O ex-secretário de Estado de Saúde e candidato a deputado federal Pedro Pascoal participou, nesta quarta-feira (2), do Jornal da Manhã, da Integração 99,9 FM, em Cruzeiro do Sul. Durante a entrevista, ele fez um balanço do período em que comandou a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), criticou decisões tomadas após sua saída da pasta e apresentou a regionalização dos serviços como uma das principais pautas de sua candidatura.
Pascoal afirmou que a Saúde continua sendo um dos principais problemas enfrentados pela população acreana e disse que, durante os três anos e três meses em que esteve à frente da secretaria, a gestão buscou ampliar os serviços no interior para reduzir a dependência de Rio Branco.
Um dos principais pontos da entrevista foi a situação financeira atual da Saúde. Segundo Pascoal, apesar das medidas de contenção anunciadas pelo governo, houve crescimento dos gastos com pessoal. Ele afirmou que a folha, que durante sua gestão ficava entre R$ 55 milhões e R$ 60 milhões por mês, chegou a R$ 80 milhões em julho.
“Se a gente entrar no Portal da Transparência e avaliar o valor da folha de pagamento, nós tivemos um aumento de 31% na folha de pagamento da Saúde. […] A folha agora de julho fechou no valor de R$ 80 milhões. Isso não é contenção de gasto”, afirmou.
O ex-secretário também disse que o número de cargos comissionados teria aumentado de 364 para 480. Para Pascoal, a ampliação das despesas de pessoal reduz a capacidade do Estado de manter outros serviços, como cirurgias eletivas e investimentos em equipamentos. Ele também questionou a utilização de plantões e gratificações durante o período eleitoral.
Ao ser questionado sobre os problemas registrados atualmente na rede estadual, Pascoal afirmou que deixou a secretaria com pagamentos regulares e projetos encaminhados. Ele reconheceu que havia problemas que não foram resolvidos durante sua administração, mas disse que parte das dificuldades está relacionada às limitações orçamentárias e às regras estabelecidas para a administração pública.
Saída da Sesacre
Durante a entrevista, Pascoal também falou sobre os motivos que levaram à sua saída do comando da Saúde. Segundo ele, houve divergências durante a transição entre o governo de Gladson Cameli e a atual administração.
O ex-secretário afirmou que a regionalização deixou de ser tratada como prioridade e disse que discordou de decisões adotadas pela nova gestão.
“Por discordar de muitas das condutas da atual gestão, eu optei por deixar o cargo”, declarou.
Pascoal também confirmou que enfrentou cobranças para adotar uma postura mais política dentro da secretaria. “Na Saúde não tem espaço para ser político”, afirmou ao defender que as decisões da pasta sejam tomadas principalmente com base em critérios técnicos.
Entre as divergências citadas está a proposta de ampliar para outras regiões o modelo de gestão utilizado no Hospital Regional do Juruá. Pascoal afirmou que pretendia aplicar modelo semelhante no Hospital do Alto Acre, em Brasiléia, mas que a iniciativa não avançou.
Segundo ele, a decisão teria ocorrido para evitar conflitos com sindicatos. O ex-secretário afirmou que havia possibilidade jurídica para a realização de chamamento público e atribuiu a interrupção do projeto a uma decisão política da atual gestão.
Cirurgias e serviços no interior
Ao apresentar resultados de sua passagem pela secretaria, Pedro Pascoal afirmou que mais de 45 mil cirurgias foram realizadas durante sua gestão, além de mais de 65 mil atendimentos direcionados a pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Ele também citou a implantação do PET Scan em Rio Branco, o serviço de hemodinâmica e cateterismo em Cruzeiro do Sul, a ampliação do tratamento de pacientes com câncer no Juruá e a reabertura de centros cirúrgicos em municípios do interior.
Pascoal apontou o Hospital Regional do Juruá como exemplo do modelo que pretende defender para outras regiões do Estado.
“Eu uso o Hospital Regional do Juruá como exemplo da regionalização, que é possível ter especialista, equipamento de alta complexidade, justamente para economizar dinheiro público e dar humanização para o paciente”, disse.
O candidato também se posicionou favoravelmente à contratação de serviços especializados por meio do terceiro setor quando concursos públicos, processos seletivos e outras formas de contratação direta não forem suficientes.
“Já passou da hora”, respondeu ao ser questionado sobre a terceirização de determinados serviços da Saúde. Pascoal citou novamente o Hospital Regional do Juruá e serviços terceirizados de cateterismo e ortopedia como exemplos.
Hospital Santa Juliana
Outro tema abordado foi a dívida do Estado com o Hospital Santa Juliana. Pascoal afirmou que, durante sua gestão, os repasses eram realizados regularmente e que a unidade custa, em média, entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões por mês ao Estado, dependendo da quantidade de procedimentos realizados.
Segundo ele, foram feitos pagamentos em janeiro, fevereiro, março e abril, mas os valores repassados teriam diminuído nos meses seguintes.
“A partir do momento que você deixa de fazer os repasses de forma regular, o custo aumenta”, declarou.
Pascoal argumentou que uma interrupção de um mês nos pagamentos de fornecedores da Saúde já pode gerar dezenas de milhões de reais em dívidas, devido ao volume mensal de despesas da pasta. “Saúde não dá para brincar. Saúde não espera”, afirmou.
Regionalização como proposta
Como candidato a deputado federal, Pascoal afirmou que pretende levar ao Congresso propostas voltadas à ampliação do financiamento da Saúde no interior.
Ele citou especialmente municípios de difícil acesso, como Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa do Purus, onde a remoção de pacientes muitas vezes depende de embarcações ou aeronaves.
Segundo Pascoal, um dos problemas é que unidades mistas existentes nos municípios não são reconhecidas pelo Ministério da Saúde da mesma forma que hospitais, o que limita o financiamento federal para determinados atendimentos.
O candidato defendeu mudanças que permitam ampliar o reconhecimento e o financiamento dessas estruturas, além da realização de procedimentos de menor complexidade nos próprios municípios.
No encerramento da entrevista, Pascoal também afirmou que alguns apoiadores estariam evitando manifestar publicamente apoio à sua candidatura por medo de consequências profissionais.
Segundo ele, pessoas ligadas à área da Saúde relatam receio até mesmo de interagir com suas publicações nas redes sociais.
“Tem gente, tem olheiro em tudo quanto é canto e colocaram meu emprego em cheque”, relatou ao reproduzir o que diz ouvir de apoiadores. Pascoal classificou o ambiente como de pressão política.
Pedro Pascoal encerrou a participação afirmando que pretende utilizar a experiência na gestão da Saúde para propor mudanças na legislação e ampliar o acesso aos serviços no Acre. Ele disputa uma vaga de deputado federal pelo PSDB, com o número 4500.