Republicanos leva ao TCE denúncia contra quase 14 mil nomeações no governo Mailza

O Republicanos, partido do senador Alan Rick, levou nesta quarta-feira, 12 de agosto, ao Tribunal de Contas do Estado do Acre uma denúncia contra uma sequência de quase 14 mil nomeações, exonerações e movimentações de pessoal atribuídas ao governo de Mailza Assis. A ofensiva empurra a folha de pagamento do Estado para o centro da disputa pelo Palácio Rio Branco num momento em que o Executivo opera sob forte pressão fiscal: no primeiro quadrimestre de 2026, a despesa com pessoal chegou a 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e a apenas 0,91 ponto percentual do teto de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Caberá ao TCE separar, dentro do volume apresentado pelo partido, quais atos criaram custo novo para o Estado e quais representam concursos, substituições, remanejamentos ou trocas em cargos já existentes.

O tamanho do número transforma uma rotina administrativa em um problema político. Quase 14 mil atos relacionados a pessoal, apresentados em bloco durante uma campanha apertada, produzem um efeito imediato sobre a opinião pública. O efeito contábil, porém, não pode ser calculado apenas pela quantidade de nomes publicados no Diário Oficial. Uma exoneração seguida de nomeação para outro cargo, por exemplo, pode aparecer duas vezes nos registros sem acrescentar uma única pessoa à folha. Um servidor pode mudar de secretaria, um cargo pode trocar de ocupante e um aprovado em concurso pode entrar no lugar de alguém que se aposentou. A questão central, por isso, não está apenas no tamanho da lista, mas no custo líquido produzido por ela.

A situação fiscal amplia o peso da denúncia. Entre maio de 2025 e abril de 2026, a despesa considerada no cálculo do limite de pessoal chegou a aproximadamente R$ 5,48 bilhões. Ao fim de 2025, o comprometimento da Receita Corrente Líquida estava em 47,99%. Quatro meses depois, atingiu 48,09%. O Executivo ainda permanece abaixo do teto de 49%, mas já atravessou a faixa em que a Lei de Responsabilidade Fiscal começa a fechar portas para decisões capazes de elevar permanentemente o gasto com servidores.

Essa fotografia, no entanto, não nasceu inteiramente no governo de Mailza Assis. Ela assumiu o comando definitivo do Estado em 2 de abril de 2026, depois da saída de Gladson Cameli. O índice de 48,09% considera uma janela de doze meses, de maio de 2025 a abril deste ano. Quase todo esse período ainda pertence à gestão anterior. Mailza recebeu uma máquina que já funcionava acima do limite prudencial, mas também recebeu as amarras criadas por essa condição. Desde a posse, qualquer decisão que amplie despesa permanente com pessoal passou a ser tomada com uma margem inferior a um ponto percentual até o teto legal.

É justamente nessa faixa que o debate jurídico precisa ser separado da guerra eleitoral. A Lei de Responsabilidade Fiscal não transforma automaticamente toda nomeação feita acima do limite prudencial em irregular. O artigo 22 cria restrições quando a despesa total com pessoal supera 95% do limite máximo. No caso do Executivo estadual, cujo teto é 49% da Receita Corrente Líquida, essa barreira intermediária fica em 46,55%.

Acima desse percentual, o poder público enfrenta restrições para conceder vantagens, criar cargos com aumento de despesa, alterar carreiras com impacto financeiro e fazer novas admissões ou contratações. A própria lei, contudo, abre exceções. Reposições decorrentes de aposentadoria ou falecimento em áreas essenciais, como educação, saúde e segurança, recebem tratamento diferente. É dentro dessa fronteira que cada ato precisará ser examinado.

O número levado pelo Republicanos ao TCE, portanto, tem força política imediata, mas não pode ser confundido automaticamente com 14 mil novos servidores incorporados à folha. O Diário Oficial registra uma sequência de decretos que mistura realidades administrativas diferentes. Há exonerações seguidas de novas nomeações, mudanças de lotação, remanejamentos entre órgãos, anulações de atos anteriores, convocações de aprovados em concursos e substituições de ocupantes de cargos comissionados.

Essa diferença muda completamente o tamanho do impacto fiscal. Se um servidor deixa uma função e assume outra no mesmo dia, o Estado pode ter dois atos publicados e nenhum trabalhador adicional. Se um concursado entra para preencher uma vaga aberta por aposentadoria, há uma nova nomeação, mas dentro de uma hipótese que pode ser admitida pela legislação. Se, por outro lado, um cargo comissionado é criado ou preenchido sem substituição, com aumento permanente de despesa, a análise passa a ser outra.

Desde que assumiu o governo, Mailza promoveu sucessivas mudanças na estrutura administrativa. Em 15 de abril, menos de duas semanas depois de receber definitivamente o cargo, uma edição extraordinária do Diário Oficial reuniu alterações em postos estratégicos. Em 22 de abril, uma nova rodada alcançou áreas como Saúde, Assistência Social, Agricultura, Comunicação e Governo, além do Detran. Parte dos servidores apareceu primeiro entre os exonerados e depois entre os nomeados para outras funções, situação que ajuda a explicar por que a contagem de atos não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas que entraram no serviço público.

O movimento continuou nos meses seguintes. Em julho, novas alterações passaram por Deracre, Saúde, Educação, Agricultura, Comunicação, Governo, Administração, Assistência Social, Segurança Pública, Detran, Imac, IMC, Idaf, Acreprevidência e outros órgãos. Os decretos misturavam nomeações, exonerações, mudanças de lotação e atos que tornavam nomeações anteriores sem efeito.

A repetição, a abrangência e o volume dessas mudanças criaram o material político que agora chegou ao Tribunal de Contas. O Republicanos procura transformar os atos administrativos em um questionamento sobre responsabilidade fiscal. O governo, por sua vez, terá de demonstrar a natureza de cada movimento e o efeito real sobre a folha.

No meio dessa disputa estão pessoas que não cabem confortavelmente dentro de um número de cinco dígitos. Entre os atos publicados pelo Estado estão servidores concursados que aguardaram meses ou anos por uma vaga. Na Saúde, o governo nomeou 89 aprovados para diferentes regionais, entre enfermeiros, médicos, técnicos, assistentes sociais, fisioterapeutas e outros profissionais. Na área de segurança, aprovados no concurso da Polícia Penal chegaram a protestar durante a convenção que oficializou a candidatura de Mailza, cobrando convocação.

Para quem passou meses estudando, pagou inscrição, enfrentou provas e esperou a publicação de um nome no Diário Oficial, ser incluído no mesmo pacote de uma nomeação política para cargo de confiança apaga uma diferença decisiva. Um vínculo pode atender a uma necessidade permanente do serviço público. Outro pode decorrer da escolha política de quem ocupa o governo. A legislação, o impacto orçamentário e o interesse público não são iguais nos dois casos.

A denúncia chega ao TCE no momento em que Mailza Assis e Alan Rick travam uma disputa direta pelo governo. O senador teve a candidatura oficializada pelo Republicanos em 25 de julho. A governadora entrou formalmente na corrida dias depois. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou os dois em empate técnico: Mailza apareceu com 35,2% das intenções de voto e Alan Rick com 33,1%, diferença inferior à margem de erro de três pontos percentuais.

Nesse cenário, discutir milhares de nomeações significa discutir muito mais que burocracia. Significa tocar em dois temas capazes de alterar o humor de uma campanha: dinheiro público e distribuição de cargos. Para Alan Rick, a denúncia oferece um caminho para questionar a gestão da adversária a partir das contas do Estado. Para Mailza, a resposta exige demonstrar que a reorganização administrativa não empurrou a folha para uma situação incompatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O uso das instituições de controle também já faz parte dessa disputa. Em junho, a Federação União Progressista, ligada ao grupo político de Mailza, procurou a Justiça Eleitoral para tentar impedir novos eventos de Alan Rick, sob a alegação de propaganda antecipada. O pedido de urgência não prosperou naquele momento por falta de elementos suficientes para uma proibição preventiva. Agora, é o partido do senador que leva um tema de forte repercussão eleitoral a outro órgão de controle.

O fato de uma denúncia surgir no meio de uma eleição não retira automaticamente sua validade. Da mesma forma, o protocolo de uma denúncia não transforma suspeita em irregularidade comprovada. Entre esses dois extremos existe o trabalho técnico que caberá ao Tribunal de Contas: abrir os atos, cruzar datas, identificar cargos, calcular impactos e verificar quais decisões se enquadram nas restrições da legislação fiscal.

A pressão sobre a folha de pagamento já vinha sendo acompanhada pelo TCE antes da ofensiva do Republicanos. O avanço da despesa para além do limite prudencial colocou gestores sob cobrança para conter gastos e preservar a capacidade financeira do Estado. A preocupação não se resume aos salários pagos diretamente pelo Executivo. Restos a pagar, terceirizações e a sustentabilidade da previdência estadual também pesam sobre uma estrutura que precisa financiar hospitais, escolas, segurança, estradas e políticas sociais.

Em julho, durante passagem pela Assembleia Legislativa, o secretário estadual da Fazenda, Amarísio Freitas, defendeu a condução fiscal do governo. “Temos nos esforçado (…) para manter abaixo do limite os gastos com pessoal”, afirmou. A defesa do Executivo parte de um dado objetivo: os 48,09% ainda não rompem o teto de 49%. A margem, porém, é curta, e a própria Lei de Responsabilidade Fiscal cria restrições antes de esse teto ser atingido.

Mailza assumiu o governo com outro desafio político. Depois de anos na condição de vice-governadora, precisava construir uma administração com decisões próprias em pleno ano eleitoral. Mudanças em secretarias, assessorias e cargos estratégicos também fazem parte desse esforço de reorganização. O problema é que a tentativa de imprimir uma identidade própria ao governo encontrou uma folha que já havia cruzado o limite prudencial.

É nessa colisão entre política, administração e dinheiro público que a denúncia ganha dimensão além da eleição. Por trás de cada decreto há uma função exercida dentro do Estado. Pode ser um enfermeiro numa unidade de saúde do interior, um professor diante de uma sala de aula, um policial penal dentro de uma unidade prisional, um servidor deslocado de uma secretaria para outra ou um assessor escolhido para ocupar um cargo de confiança. Colocar todos no mesmo número facilita o discurso político. Separá-los exige auditoria.

A pergunta que agora chega ao TCE não é apenas se o governo de Mailza publicou quase 14 mil atos relacionados a pessoal. É quantas pessoas efetivamente entraram na folha, quais vagas ocuparam, quanto cada decisão acrescentou à despesa, quantos atos corresponderam apenas a trocas internas e quais nomeações ocorreram depois que o Estado já estava acima do limite prudencial.

Essa resposta vai definir o tamanho real do caso. Sem a separação entre novas despesas e movimentações administrativas, o número serve principalmente à campanha. Com a análise individual dos atos, pode revelar se houve expansão da máquina incompatível com a situação fiscal ou se parte relevante da cifra nasceu da soma de procedimentos que não aumentaram o número de servidores.

Mailza governa sob uma folha herdada quase no teto e responde pelas decisões tomadas desde abril. Alan Rick carrega o ônus de provar que a denúncia possui substância para além do impacto de um número de cinco dígitos. No meio dos dois está o Tribunal de Contas, com uma tarefa menos ruidosa que o embate eleitoral e muito mais trabalhosa: separar nome por nome, cargo por cargo, concurso por concurso e descobrir quanto, de fato, cada ato custou ao Acre.

TCE-AC suspende temporariamente e-mails institucionais após instabilidade técnica

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) informou nesta sexta-feira, 31 de julho, em Rio Branco, que o envio e o recebimento de mensagens pelos e-mails institucionais estão temporariamente indisponíveis devido a instabilidades técnicas nos sistemas de comunicação eletrônica.

Enquanto o serviço não é restabelecido, gestores públicos, cidadãos e demais usuários podem entrar em contato com o Tribunal por canais alternativos. A Ouvidoria atende pelos números 0800 600 2080, (68) 3025-2086 e (68) 3025-2089. A Presidência pode ser acionada pelo telefone (68) 3025-2032, e o Protocolo, pelo número (68) 3025-2077.

O envio formal de processos e documentos continua disponível pelo Portal do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do TCE-AC. O atendimento presencial também segue normalmente na sede do Tribunal, localizada na Avenida Ceará, nº 2.994, bairro 7º BEC, em Rio Branco.

O atendimento ao público ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h. O protocolo de documentos funciona no mesmo período, das 7h às 18h.

As equipes de Tecnologia da Informação trabalham para restabelecer o serviço de e-mail. O Tribunal não informou uma previsão para a normalização do sistema.

Após ação do TCE, como ficam os shows “grátis” da Expoacre 2026?

Ao votar pela suspensão dos atos relacionados à contratação da Expoacre 2026, o conselheiro Ronald Polanco foi além das falhas encontradas no processo de R$ 22 milhões conduzido pela Casa Civil. Em sua manifestação, defendeu que a principal feira do Acre seja voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, em vez de ter sua identidade reduzida à contratação de grandes atrações musicais.

A medida cautelar aprovada nesta quinta-feira, 23, impede, por enquanto, a assinatura das parcerias, os repasses de recursos e os pagamentos previstos no procedimento. O Tribunal de Contas do Estado apontou problemas no planejamento, na justificativa dos valores, na concorrência e na definição dos serviços que seriam executados.

Os detalhes da decisão já foram apresentados pelo Integração Net. A questão que permanece agora é outra: o que a suspensão representa para um evento cuja divulgação foi construída principalmente em torno de shows anunciados como “gratuitos”?

A feira passou a ser divulgada pelos shows

Nos últimos anos, o governo do Acre consolidou um modelo em que a Expoacre deixou de ser divulgada principalmente como uma vitrine da produção rural, industrial e comercial. A feira passou a ser apresentada ao público pela programação de artistas nacionais.

Primeiro são anunciados os cantores. Depois aparecem os discursos sobre produção, negócios, inovação e fortalecimento da economia.

As apurações realizadas pelo Integração Net mostram que esse formato não se limita à estratégia de comunicação. Ele também aparece na distribuição dos recursos públicos.

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, as estruturas estaduais responsáveis pelas áreas de indústria, ciência, tecnologia, comércio e turismo pagaram R$ 170,4 milhões.

Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em despesas relacionadas à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, eventos, Carnaval, festivais, festas, shows, atrações nacionais e comemorações do Dia do Trabalhador. O valor representa 44,7% de tudo o que foi pago no período.

A soma não corresponde apenas aos cachês. Também envolve palcos, tendas, sonorização, iluminação, camarotes, logística, produção, divulgação, organização dos eventos e termos de colaboração firmados com entidades privadas.

Ainda assim, o volume ajuda a compreender a prioridade assumida pela política pública.

No mesmo período, a promoção comercial recebeu R$ 85,2 milhões, enquanto a promoção industrial ficou com R$ 16,5 milhões. Para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram aplicados na promoção comercial.

A realização de feiras não é, por si só, incompatível com uma política de desenvolvimento. Esses eventos podem abrir mercados, divulgar produtos, atrair compradores e gerar negócios.

A questão é saber quanto desse dinheiro deixa resultados permanentes para a economia acreana e quanto se encerra depois que os palcos, camarotes e demais estruturas são desmontados.

Expoacre Juruá destinou mais da metade do orçamento aos shows

O caso mais recente ajuda a compreender como esse modelo funciona.

O Integração Net obteve o Plano de Trabalho apresentado pela Associação Transformar para executar a Expoacre Juruá 2026. O documento deu origem ao Termo de Colaboração nº 01/2026, assinado com a Casa Civil, no valor global de R$ 16.648.310.

Os registros oficiais consultados pelo Integração Net mostram R$ 15.848.310 transferidos à associação para a realização do evento.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, R$ 1,7 milhão para Natanzinho Lima, R$ 750 mil para Ícaro e Gilmar, R$ 650 mil para Tierry, R$ 650 mil para Padre Fábio de Melo e R$ 400 mil para a Banda Morada.

Os seis cachês somaram R$ 6,25 milhões.

Além disso, foram reservados R$ 2.448.520 para a produção e a logística dos artistas. A rubrica incluía passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins, excesso de bagagem, direitos autorais e outros custos operacionais.

Somados, os cachês e a logística das atrações nacionais chegaram a R$ 8.698.520.

Com a inclusão de uma atração infantil de R$ 50 mil, o conjunto destinado às apresentações e à operação dos shows alcançou R$ 8.748.520, aproximadamente 52,5% de todo o orçamento da Expoacre Juruá.

Mais da metade dos recursos previstos no plano foi destinada aos artistas nacionais e à estrutura necessária para colocá-los no palco.

Cachê de Leonardo superou o custo da estrutura geral

Toda a estrutura geral da feira, incluindo palco, tendas, camarotes, banheiros e espaços de apoio, foi orçada em R$ 1.981.440.

Somente o cachê de Leonardo, de R$ 2,1 milhões, ficou R$ 118.560 acima do valor destinado à estrutura geral do evento.

Para artistas locais e regionais, o plano reservou R$ 612.500. Os seis cachês nacionais representaram mais de dez vezes o montante separado para o conjunto das atrações locais.

Valores ficaram acima de contratos usados na comparação

O Integração Net também comparou os valores apresentados pela Associação Transformar com contratos públicos recentes dos mesmos artistas em outras partes do país.

Os cachês previstos para a Expoacre Juruá somaram R$ 6,25 milhões. As referências públicas encontradas totalizaram R$ 2,74 milhões. A diferença chegou a R$ 3,51 milhões.

O plano reservou R$ 2,1 milhões para Leonardo, enquanto uma contratação pública usada na comparação registrou R$ 800 mil.

Para Natanzinho Lima, foram previstos R$ 1,7 milhão, diante de uma referência de R$ 800 mil.

Tierry foi orçado em R$ 650 mil, enquanto outro contrato público registrou R$ 250 mil.

A diferença, isoladamente, não comprova sobrepreço. Cachês podem variar conforme data, local, duração, agenda e condições da apresentação.

Todos os valores previstos para a Expoacre Juruá, no entanto, ficaram acima das referências analisadas.

As despesas decorrentes da distância de Cruzeiro do Sul também não estavam incluídas nos cachês. O plano já possuía uma rubrica separada de R$ 2,44 milhões para transporte, hospedagem e produção.

A gratuidade termina no orçamento público

Os shows da Expoacre são apresentados como gratuitos porque o público não precisa comprar ingresso. Isso não significa que não exista custo.

Os artistas recebem cachês. As equipes recebem passagens, hospedagem, alimentação e transporte. O governo paga palco, som, iluminação, camarins, segurança, divulgação e produção.

A população não paga na bilheteria, mas paga por meio do orçamento público. Muda apenas a forma de cobrança.

O caso da Expoacre Juruá mostra o tamanho dessa conta. Mais de R$ 8,7 milhões foram reservados aos shows nacionais e à logística das atrações.

Esse modelo ajuda a explicar por que a manifestação de Ronald Polanco tem alcance maior do que a cautelar aplicada ao processo de 2026.

Ao defender uma Expoacre voltada prioritariamente à produção, aos negócios e ao desenvolvimento econômico, o conselheiro colocou em discussão uma inversão que foi normalizada ao longo dos anos: os shows deixaram de ser uma parte da feira e passaram a ocupar o centro dela.

Atrações foram anunciadas antes da suspensão

A Expoacre Rio Branco 2026 já foi divulgada com atrações como Leonardo, Natanzinho Lima, Wesley Safadão e Ana Castela. Os nomes dos artistas foram utilizados como principal chamariz da programação.

Ao mesmo tempo, o processo de R$ 22 milhões que daria suporte à execução da feira está suspenso pelo Tribunal de Contas.

O governo ainda poderá apresentar documentos, corrigir os problemas, justificar os preços ou adotar outro modelo de contratação.

A Expoacre não foi cancelada, e os shows também não foram formalmente proibidos.

A cautelar, porém, criou uma questão que o governo precisará responder: como serão mantidas as atrações já anunciadas se os repasses previstos não podem ser realizados da forma planejada?

A administração vai corrigir o procedimento, reduzir os custos, contratar os shows por outro caminho ou retirar atrações da programação?

Também poderá aproveitar a decisão do TCE para devolver à Expoacre o caráter de feira de produção, negócios e desenvolvimento econômico defendido por Ronald Polanco.

Depois de anos anunciando shows como “gratuitos”, o governo terá de explicar quem vai pagar a conta e de que forma, caso o modelo de contratação permaneça suspenso.

Foto: Voz do Norte

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

No Jornal da Manhã, Edvaldo cobra investigação da ponte de Sena Madureira e questiona valores

No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?

A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.

O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.

Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.

A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.

A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.

A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.

A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?

No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.