Isaac Piyãko defende participação das comunidades no orçamento e apoio à comunicação indígena

Foi diante das perguntas do comunicador indígena Samuel Arara, do Coletivo Tetepawacomunica, que o candidato a deputado estadual Isaac Piyãko (PT) apresentou, no dia 18 de setembro, as prioridades que pretende levar à Assembleia Legislativa do Acre caso seja eleito. A participação das comunidades na definição do orçamento público, a proteção dos territórios, os problemas de saúde e educação e a necessidade de manter estruturas próprias de comunicação indígena atravessaram a entrevista.

A conversa faz parte de uma série de sabatinas organizada pelo Tetepawacomunica com candidatos indígenas nas eleições deste ano. Samuel Arara conduziu a entrevista a partir de questões que fazem parte da rotina das aldeias e de quem trabalha diretamente com os povos originários: como fazer com que as decisões tomadas em Rio Branco alcancem territórios distantes, de que maneira as comunidades podem participar da construção das políticas públicas e de onde virão os recursos para manter projetos criados pelos próprios indígenas.

Piyãko respondeu a essas questões recorrendo à própria trajetória. Antes da disputa por uma cadeira na Aleac, passou pela sala de aula dentro da comunidade, pela organização de professores indígenas, pela saúde e pela gestão pública. É desse período que ele parte para defender uma atuação política com presença maior nos territórios.

“Minha experiência toda foi na aldeia mesmo, na escola, trabalhando com a juventude, fortalecendo a nossa juventude dentro do nosso território”, afirmou.

Ao falar sobre como pretende exercer um eventual mandato, Piyãko colocou a escuta das comunidades como ponto de partida para decidir onde concentrar a atuação parlamentar. A ideia apresentada durante a entrevista é reunir demandas diretamente nas aldeias, reservas extrativistas, assentamentos e bairros antes da discussão sobre orçamento, fiscalização das políticas públicas ou apresentação de projetos de lei.

“Eu vou procurar ouvir essas comunidades, essas lideranças”, disse.

A proposta tenta enfrentar uma distância conhecida por quem vive longe dos centros de decisão do Acre: a diferença entre o que entra no orçamento público e o que chega, de fato, à ponta. Nas viagens que tem feito pelo estado, Piyãko citou problemas de educação, saúde e saneamento e afirmou que pretende construir um mandato que não fique limitado exclusivamente às pautas indígenas.

“Os indígenas hoje vão ter uma pessoa para contar, caso eu seja eleito. O pessoal da reserva extrativista, dos assentamentos e dos bairros da cidade vão ter a mesma coisa, porque eu vou fazer um esforço para atender a todos”, declarou.

A proteção dos territórios entrou na conversa quando Samuel Arara perguntou como o candidato pretende agir diante de decisões legislativas capazes de atingir direitos indígenas. Piyãko associou a defesa territorial ao direito das comunidades de conhecer e discutir medidas que possam interferir em suas terras, culturas, línguas e formas de organização.

“A população tem que estar informada para decidir qualquer situação sobre os direitos, sobre os territórios, sobre aquela cultura, sobre aquela língua, aqueles costumes. A liderança tem que saber, elas têm que ser consultadas”, afirmou.

Para Piyãko, essa relação também exige que deputados conheçam uma realidade que muitas vezes permanece distante do cotidiano do Legislativo. Ele afirmou que pretende levar informações das comunidades aos demais parlamentares e aproximar representantes políticos das populações diretamente atingidas pelas decisões tomadas na Assembleia.

Foi nesse ponto que a comunicação deixou de ser apenas o meio usado para realizar a entrevista e passou a ocupar o centro da sabatina. Samuel Arara levou ao candidato uma dificuldade enfrentada por coletivos e comunicadores indígenas que produzem informação dentro dos próprios territórios: manter equipamentos, realizar coberturas, organizar entrevistas e formar novos comunicadores sem uma estrutura permanente de financiamento.

A questão alcança uma disputa maior do que a manutenção de câmeras, celulares, computadores ou acesso à internet. Para coletivos como o Tetepawacomunica, produzir conteúdo significa registrar acontecimentos a partir de quem vive nas comunidades, acompanhar decisões que atingem os territórios e permitir que jovens indígenas contem suas próprias histórias sem depender exclusivamente da presença de veículos de fora.

Piyãko afirmou que esse trabalho precisa receber apoio e vinculou o fortalecimento da comunicação à formação da juventude indígena.

“Quem vai fazer comunicação tem que estudar a cultura, a movimentação e procurar informar a sociedade com fatos reais, com fatos concretos”, declarou.

Ele também defendeu que um eventual mandato abra espaço para encontros entre lideranças e representantes de diferentes povos. A intenção apresentada durante a entrevista é construir pautas comuns sem apagar as particularidades de cada comunidade e de cada território.

Ao responder diretamente sobre o futuro do Tetepawacomunica, Piyãko disse que iniciativas de comunicação indígena não deveriam depender apenas do período eleitoral para continuar funcionando.

“Não tem por que recuar e não tem por que também a gente deixar de apoiar”, afirmou.

A fala toca em uma das questões colocadas por Samuel Arara ao longo da conversa: a comunicação indígena costuma ganhar visibilidade quando os povos originários entram no centro de disputas políticas, conflitos territoriais ou processos eleitorais, mas os comunicadores permanecem trabalhando quando as atenções se deslocam para outros assuntos. É nesse intervalo que a falta de estrutura pesa sobre quem continua registrando o cotidiano das comunidades.

No fim da entrevista, a discussão voltou à eleição. Piyãko criticou a troca do voto por vantagens imediatas e pediu que os eleitores considerem a trajetória e as propostas dos candidatos antes de escolher seus representantes.

“A gente não pode decidir o nosso voto pela troca de algum objeto, pela troca de alguma coisa, porque o nosso voto é sagrado”, disse.

A entrevista conduzida por Samuel Arara coloca o Tetepawacomunica em uma posição que vai além da transmissão das falas de candidatos indígenas. Ao levar para a sabatina perguntas sobre território, orçamento, políticas públicas, juventude e financiamento da própria comunicação, o coletivo transforma questões vividas dentro das comunidades em perguntas dirigidas diretamente a quem pretende ocupar uma cadeira no Legislativo acreano.

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Rio Branco realiza seminário para reforçar combate aos maus-tratos de animais

A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta segunda-feira (21) o Seminário Interinstitucional sobre Maus-Tratos aos Animais Domésticos, com programação até quarta-feira (23). O encontro reúne agentes públicos, profissionais da área, instituições parceiras e representantes da sociedade civil para aperfeiçoar a fiscalização, o atendimento de ocorrências e as ações de proteção animal na capital acreana.

A iniciativa é realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio da Diretoria de Bem-Estar Animal. A programação foi organizada para ampliar a integração entre os órgãos que atuam no atendimento de denúncias e na prevenção de casos envolvendo animais domésticos.

Durante o seminário, os participantes discutem formas de melhorar a identificação de situações de maus-tratos, o encaminhamento das ocorrências e a definição de procedimentos conjuntos entre as instituições. A proposta também prevê a criação de fluxos de trabalho para reduzir dificuldades no atendimento e ampliar a capacidade de resposta do poder público.

A secretária municipal de Meio Ambiente, Flaviane Agustini Stedille, afirmou que a capacitação atende a uma demanda antiga das equipes responsáveis pela fiscalização ambiental. Para ela, a troca de experiências entre profissionais de diferentes áreas pode ajudar na organização das ações de proteção animal no município.

“A proposta é estreitar os laços entre as diferentes instituições, para que a gente possa estabelecer fluxos de trabalho”, afirmou a secretária.

Nos dias 22 e 23 de setembro, a programação será concentrada na capacitação técnica de servidores, colaboradores e agentes públicos que trabalham diretamente ou possuem atribuições relacionadas ao resgate, cuidado e proteção de animais domésticos.

As atividades incluem orientações sobre identificação de maus-tratos, fiscalização, atendimento e encaminhamento de ocorrências. Os participantes também vão discutir procedimentos conjuntos e compartilhar experiências acumuladas no trabalho de campo.

A expectativa é que a aproximação entre os órgãos envolvidos facilite a comunicação durante o atendimento das denúncias e ajude a padronizar procedimentos em situações que exigem intervenção do poder público.

O seminário também busca ampliar a participação da sociedade nas ações de prevenção aos maus-tratos e reforçar a responsabilidade compartilhada na proteção e no bem-estar dos animais em Rio Branco.

TRE-AC nega pedido de sigilo de Mailza em processo sobre suposto uso de servidora para fins particulares

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) negou o pedido apresentado pela governadora e candidata à reeleição Mailza Assis para restringir o acesso a um processo relacionado à acusação de suposto uso de uma servidora comissionada do Estado em atividades particulares. Com a decisão, a tramitação permanece pública enquanto o caso segue sob análise da Justiça Eleitoral.

A controvérsia envolve a servidora Eryclis Feitosa Sá da Silva, ocupante de cargo comissionado CAS-4 e atualmente lotada no Gabinete da Governadora. A transferência para a estrutura do gabinete ocorreu por decreto assinado em maio deste ano, com efeitos financeiros a partir de 1º de junho.

O caso ganhou repercussão após o Republicanos apresentar uma representação contra Mailza ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC). O partido acusa a servidora de ter desempenhado tarefas particulares para a família da governadora durante período em que era remunerada pelo poder público.

Entre os documentos usados na acusação estão registros de acesso ao condomínio onde funciona a residência oficial da governadora. Em um cadastro apresentado pelos denunciantes, Eryclis aparece como prestadora de serviço com a descrição de “motorista das crianças”. Também foram reunidos registros de entradas e saídas do imóvel em diferentes dias e horários.

A representação sustenta que a servidora teria atuado como motorista dos filhos da governadora e prestado apoio doméstico. As alegações ainda dependem de apuração e não representam conclusão sobre eventual irregularidade.

O Governo do Acre nega que servidores públicos tenham sido utilizados para atividades particulares de Mailza ou de seus familiares. A Casa Civil afirma que o imóvel ocupado pela governadora foi formalmente transformado em residência oficial e, por essa razão, necessita de serviços permanentes de segurança, transporte, logística e apoio operacional.

A administração estadual também contesta o uso do cadastro do condomínio como prova das atribuições funcionais da servidora. A justificativa é que a descrição lançada no sistema privado de controle de acesso não foi produzida nem validada pelo Estado e, por isso, não definiria oficialmente a função exercida pela comissionada.

O Republicanos pediu inicialmente ao TCE-AC a apuração das atividades desempenhadas pela servidora, dos registros de frequência e dos valores pagos pelo Estado. O partido também solicitou que o caso fosse encaminhado a outros órgãos de controle e à Justiça Eleitoral.

A decisão sobre o sigilo não representa julgamento sobre o mérito das acusações. A discussão sobre eventual utilização irregular da estrutura pública continua sujeita à análise dos elementos apresentados pelas partes e às manifestações dos órgãos responsáveis pela apuração.

Perpétua Almeida reage a briga em escola de Porto Walter e cobra punição

A candidata a deputada federal Perpétua Almeida se manifestou nesta segunda-feira (21) sobre a briga entre estudantes registrada na Escola Borges de Aquino, em Porto Walter. Ao assistir às imagens durante uma atividade de campanha, ela classificou a cena como “inaceitável” e cobrou punição para episódios de agressão dentro do ambiente escolar.

O vídeo mostra uma confusão envolvendo um aluno e estudantes da unidade de ensino. A briga começou dentro de uma sala de aula e continuou na área externa, enquanto outras pessoas tentavam separar os envolvidos. As circunstâncias que deram início ao confronto ainda não foram esclarecidas.

Perpétua contou que estudou na Escola Borges de Aquino e disse ter ficado revoltada ao assistir à gravação. “Eu chamei elas para assistir esse vídeo comigo, porque ele é muito revoltante”, afirmou, ao lado de mulheres que participavam da agenda de campanha.

Durante a manifestação, a candidata relacionou o episódio ao debate sobre a violência contra as mulheres no Acre. “Você entende agora por que o Acre aparece no topo do estado mais violento para as mulheres? Você entende por que o Acre é o primeiro lugar em feminicídio?”, questionou.

Perpétua também defendeu que comportamentos violentos sejam enfrentados desde cedo, tanto dentro de casa quanto nas escolas. Para ela, situações como a registrada em Porto Walter não podem ser tratadas como uma simples briga entre estudantes.

“Isso aqui deve ser resolvido primeiro em casa, deve ser combatido na escola e deve ter punição severa, porque as mulheres merecem viver”, declarou.

A candidata ainda afirmou que a tolerância com agressões durante a juventude pode alimentar comportamentos violentos na vida adulta. “Quando começa aqui na juventude, aceitando esse tipo de coisa, são os homens depois que espancam suas mulheres, serão os mesmos que assassinam suas esposas, suas namoradas. Isso aqui tem que ter punição severa”, disse.

Na publicação feita nas redes sociais, Perpétua também defendeu maior presença de mulheres no Congresso Nacional e políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Falta de merenda encurta aulas em escolas de Rio Branco e Cruzeiro do Sul

Problemas no fornecimento de alimentação escolar afetaram, nesta segunda-feira (21), estudantes de duas escolas da rede estadual em municípios diferentes do Acre, segundo informações que circulam nas redes sociais. Na Escola Maria de Nazaré Santiago, localizada na Vila São Pedro, zona rural de Cruzeiro do Sul, alunos divulgaram um vídeo relatando falta de comida suficiente para permanecerem na unidade durante todo o dia. Em Rio Branco, o Colégio Estadual Armando Nogueira (CEAN), segundo uma arte que circula no WhatsApp, comunicou a liberação dos estudantes às 11h45 por falta de proteína na alimentação.

Em Cruzeiro do Sul, os próprios alunos decidiram tornar público o problema. Na gravação, eles afirmam que a Escola Maria de Nazaré Santiago funciona em tempo integral e que estudantes vêm sendo liberados antes do horário porque a alimentação disponível não seria suficiente para garantir a permanência durante toda a jornada escolar.

Os estudantes relatam ainda que, além da quantidade, há problemas com a variedade da merenda. Segundo eles, em alguns dias os alimentos recebidos se resumem a ovos e bolachas e nem sempre chegam em quantidade suficiente para atender a escola durante um dia inteiro.

“Como pode uma escola integral funcionar sem alimentação suficiente para todos os dias?”, questionam os alunos no vídeo. Em outro trecho, reforçam a cobrança: “Não queremos luxo, queremos uma alimentação variada e digna para todos os dias”.

A reclamação ganha peso por envolver uma escola em uma comunidade rural, onde a permanência do estudante durante todo o horário previsto depende também das condições oferecidas pela unidade. Para os alunos que gravaram o vídeo, a falta de alimentação interfere diretamente no funcionamento da jornada integral.

“Nossa escola é integral, nossa merenda também precisa ser o suficiente. Merenda suficiente é direito. Escola integral precisa de alimentação de qualidade. Queremos ser ouvidos”, afirmam os estudantes.

Na capital, o problema apareceu por meio de um comunicado do próprio Colégio Estadual Armando Nogueira. A escola informou que os alunos seriam liberados às 11h45 nesta segunda-feira “devido à falta de proteína no alimento”. O aviso pediu a compreensão das famílias, mas não explicou o motivo da falta do produto nem informou quando o abastecimento seria normalizado. O CEAN é uma escola de ensino médio em tempo integral da rede estadual.

TRE-AC julga nesta terça embargos no registro de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) marcou para esta terça-feira, 22 de setembro, às 15h, o julgamento dos embargos de declaração apresentados no processo que trata do registro da candidatura de Gladson de Lima Cameli ao Senado nas Eleições 2026. O recurso será analisado pelo plenário da Corte, sob relatoria do juiz Thalles Vinicius de Souza Sales.

A inclusão do processo na pauta foi certificada pela Secretaria Judiciária do TRE-AC no domingo, 20 de setembro. A certidão prevê que o julgamento poderá ocorrer na sessão desta terça-feira ou, caso não seja concluído, em sessões subsequentes.

Os embargos estão vinculados ao processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000, no qual o TRE-AC indeferiu, por unanimidade, em 11 de setembro, o pedido de registro de Gladson Cameli para disputar uma das vagas do Acre no Senado.

A decisão anterior foi tomada após o tribunal julgar procedente a impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral. O fundamento adotado pela Corte foi a incidência da Lei da Ficha Limpa em razão de condenação criminal proferida por órgão judicial colegiado.

Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No julgamento do registro, o relator entendeu que a hipótese de inelegibilidade decorrente de condenação colegiada pode ser aplicada independentemente do trânsito em julgado da ação penal.

Apesar do indeferimento no TRE-AC, a decisão ainda admite recurso. Enquanto não houver decisão definitiva no processo de registro, a legislação eleitoral permite que o candidato permaneça na condição de sub judice, continue praticando atos de campanha e mantenha o nome na urna eletrônica.

O julgamento dos embargos nesta terça-feira representa uma nova etapa do processo no TRE-AC antes de eventual prosseguimento da discussão nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.