Cruzeiro do Sul reduz casos de dengue e malária com reforço nas ações de saúde

Cruzeiro do Sul registrou queda nos casos de dengue e malária em 2026, no Acre, após reforçar ações de prevenção, monitoramento e assistência à população. Entre a 1ª e a 27ª semana epidemiológica deste ano, os casos prováveis de dengue caíram de 2.367, no mesmo período de 2025, para 179. No caso da malária, os registros passaram de 1.536 para 797 entre 1º de janeiro e 6 de julho, redução de 48%.

A queda nos casos de dengue ocorre em meio ao trabalho de agentes de endemias em visitas domiciliares, eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e orientação aos moradores. A atuação é voltada principalmente para pontos com acúmulo de água, que favorecem a reprodução do mosquito transmissor da doença.

Mesmo com a redução, as equipes de saúde devem intensificar o trabalho durante o período de estiagem. O coordenador da Divisão de Controle de Vetores, Leonísio Messias, afirmou que a atenção será ampliada para reservatórios mantidos nos quintais. “Com menos chuvas, os depósitos nos quintais estão secos, mas nós temos um risco em potencial que são as caixas d’água no nível do solo, que concentram o maior número de larvas”, disse.

A Secretaria Municipal de Saúde orienta que moradores com febre, dores no corpo, dor de cabeça e manchas na pele procurem a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico precoce ajuda no tratamento e reduz o risco de agravamento da doença.

Na malária, a redução de 48% também está ligada à ampliação das ações de vigilância e atendimento. Com o verão amazônico, o acesso aos ramais melhora e permite que as equipes cheguem a comunidades rurais onde a incidência da doença costuma ser maior.

Leonísio Messias afirmou que a melhora das condições de acesso deve ampliar a presença dos agentes nas áreas mais afastadas. “A vigilância vai ser intensificada para que os agentes cheguem até as residências nesses locais, tratando de forma oportuna e garantindo um diagnóstico de qualidade para reduzir ainda mais os casos de malária”, declarou.

Operação Ashaninka reforça segurança após invasão armada no rio Amônia

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre deflagrou a Operação Ashaninka após a denúncia de invasão armada e ameaças contra lideranças indígenas na Aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Ashaninka, às margens do rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, na fronteira do Brasil com o Peru. A ação foi iniciada depois que a liderança Francisco Piyãko relatou a entrada de um grupo armado no território nos dias 5 e 6 de julho.

Os invasores procuravam lideranças da comunidade e fizeram ameaças a moradores. A tensão cresceu após a decisão dos Ashaninka de restringir a passagem de não indígenas pelo território, medida adotada para enfrentar o tráfico de drogas, o desmatamento ilegal e o garimpo ilegal na região de fronteira.

Equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira foram deslocadas para a área com apoio aéreo do Centro Integrado de Operações Aéreas. A primeira equipe chegou à região no dia 7 de julho, e uma segunda foi enviada no dia 9. Desde então, os agentes fazem patrulhamento rural e fluvial com apoio dos indígenas, além de reuniões com lideranças e articulação com órgãos federais e o Ministério Público Federal.

Francisco Piyãko afirmou que a presença das forças de segurança trouxe mais tranquilidade à comunidade em meio ao clima de tensão. “A gente está num momento de muita tensão por conta da invasão ao nosso território. Vocês chegaram de imediato e isso passa para a gente segurança”, disse. Ele também reforçou que as lideranças decidiram permanecer na aldeia. “Nós tomamos a decisão de que as lideranças não vão sair do seu território, fugir por medo desses criminosos”, afirmou.

A permanência do Gefron na área não tem prazo para terminar. O efetivo deve continuar no rio Amônia para garantir a segurança dos moradores e ampliar o monitoramento da faixa de fronteira. O Exército Brasileiro também deve reforçar o patrulhamento entre Marechal Thaumaturgo e a fronteira peruana.

A principal linha de investigação trata as ameaças como possível reação de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas na fronteira Brasil-Peru. O caso deve ser encaminhado às autoridades federais para a continuidade das apurações.

A região do rio Amônia integra uma área de pressão transfronteiriça marcada por circulação irregular, ramais clandestinos, avanço de atividades ilegais e disputas sobre o controle territorial. Lideranças indígenas do Alto Juruá já vinham alertando para o risco de estradas ilegais, pistas clandestinas, narcotráfico, retirada de madeira e garimpo na faixa que conecta o Acre ao departamento de Ucayali, no Peru.

A Terra Indígena Ashaninka, onde fica a Aldeia Apiwtxa, tem histórico de mobilização contra invasões e exploração ilegal de recursos naturais. A nova operação ocorre em um momento de maior cobrança por presença permanente do Estado em áreas isoladas da Amazônia acreana, onde comunidades indígenas atuam na proteção do território e da floresta.

Rio Branco amplia acesso a implante contraceptivo pelo SUS

A Prefeitura de Rio Branco realizou nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, uma ação na Unidade de Referência da Atenção Primária Maria Barroso para ampliar o acesso ao implante contraceptivo subdérmico e reforçar o planejamento reprodutivo na rede municipal de saúde. O atendimento contemplou mulheres de 20 a 49 anos previamente cadastradas e convocadas pelo sistema de regulação, com prioridade para usuárias em situação de maior vulnerabilidade.

Durante a programação, foram disponibilizadas 150 inserções do Implanon®, método contraceptivo reversível de longa duração, aplicado sob a pele do braço. Desde novembro de 2025, quando passou a ser ofertado pelo SUS em Rio Branco, 1.804 mulheres já receberam o dispositivo. Cerca de 5 mil usuárias ainda aguardam atendimento na fila de regulação.

A primeira-dama Roberta Lins acompanhou os atendimentos e tratou a ação como parte da política de prevenção à gravidez não planejada e de ampliação do cuidado às mulheres. “É um programa importante para o planejamento dessas mulheres. Mais de 1.800 já foram atendidas e, nesta ação, aproximadamente 150 estão recebendo o procedimento. Esse atendimento também está sendo levado à zona rural, contribuindo para a prevenção da gravidez na adolescência e de uma gestação não planejada, além de proporcionar mais saúde às mulheres”, disse.

Além da Urap Maria Barroso, o procedimento também é realizado nas unidades Vila Ivonete, Augusto Hidalgo de Lima e Cidade do Povo. A oferta ocorre de forma gradual, de acordo com a disponibilidade dos implantes enviados pelo Ministério da Saúde.

A ação incluiu orientações sobre planejamento reprodutivo, prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis, vacinação, uso de preservativos e acesso ao Programa Dignidade Menstrual. As usuárias também receberam informações sobre outros métodos contraceptivos disponíveis na rede pública.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, disse que o atendimento faz parte de uma política de acompanhamento pela Atenção Primária. “Não se trata apenas da inserção de um dispositivo. É um programa de planejamento reprodutivo que possui várias etapas e apresenta diferentes alternativas às usuárias. Na unidade de saúde, a mulher é atendida por um médico ou enfermeiro, conhece os métodos disponíveis e, juntamente com o profissional, avalia qual opção melhor se adequa à sua realidade”, explicou.

Para ter acesso ao implante, a mulher deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima de casa. Na consulta, médico ou enfermeiro apresenta as opções contraceptivas oferecidas pelo SUS, com orientações sobre indicações, vantagens, possíveis efeitos e contraindicações. Depois da avaliação e da escolha pelo método, a paciente é inserida no sistema de regulação e aguarda a convocação.

A gerente do Departamento do Ciclo de Vida da Secretaria Municipal de Saúde, Manoela Moura, explicou que a inserção dura, em média, de 20 a 30 minutos. O implante tem eficácia superior a 99% e protege contra a gravidez por até três anos. Como é reversível, pode ser retirado por profissional habilitado antes do fim do período de duração, caso a mulher decida interromper o uso.

A técnica de enfermagem Rayssa França, de 41 anos, foi uma das mulheres atendidas na ação. Mãe de dois filhos, ela disse que escolheu o método pela duração e pela segurança. “É um método que me deixa mais confortável e segura, principalmente por ter duração de três anos. É também uma oportunidade muito boa que a Prefeitura está oferecendo, porque é um procedimento caro na rede particular”, relatou.

Mulher em estado grave é transferida de helicóptero de Manoel Urbano para Rio Branco

Uma mulher em estado grave foi transferida de helicóptero de Manoel Urbano para Rio Branco nesta sexta-feira, 10, para receber atendimento médico especializado na capital acreana. A remoção aeromédica foi acionada diante da gravidade do quadro clínico e da necessidade de reduzir o tempo de deslocamento até uma unidade com maior estrutura hospitalar.

A operação mobilizou equipes de atendimento de urgência e transporte aéreo, recurso usado em situações em que o deslocamento por terra pode comprometer a evolução do paciente. Manoel Urbano fica no interior do Acre e depende da transferência de casos mais graves para Rio Branco, onde estão concentrados os serviços de alta complexidade.

O uso de helicóptero em remoções médicas tem sido adotado no Acre para atender pacientes em municípios distantes, áreas de difícil acesso e ocorrências em que a rapidez no transporte pode interferir diretamente no atendimento. Após a chegada à capital, a paciente foi encaminhada para avaliação e continuidade do tratamento.

Depasa deixa buracos abertos após reparos em ruas de Cruzeiro do Sul

Moradores e motoristas enfrentam transtornos em ruas de Cruzeiro do Sul após serviços do Departamento Estadual de Água e Saneamento para conserto de vazamentos na rede de abastecimento. As intervenções foram feitas em diferentes pontos da cidade, mas o pavimento não foi recuperado, deixando buracos abertos em áreas de tráfego intenso.

Dois casos recentes foram registrados na Rua Siqueira Campos, nas proximidades do Mercado do Agricultor, no Centro, e na Rua 17 de Novembro, em frente à escadaria da Escola São José. Nos dois trechos, a tubulação recebeu reparos, mas o asfalto não foi recomposto após o fechamento das valas.

A situação tem dificultado a passagem de veículos, motocicletas, ciclistas e pedestres. Em alguns pontos, os buracos acumulam água e lama, o que aumenta o risco de acidentes e causa desgaste em carros e motos que passam diariamente pelas vias.

O secretário municipal de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Carlos Alves, afirmou que a recomposição do pavimento cabe ao Depasa. “Eles estão corrigindo as encanações que estão com vazamento e fechando, mas não estão colocando o asfalto. Eles teriam que colocar o barro, compactar e corrigir colocando o asfalto como era antes”, disse.

Carlos Alves afirmou ainda que a prefeitura já manteve uma parceria para esse tipo de serviço, mas que o acordo não está mais em vigor. “Antes a gente tinha essa parceria, agora nós não temos mais. Então o Depasa tem que se responsabilizar, para deixar o serviço do jeito que estava antes. Está ficando cheio de buracos na cidade”, afirmou.

Além dos pontos próximos ao Mercado do Agricultor e à Escola São José, o secretário citou ocorrências ao lado do Terminal de Ônibus. A falta de recuperação do asfalto tem gerado reclamações de moradores, que cobram a conclusão dos serviços e a recuperação das ruas afetadas.

No Jornal da Manhã, Alan Rick reage a ações judiciais, promete ampliar pré-campanha

O senador Alan Rick afirmou nesta sexta-feira, 10 de julho, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que não reduzirá suas movimentações políticas pelo Acre após ser alvo de novas ações eleitorais relacionadas à pré-campanha ao governo. Filiado ao Republicanos, ele classificou as representações como tentativas de intimidação, prometeu ampliar as agendas nos municípios e confirmou para 25 de julho, em Rio Branco, a convenção partidária que deverá oficializar sua candidatura e definir o nome do vice.

A reação ocorreu após questionamentos judiciais apresentados contra atos políticos realizados pelo senador, entre eles a agenda em Cruzeiro do Sul que marcou a adesão do prefeito Zequinha Lima ao seu grupo. Alan Rick disse que os processos não mudarão o ritmo da pré-campanha e sustentou que as ações serão derrubadas pela Justiça Eleitoral.

“Eles tentam nos intimidar para que a gente não faça as mobilizações políticas nos municípios. Sabe o que eu vou fazer? Eu vou é aumentar. Aí é que nós vamos fazer mais movimentos ainda”, declarou. O senador afirmou que as representações buscam impedir reuniões, desestimular novas adesões e limitar sua presença nas cidades acreanas.

O parlamentar também acusou o governo estadual de usar a estrutura pública em atos políticos, embora não tenha apresentado, durante a entrevista, documentos ou detalhes que permitissem comprovar a acusação. “O governo usa descaradamente a máquina para fazer campanha antecipada”, disse. As declarações fazem parte do confronto político que ganhou força depois da aproximação entre Alan Rick e Zequinha Lima, prefeito da segunda maior cidade do Acre.

Ao tratar da administração estadual, o senador disse que poderá encontrar um Acre em situação financeira e administrativa grave caso seja eleito. Citou o déficit da Previdência, a falta de atualização dos planos de carreira dos servidores e supostas irregularidades na folha de pagamento. Alan Rick afirmou que denúncias estão sendo encaminhadas aos órgãos de controle, mas não identificou os servidores ou gestores envolvidos nem apresentou provas durante a conversa.

“Nós temos várias denúncias de folha de pagamento fantasma nesse governo, de gente que recebe sem trabalhar e repassa dinheiro para pessoas do governo. Todas essas denúncias estão sendo feitas e estamos entregando nas mãos dos órgãos de controle”, afirmou. Por se tratar de uma acusação ainda sem comprovação pública apresentada na entrevista, caberá às instituições responsáveis apurar os fatos e garantir o direito de defesa aos citados.

A imagem usada pelo senador para descrever o estado que pretende governar foi a da reconstrução. Ele falou sobre produtores isolados por ramais precários, professores à espera de revisão nos planos de carreira e trabalhadores da saúde que acumulam plantões para completar a renda familiar. “O Acre que nós vamos pegar, nós vamos ter que reconstruir”, declarou.

No campo das promessas, Alan Rick disse que pretende manter diálogo com servidores da educação, saúde, segurança pública e sistema penitenciário. Segundo ele, a atualização dos planos de cargos, carreiras e remunerações deverá fazer parte das discussões de um eventual governo. Nenhum prazo, cálculo de impacto financeiro ou fonte de recursos foi apresentado durante a entrevista.

Outro ponto central foi a disputa política pela autoria dos recursos destinados ao viaduto da Avenida Ceará com a Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco. Alan Rick afirmou que, em 2020, quando exercia o mandato de deputado federal, destinou toda a parcela que lhe cabia em uma emenda de bancada para a obra. Ele explicou que as emendas da bancada acreana eram divididas entre os 11 parlamentares, sendo oito deputados federais e três senadores.

Segundo o parlamentar, a indicação inicial foi de R$ 20 milhões, com valor final de aproximadamente R$ 18,7 milhões após os procedimentos administrativos ligados à Caixa Econômica Federal. Alan Rick afirmou que existem despachos da coordenação da bancada, extratos das emendas, registros em vídeo e uma publicação do então governador Gladson Cameli agradecendo pela destinação.

“Foi só o deputado Alan Rick que colocou recurso para o viaduto da Avenida Ceará, porque são repartidas as emendas de bancada em 11 partes, e cada um propõe, apresenta o projeto e coloca o recurso”, disse. Ele reconheceu que as emendas de bancada recebem a assinatura dos parlamentares, mas defendeu que a decisão sobre o destino da parcela partiu de seu gabinete.

Na reta final da entrevista, o senador confirmou que a convenção do Republicanos está planejada para 25 de julho, em Rio Branco. A intenção é antecipar a organização jurídica e financeira da campanha, incluindo a abertura dos registros necessários para as candidaturas. O nome do candidato a vice-governador ainda não foi definido.

“Até lá, nós vamos definir a questão do vice e também das novas adesões que estão vindo. No dia 25 de julho, a gente espera fazer a nossa grande convenção”, afirmou.

Alan Rick encerrou a participação relatando a visita ao juiz aposentado Edinaldo Muniz, ferido no desabamento da ponte de Sena Madureira. Segundo o senador, Muniz já passou por oito cirurgias, ainda deverá enfrentar novos procedimentos e receberá uma placa de titânio no crânio. O parlamentar afirmou que ajudou a família na busca por atendimento hospitalar em São Paulo e manteve contato com Suzete, esposa do magistrado.

Ao comentar o acidente, Alan Rick voltou a responsabilizar politicamente o governo estadual e cobrou investigação sobre a obra. Ele citou um gasto de R$ 45 milhões na ponte e defendeu a punição dos culpados. “Deixa a Justiça investigar, porque os culpados têm que pagar. A gente tem que ter uma resposta para a população”, declarou.

A entrevista reuniu três linhas que deverão acompanhar a campanha de Alan Rick nos próximos meses: o enfrentamento judicial contra ações eleitorais, a tentativa de vincular sua candidatura à ideia de reconstrução administrativa do Acre e a ampliação das alianças municipais. A convenção de 25 de julho será o primeiro teste público dessa estratégia, quando o senador deverá apresentar o vice e transformar a movimentação de pré-campanha em candidatura formal.

Pedro Pascoal diz que pagamento à GoiásMed foi parcial e confirma pendências apontadas pelo Grupo Integração

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ex-secretário afirmou que governo não quitou todas as obrigações com empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas

O ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, que o pagamento realizado pelo governo do Acre à empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia foi apenas parcial e que ainda existem obrigações pendentes.

A declaração confirma informação publicada pelo Grupo Integração na quinta-feira, 9, após análise dos dados atualizados de empenhos e pagamentos do Fundo Estadual de Saúde. O levantamento mostrou que o governo quitou R$ 1.630.134,00 referentes aos serviços médicos prestados em março, mas ainda havia valores e procedimentos administrativos pendentes.

“O pagamento foi parcial. Não foi pago tudo aquilo que a empresa estava cobrando”, afirmou Pedro Pascoal durante a entrevista.

A crise envolve a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada por meio do Contrato Sesacre nº 140/2026 para prestar serviços médicos em Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde.

A empresa havia comunicado oficialmente à Secretaria de Estado de Saúde que poderia paralisar parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não fossem regularizados. No ofício, a GoiásMed cobrou o saldo remanescente da competência de fevereiro, a quitação integral dos serviços prestados em março e a emissão do empenho referente a abril.

Após a ameaça de paralisação, a Sesacre informou que o pagamento havia sido processado e encaminhado à instituição bancária. Os dados consultados pelo Grupo Integração confirmaram que o empenho de R$ 1.630.134,00, referente aos serviços médicos de março, passou a aparecer como pago.

No entanto, o levantamento também mostrou que a regularização não alcançou todas as pendências citadas pela empresa.

“Quando se fala que foi pago, parece que foi resolvido tudo. Não foi. Houve um pagamento, mas ainda ficaram pendências”, declarou Pascoal.

Nos dados mais recentes, permanece sem pagamento um empenho de R$ 373.129,87 destinado ao fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, conhecidos como OPME. Esses materiais são utilizados nas cirurgias e demais procedimentos ortopédicos e traumatológicos.

O empenho aparece registrado, mas ainda sem liquidação e sem pagamento. Além disso, o ofício da GoiásMed também menciona um saldo remanescente referente a fevereiro e a necessidade de emissão do empenho pelos serviços prestados em abril.

Pascoal reforçou que o problema não estaria relacionado à falta de dinheiro disponível no Fundo Estadual de Saúde.

“Dinheiro no Fundo Estadual de Saúde é o que não falta. Tem gente que vai perder a cirurgia pelo SUS, e o motivo não é falta de dinheiro”, afirmou.

Segundo o ex-secretário, os dados financeiros do Fundo Estadual de Saúde poderiam ser consultados publicamente e demonstrariam a existência de recursos para manter os contratos e serviços em funcionamento.

“Em 2023, a Saúde recebeu um repasse de R$ 240 milhões e, em 2025, deixei a gestão com um saldo de R$ 509 milhões. Esse é um dado que pode ser consultado”, disse.

Ao afirmar que o pagamento foi apenas parcial, Pascoal desloca novamente o debate para a administração dos processos internos da Sesacre. Se havia dinheiro disponível, o governo precisa explicar por que os débitos chegaram ao ponto de uma empresa ameaçar suspender cirurgias eletivas.

A GoiásMed havia informado que, caso as pendências não fossem regularizadas, suspenderia parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas a partir das 18h do dia 8 de julho. Os procedimentos de urgência e emergência seriam mantidos no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco e no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul.

O contrato com a GoiásMed é originado do Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e possui valor total classificado de R$ 29.294.170,00. O objeto inclui serviços médicos de Ortopedia e Traumatologia, adulto e pediátrico, além de equipamentos, instrumentais e OPME para a rede estadual.

Até a última atualização dos dados analisados pelo Grupo Integração, o governo havia pago R$ 2.679.318,00 à empresa. O total inclui R$ 1.049.184,00 referentes à competência de fevereiro e R$ 1.630.134,00 pelos serviços de março.

Ainda assim, a cobrança formal da GoiásMed indica que o pagamento registrado não encerrou o impasse. A empresa continuava apontando saldo de fevereiro, materiais ortopédicos sem pagamento e serviços de abril ainda sem empenho.

A fala de Pedro Pascoal no Jornal da Manhã reforça, portanto, o que os números já haviam mostrado: o pagamento de março avançou depois da ameaça de paralisação, mas a relação financeira entre o governo e a empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas permanecia sem regularização completa.