Acre mantém operação na Terra Indígena Ashaninka após invasão armada

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre mantém neste sábado (25) a atuação das forças de segurança na Terra Indígena Ashaninka, no município de Marechal Thaumaturgo, após a invasão de homens armados e as ameaças contra lideranças da Aldeia Apiwtxa. A operação não tem previsão de encerramento e busca proteger os moradores e impedir o avanço de atividades criminosas na fronteira com o Peru.

A mobilização começou depois que lideranças relataram a entrada de homens armados no território indígena nos dias 5 e 6 de julho. O grupo teria procurado representantes da comunidade e ameaçado moradores que vivem às margens do rio Amônia.

As ameaças ocorreram após a comunidade restringir a passagem de pessoas não indígenas pelo território. A medida foi adotada para dificultar o tráfico de drogas, o desmatamento ilegal, a retirada clandestina de madeira e o garimpo na região de fronteira.

Equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira realizam patrulhamentos terrestres e fluviais no entorno da aldeia. Policiais também foram transportados pelo Centro Integrado de Operações Aéreas, enquanto agentes mantidos em Cruzeiro do Sul permanecem de prontidão para novos deslocamentos.

Uma segunda equipe do Gefron chegou à comunidade em 9 de julho. Desde então, as forças de segurança realizam reuniões com moradores e lideranças indígenas para organizar as ações de proteção e identificar possíveis movimentações de grupos criminosos na área.

O Exército Brasileiro passou a integrar a operação em 11 de julho, com patrulhamentos pelo rio Amônia e em trechos próximos à divisa entre o Acre e o Peru. A atuação também envolve articulação com órgãos federais e o Ministério Público Federal.

A operação continuará enquanto houver risco para a comunidade. O trabalho concentra-se na proteção das lideranças Ashaninka, na vigilância dos acessos ao território e no combate às organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira.

Operação Ashaninka reforça segurança após invasão armada no rio Amônia

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre deflagrou a Operação Ashaninka após a denúncia de invasão armada e ameaças contra lideranças indígenas na Aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Ashaninka, às margens do rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, na fronteira do Brasil com o Peru. A ação foi iniciada depois que a liderança Francisco Piyãko relatou a entrada de um grupo armado no território nos dias 5 e 6 de julho.

Os invasores procuravam lideranças da comunidade e fizeram ameaças a moradores. A tensão cresceu após a decisão dos Ashaninka de restringir a passagem de não indígenas pelo território, medida adotada para enfrentar o tráfico de drogas, o desmatamento ilegal e o garimpo ilegal na região de fronteira.

Equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira foram deslocadas para a área com apoio aéreo do Centro Integrado de Operações Aéreas. A primeira equipe chegou à região no dia 7 de julho, e uma segunda foi enviada no dia 9. Desde então, os agentes fazem patrulhamento rural e fluvial com apoio dos indígenas, além de reuniões com lideranças e articulação com órgãos federais e o Ministério Público Federal.

Francisco Piyãko afirmou que a presença das forças de segurança trouxe mais tranquilidade à comunidade em meio ao clima de tensão. “A gente está num momento de muita tensão por conta da invasão ao nosso território. Vocês chegaram de imediato e isso passa para a gente segurança”, disse. Ele também reforçou que as lideranças decidiram permanecer na aldeia. “Nós tomamos a decisão de que as lideranças não vão sair do seu território, fugir por medo desses criminosos”, afirmou.

A permanência do Gefron na área não tem prazo para terminar. O efetivo deve continuar no rio Amônia para garantir a segurança dos moradores e ampliar o monitoramento da faixa de fronteira. O Exército Brasileiro também deve reforçar o patrulhamento entre Marechal Thaumaturgo e a fronteira peruana.

A principal linha de investigação trata as ameaças como possível reação de grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas na fronteira Brasil-Peru. O caso deve ser encaminhado às autoridades federais para a continuidade das apurações.

A região do rio Amônia integra uma área de pressão transfronteiriça marcada por circulação irregular, ramais clandestinos, avanço de atividades ilegais e disputas sobre o controle territorial. Lideranças indígenas do Alto Juruá já vinham alertando para o risco de estradas ilegais, pistas clandestinas, narcotráfico, retirada de madeira e garimpo na faixa que conecta o Acre ao departamento de Ucayali, no Peru.

A Terra Indígena Ashaninka, onde fica a Aldeia Apiwtxa, tem histórico de mobilização contra invasões e exploração ilegal de recursos naturais. A nova operação ocorre em um momento de maior cobrança por presença permanente do Estado em áreas isoladas da Amazônia acreana, onde comunidades indígenas atuam na proteção do território e da floresta.

MDA desmente Nikolas sobre ponte em Marechal Thaumaturgo e cobra contrapartida da prefeitura

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, comandado por Fernanda Machiaveli, rebateu a versão divulgada pelo deputado federal Nikolas Ferreira sobre a obra de uma ponte em Marechal Thaumaturgo, no Acre, e afirmou que o recurso federal não foi liberado porque a prefeitura ainda não cumpriu exigências previstas no contrato. A resposta foi divulgada depois de o parlamentar publicar um vídeo em que questiona o destino de R$ 2,8 milhões e atribui o impasse ao governo Lula.

Na manifestação oficial, o ministério sustenta que a obra não pertence ao Novo PAC e está vinculada a um contrato de repasse assinado em 31 de dezembro de 2021, ainda na gestão anterior. Pela regra do convênio, caberia ao município conduzir a licitação, contratar a empresa executora e comprovar o depósito da contrapartida financeira para que a União pudesse liberar a parte federal dos recursos.

O MDA informou que a contrapartida da Prefeitura de Marechal Thaumaturgo é de R$ 939.964,24. Sem essa etapa, o repasse da União não pode avançar. A pasta também diz que o processo licitatório só foi apresentado em abril de 2025 e acabou aprovado pela Caixa em julho do mesmo ano, depois de mais de três anos da assinatura do contrato.

No vídeo publicado nas redes, Nikolas aparece diante da placa da obra e questiona o paradeiro do valor anunciado. A resposta do governo muda o centro da discussão. Segundo o ministério, o montante de R$ 2,8 milhões corresponde ao valor total do empreendimento, somando verba federal e contrapartida do município. Como a parte exigida da prefeitura não foi comprovada, o dinheiro federal não teria sido transferido.

Com isso, a reação de Fernanda Machiaveli e do MDA busca desmontar a narrativa de que a obra parou depois de um repasse já feito por Brasília. A versão apresentada pela pasta é a de que o entrave está na execução local e no cumprimento das exigências formais para a liberação do recurso.

Com Fala, Acre, Alan Rick chega ao Juruá e arrasta público em agenda de escuta

O senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, chegou ao Vale do Juruá com a caravana do Fala, Acre e tem usado a passagem pela região para reforçar presença política, reunir público e ouvir demandas de moradores, lideranças comunitárias e representantes de diferentes segmentos sociais.

Antes de chegar a Cruzeiro do Sul, a agenda passou por municípios isolados como Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. Nas duas cidades, o senador realizou escutas presenciais do projeto e registrou demandas ligadas à saúde, juventude, infraestrutura, educação, mobilidade e oportunidades para a população.

Em Marechal Thaumaturgo, Alan Rick afirmou que a população apresentou propostas para o futuro do estado. Entre os principais pontos levantados estiveram a ampliação do atendimento às pessoas com autismo e transtornos do neurodesenvolvimento, com mais acesso a diagnóstico, terapias e educação especial. Também foram citados pedidos de valorização dos servidores públicos, capacitação, primeiro emprego e projetos voltados para afastar jovens das drogas e da ociosidade.

A população de Marechal Thaumaturgo também reforçou uma demanda antiga da região: a superação do isolamento terrestre, com investimentos em estrada e ponte. Alan agradeceu ao padre Orlando pela acolhida e destacou a contribuição dele no debate sobre atenção aos jovens.

Em Porto Walter, a escuta teve forte participação da juventude. Segundo o senador, jovens participaram propondo ideias e defendendo um Acre com mais oportunidades. Entre os principais apontamentos estiveram cultura, esporte, acesso a médicos especialistas, fortalecimento da telemedicina, atenção a crianças e jovens neurodivergentes, além de soluções de mobilidade e infraestrutura para enfrentar o isolamento da região.

A passagem pelo Juruá é tratada por aliados como uma agenda positiva para Alan Rick. O público presente nas atividades, as imagens de recepção e a participação de lideranças locais reforçam a tentativa de transformar o Fala, Acre em uma vitrine política da pré-campanha, com presença nos municípios e discurso de escuta direta da população.

Em fala durante a agenda em Cruzeiro do Sul, Alan Rick disse que o movimento em torno do seu projeto mostra adesão de lideranças e grupos políticos. “Tem muita gente querendo ingressar no nosso projeto, muita gente colocando nomes, muitos partidos aliados colocando nomes. Isso é muito bonito, isso é muito legal”, afirmou. Para o senador, a movimentação indica que “a população e os próprios grupos políticos querem estar conosco”.

Alan também defendeu que sua atuação parlamentar tem mantido diálogo com os municípios do interior. Ao comentar a relação com Cruzeiro do Sul, afirmou que “todo município tem dificuldade” e que os prefeitos, diante da baixa arrecadação, precisam buscar apoio de parlamentares para realizar obras. “Todas as vezes que Cruzeiro do Sul precisou do senador Alan Rick, prontamente ele atendeu. E farei isso sempre”, declarou.

Neste fim de semana, a caravana segue por Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves e Mâncio Lima, com entregas de maquinários, visitas técnicas, encontros com produtores rurais e novas rodadas de escuta popular. A estratégia de Alan Rick é percorrer comunidades, ouvir demandas e apresentar o projeto como uma construção feita a partir das realidades locais.

Nikolas Ferreira cumpre agenda no Acre com passagem pela BR-364, aldeias e polêmicas

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou na segunda-feira, 18 de maio, uma agenda de três dias no Acre a convite do senador Marcio Bittar (PL-AC), com chegada por Rio Branco e deslocamento ao interior para percorrer a BR-364, visitar comunidades e acompanhar de perto a rotina de moradores do Vale do Juruá. O roteiro começou por Feijó, avançou para Tarauacá e, nesta terça-feira, 19 de maio, chegou a Marechal Thaumaturgo.

Ainda na segunda, a situação da BR-364 dominou a primeira parte da visita. A rodovia, principal eixo de ligação entre municípios acreanos, virou ponto central da passagem do parlamentar pelo estado. Durante o trajeto, Nikolas criticou as condições da estrada e associou a precariedade da via às dificuldades enfrentadas por quem depende do trecho para transporte, acesso a serviços e circulação de mercadorias. Em Feijó, a comitiva reforçou o discurso de que a viagem tinha como objetivo dar visibilidade nacional a problemas históricos de infraestrutura no Acre.

No fim do dia, a agenda seguiu para Tarauacá, onde Nikolas visitou a Aldeia Pinuya, do povo Huni Kuin. Na conversa com indígenas, defendeu que as prioridades das aldeias sejam definidas pelos próprios moradores e afirmou que as decisões sobre equipamentos, ramais e estrutura precisam partir de quem vive a realidade local. “Muitos querem falar por vocês, mas eles não são vocês. Vocês são vocês. Vocês sabem o que vocês precisam. Se é uma retroescavadeira, tem que ter uma retroescavadeira. Se é um ramal, tem que ser um ramal”, disse.

Na mesma fala, ao mencionar demandas e desejos dentro das comunidades, citou itens como batom, calcinha e brinquedos. A declaração repercutiu no meio político acreano nesta terça-feira e abriu nova frente de embate entre aliados e adversários do deputado. A agenda, que já tinha peso político pela presença de uma das principais vozes da direita bolsonarista no país, passou a ser também alvo de críticas de opositores no estado.

Nesta terça-feira, 19 de maio, a programação avançou para Marechal Thaumaturgo, com visita a uma reserva extrativista e compromissos voltados à realidade de populações tradicionais da região. O roteiro do dia também incluiu passagem por Rodrigues Alves para tratar da travessia e da ponte sobre o Rio Juruá, além de visita ao projeto de assentamento Santa Luzia. A proposta da comitiva foi concentrar a viagem em pontos que simbolizam os gargalos de mobilidade, isolamento e acesso a serviços públicos no interior acreano.

A passagem de Nikolas pelo Acre ocorre em meio ao esforço de aliados para ampliar a exposição de pautas locais no debate nacional.

Programa Rota da Qualidade leva fiscalização do Procon e do Ipem a municípios isolados do Acre

Equipes do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre (Procon) e do Instituto de Pesos e Medidas do Acre (Ipem) iniciaram nesta semana, entre 11 e 15 de maio, uma operação de fiscalização em municípios de difícil acesso no estado, como Marechal Thaumaturgo, Jordão, Porto Walter e Santa Rosa do Purus, com vistorias no comércio local e ações voltadas à proteção do consumidor.

A operação faz parte do calendário anual do Programa Rota da Qualidade e inclui a etapa da fiscalização “Tô de Olho no Combustível”, iniciativa de alcance nacional voltada a coibir preços abusivos e práticas irregulares no mercado de combustíveis. No comércio, as equipes verificam a exposição correta de preços, condições de armazenamento, cumprimento das normas de defesa do consumidor e eventuais irregularidades que possam prejudicar a população.

A presidente do Procon, Alana Albuquerque, afirmou que a presença do órgão nos municípios isolados busca garantir o alcance da política de defesa do consumidor em todo o estado. “Levar a atuação do Procon aos municípios de difícil acesso é garantir que os direitos do consumidor cheguem a todos os acreanos, independentemente da distância”, disse. Ela também destacou o reforço da participação do Acre na operação nacional de fiscalização em postos, com acompanhamento da composição dos preços para ampliar a transparência. “Nosso compromisso é continuar atuando com responsabilidade, presença e firmeza, garantindo que a população tenha acesso a serviços de qualidade e preços justos com maior segurança no comércio local, principalmente nos períodos de instabilidade econômica”, afirmou.

Segundo o chefe de fiscalização do Procon, John Lynneker Rodrigues, a ação combina orientação e fiscalização preventiva, com checagem de preços, condições de armazenamento, validade de produtos e possíveis práticas abusivas, além do foco nos combustíveis. “Essa ação é essencial para garantir que os consumidores dos municípios de difícil acesso também tenham seus direitos plenamente resguardados”, disse. “Paralelamente, intensificamos a fiscalização dos combustíveis, com o objetivo de assegurar maior transparência na composição dos preços e coibir possíveis irregularidades.”

Na mesma agenda, o Ipem realiza fiscalizações metrológicas, orienta comerciantes e faz verificação de produtos e serviços, além de promover ações educativas. A presidente do órgão, Hérica Granzotto, disse que a operação segue a diretriz de ampliar o alcance dos serviços públicos e evitar que municípios do interior fiquem sem assistência das ações de fiscalização. “O compromisso do Ipem é fortalecer a cidadania, promover o comércio justo e garantir mais segurança para a população acreana, levando qualidade e respeito aos consumidores em todas as regiões do Estado”, afirmou.

Além das vistorias, o governo apresentou às administrações municipais uma proposta de parceria com as prefeituras de Marechal Thaumaturgo, Jordão, Porto Walter e Santa Rosa do Purus para implantar unidades do Procon Municipal, com o objetivo de ampliar a presença institucional no interior e aproximar os serviços de fiscalização e orientação de moradores em áreas mais vulneráveis.