Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Cruzeiro do Sul homenageia Melissa Sampaio no Dia dos Pais enquanto ela cobra andamento de caso contra Madson Cameli

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa Sampaio, ex-esposa de Madson de Castro Cameli, para uma campanha de Dia dos Pais publicada neste domingo, 9 de agosto. Na arte, Melissa aparece ao lado dos filhos e integra a homenagem dirigida a “todas as mulheres que também são pais”. A publicação ocorre enquanto ela cobra da Justiça andamento no caso em que Madson foi denunciado pelo Ministério Público do Acre por lesão corporal grave e violência psicológica.

A peça produzida pela prefeitura reúne duas mães acompanhadas dos filhos. Melissa aparece na parte superior da imagem, recebendo beijos das crianças. A mensagem principal diz: “Neste domingo especial desejamos feliz Dia dos Pais para todas as mulheres que também são pais!”. A campanha leva a identidade visual oficial da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

O caso envolvendo Melissa e Madson chegou ao Ministério Público em 2024. Em agosto daquele ano, o MPAC informou que Madson era investigado por lesão corporal grave e violência psicológica e que Melissa tinha medida protetiva deferida. Ela também passou a receber acompanhamento do Centro de Atendimento à Vítima.

Posteriormente, a 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul denunciou Madson pelos crimes de lesão corporal grave e violência psicológica. A acusação foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação, entre eles depoimentos e documentos relacionados ao caso. A defesa de Madson contestou as acusações e afirmou que os fatos ocorreram no contexto do fim do relacionamento.

Em 2026, Melissa voltou a falar publicamente sobre o processo. Em junho, ela cobrou rapidez da Justiça em casos de violência doméstica e criticou a demora enfrentada por mulheres que procuram proteção e permanecem durante longos períodos sem uma decisão judicial.

“Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão”, escreveu Melissa ao tratar da necessidade de maior rapidez na tramitação de processos envolvendo violência contra a mulher.

A situação de Madson também mudou desde que o caso ganhou repercussão. Ele se casou com Mailza Assis, atual governadora do Acre, e passou a ocupar o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da governadora, função diretamente ligada ao núcleo administrativo do Palácio Rio Branco.

A campanha da Prefeitura de Cruzeiro do Sul coloca Melissa em uma comunicação oficial voltada ao reconhecimento de mulheres que assumem responsabilidades familiares sem a presença cotidiana do pai. Ao mesmo tempo, ela continua cobrando resposta para um processo que envolve justamente o pai de seus filhos e que permanece sem desfecho judicial.

A arte não menciona Madson, a denúncia ou o processo. A homenagem se concentra na condição de Melissa como mãe e na criação dos filhos. A presença dela, porém, ocorre pouco tempo depois de voltar a público para reclamar da demora da Justiça em um caso iniciado há cerca de dois anos.

Madson não foi condenado pelos fatos relacionados ao processo. Há uma denúncia apresentada pelo Ministério Público, contestada pela defesa, e uma cobrança pública de Melissa para que o caso avance na Justiça.

Neste domingo, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa como uma das mulheres que representam a mensagem de mães que “também são pais”. A homenagem ocorre enquanto ela permanece à espera de uma resposta judicial sobre as acusações feitas contra o ex-marido.

Elter Nóbrega: de educador e sindicalista à liderança política em Cruzeiro do Sul

Com uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, os direitos dos trabalhadores e a política participativa, Elter Nóbrega vem se consolidando como uma das figuras mais respeitadas da vida pública em Cruzeiro do Sul. Atual presidente da Câmara Municipal, reeleito vereador em 2024 com 1.961 votos, Elter é reconhecido não apenas por sua atuação política, mas também pela sua história de dedicação à população e às causas sociais.

Raízes familiares e formação

Filho de Naly de Queiroz Nóbrega, dona de casa, e de Genildo Braz da Nóbrega, topógrafo (in memoriam), Elter é o caçula de cinco irmãos: Elayne, Elvis (in memoriam), Eleine e Genilsa. Com forte influência familiar e espírito comunitário desde cedo, formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (UFAC) no ano de 2004, destacando-se como presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) durante sua passagem pelo campus de Cruzeiro do Sul.

Da sala de aula ao atendimento no banco

Antes de entrar na vida pública, Elter atuou como professor de Química, Física e Matemática por 12 anos, lecionando nas escolas Craveiro Costa, Flodoardo Cabral, Dom Henrique Ruth e Valério Caldas de Magalhães. Em 2006, foi aprovado em concurso público para o Banco do Brasil, onde passou a atender a população com a mesma dedicação que demonstrava nas salas de aula.

Desde 2011, tornou-se educador do Banco do Brasil, referência no atendimento humanizado e igualitário. Colegas e clientes o reconhecem pelo respeito e atenção com todos, independente da posição social ou saldo bancário. “Elter sempre tratou todos com dignidade. Ele nunca fez distinção de ninguém no atendimento”, afirmam muitos dos que passaram pelas agências em que atuou.

Atuação sindical e comunitária

Sua atuação sindical é outro ponto de destaque em sua biografia. Vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Acre e membro executivo da FETEC-CN (Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte), Elter é conhecido por sua postura firme contra assédios, maus-tratos e injustiças com os trabalhadores. Defensor incansável das pautas da classe trabalhadora, ganhou respeito entre lideranças regionais e nacionais.

Desde 2012, também preside a AABB de Cruzeiro do Sul, promovendo ações esportivas, culturais e de integração social.

Ascensão política

Eleito vereador pela primeira vez em 2020, com 833 votos, logo foi escolhido como 1º secretário da Câmara Municipal em 2021. Também presidiu por mais de um ano a Ecops (Empresa Cruzeirense de Obras e Serviços Públicos). Em 2024, foi reeleito vereador com uma votação expressiva, quase 2 mil votos, sendo eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara em 2025.

Como presidente, iniciou um projeto inédito na política local: as sessões itinerantes da Câmara. A primeira ocorreu na comunidade Tartaruga, no Rio Val Paraíso, com a presença de 13 dos 14 vereadores, o presidente da ALEAC, Nicolau Júnior, além de outras autoridades e moradores das 14 comunidades ribeirinhas. O evento contou com almoço coletivo, torneio de futebol, atendimentos de saúde, corte de cabelo e ações de beleza e estética. A segunda edição, prevista para a comunidade Santa Luzia, na BR-364, precisou ser cancelada devido à forte chuva no dia.

A voz do povo

A atuação de Elter tem sido motivo de orgulho para seus eleitores. Em depoimento, um morador afirmou:

“Vejo o vereador Elter como um grande e diferente político. Ele não é só mais um vereador, ele é o vereador. Veja o currículo dele, a trajetória, a dedicação e o conhecimento. O conhecendo como conheço, é notável que veio para fazer a diferença. O parlamento mirim está pequeno para seu potencial.”

Um líder em construção constante

Elter Nóbrega se destaca não apenas pela firmeza com que conduz os trabalhos legislativos, mas pela capacidade de dialogar com diferentes setores da sociedade, unindo experiência técnica, sensibilidade social e espírito público. Sua história inspira uma nova geração de políticos e reforça a importância de uma atuação comprometida com a ética, a escuta e a presença ativa nos bairros, comunidades e instituições.

De professor a líder sindical, de bancário a presidente da Câmara, Elter é hoje símbolo de que a política feita com responsabilidade e proximidade com o povo pode, sim, gerar transformação concreta.