Edvaldo acusa governo Gladson de baixa execução e critica nomeações sem capacidade técnica

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o governo Gladson Cameli executou menos de 50% dos recursos disponíveis para investimentos durante os dois mandatos e atribuiu o problema à nomeação de pessoas com baixa capacidade técnica para cargos comissionados. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 12, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul.

Edvaldo afirmou que o Estado teve recursos previstos no orçamento para investimentos, mas não conseguiu transformar boa parte desse dinheiro em obras e ações públicas. Para ele, a discussão sobre a capacidade financeira do governo precisa considerar não apenas quanto dinheiro existe no orçamento, mas quanto efetivamente é executado.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado — não é um dinheiro que vai existir, é o dinheiro que existia no orçamento para investimento — e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

O percentual foi apresentado pelo próprio deputado durante a entrevista. Na participação no Jornal da Manhã. Ao explicar o impacto da baixa execução, o parlamentar relacionou investimento público à contratação de obras, geração de empregos e melhoria da infraestrutura estadual.

“Dinheiro de investimento é aquele que gera emprego, porque tu contrata obra, tu faz investimento em infraestrutura, tu faz investimento na agricultura, na infraestrutura da educação, da saúde”, disse.

Edvaldo fez a crítica mais dura ao tratar da composição administrativa do governo. Segundo ele, a dificuldade para executar os recursos disponíveis está ligada à escolha de pessoas sem preparação técnica suficiente para ocupar funções responsáveis pela elaboração e execução de projetos.

“Dos 100% do dinheiro, menos de 50%, a cada ano, ele teve a capacidade de executar. Sabe por quê? Porque encheu nos cargos comissionados de gente com baixa capacidade técnica e não consegue botar um projeto de pé e depois não consegue botar um projeto em execução”, declarou.

O deputado não citou nomes de servidores, secretários ou órgãos específicos ao fazer a acusação. A crítica foi dirigida à estrutura de cargos comissionados do governo Gladson Cameli. Durante a entrevista, não houve resposta de representante do governo estadual às declarações.

Para Edvaldo, a baixa execução dos investimentos tem reflexos diretos na economia porque reduz a capacidade do poder público de contratar obras e movimentar atividades que geram emprego. O parlamentar também relacionou esse cenário à saída de jovens acreanos para outros estados em busca de oportunidades de trabalho.

A alternativa defendida pelo deputado passa por uma reorganização da administração estadual, com maior capacidade técnica para elaborar projetos e executar os recursos disponíveis.

“Nós precisamos ter um novo pacto do desenvolvimento do Estado, onde a gente retome a nossa capacidade de investimento, retome a capacidade de gerar emprego”, afirmou.

Edvaldo também defendeu que o Acre aumente a articulação com o governo federal para conseguir recursos destinados a projetos estruturantes, principalmente para o Vale do Juruá. Na avaliação dele, divergências partidárias não devem impedir que o Estado apresente projetos e dispute investimentos em Brasília.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

A crítica à execução orçamentária foi feita durante a discussão sobre as eleições de 2026. Edvaldo confirmou na entrevista que é pré-candidato a deputado estadual e colocou a capacidade administrativa do Estado, a execução dos investimentos e a geração de empregos entre os temas que pretende defender no debate eleitoral.

Governo empenha R$ 500 mil para show de padre Fábio de Melo na Expoacre 2026

O Governo do Acre empenhou R$ 500 mil para contratar o show do padre Fábio de Melo na Expoacre 2026, em Rio Branco. A reserva orçamentária foi registrada pela Casa Civil em 30 de julho e cobre a apresentação do artista, banda completa, equipe técnica e produção artística.

A contratação foi feita com a empresa Farol Musical, inscrita no CNPJ nº 45.315.776/0001-39, por meio do Contrato CC nº 46/2026. A despesa está vinculada ao Processo SEI nº 4002.008447.00859/2026-04 e ao empenho nº 4460010816, com recursos de fonte não vinculada do orçamento estadual.

Até 31 de julho, o valor ainda não havia sido liquidado nem pago. Os registros de execução orçamentária mantinham zerados os campos referentes à liquidação e ao pagamento.

O empenho reserva o dinheiro no orçamento, mas não representa transferência imediata à empresa. O pagamento depende da realização da despesa, da apresentação dos documentos previstos no contrato e da liquidação pelos setores responsáveis.

O valor contratado para Rio Branco ficou R$ 150 mil abaixo da previsão incluída no plano de trabalho da Expoacre Juruá. Para o evento realizado em Cruzeiro do Sul, a Associação Transformar reservou R$ 650 mil para o cachê de Fábio de Melo.

A previsão do Juruá ficou 30% acima dos R$ 500 mil contratados pela Casa Civil para a Expoacre da capital.

Os números, porém, têm naturezas diferentes. Em Rio Branco, os R$ 500 mil correspondem a um contrato formalizado com a empresa responsável pelo artista. No Juruá, os R$ 650 mil aparecem como previsão de cachê no plano de trabalho executado pela Associação Transformar.

O plano da Expoacre Juruá também reservou R$ 2,44 milhões para produção e logística do conjunto de atrações nacionais, incluindo passagens, hospedagem, alimentação e transporte. Essas despesas foram previstas separadamente do cachê dos artistas.

Em comparação com contratos públicos recentes, os R$ 500 mil empenhados pelo Governo do Acre para o show de padre Fábio de Melo em Rio Branco são R$ 220 mil superiores aos R$ 280 mil contratados pela Prefeitura de Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, em 2025, e R$ 240 mil acima dos R$ 260 mil pagos pelo município de Graça, no Ceará, em 2024. Já os R$ 650 mil previstos no plano de trabalho da Expoacre Juruá superam essas referências em R$ 370 mil e R$ 390 mil, respectivamente, ficando até 150% acima do menor valor pesquisado.