Prefeitura de Cruzeiro do Sul amplia parceria com TCE-AC para melhorar gestão pública

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) discutiram nesta sexta-feira (24) ações conjuntas para ampliar a transparência, melhorar a aplicação dos recursos públicos e dar mais segurança às decisões administrativas do município.

O prefeito Zequinha Lima participou da reunião acompanhado de assessores. Pelo Tribunal de Contas, estiveram presentes a presidente da instituição, conselheira Dulce Benício, os conselheiros Ribamar Trindade, Naluh Gouveia e Mário Sérgio, além do conselheiro aposentado Valmir Ribeiro.

Durante o encontro, os representantes das duas instituições trataram da adoção de boas práticas administrativas e do cumprimento da legislação. A aproximação também busca manter um canal permanente de orientação entre o órgão fiscalizador e a administração municipal.

Zequinha Lima afirmou que o apoio técnico do Tribunal auxilia os gestores na condução dos serviços públicos e na tomada de decisões. “Essa aproximação fortalece nosso trabalho, nos dá mais segurança na tomada de decisões e reafirma nosso compromisso com uma gestão transparente, responsável e voltada para oferecer serviços cada vez melhores à população de Cruzeiro do Sul”, declarou.

Além de fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, o TCE-AC orienta os municípios sobre procedimentos administrativos, prestação de contas, contratos e outras medidas necessárias para o cumprimento das normas. A cooperação pretende reduzir falhas, aprimorar os processos internos da prefeitura e aumentar a eficiência da gestão municipal.

Parque Chico Mendes fecha para revitalização e reabre no aniversário de 30 anos

O Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco, ficará fechado ao público entre os dias 25 e 30 de julho para a realização de obras e serviços de revitalização. A reabertura está marcada para 31 de julho, quando o espaço receberá uma programação comemorativa pelos 30 anos de funcionamento.

Durante os seis dias de interrupção das visitas, equipes trabalharão em diferentes áreas do parque. Os serviços serão executados para melhorar a segurança, a organização e o conforto oferecido aos frequentadores.

A suspensão temporária do atendimento também evitará a circulação de visitantes nos locais onde ocorrerão as intervenções. A medida busca reduzir riscos tanto para o público quanto para os profissionais envolvidos nos trabalhos.

A programação de reabertura marcará três décadas de atuação do Parque Ambiental Chico Mendes em atividades de preservação ambiental, educação ecológica, lazer e valorização da biodiversidade amazônica.

As visitas poderão ser retomadas normalmente a partir de 31 de julho, junto com as atividades preparadas para celebrar o aniversário do parque.

Chico Melo diz que atentado contra sua vida não pode ser tratado como roubo

O jornalista Chico Melo afirmou nesta sexta-feira, 24 de julho, no Jornal da Manhã, que o ataque sofrido dentro de sua casa, em Cruzeiro do Sul, não pode ser tratado apenas como um roubo. Ainda sob medicação e afastado da bancada da Rádio Integração FM, ele relatou que passou cerca de 30 minutos sob a mira de armas, foi agredido com socos e coronhadas e ouviu ameaças de morte.

“Foi algo aterrorizante que eu não desejo para ninguém. Por muito pouco eu não perdi a vida”, declarou. Chico contou que, durante a invasão, os quatro homens perguntavam se ele era “o cara da rádio que fala de política” e diziam que ele sabia o motivo do ataque. As frases foram repassadas às autoridades responsáveis pela investigação.

Para o jornalista, as perguntas feitas pelos agressores aumentam a gravidade do caso. “Eu tive minha casa invadida por quatro homens, fui brutalmente agredido sob a mira de armas e, a todo instante, me perguntavam: ‘Você não é o cara da rádio que fala de política?’. Então, isso não foi um simples roubo”, afirmou.

Chico relacionou o ataque ao trabalho realizado no programa, que aborda política, gastos públicos e problemas enfrentados pela população de Cruzeiro do Sul. Ele defendeu que a motivação seja esclarecida e que as ameaças ligadas à atividade jornalística não sejam ignoradas.

Durante a participação, o jornalista também falou sobre o impacto do episódio em sua família e na rotina profissional. Ele afirmou que ainda não sabe quando poderá voltar ao estúdio, mas disse que pretende continuar trabalhando. “Cruzeiro do Sul não tem dono. Cruzeiro do Sul é de todos nós. É uma cidade que tem que ser livre”, declarou.

O senador Márcio Bittar afirmou que o caso se torna mais grave caso seja confirmada relação com as opiniões apresentadas por Chico no rádio. “Se isso tem a ver com a opinião dada por ele no programa, fica muito mais grave”, disse. O prefeito Zequinha Lima também se manifestou e afirmou que divergências não podem ser respondidas com violência. “As pessoas não podem fazer com que a voz das outras se cale através da violência”, declarou.
A investigação deverá esclarecer quem participou do ataque, qual foi a motivação e se outras pessoas tiveram envolvimento. Até a conclusão das diligências, a possível ligação com o trabalho de Chico Melo permanece como suspeita relatada pela vítima.

Após ação do TCE, como ficam os shows “grátis” da Expoacre 2026?

Ao votar pela suspensão dos atos relacionados à contratação da Expoacre 2026, o conselheiro Ronald Polanco foi além das falhas encontradas no processo de R$ 22 milhões conduzido pela Casa Civil. Em sua manifestação, defendeu que a principal feira do Acre seja voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, em vez de ter sua identidade reduzida à contratação de grandes atrações musicais.

A medida cautelar aprovada nesta quinta-feira, 23, impede, por enquanto, a assinatura das parcerias, os repasses de recursos e os pagamentos previstos no procedimento. O Tribunal de Contas do Estado apontou problemas no planejamento, na justificativa dos valores, na concorrência e na definição dos serviços que seriam executados.

Os detalhes da decisão já foram apresentados pelo Integração Net. A questão que permanece agora é outra: o que a suspensão representa para um evento cuja divulgação foi construída principalmente em torno de shows anunciados como “gratuitos”?

A feira passou a ser divulgada pelos shows

Nos últimos anos, o governo do Acre consolidou um modelo em que a Expoacre deixou de ser divulgada principalmente como uma vitrine da produção rural, industrial e comercial. A feira passou a ser apresentada ao público pela programação de artistas nacionais.

Primeiro são anunciados os cantores. Depois aparecem os discursos sobre produção, negócios, inovação e fortalecimento da economia.

As apurações realizadas pelo Integração Net mostram que esse formato não se limita à estratégia de comunicação. Ele também aparece na distribuição dos recursos públicos.

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, as estruturas estaduais responsáveis pelas áreas de indústria, ciência, tecnologia, comércio e turismo pagaram R$ 170,4 milhões.

Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em despesas relacionadas à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, eventos, Carnaval, festivais, festas, shows, atrações nacionais e comemorações do Dia do Trabalhador. O valor representa 44,7% de tudo o que foi pago no período.

A soma não corresponde apenas aos cachês. Também envolve palcos, tendas, sonorização, iluminação, camarotes, logística, produção, divulgação, organização dos eventos e termos de colaboração firmados com entidades privadas.

Ainda assim, o volume ajuda a compreender a prioridade assumida pela política pública.

No mesmo período, a promoção comercial recebeu R$ 85,2 milhões, enquanto a promoção industrial ficou com R$ 16,5 milhões. Para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram aplicados na promoção comercial.

A realização de feiras não é, por si só, incompatível com uma política de desenvolvimento. Esses eventos podem abrir mercados, divulgar produtos, atrair compradores e gerar negócios.

A questão é saber quanto desse dinheiro deixa resultados permanentes para a economia acreana e quanto se encerra depois que os palcos, camarotes e demais estruturas são desmontados.

Expoacre Juruá destinou mais da metade do orçamento aos shows

O caso mais recente ajuda a compreender como esse modelo funciona.

O Integração Net obteve o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar para executar a Expoacre Juruá 2026. O documento deu origem ao Termo de Colaboração nº 01/2026, assinado com a Casa Civil, no valor global de R$ 16.648.310.

Os registros oficiais consultados pelo Integração Net mostram R$ 15.848.310 transferidos à associação para a realização do evento.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima, R$ 750 mil para Ícaro e Gilmar, R$ 650 mil para Tierry, R$ 650 mil para Padre Fábio de Melo e R$ 400 mil para a Banda Morada.

Os seis cachês somaram R$ 6,25 milhões.

Além disso, foram reservados R$ 2.448.520 para a produção e a logística dos artistas. A rubrica incluía passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins, excesso de bagagem, direitos autorais e outros custos operacionais.

Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais chegaram a R$ 8.698.520.

Com a inclusão de uma atração infantil de R$ 50 mil, o conjunto destinado às apresentações e à operação dos shows alcançou R$ 8.748.520, aproximadamente 52,5% de todo o orçamento da Expoacre Juruá.

Mais da metade dos recursos previstos no plano foi destinada aos artistas nacionais e à estrutura necessária para colocá-los no palco.

Cachê de Leonardo superou o custo da estrutura geral

Toda a estrutura geral da feira, incluindo palco, tendas, camarotes, banheiros e espaços de apoio, foi orçada em R$ 1.981.440.

Somente o cachê de Leonardo, de R$ 2,1 milhões, ficou R$ 118.560 acima do valor destinado à estrutura geral do evento.

Para artistas locais e regionais, o plano reservou R$ 612.500. Os seis cachês nacionais representaram mais de dez vezes o montante separado para o conjunto das atrações locais.

Valores ficaram acima de contratos usados na comparação

O Integração Net também comparou os valores apresentados pela Associação Transformar com contratos públicos recentes dos mesmos artistas em outras partes do país.

Os cachês previstos para a Expoacre Juruá somaram R$ 6,25 milhões. As referências públicas encontradas totalizaram R$ 2,74 milhões. A diferença chegou a R$ 3,51 milhões.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, enquanto uma contratação pública usada na comparação registrou R$ 800 mil.

Para Natanzinho Lima, foram previstos R$ 1,7 milhão, diante de uma referência de R$ 800 mil.

Tierry foi orçado em R$ 650 mil, enquanto outro contrato público registrou R$ 250 mil.

A diferença, isoladamente, não comprova sobrepreço. Cachês podem variar conforme data, local, duração, agenda e condições da apresentação.

Todos os valores previstos para a Expoacre Juruá, no entanto, ficaram acima das referências analisadas.

As despesas decorrentes da distância de Cruzeiro do Sul também não estavam incluídas nos cachês. O plano já possuía uma rubrica separada de R$ 2,44 milhões para transporte, hospedagem e produção.

A gratuidade termina no orçamento público

Os shows da Expoacre são apresentados como gratuitos porque o público não precisa comprar ingresso. Isso não significa que não exista custo.

Os artistas recebem cachês. As equipes recebem passagens, hospedagem, alimentação e transporte. O governo paga palco, som, iluminação, camarins, segurança, divulgação e produção.

A população não paga na bilheteria, mas paga por meio do orçamento público. Muda apenas a forma de cobrança.

O caso da Expoacre Juruá mostra o tamanho dessa conta. Mais de R$ 8,7 milhões foram reservados aos shows nacionais e à logística das atrações.

Esse modelo ajuda a explicar por que a manifestação de Ronald Polanco tem alcance maior do que a cautelar aplicada ao processo de 2026.

Ao defender uma Expoacre voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, o conselheiro colocou em discussão uma inversão que foi normalizada ao longo dos anos: os shows deixaram de ser uma parte da feira e passaram a ocupar o centro dela.

Atrações foram anunciadas antes da suspensão

A Expoacre Rio Branco 2026 já foi divulgada com atrações como Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela. Os nomes dos artistas foram utilizados como principal chamariz da programação.

Ao mesmo tempo, o processo de R$ 22 milhões que daria suporte à execução da feira está suspenso pelo Tribunal de Contas.

O governo ainda poderá apresentar documentos, corrigir os problemas, justificar os preços ou adotar outro modelo de contratação.

A Expoacre não foi cancelada, e os shows também não foram formalmente proibidos.

A cautelar, porém, criou uma questão que o governo precisará responder: como serão mantidas as atrações já anunciadas se os repasses previstos não podem ser realizados da forma planejada?

A administração vai corrigir o procedimento, reduzir os custos, contratar os shows por outro caminho ou retirar atrações da programação?

Também poderá aproveitar a decisão do TCE para devolver à Expoacre o caráter de feira de produção, negócios e desenvolvimento econômico defendido por Ronald Polanco.

Depois de anos anunciando shows como “gratuitos”, o governo terá de explicar quem vai pagar a conta e de que forma, caso o modelo de contratação permaneça suspenso.

Foto: Voz do Norte