$ 300 mil. Com o contrato conjunto de Leonardo e Ana Castela, os shows da edição de Rio Branco chegaram aos R$ 6,45 milhões.

A comparação coloca a programação da capital R$ 200 mil acima da relação de cachês prevista para Cruzeiro do Sul. Foram R$ 6,45 milhões em Rio Branco contra R$ 6,25 milhões no Juruá.

A diferença entre as duas edições não está apenas no valor, mas também na forma de contratação. Em Rio Branco, os R$ 6,45 milhões correspondem a contratos diretos que já foram pagos. No Juruá, os R$ 6,25 milhões correspondem aos valores reservados para os seis artistas no orçamento executado pela Associação Transformar.

Somados os dois grupos, os principais shows nacionais das duas edições da Expoacre 2026 alcançaram R$ 12,7 milhões em cachês previstos ou contratados com recursos públicos.

O Plano de Trabalho do Juruá também reservou R$ 50 mil para uma atração infantil. Esse valor não integra os R$ 6,25 milhões usados na comparação dos principais shows nacionais. Com a inclusão dessa apresentação, a despesa artística prevista para Cruzeiro do Sul sobe para R$ 6,3 milhões e o total das duas edições chega a R$ 12,75 milhões.

O custo dos shows no Juruá não ficou restrito aos cachês. Outros R$ 2.448.520 foram reservados para produção e logística das atrações nacionais, com despesas de passagens aéreas, fretamento de aeronaves, excesso de bagagem, hospedagem, alimentação, camarins, vans, transporte de artistas e pagamento de direitos autorais.

Esse gasto de R$ 2,44 milhões não integra os R$ 12,7 milhões porque a comparação considera somente os cachês. Ele amplia, porém, o custo público necessário para levar as atrações nacionais aos palcos da Expoacre Juruá.

Foto: Secom/AC

Flávio Bolsonaro apoia Mara Rocha e Márcio Bittar ao Senado no Acre e deixa Gladson fora da lista

O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, anunciou apoio a Márcio Bittar e Mara Rocha na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026. A definição foi apresentada em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, na quinta-feira, 6, dentro de uma estratégia nacional para fortalecer palanques estaduais e ampliar a bancada aliada no Congresso.

No Acre, a escolha junta o PL de Márcio Bittar ao Republicanos de Mara Rocha. Os dois nomes passam a compor o palanque senatorial de Flávio no estado, em uma movimentação que busca organizar a direita em torno da candidatura presidencial do senador. A lista nacional apresentada por Flávio reúne 47 candidatos ao Senado em todas as unidades da Federação.

A decisão também reorganiza o cenário local porque deixa Gladson Cameli fora do grupo anunciado por Flávio, mesmo depois de o ex-governador ter declarado apoio ao presidenciável. Em março, durante o lançamento da União Progressista e recentemente em entrevista, Gladson afirmou que seu voto e seu apoio seriam para Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

A ausência de Gladson pesa mais porque ele tenta manter espaço na corrida ao Senado em meio aos efeitos da condenação no Superior Tribunal de Justiça. Em maio, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Pela Lei da Ficha Limpa, a condenação por órgão colegiado o tornou inelegível por oito anos, salvo decisão judicial que suspenda os efeitos da condenação.

Com isso, a lista de Flávio expõe um novo desenho político no Acre: Bittar e Mara foram incorporados ao projeto nacional do PL, enquanto Gladson, mesmo aliado declarado do presidenciável, ficou fora da indicação formal para o Senado. Na prática, o ex-governador foi deixado de lado no momento em que Flávio buscou consolidar candidaturas com maior viabilidade jurídica e eleitoral para sustentar sua campanha no estado.

A disputa acreana continua aberta. Pesquisas recentes colocam Márcio Bittar, Gladson Cameli e Mara Rocha entre os nomes mais competitivos para as duas vagas, com variações conforme o cenário testado. A diferença agora é que Flávio Bolsonaro passou a tratar Bittar e Mara como seus nomes para o Senado, deixando Gladson em posição mais isolada dentro do campo conservador.