Editorial – Notícia judicial não é fake news, Gladson 

Quando um acórdão do Superior Tribunal de Justiça é publicado, não cabe chamar a notícia de boato. Quando uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão passa a constar em decisão formal de um tribunal superior, não cabe tratar a cobertura jornalística como tentativa de desestabilizar governo. O ex-governador Gladson Cameli tem todo o direito de recorrer, de se defender, de buscar no Supremo Tribunal Federal uma decisão que suspenda os efeitos da condenação e de sustentar publicamente sua versão. Mas o direito de defesa não transforma em fake news aquilo que está escrito em decisão judicial. Inclusive, a defesa deve agir em tempo hábil com os recursos.

A fala de Gladson, ao associar notícias sobre sua situação jurídica a tentativas de desestabilização, tenta empurrar para a imprensa e para supostos adversários um problema que nasceu dentro de um processo penal. Não foi um blog, uma rádio, um portal ou um comentarista que condenou o ex-governador. Foi a Corte Especial do STJ, formada por ministros que analisaram autos, provas, teses da defesa, argumentos do Ministério Público Federal e questões preliminares levantadas ao longo de anos. A imprensa apenas cumpre o papel de traduzir esse fato para a população.

Dias atrás, no 21 de maio, antes da publicação do acórdão, o Grupo Integração abriu espaço no Jornal da Manhã da Rádio Integração FM para explicar o caso com calma. O advogado Emerson Soares foi chamado exatamente porque havia confusão no debate público. De um lado, circulavam versões de que tudo teria sido anulado. De outro, havia a decisão do STJ condenando Gladson e criando efeitos imediatos sobre sua situação eleitoral. Emerson foi direto: se o prazo de registro de candidatura fosse naquele momento, Gladson não poderia registrar candidatura, porque há condenação por órgão colegiado, situação prevista na Lei da Ficha Limpa.

Essa explicação não nasceu de torcida política. Nasceu da lei. Hoje, Gladson pode recorrer, mas recorrer não é o mesmo que estar liberado para disputar eleição. Ele pode tentar uma liminar no STF, mas tentativa não é garantia. Ele pode sustentar que será candidato, mas, sem uma decisão que suspenda os efeitos da condenação, essa afirmação permanece no campo da narrativa política, não da condição jurídica atual.

O ponto que precisa ser dito com clareza é simples: o governo não se desestabiliza porque a imprensa noticia uma decisão judicial. O governo se desestabiliza quando a própria liderança política que o conduziu passa a responder a condenações, recursos, dúvidas eleitorais e novas ações penais. A instabilidade não foi fabricada pela notícia. A instabilidade veio dos fatos que chegaram aos tribunais e agora cobram seu preço no cenário político do Acre.

Também não se pode confundir crítica jornalística com perseguição. A Integração não inventou a Operação Ptolomeu, não redigiu o acórdão do STJ, não fixou pena, não calculou inelegibilidade e não recebeu nova denúncia contra o ex-governador. O que a Integração fez foi o que o jornalismo deve fazer: ouvir, perguntar, explicar e separar fato de versão. Quando há decisão judicial, o público tem o direito de saber o que ela significa. Quando há prazo recursal, o público tem o direito de saber quais caminhos ainda existem. Quando há impacto eleitoral, o eleitor tem o direito de entender se um nome que se apresenta como candidato pode ou não chegar às urnas.

Gladson ainda conserva força política, tem apoiadores, tem história eleitoral e segue tentando manter viva a expectativa de candidatura ao Senado. Isso é fato. Mas também é fato que ele foi condenado pelo STJ, que o acórdão foi publicado, que a defesa precisa buscar medidas judiciais para tentar suspender os efeitos dessa condenação e que, neste momento, sua situação eleitoral está comprometida. Dizer isso não é fake news. Esconder isso é que seria enganar a população.

A tentativa de transformar toda notícia incômoda em ataque político empobrece o debate público. O Acre não precisa de cortina de fumaça. Precisa de informação limpa, direta e verificável. Quem deseja governar, disputar eleição ou influenciar o futuro do estado deve responder aos fatos com fatos, não com slogans. A pergunta que fica não é quem tenta desestabilizar o governo. A pergunta real é como um projeto político que se dizia sólido chegou a depender de recurso, liminar e interpretação judicial para continuar de pé.

A Integração continuará tratando o caso pelo que ele é: um assunto de interesse público, com impacto jurídico, político e eleitoral. Sem torcida. Sem perseguição. Sem medo de dizer que decisão judicial não é fake news.

Foto: Juruá Online

Leia também: Entenda o caso Gladson Cameli: advogado explica por que ex-governador está inelegível após condenação no STJ

Prefeitura de Rio Branco faz balanço inicial do Prefeitura nas Ruas e amplia frente de serviços

A Prefeitura de Rio Branco reuniu secretários municipais na sexta-feira, 29 de maio, para avaliar os primeiros resultados do programa Prefeitura nas Ruas e definir a ampliação das ações em bairros da capital. O encontro foi conduzido pelo prefeito Alysson Bestene e serviu para ajustar a próxima etapa do trabalho integrado entre as pastas.

A proposta do programa é concentrar serviços em uma mesma região para acelerar o atendimento à população. Entre as ações previstas estão limpeza urbana, recuperação de vias, drenagem, calçamento e outras intervenções de infraestrutura. A gestão municipal avalia que a atuação conjunta das equipes tem dado mais alcance às operações e melhorado a resposta às demandas dos moradores.

Durante a reunião, o secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, defendeu a continuidade do modelo de força-tarefa nos bairros. A estratégia, segundo a prefeitura, é manter o acompanhamento das áreas atendidas e organizar novas frentes de trabalho a partir das necessidades mais urgentes.

Alysson Bestene afirmou que a prefeitura tem monitorado os pontos que exigem manutenção e reforçou que a meta é dar mais agilidade aos serviços. A administração municipal também aposta na integração entre os setores para manter as ações de infraestrutura e conservação de forma contínua.

No mesmo encontro, a prefeitura confirmou a realização da ciclística educativa “Olhar que Salva”, marcada para domingo, 31 de maio. A atividade integra a agenda de conscientização sobre segurança no trânsito e incentivo à prevenção.

Aos 24 anos, indígena Huni Kuĩ se torna professor federal no Acre e leva representatividade à sala de aula

Aos 24 anos, Muru Inu Bake, nome indígena de Clécio Ferreira Nunes, assumiu o cargo de professor federal no Instituto Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul, e passou a integrar um grupo ainda raro de docentes indígenas na rede pública federal do estado. Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre, ele chegou à instituição em meio a um cenário de baixa presença de povos originários em cargos de docência e transformou a nomeação em um marco de representatividade no ensino.

A entrada de Muru no Ifac amplia a presença indígena em espaços historicamente ocupados por não indígenas e reforça a discussão sobre pluralidade dentro das instituições públicas de ensino. Ao comentar o início da trajetória como docente, ele resumiu o significado da nova etapa: “Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ indígena”. A declaração dá o tom de uma atuação que ultrapassa a sala de aula e alcança também o campo da identidade, da permanência e da visibilidade dos povos originários na educação.

No campus de Cruzeiro do Sul, ele assumiu aulas de inglês e passou a adotar estratégias mais participativas para aproximar os estudantes do conteúdo, com o uso de dinâmicas e jogos em sala. A experiência no ensino se soma à trajetória acadêmica que ele mantém na pós-graduação. Atualmente, Muru cursa mestrado em Letras, com pesquisa voltada para línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas.

A nomeação também tem peso simbólico por romper uma ausência que marcou a formação de muitos estudantes indígenas no Acre. Em um estado com forte presença de povos originários, a chegada de professores indígenas à rede federal ajuda a mudar o perfil de quem ensina, pesquisa e produz conhecimento. Mais do que ocupar uma vaga, Muru passa a representar uma mudança concreta no espaço acadêmico e educacional acreano.

Copa Master Cinquentão começa em Cruzeiro do Sul com prêmio de R$ 10 mil ao campeão

Cruzeiro do Sul abriu na noite de sábado, 31 de maio, a primeira edição da Copa de Futebol Master Cinquentão, no estádio O Cruzeirão, com oito equipes na disputa e premiação total de R$ 10 mil para os vencedores e destaques individuais do torneio. A competição foi criada para atletas a partir dos 50 anos e passa a integrar o calendário esportivo do município.

A rodada de abertura teve dois jogos. No primeiro, América do Deracre e Atlético Mineiro empataram por 0 a 0. Na sequência, o Clube Futebol Master e Lazer venceu o Santa Luzia da BR-364 por 2 a 1 e largou na frente na competição.

O torneio reúne equipes da cidade e também representantes das vilas de Cruzeiro do Sul. A proposta é manter em atividade jogadores veteranos e abrir espaço para integração, lazer e disputa entre atletas com longa trajetória no futebol local.

Durante a abertura, o prefeito Zequinha Lima afirmou que a competição atende a uma demanda antiga dos atletas do cinquentão e confirmou a distribuição da premiação entre os melhores colocados e destaques do campeonato. O diretor municipal de Esportes e Lazer, Gilvan Ferreira, disse que a copa nasceu de um pedido dos próprios jogadores veteranos, que seguem ativos e mobilizando o público no Cruzeirão.

Thor Dantas ouve Sindmed em Rio Branco e leva demandas da categoria para debate sobre saúde no Acre

O médico infectologista e pré-candidato ao governo do Acre, Thor Dantas, se reuniu na manhã de sábado, 30 de maio, em Rio Branco, com a diretoria do Sindicato dos Médicos do Acre para ouvir reivindicações da categoria e recolher propostas para a área da saúde, em um encontro voltado à discussão do plano de governo para o setor.

Na reunião, entraram na pauta a valorização dos profissionais, as condições de trabalho, a estrutura da rede pública e a dificuldade de manter médicos especialistas nos municípios do interior. Ao defender a escuta de quem atua no atendimento diário à população, Dantas afirmou que não existe solução para a saúde sem ouvir quem está na linha de frente e disse que a área está entre as principais preocupações dos acreanos.

O presidente do Sindmed-AC, Guilherme Pulici, disse que a entidade mantém diálogo com pré-candidatos e sustenta que os interesses da categoria convergem com a cobrança da população por uma saúde pública mais estruturada e eficiente. O sindicato também defendeu mais investimentos no setor e melhores condições para os profissionais que atuam na linha de frente.

Mailza destaca educação no trânsito durante corrida do Detran em Rio Branco

A vice-governadora Mailza Assis participou neste domingo, 31, da primeira edição da Corrida Detran Maio Amarelo, em Rio Branco, e defendeu ações de conscientização para reduzir acidentes e salvar vidas no trânsito. O evento reuniu 750 participantes em percursos de 5 e 10 quilômetros e marcou o encerramento da programação do Maio Amarelo na capital.

Ao acompanhar a largada e a mobilização dos corredores, Mailza afirmou que iniciativas que unem esporte, saúde e educação ampliam o alcance das campanhas públicas e ajudam a levar a discussão sobre segurança viária para mais pessoas. A participação da vice-governadora deu peso institucional ao evento, que foi organizado como uma ação de alerta sobre responsabilidade, respeito e cuidado nas ruas e estradas.

A corrida começou às 6h30, em frente à sede do Detran, e também teve caráter solidário. Para participar, cada inscrito doou dois quilos de alimentos não perecíveis, que serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social. A proposta foi associar a prática esportiva à conscientização e ao apoio comunitário.

Esta foi a primeira vez que a corrida foi realizada em Rio Branco. A prova já havia sido promovida em edições anteriores em Cruzeiro do Sul e agora passou a integrar a agenda da capital, ampliando o alcance da campanha. Além de atletas profissionais e amadores, o evento reuniu servidores do Detran e moradores da cidade.

Durante a programação, a presidente do Detran, Taynara Martins, reforçou que a corrida foi pensada para aproximar a população do debate sobre segurança no trânsito. Ao fim da prova, os participantes receberam medalhas e troféus em um encerramento marcado pela defesa de uma cultura de paz e empatia.