Salatiel diz que Festival da Banana vai movimentar Rodrigues Alves e fortalecer produtores

O prefeito de Rodrigues Alves, Salatiel Magalhães, apresentou nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026, no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, a programação da 10ª edição do Festival da Banana e dos 34 anos do município. A agenda começa em julho, terá trilha feminina, show gospel com Samuel Mariano, casamento coletivo pelo Projeto Cidadão, rodeio, feira de produtos derivados da banana e encerramento em 2 de agosto com show de Léo Magalhães. “Pra nós é uma satisfação, alegria de nós estarmos aqui para trazer boas notícias para a nossa querida população de Rodrigues Alves, falar dos festejos que vão se anteceder aí no próximo mês de julho, em comemoração tanto ao aniversário da cidade como também ao Festival da Banana, onde nós vamos estar realizando a décima edição”, disse o prefeito.

Salatiel começou a entrevista falando da situação financeira da prefeitura. O prefeito disse que a arrecadação própria de Rodrigues Alves é baixa e que a gestão depende de repasses federais, emendas parlamentares e convênios para manter serviços e investimentos. “Rodrigues Alves, a sua arrecadação própria não dá pra mim pagar a metade da folha dos nossos garis que cuidam da limpeza da cidade. Então, por aí, você já vê o enfrentamento e a dificuldade que um gestor passa”, afirmou.

A queda populacional registrada no último censo também entrou na conversa. Salatiel disse que o município tinha estimativa de mais de 18 mil habitantes e caiu para pouco mais de 14 mil moradores na contagem oficial, o que reduziu o repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Para o prefeito, essa perda afeta diretamente áreas como educação, saúde, assistência social, meio ambiente, manutenção de ramais e realização de eventos públicos. Mesmo com esse cenário, ele defendeu a festa como parte da identidade do município. “A gente vai estar fazendo os festejos da cidade porque já é algo cultural. E você sabe, muitas vezes, a maioria da população, se você não faz, reclama; e se você faz, reclama do mesmo jeito. Mas a gente vai estar lá, se Deus quiser, trabalhando com muito cuidado para que nós possamos fazer um grande evento”, declarou.

O principal ponto da entrevista foi a produção de banana. Salatiel citou comunidades como Praia da Amizade, Três de Maio, Profeta, Agrovila do Moju, Pucalpa e Foz do Paraná como áreas importantes para a economia rural de Rodrigues Alves. “Hoje, se nós pegarmos aqui da Praia da Amizade até a Foz do Paraná, você vai ver o quantitativo de produtores que nós temos hoje que produzem banana”, disse. O prefeito também falou sobre os prejuízos causados pelas cheias em áreas próximas ao Rio Juruá. “Às vezes a banana passa muito tempo ali dentro d’água e acaba afetando a sua produção”, afirmou.

Salatiel disse que Rodrigues Alves produz mais banana do que consome e que a fábrica de derivados ajuda a ampliar o uso da produção local. “Hoje nós temos uma fábrica que fabrica os derivados da banana. Todos esses derivados da banana são feitos lá nessa fábrica. Hoje o doce da banana, banana chips, bombom da banana, é tudo feito lá dentro dessa fábrica, que hoje é gerida pela cooperativa Cooperfã”, afirmou. O festival vai reunir produtos como doce de banana, chips, bombom, tapioca e pastel de banana.

A programação começa no dia 4 de julho, com uma trilha feminina. “Dia quatro com uma trilha feminina. Então aí nós já convidamos todas as mulheres do Vale do Juruá, especificamente de Rodrigues Alves”, disse Salatiel. O prefeito afirmou que a atividade terá apoio mecânico e equipe de saúde durante o percurso. “Se acontecer de alguém passar mal, se machucar, vai ter todo o suporte lá”, completou.

A abertura oficial do Festival da Banana será no dia 29 de julho, com show gospel de Samuel Mariano. “Nós vamos estar também abrindo com o show gospel com o cantor e pastor Samuel Mariano. É a sua segunda vinda no estado do Acre. A primeira vinda dele foi na cidade de Epitaciolândia e agora ele vai estar vindo abrir a décima edição do Festival da Banana”, disse o prefeito.

No dia 30 de julho, a prefeitura vai realizar casamento coletivo em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre, por meio do Projeto Cidadão. “Você que quer casar, dia trinta de julho nós vamos estar realizando este casamento lá no estádio de futebol, no pôr do sol. A gente vai fazer uma coisa bem romântica”, afirmou Salatiel.

A entrevista também passou pela articulação política da prefeitura. Salatiel citou o senador Sérgio Petecão e os deputados federais Zezinho Barbary, Antônia Lúcia e Roberto Duarte entre os parlamentares que destinaram recursos para Rodrigues Alves. Sobre Zezinho Barbary, o prefeito disse que o volume de investimentos já passa de R$ 25 milhões. “Hoje nós temos, dos oito deputados federais, o deputado Zezinho Barbary, que o seu montante hoje já ultrapassa os vinte e cinco milhões de investimento dentro do município”, afirmou.

Ao falar da deputada federal Antônia Lúcia, Salatiel disse que o recurso destinado por ela garante a realização da festa. “A festa da cidade vai acontecer através dela. Se não fosse ela, nós não iríamos fazer”, afirmou. O prefeito explicou que o dinheiro veio para ações culturais e não pode ser usado em outras áreas. “Se eu não realizar os eventos culturais, eu vou ter que devolver esse recurso para a União. Eu não posso tirar ele de lá e botar na educação, na saúde, em infraestrutura”, declarou.

No fim da entrevista, Salatiel falou do pastel de banana como novidade da edição deste ano. “Esse ano nós temos também o pastelzinho de banana. É uma novidade”, disse. O produto foi preparado pela panificadora Davi e apresentado no lançamento da programação. “Quem teve lá degustou desse pastelzinho muito delicioso. Para mim foi excepcional. Eu tenho certeza que vai ser novidade”, afirmou.

O Festival da Banana chega à 10ª edição com a promessa de movimentar produtores, comerciantes, empreendedores e moradores de Rodrigues Alves. A entrevista de Salatiel mostrou que a prefeitura quer usar a festa para reforçar a produção rural, ampliar a venda de derivados da banana e manter o evento como uma das principais marcas do município no Vale do Juruá.

Petecão diz que assinatura não muda texto da Câmara e defende debate no Senado sobre jornada 6×1

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, na manhã desta segunda-feira, 1º de junho, o senador Sérgio Petecão afirmou que o apoio dele à abertura de discussão no Senado sobre a jornada de trabalho não significa adesão a uma mudança no texto já aprovado pela Câmara. Segundo o parlamentar, a intenção é permitir que a proposta seja debatida com mais profundidade antes de qualquer votação. “Não tem uma proposta fechada”, disse. “O que se fez foi nós apoiarmos esse pedido pra que a gente possa abrir um debate também no Senado. Não tem nada mais democrático que isso.”

Petecão reagiu à repercussão criada em torno da assinatura dele e disse que parte do noticiário tratou o tema como se o Senado já estivesse prestes a rever o conteúdo aprovado pelos deputados. Na versão do senador, não é isso que está posto agora. “Isso é fake news”, afirmou ao reforçar que “no Senado não mudamos nada” e que o objetivo é apenas abrir espaço para discussão. Na entrevista, ele repetiu que a proposta aprovada pela Câmara, com a mudança da escala 6×1 para 5×2, continua sendo a referência principal, mas sustentou que o Senado não pode abrir mão de ouvir outros setores antes de decidir.

Foi justamente nesse ponto que Petecão concentrou a explicação dele. Segundo o senador, a tramitação no Senado ainda depende de debate político e técnico, e a assinatura em apoio à discussão não representa voto antecipado nem texto alternativo sacramentado. “Lá no plenário é quem vota. Ou eu voto a favor ou eu voto contra. Todo mundo vai conhecer meu voto, o voto é aberto”, disse. Antes disso, afirmou, a ideia é ouvir trabalhadores, sindicatos, lideranças do movimento e empresários. “Nós vamos abrir agora para ouvir os sindicatos, ouvir as lideranças desse movimento e vamos ouvir também os empresários, tanto os pequenos, os médios e os grandes empresários.”

Na prática, a explicação de Petecão é a seguinte: a proposta que saiu da Câmara chega ao Senado e passa a ser discutida pelos senadores, que podem manter o texto, alterar pontos ou até ampliar o debate com outras sugestões. É nesse espaço que ele diz defender a abertura de conversa, sem fechar posição de saída. Por isso, o senador insiste que a assinatura dele não deve ser lida como recuo em relação ao texto da Câmara nem como apoio automático a uma flexibilização maior. “A proposta que foi apresentada na Câmara eu acho que é uma proposta interessante”, afirmou. “Sou a favor da proposta da Câmara, mas não impede que eu possa ouvir outros companheiros aqui no Senado.”

Ao longo da entrevista, Petecão tentou se colocar no meio do embate entre trabalhadores e empregadores. Disse que a preocupação principal dele é com a preservação dos direitos de quem trabalha, mas acrescentou que o impacto sobre as empresas, principalmente as menores, precisa entrar na conta. “Eu me preocupo com o empresário, não vou mentir pra você, como também me preocupo com o trabalhador”, afirmou. “Esse debate é muito complexo.” Em outro trecho, resumiu a posição dele com mais franqueza: “Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Questionado sobre o temor de perda de direitos como férias, décimo terceiro e FGTS, o senador disse que não vê risco imediato nesse ponto, mas reconheceu que essa será uma das frentes mais sensíveis da discussão. “Eu não vejo isso. Eu acho que tudo tem que ter diálogo”, declarou. Para ele, o desafio do Senado será construir uma saída que preserve o trabalhador sem empurrar empresas para demissões. “O nosso grande desafio é que nós possamos estar cuidando do nosso trabalhador, criando condições melhores pra ele, mas também não podemos tratar o empresário achando que o empresário é bandido.”

Petecão levou essa preocupação para exemplos do dia a dia e citou o caso de pequenos negócios que funcionam com escala apertada. Na visão dele, uma mudança brusca na jornada pode exigir novas contratações e elevar custos num ritmo que parte do mercado talvez não consiga suportar. “Se vai diminuir os dias de trabalho, ele vai ter que contratar mais”, disse. “Vamos dizer um cara do restaurante, que trabalha a semana toda. Aí, quando for sábado e domingo, ele vai fechar? Se ele fechar sábado e domingo, ele vai quebrar.” A partir dessa leitura, ele passou a defender que o debate sobre a jornada venha acompanhado de alguma discussão sobre contrapartidas do governo para setores mais atingidos.

O senador também reclamou da politização da pauta e afirmou que a discussão corre o risco de ser contaminada pelo ambiente eleitoral. “Eu não posso só por conta dos votos politizar esse debate. Não pode ser politizado”, disse. “Hoje não tem um abençoado que não faça o movimento se não for pensando em voto.” Na avaliação dele, esse tipo de disputa esvazia a discussão central, que deveria estar voltada para a relação entre trabalhador, empregador e mercado de trabalho.

Ainda durante a entrevista, Petecão contou que foi cobrado por eleitores e por empresários depois que a assinatura dele se tornou pública. Disse ter ouvido dúvidas de quem teme aumento de custo para manter funcionários e também de quem receia perda de direitos. Esse choque de interesses, segundo ele, explica por que o Senado precisa tratar o tema com cuidado. “Só tem uma forma de saber: é sentar numa cadeira com muita responsabilidade”, afirmou. “Eu não posso defender uma proposta porque isso aqui me dá mais voto. Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Ao fim, Petecão tentou resumir a mensagem que quis passar: o Senado ainda não deu a palavra final sobre a jornada 6×1, a proposta da Câmara segue no centro do debate e a assinatura dele teve o objetivo de abrir a discussão, não de substituir o texto por outra saída já acertada. “Vamos abrir um debate pra que, se Deus quiser, nós possamos sair com consciência”, afirmou. “Não tem nada disso de que nós já mudamos alguma coisa.”