Wherles Rocha confronta Gladson Cameli com condenação no STJ

O ex-vice-governador do Acre Wherles Rocha transformou a disputa em torno da candidatura de Gladson Cameli ao Senado em um confronto direto entre discurso eleitoral e decisão judicial. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Rocha recupera declarações nas quais o ex-governador se apresenta como “candidatíssimo” e reclama da circulação de “fake news”, intercala as falas com trechos do julgamento no Superior Tribunal de Justiça e sustenta que a condenação criminal e os efeitos eleitorais enfrentados por Cameli não são invenção de adversários. A publicação aparece a poucos dias de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral das eleições de 2026, e leva para o centro da campanha uma pergunta que deverá acompanhar o ex-governador até a análise de seu registro: em que condições jurídicas Gladson chegará à urna de 4 de outubro?

A construção do vídeo é calculada para produzir contraste. Primeiro aparece Gladson falando aos apoiadores. “Eu só tô aguardando chegar o dia 16 pra mim ir pra rua pedir voto. Candidatíssimo, senhor. É candidatíssimo ao Senado”, afirma no trecho utilizado por Rocha. Em seguida, o ex-governador coloca a decisão nas mãos do eleitor: “Quem vai julgar, no julgamento meu, é 4 de outubro. O eleitor vai dizer se ele me quer como senador”. Rocha corta a fala e muda o ambiente da peça. Sai o palanque, entra o tribunal. Sai a promessa de campanha, entram trechos relacionados ao julgamento conduzido pela Corte Especial do STJ.

A data escolhida por Gladson para falar em ir às ruas não é casual. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral fixa 15 de agosto como prazo final para partidos, federações e coligações apresentarem os pedidos de registro de candidatura. A propaganda eleitoral começa no dia seguinte, 16. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. É justamente nesse intervalo, entre o registro e o início oficial da campanha, que a situação de Cameli se tornou um dos pontos mais delicados da eleição acreana.

Rocha interpreta a referência de Gladson às “fake news” como uma tentativa de empurrar para o terreno da desinformação aquilo que já passou pelo julgamento do STJ. “Vocês viram aí um sujeito chamar de fake news sua condenação e inelegibilidade”, diz, antes de reproduzir trechos ligados ao voto da ministra Nancy Andrighi. O vídeo assume, a partir daí, um tom de acusação política, mas a base jurídica central utilizada pelo ex-vice-governador existe: Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça em 6 de maio de 2026.

A pena foi fixada em 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. O STJ também determinou multa e indenização de R$ 11.785.020,31 ao Estado do Acre. A Corte decretou ainda a perda do cargo de governador, embora Cameli já tivesse deixado o Palácio Rio Branco para abrir caminho à tentativa de retornar ao Senado. O julgamento não foi unânime em todos os pontos, mas a maioria acompanhou a relatora Nancy Andrighi na condenação.

É nesse ponto que o vídeo de Rocha ganha peso para além da troca de ataques entre dois personagens da política acreana. Durante anos, Wherles Rocha e Gladson Cameli estiveram do mesmo lado. Em 2018, formaram a chapa que venceu a eleição para o Governo do Acre no primeiro turno: Gladson como governador e Rocha como vice. Ainda nos primeiros meses daquela administração, Rocha chegou a celebrar publicamente a parceria entre os dois. Agora, sete anos depois daquela chegada conjunta ao poder, o antigo vice usa uma condenação criminal do ex-aliado como matéria-prima de um dos ataques mais duros lançados contra o projeto de Gladson para 2026.

Os trechos judiciais reproduzidos no vídeo remetem ao núcleo da Ação Penal 1.076. A acusação sustentou que Gladson liderava uma organização criminosa formada por núcleos político, familiar e empresarial. No julgamento, Nancy Andrighi afirmou que servidores de alto escalão e integrantes do grupo familiar teriam participado de uma estrutura criada para permitir fraudes em contratos e desvio de dinheiro público. O STJ registrou que a investigação alcançou a contratação da Murano Construções e relações empresariais que, para a acusação, serviram à movimentação e ao desvio de recursos.

A ministra também tratou de pagamentos relacionados a um apartamento de alto padrão em São Paulo e a um veículo de luxo de propriedade do então governador. Na avaliação acolhida pela maioria da Corte Especial, movimentações financeiras reunidas no processo ligavam recursos desviados ao enriquecimento de Gladson e de integrantes de seu núcleo familiar. A defesa contestou essa versão, negou participação do então governador na condução dos contratos e sustentou a nulidade de provas obtidas durante as investigações. O próprio STJ registrou essas teses defensivas ao divulgar o resultado do julgamento.

A condenação de maio também não ficou congelada naquele dia. Em 5 de agosto, a Corte Especial rejeitou por unanimidade os embargos de declaração apresentados pela defesa. O resultado manteve a pena e deixou a discussão sobre uma eventual reversão ou suspensão dos efeitos da decisão para novas medidas judiciais.

É justamente aí que a palavra “inelegibilidade”, repetida por Rocha no vídeo, precisa ser compreendida fora da linguagem do confronto eleitoral. A legislação prevê inelegibilidade para condenados por determinados crimes quando a decisão já transitou em julgado ou foi tomada por órgão judicial colegiado. O Tribunal Superior Eleitoral reúne jurisprudência específica sobre a incidência da regra em condenações criminais desse tipo. Há, ao mesmo tempo, mecanismos judiciais que permitem buscar a suspensão cautelar da inelegibilidade enquanto recursos são examinados. A existência da condenação, portanto, não impede que o Progressistas apresente o pedido de registro de Gladson; abre, porém, uma disputa judicial sobre a possibilidade de ele efetivamente concorrer.

Essa diferença é importante porque o próprio Cameli procura deslocar a batalha para 4 de outubro. Quando diz que será julgado pelo eleitor, ele transforma a urna em argumento político. O problema é que existem dois julgamentos em planos diferentes. O eleitor pode escolher politicamente quem deseja representar o Acre, mas é a Justiça Eleitoral que examina se cada nome colocado pelos partidos reúne as condições legais para disputar o cargo. O calendário do TSE estabelece que os pedidos de registro, inclusive os impugnados, devem passar pelo julgamento das instâncias ordinárias antes do primeiro turno.

Rocha explora exatamente essa fratura. Sua peça não tenta discutir detalhes processuais durante vários minutos. Faz algo mais simples e mais eficiente politicamente: coloca lado a lado a imagem de Gladson dizendo que está pronto para pedir votos e a voz do Judiciário descrevendo os crimes pelos quais foi condenado. “Não é fake news, não é opinião, não é perseguição, é a Justiça falando”, afirma o ex-vice-governador. A frase é a síntese do vídeo e também a escolha narrativa de Rocha: impedir que a discussão sobre a candidatura seja reduzida a uma briga de versões entre adversários.

Ao final, o vídeo ainda incorpora uma antiga entrevista de conteúdo policial em que um homem fala, de forma irônica, sobre roubo, desemprego e a estrutura mobilizada pelo crime. O personagem não é identificado no material transcrito e não há elemento que permita relacioná-lo diretamente a Gladson Cameli ou ao processo da Operação Ptolomeu. Dentro da edição feita por Rocha, o trecho funciona como provocação e recurso de ironia, não como prova relacionada à ação penal.

A gravação chega ao eleitor num momento em que campanha e processo judicial passaram a correr quase na mesma velocidade. Em 15 de agosto termina o prazo para os registros. Em 16, começa a propaganda. Em 4 de outubro, o Acre escolherá dois senadores. Entre essas três datas está uma batalha jurídica que Gladson precisa enfrentar e uma batalha política que seus adversários já decidiram explorar.

Para Wherles Rocha, a estratégia é especialmente carregada de significado porque ele não fala de um personagem distante. Fala do homem com quem dividiu uma chapa, uma vitória eleitoral e o início de um governo. O vídeo transforma essa antiga proximidade em combustível político. O ex-vice não precisa reconstruir toda a Operação Ptolomeu para atacar. Deixa que as imagens de Gladson e os trechos do julgamento se choquem diante do eleitor.

A disputa de 2026 no Acre passa, assim, a ter também uma batalha pela definição das palavras. Gladson fala em “fake”, candidatura e julgamento popular. Rocha responde com condenação, inelegibilidade e STJ. Entre os dois discursos existe um fato que não depende da propaganda de nenhum dos lados: em 6 de maio, Gladson Cameli foi condenado por um colegiado do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão. O que ainda será decidido é o alcance definitivo dessa condenação sobre sua presença na eleição.

STJ mantém condenação de Gladson Cameli e candidatura ao Senado segue com risco de inelegibilidade

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça manteve nesta quarta-feira, 5 de agosto, a condenação de Gladson Cameli a 25 anos e nove meses de prisão. Por unanimidade, os ministros acolheram parcialmente os embargos de declaração apresentados pela defesa, mas sem alterar a pena ou o resultado do julgamento. A decisão mantém o ex-governador do Acre sob uma condenação colegiada por crimes que podem gerar inelegibilidade, a dez dias do encerramento do prazo para o registro das candidaturas nas eleições de 2026.

O resultado foi registrado às 15h24 na Ação Penal 1.076. A proclamação final informa que os embargos foram acolhidos parcialmente, sem efeitos modificativos, nos termos do voto da ministra relatora Nancy Andrighi. Na prática, os ministros aceitaram esclarecer pontos da decisão anterior, mas rejeitaram qualquer mudança capaz de afastar os crimes reconhecidos, reduzir a pena ou reverter a condenação.

Gladson Cameli foi condenado por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Além da pena de prisão em regime inicial fechado, o STJ determinou o pagamento de multa e de R$ 11.785.020,31 em indenização ao Estado do Acre. A defesa nega a participação do ex-governador no esquema e questiona provas usadas durante a investigação.

A manutenção da condenação afeta diretamente o projeto eleitoral de Gladson, escolhido pelo Progressistas para disputar uma das duas vagas do Acre no Senado. O partido poderá apresentar o pedido de registro da candidatura até as 19 horas de 15 de agosto. O processo será encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre, responsável por examinar se o candidato cumpre as exigências legais para concorrer.

O protocolo do pedido não significa que a candidatura estará autorizada. O Progressistas pode registrar o nome de Gladson mesmo com a condenação em vigor, mas caberá à Justiça Eleitoral decidir se a situação criminal impede a participação dele na disputa. A escolha partidária feita em convenção e o registro concedido pelo tribunal são etapas diferentes.

A Lei Complementar nº 64, que trata das hipóteses de inelegibilidade, alcança pessoas condenadas por órgão judicial colegiado por crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nesses casos, não é necessário aguardar o fim de todos os recursos para que o impedimento eleitoral seja aplicado. A condenação proferida por um tribunal já pode servir de fundamento para o indeferimento do registro.

Gladson foi condenado pela Corte Especial do STJ, formada por ministros do próprio tribunal. Por esse motivo, o caso reúne os elementos jurídicos para uma discussão sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa. O TRE do Acre deverá analisar o conteúdo da condenação, os crimes reconhecidos e a situação dos recursos apresentados pela defesa.

Depois da publicação do pedido de registro, partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral terão cinco dias para apresentar impugnação. A defesa de Gladson poderá responder, juntar documentos e sustentar que a condenação não deve produzir efeitos eleitorais. O processo também poderá chegar ao Tribunal Superior Eleitoral por meio de recurso.

A principal alternativa da defesa é obter uma decisão judicial que suspenda a inelegibilidade ou os efeitos da condenação. A legislação permite esse tipo de medida quando o tribunal responsável por examinar o recurso reconhece fundamento jurídico suficiente para suspender temporariamente o impedimento. Sem essa decisão, o pedido de registro será analisado com a condenação mantida pelo STJ.

Os embargos julgados nesta quarta-feira não produziram essa mudança. O STJ não afastou os crimes, não anulou o julgamento e não reduziu a pena. A defesa ainda poderá buscar outras medidas judiciais, mas precisará de uma decisão específica que retire ou suspenda o efeito eleitoral da condenação.

Enquanto o registro estiver em análise, Gladson poderá manter atividades de campanha na condição de candidato com situação pendente. A permanência do nome na urna e a validade dos votos dependerão do andamento dos recursos e das decisões tomadas pela Justiça Eleitoral. Uma candidatura nessa condição pode avançar durante a campanha sem garantia de diplomação.

O calendário reduz o tempo disponível para o Progressistas definir sua estratégia. O pedido precisa ser protocolado até 15 de agosto. Os processos de registro, inclusive os impugnados, devem avançar antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A legislação também fixa prazo para substituição de candidatos, o que obriga o partido a avaliar o risco de manter Gladson até as últimas etapas da disputa judicial.

Eduardo Velloso promete priorizar saúde no Senado e cita ações no Juruá

O deputado federal Eduardo Velloso afirmou nesta sexta-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que pretende colocar a saúde no centro de sua campanha ao Senado. O parlamentar citou serviços financiados pelo mandato no Vale do Juruá e defendeu uma atuação voltada aos municípios do interior do Acre.

“O Senado merece uma pessoa que tenha um olhar mais especial para a saúde”, declarou Velloso. Ele afirmou que também trabalha com infraestrutura, aquisição de máquinas e apoio aos produtores rurais, mas definiu a saúde como a principal área de atuação do mandato.

“Nosso forte é saúde. A principal pauta do interior é a saúde. Como eu sou municipalista e tenho esse olhar, vou continuar trabalhando para mudar a vida das pessoas”, disse.

Velloso citou a oferta de exames de ressonância magnética e atendimentos nas áreas de cardiologia e oftalmologia no Vale do Juruá. Segundo ele, os serviços não estavam disponíveis na região antes da destinação de recursos pelo mandato.

“No Vale do Juruá não existia ressonância, e o nosso mandato levou. Não existia atendimento de cardiologia, e o nosso mandato levou. Não existia atendimento de oftalmologia, e o nosso mandato levou”, afirmou.

O deputado também falou sobre o tratamento de pacientes com doenças reumáticas e sobre o uso de câmara hiperbárica para pessoas com diabetes que enfrentam feridas graves e risco de amputação.

“Hoje nós temos o tratamento da câmara hiperbárica para aquelas pessoas diabéticas que precisavam amputar um dedo ou uma perna. O nosso mandato levou”, declarou.

Outro projeto citado por Velloso foi a implantação de cirurgia robótica no Acre, em parceria com o governo estadual. O deputado afirmou que o serviço deverá atender homens com câncer de próstata e mulheres que precisam de procedimentos relacionados à histerectomia e à endometriose.

“Nosso mandato está trazendo agora, em parceria com o governo do Estado, a cirurgia robótica, que vai ajudar homens com câncer de próstata e mulheres na histerectomia e na endometriose”, disse.

O parlamentar não apresentou durante a entrevista os valores destinados aos serviços, o número de pacientes atendidos nem o cronograma completo dos projetos mencionados. Ele afirmou que pretende usar os resultados do atual mandato como base para pedir o voto dos eleitores.

“É dessa forma que a gente trabalha, mudando a vida das pessoas, principalmente no momento de maior dor, que é na falta de saúde”, declarou.

Ao ser questionado sobre possíveis ataques durante a campanha, Velloso afirmou que está preparado para responder sobre sua conduta e fez uma promessa pública de renunciar ao mandato caso seja comprovada alguma irregularidade envolvendo cobrança de propina.

“Quem não deve não teme. Se acharem um desvio da minha conduta, de pedir propina ou pedir alguma coisa, eu renuncio ao meu mandato”, afirmou. O deputado acrescentou que espera o surgimento de acusações durante a disputa, mas disse acreditar que não haverá fatos concretos contra ele.

Velloso também afirmou que pretende evitar confrontos pessoais com antigos aliados e concentrar a campanha na apresentação de projetos e resultados.

“Não adianta eu ficar criticando. O nosso foco é trabalho. Cada um tem que mostrar o seu projeto e o seu trabalho”, declarou.

Jorge Viana reúne padres e defende fé, diálogo e serviço ao Acre

Depois de participar de uma missa, o pré-candidato ao Senado Jorge Viana sentou-se à mesa com padres da Diocese de Rio Branco na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, na Casa dos Padres, no bairro Calafate. Entre café, orações e conversas sobre os problemas enfrentados pela população, o encontro aproximou a linguagem da fé do debate político e colocou o diálogo, a esperança e o serviço aos mais pobres no centro da agenda apresentada para o Acre.

O café da manhã foi organizado pelo padre Antônio Menezes, licenciado das funções sacerdotais e pré-candidato a deputado estadual. Também participaram os padres Macoy Soares, ecônomo da Diocese de Rio Branco e reitor do Santuário da Divina Misericórdia; Matheus, da Paróquia do Bujari; Erenildo, da Paróquia São Felipe; e Júnior, da Paróquia São Paulo Apóstolo. Dona Nice, responsável pelo preparo da mesa, completou o grupo reunido após a celebração religiosa.

A cena mais simples daquela manhã ocorreu diante da cafeteira. Viana preparou a própria bebida e serviu os sacerdotes e Dona Nice. O gesto acompanhou o sentido que conduziu a conversa: a liderança política, na visão apresentada durante o encontro, precisa começar pelo cuidado com as pessoas e pela disposição de servir.

Ao redor da mesa, o diálogo avançou para questões que atravessam o cotidiano das famílias acreanas. Os participantes falaram sobre falta de oportunidades, saída de moradores para outros estados, desemprego, violência, desigualdade social e abandono das parcelas mais vulneráveis da população. A presença dos padres levou à conversa experiências vividas dentro das comunidades, onde a Igreja mantém contato diário com famílias atingidas pela pobreza e pela ausência de políticas públicas.

Viana afirmou que a missa e a recepção dos sacerdotes renovaram sua disposição para trabalhar pelo estado. Ao falar sobre uma possível volta ao Senado, pediu que não lhe faltasse o compromisso de “servir ao Acre com amor, humildade e compromisso com as pessoas”. Na fala do pré-candidato, fé e atuação pública apareceram unidas pela ideia de comunhão, palavra usada para defender uma política menos marcada pelo confronto e mais aberta à escuta.

Padre Antônio Menezes tratou a esperança cristã como uma responsabilidade diante da realidade. “A esperança nunca é passiva”, afirmou. Para ele, acreditar em dias melhores exige cuidar das pessoas, enfrentar as injustiças e colocar o interesse coletivo acima de projetos particulares. O sacerdote também defendeu que a política seja exercida como missão, especialmente quando as decisões atingem os mais pobres.

Padre Macoy Soares levou à conversa a preocupação com os acreanos que deixam o estado em busca de emprego, renda e segurança. Ele defendeu um Acre capaz de oferecer condições para que as famílias permaneçam perto de suas raízes, com dignidade e perspectivas de futuro. Também falou sobre o trabalho social desenvolvido pela Igreja e sobre a necessidade de parceria com agentes públicos comprometidos com quem costuma permanecer distante dos centros de decisão.

O encontro terminou com o compromisso de ampliar as conversas com diferentes setores da sociedade. Viana defendeu a escuta como parte da construção de respostas para os problemas do estado e voltou a relacionar desenvolvimento, união e atenção às pessoas. Em torno de uma mesa preparada sem cerimônia, a pré-campanha ganhou o vocabulário da fé: esperança como movimento, diálogo como método e poder como serviço.