Prefeitura de Rio Branco amplia regulação e reduz filas para consultas, exames e cirurgias

A Prefeitura de Rio Branco ampliou, em julho, a atuação da Regulação municipal para reduzir filas de espera e acelerar o acesso de pacientes a consultas, exames e cirurgias eletivas pelo Sistema Único de Saúde. As ações são conduzidas pela Secretaria Municipal de Saúde e incluem mutirões, novos atendimentos especializados, parcerias com clínicas credenciadas e ampliação de procedimentos de média complexidade.

Em pouco mais de um mês, a Diretoria de Regulação, Controle e Avaliação passou a concentrar esforços em áreas com maior demanda reprimida. Uma das primeiras medidas foi o mutirão de ultrassonografias, realizado em parceria com clínicas credenciadas e unidades de saúde. A ação zerou a fila de ultrassonografias de mama, com cerca de 500 pacientes atendidos, e ampliou a oferta de ultrassonografias de abdômen total.

Os pacientes atendidos já haviam passado pelo processo de regulação da Secretaria Municipal de Saúde e aguardavam o agendamento dos procedimentos. A reorganização do fluxo busca direcionar com mais rapidez as vagas disponíveis para quem já está na fila, obedecendo aos critérios do SUS e à ordem de espera.

“Nosso compromisso é tornar a Regulação cada vez mais eficiente e garantir que os serviços cheguem à população com mais rapidez. Estamos trabalhando para diminuir o tempo de espera, sempre respeitando os critérios do SUS e priorizando quem aguarda há mais tempo”, afirmou o diretor de Regulação, Controle e Avaliação, Emerson Bezerra.

A Secretaria Municipal de Saúde também iniciou mutirões de fonoaudiologia para atender a alta procura pelo serviço. O primeiro atendimento aos fins de semana contemplou 120 pacientes, e a previsão é manter a ação mensalmente. Na saúde mental, a Diretoria de Regulação prepara um mutirão de psicologia para ampliar os atendimentos especializados.

A rede municipal também passou a ofertar consultas de urologia duas vezes por semana. A especialidade foi incorporada recentemente ao atendimento municipal e deve acelerar a avaliação de pacientes que aguardavam consulta.

Nas cirurgias eletivas, a Secretaria Municipal de Saúde ampliou a parceria com o Hospital Santa Juliana para procedimentos ginecológicos de média complexidade. O planejamento prevê mais de 500 cirurgias, entre laqueadura tubária, histerectomia e laparotomia por videolaparoscopia.

Até agora, mais de 60 pacientes foram agendados para avaliação pré-operatória. Desse total, 16 passaram por laqueadura tubária e quatro por histerectomia. Novos atendimentos seguem em programação pela fila única de regulação, em ação conjunta entre Município e Estado.

Os procedimentos por videolaparoscopia são feitos com técnica minimamente invasiva, que reduz o tempo de recuperação e o desconforto no pós-operatório. A expectativa da gestão municipal é ampliar gradualmente o número de cirurgias e diminuir o tempo de espera dos pacientes.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que a ampliação dos mutirões e das cirurgias faz parte de uma estratégia contínua para melhorar o acesso da população aos serviços especializados. “Em pouco mais de um mês, já vemos resultados importantes, como a intensificação dos mutirões, a ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias eletivas e a redução das filas de espera. Esse é um trabalho que terá continuidade”, disse.

Alan Rick critica “perseguição” em ato que marca saída de Rosana Gomes do PP no Quinari

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, afirmou neste sábado, 18, em Senador Guiomard, que a população “sabe quem trabalha e não gosta de perseguição”, durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Gomes a deputado estadual. O ato também marcou a mudança de rumo político da prefeita Rosana Gomes, que deixou o Progressistas, partido da governadora Mailza Assis, e oficializou apoio ao projeto de oposição liderado por Alan.

No discurso, Alan defendeu transparência na aplicação de recursos públicos e afirmou que obras e investimentos realizados no Acre tiveram participação de seu mandato no Senado. Ele citou o viaduto em Rio Branco, o Hospital Ary Rodrigues, no Quinari, viaturas e equipamentos destinados às forças de segurança. “O povo tem o direito de saber a origem desses investimentos”, disse.

O senador também associou o momento político em Senador Guiomard à decisão de Rosana Gomes de deixar o PP e se filiar ao Republicanos. Segundo Alan, o município passou a receber menos atenção do governo estadual depois que a prefeita declarou apoio à sua pré-candidatura. “Quem mais perde quando a política entra na frente do interesse público é a população”, afirmou.

A saída de Rosana do Progressistas aprofunda o desgaste entre o grupo político da prefeita e a base governista no Acre. O PP é a legenda da governadora Mailza Assis, que assumiu o comando do Estado em abril, após a renúncia de Gladson Cameli para disputar o Senado em 2026. Ao migrar para o Republicanos, Rosana deixa o campo político da governadora e reforça o palanque de Alan Rick em um município com peso simbólico para a disputa estadual.

Rosana justificou a troca de partido com críticas à relação do governo com Senador Guiomard. A prefeita afirmou que o Quinari vem sendo deixado de lado em investimentos desde 2022 e disse que a mudança partidária foi tomada em defesa do município. “O Quinari quer político de verdade, que tem posicionamento. Ele merece respeito”, afirmou.

O lançamento da pré-candidatura de Eduardo Gomes também funcionou como demonstração de força do grupo local. Filho de Rosana Gomes e do ex-prefeito James Gomes, Eduardo busca uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026 apoiado por lideranças municipais e estaduais alinhadas à oposição. Para Alan Rick, a candidatura representa a continuidade de um grupo político com presença consolidada em Senador Guiomard.

O evento reuniu a prefeita Rosana Gomes, o ex-prefeito James Gomes, o senador Sérgio Petecão, o deputado federal Roberto Duarte, vice-prefeitos de municípios do Baixo Acre, vereadores e lideranças locais. No palanque, Alan afirmou que pretende manter diálogo com prefeitos e vereadores independentemente de posição partidária e disse que o cidadão não deve ser prejudicado por disputas políticas.

A movimentação em Senador Guiomard ocorre em meio à reorganização das forças políticas para a eleição de 2026. De um lado, Mailza Assis tenta consolidar a base herdada do governo Gladson Cameli dentro do Progressistas. De outro, Alan Rick avança sobre municípios estratégicos e busca ampliar apoios de prefeitos, ex-prefeitos e lideranças regionais para fortalecer sua pré-candidatura ao governo.

Festival da Farinha terá Mari Fernandez e Klessinha em Cruzeiro do Sul

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul lançou no sábado, 18, a programação do 9º Festival da Farinha, que será realizado de 26 a 29 de agosto, no Complexo Esportivo. A edição de 2026 terá shows nacionais de Mari Fernandez, na abertura, e Klessinha, no encerramento, além de ações voltadas à agricultura familiar, à cadeia produtiva da mandioca e aos empreendedores locais.

O evento foi apresentado durante um café da manhã com a presença do prefeito Zequinha Lima, secretários municipais, vereadores, autoridades e parceiros. A programação reúne atrações culturais, feira de negócios, concurso para escolha do Rei e da Rainha do Festival da Farinha, espaços de exposição e atividades ligadas à produção rural.

Zequinha Lima afirmou que o festival vai além da agenda de shows e tem como foco a valorização dos produtores. “Somos a Capital Nacional da Farinha e fazemos questão de mostrar isso ao mundo. O festival é uma grande vitrine para os nossos produtores, que apresentam a melhor farinha, a tapioca, o beiju e tantos outros derivados produzidos aqui. Além disso, movimenta hotéis, restaurantes, transporte e fortalece toda a economia local”, disse.

Uma das novidades da edição será o Espaço do Café, criado para produtores e empreendedores da cafeicultura. A área vai reunir produtos, tecnologias e soluções ligadas ao setor, que vem ganhando espaço na economia regional. “A boa tapioca combina com um bom café, e hoje Cruzeiro do Sul também produz cafés reconhecidos pela qualidade. Por isso, estamos abrindo esse espaço para fortalecer mais uma cadeia produtiva que cresce na nossa região”, afirmou o prefeito.

O festival também terá participação de artistas locais. Foram registradas 69 inscrições no credenciamento artístico, entre cantores, bandas, DJs e grupos de dança. O concurso do Rei e da Rainha terá 23 candidatos, sendo 12 concorrentes ao título de rei e 11 ao de rainha.

Na área produtiva, a programação vai apresentar modelos de produção da mandioca, desde casas de farinha tradicionais até unidades automatizadas. A proposta é aproximar produtores de tecnologias que possam ampliar a produtividade e reduzir custos. Mais de 50 produtores estarão diretamente envolvidos nas atividades, além de cooperativas, instituições parceiras e expositores da agricultura familiar.

O secretário municipal de Agricultura, Nildson Moura, afirmou que o festival fortalece a Rota da Mandioca e a economia regional. “Nossa meta é agregar valor ao trabalho do produtor, incentivar novas tecnologias e fortalecer ainda mais a Rota da Mandioca, que coloca Cruzeiro do Sul como referência nacional”, disse.

A feira de negócios terá 150 expositores, 35 a mais que no ano anterior. Os espaços serão ocupados por empreendedores dos segmentos de alimentação, artesanato, bioeconomia, plantas ornamentais e produtos regionais. Os participantes também passaram por capacitações em boas práticas de manipulação de alimentos e fabricação.

A programação inclui ainda o Estacionamento Criativo. O cadastro será aberto para moradores interessados em disponibilizar vagas em suas residências durante os dias do festival. Os imóveis passarão por vistoria da Secretaria Municipal de Trânsito e, se aprovados, receberão identificação oficial para atender moradores e turistas.

Os shows nacionais confirmados serão realizados em dois dias da programação. Mari Fernandez se apresenta em 26 de agosto, na abertura do festival, e Klessinha sobe ao palco em 29 de agosto, no encerramento.

Acre chega a 2026 entre serviços em crise, dependência do FPE e silêncio político, diz Leonildo Rosas

A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”

A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.

Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”

Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”

As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”

Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”

Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”

Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”

Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.

Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”

Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”

Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.