Acre cai para 26º lugar em eficiência da máquina pública no Ranking de Competitividade 2026

O Acre aparece na 26ª posição nacional no pilar de Eficiência da Máquina Pública do Ranking de Competitividade dos Estados 2026. O levantamento avalia as 27 unidades da Federação e coloca o estado entre os últimos do país nesse recorte, que mede aspectos relacionados à capacidade administrativa, ao controle de gastos e à gestão do setor público.

O resultado representa uma piora em relação à edição de 2025. No levantamento anterior, o Acre ocupava a 22ª colocação nacional em Eficiência da Máquina Pública e era o quarto colocado entre os sete estados da Região Norte. Com a nova posição, o estado perdeu quatro colocações.

O pilar tem peso de 10% na composição do Ranking de Competitividade e reúne indicadores relacionados aos custos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, eficiência e produtividade do Judiciário, qualidade das informações contábeis e fiscais, transparência, oferta de serviços públicos digitais, relação salarial entre os setores público e privado e critérios ligados à gestão de pessoal.

A posição na eficiência administrativa acompanha o desempenho do Acre na classificação geral do Ranking de Competitividade dos Estados. Na edição de 2026, o estado ocupa o 26º lugar entre as 27 unidades da Federação, com 24,73 pontos, à frente apenas do Amapá. Santa Catarina assumiu a liderança nacional, seguida por São Paulo e Paraná.

O levantamento utiliza 100 indicadores distribuídos em dez pilares: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.

Apesar da permanência entre os últimos colocados no resultado geral, o Acre avançou em algumas áreas em 2026. O maior crescimento ocorreu em Inovação, com salto da 22ª para a 16ª posição. O estado também passou do 23º para o 21º lugar em Solidez Fiscal e ganhou uma posição nos pilares de Sustentabilidade Ambiental, Educação e Infraestrutura.

Em ano eleitoral, Governo do Acre estoura teto de comissionados enquanto mantém milhões em publicidade, voos e shows

TCE suspendeu novas nomeações após identificar excesso de R$ 7 milhões na folha de comissionados e funções de confiança; levantamento mostra R$ 7,1 milhões em publicidade, mais de R$ 9 milhões pagos em fretamento de aeronaves e R$ 12,7 milhões destinados a shows das Expoacres

O Governo do Acre chegou à reta final de 2026 pressionado por limites fiscais e por uma medida cautelar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) que determinou a suspensão de novas nomeações para cargos comissionados e funções de confiança. Ao mesmo tempo, dados do Portal da Transparência mostram que a administração estadual manteve despesas milionárias com publicidade, fretamento de aeronaves, jatos e grandes eventos ao longo do ano eleitoral.

A decisão do TCE foi assinada em 2 de setembro pelo conselheiro Ronald Polanco Ribeiro. A análise técnica da Corte identificou que, somente em junho, o Executivo gastou R$ 22,25 milhões com cargos em comissão, quando o limite financeiro estabelecido para essa estrutura era de R$ 15,71 milhões.

O excesso chegou a R$ 6,54 milhões, ou 41,64% acima do limite. Nas funções de confiança, foram gastos R$ 3,24 milhões diante de um teto de R$ 2,72 milhões, uma diferença de outros R$ 523,4 mil. Somadas, as duas situações produziram uma extrapolação de R$ 7,06 milhões apenas na folha analisada de junho.

Diante do resultado, o TCE determinou a suspensão imediata de novas nomeações para cargos em comissão e funções de confiança em toda a administração estadual, inclusive indireta. A governadora Mailza Cameli recebeu prazo de dois dias úteis para comprovar o cumprimento da ordem, sob pena de multa diária pessoal de R$ 500. O Tribunal também requisitou à Secretaria de Administração informações sobre nomeados entre janeiro e julho.

O caso não ocorre de forma isolada. O Governo do Acre já havia chegado ao primeiro quadrimestre de 2026 com as despesas de pessoal em 48,09% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite prudencial de 46,55% e a apenas 0,91 ponto percentual do limite máximo de 49%.

Em valores, a despesa total com pessoal usada para o cálculo da Lei de Responsabilidade Fiscal chegou a R$ 5,48 bilhões nos 12 meses encerrados em abril. O próprio relatório da Secretaria de Fazenda registra limite prudencial de R$ 5,30 bilhões e teto máximo de R$ 5,58 bilhões.

É nesse cenário que entram outras despesas realizadas pela administração estadual em 2026.

Publicidade chega a R$ 7,1 milhões durante campanha

Um único empenho da Secretaria de Comunicação reservou R$ 7,1 milhões para serviços de publicidade nos meses de julho, agosto e setembro, período que coincide com as restrições eleitorais mais rigorosas para publicidade institucional antes das eleições de outubro.

O Empenho nº 7110010458 foi aberto em 4 de julho, em favor da Thera Publicidade Ltda., e registra como finalidade a divulgação dos atos e ações do Governo do Acre. Até a última atualização analisada, R$ 2.298.865,18 já haviam sido liquidados e pagos.

A mesma despesa já é alvo de análise do TCE no Processo nº 150.460. Quando o empenho chegou ao Tribunal, aparecia com R$ 4,6 milhões. Posteriormente, mantendo o mesmo número, data e descrição, passou para R$ 7,1 milhões, um acréscimo de R$ 2,5 milhões, ou aproximadamente 54%.

O valor de julho não é o único destinado à agência neste ano. Os registros de 2026 somam aproximadamente R$ 19,98 milhões em empenhos para a Thera, considerando Secom e Detran. Mais de R$ 14 milhões já apareciam liquidados ou pagos na atualização do levantamento.

As despesas eleitorais com publicidade possuem regras próprias. O TRE autorizou determinadas campanhas de interesse público durante o período eleitoral, como ações relacionadas a queimadas, vacinação, enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes e doação de sangue. As autorizações, no entanto, são específicas para determinadas campanhas e não representam autorização genérica para toda publicidade governamental.

Mais de R$ 9 milhões pagos por fretamento de aeronaves

Outra despesa que ganhou peso em 2026 está concentrada na Casa Civil.

Levantamento feito a partir do Portal da Transparência identificou R$ 9.019.272 já pagos à Ortiz Táxi Aéreo somente até julho deste ano. Os valores estão distribuídos em 89 lançamentos relacionados a fretamento de aeronaves.

O montante não representa apenas previsão contratual. Os R$ 9 milhões aparecem como despesas empenhadas, liquidadas e pagas. No período analisado, o valor correspondeu a aproximadamente 19% de tudo o que a Casa Civil havia pago.

Em agosto, o governo renovou por mais 12 meses um contrato com a Ortiz no valor de até R$ 9,95 milhões, destinado ao fretamento de aeronaves para transporte de pessoal e cargas em deslocamentos intermunicipais e interestaduais.

Dentro dessa estrutura estão também os jatos.

O levantamento dos registros de 2026 encontrou cinco empenhos cuja descrição menciona expressamente “fretamento de aeronave (JATO)”. Somados, eles chegam a R$ 1,218 milhão empenhado.

Desse total, R$ 1,066 milhão já aparece pago. Outros R$ 151,2 mil estavam liquidados, mas ainda sem pagamento até a atualização de 27 de agosto.

Quatro desses empenhos foram emitidos entre 27 e 30 de abril, nos valores de R$ 214,2 mil, R$ 168 mil, R$ 432,6 mil e R$ 252 mil. Todos aparecem pagos.

O quinto foi emitido em 19 de agosto, no valor de R$ 151,2 mil, para a Ortiz Táxi Aéreo. O Portal da Transparência não informa quem utilizou a aeronave, qual foi o destino nem a data do voo.

Shows das Expoacres chegam a R$ 12,7 milhões

Os grandes eventos também formam outra frente de despesas milionárias no ano eleitoral.

Somente os principais shows nacionais das edições da Expoacre de Rio Branco e da Expoacre Juruá tiveram R$ 12,7 milhões em cachês contratados ou previstos com recursos públicos em 2026.

Em Rio Branco, cinco contratos para seis atrações nacionais chegaram a R$ 6,45 milhões, valor que já aparecia integralmente empenhado, liquidado e pago.

O contrato de Leonardo e Ana Castela foi de R$ 2,55 milhões. Wesley Safadão custou R$ 1,8 milhão; Natanzinho Lima, R$ 1,3 milhão; padre Fábio de Melo, R$ 500 mil; e Banda Som e Louvor, R$ 300 mil.

Na Expoacre Juruá, outros R$ 6,25 milhões foram reservados no Plano de Trabalho para seis atrações nacionais. Leonardo apareceu com R$ 2,1 milhões; Natanzinho Lima, R$ 1,7 milhão; Ícaro e Gilmar, R$ 750 mil; Tierry e padre Fábio de Melo, R$ 650 mil cada; e Banda Morada, R$ 400 mil.

Nesse caso, os valores integram o orçamento executado pela Associação Transformar e representam os cachês previstos. O Governo do Acre transferiu R$ 15.848.310 à entidade para a execução da Expoacre Juruá. A confirmação de quanto efetivamente chegou a cada artista depende da prestação de contas da parceria.

Além dos R$ 6,25 milhões destinados aos cachês, o plano do Juruá reservou outros R$ 2,44 milhões para produção e logística das atrações nacionais, incluindo passagens aéreas, fretamento de aeronaves, hospedagem, alimentação, transporte, camarins e direitos autorais.

Comissionados viram novo ponto de intervenção do TCE

É nesse conjunto de despesas que a decisão desta semana do Tribunal de Contas ganha dimensão.

Diferentemente de publicidade, eventos ou fretamento de aeronaves, que possuem regras orçamentárias e contratos específicos, a cautelar trata diretamente do limite financeiro estabelecido para a estrutura de cargos em comissão e funções de confiança.

No mês analisado pelo Tribunal, o governo deveria ter limitado os gastos com cargos comissionados a R$ 15,71 milhões. A folha chegou a R$ 22,25 milhões.

O relatório técnico apontou que uma regra que permitia ao Executivo ampliar o limite em até 30% por decreto havia sido declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça. Sem esse acréscimo, o TCE considerou configurada a extrapolação do teto previsto pela legislação estadual.

A movimentação de pessoal também passou a ser questionada na esfera eleitoral. Levantamento baseado nos Diários Oficiais identificou 1.436 atos de nomeação entre 4 de maio e 25 de agosto, sendo 1.347 para cargos em comissão. A questão foi levada à Procuradoria Regional Eleitoral em representação que pede investigação de possível abuso de poder político. A representação não sustenta que a simples nomeação de comissionados seja ilegal, mas questiona volume, período e eventual finalidade eleitoral dos atos.

Gastos ocorrem durante disputa pela reeleição

As despesas analisadas possuem naturezas diferentes e não podem ser simplesmente somadas como se pertencessem à mesma rubrica. Parte representa folha de pagamento; parte corresponde a contratos já pagos; outra é formada por empenhos ainda em execução; e os valores da Expoacre Juruá dependem da prestação de contas da entidade responsável pelo evento.

O conjunto dos dados, porém, mostra o tamanho das despesas mantidas pelo Executivo em um momento de restrição fiscal.

O governo está acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, ultrapassou em mais de R$ 7 milhões o teto específico encontrado pelo TCE para cargos comissionados e funções de confiança em junho e, ao mesmo tempo, mantém milhões de reais destinados a publicidade, transporte aéreo e grandes eventos.

Tudo ocorre em 2026, ano em que Mailza Cameli disputa a reeleição ao Governo do Acre.

A cautelar do TCE não declara ilegais os gastos com publicidade, aeronaves ou eventos citados nesta reportagem. São despesas distintas e submetidas a regras próprias. A relação entre elas está no cenário fiscal do Estado e na discussão sobre prioridades de gastos públicos enquanto o Executivo já enfrenta restrições legais relacionadas às despesas com pessoal.

Ao conceder a medida sobre os comissionados, o TCE determinou que novas nomeações fossem imediatamente suspensas. O governo informou, após a divulgação da decisão, que ainda não havia sido oficialmente notificado e não apresentou, naquele momento, manifestação sobre o mérito dos números apontados pelo Tribunal.

Avanço do agro no interior entra no debate eleitoral do Acre com proposta de Bocalom

O crescimento da produtividade agropecuária e a expansão econômica de estados do interior do Brasil passaram a integrar o debate eleitoral no Acre neste domingo (30), com a candidatura de Tião Bocalom (PSDB) ao governo estadual. O candidato relaciona o desempenho do setor rural em outras regiões do país ao programa “Produzir para Empregar”, que coloca o aumento da produção e a geração de empregos entre os principais eixos de sua campanha.

Entre 2002 e 2019, a produtividade da agropecuária brasileira cresceu 80,1%, enquanto o avanço foi de 10,3% no setor de serviços e de 5,4% na indústria. No conjunto da economia, a produtividade aumentou 18,7% no período.

A expansão ganhou força principalmente em áreas do Centro-Oeste e em novas fronteiras agrícolas. Estados como Piauí, Maranhão e Tocantins registraram crescimento expressivo da produtividade, enquanto Mato Grosso consolidou uma economia fortemente ligada à produção agropecuária e às atividades que se desenvolvem ao redor do setor.

O impacto econômico vai além das propriedades rurais. O aumento da produção amplia a procura por máquinas, insumos, transporte, armazenagem, crédito e assistência técnica. Depois da colheita, parte dessa movimentação chega ao comércio, aos serviços, à construção civil e às indústrias responsáveis pelo beneficiamento das matérias-primas.

É nesse encadeamento que Bocalom concentra parte de sua proposta para o Acre. O programa apresentado pelo candidato prevê investimentos em infraestrutura rural, mecanização, correção de solo, assistência técnica, crédito, armazenamento e beneficiamento da produção. A estratégia também prevê ampliar a industrialização dentro do estado para manter uma parcela maior da renda e dos empregos gerados pela atividade econômica.

O desempenho recente da economia acreana ampliou o espaço do setor rural nesse debate. Em 2023, o Produto Interno Bruto do Acre cresceu 14,7%, a maior alta entre as unidades da Federação naquele ano. O PIB estadual chegou a R$ 26,3 bilhões. O avanço da agropecuária, especialmente da produção de soja, teve participação importante no resultado, ao lado de atividades do setor de serviços.

A agropecuária também teve peso no desempenho nacional. Em 2023, o setor cresceu 16,3% no Brasil, acima da expansão registrada pelos serviços e pela indústria. Em 2025, voltou a apresentar alta expressiva, de 11,7%, enquanto o PIB brasileiro avançou 2,3%.

Na campanha acreana, Bocalom sustenta que o estado pode ampliar a produção rural sem depender apenas da abertura de novas áreas, com investimentos em tecnologia, recuperação de solos, mecanização e assistência aos produtores. Outra frente apresentada pelo candidato é aumentar o beneficiamento de alimentos e matérias-primas dentro do Acre.

A candidatura de Bocalom ao governo foi oficializada pelo PSDB no início de agosto. O programa “Produzir para Empregar” passou a concentrar as propostas econômicas da campanha, que defende maior participação da produção agropecuária na geração de renda e empregos no estado.

Com informações da Assessoria

Acre fica entre os piores do país e ocupa penúltimo lugar em ranking de educação

O Acre aparece entre os estados com pior desempenho educacional do Brasil e ocupa a 26ª posição entre as 27 unidades da Federação no pilar Educação do Ranking de Competitividade dos Estados 2026. O resultado coloca o estado em penúltimo lugar no país e na 6ª posição entre os sete estados da Região Norte.

A avaliação integra o levantamento elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que compara o desempenho dos estados brasileiros em dez áreas ligadas ao desenvolvimento e à gestão pública. A Educação representa 11,3% da nota final e está entre os pilares de maior peso na classificação.

O desempenho acreano é calculado a partir de sete indicadores: Avaliação da Educação, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb), frequência líquida no ensino fundamental, frequência líquida no ensino médio e atendimento da educação infantil.

A metodologia considera não apenas o acesso de crianças e adolescentes às escolas, mas também a qualidade da aprendizagem e o desenvolvimento de competências ao longo da formação.

No recorte regional, o Tocantins tem o melhor desempenho do Norte e ocupa a 15ª posição nacional. Rondônia aparece em 17º lugar. Amazonas e Pará estão, respectivamente, nas 24ª e 25ª posições. O Acre surge logo depois, em 26º, enquanto o Amapá fecha o ranking na 27ª colocação.

No cenário nacional, São Paulo lidera o pilar Educação, seguido por Santa Catarina e Minas Gerais.

A posição do Acre reforça a distância do estado em relação às unidades da Federação com melhores resultados educacionais e mantém o sistema de ensino acreano na faixa inferior do ranking nacional.

Flávio Bolsonaro promete ligação rodoviária do Acre com o Peru em vídeo divulgado por Márcio Bittar

O senador Márcio Bittar, candidato à reeleição pelo Acre, divulgou um vídeo em que Flávio Bolsonaro assume o compromisso de apoiar uma ligação rodoviária entre o estado e o Peru. Na gravação, Bittar apresenta a obra como estratégica para ampliar a integração internacional e pede que Flávio assuma publicamente o compromisso de executá-la em um eventual governo.

Bittar inicia o vídeo fazendo uma defesa de Jair Bolsonaro e afirma que o ex-presidente precisa do apoio de seus aliados. Em seguida, lembra que Bolsonaro discutiu com autoridades peruanas o aprofundamento das relações entre os dois países e cita a reconstrução da BR-364 e a continuidade da conexão rodoviária entre Cruzeiro do Sul e o território peruano.

“Você pode, em nome do teu pai, em nome de todo o povo acreano, assumir esse compromisso?”, pergunta Bittar.

Flávio Bolsonaro responde que a infraestrutura estaria entre as prioridades de seu governo e afirma que pretende organizar as contas públicas para ampliar os investimentos no Acre.

“Márcio Bittar e povo do Acre. O compromisso está assumido. Infraestrutura vai ser uma prioridade no nosso governo”, declarou.

Na sequência, Flávio relaciona a proposta à criação de uma rota de integração entre o Brasil e mercados asiáticos pelo Oceano Pacífico. Ele afirma que a ligação representa um caminho mais curto para o comércio internacional e diz que a distância restante não pode impedir a execução do projeto.

“É a conexão do Brasil com a Ásia. É o caminho mais curto, mais efetivo. E não são duzentos quilômetros que vão separar a prosperidade no Acre do futuro do nosso Brasil”, afirmou.

Flávio encerra a declaração reforçando o compromisso apresentado por Bittar. “Pode contar com esse compromisso. Essa obra vai sair.”

A ligação terrestre do Acre com o Peru é uma pauta recorrente no debate sobre infraestrutura e integração regional. No vídeo, Bittar associa diretamente a proposta à agenda de desenvolvimento do estado e tenta obter de Flávio Bolsonaro uma garantia política para a continuidade do projeto.

Barões da Pisadinha levam cerca de 25 mil pessoas ao Festival do Açaí em Feijó

Cerca de 25 mil pessoas lotaram o espaço destinado aos shows do Festival do Açaí, em Feijó, na noite de sábado (22), para acompanhar a apresentação de Os Barões da Pisadinha. A dupla foi uma das principais atrações da 27ª edição do evento, que movimenta o município neste fim de semana.

O público começou a se concentrar no local horas antes da apresentação e permaneceu durante o repertório de Rodrigo Barão e Felipe Barão. No palco, os músicos apresentaram canções conhecidas nacionalmente e mantiveram a programação musical até a madrugada.

A presença de milhares de pessoas reforçou o movimento registrado em Feijó durante os dias de festival. Além dos moradores do município, o evento recebe visitantes de outras cidades do Acre, aumentando a circulação de pessoas no comércio, na rede de hospedagem e nos estabelecimentos de alimentação.

A programação do Festival do Açaí reúne shows, atividades culturais e eventos ligados a um dos produtos mais conhecidos de Feijó. O município mantém forte relação econômica e cultural com a produção do fruto, que dá nome à festa realizada anualmente.

A segunda noite também contou com outras atrações e atividades previstas na programação oficial. O festival segue neste domingo (23), quando serão realizadas as últimas apresentações da edição de 2026.

Fonte e foto: ac24horas

Cinco indígenas entram na disputa eleitoral no Acre em 2026

Cinco candidatos registrados para as eleições de 2026 no Acre se declararam indígenas, de um total de 384 candidaturas contabilizadas no estado até esta quarta-feira, 19 de agosto. O número corresponde a 1,3% dos concorrentes registrados e ainda pode mudar durante a análise das candidaturas pela Justiça Eleitoral.

Entre os cinco candidatos indígenas, três informaram também a etnia no cadastro eleitoral. Dois declararam pertencer ao povo Kaxinawá e um ao povo Manchineri. Nos outros dois registros, não há informação sobre pertencimento étnico.

A identificação de cor ou raça e a declaração de etnia são feitas em campos diferentes no sistema eleitoral. Por isso, uma candidatura pode constar como indígena mesmo sem apresentar o nome do povo ao qual o candidato pertence.

A maior parte dos candidatos registrados no Acre em 2026 se declarou parda. São 236 pessoas, ou 61,46% do total. Os brancos aparecem em seguida, com 93 candidaturas, equivalentes a 24,22%.

Outros 45 candidatos se declararam pretos, o que representa 11,72% dos registros. Além dos cinco indígenas, outras cinco candidaturas foram registradas por pessoas que se declararam amarelas, também com participação de 1,3%.

Os dados correspondem aos registros disponíveis até 19 de agosto e podem sofrer mudanças com novas candidaturas, substituições ou decisões da Justiça Eleitoral ao longo do calendário das eleições de 2026.

Prazo para pedir voto em trânsito termina nesta quinta-feira no Acre

Eleitores que pretendem votar temporariamente fora do município onde estão registrados têm até esta quinta-feira, 20 de agosto, para solicitar o voto em trânsito nas eleições de 2026. No Acre, a modalidade estará disponível somente em Rio Branco, único município do estado com mais de 100 mil eleitores aptos. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro.

O voto em trânsito permite ao eleitor escolher temporariamente outro local de votação sem alterar o domicílio eleitoral. Para solicitar a mudança, é necessário estar com a situação regular no cadastro eleitoral. O pedido pode ser feito pela internet, por meio do Autoatendimento Eleitoral, ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

Quem já pediu a transferência temporária também tem até quinta-feira para alterar ou cancelar a solicitação. Depois do encerramento do prazo, o eleitor habilitado não poderá votar na seção eleitoral de origem e deverá comparecer ao local escolhido para exercer o voto.

Os cargos disponíveis dependem de onde o eleitor estiver no dia da votação. Quem possui domicílio eleitoral em outro município acreano e solicitar o voto em trânsito para Rio Branco poderá votar para presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Já os eleitores acreanos que estiverem em outro estado poderão votar apenas para presidente da República. A mesma regra vale para eleitores registrados em outros estados que escolherem Rio Branco como local temporário de votação.

A transferência vale somente para o período eleitoral e não modifica de forma definitiva o domicílio do eleitor. Depois das eleições, a inscrição retorna automaticamente à seção eleitoral de origem.

Jorge Viana lamenta morte de Gilberto Siqueira e relembra parceria no Acre

O ex-governador do Acre Jorge Viana lamentou a morte de Gilberto Siqueira, a quem definiu como um dos principais companheiros de sua trajetória profissional e pública. Em manifestação divulgada nesta terça-feira (11), Viana afirmou ter recebido a notícia durante as atividades de sua candidatura ao Senado e relembrou projetos desenvolvidos ao lado do amigo em Rio Branco e no estado.

Viana disse que Gilberto, conhecido como Gil, teve participação importante em diferentes momentos de sua vida pública. Entre os trabalhos citados está a atuação ligada à Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), além de iniciativas realizadas durante as gestões de Viana.

“O Gil foi uma das pessoas mais importantes que tive na minha vida profissional e pública. Sem ele, eu não teria conseguido realizar, junto com uma boa equipe, tantas coisas que fizemos por Rio Branco e pelo Acre”, declarou.

Gilberto enfrentava problemas de saúde relacionados à diabetes. Jorge Viana contou que esteve com o amigo no hospital há menos de uma semana e acompanhou seu estado de saúde ao lado de Dingo, irmão de Gilberto.

“Fui me despedir, orar por ele e viver aquele momento ao seu lado. Hoje, recebo a notícia da sua partida”, afirmou.

Ao recordar a convivência dos dois, Viana também falou sobre a preocupação de Gilberto com a situação do Acre nos últimos anos. Segundo o ex-governador, o amigo mantinha a esperança de ver o estado voltar a prosperar.

Na despedida, Jorge Viana agradeceu pela amizade, pelo apoio recebido ao longo da vida e pela contribuição de Gilberto ao Acre. “Só tenho uma palavra para dizer a ele: obrigado. Obrigado, Gil, pelo amor que você tinha pelo Acre, por ter me dado todo o apoio ao longo da vida, em tudo o que fiz, e, principalmente, por ter sido meu amigo e meu irmão, um irmão que Deus me deu.”

Viana encerrou a manifestação desejando que o amigo descansasse em paz e voltou a reconhecer a importância de Gilberto em sua trajetória. “Você foi uma das pessoas mais importantes da minha vida profissional e pública. Por isso, faço questão de repetir esse reconhecimento e de agradecer: obrigado por tudo, meu irmão.”

Patrimônio de Ninawa Huni Kui expõe preconceito contra indígenas nas redes

Ninawa Huni Kui declarou R$ 1,59 milhão em patrimônio à Justiça Eleitoral ao entrar na disputa por uma vaga de deputado federal no Acre. O dado é público, relevante e deve ser tratado como o patrimônio de qualquer candidato: pode ser informado, comparado e investigado. O que veio depois, porém, mostrou que para parte do público a questão não era apenas quanto ele possui. Era quem possui.

“Índio rico em”, escreveu um leitor. Outro insinuou que ONGs dentro de aldeias seriam “excelentes fontes de trabalhos”. Houve ainda quem questionasse como alguém com quase R$ 2 milhões poderia defender os povos originários.

A declaração patrimonial inclui terra, casa e veículos. Não há, por si só, nada de extraordinário nisso. O estranhamento nasce quando a palavra “cacique” entra na mesma frase que R$ 1,59 milhão e aciona uma velha expectativa: a de que um indígena autêntico deveria necessariamente ser pobre.

É aí que a discussão deixa de ser apenas eleitoral.

Ninawa pode ser cobrado por suas posições políticas, por sua atuação pública e pela origem de seu patrimônio, caso exista algum fato concreto que justifique apuração. O que não pode funcionar como indício de irregularidade é sua identidade indígena.

Um empresário rico pode defender empresários. Um pecuarista pode possuir milhões em terras e representar produtores rurais. Um parlamentar milionário pode dizer que representa trabalhadores pobres. Mas, diante de um cacique com casa, terra e caminhonete, ainda aparece a pergunta carregada de suspeita: como um indígena conseguiu isso?

Essa pergunta carrega séculos de uma imagem construída de fora para dentro. O indígena é aceito no imaginário nacional como vítima, pobre, isolado ou dependente. Quando ocupa espaços de poder, estuda, administra, empreende, disputa eleições ou acumula patrimônio, parte desse mesmo olhar passa da compaixão à desconfiança.

Também houve reação contrária. Entre os comentários apareceram manifestações de respeito e a frase simples: “indígenas no topo”. O contraste importa porque mostra que a disputa não está apenas em torno de Ninawa, mas da própria ideia de qual lugar um indígena pode ocupar na sociedade brasileira.

Patrimônio de candidato é assunto público. Deve ser fiscalizado. Se houver incompatibilidade, investigue-se. Se houver irregularidade, publique-se.

Mas cocar não é comprovante de pobreza.

Ser indígena não exige certificado de miséria.

Talvez a pergunta mais reveladora dessa história não seja como Ninawa Huni Kui chegou a R$ 1,59 milhão em bens. É por que a possibilidade de um indígena possuir patrimônio ainda incomoda tanta gente.