Alan Rick participa de reunião com presidentes nacionais do Republicanos e do PL para discutir cenário político do Acre

Encontro em Brasília reforça o diálogo entre as duas legendas sobre a construção de alianças para as eleições de 2026

O senador Alan Rick participou nesta quarta-feira (8), em Brasília, de uma reunião com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira; o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto; e o líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), para discutir o cenário político do Acre e a construção de entendimentos entre as duas legendas para as eleições de 2026.

Também participaram do encontro o deputado federal Roberto Duarte (Republicanos-AC), ex-deputado federal Ilderlei Cordeiro e outras lideranças políticas.

O encontro ocorre em um momento em que Republicanos e PL intensificam o diálogo sobre alianças estaduais para as eleições de 2026. Nesse contexto, o Acre está entre os estados que participam dessas conversas.

Além do cenário político do Acre, a reunião também abordou o avanço das articulações nacionais entre Republicanos e PL para as eleições de 2026, incluindo a aliança nacional de apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República

Ao final da reunião, Alan Rick destacou o ambiente de respeito, amizade e convergência entre as lideranças. “Foi uma conversa muito positiva. Tivemos a oportunidade de dialogar sobre o futuro do Acre, ouvir pontos de vista e fortalecer a construção de um projeto que coloque os interesses da nossa população em primeiro lugar. Creio que nossa aliança está bem encaminhada.”

Segundo o senador, as conversas terão continuidade nos próximos dias, mantendo o compromisso com um projeto voltado ao desenvolvimento do Acre e do Brasil. As duas legendas de Centro-Direita caminham juntas em estados como São Paulo, o maior do Brasil.

Governo paga R$ 3 milhões em táxi aéreo, em junho, enquanto ortopedia ameaça suspender cirurgias por atraso

GoiásMed comunicou à Sesacre que pode paralisar parcialmente atendimentos e cirurgias eletivas nesta quarta-feira; dados mostram R$ 1,6 milhão liquidado e não pago à empresa

A possível suspensão de cirurgias eletivas de ortopedia no Acre expôs um contraste nos pagamentos do governo estadual. Enquanto a Secretaria de Estado da Casa Civil teve mais de R$ 3 milhões em despesas com táxi aéreo pagas integralmente em junho de 2026, a empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde aparece com R$ 1,6 milhão em serviços já liquidados, mas ainda não pagos.

A GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre, comunicou oficialmente à Sesacre que poderá paralisar parcialmente os atendimentos e cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não sejam regularizados até esta quarta-feira, 8 de julho.

O ofício foi encaminhado ao secretário de Estado de Saúde, José Bestene, e à fiscal do contrato, Ingrid Leal da Silva. No documento, a empresa informa que, se não houver o pagamento do saldo remanescente referente à competência de fevereiro e a quitação integral das notas fiscais dos serviços prestados em março, adotará a paralisação parcial.

A GoiásMed afirma no ofício que “promoverá, a partir das 18h do dia 08/07/2026, a paralisação parcial dos atendimentos e cirurgias eletivas de Ortopedia e Traumatologia programados no âmbito do Contrato SESACRE nº 140/2026, como medida necessária e proporcional diante do agravamento da situação financeira decorrente do inadimplemento da CONTRATANTE”.

Os dados de empenhos e pagamentos analisados reforçam o alerta feito pela empresa. No Fundo Estadual de Saúde, a GoiásMed aparece com R$ 1.630.134,00 em serviços médicos de ortopedia e traumatologia já liquidados, mas sem pagamento registrado. O valor é referente à competência de março de 2026 e está vinculado ao Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e ao Contrato Sesacre nº 140/2026.

A liquidação é a etapa em que a administração pública reconhece que o serviço foi prestado ou atestado. Ou seja, nesse caso, o próprio Estado reconheceu a despesa, mas o pagamento ainda aparece zerado na base analisada.

Além disso, há outro empenho de R$ 373.129,87 para fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, as chamadas OPME, descritas como indispensáveis à realização de procedimentos ortopédicos e traumatológicos. Esse valor também aparece sem pagamento registrado.

Somados, os valores empenhados à GoiásMed e ainda sem pagamento chegam a R$ 2.003.263,87.

O contraste fica mais evidente quando os dados da Saúde são comparados aos pagamentos feitos pela Casa Civil no mesmo período. Em junho de 2026, a Casa Civil teve R$ 3.047.156,00 em despesas com fretamento administrativo de aeronaves pagos à Ortiz Táxi Aéreo. Os 32 empenhos analisados aparecem como empenhados, liquidados e pagos integralmente.

Na prática, o governo estadual conseguiu quitar despesas milionárias de fretamento aéreo da Casa Civil, mas mantém pendências com uma empresa responsável por serviços médicos que afetam diretamente pacientes na fila de cirurgias ortopédicas.

A situação atinge uma das áreas mais sensíveis da saúde pública. Cirurgias ortopédicas eletivas, embora programadas, não são procedimentos sem importância. Em muitos casos, envolvem pacientes que aguardam para recuperar mobilidade, voltar ao trabalho, reduzir dor crônica ou evitar o agravamento de problemas de saúde.

O caso também mostra um descompasso administrativo. A competência de fevereiro da GoiásMed aparece com pagamento de R$ 1.049.184,00, mas a empresa afirma no ofício que ainda há saldo remanescente pendente. Já a competência de março, segundo os dados financeiros, tem R$ 1.630.134,00 liquidados e não pagos.

Outro ponto que chama atenção é a data dos empenhos. Os valores referentes à competência de março foram empenhados apenas em 23 de junho de 2026, quase três meses depois do período em que os serviços foram prestados.

A ameaça de paralisação parcial coloca pressão sobre a Sesacre e sobre o governo do Estado. A pergunta central é por que despesas administrativas da Casa Civil foram pagas integralmente em junho, enquanto serviços essenciais de ortopedia chegaram ao ponto de ameaça formal de suspensão.

Fotos: Secom e Ortiz

Prefeitura de Rio Branco anuncia melhorias para o bairro Preventório após visita técnica

A Prefeitura de Rio Branco realizou, nesta quarta-feira, 8, uma visita técnica ao bairro Preventório para levantar demandas da comunidade e definir intervenções em ruas, drenagem, limpeza urbana e espaços públicos. A agenda foi conduzida pelo prefeito Alysson Bestene, acompanhado por secretários municipais, representantes da Emurb, vereadores e lideranças comunitárias.

A equipe percorreu trechos da Rua Rio Grande do Sul, Travessa Marajá, Rua Projetada e Rua Galbino Bezouro, além da quadra Francisco Osmir de Albuquerque. Durante a visita, moradores apresentaram problemas antigos de infraestrutura e cobraram melhorias para reduzir transtornos no dia a dia da comunidade.

O prefeito Alysson Bestene afirmou que a gestão vai organizar as prioridades a partir das necessidades verificadas no bairro. A proposta é concentrar as primeiras ações em pontos com maior demanda por drenagem, limpeza e recuperação de ruas. Ele disse que a Prefeitura pretende atuar nos locais onde a população mais precisa da presença do poder público.

O secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, acompanhou a vistoria e afirmou que as visitas técnicas ajudam a definir as intervenções por etapas. A Secretaria deve usar o levantamento feito no Preventório para planejar os serviços e alinhar a execução com outras áreas da administração municipal.

O presidente da comunidade, Edimilson Soares Manim, afirmou que a presença da Prefeitura no bairro atende a uma cobrança dos moradores. Ele disse que parte das demandas ainda não foi resolvida e que a visita permite mostrar à gestão os pontos que precisam de obras e manutenção.

O presidente da Câmara Municipal de Rio Branco, vereador Joabe Lira, também participou da agenda e afirmou que as reivindicações são antigas. Ele citou a necessidade de serviços de infraestrutura para melhorar as condições de circulação e ampliar a segurança dos moradores.

A Prefeitura informou que continuará acompanhando as demandas do Preventório e de outras regiões da capital. As intervenções devem ser definidas conforme o levantamento técnico feito pelas equipes municipais e a disponibilidade de execução dos serviços.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana defende união pelo Acre articulação para o desenvolvimento

Jorge Viana atravessou a manhã desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, no estúdio da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, tentando deslocar a conversa da briga eleitoral para uma ideia mais ampla de reconstrução do Acre. Pré-candidato ao Senado, ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador, ex-senador e ex-presidente da ApexBrasil, ele falou de ramais, BR-364, café, juventude, internet, ferrovia, meio ambiente, ponte, setor produtivo e diálogo político, sempre tentando amarrar a própria trajetória à promessa de voltar a ser útil ao estado. “Não é uma caminhada pra derrotar ninguém. É uma caminhada pra ver se o Acre vence”, disse, numa das frases que melhor resumiram a entrevista.

A fala de Jorge foi além da cobrança por ramais e BR-364. Nos ramais, ele cobrou planejamento do governo estadual e parceria com as prefeituras. Na BR-364, porém, o tom foi outro: ele não tratou a estrada apenas como uma cobrança externa, mas como uma frente que afirma ter assumido diretamente, mesmo sem mandato, por meio da relação que mantém com o governo federal e com o ministro responsável pela área. “Eu mesmo sem mandato, como tenho relação com o governo federal, com o ministro, eu liguei e estou tentando ajudar na estrada”, afirmou. A diferença é importante porque separa dois movimentos da entrevista: de um lado, Jorge critica a desorganização dos ramais; de outro, tenta se apresentar como alguém capaz de trazer solução para a rodovia que liga o Juruá ao restante do Acre.

Quando falou da BR-364, Jorge recuperou a memória do período em que o governo estadual assumiu responsabilidades sobre rodovias federais por meio de obras delegadas. Disse que buscou a delegação da BR-364 e da BR-317 ainda no governo Fernando Henrique Cardoso e que, naquela época, acumulou estradas federais, estaduais e ramais. “Botei nas minhas costas”, contou. “Eu tinha os ramais, as estradas estaduais, as federais nas minhas costas. Meu amigo, eu dei conta.” Agora, com a BR-364 sob responsabilidade federal, Jorge disse ter chamado engenheiros, montado um plano e atuado para melhorar o trecho entre Cruzeiro do Sul, Santa Luzia, Rio Liberdade e Rio Gregório. “Nós montamos um plano, o ministro veio aqui, até agosto, setembro, a estrada vai estar regular.”

A cobrança que ele aceitou para si foi pública. Jorge reconheceu que, ao assumir participação na articulação da BR-364, também se coloca sob pressão. “Se não melhorar, eu vou ter que vir aqui me explicar, vou ser cobrado. Vocês cobram, e eu acho que esse é o papel da imprensa mesmo, cobrar todos nós”, disse. Em seguida, traduziu o que considera uma rodovia minimamente aceitável para quem vive no Juruá: “O ônibus não pode ficar fazendo em 18 horas. Ele tem que voltar a fazer em 12 horas daqui pra Rio Branco. Um carro não pode demorar 15 horas, 14 horas, pra fazer e com risco de quebrar na viagem. Tem que voltar a fazer em nove horas, oito horas e meia.”

Nos ramais, a fala foi de cobrança direta. Jorge voltou ao Santa Luzia e contou ter ouvido agricultores preocupados com a produção que não consegue sair da propriedade. “Estão perdendo carregamento de banana”, afirmou. A cena é pequena, mas resume um drama antigo do Acre: quando o ramal fecha, o prejuízo nasce na roça, chega ao mercado e termina no preço pago por quem mora na cidade. “O produtor não botando o produto no mercado, vai ficar mais caro os produtos que tem pro consumidor e afeta todo mundo”, disse. Para Jorge, “trabalhar com ramal é você abraçar o cara que produz e que põe a comida na mesa das pessoas que vivem na cidade”.

A crítica aos ramais passou pelo calendário. Jorge insistiu que a operação precisa nascer no inverno para funcionar no verão. “Você tem um inverno todinho pra planejar a atuação no verão”, disse. Depois, apertou o ponto: “Você tem que planejar quando está chovendo. Nos escritórios não dá pra trabalhar na área rural. Planeja tudo pra, quando chegar em abril, estar com as máquinas arrumadinhas, e em maio tem que estar a todo vapor. Nós já estamos em julho. Já foi.” Ele também afirmou ter ouvido relatos de confusão envolvendo emendas e orçamento, mas evitou transformar o assunto em acusação fechada. “Eu não estou querendo entrar nisso porque eu não estou ocupando cargo público”, disse, antes de completar que “tem que saber o que é que está acontecendo”.

A saída defendida por Jorge passa por convênios bem feitos entre Estado e municípios. Ele não colocou o Deracre sozinho como resposta para toda a malha rural e também não transferiu a conta integralmente para os prefeitos. “Eu aconselho a governadora, aconselho o Deracre: faz o trabalho com as prefeituras”, afirmou. Na visão dele, o Estado deve entrar com coordenação, combustível e apoio, enquanto as prefeituras mobilizam máquinas e equipes que conhecem os pontos críticos. “Se fizer convênios bem feitos, com combustível e mobilizando as máquinas, amigo, dá. Tem ramal que precisa de uma raspagem pra deixar de ficar interditado. Senão, vai vir chuva, e aí, amigo, nem mel nem cabaça.”

A pré-candidatura ao Senado apareceu no meio dessa agenda como consequência da tentativa de Jorge de vender experiência, trânsito político e capacidade de articulação. Ele não negou o PT, mas recusou a ideia de disputar apenas uma guerra partidária. “O PT é meu partido, mas eu estou disputando como Acre”, disse. “Isso não é desrespeito à minha história nem ao partido.” Em outro trecho, foi ainda mais direto: “Eu não posso aqui querer pegar com minha história e botar uma candidatura: olha, isso aqui é pro partido tal derrotar o partido tal. Não, estou fora disso.” O que Jorge tenta construir é uma pré-candidatura com sotaque de serviço público, menos presa à sigla e mais apoiada na comparação entre o que diz ter feito e o que promete destravar.

Essa tentativa de reposicionamento ficou clara quando ele falou da relação com prefeitos e adversários. “Se for eleito senador, com a minha experiência, vou trabalhar pelo Acre, para trabalhar para todo mundo, de tudo que é partido. Não importa. Eu vou ter que trabalhar com todos os prefeitos”, afirmou. O discurso é calculado para um Acre cansado de briga política e acostumado a ver obras travarem quando a disputa eleitoral passa a valer mais que a necessidade da população. “Quem está querendo disputar eleição majoritária tem que sair dessa polarização idiota”, disse. “Na vida pública, o Acre está precisando é de união e trabalho.”

A frase “o Acre nos une” apareceu quando Jorge falou do encontro com o cantor Leonardo durante a Expoacre Juruá. O episódio, que poderia ficar apenas no anedotário da política, virou argumento para defender convivência com pessoas de campos diferentes. “Eu não fecho a porta pra ninguém”, disse. “Em vez de ficar numa guerra ideológica, eu não estou em guerra ideológica. Ninguém vai me pôr numa guerra ideológica só porque alguém votou no Bolsonaro.” Em seguida, costurou a mensagem que deseja levar para a pré-campanha: “Eu tenho lado, mas eu respeito o lado das pessoas. Será que a gente não pode estar junto numa causa que é o Acre?”

Jorge também levou para a entrevista a defesa do setor produtivo, especialmente do café. Falou como político, mas também como produtor. Disse que o café gera emprego, movimenta pequenas propriedades e pode formar uma nova classe média rural em municípios como Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. “Não tem nenhuma atividade que gere mais emprego do que o café. Eu sou plantador de café. Não tem. Ela gera muito emprego e todo mundo está plantando”, afirmou. A proposta apresentada por ele foi transformar o peso do ICMS em instrumento de financiamento. “Pega os sete por cento e diz: você não me paga, vai pra um fundo. Vai ajudar as cooperativas a funcionar, os sete por cento que deveriam ir pro governo pra financiar os pequenos, pro pequeno poder ter irrigação.”

A fala sobre café abriu caminho para uma agenda mais ampla de produção. Jorge contou ter visitado serraria, cerâmica e cooperativas em Cruzeiro do Sul e Nova Cintra, citou a bioeconomia, o uso da argila e a força de empresas locais. “Eu quero trabalhar muito nesse mandato com o setor produtivo”, afirmou. Para ele, os gargalos estão claros: ramal, passivo ambiental e crédito. “Hoje o maior problema dos produtores rurais do Acre é ramal. O segundo é resolver o passivo ambiental, ou até o primeiro. E o outro é a gente ter linha de crédito.” Nesse ponto, a entrevista deixou de ser apenas sobre estrada e entrou no coração da economia acreana: produzir mais, transportar melhor e vender com menos isolamento.

O meio ambiente apareceu como parte dessa mesma equação. Jorge reagiu às críticas que tentam transformar a pauta ambiental em inimiga automática do desenvolvimento e lembrou sua atuação como relator do Código Florestal. “Fui eu que fui o relator e aprovei o Código Florestal. Tirei a polícia de dentro das propriedades”, afirmou. Depois, disse que a lei não foi implementada como deveria e que muitos produtores continuam com problemas de embargo e passivo ambiental. “Eu quero ser o ajudador de resolver problema do povo do Acre, dos agricultores”, disse. Mas impôs uma condição: “Se não for uma pessoa que respeita o meio ambiente, que respeita o direito dos índios, que respeita o uso da terra, nós estamos vendo crise climática, amigo.”

A ligação com o Peru e a ferrovia também entraram no debate. Jorge defendeu a ferrovia como projeto estratégico para a Amazônia, mas rejeitou a ideia de que uma obra desse tamanho avance sem projeto, viabilidade, respeito a povos indígenas e acordo com o país vizinho. “Óbvio que uma ferrovia eu defendo e vou defender sempre, porque a Amazônia deveria ter trabalhado ferrovia desde o começo”, disse. Em seguida, puxou a conversa para o terreno concreto: “Quem vai viabilizar por onde a ferrovia passa é o governo peruano, porque ela tem que sair no lugar e ser feita dentro de outro país. Não é Jorge Viana, não é senador A, nem B, nem C.” Questionado sobre o traçado ideal, respondeu: “Se eu pudesse ter uma ferrovia que vem ao longo da BR-364 até Cruzeiro do Sul, nota dez.”

Ao falar da ponte de Rodrigues Alves, Jorge negou que Marina Silva tenha relação com a paralisação da obra e chamou a acusação de mentira. Disse que o projeto está em elaboração e defendeu uma solução provisória para reduzir o isolamento enquanto a ponte não sai. O tema serviu para reforçar uma linha recorrente da entrevista: obra pública, no Acre, não pode ser apenas promessa de campanha; precisa de projeto, licitação, recurso, execução e manutenção. Foi essa lógica que ele usou também ao falar da BR-364, dos ramais, da ferrovia e da produção.

A parte mais humana da conversa veio quando Jorge contou ter encontrado no aeroporto uma mãe com a filha prestes a deixar o Acre rumo a Santa Catarina, depois de outros dois filhos já terem ido embora. “Cara, dividir uma família”, disse. “E o que eles estão fazendo lá? Jovens tentando a melhor sorte em outro lugar.” A história abriu a defesa de internet de qualidade, fibra óptica e trabalho remoto como política de permanência da juventude. “Por que a gente não abre porta pro jovem aqui? Por que a gente não põe fibra óptica aqui? Põe internet de qualidade”, afirmou. Depois, resumiu a ambição: “O Acre pode ter a melhor internet da Amazônia. Eu só queria isso. E aí isso vai vir em serviço, emprego, principalmente pra juventude.”

A entrevista terminou com Jorge tentando ocupar um espaço político que mistura memória, prestação de contas e promessa de futuro. Ele citou o Hospital do Juruá, aeroportos, pontes, eletrificação rural, estradas e a experiência na ApexBrasil para dizer que sabe operar dentro e fora de Brasília. “Nesse trabalho meu da Apex, eu consegui criar uma relação fora do Brasil e dentro de Brasília com todo setor produtivo, e eu quero botar tudo isso a favor do Acre”, afirmou. A mensagem central não foi apenas a de quem cobra ramais ou fala da BR-364. Foi a de quem tenta convencer o eleitor de que pode articular estrada, produção, crédito, meio ambiente, internet, juventude e diálogo político numa mesma agenda. “Eu queria essa candidatura pelo futuro do Acre”, disse. Na fase correta do calendário, é pré-candidatura; no discurso, Jorge já trabalha para transformar essa condição numa ideia de retorno ao centro das decisões do estado.

Edvaldo cobra planejamento para recuperação de ramais no Acre

O deputado estadual Edvaldo Magalhães cobrou, nesta terça-feira, 7, na Assembleia Legislativa do Acre, planejamento antecipado para a recuperação dos ramais no estado. A fala foi direcionada à execução dos serviços pelo governo durante o período de verão amazônico, quando as condições climáticas permitem a entrada de máquinas nas áreas rurais e a melhoria dos acessos usados por produtores e comunidades.

O parlamentar afirmou que os trabalhos nos ramais não podem começar apenas quando a estiagem já está em curso. Para Edvaldo, o cronograma de máquinas, equipes e trechos prioritários deve estar definido ainda no período de chuvas, para que as intervenções comecem assim que o tempo permitir. “Qualquer planejamento mínimo de governo tem que estar prontinho no inverno para quando abrir o primeiro raio do sol do verão, começar os trabalhos”, disse.

A cobrança ocorreu durante pronunciamento no pequeno expediente da sessão ordinária. Edvaldo também cumprimentou produtores rurais presentes na Aleac e tratou da reunião entre representantes do setor produtivo e o Deracre para discutir o cronograma de recuperação dos ramais. O tema mobiliza comunidades rurais porque a trafegabilidade interfere diretamente no escoamento da produção, no transporte escolar, no acesso a serviços públicos e na circulação de moradores.

Ao defender planejamento prévio, o deputado afirmou que a recuperação dos ramais precisa sair da lógica de ações improvisadas e passar a seguir um calendário público, com definição de prioridades e execução compatível com a janela de trabalho aberta pela estiagem. A fala reforça a pressão para que o governo apresente com antecedência os pontos que receberão manutenção, a extensão dos serviços e o ritmo previsto para as frentes de trabalho.

Jornal da Manhã em Coluna – 8 de julho de 2026

A coluna desta quarta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Mazinho Rogério, cobertura de Gledson Albano e entrevista com o ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana.

Ramais viraram o retrato da crise

O Jornal da Manhã desta quarta-feira começou com a pergunta que saiu dos estúdios da Rádio Integração e ganhou as comunidades rurais do Acre: cadê o dinheiro dos ramais?

A cobrança não nasceu do nada. Veio depois da ida de produtores rurais à Assembleia Legislativa, da pressão sobre deputados, da tentativa do governo de segurar a crise e, principalmente, do áudio vazado de Celso Souza, diretor de ramais do Deracre. A fala expôs aquilo que a propaganda oficial tenta esconder: a Operação Verão ainda não chegou como deveria ao chão da zona rural.

O problema deixou de ser apenas administrativo. Virou problema político.

O áudio que furou a blindagem

No áudio levado ao ar pelo Jornal da Manhã, Celso Souza fala em dificuldade de liberação de recursos, fornecedores sem pagamento, máquinas alugadas sendo devolvidas e atraso no pagamento de terceirizados. A frase mais pesada não precisou de floreio: sem repasse, o Deracre não paga quem contratou.

A bancada tratou o áudio como um divisor de águas. Até então, o governo ainda tentava empurrar a narrativa de que havia programação, cronograma e articulação. Depois da fala do próprio diretor de ramais, ficou mais difícil sustentar a aparência de normalidade.

Quando um integrante da estrutura do governo diz que não dá para continuar trabalhando devendo combustível, peça, aluguel de máquina e funcionário, a crise deixa de ser boato de bastidor. Passa a ser confissão administrativa.

Governo prometeu cronograma, mas produtor quer máquina

A resposta do governo, até agora, foi prometer um cronograma até o dia 17. O problema é que produtor rural não planta cronograma, não escoa banana em cronograma e não atravessa ponte caída com apresentação de PowerPoint.

A cobrança feita no programa foi simples: julho já chegou, junho passou praticamente sem chuva forte, e as máquinas ainda não estão roncando nos ramais como deveriam.

A zona rural conhece o calendário melhor do que muito gabinete. Sabe que o verão amazônico é curto. Quando o governo perde junho e começa julho discutindo planejamento, quem paga a conta é quem mora longe do asfalto.

Mailza chamada para o centro da roda

Outro ponto forte da manhã foi a cobrança para que a governadora Mailza Assis assuma pessoalmente a crise. Produtores não querem mais apenas interlocutores, secretários ou deputados tentando acalmar os ânimos. Querem a palavra de quem está com a caneta.

Essa é a nova fase do governo Mailza: sair da posição de vice que herdou o mandato e assumir o desgaste de quem agora responde pelo Estado.

O Jornal da Manhã foi direto nesse ponto. A governadora precisa dizer onde está o dinheiro, qual é o plano, quais ramais serão atendidos e quando o serviço começa. Não basta anunciar Operação Verão em evento. É preciso entregar estrada trafegável na comunidade.

O jogo de empurra chegou a Cruzeiro do Sul

A crise ganhou contorno local quando a bancada trouxe a fala de Amauri, representante do Deracre em Cruzeiro do Sul, atribuindo às prefeituras responsabilidade pela recuperação dos ramais.

A tentativa de jogar a conta no colo dos municípios foi rebatida ao vivo pelo secretário de Obras de Cruzeiro do Sul, Carlos Alves. Ele afirmou que há ramais de responsabilidade municipal, mas lembrou que trechos como Lagoinha e Santa Luzia sempre foram atendidos historicamente pelo Deracre. Também disse que a prefeitura assumiu mais 100 quilômetros, incluindo trecho da Linha 307, para ajudar o governo do Estado.

A leitura política é evidente: quando a obra é anunciada, todos querem sair na foto. Quando a máquina não chega, começa a disputa para saber quem fica com a culpa.

A prefeitura não quer herdar a crise do Estado

Carlos Alves foi cuidadoso, mas deixou claro que Cruzeiro do Sul não aceita carregar sozinha uma conta que sempre foi dividida com o governo estadual. Segundo ele, a prefeitura tem sua malha própria, executa serviços em áreas como Badé de Cima e Badé do Meio, mas não tem estrutura para assumir toda a malha de ramais que historicamente depende do Deracre.

Essa resposta tem peso político porque Cruzeiro do Sul virou uma das vitrines da crise. Foi no Juruá que o governo anunciou ações, fez reunião, falou em Operação Verão e criou expectativa. Agora, com a cobrança chegando, tenta-se reorganizar a narrativa.

Só que o morador do ramal não quer narrativa. Quer estrada.

Jorge Viana entrou no ponto fraco do governo

O entrevistado do dia, Jorge Viana, não precisou procurar muito para encontrar o ponto vulnerável do governo. A crise dos ramais estava posta sobre a mesa.

Ex-governador e pré-candidato ao Senado, Jorge afirmou que ramal se planeja no inverno para executar no verão. Disse que o governo precisa trabalhar junto com as prefeituras, organizar máquinas, combustível e prioridades antes do período seco. Para ele, chegar a julho ainda discutindo como fazer é sinal de desorganização.

A fala atinge o governo Mailza onde mais dói: na comparação com gestões anteriores. Jorge lembrou ações feitas quando governou o Acre e tentou se colocar como alguém que conhece o funcionamento da máquina pública, principalmente na área rural.

Candidatura sem guerra ideológica

Jorge também usou a entrevista para reforçar uma estratégia política que vem adotando nas últimas semanas: tentar tirar a candidatura ao Senado da briga ideológica.

Disse que sua candidatura é pelo Acre, não apenas por um partido. Defendeu Lula para presidente e Thor Dantas para o governo, mas evitou ataques diretos a adversários. Afirmou que não pretende brigar com Márcio Bittar, Sérgio Petecão, Mara Rocha, Eduardo Velloso ou outros nomes que podem disputar o Senado.

É uma tentativa clara de falar com um eleitorado mais amplo, inclusive com setores que não votam no PT, mas ainda reconhecem obras e entregas de seu governo.

O Senado virou tabuleiro aberto

A eleição para o Senado apareceu no programa por dois caminhos. Primeiro, pela entrevista de Jorge Viana. Depois, pelo bastidor envolvendo Gladson Cameli.

Rogério Wenceslau levou ao ar a informação de que, nos meios políticos e jurídicos, circula a tentativa da defesa de Gladson de buscar no TSE uma liminar que pudesse viabilizar o registro de candidatura ao Senado. A informação foi tratada como bastidor, sem confirmação oficial, mas com impacto político evidente.

Se Gladson tentar entrar no jogo, mesmo sub judice, mexe com todo o tabuleiro. Se ficar fora, abre espaço para reorganização de votos, alianças e apoios.

Gladson ainda pesa mesmo fora do governo

A situação de Gladson é uma das grandes sombras sobre a eleição de 2026. Mesmo fora do governo e enfrentando problemas judiciais graves, seu nome ainda aparece como peça relevante na disputa. Isso explica a movimentação em torno de eventual candidatura.

A pergunta que fica é se o grupo político de Gladson conseguirá manter força eleitoral sem o controle direto do Palácio Rio Branco. Mailza herdou o governo, mas não herdou automaticamente a liderança política do ex-governador.

E essa diferença começa a aparecer nos bastidores.

A caneta de Mailza pesa mais a cada crise

O Jornal da Manhã voltou a bater em uma tecla que vem se repetindo: Mailza precisa assumir o governo de fato, não apenas formalmente.

A crise dos ramais mostra isso. Quando falta dinheiro, quando o cronograma não aparece, quando o Deracre troca comando, quando produtor ocupa a Assembleia e quando diretor manda áudio dizendo que não dá para continuar, não há mais como terceirizar a responsabilidade.

A partir de agora, cada ramal sem máquina é também um problema da governadora.

Assembleia entrou pressionada

A presença de produtores na Aleac também serviu para testar os deputados. A Assembleia tem o papel de fiscalizar, cobrar documentos, exigir explicações e não apenas tentar baixar a temperatura quando a crise chega ao plenário.

A fala de Edvaldo Magalhães, reproduzida no programa, colocou o dedo na ferida: qualquer planejamento mínimo deveria estar pronto antes da abertura do verão. Dinheiro, máquina, contrato e equipe precisam estar organizados antes do sol aparecer.

O atraso, agora, não é apenas técnico. É político.

A verdade está nos ramais

A frase que melhor resume o programa veio da própria leitura da bancada: a verdade está nos ramais.

Não está no discurso do governo. Não está na nota oficial. Não está no cronograma prometido. Está na ponte caída, no bueiro comprometido, na estrada ruim, no produtor que perde carga, no ônibus que não entra e no morador que não sabe se vai conseguir sair quando a chuva voltar.

A crise dos ramais virou a síntese de um governo que prometeu operação, mas ainda não mostrou comando.

O governo nas cordas

A avaliação política do Jornal da Manhã foi dura: o governo Mailza está nas cordas. Não por causa de um episódio isolado, mas pelo acúmulo de sinais.

Deracre instável. Produtores revoltados. Prefeituras se defendendo. Assembleia pressionada. Bastidores eleitorais em ebulição. Gladson ainda assombrando a cena. E, no meio disso tudo, uma governadora que precisa provar que tem comando próprio.

A Operação Verão deveria ser vitrine. Até agora, virou cobrança.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul amplia obras de verão em bairros e ramais

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul intensificou, nesta terça-feira (7), os serviços de infraestrutura em diferentes regiões da cidade, com equipes da Secretaria Municipal de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação atuando em recuperação de vias, operação tapa-buraco, melhorias em ramais, roçagem, retirada de entulhos e preparação de novas frentes de trabalho.

As ações fazem parte do cronograma de obras de verão, período em que o município amplia os serviços por causa das melhores condições climáticas. Na segunda-feira (6), equipes abriram mais de dois quilômetros de um novo trecho na comunidade Praia Grande, por dentro da mata, para criar um desvio em substituição a uma parte da estrada danificada pelas chuvas.

No Polo Naval, a prefeitura executou melhorias na rampa de acesso usada pela população. No Badejo de Cima, foi feita a recuperação de um ramal para melhorar o tráfego de moradores. A operação tapa-buraco também avançou em vários pontos da cidade, com uso de mais de 20 toneladas de massa asfáltica.

No bairro Saboeiro, uma via que havia cedido recebeu cerca de 30 toneladas de asfalto. O problema dificultava o acesso de moradores. Em paralelo, equipes trabalharam em serviços de limpeza urbana, com roçagem e retirada de entulhos em bairros da cidade.

Nesta terça-feira, uma das principais frentes de trabalho ocorreu no bairro Miritizal, com recuperação da pavimentação e operação tapa-buraco. Os serviços também começaram no bairro Santa Terezinha e devem seguir para a região do Remanso.

O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, afirmou que o verão permite acelerar o cronograma e ampliar as frentes de serviço. “Na segunda-feira tivemos várias equipes trabalhando ao mesmo tempo. Fizemos a abertura de um novo trecho na Praia Grande, melhorias no Polo Naval, recuperação de ramal no Badejo de Cima, operação tapa-buraco com mais de 20 toneladas de asfalto e recuperamos uma via no Saboeiro utilizando cerca de 30 toneladas. Além disso, seguimos com roçagem e retirada de entulhos. O verão permite intensificar os trabalhos e nossa tendência é ampliar ainda mais as frentes de serviço”, disse.

A prefeitura também conclui a instalação do canteiro de obras para iniciar a revitalização da Avenida Copacabana. “Estamos finalizando o canteiro de obras para iniciar os serviços na Copacabana, uma obra muito esperada pelos moradores da região e por toda a população de Cruzeiro do Sul. Será mais um investimento em mobilidade e infraestrutura realizado pela gestão do prefeito Zequinha Lima”, afirmou Carlos Alves.