Major Rocha cobra responsabilização por queda da ponte de Sena Madureira e rejeita tese de fatalidade
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-vice-governador Major Rocha afirmou que o desabamento da ponte de Sena Madureira não pode ser tratado como fatalidade e acusou o governo e a construtora responsável pela obra de tentarem se eximir da responsabilidade. Na gravação, ele diz que a narrativa de que o colapso foi provocado pelo fenômeno das chamadas terras caídas não encerra o caso e, ao contrário, reforça a suspeita de falhas técnicas no estudo, no projeto e na execução da estrutura.
Rocha sustenta que o fenômeno geológico é amplamente conhecido na Amazônia e, por isso, deveria ter sido considerado ainda na fase de planejamento da obra. Na avaliação dele, se a movimentação de terra realmente abalou a estrutura da ponte, isso não afasta a responsabilidade da empresa. “A engenharia existe justamente para prever riscos e adotar medidas capazes de evitá-los”, afirmou.
No vídeo, ele também questiona a posição apresentada por representantes do governo e da empresa após o desabamento. Para Rocha, houve uma tentativa de enquadrar o episódio como caso fortuito, o que poderia abrir caminho para afastar eventual responsabilização. Ele rebate esse entendimento ao afirmar que eventos previsíveis e conhecidos da realidade amazônica não podem ser usados como justificativa automática para o colapso de uma obra pública.
A crítica também alcança o poder público. Rocha afirma que o Estado tinha a obrigação de fiscalizar a execução da ponte, verificar as condições de segurança da estrutura e acompanhar a entrega de uma obra custeada com dinheiro público. Segundo ele, a discussão não se limita à esfera civil, com eventual reparação por danos, mas pode avançar também para a esfera criminal, caso sejam confirmadas negligência, imprudência ou imperícia.
Ao longo da gravação, o ex-vice-governador afirma que a ponte foi construída pela Construtora Cidade e desabou pouco mais de dois anos depois da entrega, o que, segundo ele, amplia a gravidade do caso. Rocha diz ainda que não aceita “jogo de empurra empurra” entre governo e empresa e cobra esclarecimentos técnicos sobre as causas do desabamento, retirada dos destroços do rio e definição das próximas providências.
A fala de Major Rocha amplia a pressão política em torno do caso e coloca no centro do debate não apenas a origem do desabamento, mas também a responsabilidade por uma obra que, agora, passa a ser alvo de questionamentos sobre projeto, fiscalização e segurança.