CRAS Santa Helena entra na fase final e deve ser entregue em setembro em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco prevê para setembro a entrega do novo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Santa Helena, no Segundo Distrito. A unidade está na fase final de construção e vai ampliar a oferta de serviços sociais para moradores da região.

O espaço foi planejado para reunir atendimentos do Cadastro Único, ações do programa Criança Feliz, acompanhamento de famílias e atividades de convivência. A estrutura também terá áreas destinadas às equipes técnicas, atendimento ao público, grupos de idosos, academia e recursos de acessibilidade.

A obra foi vistoriada pelo prefeito Alysson Bestene, que acompanhou o andamento dos serviços. A expectativa da gestão municipal é que o novo equipamento reduza deslocamentos e aproxime os serviços de assistência social das comunidades atendidas no Segundo Distrito.

O secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, Ivan Ferreira, informou que a unidade vai concentrar diferentes ações da rede socioassistencial e ampliar a capacidade de atendimento às famílias da região.

A construção recebeu recursos de emenda parlamentar destinada pelo senador Sérgio Petecão, com participação da bancada federal. O investimento faz parte das ações de expansão da estrutura pública voltada à assistência social em Rio Branco.

A vistoria ao CRAS ocorreu durante uma agenda da prefeitura no Santa Helena. Na mesma região, equipes municipais também acompanharam serviços de infraestrutura e mobilidade executados por meio do programa Prefeitura nas Ruas, incluindo trabalhos na Rua Monte Sinai.

Com a conclusão dos últimos serviços, o CRAS Santa Helena deve começar a atender moradores de diferentes bairros do Segundo Distrito, fortalecendo a presença da rede municipal de assistência social na região.

Thor Dantas promete priorizar saúde, infraestrutura e segurança em sabatina no Jornal da Manhã

O candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas, apresentou nesta terça-feira (25), em Cruzeiro do Sul, as principais propostas que pretende levar ao governo caso seja eleito em outubro. Durante sabatina no Jornal da Manhã, ele colocou saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, segurança pública e educação entre as prioridades de uma eventual gestão e defendeu mudanças na forma como o Estado planeja e executa políticas públicas.

Médico, Dantas dedicou parte da entrevista à própria trajetória profissional. Ele contou que deixou o Acre ainda jovem para estudar, cursou medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e passou 14 anos fora do estado durante a formação, período em que também fez mestrado, doutorado e especialização. Ao retornar, afirmou ter se apresentado voluntariamente ao Exército e escolhido servir no 61º Batalhão de Infantaria de Selva, em Cruzeiro do Sul.

O candidato disse que a passagem pelo Juruá marcou o início de sua vida profissional no Acre. Depois, participou de diferentes áreas da gestão da saúde e citou a implantação de serviços como UTI, Samu, hemodiálise e tratamento contra o câncer, além da participação em projetos ligados à expansão da rede hospitalar.

Dantas afirmou que a pandemia de Covid-19 teve peso em sua decisão de entrar diretamente na política. Na avaliação dele, problemas de gestão durante a emergência sanitária mostraram como decisões administrativas interferem na vida da população. “A política foi feita para resolver o problema da vida em sociedade”, afirmou.

Ao tratar do cenário atual do Acre, o candidato fez críticas à administração estadual e disse que saúde, educação, segurança e geração de oportunidades precisam de mudanças. Ele também se apresentou como uma alternativa de oposição na eleição e afirmou que sua campanha trabalha com um plano elaborado por equipes divididas em diferentes áreas.

Na saúde, primeira prioridade apresentada por Dantas, a proposta é reorganizar o funcionamento da rede e ampliar a capacidade de atendimento. Ele citou as dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam procedimentos e cirurgias e voltou a defender a implantação de um hospital universitário no Acre. “Nós vamos transformar essa saúde, que é a área que eu mais conheço e aquilo que para mim é mais sensível”, disse.

A infraestrutura aparece ligada à estratégia de desenvolvimento econômico. Dantas defendeu a solução de gargalos que dificultam a produção e a geração de empregos e afirmou que o Acre precisa aproveitar melhor produtos locais e ampliar a industrialização. Ao citar o cupuaçu como exemplo, disse que matérias-primas produzidas no estado poderiam participar de cadeias de maior valor agregado.

O candidato também defendeu que crescimento econômico e preservação ambiental sejam tratados de forma conjunta. “Não há nenhuma contradição entre a preservação e o desenvolvimento econômico. A gente tem que ser inteligente para fazer essas duas coisas juntas”, declarou.

Na segurança pública, Dantas propôs maior integração entre as forças policiais e uso de inteligência para enfrentar organizações criminosas. A estratégia apresentada inclui articulação das polícias Civil, Militar e Federal, além de inteligência financeira para atingir estruturas econômicas ligadas ao crime organizado.

A educação foi colocada como base para uma transformação de longo prazo. O candidato defendeu melhoria do ensino de matemática, português e línguas, além da preparação dos estudantes para tecnologias digitais, inteligência artificial e novas formas de prestação de serviços. Ele também relacionou conectividade ao avanço de áreas como telemedicina, governo eletrônico e geração de renda.

Dantas afirmou ainda que pretende aumentar a capacidade do governo estadual de executar recursos disponíveis. Na entrevista, disse que uma gestão precisa ter equipes capacitadas para planejar, executar projetos e acompanhar resultados, modelo que comparou à experiência acumulada em procedimentos médicos de alta complexidade.

Na disputa eleitoral, o candidato reconheceu que ainda precisa ampliar o conhecimento de seu nome entre os eleitores, mas afirmou que considera a campanha aberta. Disse não estar preocupado com pesquisas divulgadas neste momento e que pretende usar as próximas semanas para apresentar sua candidatura e suas propostas.

Ao final da sabatina, Dantas pediu um voto de confiança para colocar em prática o plano de governo nos próximos quatro anos. “Eu quero ser o governador que vai resolver esses problemas que estão no dia a dia das pessoas”, afirmou. O candidato concorre pelo PSB com o número 40.

Casa Civil renova contrato de R$ 9,9 milhões com Ortiz após pagar R$ 9 milhões em voos em 2026

A Casa Civil do Acre prorrogou por mais 12 meses o contrato com a Ortiz Táxi Aéreo para fretamento de aeronaves, mantendo uma relação que atravessa sucessivos contratos, registros de preços e aditivos nos últimos cinco anos. O acordo renovado chega a R$ 9.956.700 e permite o transporte de pessoal e cargas em deslocamentos intermunicipais e interestaduais. A renovação ocorre num momento em que a própria Casa Civil já havia pago R$ 9.019.272 à Ortiz somente em 2026, até a atualização financeira de julho, em uma operação que envolve aviões Caravan, King Air e também jato.

Os R$ 9 milhões de 2026 não são valor de edital, previsão de gasto ou teto de uma ata. São despesas que aparecem como empenhadas, liquidadas e pagas. A movimentação reúne 89 lançamentos classificados como fretamento de aeronaves com a Ortiz como credora. Somados, chegaram exatamente a R$ 9.019.272 e consumiram 19,03% de tudo o que a Casa Civil havia pago no mesmo recorte financeiro. Em outras palavras, praticamente R$ 1 de cada R$ 5 que saiu da pasta no período analisado foi para fretamento de aeronaves com a empresa.

A cifra ainda não representa o ano inteiro. O levantamento financeiro foi fechado em julho, enquanto 2026 seguia com mais de cinco meses pela frente. Mesmo assim, o montante já havia ultrapassado os R$ 6,825 milhões que serviram de valor anual estimado para o Contrato CC nº 34/2023 quando ele foi prorrogado entre junho de 2024 e junho de 2025. Naquele contrato, a Casa Civil justificou o serviço para atender tanto à própria secretaria quanto ao Gabinete do Governador, com voos nacionais, intermunicipais, interestaduais e internacionais.

A conta ganha dimensão quando se olha para dentro dos pagamentos. Em 5 de março, por exemplo, a Casa Civil registrou uma sequência de despesas com Caravan: R$ 58.604, R$ 64.584, R$ 82.524, R$ 92.092, R$ 99.268 e R$ 114.816. Todos os lançamentos estavam vinculados ao Contrato CC nº 49/2025 e aparecem com valores integralmente empenhados, liquidados e pagos.

Em junho, a frota contratada aparece novamente em diferentes configurações. Dois pagamentos de King Air, de R$ 68.820 e R$ 72.540, foram registrados em 23 de junho. No mesmo dia, uma despesa com Caravan chegou a R$ 226.044. Outros lançamentos se espalham por contratos diferentes, como o CC nº 49/2025, o CC nº 62/2025 e o CC nº 28/2026, formando uma rotina de deslocamentos aéreos que não depende de um único instrumento contratual.

O maior símbolo dessa estrutura está no jato. Em 29 de abril, a Casa Civil pagou R$ 432.600 à Ortiz em um único lançamento. O histórico financeiro identifica expressamente o serviço como “fretamento de aeronave (JATO)” e vincula a despesa ao termo aditivo do Contrato CC nº 34/2023. O valor aparece integralmente empenhado, liquidado e pago.

O jato também chegou ao plenário da Assembleia Legislativa do Acre por outra frente. Em março, o deputado Edvaldo Magalhães apresentou requerimento cobrando da Casa Civil informações sobre uma viagem do governador Gladson Cameli a Manaus, entre 7 e 9 de fevereiro de 2026. O pedido identifica a aeronave utilizada como um Learjet 55 de prefixo OS-OTZ, pertencente à Ortiz e a serviço do Estado mediante contrato público. O requerimento buscou esclarecer agenda oficial, passageiros e finalidade do deslocamento. Não há elemento suficiente para vincular o pagamento de R$ 432.600 feito em abril especificamente à viagem questionada na Aleac, e os dois episódios não devem ser tratados como se fossem a mesma operação.

A presença da Ortiz na estrutura aérea da Casa Civil é anterior ao contrato que acaba de ser renovado. Em março de 2022, o governo assinou contrato de R$ 2.402.000 com a empresa para atender às necessidades do Gabinete do Governador e da Casa Civil. Naquele momento, a contratação previa um Sêneca EMB-810 D, com valor de R$ 5.900 por hora de voo, e um Caravan Cessna 208D, por R$ 8.900 a hora. O Caravan respondia por R$ 2,225 milhões do valor contratual.

Em 2023, a escala mudou novamente. A Ortiz venceu itens do Pregão Presencial SRP nº 011/2023 da Casa Civil, com valor global de R$ 18,6 milhões para o registro de preços de fretamento. O número é importante para reconstruir a trajetória da contratação, mas não pode ser apresentado como R$ 18,6 milhões efetivamente pagos. Registro de preços estabelece condições e limites para contratações futuras; o dinheiro só se transforma em despesa realizada quando o serviço é contratado, liquidado e pago.

O Contrato CC nº 34/2023 tornou-se uma das peças centrais dessa relação. Em junho de 2024, a Casa Civil prorrogou sua vigência por mais 12 meses, de 23 de junho de 2024 a 23 de junho de 2025, com valor anual estimado de R$ 6.825.000. A finalidade continuava sendo o fretamento de aeronaves para transporte de pessoal, atendendo ao Gabinete do Governador e à própria Casa Civil.

Antes do fim dessa vigência, em maio de 2025, o mesmo contrato recebeu um acréscimo quantitativo de 25%. O valor passou de R$ 6.825.000 para R$ 8.531.250, um aumento de R$ 1.706.250. Mais uma vez, trata-se de valor contratual, e não de comprovação de que todo o dinheiro foi efetivamente desembolsado.

Ainda em 2025, a Casa Civil abriu uma contratação de proporção muito maior. No Pregão Eletrônico SRP nº 390/2025, a Ortiz venceu itens destinados a Caravan e King Air. Para o Caravan, a previsão chegou a 2.093 horas de voo, ao preço de R$ 11.960 por hora, alcançando R$ 25.032.280. Para o King Air, foram 1.316 horas a R$ 18.600, num total de R$ 24.477.600. Os dois itens somaram R$ 49.509.880. O próprio processo licitatório identifica a Casa Civil como órgão solicitante e a Ortiz como empresa habilitada no certame.

Esses R$ 49,5 milhões não significam que a Casa Civil entregou R$ 49,5 milhões à empresa. O SRP cria uma capacidade de contratação conforme a necessidade do governo. É justamente por isso que a leitura dos últimos cinco anos exige separar três números que frequentemente aparecem misturados no debate público: o valor de um contrato, o teto de uma ata de registro de preços e aquilo que efetivamente foi pago.

Somar R$ 2,402 milhões de 2022, R$ 18,6 milhões do registro de 2023, R$ 6,825 milhões de 2024, os valores modificados em 2025 e os quase R$ 10 milhões da renovação atual produziria uma cifra artificial. Há contratos prorrogados de um ano para outro, aditivos que apenas aumentam instrumentos já existentes e registros de preços que podem não ser executados integralmente. Uma soma desse tipo contaria parte do mesmo dinheiro mais de uma vez e transformaria capacidade de contratação em gasto realizado.

Por isso, o valor de cinco anos que pode ser tratado com segurança como dinheiro efetivamente pago pela Casa Civil não deve ser construído pela soma dos contratos publicados. O recorte financeiro fechado e auditável para 2026 mostra R$ 9.019.272 já pagos à Ortiz até julho.

Há, porém, uma dimensão mais ampla da relação entre a Ortiz e o Governo do Acre. O Ministério Público do Acre registrou que os contratos acumulados com a empresa desde 2019 ultrapassaram R$ 84 milhões. A Promotoria também apontou crescimento superior a 160% nos valores contratados entre 2024 e 2025 e abriu procedimento para apurar o fretamento de aeronaves a serviço do Estado. Os R$ 84 milhões são valores de contratos acumulados pelo governo e não podem ser apresentados como R$ 84 milhões pagos exclusivamente pela Casa Civil.

O procedimento do MPAC também não representa condenação da Ortiz, do governador ou de integrantes da Casa Civil. A abertura da investigação significa que o órgão de controle decidiu examinar a evolução dos valores, a justificativa das contratações, a economicidade e a destinação dos serviços. Qualquer afirmação de irregularidade precisa depender do resultado dessa apuração e de provas produzidas no processo.

No Acre, voar não é necessariamente luxo. A geografia impõe distâncias que, em alguns municípios, não se resolvem apenas por estrada. Há agendas públicas, transporte de equipes e deslocamentos para localidades onde a aviação reduz dias de viagem a poucas horas. A discussão sobre os contratos da Casa Civil começa depois dessa constatação: quanto custa cada deslocamento, que aeronave foi usada, quem viajou, qual era a missão pública e por que determinado modelo — Caravan, King Air ou jato — foi escolhido para aquela viagem.

É nessa diferença que uma despesa de R$ 58 mil e outra de R$ 432,6 mil passam a ter significado para quem está fora dos gabinetes. Ambas aparecem sob a mesma rubrica geral de fretamento, mas envolvem aeronaves, capacidades, velocidades e custos operacionais muito diferentes. Sem a abertura das rotas, horas voadas, passageiros e justificativas de cada missão, o cidadão enxerga o valor pago, mas não consegue reconstruir sozinho a viagem que originou a conta.

A renovação do contrato de quase R$ 10 milhões amplia esse debate por mais um ano. A Casa Civil chega ao novo período contratual depois de ter movimentado R$ 9 milhões em pagamentos à Ortiz apenas no recorte de 2026 já consolidado até julho. Ao mesmo tempo, a empresa aparece em uma relação contratual com o Estado que o Ministério Público calcula em mais de R$ 84 milhões desde 2019.

O dado mais concreto está no caixa: R$ 9.019.272 já pagos pela Casa Civil à Ortiz em 89 lançamentos de fretamento no período analisado de 2026. O histórico dos cinco anos mostra que a contratação deixou de envolver apenas Sêneca e Caravan, passou por contratos milionários, incorporou King Air e chegou ao jato. O

Prefeitura divulga programação oficial do 9º Festival da Farinha de Cruzeiro do Sul

Assessoria

A programação da 9ª edição do Festival da Farinha, que será realizado de 26 a 29 de agosto, das 17h às 3h, no Complexo Esportivo do Aeroporto Velho reúne cultura, agricultura, gastronomia e serviços públicos, com Casas de Farinha, Feira de Produtores Regionais com mais de 200 participantes, cooperativas, acesso a crédito e assistência técnica. O evento é realizado pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul com apoio do SEBRAE e Associação Comercial.

O público também poderá acompanhar concursos com premiações, apresentações culturais e shows nacionais Mari Fernandez e Klessinha.

Durante o festival, as secretarias municipais de também oferecerão serviços de saúde, assistência social, finanças e meio ambiente.

Veja a programação:

Edvaldo cobra explicações sobre merenda após alunos relatarem semanas de ovo e sardinha em Cruzeiro do Sul

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou nesta terça-feira (25), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), explicações sobre a alimentação oferecida aos estudantes da Escola de Ensino Médio Integral Craveiro Costa, no bairro Remanso, em Cruzeiro do Sul. A manifestação ocorreu após alunos gravarem um vídeo reclamando da repetição do cardápio e afirmando que alimentos como ovo e sardinha vêm sendo servidos com frequência na unidade.

Durante o pequeno expediente, Edvaldo exibiu o vídeo aos demais parlamentares e afirmou que a situação precisa ser esclarecida pela Secretaria de Estado de Educação. Por funcionar em tempo integral, a escola mantém os estudantes durante grande parte do dia, o que aumenta a necessidade de refeições adequadas ao período de permanência na unidade.

Os estudantes relataram a recorrência de pão, ovo e sardinha e reclamaram da pouca variedade da alimentação. Ao comentar as queixas, o deputado resumiu a situação descrita pelos alunos: “Um dia é ovo e sardinha, no outro, é sardinha com ovo”.

Edvaldo também comparou as reclamações com os produtos previstos nas atas de registro de preços destinadas à alimentação escolar. Segundo o parlamentar, os documentos incluem diferentes tipos de proteína animal em quantidade que, na avaliação dele, não corresponde ao cardápio relatado pelos estudantes.

O deputado afirmou que vai apresentar um requerimento para solicitar informações formais à Secretaria de Educação sobre o fornecimento da merenda nas escolas de tempo integral. Entre os pontos que pretende esclarecer estão a regularidade dos pagamentos aos fornecedores, a entrega dos alimentos contratados e os motivos para a repetição do cardápio.

Durante o discurso, Edvaldo levantou questionamentos sobre eventuais problemas na execução dos contratos, mas não apresentou provas de irregularidades ou desvio de recursos. Ele defendeu que a pasta detalhe como ocorre o abastecimento das unidades e afirmou que as reclamações não deveriam ser tratadas como uma situação normal.

O parlamentar também declarou que o problema pode atingir outras escolas de tempo integral e pediu uma avaliação mais ampla da alimentação oferecida na rede estadual. Para ele, a exposição pública feita pelos próprios estudantes exige uma resposta sobre a qualidade e a variedade das refeições servidas.

“Cada pessoa é responsável pelos seus atos”: Mailza evita metas e expõe lacunas do plano de governo no Acre

“Cada pessoa é responsável pelos seus atos.” A frase de Mailza Assis (PP) para se afastar de uma das principais promessas de Gladson Cameli resumiu a sabatina do ac24horas nesta segunda-feira, 24 de agosto.

Candidata à reeleição, a governadora defendeu um plano de governo “exequível”, mas não informou quantas casas pretende entregar, quando implantará a rastreabilidade bovina, como pretende resolver as pendências da educação nem qual será o prazo para uma solução definitiva em Sena Madureira, após o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari.

Em pouco mais de uma hora, a entrevista expôs uma dificuldade central da candidatura: Mailza quer manter a imagem de continuidade, mas evita assumir metas que permitam medir o resultado de um eventual mandato entre 2027 e 2030.

Mailza assumiu definitivamente o governo em abril, após a saída de Gladson Cameli. Desde então, construiu sua candidatura sobre a continuidade administrativa. O ex-governador participa da articulação eleitoral e aparece ao lado dela nos principais movimentos da campanha.

A proximidade torna inevitável a cobrança pelo legado do grupo que governa o Acre desde 2019.

Habitação: 11 mil casas viraram 2,7 mil — e ainda sem meta para 2030

A habitação foi o primeiro teste da promessa de continuidade.

Gladson Cameli prometeu construir 11 mil casas populares. A entrega, porém, ficou distante da escala anunciada. Em 2026, o próprio governo passou a trabalhar com números menores. Em fevereiro, Gladson falava na conclusão de pouco mais de 2,3 mil moradias até o fim do ano.

Questionada sobre quantas casas entregaria em quatro anos, Mailza não respondeu com uma meta. Preferiu se separar da promessa do antecessor.

“Cada pessoa é responsável pelos seus atos, né. A minha gestão é de continuidade”, afirmou.

Depois, disse que há recursos para 2,7 mil unidades e que pediu à equipe um plano possível de executar. A resposta informa o que o governo tem hoje, mas não diz o que a candidata pretende entregar até 2030.

A diferença é objetiva: 2,7 mil casas representam uma fonte de recurso já identificada. Não representam uma política habitacional para quatro anos.

Ficaram sem resposta perguntas básicas: quantas moradias serão entregues, quanto será investido, quais municípios terão prioridade e qual parcela do déficit habitacional será enfrentada.

O próprio governo já trabalhou com uma estimativa de déficit de 24 mil moradias no Acre, sendo 11 mil apenas em Rio Branco. Sem uma meta, o eleitor perde o principal instrumento para acompanhar a promessa depois da eleição.

Parque tecnológico contra problemas básicos da escola

A educação revelou outra distância entre o discurso e a execução.

Mailza voltou a defender a criação do Parque Tecnológico do Acre, projeto que acompanha sua trajetória política há pelo menos cinco anos. Ainda no Senado, ela participou de articulações com a Universidade Federal do Acre, o governo estadual e instituições ligadas à inovação.

O jornalista Itaan Arruda colocou a proposta diante de problemas mais urgentes: escolas com dificuldades estruturais e professores cobrando revisão de carreira e remuneração.

A pergunta exigia uma resposta prática: como financiar inovação enquanto a rede pública ainda enfrenta problemas básicos?

Mailza disse que as duas frentes precisam avançar juntas. Mas, ao falar da tecnologia, respondeu: “O jovem gosta disso. Querendo ou não ele vai se debruçar”.

Quando voltou aos problemas das escolas, mudou o foco para relações familiares, comportamento e saúde emocional.

“Nós tivemos essa fatalidade talvez por falta de uma harmonia. E aí entra o cuidado com as famílias, aí entra o cuidado com esse egoísmo”, afirmou.

Saúde emocional e convivência familiar são temas importantes na educação. Mas não respondem quanto será investido na estrutura das escolas, quando a carreira dos professores será revisada ou como o Estado pretende bancar um parque tecnológico.

Em outro momento, a própria governadora reconheceu a cobrança dos profissionais e falou em discutir o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração.

“Os professores começaram a reivindicar e é uma necessidade. Precisamos pensar nessa devolução aos trabalhadores da educação. Fizemos um compromisso com o sindicato”, disse.

Ainda faltaram valores, prazo e formato para a revisão.

Rastreabilidade: o governo criou programas, mas a candidata não dá prazo

Na rastreabilidade bovina, a contradição ficou mais clara.

O plano de governo de Mailza prevê ampliar mecanismos de rastreabilidade e certificação da produção agropecuária. A medida afeta diretamente produtores, frigoríficos e toda a cadeia da pecuária, especialmente por envolver custos, controle do rebanho e exigências de mercado.

Perguntada se pretendia terminar um novo mandato com o sistema implantado, Mailza não assumiu o compromisso.

“Não, isso aí precisa ser estudo, precisa ter um diálogo, precisamos preparar o Estado para isso, porque nós não temos, no momento, condições para isso”, respondeu.

O problema é que o Acre não está começando essa discussão agora.

Em abril, o governo criou o programa Rebanho Certo/AC, voltado à atualização cadastral de bovinos e bubalinos e à preparação para a futura rastreabilidade individual. Em julho, já sob Mailza, o Decreto nº 11.911 instituiu o Plano ABC+/AC, que inclui o estímulo à rastreabilidade e à certificação de produtos agropecuários sustentáveis.

Ou seja: o governo já criou instrumentos para avançar. O que Mailza não informou foi o ponto de chegada.

Até onde o Estado pretende levar o processo? Quando o produtor terá de cumprir as novas exigências? Quem pagará a adaptação? Como evitar que a rastreabilidade aumente custos e reduza a competitividade da pecuária acreana?

Sem prazo e sem meta, o plano fica no campo da intenção.

Ponte de Sena Madureira: a empresa virou o centro da resposta

Em Sena Madureira, a cobrança envolveu uma obra que já desabou.

A ponte Frei Paolino Baldassari caiu em 5 de junho, menos de três anos depois da inauguração. Quatro pessoas ficaram feridas, e a ligação entre o centro da cidade e o Segundo Distrito foi interrompida.

A estrutura havia sido interditada no dia anterior, após o avanço das chamadas terras caídas e a identificação de risco no local.

Quase três meses depois, os escombros ainda estavam no Rio Iaco. Moradores dependiam de alternativas, como catraias, para atravessar. A perícia sobre as causas do colapso continuava sem conclusão.

Em agosto, o Ministério Público do Acre abriu inquérito civil para investigar a execução da obra e também o planejamento, a fiscalização, o monitoramento e a manutenção da ponte.

Na sabatina, Mailza concentrou a resposta na empresa contratada.

“Nós judicializamos a empresa que construiu. A empresa que construiu foi responsável pela ponte por 100% da construção”, afirmou.

Depois, acrescentou: “Eu não sei o tempo que a empresa vai nos dar a resposta”.

O governo pode cobrar judicialmente a construtora se houver responsabilidade na execução. A Procuradoria-Geral do Estado anunciou essa medida poucos dias após o desabamento.

Mas a judicialização não responde pelo papel do próprio Estado.

Uma obra pública de aproximadamente R$ 36 milhões, entregue em 2023 e destruída em 2026, também exige explicações sobre fiscalização, acompanhamento e manutenção. O Ministério Público investiga justamente essa parte e contesta a ideia de que o contrato retiraria do poder público o dever de fiscalizar.

Para Sena Madureira, a pergunta não é apenas quando a empresa responderá. É quando o Estado removerá os escombros, como manterá a travessia e quando entregará uma solução permanente.

O plano é “exequível”, mas não permite medir o resultado

As quatro respostas seguiram a mesma lógica.

Na habitação, Mailza informou que existem recursos para 2,7 mil casas, mas não apresentou uma meta para quatro anos.

Na educação, defendeu um parque tecnológico, mas não explicou como a proposta se conecta às escolas que ainda precisam de estrutura e aos professores que cobram a revisão da carreira.

Na rastreabilidade, incluiu o tema no plano de governo, mas não disse quando pretende implantá-lo — embora o próprio Estado já tenha criado programas para preparar o setor.

Em Sena Madureira, explicou a ação contra a construtora, mas não deu prazo para a solução que a população espera do governo.

A frase “cada pessoa é responsável pelos seus atos” ajuda Mailza a se afastar das promessas de Gladson Cameli. Mas essa separação tem limite.

Mailza foi eleita vice na chapa de Gladson, assumiu o governo, defende a continuidade administrativa e recebe o apoio direto do ex-governador. O grupo político está no comando do Acre desde 2019.

Ela não pode reivindicar apenas os resultados positivos dessa herança e transferir os problemas para o antecessor.

O ponto da sabatina não é exigir promessas grandiosas. É exigir números, prazos e responsáveis.

Se o plano é “exequível”, o eleitor precisa saber quanto será feito, quando, com quais recursos e como o resultado será medido.

Sem essas respostas, a prudência vira falta de compromisso mensurável. E, para quem já governa e pede mais quatro anos, explicar o futuro não basta. Mailza também precisa responder pelo que o Estado prometeu, começou e ainda não entregou.