Pagamentos a artistas da Expoacre Juruá começam após cobrança chegar ao Grupo Integração

Comprovantes de Pix começaram a ser enviados na tarde desta terça-feira; Casa Civil já havia pago R$ 15,8 milhões à Associação Transformar para realização integral da feira

Os pagamentos a artistas e prestadores de serviço da Expoacre Juruá 2026 começaram a ser feitos na tarde desta terça-feira, 14, depois que reclamações sobre atraso chegaram ao Grupo Integração. As cobranças envolviam profissionais que trabalharam na feira e ainda não haviam recebido pelos serviços prestados.

Em um grupo de WhatsApp identificado como “Expoacre Juruá 2026”, participantes relataram que artistas que se apresentaram no evento continuavam sem pagamento. Em uma das mensagens, uma pessoa afirmou que “10 dias se passaram e os artistas que se apresentaram na Expo não receberam”. Em outra, houve questionamento sobre se os artistas nacionais já haviam sido pagos ou se estavam na mesma situação dos demais prestadores.

Horas depois, no fim da tarde, comprovantes de Pix começaram a ser enviados no mesmo grupo. Às 16h58, uma mensagem informou: “A empresa vai focar em realizar os pagamentos. Mais tarde nos envia o restante dos comprovantes. E quando o limite diário estourar hoje, eles finalizam amanhã.”

A situação ocorre após a Casa Civil do Governo do Acre pagar R$ 15.848.310,00 à Associação Transformar, em 29 de junho, para execução, gestão, operacionalização, coordenação, organização e realização integral da Expoacre Juruá 2026. O repasse aparece vinculado ao Termo de Colaboração CC 01/2026.

No Diário Oficial, o extrato do instrumento aparece como Termo de Colaboração SECC nº 01/2026, com valor global de R$ 16.648.310,00, vigência de 90 dias e objeto voltado à realização integral da Expoacre Juruá. O documento foi assinado em 25 de junho pela Casa Civil e pela Associação Transformar.

A Associação Transformar foi a única entidade que apresentou documentação e proposta no chamamento público da Casa Civil. A entidade foi habilitada com 90 pontos. A comissão responsável pela seleção havia sido nomeada pela Portaria SECC nº 120/2026, publicada no Diário Oficial de 25 de junho.

A principal dúvida envolve o intervalo entre o repasse milionário e o início dos pagamentos a artistas e prestadores. Com mais de R$ 15,8 milhões já transferidos para a execução integral da feira, os profissionais começaram a receber somente após cobranças e questionamentos sobre os atrasos.

O extrato publicado no Diário Oficial não detalha quanto do valor global seria destinado a artistas, shows, cachês, estrutura, logística, segurança, comunicação ou subcontratações. Também não informa se empresas terceirizadas ficaram responsáveis por pagamentos a artistas locais ou nacionais.

O caso deve avançar com a cobrança pela relação completa de artistas e prestadores contratados, valores individuais, comprovantes de pagamento, eventuais contratos de subcontratação e prestação de contas parcial da Expoacre Juruá 2026.

Duas mulheres na chapa. O Acre espera uma posição

A escalada da violência contra a mulher exige propostas concretas. E a chapa formada por Mailza Cameli e Jéssica Sales tem o dever político de dizer ao Acre como pretende enfrentar essa realidade.

O Acre vive uma realidade alarmante. Em apenas alguns meses de 2026, centenas de denúncias de violência contra a mulher já foram registradas, enquanto casos de feminicídio e de tentativa de feminicídio continuam chocando a sociedade e revelando que o Estado ainda está distante de oferecer a proteção que as mulheres acreanas merecem.

Diante desse cenário, não há espaço para que o tema fique em segundo plano durante a campanha eleitoral.

A chapa governista reúne duas mulheres: a governadora e candidata à reeleição, Mailza Cameli, do Progressistas, e a candidata a vice-governadora, a ex-deputada Jéssica Sales, do MDB. Essa condição, por si só, desperta uma expectativa legítima da sociedade. Mais do que representar a participação feminina na política, espera-se que ambas liderem o debate sobre políticas públicas capazes de prevenir a violência, proteger as vítimas e responsabilizar os agressores.

Essa expectativa torna-se ainda maior porque o atual companheiro da governadora responde a um processo relacionado a acusações de violência doméstica contra sua ex-esposa, acusações contestadas por sua defesa e que ainda aguardam decisão definitiva da Justiça. Não se trata de atribuir responsabilidade à governadora por fatos imputados a terceiros, mas de reconhecer que essa circunstância torna inevitável uma manifestação política clara sobre um tema que hoje mobiliza toda a sociedade acreana.

Há outro aspecto que reforça essa necessidade. O episódio ganhou enorme repercussão justamente em Cruzeiro do Sul, cidade onde Jéssica Sales nasceu, construiu sua trajetória política e mantém sua principal base eleitoral. A divulgação de vídeos e imagens relacionados ao caso provocou forte comoção na região e fez da violência contra a mulher um dos assuntos mais discutidos pela população local. Por isso, é natural que o eleitor espere também da candidata a vice uma posição objetiva e inequívoca sobre o enfrentamento desse problema.

A sociedade acreana tem o direito de saber quais compromissos essa chapa assume para reduzir os índices de violência contra a mulher. Como pretendem fortalecer as Delegacias Especializadas? Haverá ampliação das casas de acolhimento? Quais investimentos serão feitos em prevenção, atendimento psicológico, assistência jurídica e proteção às vítimas? Como o governo pretende atuar para reduzir a reincidência e impedir que novas mulheres sejam vítimas da violência?

Não basta lamentar cada novo caso ou manifestar solidariedade quando uma tragédia ganha repercussão. O que se espera de quem pretende governar o Estado é liderança, planejamento e compromisso público com resultados.

A presença de duas mulheres na chapa majoritária representa um fato político relevante. Mas representatividade só adquire verdadeiro significado quando se transforma em ação concreta. O Acre espera ouvir, de forma clara, tanto Mailza Cameli quanto Jéssica Sales. Não apenas como candidatas, mas como lideranças que desejam governar um Estado onde centenas de mulheres continuam denunciando agressões todos os anos.

A campanha eleitoral oferece a oportunidade para que ambas apresentem propostas, assumam compromissos e demonstrem coerência entre o discurso e a prática. Diante da gravidade do momento, o Acre não espera silêncio. Espera respostas.

Prefeitura abre credenciamento para empreendedores do 9º Festival da Farinha em Cruzeiro do Sul

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul abriu nesta terça-feira, 14 de julho, o credenciamento para expositores interessados em atuar no 9º Festival da Farinha, que será realizado de 26 a 29 de agosto no Complexo Esportivo do bairro Aeroporto Velho. A seleção oferece mais de 150 vagas para empreendedores, prestadores de serviços, agricultores e representantes de diferentes setores econômicos.

As inscrições seguem até 20 de julho e devem ser feitas pela internet, por meio do edital de credenciamento. Podem participar pessoas físicas maiores de 18 anos e pessoas jurídicas que cumpram os critérios definidos para o evento.

As vagas abrangem barracas de bebidas, alimentação, vendedores ambulantes, restaurantes, trailers, artesãos, cooperativas, associações, produtores de plantas ornamentais, microempreendedores individuais e empresas de pequeno e médio porte.

Os expositores selecionados terão até 48 horas após o resultado final para pagar a taxa de ocupação e confirmar a participação. Os valores variam de acordo com a atividade exercida e o tamanho do espaço. Quem não cumprir o prazo perderá a vaga, que será repassada ao próximo candidato da lista de classificação.

Vendedores ambulantes e produtores de plantas ornamentais ficarão isentos da cobrança. O edital também define regras para a organização e a segurança do festival, como a proibição da venda de bebidas em garrafas de vidro e a limitação de um participante por núcleo familiar ou grupo econômico.

A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Janaína Terças, afirmou que o credenciamento busca organizar a ocupação dos espaços e ampliar as oportunidades para quem pretende comercializar produtos durante o festival. “Estamos preparando mais uma grande edição do Festival da Farinha, fortalecendo o empreendedorismo local e valorizando os nossos produtores, artesãos e comerciantes. Convidamos todos os interessados a realizarem o credenciamento dentro do prazo para que possam fazer parte deste importante evento, que movimenta a economia de Cruzeiro do Sul e promove a nossa cultura”, disse.

O Festival da Farinha é uma das principais ações do calendário cultural e econômico de Cruzeiro do Sul e reúne produtores, comerciantes e empreendedores ligados à cadeia produtiva da mandioca, à gastronomia regional, ao artesanato e ao turismo.

Prefeitura anuncia recuperação de ruas no bairro Cadeia Velha, em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco anunciou, nesta terça-feira (14), a recuperação de vias no bairro Cadeia Velha, durante visita técnica do programa Prefeitura nas Ruas à Rua São Raimundo. A ação foi acompanhada pelo prefeito Alysson Bestene, pelo vereador Neném Almeida e por equipes técnicas da gestão municipal, com foco na avaliação da pavimentação e na definição dos serviços de manutenção.

A Rua São Raimundo foi apontada como uma das vias que precisam de intervenção no bairro. A Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco ficará responsável pelos serviços da operação tapa-buraco, que também deve chegar a outras ruas da região com problemas na malha viária.

Durante a agenda, Alysson Bestene afirmou que o trabalho conjunto com a Câmara Municipal ajuda a levar ao Executivo demandas apresentadas diretamente pelos moradores. O prefeito disse que os vereadores acompanham a rotina das comunidades e ajudam a transformar reivindicações em ações da administração municipal.

Bestene também afirmou que a presença das equipes nos bairros permite à Prefeitura planejar as intervenções com base nas condições encontradas em cada localidade. “Vamos intervir por meio da Emurb”, disse o prefeito, ao citar a recuperação das vias da Cadeia Velha dentro das ações do Prefeitura nas Ruas.

O vereador Neném Almeida afirmou que a visita atende a uma reivindicação antiga dos moradores. Segundo ele, a Rua São Raimundo está entre os pontos que mais precisam de recuperação no bairro, ao lado de outras vias da região.

Alan Rick anunciará vice em 1º de agosto e Jarude articula apoio de Bittar

O senador Alan Rick (Republicanos) vai anunciar no dia 1º de agosto, durante convenção partidária, o nome escolhido para compor sua chapa como candidato a vice-governador na disputa pelo Governo do Acre em 2026. A definição ocorre em meio às articulações para ampliar o arco de apoio à pré-candidatura, enquanto o deputado estadual Emerson Jarude (Novo) atua para aproximar o senador Márcio Bittar (PL) do palanque republicano.

Alan confirmou que o nome do vice será apresentado apenas na convenção. “Será anunciado na nossa convenção, dia 1º de agosto”, afirmou. A decisão mantém em aberto uma das escolhas mais estratégicas da pré-campanha, em um cenário no qual adversários também negociam alianças e composição de chapas para a sucessão estadual.

Entre os nomes discutidos nos bastidores estão a ex-prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, a empresária Ana Paula Correia e o empresário Rico Leite. Fernanda aparece ligada ao Alto Acre, Ana Paula ao Vale do Juruá e Rico Leite ao setor produtivo. A escolha do vice deve pesar na estratégia regional da campanha e na tentativa de ampliar a presença política da chapa em diferentes áreas do estado.

A movimentação ocorre no mesmo momento em que Jarude tenta construir uma ponte entre Alan Rick e Márcio Bittar. O deputado afirmou que pretende trabalhar para que o senador do PL apoie a candidatura do Republicanos. “Eu até disse ao próprio Márcio Bittar, disse para o Alan lá atrás que eu iria trabalhar para que essa aliança pudesse se concretizar, porque eu tenho uma boa relação com os dois e são os dois candidatos que há muito tempo eu já defini o apoio”, disse.

Jarude avalia que a posição de Bittar dependerá das conversas nacionais entre PL e Republicanos. O deputado citou a relação do senador com a direção do PL e com o ex-presidente Jair Bolsonaro como fator central para a decisão. “O Márcio é um cara que respeita muito a hierarquia, respeita muito as decisões partidárias e respeita muito o próprio Bolsonaro. Eu acredito que essa decisão dele passa por tudo isso”, declarou.

As conversas entre Republicanos e PL envolvem uma negociação nacional para 2026. Nesse desenho, o Republicanos discute apoio a uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e cobra contrapartidas em estados considerados estratégicos, entre eles o Acre. Caso o acordo avance, o PL poderá integrar o palanque de Alan Rick no estado.

Rompimento de fibra óptica afeta internet em Cruzeiro do Sul nesta terça-feira

O fornecimento de internet foi afetado em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, nesta terça-feira (14), após o rompimento de uma fibra óptica em um trecho da BR entre as localidades de Gregório e Liberdade. A falha atingiu clientes da uNOnet e levou a empresa a acionar uma equipe técnica para fazer os reparos na rede.

Os técnicos foram deslocados para o ponto do rompimento ainda nesta terça. A empresa informou que o serviço será feito “com a máxima urgência” para restabelecer a conexão o mais rápido possível.

A ocorrência atinge uma região estratégica para a conectividade do Vale do Juruá. A uNOnet tem sede em Cruzeiro do Sul e atua em quase todo o Vale do Juruá, além de municípios como Rodrigues Alves e Mâncio Lima.

Leitor acusou Integração de ser tendencioso; mas dados mostram que só 9% de Fundo foram para a indústria

Um comentário publicado por um leitor nas redes sociais levou o Grupo Integração a ampliar a apuração sobre os investimentos do governo Gladson Cameli e Mailza Assis na indústria acreana. A crítica afirmava que a reportagem anterior seria “tendenciosa” por não considerar os recursos do Fundo de Desenvolvimento Sustentável do Acre (FDS) e sustentava que apenas esse fundo teria investido mais de R$ 20 milhões na indústria em 2025. A nova análise incluiu todos os pagamentos do FDS entre 2019 e 9 de julho de 2026. O resultado não confirmou a afirmação. No período inteiro, o fundo pagou R$ 17,25 milhões. Desse total, cerca de R$ 1,55 milhão, aproximadamente 9%, aparece diretamente ligado a planejamento industrial, equipamentos produtivos, polos industriais, parques e marcenarias.

A nova checagem não substitui a reportagem anterior. Ela amplia o alcance da análise ao incorporar um instrumento que não havia sido examinado inicialmente. Em vez de alterar a conclusão, os novos dados reforçam o mesmo cenário: o governo mantém ações voltadas ao setor industrial, mas a maior parte dos recursos públicos continua concentrada em promoção comercial, eventos, serviços administrativos e estruturas temporárias.

Os pagamentos do FDS começaram com R$ 217,5 mil em 2019. Não aparecem desembolsos em 2020 e 2021 na base consultada. Em 2022 foram pagos R$ 108,9 mil. Em 2023 o valor subiu para R$ 1,91 milhão. Em 2024 chegaram a R$ 2,59 milhões. O maior volume ocorreu em 2025, com R$ 7,29 milhões. Entre janeiro e 9 de julho de 2026, outros R$ 5,12 milhões foram pagos, totalizando R$ 17.251.035,27.

A distribuição dos recursos ajuda a entender como o fundo foi utilizado. Dos R$ 17,25 milhões, R$ 14,91 milhões foram classificados na subfunção Administração Geral, o equivalente a 86,5% do total. Outros R$ 1,46 milhão ficaram em Promoção Comercial. A Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico recebeu R$ 646,4 mil. A Promoção Industrial reuniu apenas R$ 217,5 mil.

A classificação orçamentária não significa, por si só, que todo o dinheiro registrado em Administração Geral tenha sido gasto fora da política industrial. Parte dessas despesas pode financiar atividades de apoio. Ainda assim, a concentração revela que a maior parte dos recursos foi direcionada ao funcionamento da estrutura administrativa e não à implantação de novas fábricas, aquisição de máquinas ou expansão permanente da capacidade produtiva.

Os serviços contratados junto a empresas consumiram R$ 8,32 milhões. As contribuições somaram R$ 3,97 milhões. Consultorias receberam R$ 2,56 milhões. A compra de equipamentos e material permanente ficou em R$ 892,4 mil. Também foram pagos R$ 716,7 mil em diárias, R$ 192,9 mil em material de consumo, R$ 179,2 mil em passagens e locomoção e R$ 176,7 mil em serviços de tecnologia da informação.

Os pagamentos ficaram concentrados em poucos beneficiários. Os dez maiores credores receberam aproximadamente R$ 13 milhões, o equivalente a 75,5% de tudo o que saiu do fundo.

A Poliedro Construções Ltda. lidera a lista com R$ 2,70 milhões. Rafael Wiciuk Eireli recebeu R$ 2,63 milhões. O Instituto Mercosul Amazônia ficou com R$ 1,89 milhão. A Casa da Amizade recebeu R$ 1,59 milhão. O Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento recebeu R$ 928 mil. A T. P. P. Silva Ltda. ficou com R$ 924,2 mil. O Instituto Euvaldo Lodi recebeu R$ 875 mil para elaborar o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Indústria Acreana. Também aparecem a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 620,1 mil, a Federação das Associações Comerciais e Empresariais, com R$ 548,2 mil, e a Belrio Comércio de Máquinas e Equipamentos, com R$ 300 mil.

A leitura individual dos históricos dos pagamentos permitiu separar aquilo que representa investimento diretamente ligado à indústria das despesas voltadas à promoção econômica. Nessa análise, apenas R$ 1.548.484,44 foram destinados de forma objetiva ao fortalecimento da atividade industrial.

O maior contrato desse grupo é justamente o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Indústria Acreana, executado pelo Instituto Euvaldo Lodi, no valor de R$ 875 mil. O trabalho organiza diretrizes e acompanha o desenvolvimento industrial, mas não representa investimento direto em plantas industriais ou linhas de produção.

A compra de equipamentos para agroindústrias respondeu por cerca de R$ 316,8 mil. Os itens incluem caldeira vertical, nória de sangria para frangos e câmaras frias. Outros R$ 356,6 mil foram destinados a ações relacionadas a polos industriais, parques industriais e marcenarias, incluindo regularização fundiária, licenciamento ambiental, manutenção de galpões e diagnósticos técnicos.

Enquanto aproximadamente R$ 1,55 milhão teve relação direta com a estrutura produtiva, despesas ligadas à Expoacre, Expoacre Juruá e ExpoJuruá alcançaram R$ 3,38 milhões apenas dentro do FDS. Em 2025, esses pagamentos somaram R$ 2,62 milhões.

Os recursos financiaram montagem de estruturas, feiras de negócios, espaços empresariais, apoio logístico e ações de promoção comercial. Entre os beneficiários aparecem entidades empresariais, organizadores de eventos e empresas responsáveis pela infraestrutura das exposições.

A nova análise também dialoga com a reportagem anterior, que examinou a execução financeira das estruturas estaduais responsáveis por Indústria, Ciência, Tecnologia, Comércio e Turismo.

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, essas estruturas pagaram R$ 170,4 milhões. O valor reúne duas bases administrativas: a antiga SEICETUR, que concentrava também o Turismo, e a atual SEICT, criada após a reorganização administrativa. A consolidação eliminou lançamentos coincidentes para evitar dupla contagem. Por isso, o total é superior aos R$ 131,6 milhões encontrados apenas na planilha da atual SEICT.

Dos R$ 170,4 milhões pagos, R$ 76,1 milhões, equivalentes a 44,7%, aparecem em lançamentos que mencionam expressamente Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, eventos, Carnaval, festas, festivais, shows, atrações nacionais ou comemorações do Dia do Trabalhador.

Esse montante não corresponde apenas ao pagamento de artistas. A soma inclui montagem de palcos, estruturas metálicas, tendas, iluminação, sonorização, produção, organização, apoio técnico, logística, espaços empresariais, feiras de negócios e termos de colaboração com entidades parceiras. Como um mesmo pagamento pode mencionar mais de um desses termos, o cálculo eliminou repetições para evitar que um único lançamento fosse contabilizado mais de uma vez.

Os dados não autorizam afirmar que o governo deixou de investir na indústria. Existem incentivos fiscais, cessão de áreas, planejamento estratégico, aquisição de equipamentos e apoio a cadeias produtivas. O que a execução orçamentária mostra, porém, é outra ordem de prioridades.

Enquanto o discurso institucional enfatiza industrialização, inovação, tecnologia, exportações, fortalecimento das cadeias produtivas e geração de empregos permanentes, a maior parcela dos pagamentos ficou concentrada em promoção comercial, eventos e estruturas temporárias.

Jornal da Manhã em Coluna – 14 de julho de 2026

A coluna desta terça-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e reportagens de Mazinho Rogério e Gledson Albano.

A BR parou, mas a pergunta ficou

A BR-364 foi interditada por produtores rurais que decidiram transformar em protesto uma pergunta que já atravessa os ramais do Juruá há tempo demais: cadê o dinheiro dos ramais?

Não foi uma manifestação de luxo. Foi cobrança de quem vive na lama, depende da estrada para sair de casa, levar filho para a escola, receber atendimento de saúde e tirar a produção do roçado.

O bloqueio aconteceu na região da Vila Lagoinha, nas proximidades da escola Raimundo Calpe, e durou mais de sete horas. Carros pararam nos dois sentidos. A fila incomodou quem passava, mas o ramal ruim incomoda o produtor todos os dias.

Máquina não é solução quando o serviço não resolve

Mazinho Rogério esteve no local e ouviu agricultores da região do Ramal 2 e de ramais adjacentes. O relato é simples: até existe máquina em alguns pontos, mas o trabalho não resolve o isolamento.

A diferença é grande. Uma coisa é dizer que tem máquina no ramal. Outra é fazer o serviço que permite o carro passar, o médico chegar, o transporte escolar funcionar e a produção sair.

Segundo os moradores, raspagem não basta. O que eles cobram é recuperação de verdade: bueiro, ponte, aterro, camada vegetal, drenagem e intervenção nos pontos críticos.

Ramal não se recupera com fotografia de máquina. Recupera-se com estrada trafegável.

O verão está passando

O ponto mais sensível é o calendário. Julho já chegou ao meio, o verão amazônico está em curso e a janela para trabalhar nos ramais não espera discurso.

Quando a chuva volta, a desculpa também volta. Por isso a cobrança ficou mais forte. Produtor rural conhece o tempo melhor que muito gabinete. Ele sabe quando a terra permite serviço e quando a lama toma conta.

A pergunta feita no programa foi direta: onde está a Operação Verão?

Protesto sem necessidade?

O representante do Deracre ouvido pela reportagem classificou a manifestação como “sem necessidade”. A frase pesou.

Para quem está no gabinete, pode parecer exagero. Para quem mora no ramal, é sobrevivência. A bancada reagiu porque a fala não combina com a realidade narrada pelos agricultores.

O Deracre informou que há equipes trabalhando, que uma programação está em andamento e que o novo diretor deve vir a Cruzeiro do Sul para conversar com as comunidades. Os produtores aceitaram encerrar o bloqueio, mas deixaram o aviso: se nada acontecer, a cobrança volta.

Cadê o dinheiro dos ramais?

Chico Melo levou ao ar uma análise sobre os repasses do Deracre para prefeituras em 2026. Dos R$ 26,17 milhões empenhados, apenas R$ 475 mil aparecem com menção direta a ramais. Desse valor, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados, mas sem pagamento.

O restante está em convênios genéricos de infraestrutura, tapa-buraco, combustível, transporte fluvial e apoio municipal.

A conta política é simples: se o governo anuncia recuperação de ramais, a população quer saber onde estão as frentes de serviço, qual empresa executa, quanto foi pago, qual trecho foi medido e quando o ramal fica trafegável.

Sem isso, sobra a pergunta que virou manchete no protesto: cadê o dinheiro dos ramais?

TCE deveria entrar antes do problema

A bancada também defendeu que o Tribunal de Contas do Estado atue de forma preventiva na fiscalização dos recursos destinados aos ramais.

A sugestão é que os pagamentos sejam liberados a partir de medições claras do serviço executado. Primeiro o ramal é feito. Depois, com medição, vem o pagamento.

A lembrança da Operação Fata Morgana voltou ao programa justamente porque ramal já foi assunto de polícia no Acre. Quando o dinheiro público passa por estrada de barro, a fiscalização precisa passar junto.

A balsa está no Remanso

Outro assunto que voltou ao Jornal da Manhã foi a balsa do Deracre localizada no Porto do Remanso, em Cruzeiro do Sul.

Segundo a bancada, a equipe do Sistema Integração foi checar a informação e confirmou que a balsa está no local. A informação recebida pelo programa é que ela estaria funcionando.

A pergunta, então, fica ainda maior: se funciona, por que não está servindo a travessia entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul?

A subida e a descida da balsa em Rodrigues Alves seguem como problema conhecido. Basta uma chuva para a situação piorar. Enquanto isso, o Estado precisa explicar por que uma estrutura pública estaria parada ou fora da função que poderia atender diretamente a população.

Jéssica falou, mas a dúvida continuou

Na política, a ex-deputada Jéssica Sales confirmou a pré-candidatura a vice-governadora na chapa de Mailza Assis e disse que a decisão foi guiada pela fé.

Rogério Wenceslau tratou a declaração com cautela. Para ele, só dá para acreditar completamente quando a ata da convenção do MDB estiver assinada, a federação Progressistas/União Brasil formalizar a chapa e o registro chegar ao TRE.

A leitura é política, não pessoal. O MDB passou dias indo e vindo, conversando com um lado, olhando para outro e tentando se valorizar no tabuleiro.

Quando a confirmação sai depois de pressão pública, ela resolve uma parte da crise, mas não apaga o histórico da negociação.

MDB ainda parece no modo espera

A ausência inicial de Jéssica no lançamento da composição deixou ruído. O pai, Vagner Sales, falou. O partido se movimentou. Mas a própria pré-candidata demorou a aparecer.

Na avaliação da bancada, isso deixou a aliança com cara de acordo mal digerido.

O MDB pode até ficar onde está. Mas, até a convenção, ninguém deve se surpreender se a sigla ainda fizer novas curvas.

Ataque a jornalista não responde número

O programa também comentou ataques recebidos nas redes sociais após publicações do Sistema Integração.

Chico Melo afirmou que comentário não é apagado, mas lembrou que cada pessoa deve ser responsável pelo que escreve. A bancada também falou em ameaças e disse que deve registrar boletim de ocorrência.

O ponto central é outro: quando uma matéria traz número, a resposta precisa vir com número. Xingamento não substitui dado. Perfil falso não substitui documento. Ataque pessoal não responde execução financeira.

A indústria dos eventos

A discussão sobre os gastos da área de indústria voltou ao programa.

A bancada reagiu a críticas contra matéria publicada pelo Integração Net e afirmou que o governo precisa explicar, com dados, por que uma pasta que deveria olhar para indústria, inovação e geração de emprego concentra tanto recurso em eventos, feiras, shows e estruturas temporárias.

O comentário foi direto: no Acre, cresceu a indústria do entretenimento. Mas, quando a luz do palco apaga, a conta fica.

Avião de Gladson continua no aeroporto

O Jornal da Manhã também voltou ao caso da aeronave registrada em nome do ex-governador Gladson Cameli.

Segundo o programa, o avião modelo Baron 58, de prefixo PT-WGK, continua no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul. A aeronave foi relacionada às medidas judiciais da Operação Ptolomeu e permanece sem informação pública sobre eventual liberação, transferência ou mudança de condição.

Rogério Wenceslau explicou que aeronave apreendida não funciona como carro levado para pátio policial. Ela fica no aeroporto, bloqueada, sem poder ser usada.

O caso segue pedindo esclarecimento oficial.

Boato sobre recurso

Ainda sobre Gladson, Rogério comentou um boato que circulou em Rio Branco sobre possível julgamento de recurso que poderia abrir caminho para candidatura ao Senado.

Segundo ele, até a checagem feita no dia anterior, não havia recurso pendente de julgamento no sistema consultado por suas fontes. Se aparecer decisão, será notícia. Mas, até ali, o boato não se sustentava.

Crédito de carbono e dinheiro futuro

A bancada também voltou a questionar as negociações do governo em torno de crédito de carbono e a busca por recursos internacionais.

O ponto levantado foi a tentativa de antecipar valores futuros. A pergunta é prática: se o dinheiro vier, onde será aplicado? Qual o plano de trabalho? Quem fiscaliza? Que comunidades serão beneficiadas? Que contrato existe?

Viagem internacional, foto e entrevista não bastam. Quando a cifra é grande, a transparência precisa ser maior ainda.

Copacabana interditada

Em Cruzeiro do Sul, Gledson Albano informou que a Avenida Copacabana segue interditada por causa dos serviços de recuperação.

A prefeitura iniciou trabalho de drenagem, terraplanagem e preparação para asfaltamento. A orientação para os motoristas é procurar rotas alternativas, especialmente quem segue em direção ao centro da cidade.

Polícia teve casa incendiada, prisão no rio e assalto

Na área policial, Gledson Albano destacou uma ocorrência de violência doméstica no bairro João Alves. Após uma briga de casal, um homem teria ateado fogo em um colchão, e as chamas se espalharam pela casa. Ele foi preso pela Polícia Militar com apoio da Rotam.

No bairro Militar, um homem suspeito tentou fugir pelo Rio Juruá depois de ser visto com objeto semelhante a arma de fogo. A equipe do Giro conseguiu uma embarcação, perseguiu o suspeito e fez a prisão. A arma apreendida era artesanal, calibre 22.

A PM também informou o cumprimento de três mandados de prisão no fim de semana. Segundo o balanço apresentado no programa, o 6º Batalhão já retirou de circulação 112 pessoas com mandado em aberto em 2026.

Também foram registrados um acidente na AC-405, envolvendo um estudante de 13 anos atingido por uma motocicleta, e um assalto no bairro do Alumínio, onde dois homens armados roubaram uma moto e fugiram em direção ao Remanso.

Filho é preso após invadir casa do pai e violar medida protetiva em Cruzeiro do Sul

Um homem foi preso em Cruzeiro do Sul após entrar na residência do próprio pai e descumprir uma medida protetiva determinada pela Justiça. A ordem judicial estabelecia restrições de contato e aproximação entre os envolvidos.

A prisão ocorreu depois que a presença do suspeito no imóvel foi constatada. Ao invadir a casa, ele violou as condições impostas para proteger o familiar e evitar novos conflitos.

O homem foi detido por descumprimento da decisão judicial. O caso seguirá sob responsabilidade das autoridades competentes para a adoção das medidas previstas em lei.