Agenda de Mailza tem entrevista e propostas para ampliar mercados e fortalecer produção no Acre

A candidata à reeleição ao governo do Acre, Mailza, apresentou nesta quarta-feira, 12, durante sabatina da TV Norte, em Rio Branco, uma agenda voltada à ampliação de mercados, ao fortalecimento da produção local e à integração econômica com países vizinhos. A proposta busca atrair empresas, gerar emprego e renda e criar condições para que produtos acreanos alcancem novos mercados.

Mailza defendeu a aproximação comercial com o Peru e outros países da região como parte da estratégia para transformar a posição geográfica do Acre em oportunidade de negócios. A candidata pretende manter as articulações internacionais e associar esse movimento à melhoria da infraestrutura e do ambiente para empresas e empreendedores.

Na produção local, o café apareceu entre os setores citados como exemplo do potencial acreano. Mailza também defendeu redução da burocracia para empresários e empreendedores e ampliação do apoio às cadeias produtivas. Na agricultura, falou em assistência técnica, investimentos e expansão das condições oferecidas a cooperativas, pequenos produtores e grandes produtores.

A candidata afirmou que esse planejamento não deve ficar restrito aos próximos quatro anos e falou em uma agenda de dez anos para o setor produtivo. O objetivo passa por conectar produção, armazenamento, transporte e comercialização, permitindo que o Acre abasteça o mercado interno e avance nas exportações.

“Precisamos garantir escoamento, venda e entrega da produção, para termos condições de ser autossuficientes e também exportar”, disse Mailza durante a sabatina.

A infraestrutura ocupa uma parte central dessa agenda. Mailza citou investimentos em ramais, pontes e rodovias estaduais e defendeu maior articulação com os responsáveis pela manutenção da BR-364. Também incluiu o arco metropolitano de Rio Branco entre as obras que podem melhorar o transporte de cargas e criar condições para novos investimentos.

Ao tratar da produção agropecuária, Mailza vinculou a expansão econômica ao uso de tecnologia e à abertura de mercados para produtos como carne e farinha. A candidata afirmou que o crescimento da produção precisa resultar em renda para a população e defendeu a integração comercial como caminho para ampliar as vendas de produtos acreanos.

Governo paga R$ 3 milhões em táxi aéreo, em junho, enquanto ortopedia ameaça suspender cirurgias por atraso

GoiásMed comunicou à Sesacre que pode paralisar parcialmente atendimentos e cirurgias eletivas nesta quarta-feira; dados mostram R$ 1,6 milhão liquidado e não pago à empresa

A possível suspensão de cirurgias eletivas de ortopedia no Acre expôs um contraste nos pagamentos do governo estadual. Enquanto a Secretaria de Estado da Casa Civil teve mais de R$ 3 milhões em despesas com táxi aéreo pagas integralmente em junho de 2026, a empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde aparece com R$ 1,6 milhão em serviços já liquidados, mas ainda não pagos.

A GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre, comunicou oficialmente à Sesacre que poderá paralisar parcialmente os atendimentos e cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não sejam regularizados até esta quarta-feira, 8 de julho.

O ofício foi encaminhado ao secretário de Estado de Saúde, José Bestene, e à fiscal do contrato, Ingrid Leal da Silva. No documento, a empresa informa que, se não houver o pagamento do saldo remanescente referente à competência de fevereiro e a quitação integral das notas fiscais dos serviços prestados em março, adotará a paralisação parcial.

A GoiásMed afirma no ofício que “promoverá, a partir das 18h do dia 08/07/2026, a paralisação parcial dos atendimentos e cirurgias eletivas de Ortopedia e Traumatologia programados no âmbito do Contrato SESACRE nº 140/2026, como medida necessária e proporcional diante do agravamento da situação financeira decorrente do inadimplemento da CONTRATANTE”.

Os dados de empenhos e pagamentos analisados reforçam o alerta feito pela empresa. No Fundo Estadual de Saúde, a GoiásMed aparece com R$ 1.630.134,00 em serviços médicos de ortopedia e traumatologia já liquidados, mas sem pagamento registrado. O valor é referente à competência de março de 2026 e está vinculado ao Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e ao Contrato Sesacre nº 140/2026.

A liquidação é a etapa em que a administração pública reconhece que o serviço foi prestado ou atestado. Ou seja, nesse caso, o próprio Estado reconheceu a despesa, mas o pagamento ainda aparece zerado na base analisada.

Além disso, há outro empenho de R$ 373.129,87 para fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, as chamadas OPME, descritas como indispensáveis à realização de procedimentos ortopédicos e traumatológicos. Esse valor também aparece sem pagamento registrado.

Somados, os valores empenhados à GoiásMed e ainda sem pagamento chegam a R$ 2.003.263,87.

O contraste fica mais evidente quando os dados da Saúde são comparados aos pagamentos feitos pela Casa Civil no mesmo período. Em junho de 2026, a Casa Civil teve R$ 3.047.156,00 em despesas com fretamento administrativo de aeronaves pagos à Ortiz Táxi Aéreo. Os 32 empenhos analisados aparecem como empenhados, liquidados e pagos integralmente.

Na prática, o governo estadual conseguiu quitar despesas milionárias de fretamento aéreo da Casa Civil, mas mantém pendências com uma empresa responsável por serviços médicos que afetam diretamente pacientes na fila de cirurgias ortopédicas.

A situação atinge uma das áreas mais sensíveis da saúde pública. Cirurgias ortopédicas eletivas, embora programadas, não são procedimentos sem importância. Em muitos casos, envolvem pacientes que aguardam para recuperar mobilidade, voltar ao trabalho, reduzir dor crônica ou evitar o agravamento de problemas de saúde.

O caso também mostra um descompasso administrativo. A competência de fevereiro da GoiásMed aparece com pagamento de R$ 1.049.184,00, mas a empresa afirma no ofício que ainda há saldo remanescente pendente. Já a competência de março, segundo os dados financeiros, tem R$ 1.630.134,00 liquidados e não pagos.

Outro ponto que chama atenção é a data dos empenhos. Os valores referentes à competência de março foram empenhados apenas em 23 de junho de 2026, quase três meses depois do período em que os serviços foram prestados.

A ameaça de paralisação parcial coloca pressão sobre a Sesacre e sobre o governo do Estado. A pergunta central é por que despesas administrativas da Casa Civil foram pagas integralmente em junho, enquanto serviços essenciais de ortopedia chegaram ao ponto de ameaça formal de suspensão.

Fotos: Secom e Ortiz

Tensão no Deracre! Queda em pagamentos de ramais e ruído sobre caixa da Operação Verão

Governo anunciou mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho e 12 mil quilômetros de ramais, mas base de pagamentos mostra que, até 1º de julho, o nome “Operação Verão” aparece quase só em diárias; grande licitação de ramais foi suspensa

A saída de Sula Ximenes do comando do Deracre abriu uma crise que vai além da troca de cadeira na autarquia. O problema, agora, está no caixa e na execução da Operação Verão 2026, lançada pelo governo Mailza Assis com discurso de força-tarefa, máquinas nos ramais e investimentos milionários.

O governo anunciou a operação em 1º de junho, em Rio Branco, prometendo mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores e meta de atender 12 mil quilômetros de ramais. No mesmo ato, a gestão falou em aproximadamente R$ 50 milhões para ramais e pontes, além de R$ 30 milhões em recursos federais voltados para Cruzeiro do Sul. Sula, então presidente do Deracre, afirmou que a operação teria mais de R$ 70 milhões em investimentos do governo estadual.

O discurso era de verão planejado. Os dados, porém, contam uma história mais complicada.

Levantamento feito em pagamentos do Deracre entre 2022 e 2026 mostra que o órgão não está necessariamente pagando menos no geral. Pelo contrário: até 1º de julho de 2026, o Deracre já havia pago R$ 174,1 milhões. No mesmo período de 2025, eram R$ 157 milhões. O caixa geral da autarquia, portanto, não encolheu. Cresceu.

A queda aparece quando o filtro vai para o que importa na propaganda da Operação Verão: ramais, estradas vicinais e recuperação de acessos rurais.

Até 1º de julho de 2025, o Deracre havia pago R$ 14,5 milhões em despesas com menção a ramais ou estradas vicinais. No mesmo período de 2026, o valor caiu para R$ 8,3 milhões. É uma redução de cerca de 43% nos pagamentos ligados a ramais, justamente no ano em que o governo lançou a operação como uma das principais vitrines da gestão Mailza.

A diferença fica ainda mais sensível quando o levantamento busca o termo literal “Operação Verão” nos históricos de pagamento. Em 2025, a expressão aparece em 39 registros, somando R$ 9,47 milhões pagos. A maior parte era de serviços de pessoa jurídica, com recuperação de pontos críticos, tapa-buraco e intervenções executadas em campo.

Em 2026, até 1º de julho, a mesma busca encontra 32 registros e apenas R$ 37,8 mil pagos. Todos em diárias.

Deracre tem R$ 43 milhões empenhados e não pagos em 2026

Outro dado reforça a pressão sobre o caixa do Deracre. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos. Desse total, R$ 36,2 milhões ainda nem haviam sido liquidados e R$ 6,9 milhões já estavam liquidados, mas sem pagamento registrado.

A maior concentração está em empenhos feitos em junho, mês de lançamento da Operação Verão. Só nesse período, aparecem R$ 19,6 milhões empenhados e não pagos. O saldo aberto envolve principalmente serviços de pessoa jurídica, obras e instalações, material de consumo, equipamentos e convênios.

No recorte específico de ramais e estradas vicinais, o quadro é ainda mais sensível para o discurso do governo. A base mostra R$ 11,1 milhões empenhados e não pagos em objetos ligados a ramais. Entre os maiores saldos estão o Ramal Estrada Velha, em Epitaciolândia, com R$ 4,3 milhões empenhados sem pagamento; o Ramal Centrinho e Ramal Escondido, com R$ 1,5 milhão; e contratos ligados ao Ramal dos Paulistas, Ramal do Adolar, Ramal Vai Se Ver e pontes em ramais.

O dado não significa que nenhuma máquina tenha ido a campo. O próprio governo publicou ações em ramais, como no Ramal Esperança, em Brasileia, onde informou serviços em 14 quilômetros, lançamento de piçarra, espurgo de asfalto, bueiros e mobilização de equipamentos.

Mas a base de pagamentos mostra que, até agora, o rastro financeiro da Operação Verão 2026 não acompanha o tamanho do anúncio. No papel do Deracre, o nome da operação aparece mais como deslocamento, vistoria e fiscalização do que como pagamento efetivo de obra.

No Juruá, onde a cobrança por ramais costuma pesar mais, o governo lançou uma etapa própria da Operação Verão em 12 de junho. A matéria oficial informou R$ 26 milhões em recursos federais do Ministério da Agricultura e Pecuária para recuperar cerca de 80 quilômetros de ramais em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também afirmou que o Estado colocaria recursos próprios para mais de 800 quilômetros de serviços sob demanda na região.

É exatamente aí que a pergunta sobre a origem do dinheiro ganha força. No recorte de ramais da base de 2026, o Deracre tem R$ 19,5 milhões empenhados, mas só R$ 8,3 milhões pagos. A maior parte paga saiu da fonte 15000100, classificada em documentos do Estado como recursos próprios do Tesouro Estadual. Outra parte relevante aparece na fonte 27003120, ligada a emendas parlamentares de bancada em superávit. 

Ou seja: a Operação Verão foi vendida como uma grande ação nova do governo, mas parte importante do dinheiro dos ramais aparece misturada a fontes antigas, emendas, convênios e contratos que já vinham se arrastando de anos anteriores.

O caso mais simbólico é o Contrato de Repasse nº 850470/2017. Esse convênio aparece na base de pagamentos com movimentações em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. Só em 2026, há R$ 8,86 milhões empenhados vinculados a esse número, mas apenas R$ 2,37 milhões pagos.

Esse contrato não nasceu agora. Em 2019, o próprio governo Gladson Cameli anunciou a liberação de cerca de R$ 94 milhões para recuperação de ramais em todo o Acre, recurso de emendas de bancada que, segundo a publicação oficial da época, estava “empacado” e poderia ser perdido se não fosse destravado. (Noticias do Acre)

Sete anos depois da origem da emenda e cinco anos após o governo dizer que havia destravado o recurso, o mesmo pacote ainda aparece nos pagamentos do Deracre. Isso ajuda a explicar a morosidade na política de ramais no Acre: não se trata apenas de falta de anúncio. Anúncio houve. O que falta, ano após ano, é execução no ritmo prometido à população rural.

A contratação nova que poderia dar escala à Operação Verão também não engrenou até aqui. A Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, no ComprasGov nº 90044/2026, Processo nº 0000002/2026-Deracre, foi aberta para contratar serviços de engenharia de melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá. O edital foi prorrogado para 3 de junho, mas, um dia antes da sessão, a comissão publicou aviso de suspensão por haver pedidos de esclarecimentos e/ou impugnações pendentes de resposta do órgão demandante. 

Na prática, a grande contratação de ramais do Deracre em 2026 foi suspensa no início do verão amazônico, justamente quando o governo dizia que colocaria o maquinário em campo.

A saída de Sula Ximenes piorou a leitura política. O Integração Net mostrou que, nos bastidores, a exoneração abriu ruído sobre o caixa da operação. A versão de bastidor aponta suspeita de que o dinheiro prometido para sustentar a Operação Verão não estaria disponível como havia sido combinado, com questionamentos envolvendo emenda de bancada e planejamento para recuperação de ramais. 

Os números não provam, sozinhos, falta de dinheiro. Mas sustentam a cobrança. Se o governo anunciou mais de R$ 70 milhões, mais de 40 frentes, 12 mil quilômetros de ramais e estrutura pesada em todas as regionais, precisa mostrar quais contratos bancam a operação, quanto já foi empenhado, quanto foi pago, quais ramais foram efetivamente atendidos e que parte do recurso é dinheiro novo do Estado, emenda de bancada, convênio federal ou saldo de contrato antigo.

Áudio expõe crise interna e resposta da Sefaz não encerra dúvida sobre o caixa

A crise da Operação Verão não nasceu apenas de especulação política. Reportagem do AC24Agro trouxe um áudio atribuído ao diretor de Ramais do Deracre, Celso Sousa, no qual ele afirma que havia decisão interna para “parar o trecho” e devolver máquinas terceirizadas que atuavam em ramais, na AC-90 e em aeródromos. Segundo a reportagem, o diretor relacionou o problema à falta de conexão entre Sefaz e Seplag e disse que “não está tudo certo” na execução da operação. 

A Sefaz reagiu por meio do secretário Amarísio Freitas. A versão oficial é que a Operação Verão tinha acabado de completar 30 dias, que seria imprudente falar em interrupção dos serviços nesse prazo e que o Deracre trabalha com uma cota mensal de pouco mais de R$ 15 milhões em recursos próprios. A secretaria também afirmou que o Tesouro não controla quando serão liberados recursos de emendas federais ou outras fontes. 

A resposta, porém, não elimina o questionamento. O próprio governo lançou a Operação Verão prometendo mais de 40 frentes de trabalho, mais de 400 máquinas, cerca de 500 trabalhadores, 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões. Se parte relevante desse dinheiro dependia de emendas federais, convênios ou liberações fora do controle direto da Sefaz, a pergunta permanece: quanto desse pacote estava, de fato, disponível para execução quando a operação foi anunciada?

Os dados do Deracre reforçam a dúvida. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. Ao mesmo tempo, o nome “Operação Verão” aparecia na base quase só em diárias, somando apenas R$ 37,8 mil pagos.

Há ainda outro ponto sensível: a grande licitação de ramais de 2026, a Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, foi suspensa antes da sessão prevista para 3 de junho. O processo tratava da contratação de serviços de engenharia para melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá.

Por isso, a explicação da Sefaz pode até responder ao rito financeiro mensal, mas não responde ao problema político e administrativo aberto pela Operação Verão. O que está em discussão não é apenas se a Sefaz repassa cotas ao Deracre. É se o governo anunciou uma operação maior do que o dinheiro disponível, os contratos ativos e a capacidade real de execução conseguiam sustentar naquele momento.

Hoje, a fotografia disponível é dura para o governo Gladson/Mailza: o Deracre pagou mais no conjunto, mas pagou menos em ramais; a Operação Verão 2026 aparece quase só em diárias; a licitação estadual para ramais foi suspensa; e parte da execução ainda depende de recursos antigos, anunciados desde 2019.

No palanque, a Operação Verão nasceu como vitrine. Nos dados, até agora, ela parece ter subido no telhado.

Alan Rick critica Mailza por viaduto e tenta atrair Zequinha para 2026

O senador Alan Rick elevou o tom contra a governadora Mailza durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 29 de maio, em Cruzeiro do Sul, ao reagir à informação de que não seria convidado para a inauguração de um viaduto em Rio Branco, obra que, segundo ele, recebeu R$ 17 milhões de emenda de seu mandato. No mesmo bloco político, o pré-candidato ao governo do Acre abriu publicamente as portas para uma aproximação com o prefeito Zequinha Lima, do PP, partido da governadora, e disse que quer o gestor cruzeirense ao seu lado na disputa de 2026.

A resposta sobre Mailza veio depois de uma pergunta sobre a polarização que começa a marcar a pré-campanha. Alan Rick confirmou que destinou a emenda para o complexo viário da Avenida Ceará, em Rio Branco, ainda no período em que o projeto era tratado com a equipe do governo estadual. O senador afirmou ter registros da destinação do recurso e lembrou que gravou vídeo, à época, em frente ao Palácio Rio Branco, ao lado da então prefeita Socorro Neri e do governador Gladson Cameli. “Foi uma emenda nossa para aquele complexo da Avenida Ceará”, disse.

Alan também afirmou que, no início, integrantes do governo teriam tentado negar a autoria da emenda. Para ele, a ausência de convite para a inauguração se soma a outras atitudes que considera politicamente pequenas. O senador citou o caso do prefeito de Feijó, que, segundo ele, teria passado três dias em Rio Branco acompanhado de oito vereadores sem ser recebido pela governadora, e mencionou ainda prefeitos de Epitaciolândia e Jordão como exemplos de gestores que, na avaliação dele, enfrentaram dificuldades por estarem alinhados ao seu grupo político.

A fala mais direta veio quando Alan separou a disputa eleitoral da entrega da obra. “Não precisa me convidar. Basta que façam a obra bem feita, que entreguem a obra no tempo rápido, que seja propícia para o povo e que não desviem recursos”, afirmou. A frase expõe a linha que o senador tenta sustentar na pré-campanha: cobrar o governo, associar seu mandato a entregas concretas e dizer que não pretende condicionar apoio institucional à posição política dos prefeitos.

Na entrevista, Alan buscou contrastar sua postura com a do grupo governista. Disse que recebe todos os prefeitos do Acre em Brasília, inclusive aliados da governadora, e afirmou que, em um estado pequeno e com muitos problemas, punir município por escolha partidária é ignorar a população. “Eu recebo todos os prefeitos do Acre, principalmente trato até melhor os que são aliados da governadora para mostrar que a gente é diferente”, declarou.

Logo depois da crítica à governadora, o assunto mudou para Zequinha Lima, mas a conexão política ficou clara. O prefeito de Cruzeiro do Sul é filiado ao PP, partido de Mailza, e passou a ser tratado por Alan como um nome desejado em seu palanque. Questionado sobre o “namoro” político com Zequinha, o senador respondeu em tom aberto: “Vai ser, se Deus quiser”. Em seguida, chamou o prefeito de “pessoa do bem” e relembrou uma passagem em Brasília, quando Zequinha chegou ao gabinete em busca de emendas, cansado e com fome, e foi recebido com farofa de ovo e farinha de Cruzeiro do Sul.

A lembrança serviu para Alan reforçar a relação pessoal com o prefeito e para mostrar como pretende tratar gestores municipais caso chegue ao governo. Ele disse que Zequinha procurava recursos para Cruzeiro do Sul e que a conversa no gabinete simbolizava respeito aos prefeitos. “É assim que eu trato os prefeitos, com muito carinho, com muito respeito”, afirmou.

Alan admitiu que a situação partidária de Zequinha cria um obstáculo. O prefeito está no PP, mesma sigla de Mailza, mas o senador disse respeitar essa condição e, ao mesmo tempo, afirmou que o gestor sabe das resistências dentro do grupo governista. Segundo Alan, há falas no outro campo político de que Zequinha estaria “queimado” em Cruzeiro do Sul e poderia prejudicar a imagem da vice-governadora. O senador disse pensar o oposto. “Eu quero o Zequinha do meu lado. Para mim, o Zequinha vale ouro”, declarou.

A tentativa de atração de Zequinha tem peso eleitoral evidente. Cruzeiro do Sul é o principal município do Juruá e um dos centros decisivos da eleição estadual. Alan ressaltou que o prefeito conhece os bairros, os ramais e a realidade local. Também saiu em defesa da gestão municipal ao afirmar que todo prefeito do interior enfrenta problemas, especialmente com baixa arrecadação própria e alto custo de obras como asfaltamento.

O senador foi além da simpatia política e deixou a porta aberta para uma composição mais ampla com o Juruá. Questionado sobre a possibilidade de escolher um vice da região, respondeu que “toda possibilidade” existe, mas disse que a decisão será tomada apenas na reta final. Para Alan, o vice precisa agregar partidos, tempo de televisão, aliados, municípios, força política, carisma e votos.

A movimentação mostra dois eixos da estratégia de Alan Rick. O primeiro é pressionar Mailza em temas de gestão, emendas e tratamento aos prefeitos, tentando fixar a ideia de que o governo usa a máquina com critério político. O segundo é disputar lideranças que hoje orbitam o campo governista, especialmente no Juruá, onde Zequinha Lima pode alterar o peso regional de qualquer palanque em 2026.

Ao declarar que não precisa de convite para inauguração e, quase no mesmo fôlego, dizer que está “de braços abertos” para Zequinha, Alan Rick deixou a pré-campanha mais nítida. A disputa contra Mailza não será apenas por votos. Será também por obras, prefeitos, símbolos regionais e pela narrativa de quem trata melhor os municípios acreanos.

“Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado”, afirma Jéssica Sales

Jéssica Sales fecha porta para ser vice de Mailza e avisa que mira o Senado

“Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado.” A frase da ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB) caiu como um recado direto no meio das articulações políticas para a eleição deste ano no Acre. Em entrevista ao Blog do Crica, do ac24h, nesta terça-feira, 26, Jéssica afastou a possibilidade de ser candidata a vice-governadora na chapa da governadora Mailza Assis (PP) e deixou claro que seu projeto político não passa por uma vaga secundária.

A declaração desmonta uma das especulações que circulavam nos bastidores sobre a montagem da chapa governista. Jéssica não apenas negou a possibilidade de ser vice de Mailza, como reforçou que entrou no debate eleitoral olhando para o Senado.

“Se o Gladson não puder ser candidato ao Senado, eu entro na disputa”, afirmou.

A ex-deputada condiciona sua candidatura ao Senado ao futuro político do ex-governador Gladson Cameli, de quem é prima. Mas, ao mesmo tempo, se coloca como herdeira natural de uma eventual vaga deixada por ele na disputa majoritária.

“Entendo que sou a única candidata raiz do Vale do Juruá, que preencheria com honra a vaga do meu primo Gladson. Tenho serviço prestado em todos os municípios do Acre, principalmente, na nossa região do Juruá. Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado. Eu desde o início me coloquei como pré-candidata ao Senado”, declarou.

Na prática, Jéssica mandou dois recados em uma só fala. O primeiro: não aceita ser puxada para uma composição como vice. O segundo: se Gladson ficar fora da disputa, ela quer ser tratada como nome real para o Senado, e não como peça de acomodação partidária.

“Só não entrarei na disputa se o meu primo Gladson sair, e sinceramente espero que tudo dê certo para ele, pois me sentiria representada e realizada”, disse.

Caso Gladson seja candidato ao Senado, Jéssica admitiu outro caminho: disputar novamente uma vaga de deputada federal.

“Se acontecer este cenário, quem sabe não disputaria uma vaga de deputada federal!”, afirmou.

A fala chega em um momento de movimentação intensa nos bastidores. Com Mailza buscando consolidar sua chapa e lideranças tentando ocupar espaços estratégicos, a manifestação de Jéssica reduz a margem para especulação e cria um problema político para quem contava com seu nome como alternativa de composição.

A ex-deputada também rebateu críticas sobre sua ausência do debate público. Disse que não sumiu, mas que segue trabalhando como médica.

“As pessoas maldosas ficam postando que sumi. Crica, eu trabalho praticamente de domingo a domingo. Ganho por plantões realizados no Santa Juliana. Toda segunda eu viajo, eu mesmo dirijo para Sena Madureira, para atender gestantes do pré-natal de alto risco”, afirmou.

Em outro trecho, Jéssica elevou o tom e fez questão de destacar sua independência política e financeira.

“Não sou filhinha de papai que ganha sem trabalhar, ou tem cargo, não suporto pensar em ser sustentada ou receber sem trabalhar. Na minha cabeça isso é impossível de acontecer. Graças a Deus tenho saúde para trabalhar. Quem pede favor a político, um dia será cobrado ou ficará amarrado, dizendo amém, amém… eu sou independente, graças a Deus, e não me encaixo nisso. Sou livre e sempre serei”, declarou.

Com a declaração, Jéssica Sales sai do silêncio, nega o papel de vice, coloca pressão sobre o tabuleiro governista e reafirma que, se entrar no jogo, será para disputar espaço de protagonismo. Para quem esperava vê-la acomodada em uma chapa, o recado foi curto e direto: vice, não.