No Jornal da Manhã, Alan Rick reage a ações judiciais, promete ampliar pré-campanha

O senador Alan Rick afirmou nesta sexta-feira, 10 de julho, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que não reduzirá suas movimentações políticas pelo Acre após ser alvo de novas ações eleitorais relacionadas à pré-campanha ao governo. Filiado ao Republicanos, ele classificou as representações como tentativas de intimidação, prometeu ampliar as agendas nos municípios e confirmou para 25 de julho, em Rio Branco, a convenção partidária que deverá oficializar sua candidatura e definir o nome do vice.

A reação ocorreu após questionamentos judiciais apresentados contra atos políticos realizados pelo senador, entre eles a agenda em Cruzeiro do Sul que marcou a adesão do prefeito Zequinha Lima ao seu grupo. Alan Rick disse que os processos não mudarão o ritmo da pré-campanha e sustentou que as ações serão derrubadas pela Justiça Eleitoral.

“Eles tentam nos intimidar para que a gente não faça as mobilizações políticas nos municípios. Sabe o que eu vou fazer? Eu vou é aumentar. Aí é que nós vamos fazer mais movimentos ainda”, declarou. O senador afirmou que as representações buscam impedir reuniões, desestimular novas adesões e limitar sua presença nas cidades acreanas.

O parlamentar também acusou o governo estadual de usar a estrutura pública em atos políticos, embora não tenha apresentado, durante a entrevista, documentos ou detalhes que permitissem comprovar a acusação. “O governo usa descaradamente a máquina para fazer campanha antecipada”, disse. As declarações fazem parte do confronto político que ganhou força depois da aproximação entre Alan Rick e Zequinha Lima, prefeito da segunda maior cidade do Acre.

Ao tratar da administração estadual, o senador disse que poderá encontrar um Acre em situação financeira e administrativa grave caso seja eleito. Citou o déficit da Previdência, a falta de atualização dos planos de carreira dos servidores e supostas irregularidades na folha de pagamento. Alan Rick afirmou que denúncias estão sendo encaminhadas aos órgãos de controle, mas não identificou os servidores ou gestores envolvidos nem apresentou provas durante a conversa.

“Nós temos várias denúncias de folha de pagamento fantasma nesse governo, de gente que recebe sem trabalhar e repassa dinheiro para pessoas do governo. Todas essas denúncias estão sendo feitas e estamos entregando nas mãos dos órgãos de controle”, afirmou. Por se tratar de uma acusação ainda sem comprovação pública apresentada na entrevista, caberá às instituições responsáveis apurar os fatos e garantir o direito de defesa aos citados.

A imagem usada pelo senador para descrever o estado que pretende governar foi a da reconstrução. Ele falou sobre produtores isolados por ramais precários, professores à espera de revisão nos planos de carreira e trabalhadores da saúde que acumulam plantões para completar a renda familiar. “O Acre que nós vamos pegar, nós vamos ter que reconstruir”, declarou.

No campo das promessas, Alan Rick disse que pretende manter diálogo com servidores da educação, saúde, segurança pública e sistema penitenciário. Segundo ele, a atualização dos planos de cargos, carreiras e remunerações deverá fazer parte das discussões de um eventual governo. Nenhum prazo, cálculo de impacto financeiro ou fonte de recursos foi apresentado durante a entrevista.

Outro ponto central foi a disputa política pela autoria dos recursos destinados ao viaduto da Avenida Ceará com a Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco. Alan Rick afirmou que, em 2020, quando exercia o mandato de deputado federal, destinou toda a parcela que lhe cabia em uma emenda de bancada para a obra. Ele explicou que as emendas da bancada acreana eram divididas entre os 11 parlamentares, sendo oito deputados federais e três senadores.

Segundo o parlamentar, a indicação inicial foi de R$ 20 milhões, com valor final de aproximadamente R$ 18,7 milhões após os procedimentos administrativos ligados à Caixa Econômica Federal. Alan Rick afirmou que existem despachos da coordenação da bancada, extratos das emendas, registros em vídeo e uma publicação do então governador Gladson Cameli agradecendo pela destinação.

“Foi só o deputado Alan Rick que colocou recurso para o viaduto da Avenida Ceará, porque são repartidas as emendas de bancada em 11 partes, e cada um propõe, apresenta o projeto e coloca o recurso”, disse. Ele reconheceu que as emendas de bancada recebem a assinatura dos parlamentares, mas defendeu que a decisão sobre o destino da parcela partiu de seu gabinete.

Na reta final da entrevista, o senador confirmou que a convenção do Republicanos está planejada para 25 de julho, em Rio Branco. A intenção é antecipar a organização jurídica e financeira da campanha, incluindo a abertura dos registros necessários para as candidaturas. O nome do candidato a vice-governador ainda não foi definido.

“Até lá, nós vamos definir a questão do vice e também das novas adesões que estão vindo. No dia 25 de julho, a gente espera fazer a nossa grande convenção”, afirmou.

Alan Rick encerrou a participação relatando a visita ao juiz aposentado Edinaldo Muniz, ferido no desabamento da ponte de Sena Madureira. Segundo o senador, Muniz já passou por oito cirurgias, ainda deverá enfrentar novos procedimentos e receberá uma placa de titânio no crânio. O parlamentar afirmou que ajudou a família na busca por atendimento hospitalar em São Paulo e manteve contato com Suzete, esposa do magistrado.

Ao comentar o acidente, Alan Rick voltou a responsabilizar politicamente o governo estadual e cobrou investigação sobre a obra. Ele citou um gasto de R$ 45 milhões na ponte e defendeu a punição dos culpados. “Deixa a Justiça investigar, porque os culpados têm que pagar. A gente tem que ter uma resposta para a população”, declarou.

A entrevista reuniu três linhas que deverão acompanhar a campanha de Alan Rick nos próximos meses: o enfrentamento judicial contra ações eleitorais, a tentativa de vincular sua candidatura à ideia de reconstrução administrativa do Acre e a ampliação das alianças municipais. A convenção de 25 de julho será o primeiro teste público dessa estratégia, quando o senador deverá apresentar o vice e transformar a movimentação de pré-campanha em candidatura formal.

Documentos de 2020 enfraquecem discurso de Mailza sobre Alan Rick e viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram indicação somente de Alan Rick para viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram que o recurso federal destinado ao viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco, entrou na emenda de bancada de 2020 por indicação vinculada ao então deputado federal Alan Rick. Conforme o documento afirma, ele foi o único a fazer essa indicação. Os registros enfraquecem o discurso da governadora Mailza Assis, que tratou a obra apenas como resultado de uma construção coletiva da bancada, Sudam, governo federal e governo do Acre.

O ponto central da controvérsia está na diferença entre a tramitação formal e a indicação política do recurso. Formalmente, a verba saiu por meio da Emenda de Bancada nº 71020001. Na prática, os documentos mostram que a parte destinada ao complexo viário aparece atribuída a Alan Rick, dentro da organização interna das indicações parlamentares da bancada federal acreana.

O principal registro é o Ofício nº 020/2020, assinado em 20 de março de 2020 pelo senador Sérgio Petecão, então coordenador da bancada federal do Acre. O documento foi encaminhado ao então governador Gladson Cameli para comunicar a abertura de programa no Siconv referente à construção do viaduto na Avenida Ceará com a Isaura Parente, em Rio Branco.

No quadro anexado ao ofício, a emenda aparece dividida em dois programas vinculados à Seinfra, nos valores de R$ 17.741.160,00 e R$ 1.032.568,00. Juntos, os dois valores somam R$ 18.773.728,00. Logo abaixo, Petecão registrou que a emenda havia sido “proposta e defendida pelo Deputado Federal Alan Rick”.

A planilha de acompanhamento das emendas de bancada de 2020 reforça a mesma informação. Na linha da Emenda 71020001, Alan Rick aparece como parlamentar vinculado ao recurso. O documento aponta a Sudam como unidade orçamentária e descreve o objeto como implantação de Complexo Viário no município de Rio Branco.

A própria comunicação política do governo Gladson Cameli também reconheceu, à época, a participação de Alan Rick. Em postagem antiga, o então governador apresentou a maquete da intervenção na Avenida Ceará, falou em investimento de R$ 20 milhões e agradeceu ao parlamentar pela emenda destinada ao projeto.

A fala de Mailza ganhou repercussão depois da liberação do tráfego no viaduto. Ao comentar a origem dos recursos, a governadora afirmou que a obra não poderia ser atribuída exclusivamente a Alan Rick e citou a emenda de bancada, a Sudam, o governo federal e a participação do Estado.

Os documentos, porém, mostram que a explicação fica incompleta quando ignora a indicação parlamentar que deu origem à destinação. A obra foi executada pelo governo do Acre e tramitou como emenda de bancada, mas os registros de 2020 ligam a escolha do viaduto ao então deputado federal Alan Rick.

Na prática, a documentação não retira o papel do Estado na execução nem o caráter formal da emenda coletiva. Mas enfraquece a tentativa de diluir a participação de Alan Rick na origem do recurso federal. O que os registros mostram é que a indicação política para o viaduto da Avenida Ceará saiu da cota articulada pelo então deputado, antes de a obra deixar o papel e passar a integrar o trânsito da capital.