Ministério da Cultura realiza Circula MinC Acre em Rio Branco com foco na Política Aldir Blanc

O Ministério da Cultura realizou, nos dias 29 e 30 de junho, no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco, a programação do Circula MinC Acre 2026 para fortalecer a gestão cultural, qualificar gestores públicos e agentes culturais e orientar a execução das políticas nacionais do setor no estado.

A atividade reuniu cerca de 200 participantes, entre gestores municipais e estaduais, trabalhadores da cultura e fazedores culturais. A programação tratou da aplicação de recursos públicos, elaboração de projetos, prestação de contas, acompanhamento de ações culturais e uso de ferramentas de monitoramento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Comissão Intergestores Bipartite e conselhos de cultura. A proposta aproximou equipes técnicas do Ministério da Cultura, representantes dos municípios e sociedade civil para alinhar etapas, prazos e instrumentos usados na execução das políticas culturais.

No primeiro dia, a programação teve um painel sobre o panorama do Acre na execução da Política Nacional Aldir Blanc. A capacitação abordou o Ciclo 2 da política, com orientações sobre os procedimentos necessários para a aplicação dos recursos e o cumprimento das etapas previstas.

No segundo dia, houve o anúncio da entrega do MovCEU de Tarauacá. O município foi contemplado pelo Novo PAC e será o segundo do Acre a receber uma unidade do equipamento cultural itinerante. Xapuri já conta com uma van do MovCEU, usada em atividades de teatro, música e cinema em áreas urbanas, rurais, seringais e comunidades ribeirinhas.

Os investimentos em infraestrutura cultural no Acre ultrapassam R$ 11,35 milhões. Rio Branco conta com uma unidade do CEU das Artes, e outras três unidades do CEU da Cultura serão implantadas no estado, com investimento total de R$ 8,22 milhões. As duas vans do MovCEU, destinadas a Xapuri e Tarauacá, somam R$ 1,11 milhão.

A programação também tratou da gestão de equipamentos culturais e da participação comunitária. A Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa apresentou cursos on-line e promoveu uma escuta com os participantes para mapear demandas de formação ligadas ao trabalho em cultura e economia criativa.

A coordenadora do escritório estadual do MinC no Acre, Camila Cabeça, afirmou que a presença institucional no território permite que as políticas públicas considerem as especificidades locais. “O objetivo é que a gente abra o canal para que eles considerem o fator amazônico e compreendam a nossa realidade e as nossas diversidades, porque a Amazônia acreana não podia ficar de fora”, disse.

Os participantes também receberam orientações sobre o Portal CultBR, ferramenta desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas para ampliar o monitoramento e a transparência da Política Nacional Aldir Blanc. A capacitação incluiu funcionalidades como elaboração do Plano de Aplicação dos Recursos, cadastramento de editais, parcerias e contratos, além da validação periódica dos relatórios de execução.

Durante o evento, gestores públicos de cultura do estado e dos municípios participaram de atendimentos presenciais para tirar dúvidas sobre a Política Nacional Aldir Blanc. As orientações trataram da atualização dos Planos de Aplicação dos Recursos, registro da execução no CultBR e avanço das etapas de validação e monitoramento.

Aleac homenageia fazedores de cultura e deputado lança PL para priorizar artistas do Acre em eventos com verba pública

A Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou na segunda-feira, 11 de maio de 2026, uma sessão solene no plenário da Casa em homenagem a fazedores de cultura e com cobranças por ampliação do acesso a políticas públicas do setor. A solenidade reuniu artistas, escritores, poetas, grupos de teatro, quadrilhas juninas, produtores e agentes ligados à preservação e difusão de manifestações culturais no Estado, em iniciativa do deputado estadual Afonso Fernandes.

No discurso de abertura, o parlamentar defendeu que mecanismos de incentivo, como a Lei Rouanet, a Lei Paulo Gustavo e programas estaduais e municipais, cheguem com mais efetividade a quem produz cultura de forma contínua nas comunidades. “O olhar do poder público precisa ser criterioso e sensível para que a cultura do Estado continue viva”, disse Afonso, ao sustentar que a política cultural precisa alcançar quem está na ponta, movimentando tradições populares e expressões artísticas que ajudam a manter a identidade acreana.

Durante a sessão, Afonso Fernandes lançou oficialmente o Projeto de Lei “Acre no Palco”, proposta que cria diretrizes para priorizar artistas, grupos, coletivos e trabalhadores da cultura acreana em eventos oficiais, festivais, feiras, exposições, solenidades e programações promovidas, apoiadas ou patrocinadas pelo governo do Estado. “O artista acreano não pode ser coadjuvante na própria terra”, afirmou o deputado ao apresentar a iniciativa. A proposta, segundo o texto anunciado, não impede a contratação de atrações nacionais ou internacionais, mas estabelece prioridade para talentos locais em eventos financiados com recursos públicos.

Representando os homenageados, Jonas Lima relatou dificuldades para manter projetos culturais e associou a produção cultural à prevenção social. “É um momento histórico para os fazedores de cultura estar nesse local. É muito difícil fazer cultura aqui no Acre. Nós temos uma caminhada de 30 anos e sabemos das dificuldades. A cultura afasta os jovens das coisas erradas. Eu sou uma prova viva de que a cultura tira a pessoa do mundo do crime e do mundo das drogas”, declarou.

O presidente do Conselho Estadual de Cultura do Acre (ConCultura), Manoel Coracy Saboia Dias, defendeu que o diálogo com o poder público seja mantido para transformar demandas do setor em ações. “Este é realmente um momento de dialogar aqui na Assembleia Legislativa, de tal forma que saiam boas ideias e ações para que a cultura esteja em um patamar mais elevado, onde sempre deveria estar. Mas é importante que todos os fazedores de cultura continuem fazendo seu papel. Não é porque nós não temos toda a estrutura que vamos deixar de agir”, afirmou.

Já o presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Matheus Gomes, ligou investimento cultural à redução de vulnerabilidades e à segurança pública. “Quando se investe em cultura, também se economiza na segurança pública. A criança e o jovem que encontram na arte, na dança, no teatro, na música, no audiovisual e nas quadrilhas juninas um caminho de pertencimento, de formação e de oportunidade, dificilmente serão atraídos pela criminalidade”, disse. O projeto “Acre no Palco” segue para tramitação na Aleac.