Autoridades cobram investigação e prestam solidariedade a Chico Melo após ataque em Cruzeiro do Sul

Autoridades, lideranças políticas e entidades de classe prestaram solidariedade ao jornalista Chico Melo e cobraram uma investigação rápida sobre a invasão de sua residência e as agressões sofridas durante a madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, em Cruzeiro do Sul. As manifestações trataram o episódio como uma ameaça à liberdade de imprensa e defenderam a identificação dos autores e de possíveis mandantes. O caso está sob investigação da Polícia Civil.

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, suspendeu parte da agenda para prestar solidariedade pessoalmente ao jornalista. Ele afirmou conhecer Chico desde a infância e disse confiar no caráter e na seriedade do profissional.

“Eu suspendi minha agenda para vir aqui e dar um abraço no Chico. Conheço o Chico desde a infância e sei do caráter e da seriedade que ele sempre teve em sua vida”, declarou.

Zequinha afirmou que o ataque não deve ser tratado apenas como uma violência individual. Para o prefeito, a agressão alcança todos os profissionais que trabalham com informação no Acre.

“O Chico teve a liberdade de expressão ameaçada. Quando eu falo do Chico, falo de todos os jornalistas acreanos. A partir do momento em que um jornalista sofre violência por noticiar informações, todos estão ameaçados”, disse.

O prefeito cobrou uma resposta das instituições estaduais e afirmou que divergências políticas ou editoriais não podem transformar jornalistas em inimigos. “Quero cobrar do Estado uma resposta para esse episódio e para essa afronta à democracia. As instituições não podem se calar diante de um caso tão grave.”

Zequinha também pediu uma reação da sociedade. “Hoje aconteceu com o Chico, mas amanhã poderá acontecer com outras pessoas. A sociedade e as instituições precisam levantar a voz.”

O ex-governador e ex-senador Jorge Viana defendeu proteção para Chico Melo, sua residência e o exercício da atividade jornalística. Ele afirmou que profissionais da imprensa precisam ter liberdade para investigar e publicar informações sobre corrupção, irregularidades e outros temas de interesse público.

“Jornalista tem que ter total liberdade para denunciar e falar de todos os temas. O Chico Melo é uma pessoa que trabalhou comigo e nunca agiu fora dos princípios que devem orientar um servidor e um colaborador”, afirmou.

Jorge Viana questionou o que aconteceria caso jornalistas fossem impedidos de publicar denúncias. “Se os jornalistas não puderem denunciar corrupção e irregularidades, terão que ficar todos calados? Isso é gravíssimo.”

Ele também defendeu medidas concretas de segurança. “O Chico precisa de proteção para a sua casa, para a sua integridade e para o exercício do seu trabalho. Ele não está apenas se sentindo ameaçado: sofreu uma agressão.”

Para Jorge Viana, pessoas ou instituições que se sintam prejudicadas por uma reportagem devem recorrer ao Poder Judiciário. “Quem se sentir atingido por uma notícia deve procurar a Justiça. Agredir, ameaçar e praticar um atentado exige uma ação firme das autoridades.”

O senador Alan Rick afirmou que o ataque precisa ser apurado e que os responsáveis devem receber punição prevista em lei. Ele classificou como inadmissíveis ameaças, invasões e agressões contra Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau.

“Isso precisa ser apurado e os culpados devem ser punidos com todo o rigor da lei. É inadmissível agir contra o Chico e o Rogério com ameaças, invasões e agressões”, declarou.

Alan Rick afirmou que divergências fazem parte da democracia, mas não podem resultar em violência. “As divergências e os pontos de vista diferentes fazem parte da democracia, mas partir para a agressão, como esses covardes fizeram, é uma barbárie.”

O senador pediu que Chico continue trabalhando. “Chico, não abaixe a cabeça. Siga em frente. Ninguém pode intimidar jornalistas que estão cumprindo o seu papel e mostrando aquilo que a sociedade espera deles.”

Alan Rick também colocou seu mandato à disposição para colaborar com providências relacionadas ao caso. “Conte com o meu total apoio e solidariedade. No que estiver ao meu alcance, estaremos contribuindo.” Ele ocupa uma das cadeiras do Acre no Senado Federal.

O senador Sérgio Petecão defendeu a participação das forças estaduais de segurança e, caso seja necessário, da Polícia Federal. “Isso é um absurdo e ultrapassa todos os limites. Precisamos envolver as polícias Civil, Militar e, se for necessário, a Polícia Federal.”

Petecão afirmou que a invasão de uma residência e a exposição da família da vítima criam um precedente perigoso. “As divergências políticas, ideológicas e partidárias não podem chegar à invasão da casa de uma pessoa e à colocação de sua família em risco.”

O senador disse que poderá ajudar no encaminhamento das denúncias. “Quero prestar minha solidariedade e me colocar à disposição para ajudar na apresentação das denúncias às autoridades.”

Ele encerrou a manifestação cobrando responsabilização. “Esse caso não pode ficar impune. Não podemos nos calar diante desses fatos.” Sérgio Petecão exerce mandato no Senado pelo Acre até 2027.

O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o ataque atingiu o direito da sociedade acreana à informação. Ele também reconheceu o trabalho realizado pela equipe da Rádio Integração no Vale do Juruá.

“Vocês estão cumprindo o papel extraordinário de levar à população do Acre, especialmente ao Vale do Juruá, informações às quais antes não se tinha acesso”, afirmou.

Edvaldo declarou que a agressão não pode ser analisada somente como um crime contra Chico Melo. “O direito à informação é um dos princípios e pilares da democracia. Na madrugada desta quarta-feira, a democracia foi atingida.”

“O atentado não foi apenas contra a vida do Chico Melo. Foi contra o Estado Democrático de Direito”, acrescentou.

O parlamentar anunciou que pretende levar o caso à Assembleia Legislativa do Acre. “Apresentarei uma denúncia e pedirei que a Assembleia Legislativa vote uma moção de repúdio e solidariedade à equipe da Rádio Integração, cobrando a apuração imediata dos fatos.”

O jornalista Itaan Arruda também prestou solidariedade a Chico Melo, Rogério Wenceslau e aos demais profissionais do Jornal da Manhã. Ele afirmou que o episódio não pode ser normalizado e precisa ser investigado até que a motivação e a autoria sejam esclarecidas.

“Nós não podemos nos calar nem normalizar uma situação como essa. Eu me solidarizo com Chico Melo, com Rogério Wenceslau e com toda a equipe do Jornal da Manhã”, declarou.

Itaan defendeu uma resposta das instituições de segurança e afirmou que o Governo do Estado deveria ter interesse direto no esclarecimento do crime. “É preciso saber quem teria interesse em sufocar e calar a voz de jornalistas que estão trabalhando.”

“O que aconteceu com Chico Melo é gravíssimo. Antes da agressão física, a imprensa já vinha sofrendo uma agressão institucional”, afirmou.

O jornalista também alertou para o risco de novos casos. “Hoje foi a equipe do Jornal da Manhã. Amanhã poderá ser qualquer outro jornalista. As autoridades precisam dar uma resposta forte e verdadeira.”

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom afirmou que recebeu com tristeza a notícia do ataque e defendeu o diálogo como caminho para resolver divergências.

“Esse não é o Acre com que sonhamos. Queremos um Acre de paz e sem violência, principalmente contra quem tem o dever de informar”, disse.

Bocalom prestou solidariedade em nome de amigos de Rio Branco e pediu que Chico continue exercendo seu trabalho. “Não abaixe a cabeça e não se intimide. Vamos continuar lutando para que o Acre se liberte desse tipo de comportamento.”

O Partido dos Trabalhadores do Acre também publicou uma nota de solidariedade ao jornalista, aos familiares e aos profissionais do Grupo Integração. O documento foi assinado pelo presidente estadual da legenda, André Kamai.

O partido afirmou que todas as possíveis motivações devem ser investigadas, inclusive uma eventual ligação com a atividade jornalística. O PT cobrou uma apuração “rápida, rigorosa e independente”, além da adoção de medidas de segurança para Chico Melo, seus familiares e os demais integrantes da emissora.

“Nenhuma divergência política ou editorial pode justificar ameaças, agressões ou perseguições. A imprensa deve exercer seu trabalho com liberdade e segurança”, afirmou o diretório estadual. André Kamai ocupa a presidência do PT no Acre.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas também repudiaram o ataque. As entidades cobraram da Polícia Civil uma investigação célere, transparente e independente para esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias do crime.

A Fenaj informou que levará o caso ao Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

“Informar não é crime. Questionar não é crime. Fazer jornalismo não é crime”, afirmaram o presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro de Souza, e a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

As manifestações convergem na cobrança por uma investigação sem interferências, na proteção de Chico Melo e na defesa do direito dos jornalistas de trabalhar sem ameaças. Até o esclarecimento da autoria e da motivação, as declarações políticas sobre uma possível relação entre o ataque e a atividade profissional permanecem como hipóteses que dependem da apuração policial.

Chico Melo e Rogério Wenceslau denunciam ameaça de prisão arbitrária 

Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo denunciaram, durante o Jornal da Manhã desta sexta-feira, 17 de julho, terem sido ameaçados de prisão por uma pessoa ligada ao alto escalão do Governo do Acre. A acusação foi feita ao vivo, nos estúdios da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, depois de semanas de confronto público entre os comunicadores e integrantes do grupo político da governadora Mailza Cameli. Os dois afirmaram que a tentativa de intimidação estaria relacionada às reportagens e aos comentários sobre gastos públicos, relações políticas e contratos do governo estadual.

Rogério Wenceslau foi o primeiro a tratar diretamente da ameaça. Analista político e integrante da bancada conduzida por Chico Melo, ele afirmou que uma pessoa do alto escalão teria dito, durante uma reunião fechada, que mandaria prender os profissionais do Jornal da Manhã. Wenceslau também acusou o interlocutor, sem revelar o nome, de afirmar que teria controle sobre a Polícia Civil e de manter delegado atuando como segurança particular. 

Diante do microfone, Rogério transformou o estúdio em endereço público. Disse que trabalha na Rádio Integração de segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, e que qualquer autoridade interessada em encontrá-lo saberia onde procurar. “Esse é o meu endereço. Não vou dar o endereço da minha casa, porque não interessa, mas aqui é o nosso local de trabalho”, afirmou. A frase colocou a denúncia no terreno concreto de quem não teme a intimidação e não se esconde.

Chico Melo assumiu a palavra em seguida. Apresentador do Jornal da Manhã e diretor do Grupo Integração, ele respondeu em nome da emissora e elevou o tom contra qualquer tentativa de intimidação e o uso de instituições públicas para resolver disputas políticas ou pessoais. “Antes de mandar prender, cuidado para não ser preso. O que vale para sorrir vale para chorar”, declarou. Chico afirmou que a Polícia Civil pertence ao Estado e não pode ser tratada como propriedade particular de autoridades ou grupos políticos.

A direção do Grupo Integração começou a reunir mensagens, relatos e outros materiais para encaminhar uma denúncia às autoridades. Chico contou que recebeu recados pelo telefone e pelas redes sociais e que Rogério Wenceslau também teria sido procurado. O objetivo, afirmou, é tornar públicas as pressões que estariam sendo feitas contra os jornalistas e impedir que o caso permaneça restrito aos bastidores do poder.

A tensão cresceu depois que uma publicação de 24 de junho informou que advogados do Estado, com orientação do chefe do gabinete Madson Cameli e da governadora Mailza Cameli, preparavam uma ação judicial contra Chico Melo e Rogério Wenceslau. No encerramento do programa desta sexta-feira, Chico e Rogério voltaram a cobrar as provas da suposta tentativa de extorsão. Os dois lembraram que haviam estabelecido um prazo público de 15 dias para que fossem apresentados registros, mensagens, gravações ou qualquer elemento capaz de sustentar a acusação. “Se divulgar dados e fatos foi isso, eu não sei mais o que é jornalismo”, declarou Chico. A negativa dos jornalistas foi direta: eles afirmaram que não pediram dinheiro para interromper a cobertura e que as publicações fazem parte do trabalho de fiscalização da imprensa.

No centro da disputa também estão os gastos da Expoacre Juruá 2026. O Integração Net publicou uma apuração sobre o Termo de Colaboração CC/SECC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O plano destinou R$ 15,8 milhões à organização da feira, incluindo contratação de artistas, transporte aéreo, montagem de estruturas, segurança, divulgação, alimentação e despesas administrativas.

A Associação Transformar declarou no plano de trabalho possuir duas salas, um banheiro, dois computadores e um telefone celular. A equipe permanente era formada por presidente, secretária e tesoureiro. Essa estrutura reduzida passou a ser usada pelos jornalistas como ponto de cobrança sobre a capacidade da entidade para administrar um orçamento milionário. Eles também levantaram suspeitas sobre a proximidade política da associação com integrantes do grupo de Mailza Cameli. 

O confronto deixou de ser apenas entre governo e imprensa, agora ganha contornos de ameaças graves de prisão e de uso político da estrutura do Estado contra jornalistas.