Mailza exonera Jonathan Donadoni da Casa Civil; advogado era nome forte herdado da gestão Gladson

A governadora Mailza Assis exonerou Jonathan Xavier Donadoni do cargo de secretário de Estado da Casa Civil. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira, 30, por meio do Decreto nº 14.905-P, assinado no dia 26 de junho. O ato não apresenta justificativa para a saída.

Jonathan Donadoni ocupava uma das funções mais estratégicas do governo. A Casa Civil é a pasta responsável por organizar a tramitação dos atos do Executivo, fazer a ponte institucional entre secretarias e concentrar parte importante da articulação administrativa e política do Palácio Rio Branco.

Donadoni chegou ao comando da Casa Civil ainda na gestão do então governador Gladson Cameli. Em abril de 2022, foi anunciado pelo próprio governo como novo secretário-chefe da pasta, substituindo Rômulo Grandidier. À época, Gladson afirmou que o advogado chegava para “somar” à equipe.

Segundo informações divulgadas pelo governo quando ele assumiu o cargo, Jonathan Xavier Donadoni é advogado, natural de Mato Grosso do Sul e chegou ao Acre em 2006, após ser aprovado em concurso para defensor público do Estado. Antes de comandar a Casa Civil, também atuou como procurador-geral do Município de Cruzeiro do Sul nas gestões dos ex-prefeitos Vagner Sales e Ilderlei Cordeiro.

A exoneração ocorre em meio ao processo de reorganização política e administrativa do governo Mailza. Donadoni era visto como um dos nomes mais ligados ao núcleo de Gladson dentro da máquina estadual, o que dá à saída peso simbólico na formação de uma equipe mais alinhada à atual governadora.

Em abril deste ano, após rumores sobre uma possível saída de Donadoni do governo, Mailza chegou a negar publicamente qualquer mudança no comando da Casa Civil e afirmou que a equipe estava “muito bem organizada”. Pouco mais de dois meses depois, a exoneração foi oficializada no Diário Oficial.

Até o momento, o decreto publicado nesta terça-feira apenas formaliza a saída de Jonathan Donadoni. Não há, no mesmo ato, indicação do nome que passará a comandar a Casa Civil.

Nos bastidores, a exoneração de Jonathan Donadoni é lida como mais um sinal de desgaste entre o grupo de Mailza Assis e aliados ligados ao ex-governador Gladson Cameli. Interlocutores do governo afirmam que parte dos compromissos costurados ainda na transição não estaria sendo cumprida, o que teria ampliado o descontentamento dentro da própria base. Nessa leitura interna, dois nomes aparecem como centrais na condução desse novo arranjo de poder no Palácio Rio Branco: Ney Amorim e Madson Cameli, apontados por fontes como peças de forte influência nas movimentações políticas e administrativas do governo.

Jornal da Manhã em Colunas – 29 de junho de 2026

Bocalom aposta na produção

Tião Bocalom colocou a produção rural no centro do discurso de pré-campanha ao governo do Acre. Ex-prefeito de Acrelândia por três mandatos e ex-prefeito de Rio Branco por dois, ele voltou a defender o lema “produzir para empregar” e usou a experiência de Acrelândia como vitrine, com café, leite e banana puxando a economia local.

Crítica à florestania

Bocalom também retomou críticas ao modelo político da chamada florestania. A avaliação dele é que o debate ambiental deixou em segundo plano o morador da Amazônia. O discurso reforça a tentativa de ocupar o espaço de candidato ligado à produção, ao emprego e à renda.

Acre dependente de Rondônia

Um dos pontos mais fortes da entrevista foi a crítica à dependência econômica do Acre em relação a Rondônia. Bocalom afirmou que o estado compra de fora produtos básicos como arroz, feijão, milho e leite, enquanto só mantém autossuficiência na carne. A fala deve aparecer com frequência na campanha.

Ouvidoria nos municípios

A pré-campanha de Bocalom tem sido marcada por visitas ao interior. Ele apresenta essas agendas como uma espécie de ouvidoria, com conversas diretas com moradores e levantamento de demandas locais. A estratégia mira especialmente o eleitor dos municípios, onde a pauta da produção costuma ter peso eleitoral.

Kelen no estúdio

A presença de Kelen Rejane Nunes Bocalom, esposa de Tião Bocalom, também foi registrada durante a entrevista. O pré-candidato aproveitou o momento para falar da vida pessoal e reforçar uma imagem mais próxima do eleitor.

Mailza perde sustentação

A governadora Mailza Assis enfrenta um momento de desgaste na articulação para 2026. A avaliação política apresentada no Jornal da Manhã é que a candidatura à reeleição perdeu força depois da saída de Gladson Cameli do governo e da reorganização dos aliados em torno de outros projetos.

Zequinha com Alan Rick

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, aparece no centro da movimentação no Juruá. A expectativa é de apoio a Alan Rick, movimento que amplia o isolamento de Mailza Assis e fortalece o projeto do senador na disputa pelo governo.

Alan Rick ganha terreno

Alan Rick passou a ser o principal beneficiário da debandada na base governista. Com o Republicanos organizado em torno de sua pré-candidatura, o senador tenta consolidar apoios no interior e atrair partidos que antes orbitavam o Palácio Rio Branco.

MDB em rota de saída

O MDB também aparece como peça importante nesse rearranjo. A eventual saída do partido da base de Mailza Assis teria impacto direto na composição eleitoral, principalmente pelo peso da legenda em Cruzeiro do Sul e pela influência de Vagner Sales no Juruá.

Márcio Bittar no cálculo

O senador Márcio Bittar também entra na conta das alianças. O PL tende a pesar na formação do bloco de direita e pode ser decisivo na definição do palanque mais competitivo contra Mailza Assis.

Plano de emergência

Com a perda de aliados, interlocutores do governo já discutem alternativas para evitar isolamento maior. Uma das hipóteses comentadas é abrir mão da candidatura própria e tentar indicar o vice em uma chapa mais forte. A avaliação, no entanto, é que o movimento seria difícil e revelaria o grau de pressão sobre o grupo governista.

Café ganha força no Juruá

A sessão solene do Dia do Café, realizada no Teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul, reforçou o peso da produção cafeeira na região. Vinte pioneiros foram homenageados, em uma pauta que mistura economia, agricultura familiar e política.

Luiz Gonzaga conduz homenagem

A solenidade foi presidida pelo deputado estadual Luiz Gonzaga. O presidente da Assembleia Legislativa, Nicolau Júnior, estava fora do estado. O ato colocou o café como uma das apostas econômicas mais fortes do Juruá.

Expoacre Juruá aquece bastidores

A véspera da Expoacre Juruá 2026 movimenta Cruzeiro do Sul e também os bastidores da política. A feira começa em 30 de junho e deve reunir público, produtores, empresários e lideranças políticas em um ambiente favorável a conversas eleitorais.

Arraiá do Chico movimenta Parque Chico Mendes com programação junina em Rio Branco

A Prefeitura de Rio Branco realizou no domingo (28) o Arraiá do Chico, na Praça de Alimentação do Parque Ambiental Chico Mendes, com atividades juninas, comidas regionais, brincadeiras e feira de empreendedores locais. A programação reuniu famílias, artesãos, comerciantes e visitantes em uma ação voltada ao lazer, à cultura popular e ao fortalecimento da economia criativa.

A festa contou com pescaria, bingo, venda de comidas típicas, produtos regionais e peças artesanais. O evento já faz parte do calendário de atividades do parque e foi organizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente em parceria com concessionários da Praça de Alimentação.

Joseline Guimarães afirmou que a programação ajuda a aproximar a comunidade do espaço público. “O Arraiá do Chico é um evento tradicional aqui do parque, junto com os concessionários da Praça de Alimentação. Ele é muito importante para integrar as famílias, as pessoas que vêm ao parque”, disse.

A Feira Rede Empório também participou da programação, com empreendedores ligados ao artesanato, à produção regional e a iniciativas criativas. Felipe Pinheiro, da Poty3D, disse que a presença no evento abre espaço para pequenos negócios. “A abertura das portas do Chico Mendes para nós é muito importante. Só temos a agradecer à Prefeitura, à Rede Empório e a todos do Parque Chico Mendes”, afirmou.

A movimentação levou crianças, jovens, adultos e idosos ao parque durante a programação. Ilzamar Mendes, viúva de Chico Mendes, acompanhou o evento e afirmou que a iniciativa beneficia a comunidade e os pequenos produtores. “É um evento importante para a comunidade e para os pequenos empreendedores que estão produzindo agora”, disse.

Além das atividades juninas, a presença do público reforçou o uso do Parque Ambiental Chico Mendes como área de convivência, lazer, cultura e educação ambiental em Rio Branco.

Bocalom defende produção e renda em entrevista ao Jornal da Manhã

O pré-candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom usou a entrevista concedida nesta segunda-feira (29) ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, para defender um projeto econômico baseado na produção rural, na geração de emprego e no aumento da renda da população. Ex-prefeito de Acrelândia e de Rio Branco, ele afirmou que o Estado precisa voltar a produzir mais e depender menos de outros mercados. “Produzir para empregar, se não roubar o dinheiro dá”, disse.

Bocalom citou a experiência em Acrelândia como base do discurso político que pretende levar à disputa estadual. Ele afirmou que o município avançou na produção de café, leite e banana e passou a exportar esses produtos, o que, na avaliação dele, mudou a circulação de dinheiro na cidade. “Dinheiro vem melhor na vida das pessoas”, afirmou, ao defender que a produção seja tratada como eixo central para a economia acreana.

O pré-candidato também vinculou a passagem pela Prefeitura de Rio Branco à mesma lógica administrativa. Mesmo com os impactos da pandemia nos dois primeiros anos de gestão, Bocalom afirmou que manteve a ideia de unir produção, emprego e dinheiro no bolso da população. Para ele, o desenvolvimento precisa chegar primeiro ao cidadão. “Cidadão com dinheiro no bolso tem autoestima, cabeça levantada”, disse.

Durante a entrevista, Bocalom criticou a condução de políticas ambientais adotadas no Acre nas últimas décadas e voltou a atacar o conceito de “florestania”. “Esqueceram que tinha alguém mais importante que a árvore e o bicho — o ser humano que tá na Amazônia”, afirmou. Ele disse que a defesa do homem amazônico sempre fez parte de sua trajetória política. “Hoje vejo todo mundo falar, até a turma antiga da esquerda: temos que cuidar do ser humano. É o que eu falei a vida inteira.”

A dependência do Acre em relação a produtos vindos de Rondônia também entrou no centro da entrevista. Bocalom afirmou que o Estado compra de fora itens básicos da alimentação e da produção agropecuária, como arroz, feijão, milho e leite. “Só não compra carne, que somos autossuficientes”, disse. Em seguida, comparou o cenário atual com o passado. “Antigamente o Acre vendia pra Rondônia. Hoje compra tudo de lá.”

O ex-prefeito disse que tem percorrido municípios acreanos em uma espécie de “ouvidoria” para ouvir demandas da população e montar uma proposta de governo. A estratégia, afirmou, é conversar diretamente com moradores, produtores e lideranças locais para mapear problemas que se repetem nas cidades e transformar essas demandas em ações voltadas à produção, emprego e infraestrutura.

A entrevista também teve um tom pessoal quando Bocalom apresentou a esposa, Kelly, que estava no estúdio. “O amor está no ar”, disse, em clima descontraído. Ele também falou da relação familiar ao afirmar: “Deus me mandou uma metade espetacular.”

Ao longo da conversa, Bocalom associou sua pré-candidatura à ideia de retomada econômica pela produção. A mensagem repetida na entrevista foi a de que o Acre precisa produzir mais, gerar renda localmente e reduzir a saída de mão de obra. “Produzir para empregar” foi o eixo usado por ele para resumir a proposta que pretende apresentar na corrida pelo governo.

Expoacre Juruá terá mudanças no trânsito em Cruzeiro do Sul

O trânsito no entorno do Parque de Exposições de Cruzeiro do Sul terá mudanças a partir desta terça-feira, 30, durante a 21ª Expoacre Juruá. A Secretaria Municipal de Trânsito montou um esquema especial para organizar a circulação de veículos, reduzir o tempo de deslocamento e dar mais segurança ao público que vai à feira.

A operação foi preparada em conjunto com a Polícia Militar, o Departamento Estadual de Trânsito e o Batalhão de Policiamento de Trânsito. Equipes enviadas de Rio Branco vão reforçar o trabalho durante os dias do evento, principalmente nos horários de maior movimento.

Os motoristas de veículos particulares que chegarem pela região do Sesc deverão usar a faixa da direita, destinada ao acesso aos estacionamentos. A faixa da esquerda ficará reservada ao transporte público, para facilitar o embarque e o desembarque de passageiros.

A rotatória em frente ao Parque de Exposições também terá alteração no uso. O espaço será voltado ao transporte coletivo. Já os condutores de veículos particulares deverão seguir até a rotatória próxima ao posto policial para fazer o retorno e entrar nos estacionamentos.

O secretário municipal de Trânsito, Jonas Saraiva, pediu que os motoristas redobrem a atenção à sinalização e sigam as orientações dos agentes durante a operação. A colaboração dos condutores será essencial para evitar congestionamentos e garantir o fluxo de veículos no acesso à feira.

Além das mudanças no tráfego, a programação infantil terá o retorno da carreta “Bora a Bora”. Neste ano, o veículo ficará estacionado no parque para visitação, fotos e atividades voltadas às crianças durante a Noite Kids.

Polícia Penal barra terceira tentativa de entrada de drogas no presídio de Cruzeiro do Sul em junho

A Polícia Penal impediu, no domingo (28), mais uma tentativa de entrada de drogas na Unidade Penitenciária Manoel Neri da Silva, em Cruzeiro do Sul, durante o período de visitas. Uma mulher foi flagrada tentando acessar o presídio com entorpecentes escondidos no corpo.

A droga foi localizada durante a revista com uso de body scanner, equipamento usado para reforçar a fiscalização de visitantes na unidade. Após a abordagem, a mulher foi impedida de entrar no presídio e encaminhada para os procedimentos legais. Ela deve responder criminalmente pelo caso e ficará proibida de realizar visitas a familiares custodiados na unidade.

O diretor da unidade, Elves Barros, afirmou que a ocorrência foi a terceira tentativa de entrada de drogas registrada apenas no mês de junho. “Somente neste mês já registramos três tentativas de introdução de drogas na unidade. O trabalho da Polícia Penal, aliado ao uso da tecnologia, tem sido fundamental para impedir a entrada desses materiais ilícitos”, disse.

A direção do presídio informou que as revistas serão mantidas e reforçadas para evitar a entrada de drogas e outros materiais proibidos no sistema prisional.

Bocalom visita Estirão do Remanso e ouve pedidos por saúde, escola e infraestrutura

O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, visitou a comunidade Estirão do Remanso e ouviu de moradores cobranças por melhorias em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e infraestrutura. Durante o encontro, a população pediu a construção de um posto de saúde, melhorias na escola local e a pavimentação das vias de acesso à região.

Na conversa, os moradores relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia e disseram que a presença de um representante político na comunidade para ouvir as demandas locais ocorreu pela primeira vez. A visita foi tratada pelos participantes como uma oportunidade de levar reivindicações diretamente a um nome que disputa o Palácio Rio Branco.

Ao fim da agenda, Bocalom afirmou que pretende voltar outras vezes à comunidade ao longo da campanha e disse que, se eleito, quer acompanhar de perto as ações na região. “Governar é conhecer de perto a realidade das pessoas. Vou voltar mais vezes durante a campanha e, se Deus permitir, também como governador, para acompanhar de perto as melhorias que essa comunidade merece”, afirmou.

A passagem por Estirão do Remanso ocorre em meio ao movimento de pré-campanha no Acre, período em que possíveis candidatos ampliam agendas em bairros, comunidades e municípios para ouvir demandas e apresentar compromissos ao eleitorado.

Apoio de Ciro Nogueira expõe crise de Mailza e cola pré-candidatura a desgaste judicial no Acre

“Mailza é a prioridade número 1 do nosso partido no Brasil. Sua eleição é muito importante, fundamental, e nós estaremos aí até o fim.” A frase de Ciro Nogueira, que circulou nesta segunda-feira, 29 de junho, tentou estancar a crise aberta em torno da candidatura de Mailza Assis ao governo do Acre em 2026. Mas o efeito político foi outro. No momento em que a pré-campanha da governadora enfrenta ruídos internos, especulações sobre resistências na federação e indefinições de aliados, o gesto mais enfático de apoio veio justamente do presidente nacional do PP, hoje atingido pelo escândalo do Banco Master.

Ciro foi alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal em maio, no inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. Segundo decisão do ministro André Mendonça citada pela Reuters, a investigação aponta que o senador teria atuado em favor do banqueiro Daniel Vorcaro “em troca de vantagens econômicas indevidas”. A defesa nega irregularidades e diz que ele está à disposição para prestar esclarecimentos. O dado pesa porque transforma um apoio partidário em passivo político: em vez de blindar Mailza, o áudio a liga nacionalmente a um dirigente sob investigação.

No Acre, o apoio de Ciro apareceu no pior momento para a governadora. O MDB virou peça central da disputa e ainda não definiu se ficará com Mailza ou se abrirá caminho para outro arranjo. Nos bastidores, dirigentes conversam com os dois lados, preservando margem de negociação e ampliando o poder de barganha do partido. Ao mesmo tempo, Alan Rick se consolidou como principal adversário, liderando a corrida ao Palácio Rio Branco. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 18 de junho mostrou o senador com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Mailza, embora a atual governadora tenha 67% de aprovação administrativa.

A reação do entorno de Mailza foi de trincheira. Luiz Calixto reafirmou a pré-candidatura da governadora como inegociável e fez cobrança pública aos “oportunistas”, sinal de que a turbulência deixou de ser apenas boato de bastidor e passou a ser enfrentada abertamente pelo núcleo político do governo. Quando um projeto precisa ser defendido a esse ponto por seus articuladores, a crise já não está mais do lado de fora.

Mailza tenta vender a própria imagem como continuidade administrativa e política, mas esse discurso cobra um preço cada vez mais alto. Ela é a continuidade de Gladson Cameli, condenado em 6 de maio pela Corte Especial do STJ a 25 anos e 9 meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A defesa negou as acusações e alegou nulidade de provas, mas a condenação colocou o antigo comando do grupo sob o maior desgaste judicial de sua trajetória recente.

É isso que torna a situação de Mailza mais delicada. De um lado, o apoio mais ruidoso vem de Ciro Nogueira, investigado no caso Banco Master. De outro, o discurso de continuidade a amarra ao legado de Gladson, já condenado pelo STJ. No meio desse aperto, a governadora ainda precisa segurar a base, impedir novas deserções e provar que sua candidatura consegue andar com força própria. Hoje, porém, o que mais salta aos olhos é o oposto: uma pré-campanha encurralada, obrigada a se sustentar entre o barulho dos aliados e o peso do desgaste que eles carregam.

Após Mailza assumir, diárias do governo passam de R$ 10,9 milhões em menos de três meses

Depois que Mailza Assis assumiu definitivamente o Governo do Acre, em 2 de abril, os gastos com diárias entraram em ritmo mais acelerado. Levantamento do IntegraçãoNet no Portal da Transparência mostra que, entre 2 de abril e 26 de junho, já sob a nova governadora, foram pagos R$ 10.909.441,48 em diárias, distribuídos em 6.889 registros.

O valor representa 57,7% de tudo o que aparece na planilha do semestre. Ao todo, de janeiro a junho, a base analisada reúne 11.614 pagamentos, somando R$ 18.898.942,98.

A comparação com o período anterior ajuda a dimensionar a mudança. De janeiro a março, ainda sob Gladson Cameli, os pagamentos somaram R$ 7.420.752,05, em 4.522 registros. Depois da posse de Mailza, em menos de três meses, o governo pagou R$ 3,48 milhões a mais em diárias do que nos três primeiros meses do ano. Na prática, o governo passou a gastar mais porque ampliou a quantidade de deslocamentos custeados com recursos públicos.

A nova apuração amplia uma pauta que o IntegraçãoNet já havia trazido à tona na semana passada, quando revelou os gastos da comitiva de Mailza em Londres. Naquela viagem, divulgada pelo governo como missão internacional para tratar de créditos de carbono, foram localizados R$ 192.004,21 em diárias internacionais para 12 integrantes da comitiva, incluindo Madson de Castro Cameli, chefe de gabinete e marido da governadora.

No caso de Madson, a planilha mostra 21 pagamentos em seu nome entre abril e junho, considerando os registros como Madson Cordeiro de Castro e Madson de Castro Cameli. O total pago a ele no período foi de R$ 38.869,35. Só a diária de Londres aparece no valor de R$ 14.776,85.

A base não mostra pagamento direto de diária em nome de Mailza Assis. O deslocamento da governadora aparece de forma indireta, nas descrições das diárias pagas a outras pessoas. Ao longo do semestre, há 535 registros que mencionam agendas, viagens ou assessoramento à governadora ou vice-governadora, somando R$ 826.471,63. Depois de 2 de abril, já como chefe do Executivo, são 377 registros vinculados a agendas de Mailza, com R$ 524.501,76 pagos a terceiros.

Embora não haja pagamentos diretos de diárias em nome de Mailza Assis, o levantamento permite identificar ao menos 25 agendas ou viagens da governadora, após sua posse, que geraram pagamentos a equipes de apoio, segurança, comunicação e assessoria.

Esse dado não significa que Mailza tenha recebido diárias. Significa que a estrutura de deslocamento em torno da governadora movimentou centenas de pagamentos no semestre, envolvendo segurança, comunicação, assessoria, gabinete e outros setores.

Há ainda outro ponto que segue sem explicação suficiente na gestão anterior. Durante o governo Gladson, o IntegraçãoNet já havia levantado gastos do governo com jato, em contrato com a Ortiz, que superam R$ 12 milhões. Agora, com Mailza no comando, o foco recai sobre outro tipo de despesa: as diárias, que passaram a consumir mais de R$ 10,9 milhões em menos de três meses.

Entre os órgãos com maiores pagamentos após a posse de Mailza estão o Fundo Estadual de Segurança Pública, com R$ 968.614,13; a Secretaria de Justiça e Segurança Pública, com R$ 894.125,97; o Ministério Público, com R$ 852.579,85; o Fundo Estadual de Saúde, com R$ 851.526,18; e o Fundo Especial do Corpo de Bombeiros, com R$ 466.710,29.

O recorte por função também reforça a concentração na segurança. Depois da posse de Mailza, a função Segurança Pública somou R$ 3.617.130,11 em diárias. Em seguida aparecem Essencial à Justiça, com R$ 1.202.742,60; Administração, com R$ 968.333,65; Saúde, com R$ 915.375,65; e Agricultura, com R$ 841.864,42.

Junho chama atenção porque ainda não estava fechado na data final da planilha. Mesmo com registros até 26 de junho, o mês já acumulava R$ 3.805.558,22 em diárias, praticamente no mesmo patamar de maio, que fechou com R$ 3.951.941,16. O ritmo de junho foi o maior do semestre: cerca de R$ 146,3 mil por dia, considerando os 26 dias registrados.

Leia também: Bonde de Londres: diárias da comitiva de Mailza somam R$ 192 mil em viagem que ainda não apresentou resultado concreto

PMDF relata ao STF falha no GPS da tornozeleira de Bolsonaro

A Polícia Militar do Distrito Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal que a tornozeleira eletrônica usada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro registrou falha no sinal de GPS na sexta-feira, 19, em Brasília, durante o cumprimento da prisão domiciliar temporária. O alerta foi emitido pela central de monitoramento às 18h57, mas a vistoria não apontou violação do equipamento, que voltou a funcionar normalmente sem necessidade de troca.

Após a perda de sinal, a central entrou em contato com Bolsonaro e pediu que ele fosse para a área externa da casa, para restabelecer a conexão com os satélites. Uma equipe presencial foi enviada ao local às 20h04 e verificou que a estrutura da tornozeleira estava intacta, com luzes acesas e funcionamento regular.

No relatório enviado ao STF, a PMDF registrou que o pedido para deslocamento até uma área com melhor captação de sinal foi atendido pelo ex-presidente. A corporação é responsável pelo acompanhamento da prisão domiciliar e pela segurança no entorno da residência, com o objetivo de evitar fuga.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar temporária desde 27 de março, depois de ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da trama golpista. Ele usa tornozeleira eletrônica, só pode receber visitas autorizadas pelo STF e está proibido de usar celular, acessar redes sociais, inclusive por meio de terceiros, e gravar vídeos para a internet.

A situação da prisão domiciliar está sob análise do ministro Alexandre de Moraes. O prazo de 90 dias da medida terminou na quinta-feira, 25, e a decisão sobre a permanência do ex-presidente em casa ou eventual retorno ao sistema prisional depende da avaliação do STF, incluindo informações médicas apresentadas pela defesa.