Rio Branco entrega tratores para ampliar produção da agricultura familiar

A Prefeitura de Rio Branco entregou dois tratores agrícolas 4×4 nesta sexta-feira, 3 de julho, no Polo Wilson Pinheiro, localizado na AC-90, km 17, para ampliar a mecanização no campo e apoiar produtores da agricultura familiar. Os equipamentos foram comprados com emenda parlamentar no valor de R$ 499,4 mil e serão usados pela Associação de Moradores e Produtores Rurais do Polo Wilson Pinheiro e pela Cooperativa Extrativista de Trabalhadores Rurais e Urbanos e Economia Solidária do Acre, a Coopaet.

A entrega integra as ações municipais voltadas ao fortalecimento da produção rural em Rio Branco. Os tratores devem atender agricultores que não têm condições de comprar maquinário próprio e dependem de apoio para preparar áreas produtivas, melhorar o ritmo do trabalho e ampliar a produção.

O prefeito Alysson Bestene afirmou que os equipamentos se somam a outras medidas do programa Prefeitura no Campo, como assistência técnica, mecanização agrícola, distribuição de fertilizantes, calcário e mudas de café. “O objetivo é aumentar a produção, gerar renda para quem vive no campo e garantir alimentos de qualidade para a nossa população”, disse.

O secretário municipal de Agropecuária, Eracides Caetano, afirmou que a chegada dos tratores reforça o atendimento a pequenos produtores. “A Prefeitura já atua com ramais, assistência técnica, calcário e adubo. Agora, reforçamos esse trabalho com a mecanização agrícola”, afirmou.

A emenda que permitiu a compra dos equipamentos foi destinada pelo deputado federal Eduardo Velloso. Para o parlamentar, o investimento ajuda os produtores a permanecer no campo, ampliar a produção e fortalecer a economia local. “Essas emendas permitem dar mais dignidade à agricultura familiar. Eles vão produzir mais, com maior qualidade, permanecer no campo e fortalecer a economia de Rio Branco e do Acre”, afirmou.

O vereador Fábio Araújo disse que os equipamentos ficarão à disposição de mais de 150 famílias da região. A presidente da Coopaet, Lisiane de Araújo, afirmou que os tratores vão permitir o aumento da produção em áreas já abertas, sem avanço sobre reservas preservadas. “Vamos trabalhar nas áreas já abertas, preservando nossas reservas. É um patrimônio muito importante para a cooperativa”, disse.

A presidente do Sindicato dos Extrativistas e Trabalhadores Assemelhados de Rio Branco, Layane Furtado, afirmou que a entrega representa o resultado da união entre comunidades, sindicatos, Prefeitura e parlamentares ligados à agricultura familiar. A expectativa é que o maquinário reduza dificuldades operacionais no campo e amplie a capacidade de produção das famílias atendidas.

Café do Baixo Acre ganha primeira indústria de beneficiamento em Acrelândia

A primeira indústria de beneficiamento de café de Acrelândia teve as obras autorizadas nesta sexta-feira (3), em Rio Branco, com a assinatura da Ordem de Serviço pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Estado do Acre (Cooperacre). A unidade vai atender produtores de Acrelândia, Rio Branco, Plácido de Castro e Senador Guiomard, com a proposta de agregar valor ao café robusta amazônico, reduzir custos logísticos e ampliar a renda de cerca de 400 famílias do Baixo Acre.

O empreendimento faz parte de um convênio de R$ 14,7 milhões entre a ABDI e a Cooperacre e segue um modelo já adotado no Vale do Juruá. A nova estrutura vai criar um polo de processamento na região e permitir que o café produzido nas propriedades rurais passe por beneficiamento, armazenamento e preparação para venda mais perto das áreas de cultivo.

A expectativa das entidades envolvidas é fortalecer a cadeia produtiva local e estimular a verticalização da produção. Com isso, os agricultores deixam de vender apenas o grão in natura e passam a contar com uma etapa industrial capaz de elevar a qualidade do produto e aumentar sua competitividade no mercado.

Segundo o gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ASG da ABDI, Rogério Dias, a instalação da unidade está alinhada à política de fortalecimento das cadeias agroindustriais. “A construção desta unidade em Acrelândia materializa os propósitos da Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer as cadeias agroindustriais com inovação e sustentabilidade. Essa obra movimenta a economia local desde a construção civil até o setor de máquinas e equipamentos e garante um futuro com mais competitividade, agregação de valor e geração de renda sustentável para a comunidade”, afirmou.

A Cooperacre diz que o projeto também amplia a infraestrutura de apoio à agricultura familiar e deve manter a circulação da renda dentro da base produtiva. Para o superintendente da cooperativa, Manoel Monteiro, a chegada da indústria atende diretamente os municípios da região e melhora as condições de comercialização dos produtores. “Esse projeto fortalece a nossa rede agrícola. Levar essa infraestrutura industrial para a Acrelândia é um investimento que atende quem mais precisa, transforma a realidade dos nossos municípios e valoriza o produtor que trabalha diariamente na ponta”, disse.

A nova indústria terá ligação direta com a Cooperativa Agroextrativista Nova Bonal (Cooperbonal), que reúne mais de 150 cooperados. A avaliação da cooperativa é que a estrutura deve reduzir a dependência de atravessadores, ampliar a segurança nas negociações e criar melhores condições para armazenar a produção até momentos mais favoráveis de venda.

Hoje, parte dos agricultores comercializa o café ainda medido na lata, por valores inferiores aos praticados no mercado, e há relatos de produtores que entregaram a safra a intermediários sem receber pagamento. Para o presidente da Cooperbonal, Raimundo Macedo, a nova unidade muda esse cenário ao oferecer beneficiamento e preparo do grão com mais qualidade. “A grande maioria dos nossos produtores está nos assentamentos e não tem estrutura para beneficiar o café. Muitos acabam vendendo a produção por lata, direto do caminhão, por um preço muito baixo. Com essa indústria, vamos mudar essa realidade: a cooperativa vai receber o grão, beneficiar e preparar para a venda com muito mais qualidade”, afirmou.

Macedo também disse que a parceria com a Cooperacre permitirá ampliar a capacidade de armazenagem do café na região. “Além disso, a parceria com a COOPERACRE, que construirá um grande galpão, vai nos permitir armazenar o café. Isso dará ao produtor a opção de esperar o melhor momento do mercado para vender, agregando valor à nossa produção e garantindo mais renda para as famílias”, acrescentou.

Além do impacto econômico, o projeto é apresentado como parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável. O cultivo do robusta amazônico no Acre é apontado como alternativa de geração de renda associada à preservação ambiental, com potencial de contribuir para o sequestro de carbono e para a conservação da floresta.

A previsão é de que as obras sejam concluídas em cerca de seis meses. Com a nova estrutura em funcionamento, a meta da cooperativa é triplicar a produção de café na região até o próximo ano.

Programa Abrindo Portas beneficia 82 estudantes em Cruzeiro do Sul

A 5ª edição do Programa Abrindo Portas para o Primeiro Emprego foi lançada nesta sexta-feira (3), em Cruzeiro do Sul, com a inclusão de 82 estudantes em estágios remunerados em repartições da Prefeitura. A iniciativa, criada pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) em parceria com o município, oferece bolsa mensal de R$ 400 e atuação no contraturno escolar.

Para esta etapa, Edvaldo destinou R$ 400 mil por meio de emenda parlamentar. Durante o lançamento, o deputado afirmou que o programa nasceu da necessidade de criar uma base legal e orçamentária para garantir bolsas a jovens em início de trajetória profissional. Ele citou a participação do prefeito Zequinha Lima na adesão do município e disse que a iniciativa só avançou porque houve acolhimento da prefeitura.

“Eu briguei para ter esse programa há cinco anos, porque não tinha lei que garantisse o programa. O Zequinha tomou a iniciativa de pedir à Câmara a autorização. Era proibido botar dinheiro para garantir bolsas para jovens. Eu tive que mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias do Acre para que tivesse a garantia”, disse Edvaldo.

O parlamentar afirmou que a primeira edição teve resultado “extraordinário”, com mais de 80% dos participantes empregados após a conclusão do estágio. Segundo ele, o programa já chegou a 12 prefeituras do Acre e tem ajudado estudantes a superar dificuldades comuns no início da vida profissional.

“Quando o jovem termina o ensino médio, ele também precisa de uma oportunidade para vencer seus medos. Essa boa acolhida vai fazendo com que a pessoa quebre tabus, inclusive para falar em público, deixando a timidez e revelando talentos. Esse programa permite transformar um sonho em uma coisa mais concreta”, afirmou.

Entre os contemplados está Hellen Cristina, estudante do Instituto Federal do Acre (Ifac). A mãe dela, Sanzia Alves, disse que a experiência pode abrir novas oportunidades para a filha. “No primeiro emprego, as pessoas sempre pedem experiência. Com isso, ela vai poder adquirir essa experiência, vão se abrir novas portas e oportunidades”, disse.

Hellen também comemorou a seleção para o estágio. “Eu fico feliz de ter essa primeira oportunidade, de ter uma experiência para quando eu for entrar no mercado de trabalho. Também para ter o meu próprio dinheiro e começar a ter responsabilidade financeira”, afirmou.

O diretor-geral do Ifac em Cruzeiro do Sul, Raelisson Nascimento Walter, disse que a entrada dos alunos no programa reforça a formação acadêmica e ajuda estudantes que enfrentam dificuldades financeiras. Segundo ele, a vivência prática se soma às atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela instituição.

Representando o prefeito Zequinha Lima, o chefe da Casa Civil da Prefeitura de Cruzeiro do Sul, Ney Williams Mazzaro, agradeceu a emenda e disse que os estagiários já contribuem com a rotina das secretarias municipais. “Esses jovens estão adquirindo experiência para o mercado de trabalho”, afirmou.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.

Ministério da Cultura realiza Circula MinC Acre em Rio Branco com foco na Política Aldir Blanc

O Ministério da Cultura realizou, nos dias 29 e 30 de junho, no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco, a programação do Circula MinC Acre 2026 para fortalecer a gestão cultural, qualificar gestores públicos e agentes culturais e orientar a execução das políticas nacionais do setor no estado.

A atividade reuniu cerca de 200 participantes, entre gestores municipais e estaduais, trabalhadores da cultura e fazedores culturais. A programação tratou da aplicação de recursos públicos, elaboração de projetos, prestação de contas, acompanhamento de ações culturais e uso de ferramentas de monitoramento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Comissão Intergestores Bipartite e conselhos de cultura. A proposta aproximou equipes técnicas do Ministério da Cultura, representantes dos municípios e sociedade civil para alinhar etapas, prazos e instrumentos usados na execução das políticas culturais.

No primeiro dia, a programação teve um painel sobre o panorama do Acre na execução da Política Nacional Aldir Blanc. A capacitação abordou o Ciclo 2 da política, com orientações sobre os procedimentos necessários para a aplicação dos recursos e o cumprimento das etapas previstas.

No segundo dia, houve o anúncio da entrega do MovCEU de Tarauacá. O município foi contemplado pelo Novo PAC e será o segundo do Acre a receber uma unidade do equipamento cultural itinerante. Xapuri já conta com uma van do MovCEU, usada em atividades de teatro, música e cinema em áreas urbanas, rurais, seringais e comunidades ribeirinhas.

Os investimentos em infraestrutura cultural no Acre ultrapassam R$ 11,35 milhões. Rio Branco conta com uma unidade do CEU das Artes, e outras três unidades do CEU da Cultura serão implantadas no estado, com investimento total de R$ 8,22 milhões. As duas vans do MovCEU, destinadas a Xapuri e Tarauacá, somam R$ 1,11 milhão.

A programação também tratou da gestão de equipamentos culturais e da participação comunitária. A Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa apresentou cursos on-line e promoveu uma escuta com os participantes para mapear demandas de formação ligadas ao trabalho em cultura e economia criativa.

A coordenadora do escritório estadual do MinC no Acre, Camila Cabeça, afirmou que a presença institucional no território permite que as políticas públicas considerem as especificidades locais. “O objetivo é que a gente abra o canal para que eles considerem o fator amazônico e compreendam a nossa realidade e as nossas diversidades, porque a Amazônia acreana não podia ficar de fora”, disse.

Os participantes também receberam orientações sobre o Portal CultBR, ferramenta desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas para ampliar o monitoramento e a transparência da Política Nacional Aldir Blanc. A capacitação incluiu funcionalidades como elaboração do Plano de Aplicação dos Recursos, cadastramento de editais, parcerias e contratos, além da validação periódica dos relatórios de execução.

Durante o evento, gestores públicos de cultura do estado e dos municípios participaram de atendimentos presenciais para tirar dúvidas sobre a Política Nacional Aldir Blanc. As orientações trataram da atualização dos Planos de Aplicação dos Recursos, registro da execução no CultBR e avanço das etapas de validação e monitoramento.

Tensão no Deracre! Queda em pagamentos de ramais e ruído sobre caixa da Operação Verão

Governo anunciou mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho e 12 mil quilômetros de ramais, mas base de pagamentos mostra que, até 1º de julho, o nome “Operação Verão” aparece quase só em diárias; grande licitação de ramais foi suspensa

A saída de Sula Ximenes do comando do Deracre abriu uma crise que vai além da troca de cadeira na autarquia. O problema, agora, está no caixa e na execução da Operação Verão 2026, lançada pelo governo Mailza Assis com discurso de força-tarefa, máquinas nos ramais e investimentos milionários.

O governo anunciou a operação em 1º de junho, em Rio Branco, prometendo mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores e meta de atender 12 mil quilômetros de ramais. No mesmo ato, a gestão falou em aproximadamente R$ 50 milhões para ramais e pontes, além de R$ 30 milhões em recursos federais voltados para Cruzeiro do Sul. Sula, então presidente do Deracre, afirmou que a operação teria mais de R$ 70 milhões em investimentos do governo estadual.

O discurso era de verão planejado. Os dados, porém, contam uma história mais complicada.

Levantamento feito em pagamentos do Deracre entre 2022 e 2026 mostra que o órgão não está necessariamente pagando menos no geral. Pelo contrário: até 1º de julho de 2026, o Deracre já havia pago R$ 174,1 milhões. No mesmo período de 2025, eram R$ 157 milhões. O caixa geral da autarquia, portanto, não encolheu. Cresceu.

A queda aparece quando o filtro vai para o que importa na propaganda da Operação Verão: ramais, estradas vicinais e recuperação de acessos rurais.

Até 1º de julho de 2025, o Deracre havia pago R$ 14,5 milhões em despesas com menção a ramais ou estradas vicinais. No mesmo período de 2026, o valor caiu para R$ 8,3 milhões. É uma redução de cerca de 43% nos pagamentos ligados a ramais, justamente no ano em que o governo lançou a operação como uma das principais vitrines da gestão Mailza.

A diferença fica ainda mais sensível quando o levantamento busca o termo literal “Operação Verão” nos históricos de pagamento. Em 2025, a expressão aparece em 39 registros, somando R$ 9,47 milhões pagos. A maior parte era de serviços de pessoa jurídica, com recuperação de pontos críticos, tapa-buraco e intervenções executadas em campo.

Em 2026, até 1º de julho, a mesma busca encontra 32 registros e apenas R$ 37,8 mil pagos. Todos em diárias.

Deracre tem R$ 43 milhões empenhados e não pagos em 2026

Outro dado reforça a pressão sobre o caixa do Deracre. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos. Desse total, R$ 36,2 milhões ainda nem haviam sido liquidados e R$ 6,9 milhões já estavam liquidados, mas sem pagamento registrado.

A maior concentração está em empenhos feitos em junho, mês de lançamento da Operação Verão. Só nesse período, aparecem R$ 19,6 milhões empenhados e não pagos. O saldo aberto envolve principalmente serviços de pessoa jurídica, obras e instalações, material de consumo, equipamentos e convênios.

No recorte específico de ramais e estradas vicinais, o quadro é ainda mais sensível para o discurso do governo. A base mostra R$ 11,1 milhões empenhados e não pagos em objetos ligados a ramais. Entre os maiores saldos estão o Ramal Estrada Velha, em Epitaciolândia, com R$ 4,3 milhões empenhados sem pagamento; o Ramal Centrinho e Ramal Escondido, com R$ 1,5 milhão; e contratos ligados ao Ramal dos Paulistas, Ramal do Adolar, Ramal Vai Se Ver e pontes em ramais.

O dado não significa que nenhuma máquina tenha ido a campo. O próprio governo publicou ações em ramais, como no Ramal Esperança, em Brasileia, onde informou serviços em 14 quilômetros, lançamento de piçarra, espurgo de asfalto, bueiros e mobilização de equipamentos.

Mas a base de pagamentos mostra que, até agora, o rastro financeiro da Operação Verão 2026 não acompanha o tamanho do anúncio. No papel do Deracre, o nome da operação aparece mais como deslocamento, vistoria e fiscalização do que como pagamento efetivo de obra.

No Juruá, onde a cobrança por ramais costuma pesar mais, o governo lançou uma etapa própria da Operação Verão em 12 de junho. A matéria oficial informou R$ 26 milhões em recursos federais do Ministério da Agricultura e Pecuária para recuperar cerca de 80 quilômetros de ramais em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também afirmou que o Estado colocaria recursos próprios para mais de 800 quilômetros de serviços sob demanda na região.

É exatamente aí que a pergunta sobre a origem do dinheiro ganha força. No recorte de ramais da base de 2026, o Deracre tem R$ 19,5 milhões empenhados, mas só R$ 8,3 milhões pagos. A maior parte paga saiu da fonte 15000100, classificada em documentos do Estado como recursos próprios do Tesouro Estadual. Outra parte relevante aparece na fonte 27003120, ligada a emendas parlamentares de bancada em superávit. 

Ou seja: a Operação Verão foi vendida como uma grande ação nova do governo, mas parte importante do dinheiro dos ramais aparece misturada a fontes antigas, emendas, convênios e contratos que já vinham se arrastando de anos anteriores.

O caso mais simbólico é o Contrato de Repasse nº 850470/2017. Esse convênio aparece na base de pagamentos com movimentações em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. Só em 2026, há R$ 8,86 milhões empenhados vinculados a esse número, mas apenas R$ 2,37 milhões pagos.

Esse contrato não nasceu agora. Em 2019, o próprio governo Gladson Cameli anunciou a liberação de cerca de R$ 94 milhões para recuperação de ramais em todo o Acre, recurso de emendas de bancada que, segundo a publicação oficial da época, estava “empacado” e poderia ser perdido se não fosse destravado. (Noticias do Acre)

Sete anos depois da origem da emenda e cinco anos após o governo dizer que havia destravado o recurso, o mesmo pacote ainda aparece nos pagamentos do Deracre. Isso ajuda a explicar a morosidade na política de ramais no Acre: não se trata apenas de falta de anúncio. Anúncio houve. O que falta, ano após ano, é execução no ritmo prometido à população rural.

A contratação nova que poderia dar escala à Operação Verão também não engrenou até aqui. A Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, no ComprasGov nº 90044/2026, Processo nº 0000002/2026-Deracre, foi aberta para contratar serviços de engenharia de melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá. O edital foi prorrogado para 3 de junho, mas, um dia antes da sessão, a comissão publicou aviso de suspensão por haver pedidos de esclarecimentos e/ou impugnações pendentes de resposta do órgão demandante. 

Na prática, a grande contratação de ramais do Deracre em 2026 foi suspensa no início do verão amazônico, justamente quando o governo dizia que colocaria o maquinário em campo.

A saída de Sula Ximenes piorou a leitura política. O Integração Net mostrou que, nos bastidores, a exoneração abriu ruído sobre o caixa da operação. A versão de bastidor aponta suspeita de que o dinheiro prometido para sustentar a Operação Verão não estaria disponível como havia sido combinado, com questionamentos envolvendo emenda de bancada e planejamento para recuperação de ramais. 

Os números não provam, sozinhos, falta de dinheiro. Mas sustentam a cobrança. Se o governo anunciou mais de R$ 70 milhões, mais de 40 frentes, 12 mil quilômetros de ramais e estrutura pesada em todas as regionais, precisa mostrar quais contratos bancam a operação, quanto já foi empenhado, quanto foi pago, quais ramais foram efetivamente atendidos e que parte do recurso é dinheiro novo do Estado, emenda de bancada, convênio federal ou saldo de contrato antigo.

Áudio expõe crise interna e resposta da Sefaz não encerra dúvida sobre o caixa

A crise da Operação Verão não nasceu apenas de especulação política. Reportagem do AC24Agro trouxe um áudio atribuído ao diretor de Ramais do Deracre, Celso Sousa, no qual ele afirma que havia decisão interna para “parar o trecho” e devolver máquinas terceirizadas que atuavam em ramais, na AC-90 e em aeródromos. Segundo a reportagem, o diretor relacionou o problema à falta de conexão entre Sefaz e Seplag e disse que “não está tudo certo” na execução da operação. 

A Sefaz reagiu por meio do secretário Amarísio Freitas. A versão oficial é que a Operação Verão tinha acabado de completar 30 dias, que seria imprudente falar em interrupção dos serviços nesse prazo e que o Deracre trabalha com uma cota mensal de pouco mais de R$ 15 milhões em recursos próprios. A secretaria também afirmou que o Tesouro não controla quando serão liberados recursos de emendas federais ou outras fontes. 

A resposta, porém, não elimina o questionamento. O próprio governo lançou a Operação Verão prometendo mais de 40 frentes de trabalho, mais de 400 máquinas, cerca de 500 trabalhadores, 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões. Se parte relevante desse dinheiro dependia de emendas federais, convênios ou liberações fora do controle direto da Sefaz, a pergunta permanece: quanto desse pacote estava, de fato, disponível para execução quando a operação foi anunciada?

Os dados do Deracre reforçam a dúvida. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. Ao mesmo tempo, o nome “Operação Verão” aparecia na base quase só em diárias, somando apenas R$ 37,8 mil pagos.

Há ainda outro ponto sensível: a grande licitação de ramais de 2026, a Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, foi suspensa antes da sessão prevista para 3 de junho. O processo tratava da contratação de serviços de engenharia para melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá.

Por isso, a explicação da Sefaz pode até responder ao rito financeiro mensal, mas não responde ao problema político e administrativo aberto pela Operação Verão. O que está em discussão não é apenas se a Sefaz repassa cotas ao Deracre. É se o governo anunciou uma operação maior do que o dinheiro disponível, os contratos ativos e a capacidade real de execução conseguiam sustentar naquele momento.

Hoje, a fotografia disponível é dura para o governo Gladson/Mailza: o Deracre pagou mais no conjunto, mas pagou menos em ramais; a Operação Verão 2026 aparece quase só em diárias; a licitação estadual para ramais foi suspensa; e parte da execução ainda depende de recursos antigos, anunciados desde 2019.

No palanque, a Operação Verão nasceu como vitrine. Nos dados, até agora, ela parece ter subido no telhado.