O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) deu prazo de 30 dias para que a Polícia Civil apresente informações atualizadas sobre a investigação do ataque ao jornalista e radialista Chico Melo, ocorrido na madrugada de quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul. Uma notícia de fato criminal foi instaurada para acompanhar a apuração, identificar os envolvidos e verificar as providências adotadas pela autoridade policial.
A medida foi assinada pela promotora de Justiça substituta Poliana Gusmão, da Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul. O MPAC solicitou acesso ao boletim de ocorrência, ao inquérito policial, a eventual laudo do exame de corpo de delito e às diligências realizadas desde o crime.
A Polícia Civil também deverá informar se os suspeitos já foram identificados ou localizados e se existem imagens de câmeras de segurança, dados de geolocalização dos celulares roubados ou outros elementos que possam contribuir para o esclarecimento do caso.
Chico Melo, de 54 anos, teve a residência invadida por quatro homens armados no bairro Telégrafo. Os criminosos quebraram uma janela, seguiram até o quarto onde o jornalista estava e exigiram dinheiro enquanto revistavam o imóvel.
Durante o assalto, o radialista foi agredido com socos e atingido por uma coronhada na cabeça, que provocou um corte. Os assaltantes levaram cerca de R$ 3 mil, aparelhos celulares e outros pertences. Antes da fuga, o grupo ainda revistou um veículo estacionado na residência.
Um telefone celular e uma faca encontrados no imóvel foram recolhidos para análise. A Polícia Militar realizou buscas na região, mas nenhum suspeito foi preso. Após o ataque, Chico Melo recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Cruzeiro do Sul.
Quando o prazo terminar, o procedimento retornará ao Ministério Público para uma nova análise. O órgão poderá requisitar outras diligências ou medidas cautelares. O Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado também acompanhará a investigação.
A Prefeitura de Cruzeiro do Sul entregou cinco novos ônibus escolares nesta quarta-feira, 22 de julho, durante uma cerimônia na garagem da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer, na Rodovia AC-405. O investimento de mais de R$ 2 milhões permitirá substituir veículos antigos e reforçar o transporte de estudantes das zonas urbana e rural.
Três ônibus foram comprados com recursos próprios do município, no valor de R$ 1.505.382. Os outros dois veículos foram adquiridos por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, com uma complementação financeira de R$ 500 mil da prefeitura.
Os novos veículos serão incorporados às rotas da rede municipal de ensino. A renovação da frota busca melhorar as condições de segurança e conforto dos alunos, além de reduzir os gastos com a manutenção dos ônibus mais antigos.
O prefeito Zequinha Lima afirmou que a aquisição faz parte das ações destinadas a melhorar a estrutura oferecida aos estudantes e às famílias. A administração municipal também prevê ampliar a capacidade de atendimento das rotas escolares com a entrada dos novos veículos em operação.
A presidente do Conselho de Gestores de Cruzeiro do Sul e gestora da Escola Irmã Diana, Eliana Almeida, afirmou que a qualidade do transporte interfere diretamente no acesso dos alunos às unidades de ensino. Para ela, os novos ônibus oferecem mais proteção e melhores condições durante o deslocamento diário.
Com a entrega, a prefeitura passa a contar com veículos mais novos para atender estudantes que dependem do transporte escolar, principalmente os que vivem em comunidades rurais e percorrem maiores distâncias até as escolas.
A Prefeitura de Rio Branco retirou cerca de 250 toneladas de lixo, entulho e outros resíduos do bairro Jorge Lavocat durante uma semana de serviços. A limpeza faz parte do programa Prefeitura nas Ruas e prepara a comunidade para obras nas redes de água e esgoto, no sistema de drenagem e na pavimentação das vias.
A força-tarefa começou após uma visita do prefeito Alysson Bestene ao bairro, onde moradores apresentaram problemas de infraestrutura e manutenção. A Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade mobilizou equipes para atuar em ruas, calçadas e áreas públicas.
O secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, afirmou que a retirada dos resíduos é a primeira etapa do trabalho previsto para a região. “Em apenas uma semana, retiramos cerca de 250 toneladas de lixo e entulho. Esse trabalho melhora as condições do bairro e prepara as ruas para as próximas intervenções”, disse.
Depois da limpeza, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco vai reforçar e reestruturar as redes de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. O órgão também ficará responsável pela recuperação do sistema de drenagem.
Com a conclusão dos serviços nas redes subterrâneas, a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco iniciará a pavimentação das vias incluídas no cronograma.
“Primeiro, retiramos o lixo e os entulhos. Em seguida, o Saerb fará a reestruturação das redes de água, esgoto e drenagem. Depois, a Emurb começará a pavimentação”, afirmou Alysson Bestene.
O programa Prefeitura nas Ruas reúne órgãos municipais em ações de limpeza, manutenção, infraestrutura e recuperação de espaços públicos em bairros da capital acreana.
As obras de revitalização do Centro Cultural do Juruá, em Cruzeiro do Sul, entraram na fase final e devem ser concluídas até o fim de agosto. Executado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), o trabalho reforça a estrutura do prédio centenário, substitui a cobertura e recupera elementos de madeira, com o objetivo de ampliar a segurança sem alterar as características arquitetônicas do imóvel.
As visitas ao centro cultural permanecem suspensas durante a execução dos serviços. O espaço será reaberto ao público após a conclusão da obra e poderá voltar a receber estudantes, pesquisadores, turistas e moradores da região.
A construção do prédio começou em 1904 e terminou em 1911. Ao longo de 115 anos, o imóvel abrigou a primeira sede da Prefeitura de Cruzeiro do Sul e também funcionou como sede da comarca. A trajetória tornou a edificação um dos principais marcos da memória institucional e cultural do Vale do Juruá.
A intervenção começou no fim de março e é uma das mais amplas já realizadas no prédio. “O nosso objetivo é entregar essa obra até o final de agosto. É um espaço de memória muito importante que necessitava de uma intervenção mais robusta, justamente por se tratar de um prédio centenário e considerado o prédio público mais antigo do Acre”, afirmou o coordenador do museu, Narcelio Generoso.
O reforço estrutural foi a parte mais complexa da obra. Novas colunas e peças metálicas foram instaladas ao redor da edificação para aumentar a estabilidade da construção, erguida em um período em que o uso de ferro ainda não era comum em Cruzeiro do Sul.
“Foi necessário executar um reforço estrutural completo, com novas colunas e elementos metálicos ao redor da edificação para garantir sua estabilidade. Agora, ele passa a contar com uma estrutura muito mais segura, preparada para preservar esse patrimônio por muitos anos”, explicou Narcelio.
As equipes também substituíram peças de madeira danificadas pelo tempo e pela umidade. Guarda-corpos e partes da estrutura do telhado foram recuperados e receberam perfis metálicos de alta resistência, mantendo o desenho original do imóvel.
A instalação da nova cobertura também está próxima da conclusão. As telhas antigas estão sendo trocadas por modelos com acabamento colonial e tecnologia termoacústica, que reduzem a absorção de calor e oferecem maior durabilidade.
A revitalização mantém o estilo colonial do Centro Cultural do Juruá e busca garantir a conservação de um dos prédios públicos mais antigos do Acre. Depois da reabertura, o espaço voltará a integrar as atividades culturais e educativas de Cruzeiro do Sul.
O Nosso Frigorífico realizou nesta quinta-feira, 23 de julho, a primeira exportação de carne bovina produzida no Acre para a Indonésia. O embarque abre uma nova frente comercial para a indústria acreana e resulta das negociações conduzidas junto ao país asiático, com participação do ex-presidente da ApexBrasil Jorge Viana, do governo federal e de representantes do setor produtivo.
A primeira carga reúne 28 toneladas de carne bovina. O produto saiu de Rio Branco por via terrestre com destino ao Porto de Navegantes, em Santa Catarina, de onde seguirá de navio até Jacarta, capital da Indonésia. A viagem marítima deve durar aproximadamente 35 dias.
O envio faz parte de um contrato firmado com uma empresa estatal indonésia para o fornecimento de cinco contêineres até o fim de agosto. Juntas, as cargas somarão 140 toneladas e movimentarão US$ 648,3 mil, cerca de R$ 3,6 milhões na conversão atual.
A habilitação do frigorífico acreano foi anunciada em janeiro por Jorge Viana, quando ele presidia a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. A autorização foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e incluiu a unidade da Frisacre, nome empresarial do Nosso Frigorífico, entre as plantas brasileiras liberadas para vender carne bovina ao mercado indonésio.
As negociações ganharam força durante missões empresariais e agendas internacionais organizadas pela ApexBrasil. Em outubro de 2025, empresários acreanos participaram de uma comitiva ao Sudeste Asiático durante viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O proprietário do frigorífico, Murilo Leite, integrou as agendas voltadas à aproximação entre produtores brasileiros e compradores estrangeiros.
Murilo atribuiu a abertura do novo mercado ao trabalho conjunto do setor privado com o governo federal e fez um reconhecimento especial à atuação de Jorge Viana. O empresário afirmou que a articulação conduzida pelo acreano foi decisiva para aproximar a indústria local dos compradores internacionais e concluir o processo de habilitação.
A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e amplia as possibilidades de venda para o setor frigorífico porque compra diferentes cortes, além de miúdos e outras partes do animal. A característica permite melhor aproveitamento da produção e pode elevar a rentabilidade das empresas exportadoras.
Com o novo destino, o Nosso Frigorífico amplia sua presença internacional e reforça a carne bovina entre os principais produtos vendidos pelo Acre ao exterior. A abertura também cria oportunidades para pecuaristas, transportadores, trabalhadores da indústria e demais atividades ligadas à cadeia produtiva.
O Tribunal de Contas do Estado do Acre aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (23), uma medida cautelar que determina a suspensão imediata dos atos relacionados ao Chamamento Público nº 002/2026 e à posterior dispensa preparada pela Casa Civil para a realização da Expoacre Rio Branco 2026. A decisão bloqueia assinaturas de termos de parceria, repasses financeiros e pagamentos diante de falhas encontradas no processo que prevê o uso de R$ 22 milhões.
O Pleno acompanhou o voto do conselheiro Ronald Polanco, relator do processo. A medida acolheu o relatório preliminar da Secretaria de Controle Externo, que encontrou problemas na definição do objeto, restrição à concorrência, falta de planejamento e ausência de estudos técnicos para justificar os custos da feira.
Durante a sessão, Polanco chamou atenção para as mudanças feitas após o primeiro procedimento. “Primeiro, houve um chamamento inicial no valor de R$ 20 milhões. Uma organização da sociedade civil participou, apresentou toda a documentação, mas isso não foi levado em consideração. Logo em seguida, foi realizado outro chamamento público, com o valor alterado para R$ 22 milhões e com a indicação da participação de três organizações.”
Uma das exigências questionadas obrigava as organizações da sociedade civil interessadas a manter sede ou filial no Acre. Para a equipe técnica, a condição restringiu a participação de possíveis concorrentes.
A auditoria também contestou o uso da dispensa de chamamento público com base na urgência para realizar o evento. A situação ocorreu após o procedimento inicial ser declarado deserto, mas o relatório atribuiu a proximidade da feira à falta de planejamento da própria administração.
Depois de declarar que nenhuma proposta havia sido apresentada, a Casa Civil mudou o modelo de execução da Expoacre. O orçamento passou de R$ 20 milhões para R$ 22 milhões, o objeto foi dividido em três eixos e a quantidade de atrações nacionais aumentou.
As mudanças ocorreram sem estudos de mercado, pesquisas de preços, planilhas detalhadas ou documentos que comprovassem a vantagem econômica da nova configuração. O TCE-AC considerou que a continuidade do processo poderia permitir o repasse de R$ 22 milhões sem comprovação de que os valores estavam de acordo com os preços praticados no mercado.
Polanco afirmou que a falta de informações não se restringe ao processo da Expoacre. “Existem mais de R$ 30 milhões, aproximadamente R$ 32 milhões, sobre os quais estamos solicitando informações, mas elas não chegam ao Tribunal. Anteriormente, também houve outra decisão envolvendo um valor de aproximadamente R$ 88 milhões, que consta no Portal da Transparência do governo.”
O conselheiro afirmou que o volume de recursos transferidos por meio de organizações da sociedade civil exige maior controle. “Estamos falando de um volume expressivo de recursos públicos que não está sendo acompanhado adequadamente. O Tribunal de Contas já adotou decisões anteriores buscando regulamentar essas parcerias, porque nós não estamos conseguindo ter controle sobre a aplicação desses recursos.”
O novo modelo distribuiu a execução da feira entre três organizações. O Instituto Novo Amanhã ficou responsável pela infraestrutura, logística e operação da arena, com valor estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena assumiria os shows, o entretenimento e as atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar cuidaria da segurança, do apoio logístico e da comunicação social, por R$ 3,907 milhões.
O relator esclareceu que os R$ 22 milhões não correspondem ao custo integral do evento. “Esses R$ 22 milhões não representam o valor total da Expoacre. O recurso é destinado somente à gestão de três componentes, conforme destaquei no voto.”
A cautelar não impede a realização da Expoacre 2026. A decisão condiciona o uso dos recursos públicos à correção das falhas e à apresentação de estudos técnicos, pesquisas de preços, planilhas de custos e justificativas para as alterações feitas pela Casa Civil.
Polanco defendeu a criação de uma mesa de diálogo entre os órgãos e entidades envolvidos. “Este é o momento de construirmos uma mesa consensual, com a participação de todos os atores envolvidos. No caso da Expoacre 2026, existem vários participantes.”
O secretário de Estado da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, terá até dois dias úteis para suspender todos os atos decorrentes do chamamento público e da dispensa correspondente. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 500.
A Casa Civil recebeu prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos ao tribunal. O processo também será encaminhado ao Ministério Público de Contas antes de uma nova deliberação.
O relator afirmou que o acompanhamento busca esclarecer os custos da feira e ampliar o espaço destinado aos setores produtivos. “O objetivo é acompanhar tudo de perto para que, no futuro, não existam dúvidas sobre os custos de uma Expoacre. Queremos também que ela seja uma festa da produção, e não apenas uma festa fora de época. Precisamos garantir que os setores e os atores da produção sejam cada vez mais prestigiados.”
Participaram da sessão a presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, e os conselheiros Antônio Jorge Malheiro, Ribamar Trindade, Ronald Polanco, Mário Sérgio Neri e Naluh Gouveia. A procuradora-geral do Ministério Público de Contas em exercício, Anna Helena de Azevedo Simão, também acompanhou a votação.
Antes da cautelar, o IntegraçãoNet já vinha publicando informações sobre o aumento do orçamento, a divisão da Expoacre entre os três institutos, os pagamentos anteriores feitos pelo governo estadual às entidades e as relações políticas, administrativas e religiosas encontradas em torno de parte das organizações.
No caso do Instituto Vida Plena, a cobertura mostrou que o presidente cadastral, Roniere Ferreira Xavier, firmou em 2024 um termo de fomento de R$ 20 mil com a estrutura administrativa comandada por Mailza Assis, que na época acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.
A relação mais próxima passa pelo pastor Reginaldo Ferreira da Silva. Ele trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e foi nomeado pela governadora, em abril de 2026, secretário adjunto de Governo.
Reginaldo não aparece como presidente formal do Vida Plena, mas já foi apresentado publicamente como líder e colaborador da entidade. O instituto também funciona no mesmo endereço da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, presidida por ele. Essas relações comprovam convivência política, administrativa e religiosa, mas não provam que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido no processo ou que tenha ocorrido desvio de recursos.
No Instituto Bem-Estar, anteriormente chamado Instituto Calegário, as relações encontradas são principalmente político-partidárias. A entidade mantém proximidade histórica com o grupo do deputado estadual Fagner Calegário.
Uma diretoria registrada para o período de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, enquanto Aldeneide foi nomeada pela governadora, em julho de 2026, para presidir o Instituto de Meio Ambiente do Acre.
A antiga participação dos dois na entidade e a proximidade do grupo de Calegário com o projeto político de Mailza mostram uma rede de relações partidárias, mas não comprovam participação deles na escolha do instituto para a Expoacre.
A situação do Instituto Novo Amanhã é diferente. A apuração não encontrou ligação nominal comprovada entre Mailza, sua rede política ou religiosa e a atual presidente da entidade, Deania Marques da Silva Xavier.
Os questionamentos sobre o Novo Amanhã estão relacionados à mudança recente de comando e ao tamanho do contrato. Deania assumiu o cadastro em abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado ocorreu em junho, e o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões antes de ser incluído no eixo da Expoacre estimado em R$ 8,106 milhões.
Os três institutos já acumulavam cerca de R$ 17,8 milhões em pagamentos estaduais antes das dispensas destinadas à feira. Os R$ 22 milhões previstos para a Expoacre representam estimativas das novas parcerias e não pagamentos confirmados.
A decisão do TCE-AC ocorre após o IntegraçãoNet levantar questionamentos sobre a falta de concorrência, a mudança do orçamento, a divisão do evento entre três entidades, os pedidos de informações ainda não atendidos e as conexões existentes em torno de parte dos institutos. A cautelar interrompe o processo até que a Casa Civil apresente documentos capazes de comprovar a regularidade, a necessidade e a compatibilidade dos valores previstos.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) adotaram nesta quinta-feira, 23, medidas para ampliar a proteção do jornalista e radialista Chico Melo, de 54 anos, após a invasão violenta à residência dele na madrugada de quarta-feira, 22, em Cruzeiro do Sul. As entidades trabalham para incluir o comunicador em um programa federal de proteção.
O caso foi encaminhado a representante da organização Repórteres Sem Fronteiras, que deverá orientar Chico Melo sobre o ingresso no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
A presidente da Fenaj, Samira de Castro, entrou em contato com o jornalista e repassou as orientações iniciais. O programa federal pode oferecer medidas de segurança conforme o risco enfrentado e as circunstâncias apuradas no caso.
Quatro homens armados invadiram a casa de Chico Melo por volta das 2h30, após arrombarem uma janela. O jornalista foi agredido com socos e uma coronhada na cabeça, recebeu ameaças de morte e precisou de atendimento médico. Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil do Acre para identificar os autores e esclarecer a motivação do crime.
Durante a ação, um dos invasores teria perguntado se Chico Melo era a pessoa que falava de política. O relato levantou a possibilidade de que o ataque tenha relação com a atividade profissional do comunicador, hipótese que ainda depende de confirmação. A apuração policial trabalha inicialmente com a possibilidade de roubo.
A Fenaj também encaminhou o episódio ao Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. As entidades cobram uma investigação capaz de esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias da invasão.
O presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro, afirmou que o sindicato acompanha o caso e atua para garantir a segurança do jornalista. “Esse caso não pode ficar impune”, declarou. Sinjac e Fenaj também pediram a responsabilização dos envolvidos e medidas para evitar novos ataques contra profissionais da imprensa.
Cinco dias antes da invasão, as duas entidades já haviam divulgado uma nota após Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau relatarem supostas ameaças de prisão. Até o momento, não há confirmação de relação entre as denúncias anteriores e o ataque ocorrido na residência.
A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) divulgou uma nota de repúdio às agressões sofridas pelo jornalista Chico Melo, da Rádio Integração, durante um suposto assalto ocorrido na madrugada de quarta-feira (22), em Cruzeiro do Sul. O posicionamento foi assinado pelos 24 deputados estaduais.
Na manifestação, a Casa afirma que o comunicador foi espancado, teve pertences violados e sofreu tortura psicológica durante a ação criminosa. Para os parlamentares, um atentado contra um jornalista representa também um ataque à democracia e à liberdade de imprensa.
A Aleac solicita uma investigação rigorosa, pública e transparente por parte da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), para identificar e responsabilizar os autores do crime.
A nota também reafirma que a Assembleia não tolera qualquer tipo de violência contra profissionais da imprensa, agentes políticos ou membros da sociedade civil em razão de posicionamentos políticos ou do exercício da atividade jornalística.
Leia a nota completa abaixo.
NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE
A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), composta por seus 24 membros, vem à público repudiar as agressões praticadas contra o jornalista Chico Melo, da Rádio Integração de Cruzciro do Sul.
Chico Melo foi vítima de um atentado na madrugada desta quarta-feira (22/7), em sua residência no bairro do Telégrafo.
Durante o suposto assalto, ele foi violentamente espancado, teve seus pertences violados e foi submetido à tortura psicológica pelos criminosos.
Um atentado contra um jornalista não se configura apenas uma agressão a um profissional, mas a toda a democracia que essa Casa Legislativa defende com veemência e firmeza ao longo dos seus mais de sessenta anos.
Diante disso, solicitamos uma investigação rigorosa, pública e transparente, por parte da Polícia Civil, com o acompanhamento do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), apresentado os culpados por essa barbárie.
Reafirmamos ainda que não toleraremos manifestação de violência contra qualquer profissional da imprensa, políticos ou membro da sociedade civil por sua preferência partidária ou política, ou, no caso da imprensa, por simplesmente relatar a verdade dos fatos.
Tortura nunca mais!
Assembleia Legislativa do Estado do Acre – Aleac Sala das Sessões Deputado Francisco Cartaxo Rio Branco Acre, 22 de julho de 2026
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