Produtores rurais interditam BR-364 e cobram recuperação de ramais em Cruzeiro do Sul

Produtores rurais interditaram um trecho da BR-364, em frente à Escola Santa Rita, após a Vila Lagoinha, em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira, 13, em protesto contra o atraso no início das obras de recuperação dos ramais. Os manifestantes afirmam que o Governo do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) não cumpriram o acordo firmado com as comunidades e exigem o início imediato dos serviços.

O bloqueio interrompeu o tráfego na rodovia e reuniu moradores de comunidades rurais que dependem dos ramais para escoar a produção agrícola, transportar estudantes e garantir o acesso a serviços de saúde e ao comércio. Durante a manifestação, cartazes cobravam explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à infraestrutura rural e direcionavam críticas ao chefe da Casa Civil, Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Assis, e ao deputado estadual Zezinho Barbary. Em uma das faixas, os manifestantes perguntam: “Madson, cadê nosso dinheiro dos ramais?”. Em outra, questionam: “Zezinho Barbary, cadê o asfalto do Ramal 2?”.

O protesto ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores rurais em diferentes regiões do Acre pela recuperação das estradas vicinais. Nas últimas semanas, agricultores e lideranças comunitárias intensificaram as cobranças ao governo estadual, alegando que a demora na execução da Operação Verão compromete o transporte da produção, dificulta a mobilidade das famílias e gera prejuízos econômicos. O tema também tem sido debatido na Assembleia Legislativa, onde produtores cobram maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados aos ramais e mais agilidade na execução das obras.

Em março deste ano, o Deracre apresentou a representantes de sindicatos rurais e lideranças de Cruzeiro do Sul o planejamento para recuperação dos ramais da região durante o período de estiagem. Os produtores, no entanto, afirmam que os serviços ainda não começaram nos trechos considerados prioritários, motivo que levou à interdição da BR-364 como forma de pressionar o Estado.

A recuperação dos ramais é considerada essencial para a economia do Vale do Juruá, onde milhares de famílias dependem das estradas vicinais para transportar a produção agrícola, acessar escolas, unidades de saúde e manter o abastecimento das comunidades rurais.

Até o momento, o Governo do Acre e o Deracre não haviam informado quando os serviços reivindicados pelos manifestantes serão iniciados na região.

Acredite estreia com proposta de inspirar o Acre pelas histórias de superação

A jornalista Lana Negreiros estreia na próxima segunda-feira o programa Acredite, na Rádio Integração FM, com a proposta de mostrar que o maior patrimônio do Acre está nas pessoas e em suas histórias de superação. Exibido de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30, o programa vai reunir entrevistas, comportamento, informação, entretenimento e exemplos de quem transformou dificuldades em oportunidades.

Segundo Lana Negreiros, o nome do programa carrega uma mensagem de esperança. Além do verbo acreditar, faz referência ao próprio Acre e convida o público a confiar no seu potencial. “Acredite que você pode sair de onde está, com o que tem, e chegar onde quer”, resumiu a apresentadora ao explicar a essência da atração.
Entre os destaques da programação está o quadro Diferente dos Iguais, dedicado a contar histórias de pessoas que inspiram pela trajetória de vida. O primeiro entrevistado será o comentarista Rogério Wenceslau.

Atlético Mutirão vence Corinthians CZS e conquista Campeonato Cruzeirense Feminino 2026

O Atlético Mutirão conquistou, neste sábado, 11 de julho, o título do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino 2026 ao vencer o Corinthians CZS por 2 a 1, no Estádio O Cruzeirão, em Cruzeiro do Sul. A final encerrou a competição promovida pela Prefeitura, por meio da Diretoria de Esportes e Lazer, com premiação em dinheiro para as quatro melhores equipes e para os destaques individuais.

Com a vitória, o Atlético Mutirão recebeu troféu, medalhas e R$ 7 mil. O Corinthians CZS ficou com o vice-campeonato e ganhou R$ 3,5 mil. Na disputa pelo terceiro lugar, o Flamengo derrotou o Igarapé Preto por 5 a 3 e garantiu a terceira colocação, com prêmio de R$ 1,5 mil. O Igarapé Preto terminou em quarto lugar e recebeu R$ 1 mil.

A competição também premiou atletas que se destacaram ao longo do campeonato. A artilheira, a melhor goleira, a craque da competição e a autora do gol mais bonito receberam R$ 500 cada.

O diretor de Esportes e Lazer, Gilvan Ferreira, afirmou que a edição reforçou o crescimento da modalidade no município. “Encerramos mais uma edição do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino com excelente nível técnico e grande participação das equipes. Parabenizamos todas as atletas pelo desempenho, especialmente o Atlético Mutirão pela conquista do título. A gestão do prefeito Zequinha Lima continuará investindo e incentivando o esporte feminino, valorizando nossas atletas e ampliando as oportunidades para que a modalidade continue crescendo em Cruzeiro do Sul”, disse.

Cruzeiro do Sul reduz casos de dengue e malária com reforço nas ações de saúde

Cruzeiro do Sul registrou queda nos casos de dengue e malária em 2026, no Acre, após reforçar ações de prevenção, monitoramento e assistência à população. Entre a 1ª e a 27ª semana epidemiológica deste ano, os casos prováveis de dengue caíram de 2.367, no mesmo período de 2025, para 179. No caso da malária, os registros passaram de 1.536 para 797 entre 1º de janeiro e 6 de julho, redução de 48%.

A queda nos casos de dengue ocorre em meio ao trabalho de agentes de endemias em visitas domiciliares, eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e orientação aos moradores. A atuação é voltada principalmente para pontos com acúmulo de água, que favorecem a reprodução do mosquito transmissor da doença.

Mesmo com a redução, as equipes de saúde devem intensificar o trabalho durante o período de estiagem. O coordenador da Divisão de Controle de Vetores, Leonísio Messias, afirmou que a atenção será ampliada para reservatórios mantidos nos quintais. “Com menos chuvas, os depósitos nos quintais estão secos, mas nós temos um risco em potencial que são as caixas d’água no nível do solo, que concentram o maior número de larvas”, disse.

A Secretaria Municipal de Saúde orienta que moradores com febre, dores no corpo, dor de cabeça e manchas na pele procurem a unidade de saúde mais próxima. O diagnóstico precoce ajuda no tratamento e reduz o risco de agravamento da doença.

Na malária, a redução de 48% também está ligada à ampliação das ações de vigilância e atendimento. Com o verão amazônico, o acesso aos ramais melhora e permite que as equipes cheguem a comunidades rurais onde a incidência da doença costuma ser maior.

Leonísio Messias afirmou que a melhora das condições de acesso deve ampliar a presença dos agentes nas áreas mais afastadas. “A vigilância vai ser intensificada para que os agentes cheguem até as residências nesses locais, tratando de forma oportuna e garantindo um diagnóstico de qualidade para reduzir ainda mais os casos de malária”, declarou.

Depasa deixa buracos abertos após reparos em ruas de Cruzeiro do Sul

Moradores e motoristas enfrentam transtornos em ruas de Cruzeiro do Sul após serviços do Departamento Estadual de Água e Saneamento para conserto de vazamentos na rede de abastecimento. As intervenções foram feitas em diferentes pontos da cidade, mas o pavimento não foi recuperado, deixando buracos abertos em áreas de tráfego intenso.

Dois casos recentes foram registrados na Rua Siqueira Campos, nas proximidades do Mercado do Agricultor, no Centro, e na Rua 17 de Novembro, em frente à escadaria da Escola São José. Nos dois trechos, a tubulação recebeu reparos, mas o asfalto não foi recomposto após o fechamento das valas.

A situação tem dificultado a passagem de veículos, motocicletas, ciclistas e pedestres. Em alguns pontos, os buracos acumulam água e lama, o que aumenta o risco de acidentes e causa desgaste em carros e motos que passam diariamente pelas vias.

O secretário municipal de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Carlos Alves, afirmou que a recomposição do pavimento cabe ao Depasa. “Eles estão corrigindo as encanações que estão com vazamento e fechando, mas não estão colocando o asfalto. Eles teriam que colocar o barro, compactar e corrigir colocando o asfalto como era antes”, disse.

Carlos Alves afirmou ainda que a prefeitura já manteve uma parceria para esse tipo de serviço, mas que o acordo não está mais em vigor. “Antes a gente tinha essa parceria, agora nós não temos mais. Então o Depasa tem que se responsabilizar, para deixar o serviço do jeito que estava antes. Está ficando cheio de buracos na cidade”, afirmou.

Além dos pontos próximos ao Mercado do Agricultor e à Escola São José, o secretário citou ocorrências ao lado do Terminal de Ônibus. A falta de recuperação do asfalto tem gerado reclamações de moradores, que cobram a conclusão dos serviços e a recuperação das ruas afetadas.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul entrega oito máquinas para reforçar obras urbanas e rurais

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul entregou, nesta quarta-feira (8), oito máquinas pesadas para reforçar a estrutura da Secretaria Municipal de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação. A entrega ocorreu na garagem da prefeitura e recebeu investimento de R$ 3,4 milhões, viabilizado por emenda da bancada federal do Acre, com apoio de senadores e deputados federais.

A nova frota será usada em serviços de recuperação e manutenção de ramais, terraplenagem, abertura de vias e outras ações de infraestrutura nas áreas urbana e rural. Foram entregues três escavadeiras hidráulicas, duas retroescavadeiras, uma motoniveladora, um trator de esteira cabinado e uma carreta agrícola basculante.

O prefeito Zequinha Lima disse que os equipamentos vão melhorar o atendimento às comunidades e apoiar o setor produtivo rural. “Esses equipamentos são fruto do apoio do Governo Federal, por meio da nossa bancada federal, com o empenho dos nossos senadores e deputados federais. Hoje eles passam a servir à nossa população e aos nossos agricultores, para que possamos melhorar cada vez mais o acesso aos ramais e garantir melhores condições de trabalho”, afirmou.

A prefeitura também prepara uma nova equipe para ampliar a capacidade de atendimento diante da demanda de serviços nos ramais do município. A expectativa é acelerar a recuperação da malha viária rural, melhorar a trafegabilidade e facilitar o escoamento da produção agrícola, além de garantir acesso das comunidades a serviços públicos.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana defende união pelo Acre articulação para o desenvolvimento

Jorge Viana atravessou a manhã desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, no estúdio da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, tentando deslocar a conversa da briga eleitoral para uma ideia mais ampla de reconstrução do Acre. Pré-candidato ao Senado, ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador, ex-senador e ex-presidente da ApexBrasil, ele falou de ramais, BR-364, café, juventude, internet, ferrovia, meio ambiente, ponte, setor produtivo e diálogo político, sempre tentando amarrar a própria trajetória à promessa de voltar a ser útil ao estado. “Não é uma caminhada pra derrotar ninguém. É uma caminhada pra ver se o Acre vence”, disse, numa das frases que melhor resumiram a entrevista.

A fala de Jorge foi além da cobrança por ramais e BR-364. Nos ramais, ele cobrou planejamento do governo estadual e parceria com as prefeituras. Na BR-364, porém, o tom foi outro: ele não tratou a estrada apenas como uma cobrança externa, mas como uma frente que afirma ter assumido diretamente, mesmo sem mandato, por meio da relação que mantém com o governo federal e com o ministro responsável pela área. “Eu mesmo sem mandato, como tenho relação com o governo federal, com o ministro, eu liguei e estou tentando ajudar na estrada”, afirmou. A diferença é importante porque separa dois movimentos da entrevista: de um lado, Jorge critica a desorganização dos ramais; de outro, tenta se apresentar como alguém capaz de trazer solução para a rodovia que liga o Juruá ao restante do Acre.

Quando falou da BR-364, Jorge recuperou a memória do período em que o governo estadual assumiu responsabilidades sobre rodovias federais por meio de obras delegadas. Disse que buscou a delegação da BR-364 e da BR-317 ainda no governo Fernando Henrique Cardoso e que, naquela época, acumulou estradas federais, estaduais e ramais. “Botei nas minhas costas”, contou. “Eu tinha os ramais, as estradas estaduais, as federais nas minhas costas. Meu amigo, eu dei conta.” Agora, com a BR-364 sob responsabilidade federal, Jorge disse ter chamado engenheiros, montado um plano e atuado para melhorar o trecho entre Cruzeiro do Sul, Santa Luzia, Rio Liberdade e Rio Gregório. “Nós montamos um plano, o ministro veio aqui, até agosto, setembro, a estrada vai estar regular.”

A cobrança que ele aceitou para si foi pública. Jorge reconheceu que, ao assumir participação na articulação da BR-364, também se coloca sob pressão. “Se não melhorar, eu vou ter que vir aqui me explicar, vou ser cobrado. Vocês cobram, e eu acho que esse é o papel da imprensa mesmo, cobrar todos nós”, disse. Em seguida, traduziu o que considera uma rodovia minimamente aceitável para quem vive no Juruá: “O ônibus não pode ficar fazendo em 18 horas. Ele tem que voltar a fazer em 12 horas daqui pra Rio Branco. Um carro não pode demorar 15 horas, 14 horas, pra fazer e com risco de quebrar na viagem. Tem que voltar a fazer em nove horas, oito horas e meia.”

Nos ramais, a fala foi de cobrança direta. Jorge voltou ao Santa Luzia e contou ter ouvido agricultores preocupados com a produção que não consegue sair da propriedade. “Estão perdendo carregamento de banana”, afirmou. A cena é pequena, mas resume um drama antigo do Acre: quando o ramal fecha, o prejuízo nasce na roça, chega ao mercado e termina no preço pago por quem mora na cidade. “O produtor não botando o produto no mercado, vai ficar mais caro os produtos que tem pro consumidor e afeta todo mundo”, disse. Para Jorge, “trabalhar com ramal é você abraçar o cara que produz e que põe a comida na mesa das pessoas que vivem na cidade”.

A crítica aos ramais passou pelo calendário. Jorge insistiu que a operação precisa nascer no inverno para funcionar no verão. “Você tem um inverno todinho pra planejar a atuação no verão”, disse. Depois, apertou o ponto: “Você tem que planejar quando está chovendo. Nos escritórios não dá pra trabalhar na área rural. Planeja tudo pra, quando chegar em abril, estar com as máquinas arrumadinhas, e em maio tem que estar a todo vapor. Nós já estamos em julho. Já foi.” Ele também afirmou ter ouvido relatos de confusão envolvendo emendas e orçamento, mas evitou transformar o assunto em acusação fechada. “Eu não estou querendo entrar nisso porque eu não estou ocupando cargo público”, disse, antes de completar que “tem que saber o que é que está acontecendo”.

A saída defendida por Jorge passa por convênios bem feitos entre Estado e municípios. Ele não colocou o Deracre sozinho como resposta para toda a malha rural e também não transferiu a conta integralmente para os prefeitos. “Eu aconselho a governadora, aconselho o Deracre: faz o trabalho com as prefeituras”, afirmou. Na visão dele, o Estado deve entrar com coordenação, combustível e apoio, enquanto as prefeituras mobilizam máquinas e equipes que conhecem os pontos críticos. “Se fizer convênios bem feitos, com combustível e mobilizando as máquinas, amigo, dá. Tem ramal que precisa de uma raspagem pra deixar de ficar interditado. Senão, vai vir chuva, e aí, amigo, nem mel nem cabaça.”

A pré-candidatura ao Senado apareceu no meio dessa agenda como consequência da tentativa de Jorge de vender experiência, trânsito político e capacidade de articulação. Ele não negou o PT, mas recusou a ideia de disputar apenas uma guerra partidária. “O PT é meu partido, mas eu estou disputando como Acre”, disse. “Isso não é desrespeito à minha história nem ao partido.” Em outro trecho, foi ainda mais direto: “Eu não posso aqui querer pegar com minha história e botar uma candidatura: olha, isso aqui é pro partido tal derrotar o partido tal. Não, estou fora disso.” O que Jorge tenta construir é uma pré-candidatura com sotaque de serviço público, menos presa à sigla e mais apoiada na comparação entre o que diz ter feito e o que promete destravar.

Essa tentativa de reposicionamento ficou clara quando ele falou da relação com prefeitos e adversários. “Se for eleito senador, com a minha experiência, vou trabalhar pelo Acre, para trabalhar para todo mundo, de tudo que é partido. Não importa. Eu vou ter que trabalhar com todos os prefeitos”, afirmou. O discurso é calculado para um Acre cansado de briga política e acostumado a ver obras travarem quando a disputa eleitoral passa a valer mais que a necessidade da população. “Quem está querendo disputar eleição majoritária tem que sair dessa polarização idiota”, disse. “Na vida pública, o Acre está precisando é de união e trabalho.”

A frase “o Acre nos une” apareceu quando Jorge falou do encontro com o cantor Leonardo durante a Expoacre Juruá. O episódio, que poderia ficar apenas no anedotário da política, virou argumento para defender convivência com pessoas de campos diferentes. “Eu não fecho a porta pra ninguém”, disse. “Em vez de ficar numa guerra ideológica, eu não estou em guerra ideológica. Ninguém vai me pôr numa guerra ideológica só porque alguém votou no Bolsonaro.” Em seguida, costurou a mensagem que deseja levar para a pré-campanha: “Eu tenho lado, mas eu respeito o lado das pessoas. Será que a gente não pode estar junto numa causa que é o Acre?”

Jorge também levou para a entrevista a defesa do setor produtivo, especialmente do café. Falou como político, mas também como produtor. Disse que o café gera emprego, movimenta pequenas propriedades e pode formar uma nova classe média rural em municípios como Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul. “Não tem nenhuma atividade que gere mais emprego do que o café. Eu sou plantador de café. Não tem. Ela gera muito emprego e todo mundo está plantando”, afirmou. A proposta apresentada por ele foi transformar o peso do ICMS em instrumento de financiamento. “Pega os sete por cento e diz: você não me paga, vai pra um fundo. Vai ajudar as cooperativas a funcionar, os sete por cento que deveriam ir pro governo pra financiar os pequenos, pro pequeno poder ter irrigação.”

A fala sobre café abriu caminho para uma agenda mais ampla de produção. Jorge contou ter visitado serraria, cerâmica e cooperativas em Cruzeiro do Sul e Nova Cintra, citou a bioeconomia, o uso da argila e a força de empresas locais. “Eu quero trabalhar muito nesse mandato com o setor produtivo”, afirmou. Para ele, os gargalos estão claros: ramal, passivo ambiental e crédito. “Hoje o maior problema dos produtores rurais do Acre é ramal. O segundo é resolver o passivo ambiental, ou até o primeiro. E o outro é a gente ter linha de crédito.” Nesse ponto, a entrevista deixou de ser apenas sobre estrada e entrou no coração da economia acreana: produzir mais, transportar melhor e vender com menos isolamento.

O meio ambiente apareceu como parte dessa mesma equação. Jorge reagiu às críticas que tentam transformar a pauta ambiental em inimiga automática do desenvolvimento e lembrou sua atuação como relator do Código Florestal. “Fui eu que fui o relator e aprovei o Código Florestal. Tirei a polícia de dentro das propriedades”, afirmou. Depois, disse que a lei não foi implementada como deveria e que muitos produtores continuam com problemas de embargo e passivo ambiental. “Eu quero ser o ajudador de resolver problema do povo do Acre, dos agricultores”, disse. Mas impôs uma condição: “Se não for uma pessoa que respeita o meio ambiente, que respeita o direito dos índios, que respeita o uso da terra, nós estamos vendo crise climática, amigo.”

A ligação com o Peru e a ferrovia também entraram no debate. Jorge defendeu a ferrovia como projeto estratégico para a Amazônia, mas rejeitou a ideia de que uma obra desse tamanho avance sem projeto, viabilidade, respeito a povos indígenas e acordo com o país vizinho. “Óbvio que uma ferrovia eu defendo e vou defender sempre, porque a Amazônia deveria ter trabalhado ferrovia desde o começo”, disse. Em seguida, puxou a conversa para o terreno concreto: “Quem vai viabilizar por onde a ferrovia passa é o governo peruano, porque ela tem que sair no lugar e ser feita dentro de outro país. Não é Jorge Viana, não é senador A, nem B, nem C.” Questionado sobre o traçado ideal, respondeu: “Se eu pudesse ter uma ferrovia que vem ao longo da BR-364 até Cruzeiro do Sul, nota dez.”

Ao falar da ponte de Rodrigues Alves, Jorge negou que Marina Silva tenha relação com a paralisação da obra e chamou a acusação de mentira. Disse que o projeto está em elaboração e defendeu uma solução provisória para reduzir o isolamento enquanto a ponte não sai. O tema serviu para reforçar uma linha recorrente da entrevista: obra pública, no Acre, não pode ser apenas promessa de campanha; precisa de projeto, licitação, recurso, execução e manutenção. Foi essa lógica que ele usou também ao falar da BR-364, dos ramais, da ferrovia e da produção.

A parte mais humana da conversa veio quando Jorge contou ter encontrado no aeroporto uma mãe com a filha prestes a deixar o Acre rumo a Santa Catarina, depois de outros dois filhos já terem ido embora. “Cara, dividir uma família”, disse. “E o que eles estão fazendo lá? Jovens tentando a melhor sorte em outro lugar.” A história abriu a defesa de internet de qualidade, fibra óptica e trabalho remoto como política de permanência da juventude. “Por que a gente não abre porta pro jovem aqui? Por que a gente não põe fibra óptica aqui? Põe internet de qualidade”, afirmou. Depois, resumiu a ambição: “O Acre pode ter a melhor internet da Amazônia. Eu só queria isso. E aí isso vai vir em serviço, emprego, principalmente pra juventude.”

A entrevista terminou com Jorge tentando ocupar um espaço político que mistura memória, prestação de contas e promessa de futuro. Ele citou o Hospital do Juruá, aeroportos, pontes, eletrificação rural, estradas e a experiência na ApexBrasil para dizer que sabe operar dentro e fora de Brasília. “Nesse trabalho meu da Apex, eu consegui criar uma relação fora do Brasil e dentro de Brasília com todo setor produtivo, e eu quero botar tudo isso a favor do Acre”, afirmou. A mensagem central não foi apenas a de quem cobra ramais ou fala da BR-364. Foi a de quem tenta convencer o eleitor de que pode articular estrada, produção, crédito, meio ambiente, internet, juventude e diálogo político numa mesma agenda. “Eu queria essa candidatura pelo futuro do Acre”, disse. Na fase correta do calendário, é pré-candidatura; no discurso, Jorge já trabalha para transformar essa condição numa ideia de retorno ao centro das decisões do estado.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul amplia obras de verão em bairros e ramais

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul intensificou, nesta terça-feira (7), os serviços de infraestrutura em diferentes regiões da cidade, com equipes da Secretaria Municipal de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação atuando em recuperação de vias, operação tapa-buraco, melhorias em ramais, roçagem, retirada de entulhos e preparação de novas frentes de trabalho.

As ações fazem parte do cronograma de obras de verão, período em que o município amplia os serviços por causa das melhores condições climáticas. Na segunda-feira (6), equipes abriram mais de dois quilômetros de um novo trecho na comunidade Praia Grande, por dentro da mata, para criar um desvio em substituição a uma parte da estrada danificada pelas chuvas.

No Polo Naval, a prefeitura executou melhorias na rampa de acesso usada pela população. No Badejo de Cima, foi feita a recuperação de um ramal para melhorar o tráfego de moradores. A operação tapa-buraco também avançou em vários pontos da cidade, com uso de mais de 20 toneladas de massa asfáltica.

No bairro Saboeiro, uma via que havia cedido recebeu cerca de 30 toneladas de asfalto. O problema dificultava o acesso de moradores. Em paralelo, equipes trabalharam em serviços de limpeza urbana, com roçagem e retirada de entulhos em bairros da cidade.

Nesta terça-feira, uma das principais frentes de trabalho ocorreu no bairro Miritizal, com recuperação da pavimentação e operação tapa-buraco. Os serviços também começaram no bairro Santa Terezinha e devem seguir para a região do Remanso.

O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, afirmou que o verão permite acelerar o cronograma e ampliar as frentes de serviço. “Na segunda-feira tivemos várias equipes trabalhando ao mesmo tempo. Fizemos a abertura de um novo trecho na Praia Grande, melhorias no Polo Naval, recuperação de ramal no Badejo de Cima, operação tapa-buraco com mais de 20 toneladas de asfalto e recuperamos uma via no Saboeiro utilizando cerca de 30 toneladas. Além disso, seguimos com roçagem e retirada de entulhos. O verão permite intensificar os trabalhos e nossa tendência é ampliar ainda mais as frentes de serviço”, disse.

A prefeitura também conclui a instalação do canteiro de obras para iniciar a revitalização da Avenida Copacabana. “Estamos finalizando o canteiro de obras para iniciar os serviços na Copacabana, uma obra muito esperada pelos moradores da região e por toda a população de Cruzeiro do Sul. Será mais um investimento em mobilidade e infraestrutura realizado pela gestão do prefeito Zequinha Lima”, afirmou Carlos Alves.

Prefeitura define semifinais do 50tão e final do futebol feminino em Cruzeiro do Sul

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul realiza nesta semana, no estádio O Cruzeirão, as semifinais do Campeonato de Futebol Master do 50tão e a final do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino. As competições são organizadas pela Diretoria Municipal de Esportes e Lazer e terão, juntas, R$ 25 mil em premiação.

As semifinais do Master do 50tão serão disputadas nesta quarta-feira, 8 de julho, a partir das 18h30. O primeiro jogo será entre Futebol e Lazer Master e Atlético Rio Môa. Na sequência, União Futebol Club e Atlético Mineiro Esporte Clube entram em campo pela outra vaga na decisão.

A final do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino será realizada na sexta-feira, 10 de julho, também no estádio O Cruzeirão. A rodada começa às 18h30, com a disputa de terceiro lugar entre Igarapé Preto e Flamengo. Depois, Corinthians de CZS e Atlético Mutirão decidem o título da competição.

A premiação será dividida entre os dois campeonatos. O futebol feminino terá R$ 15 mil em prêmios, enquanto o Campeonato Master do 50tão receberá R$ 10 mil. As fases finais fecham duas competições voltadas ao incentivo do esporte local, com participação de equipes femininas e de atletas acima de 50 anos.

O diretor municipal de Esportes e Lazer, Gilvan Ferreira, afirmou que a gestão deve manter o calendário esportivo com novas competições. “Estamos finalizando mais dois campeonatos prometidos pelo prefeito Zequinha Lima, que são o campeonato feminino e o dos 50tão, voltados para ex-atletas acima de 50 anos. Essas duas competições terão premiação de R$ 25 mil. E teremos mais competições como o Copão do Vale do Juruá e seguimos com o Campeonato Cruzeirense de futebol Masculino da 1ª e 2ª divisão”, disse.

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.