Naluh Gouveia alerta para uso de OSCs no repasse de R$ 22 milhões da Expoacre 2026

A suspensão dos atos relacionados ao repasse de R$ 22 milhões para a Expoacre 2026 levou o Tribunal de Contas do Estado do Acre a discutir os riscos da contratação de organizações da sociedade civil para administrar grandes eventos financiados com recursos públicos. Durante a 1654ª Sessão Ordinária do TCE-AC, a conselheira Naluh Gouveia afirmou que entidades estariam sendo criadas para movimentar dinheiro público sem controle adequado e cobrou maior rigor na aplicação do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.

A análise ocorreu no processo que trata do chamamento público conduzido pela Secretaria de Estado da Casa Civil para a realização da feira agropecuária. A proposta inicialmente estimada em R$ 20 milhões passou para R$ 22 milhões após a divisão da execução do evento. O processo não apresentou memórias de cálculo, cotações de mercado ou justificativas técnicas suficientes para sustentar os valores e a alegação de urgência usada pela administração estadual.

Naluh afirmou que o problema não se limita ao Acre e fez uma acusação direta sobre a finalidade de parte das organizações que passaram a receber recursos públicos. “Hoje a gente tá vendo uma coisa muito triste no Brasil, e não é uma característica daqui só do nosso estado… Organizações sendo criadas literalmente para lavagem de dinheiro. Claro que a gente sabe que tem organizações sérias, mas hoje, na sua maioria, nós estamos com esse problema”, declarou durante o julgamento.

A fala foi feita no contexto da discussão sobre o uso da Lei nº 13.019/2014, que regulamenta as parcerias entre o poder público e as organizações da sociedade civil. O modelo foi criado para apoiar projetos de interesse social executados por entidades sem fins lucrativos, mas também passou a ser empregado na organização de feiras, festivais e shows financiados com verbas públicas.

Esses contratos podem envolver montagem de estruturas, segurança privada, sonorização, iluminação, divulgação e contratação de artistas. Para o TCE-AC, a ausência de detalhamento dos custos impede a comparação com os preços de mercado e reduz a capacidade de fiscalização sobre a destinação dos recursos.

Naluh lembrou que as organizações não governamentais tiveram papel importante no atendimento de comunidades e grupos que não recebiam assistência adequada do Estado. Citou como exemplo o Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular, o Cedep, que atua há décadas no enfrentamento à violência contra a mulher.

A conselheira questionou, porém, a contratação de entidades sem experiência compatível com o objeto das parcerias e criticou a participação de organizações ligadas a lideranças religiosas na produção de eventos sem caráter religioso. “A gente não consegue entender como é que pastores hoje estão fazendo eventos não religiosos… virou uma coisa absurda e a gente precisa estar muito atento a isso.”

A preocupação também alcança os municípios. Naluh afirmou que procedimentos adotados pelo governo estadual podem ser repetidos pelas prefeituras na contratação de estruturas e atrações para festas tradicionais. Durante a sessão, ela citou o Festival do Açaí, em Feijó, e o Festival do Amendoim, em Senador Guiomard, como eventos importantes para a economia e a cultura locais, mas que precisam cumprir as regras de contratação e prestação de contas.

“É bonito você ter em Feijó o festival do açaí, você ter em Senador Guiomard o festival do amendoim. É uma coisa muito saudável. Mas não se pode aproveitar esse tipo de situação para não fazer os processos direito. É dinheiro público, e a gente precisa ter respeito”, alertou.

Naluh também informou que o Tribunal preparava uma medida cautelar relacionada à Prefeitura de Tarauacá. Segundo a conselheira, o processo analisado apresentava risco de sobrepreço superior a R$ 10 milhões e utilizava procedimentos semelhantes aos questionados no caso da Expoacre.

A medida cautelar sobre a Expoacre 2026 foi relatada pelo conselheiro Ronald Polanco e aprovada por unanimidade. A decisão suspendeu os atos da Casa Civil ligados ao chamamento público até que o governo apresente informações capazes de comprovar os custos, justificar o modelo de contratação e demonstrar a compatibilidade dos valores com o mercado.

A suspensão não impede a realização da feira. O Tribunal cobra a correção do processo antes da transferência dos recursos. A decisão coloca sob revisão um modelo que transfere milhões de reais para entidades privadas encarregadas de executar despesas que, em uma contratação comum, exigiriam pesquisa de preços, definição detalhada dos serviços e fiscalização direta do poder público.

Após ação do TCE, como ficam os shows “grátis” da Expoacre 2026?

Ao votar pela suspensão dos atos relacionados à contratação da Expoacre 2026, o conselheiro Ronald Polanco foi além das falhas encontradas no processo de R$ 22 milhões conduzido pela Casa Civil. Em sua manifestação, defendeu que a principal feira do Acre seja voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, em vez de ter sua identidade reduzida à contratação de grandes atrações musicais.

A medida cautelar aprovada nesta quinta-feira, 23, impede, por enquanto, a assinatura das parcerias, os repasses de recursos e os pagamentos previstos no procedimento. O Tribunal de Contas do Estado apontou problemas no planejamento, na justificativa dos valores, na concorrência e na definição dos serviços que seriam executados.

Os detalhes da decisão já foram apresentados pelo Integração Net. A questão que permanece agora é outra: o que a suspensão representa para um evento cuja divulgação foi construída principalmente em torno de shows anunciados como “gratuitos”?

A feira passou a ser divulgada pelos shows

Nos últimos anos, o governo do Acre consolidou um modelo em que a Expoacre deixou de ser divulgada principalmente como uma vitrine da produção rural, industrial e comercial. A feira passou a ser apresentada ao público pela programação de artistas nacionais.

Primeiro são anunciados os cantores. Depois aparecem os discursos sobre produção, negócios, inovação e fortalecimento da economia.

As apurações realizadas pelo Integração Net mostram que esse formato não se limita à estratégia de comunicação. Ele também aparece na distribuição dos recursos públicos.

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, as estruturas estaduais responsáveis pelas áreas de indústria, ciência, tecnologia, comércio e turismo pagaram R$ 170,4 milhões.

Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em despesas relacionadas à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, eventos, Carnaval, festivais, festas, shows, atrações nacionais e comemorações do Dia do Trabalhador. O valor representa 44,7% de tudo o que foi pago no período.

A soma não corresponde apenas aos cachês. Também envolve palcos, tendas, sonorização, iluminação, camarotes, logística, produção, divulgação, organização dos eventos e termos de colaboração firmados com entidades privadas.

Ainda assim, o volume ajuda a compreender a prioridade assumida pela política pública.

No mesmo período, a promoção comercial recebeu R$ 85,2 milhões, enquanto a promoção industrial ficou com R$ 16,5 milhões. Para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram aplicados na promoção comercial.

A realização de feiras não é, por si só, incompatível com uma política de desenvolvimento. Esses eventos podem abrir mercados, divulgar produtos, atrair compradores e gerar negócios.

A questão é saber quanto desse dinheiro deixa resultados permanentes para a economia acreana e quanto se encerra depois que os palcos, camarotes e demais estruturas são desmontados.

Expoacre Juruá destinou mais da metade do orçamento aos shows

O caso mais recente ajuda a compreender como esse modelo funciona.

O Integração Net obteve o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar para executar a Expoacre Juruá 2026. O documento deu origem ao Termo de Colaboração nº 01/2026, assinado com a Casa Civil, no valor global de R$ 16.648.310.

Os registros oficiais consultados pelo Integração Net mostram R$ 15.848.310 transferidos à associação para a realização do evento.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima, R$ 750 mil para Ícaro e Gilmar, R$ 650 mil para Tierry, R$ 650 mil para Padre Fábio de Melo e R$ 400 mil para a Banda Morada.

Os seis cachês somaram R$ 6,25 milhões.

Além disso, foram reservados R$ 2.448.520 para a produção e a logística dos artistas. A rubrica incluía passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins, excesso de bagagem, direitos autorais e outros custos operacionais.

Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais chegaram a R$ 8.698.520.

Com a inclusão de uma atração infantil de R$ 50 mil, o conjunto destinado às apresentações e à operação dos shows alcançou R$ 8.748.520, aproximadamente 52,5% de todo o orçamento da Expoacre Juruá.

Mais da metade dos recursos previstos no plano foi destinada aos artistas nacionais e à estrutura necessária para colocá-los no palco.

Cachê de Leonardo superou o custo da estrutura geral

Toda a estrutura geral da feira, incluindo palco, tendas, camarotes, banheiros e espaços de apoio, foi orçada em R$ 1.981.440.

Somente o cachê de Leonardo, de R$ 2,1 milhões, ficou R$ 118.560 acima do valor destinado à estrutura geral do evento.

Para artistas locais e regionais, o plano reservou R$ 612.500. Os seis cachês nacionais representaram mais de dez vezes o montante separado para o conjunto das atrações locais.

Valores ficaram acima de contratos usados na comparação

O Integração Net também comparou os valores apresentados pela Associação Transformar com contratos públicos recentes dos mesmos artistas em outras partes do país.

Os cachês previstos para a Expoacre Juruá somaram R$ 6,25 milhões. As referências públicas encontradas totalizaram R$ 2,74 milhões. A diferença chegou a R$ 3,51 milhões.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, enquanto uma contratação pública usada na comparação registrou R$ 800 mil.

Para Natanzinho Lima, foram previstos R$ 1,7 milhão, diante de uma referência de R$ 800 mil.

Tierry foi orçado em R$ 650 mil, enquanto outro contrato público registrou R$ 250 mil.

A diferença, isoladamente, não comprova sobrepreço. Cachês podem variar conforme data, local, duração, agenda e condições da apresentação.

Todos os valores previstos para a Expoacre Juruá, no entanto, ficaram acima das referências analisadas.

As despesas decorrentes da distância de Cruzeiro do Sul também não estavam incluídas nos cachês. O plano já possuía uma rubrica separada de R$ 2,44 milhões para transporte, hospedagem e produção.

A gratuidade termina no orçamento público

Os shows da Expoacre são apresentados como gratuitos porque o público não precisa comprar ingresso. Isso não significa que não exista custo.

Os artistas recebem cachês. As equipes recebem passagens, hospedagem, alimentação e transporte. O governo paga palco, som, iluminação, camarins, segurança, divulgação e produção.

A população não paga na bilheteria, mas paga por meio do orçamento público. Muda apenas a forma de cobrança.

O caso da Expoacre Juruá mostra o tamanho dessa conta. Mais de R$ 8,7 milhões foram reservados aos shows nacionais e à logística das atrações.

Esse modelo ajuda a explicar por que a manifestação de Ronald Polanco tem alcance maior do que a cautelar aplicada ao processo de 2026.

Ao defender uma Expoacre voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, o conselheiro colocou em discussão uma inversão que foi normalizada ao longo dos anos: os shows deixaram de ser uma parte da feira e passaram a ocupar o centro dela.

Atrações foram anunciadas antes da suspensão

A Expoacre Rio Branco 2026 já foi divulgada com atrações como Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela. Os nomes dos artistas foram utilizados como principal chamariz da programação.

Ao mesmo tempo, o processo de R$ 22 milhões que daria suporte à execução da feira está suspenso pelo Tribunal de Contas.

O governo ainda poderá apresentar documentos, corrigir os problemas, justificar os preços ou adotar outro modelo de contratação.

A Expoacre não foi cancelada, e os shows também não foram formalmente proibidos.

A cautelar, porém, criou uma questão que o governo precisará responder: como serão mantidas as atrações já anunciadas se os repasses previstos não podem ser realizados da forma planejada?

A administração vai corrigir o procedimento, reduzir os custos, contratar os shows por outro caminho ou retirar atrações da programação?

Também poderá aproveitar a decisão do TCE para devolver à Expoacre o caráter de feira de produção, negócios e desenvolvimento econômico defendido por Ronald Polanco.

Depois de anos anunciando shows como “gratuitos”, o governo terá de explicar quem vai pagar a conta e de que forma, caso o modelo de contratação permaneça suspenso.

Foto: Voz do Norte

TCE-AC suspende atos da Expoacre 2026 por indícios de irregularidades

O Tribunal de Contas do Estado do Acre aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (23), uma medida cautelar que determina a suspensão imediata dos atos relacionados ao Chamamento Público nº 002/2026 e à posterior dispensa preparada pela Casa Civil para a realização da Expoacre Rio Branco 2026. A decisão bloqueia assinaturas de termos de parceria, repasses financeiros e pagamentos diante de falhas encontradas no processo que prevê o uso de R$ 22 milhões.

O Pleno acompanhou o voto do conselheiro Ronald Polanco, relator do processo. A medida acolheu o relatório preliminar da Secretaria de Controle Externo, que encontrou problemas na definição do objeto, restrição à concorrência, falta de planejamento e ausência de estudos técnicos para justificar os custos da feira.

Durante a sessão, Polanco chamou atenção para as mudanças feitas após o primeiro procedimento. “Primeiro, houve um chamamento inicial no valor de R$ 20 milhões. Uma organização da sociedade civil participou, apresentou toda a documentação, mas isso não foi levado em consideração. Logo em seguida, foi realizado outro chamamento público, com o valor alterado para R$ 22 milhões e com a indicação da participação de três organizações.”

Uma das exigências questionadas obrigava as organizações da sociedade civil interessadas a manter sede ou filial no Acre. Para a equipe técnica, a condição restringiu a participação de possíveis concorrentes.

A auditoria também contestou o uso da dispensa de chamamento público com base na urgência para realizar o evento. A situação ocorreu após o procedimento inicial ser declarado deserto, mas o relatório atribuiu a proximidade da feira à falta de planejamento da própria administração.

Depois de declarar que nenhuma proposta havia sido apresentada, a Casa Civil mudou o modelo de execução da Expoacre. O orçamento passou de R$ 20 milhões para R$ 22 milhões, o objeto foi dividido em três eixos e a quantidade de atrações nacionais aumentou.

As mudanças ocorreram sem estudos de mercado, pesquisas de preços, planilhas detalhadas ou documentos que comprovassem a vantagem econômica da nova configuração. O TCE-AC considerou que a continuidade do processo poderia permitir o repasse de R$ 22 milhões sem comprovação de que os valores estavam de acordo com os preços praticados no mercado.

Polanco afirmou que a falta de informações não se restringe ao processo da Expoacre. “Existem mais de R$ 30 milhões, aproximadamente R$ 32 milhões, sobre os quais estamos solicitando informações, mas elas não chegam ao Tribunal. Anteriormente, também houve outra decisão envolvendo um valor de aproximadamente R$ 88 milhões, que consta no Portal da Transparência do governo.”

O conselheiro afirmou que o volume de recursos transferidos por meio de organizações da sociedade civil exige maior controle. “Estamos falando de um volume expressivo de recursos públicos que não está sendo acompanhado adequadamente. O Tribunal de Contas já adotou decisões anteriores buscando regulamentar essas parcerias, porque nós não estamos conseguindo ter controle sobre a aplicação desses recursos.”

O novo modelo distribuiu a execução da feira entre três organizações. O Instituto Novo Amanhã ficou responsável pela infraestrutura, logística e operação da arena, com valor estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena assumiria os shows, o entretenimento e as atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar cuidaria da segurança, do apoio logístico e da comunicação social, por R$ 3,907 milhões.

O relator esclareceu que os R$ 22 milhões não correspondem ao custo integral do evento. “Esses R$ 22 milhões não representam o valor total da Expoacre. O recurso é destinado somente à gestão de três componentes, conforme destaquei no voto.”

A cautelar não impede a realização da Expoacre 2026. A decisão condiciona o uso dos recursos públicos à correção das falhas e à apresentação de estudos técnicos, pesquisas de preços, planilhas de custos e justificativas para as alterações feitas pela Casa Civil.

Polanco defendeu a criação de uma mesa de diálogo entre os órgãos e entidades envolvidos. “Este é o momento de construirmos uma mesa consensual, com a participação de todos os atores envolvidos. No caso da Expoacre 2026, existem vários participantes.”

O secretário de Estado da Casa Civil, Cristovam Pontes de Moura, terá até dois dias úteis para suspender todos os atos decorrentes do chamamento público e da dispensa correspondente. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 500.

A Casa Civil recebeu prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos ao tribunal. O processo também será encaminhado ao Ministério Público de Contas antes de uma nova deliberação.

O relator afirmou que o acompanhamento busca esclarecer os custos da feira e ampliar o espaço destinado aos setores produtivos. “O objetivo é acompanhar tudo de perto para que, no futuro, não existam dúvidas sobre os custos de uma Expoacre. Queremos também que ela seja uma festa da produção, e não apenas uma festa fora de época. Precisamos garantir que os setores e os atores da produção sejam cada vez mais prestigiados.”

Participaram da sessão a presidente do TCE-AC, conselheira Dulce Benício, e os conselheiros Antônio Jorge Malheiro, Ribamar Trindade, Ronald Polanco, Mário Sérgio Neri e Naluh Gouveia. A procuradora-geral do Ministério Público de Contas em exercício, Anna Helena de Azevedo Simão, também acompanhou a votação.

Antes da cautelar, o IntegraçãoNet já vinha publicando informações sobre o aumento do orçamento, a divisão da Expoacre entre os três institutos, os pagamentos anteriores feitos pelo governo estadual às entidades e as relações políticas, administrativas e religiosas encontradas em torno de parte das organizações.

No caso do Instituto Vida Plena, a cobertura mostrou que o presidente cadastral, Roniere Ferreira Xavier, firmou em 2024 um termo de fomento de R$ 20 mil com a estrutura administrativa comandada por Mailza Assis, que na época acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

A relação mais próxima passa pelo pastor Reginaldo Ferreira da Silva. Ele trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e foi nomeado pela governadora, em abril de 2026, secretário adjunto de Governo.

Reginaldo não aparece como presidente formal do Vida Plena, mas já foi apresentado publicamente como líder e colaborador da entidade. O instituto também funciona no mesmo endereço da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, presidida por ele. Essas relações comprovam convivência política, administrativa e religiosa, mas não provam que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido no processo ou que tenha ocorrido desvio de recursos.

No Instituto Bem-Estar, anteriormente chamado Instituto Calegário, as relações encontradas são principalmente político-partidárias. A entidade mantém proximidade histórica com o grupo do deputado estadual Fagner Calegário.

Uma diretoria registrada para o período de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, enquanto Aldeneide foi nomeada pela governadora, em julho de 2026, para presidir o Instituto de Meio Ambiente do Acre.

A antiga participação dos dois na entidade e a proximidade do grupo de Calegário com o projeto político de Mailza mostram uma rede de relações partidárias, mas não comprovam participação deles na escolha do instituto para a Expoacre.

A situação do Instituto Novo Amanhã é diferente. A apuração não encontrou ligação nominal comprovada entre Mailza, sua rede política ou religiosa e a atual presidente da entidade, Deania Marques da Silva Xavier.

Os questionamentos sobre o Novo Amanhã estão relacionados à mudança recente de comando e ao tamanho do contrato. Deania assumiu o cadastro em abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado ocorreu em junho, e o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões antes de ser incluído no eixo da Expoacre estimado em R$ 8,106 milhões.

Os três institutos já acumulavam cerca de R$ 17,8 milhões em pagamentos estaduais antes das dispensas destinadas à feira. Os R$ 22 milhões previstos para a Expoacre representam estimativas das novas parcerias e não pagamentos confirmados.

A decisão do TCE-AC ocorre após o IntegraçãoNet levantar questionamentos sobre a falta de concorrência, a mudança do orçamento, a divisão do evento entre três entidades, os pedidos de informações ainda não atendidos e as conexões existentes em torno de parte dos institutos. A cautelar interrompe o processo até que a Casa Civil apresente documentos capazes de comprovar a regularidade, a necessidade e a compatibilidade dos valores previstos.

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