Falta de merenda encurta aulas em escolas de Rio Branco e Cruzeiro do Sul

Problemas no fornecimento de alimentação escolar afetaram, nesta segunda-feira (21), estudantes de duas escolas da rede estadual em municípios diferentes do Acre, segundo informações que circulam nas redes sociais. Na Escola Maria de Nazaré Santiago, localizada na Vila São Pedro, zona rural de Cruzeiro do Sul, alunos divulgaram um vídeo relatando falta de comida suficiente para permanecerem na unidade durante todo o dia. Em Rio Branco, o Colégio Estadual Armando Nogueira (CEAN), segundo uma arte que circula no WhatsApp, comunicou a liberação dos estudantes às 11h45 por falta de proteína na alimentação.

Em Cruzeiro do Sul, os próprios alunos decidiram tornar público o problema. Na gravação, eles afirmam que a Escola Maria de Nazaré Santiago funciona em tempo integral e que estudantes vêm sendo liberados antes do horário porque a alimentação disponível não seria suficiente para garantir a permanência durante toda a jornada escolar.

Os estudantes relatam ainda que, além da quantidade, há problemas com a variedade da merenda. Segundo eles, em alguns dias os alimentos recebidos se resumem a ovos e bolachas e nem sempre chegam em quantidade suficiente para atender a escola durante um dia inteiro.

“Como pode uma escola integral funcionar sem alimentação suficiente para todos os dias?”, questionam os alunos no vídeo. Em outro trecho, reforçam a cobrança: “Não queremos luxo, queremos uma alimentação variada e digna para todos os dias”.

A reclamação ganha peso por envolver uma escola em uma comunidade rural, onde a permanência do estudante durante todo o horário previsto depende também das condições oferecidas pela unidade. Para os alunos que gravaram o vídeo, a falta de alimentação interfere diretamente no funcionamento da jornada integral.

“Nossa escola é integral, nossa merenda também precisa ser o suficiente. Merenda suficiente é direito. Escola integral precisa de alimentação de qualidade. Queremos ser ouvidos”, afirmam os estudantes.

Na capital, o problema apareceu por meio de um comunicado do próprio Colégio Estadual Armando Nogueira. A escola informou que os alunos seriam liberados às 11h45 nesta segunda-feira “devido à falta de proteína no alimento”. O aviso pediu a compreensão das famílias, mas não explicou o motivo da falta do produto nem informou quando o abastecimento seria normalizado. O CEAN é uma escola de ensino médio em tempo integral da rede estadual.

R$ 19,5 milhões! Investigação sobre contratos do Governo do Acre vira destaque nacional na VEJA

O Acre voltou ao noticiário nacional por suspeitas de irregularidades envolvendo dinheiro público. O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar possíveis fraudes na compra e no fornecimento de alimentos destinados à merenda escolar da rede estadual. A investigação tem como ponto central cerca de R$ 19,5 milhões em produtos cuja entrega não havia sido efetivamente comprovada em auditoria realizada pela Controladoria-Geral do Estado.

O procedimento busca identificar pessoas e empresas envolvidas, verificar a existência de prejuízo aos cofres públicos e recuperar eventuais valores pagos de forma irregular. O caso teve origem no Ministério Público do Acre, mas foi encaminhado para a esfera federal devido à presença de recursos sob competência da União.

A apuração remonta a 2019. A auditoria examinou notas fiscais, recibos e guias de distribuição referentes à merenda escolar e encontrou R$ 19.595.282,01 sem comprovação efetiva de entrega até 27 de novembro daquele ano. Desse total, R$ 4.407.082,83 já haviam sido pagos. O restante aparecia no sistema financeiro estadual como empenhado ou liquidado, aguardando liberação.

Os problemas encontrados não se limitavam à documentação. A fiscalização registrou diferenças entre as quantidades informadas nas guias e aquilo que efetivamente chegava às escolas, inclusive com ausência total de determinados produtos. Também foram relatadas entregas de alimentos com qualidade inferior à prevista nos contratos.

O episódio deu origem à Operação Mitocôndria, deflagrada em 2020 para investigar suspeitas de fraude em licitações e desvios relacionados à alimentação dos estudantes. Seis anos depois, o caso continua produzindo desdobramentos e agora passa por nova apuração na esfera federal.

A retomada da investigação leva novamente o Acre às páginas do noticiário nacional em um tema que atinge diretamente um serviço básico oferecido a crianças e adolescentes. O dinheiro sob suspeita estava vinculado à alimentação escolar, destinada a estudantes que dependem da rede pública de ensino.

O caso também surge em um ano marcado por outras investigações de grande repercussão envolvendo recursos públicos no estado. Em julho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Talha Real para investigar contratos superiores a R$ 51 milhões envolvendo recursos federais da educação. Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, houve bloqueio de bens e valores e seis empresas tiveram as atividades temporariamente suspensas.

Dois meses antes, em maio, o Superior Tribunal de Justiça condenou o ex-governador Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa em outro processo envolvendo contratos públicos. No dia seguinte, o STJ recebeu ainda outra denúncia contra o ex-governador relacionada a supostas fraudes e desvios em uma obra rodoviária.

O novo inquérito sobre a merenda escolar acrescenta mais um capítulo a uma sequência de casos que projetam o Acre nacionalmente por suspeitas e processos relacionados ao uso de recursos públicos. Caberá agora ao MPF aprofundar as apurações, individualizar responsabilidades e definir se existem elementos para buscar judicialmente a devolução de dinheiro aos cofres públicos.

Edvaldo cobra explicações sobre merenda após alunos relatarem semanas de ovo e sardinha em Cruzeiro do Sul

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou nesta terça-feira (25), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), explicações sobre a alimentação oferecida aos estudantes da Escola de Ensino Médio Integral Craveiro Costa, no bairro Remanso, em Cruzeiro do Sul. A manifestação ocorreu após alunos gravarem um vídeo reclamando da repetição do cardápio e afirmando que alimentos como ovo e sardinha vêm sendo servidos com frequência na unidade.

Durante o pequeno expediente, Edvaldo exibiu o vídeo aos demais parlamentares e afirmou que a situação precisa ser esclarecida pela Secretaria de Estado de Educação. Por funcionar em tempo integral, a escola mantém os estudantes durante grande parte do dia, o que aumenta a necessidade de refeições adequadas ao período de permanência na unidade.

Os estudantes relataram a recorrência de pão, ovo e sardinha e reclamaram da pouca variedade da alimentação. Ao comentar as queixas, o deputado resumiu a situação descrita pelos alunos: “Um dia é ovo e sardinha, no outro, é sardinha com ovo”.

Edvaldo também comparou as reclamações com os produtos previstos nas atas de registro de preços destinadas à alimentação escolar. Segundo o parlamentar, os documentos incluem diferentes tipos de proteína animal em quantidade que, na avaliação dele, não corresponde ao cardápio relatado pelos estudantes.

O deputado afirmou que vai apresentar um requerimento para solicitar informações formais à Secretaria de Educação sobre o fornecimento da merenda nas escolas de tempo integral. Entre os pontos que pretende esclarecer estão a regularidade dos pagamentos aos fornecedores, a entrega dos alimentos contratados e os motivos para a repetição do cardápio.

Durante o discurso, Edvaldo levantou questionamentos sobre eventuais problemas na execução dos contratos, mas não apresentou provas de irregularidades ou desvio de recursos. Ele defendeu que a pasta detalhe como ocorre o abastecimento das unidades e afirmou que as reclamações não deveriam ser tratadas como uma situação normal.

O parlamentar também declarou que o problema pode atingir outras escolas de tempo integral e pediu uma avaliação mais ampla da alimentação oferecida na rede estadual. Para ele, a exposição pública feita pelos próprios estudantes exige uma resposta sobre a qualidade e a variedade das refeições servidas.

Salatiel Magalhães destaca merenda escolar em escola de Rodrigues Alves

O prefeito Salatiel Magalhães visitou a Escola Padre Trindade, unidade de tempo integral da rede municipal de Rodrigues Alves, e acompanhou o horário do almoço dos estudantes para verificar de perto a rotina da escola e a alimentação servida aos alunos.

Durante a agenda, o prefeito sentou-se à mesa com as crianças, compartilhou a refeição e observou a merenda oferecida diariamente na unidade. A visita também incluiu conversa com a equipe gestora e com a comunidade escolar, em um momento voltado ao acompanhamento das ações da rede municipal de ensino.

Ao comentar a visita, Salatiel Magalhães agradeceu o trabalho desenvolvido na escola e ressaltou a importância da alimentação no ambiente educacional. “Quero agradecer à equipe gestora da Escola Padre Trindade pelo empenho, pela organização e pelo carinho com nossos alunos. E aos estudantes, meu agradecimento especial pelo acolhimento. É gratificante ver uma merenda de qualidade sendo servida com dedicação, contribuindo diretamente para o desenvolvimento e o aprendizado das nossas crianças e adolescentes”, afirmou.

A merenda escolar integra uma das frentes de investimento da gestão municipal na educação, com foco na oferta de alimentação adequada, no suporte às equipes das escolas e no atendimento aos estudantes da rede pública. A visita à Escola Padre Trindade reforçou esse acompanhamento e o cuidado com o dia a dia das unidades de ensino do município.