Jornal da Manhã em Coluna – 14 de julho de 2026

A coluna desta terça-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau e reportagens de Mazinho Rogério e Gledson Albano.

A BR parou, mas a pergunta ficou

A BR-364 foi interditada por produtores rurais que decidiram transformar em protesto uma pergunta que já atravessa os ramais do Juruá há tempo demais: cadê o dinheiro dos ramais?

Não foi uma manifestação de luxo. Foi cobrança de quem vive na lama, depende da estrada para sair de casa, levar filho para a escola, receber atendimento de saúde e tirar a produção do roçado.

O bloqueio aconteceu na região da Vila Lagoinha, nas proximidades da escola Raimundo Calpe, e durou mais de sete horas. Carros pararam nos dois sentidos. A fila incomodou quem passava, mas o ramal ruim incomoda o produtor todos os dias.

Máquina não é solução quando o serviço não resolve

Mazinho Rogério esteve no local e ouviu agricultores da região do Ramal 2 e de ramais adjacentes. O relato é simples: até existe máquina em alguns pontos, mas o trabalho não resolve o isolamento.

A diferença é grande. Uma coisa é dizer que tem máquina no ramal. Outra é fazer o serviço que permite o carro passar, o médico chegar, o transporte escolar funcionar e a produção sair.

Segundo os moradores, raspagem não basta. O que eles cobram é recuperação de verdade: bueiro, ponte, aterro, camada vegetal, drenagem e intervenção nos pontos críticos.

Ramal não se recupera com fotografia de máquina. Recupera-se com estrada trafegável.

O verão está passando

O ponto mais sensível é o calendário. Julho já chegou ao meio, o verão amazônico está em curso e a janela para trabalhar nos ramais não espera discurso.

Quando a chuva volta, a desculpa também volta. Por isso a cobrança ficou mais forte. Produtor rural conhece o tempo melhor que muito gabinete. Ele sabe quando a terra permite serviço e quando a lama toma conta.

A pergunta feita no programa foi direta: onde está a Operação Verão?

Protesto sem necessidade?

O representante do Deracre ouvido pela reportagem classificou a manifestação como “sem necessidade”. A frase pesou.

Para quem está no gabinete, pode parecer exagero. Para quem mora no ramal, é sobrevivência. A bancada reagiu porque a fala não combina com a realidade narrada pelos agricultores.

O Deracre informou que há equipes trabalhando, que uma programação está em andamento e que o novo diretor deve vir a Cruzeiro do Sul para conversar com as comunidades. Os produtores aceitaram encerrar o bloqueio, mas deixaram o aviso: se nada acontecer, a cobrança volta.

Cadê o dinheiro dos ramais?

Chico Melo levou ao ar uma análise sobre os repasses do Deracre para prefeituras em 2026. Dos R$ 26,17 milhões empenhados, apenas R$ 475 mil aparecem com menção direta a ramais. Desse valor, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados, mas sem pagamento.

O restante está em convênios genéricos de infraestrutura, tapa-buraco, combustível, transporte fluvial e apoio municipal.

A conta política é simples: se o governo anuncia recuperação de ramais, a população quer saber onde estão as frentes de serviço, qual empresa executa, quanto foi pago, qual trecho foi medido e quando o ramal fica trafegável.

Sem isso, sobra a pergunta que virou manchete no protesto: cadê o dinheiro dos ramais?

TCE deveria entrar antes do problema

A bancada também defendeu que o Tribunal de Contas do Estado atue de forma preventiva na fiscalização dos recursos destinados aos ramais.

A sugestão é que os pagamentos sejam liberados a partir de medições claras do serviço executado. Primeiro o ramal é feito. Depois, com medição, vem o pagamento.

A lembrança da Operação Fata Morgana voltou ao programa justamente porque ramal já foi assunto de polícia no Acre. Quando o dinheiro público passa por estrada de barro, a fiscalização precisa passar junto.

A balsa está no Remanso

Outro assunto que voltou ao Jornal da Manhã foi a balsa do Deracre localizada no Porto do Remanso, em Cruzeiro do Sul.

Segundo a bancada, a equipe do Sistema Integração foi checar a informação e confirmou que a balsa está no local. A informação recebida pelo programa é que ela estaria funcionando.

A pergunta, então, fica ainda maior: se funciona, por que não está servindo a travessia entre Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul?

A subida e a descida da balsa em Rodrigues Alves seguem como problema conhecido. Basta uma chuva para a situação piorar. Enquanto isso, o Estado precisa explicar por que uma estrutura pública estaria parada ou fora da função que poderia atender diretamente a população.

Jéssica falou, mas a dúvida continuou

Na política, a ex-deputada Jéssica Sales confirmou a pré-candidatura a vice-governadora na chapa de Mailza Assis e disse que a decisão foi guiada pela fé.

Rogério Wenceslau tratou a declaração com cautela. Para ele, só dá para acreditar completamente quando a ata da convenção do MDB estiver assinada, a federação Progressistas/União Brasil formalizar a chapa e o registro chegar ao TRE.

A leitura é política, não pessoal. O MDB passou dias indo e vindo, conversando com um lado, olhando para outro e tentando se valorizar no tabuleiro.

Quando a confirmação sai depois de pressão pública, ela resolve uma parte da crise, mas não apaga o histórico da negociação.

MDB ainda parece no modo espera

A ausência inicial de Jéssica no lançamento da composição deixou ruído. O pai, Vagner Sales, falou. O partido se movimentou. Mas a própria pré-candidata demorou a aparecer.

Na avaliação da bancada, isso deixou a aliança com cara de acordo mal digerido.

O MDB pode até ficar onde está. Mas, até a convenção, ninguém deve se surpreender se a sigla ainda fizer novas curvas.

Ataque a jornalista não responde número

O programa também comentou ataques recebidos nas redes sociais após publicações do Sistema Integração.

Chico Melo afirmou que comentário não é apagado, mas lembrou que cada pessoa deve ser responsável pelo que escreve. A bancada também falou em ameaças e disse que deve registrar boletim de ocorrência.

O ponto central é outro: quando uma matéria traz número, a resposta precisa vir com número. Xingamento não substitui dado. Perfil falso não substitui documento. Ataque pessoal não responde execução financeira.

A indústria dos eventos

A discussão sobre os gastos da área de indústria voltou ao programa.

A bancada reagiu a críticas contra matéria publicada pelo Integração Net e afirmou que o governo precisa explicar, com dados, por que uma pasta que deveria olhar para indústria, inovação e geração de emprego concentra tanto recurso em eventos, feiras, shows e estruturas temporárias.

O comentário foi direto: no Acre, cresceu a indústria do entretenimento. Mas, quando a luz do palco apaga, a conta fica.

Avião de Gladson continua no aeroporto

O Jornal da Manhã também voltou ao caso da aeronave registrada em nome do ex-governador Gladson Cameli.

Segundo o programa, o avião modelo Baron 58, de prefixo PT-WGK, continua no pátio do aeroporto de Cruzeiro do Sul. A aeronave foi relacionada às medidas judiciais da Operação Ptolomeu e permanece sem informação pública sobre eventual liberação, transferência ou mudança de condição.

Rogério Wenceslau explicou que aeronave apreendida não funciona como carro levado para pátio policial. Ela fica no aeroporto, bloqueada, sem poder ser usada.

O caso segue pedindo esclarecimento oficial.

Boato sobre recurso

Ainda sobre Gladson, Rogério comentou um boato que circulou em Rio Branco sobre possível julgamento de recurso que poderia abrir caminho para candidatura ao Senado.

Segundo ele, até a checagem feita no dia anterior, não havia recurso pendente de julgamento no sistema consultado por suas fontes. Se aparecer decisão, será notícia. Mas, até ali, o boato não se sustentava.

Crédito de carbono e dinheiro futuro

A bancada também voltou a questionar as negociações do governo em torno de crédito de carbono e a busca por recursos internacionais.

O ponto levantado foi a tentativa de antecipar valores futuros. A pergunta é prática: se o dinheiro vier, onde será aplicado? Qual o plano de trabalho? Quem fiscaliza? Que comunidades serão beneficiadas? Que contrato existe?

Viagem internacional, foto e entrevista não bastam. Quando a cifra é grande, a transparência precisa ser maior ainda.

Copacabana interditada

Em Cruzeiro do Sul, Gledson Albano informou que a Avenida Copacabana segue interditada por causa dos serviços de recuperação.

A prefeitura iniciou trabalho de drenagem, terraplanagem e preparação para asfaltamento. A orientação para os motoristas é procurar rotas alternativas, especialmente quem segue em direção ao centro da cidade.

Polícia teve casa incendiada, prisão no rio e assalto

Na área policial, Gledson Albano destacou uma ocorrência de violência doméstica no bairro João Alves. Após uma briga de casal, um homem teria ateado fogo em um colchão, e as chamas se espalharam pela casa. Ele foi preso pela Polícia Militar com apoio da Rotam.

No bairro Militar, um homem suspeito tentou fugir pelo Rio Juruá depois de ser visto com objeto semelhante a arma de fogo. A equipe do Giro conseguiu uma embarcação, perseguiu o suspeito e fez a prisão. A arma apreendida era artesanal, calibre 22.

A PM também informou o cumprimento de três mandados de prisão no fim de semana. Segundo o balanço apresentado no programa, o 6º Batalhão já retirou de circulação 112 pessoas com mandado em aberto em 2026.

Também foram registrados um acidente na AC-405, envolvendo um estudante de 13 anos atingido por uma motocicleta, e um assalto no bairro do Alumínio, onde dois homens armados roubaram uma moto e fugiram em direção ao Remanso.

Filho é preso após invadir casa do pai e violar medida protetiva em Cruzeiro do Sul

Um homem foi preso em Cruzeiro do Sul após entrar na residência do próprio pai e descumprir uma medida protetiva determinada pela Justiça. A ordem judicial estabelecia restrições de contato e aproximação entre os envolvidos.

A prisão ocorreu depois que a presença do suspeito no imóvel foi constatada. Ao invadir a casa, ele violou as condições impostas para proteger o familiar e evitar novos conflitos.

O homem foi detido por descumprimento da decisão judicial. O caso seguirá sob responsabilidade das autoridades competentes para a adoção das medidas previstas em lei.

Rio Branco amplia vacinação antirrábica até novembro

A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta segunda-feira (13) uma campanha itinerante de vacinação antirrábica para cães e gatos em diferentes regiões da capital. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde, seguirá até novembro para facilitar o acesso dos tutores, aumentar a cobertura vacinal e prevenir a transmissão da raiva.

A primeira etapa ocorre no Arasuper Tangará até sexta-feira (17), com atendimento das 8h às 12h. A vacinação é gratuita e destinada a cães e gatos com pelo menos três meses de idade.

Um trailer instalado em frente à Unidade de Referência de Atenção Primária Francisco Roney Meireles também funciona como ponto fixo. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, no mesmo horário, das 8h às 12h.

Após a passagem pelo Tangará, as equipes atenderão no Arasuper Isaura Parente, de 20 de julho a 7 de agosto, e no Arasuper Betel, de 10 a 28 de agosto. A campanha seguirá pelo Arasuper Sobral, de 31 de agosto a 18 de setembro, e pelo Arasuper Aviário, de 21 de setembro a 9 de outubro.

Em outubro, a vacinação será realizada no Arasuper 6 de Agosto, entre os dias 12 e 23, e no Arasuper Amapá, de 26 de outubro a 6 de novembro. A última etapa ocorrerá no Aramix Vila Acre, de 9 a 20 de novembro.

“Ao levarmos a vacinação para pontos estratégicos da cidade, conseguimos atender mais tutores, ampliar a cobertura vacinal e fortalecer a prevenção contra a raiva”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Rennan Biths.

Os cães devem ser levados com coleira e guia. A focinheira deve ser usada quando necessária. Os gatos precisam ser transportados em caixas ou recipientes seguros. Os tutores também devem apresentar a carteira de vacinação do animal. Quem não possuir o documento receberá uma nova carteira gratuitamente.

A raiva é uma zoonose que pode ser transmitida aos seres humanos e apresenta alta letalidade após o aparecimento dos sintomas. A vacinação de cães e gatos é a principal forma de prevenção da doença e protege tanto os animais quanto a população.

Cruzeiro do Sul cria programa de vacinação nas escolas públicas

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul instituiu um programa de vacinação nas escolas públicas para ampliar a cobertura vacinal de crianças e adolescentes. O decreto foi assinado pelo prefeito Zequinha Lima e publicado na sexta-feira, 10 de julho, com ações integradas entre as secretarias municipais de Saúde e Educação.

O atendimento será destinado prioritariamente aos estudantes da educação infantil e do ensino fundamental matriculados em escolas públicas ou instituições que recebem recursos públicos. Alunos do ensino médio e superior, além de outros integrantes da comunidade escolar, também poderão ser incluídos, conforme a disponibilidade de vacinas e as normas do Programa Nacional de Imunizações.

As atividades serão organizadas pela Coordenação Municipal de Imunização, pelas Unidades Básicas de Saúde e pelo Programa Saúde na Escola. A previsão é que a vacinação seja realizada pelo menos uma vez por ano, com possibilidade de novas ações durante campanhas específicas ou buscas ativas por estudantes com doses atrasadas.

As escolas deverão avisar os pais ou responsáveis com antecedência mínima de cinco dias. Para menores de 18 anos, a aplicação das vacinas dependerá de autorização e da apresentação da caderneta de vacinação. Na ausência do documento, as equipes poderão consultar os sistemas oficiais e emitir um novo cartão.

O decreto também determina que as unidades de ensino enviem, no início de cada ano letivo, uma cópia digital ou fotografia da carteira de vacinação dos estudantes à Unidade Básica de Saúde responsável pela região. A medida permitirá o acompanhamento da situação vacinal e a convocação de alunos que precisem atualizar as doses.

O secretário municipal de Saúde, Rafael Gomes, afirmou que a integração entre as áreas de Saúde e Educação facilitará o acesso às vacinas e ajudará a proteger os estudantes e a comunidade escolar.

Produtores rurais interditam BR-364 e cobram recuperação de ramais em Cruzeiro do Sul

Produtores rurais interditaram um trecho da BR-364, em frente à Escola Santa Rita, após a Vila Lagoinha, em Cruzeiro do Sul, nesta segunda-feira, 13, em protesto contra o atraso no início das obras de recuperação dos ramais. Os manifestantes afirmam que o Governo do Acre e o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) não cumpriram o acordo firmado com as comunidades e exigem o início imediato dos serviços.

O bloqueio interrompeu o tráfego na rodovia e reuniu moradores de comunidades rurais que dependem dos ramais para escoar a produção agrícola, transportar estudantes e garantir o acesso a serviços de saúde e ao comércio. Durante a manifestação, cartazes cobravam explicações sobre a aplicação dos recursos destinados à infraestrutura rural e direcionavam críticas ao chefe da Casa Civil, Madson Cameli, esposo da governadora Mailza Assis, e ao deputado estadual Zezinho Barbary. Em uma das faixas, os manifestantes perguntam: “Madson, cadê nosso dinheiro dos ramais?”. Em outra, questionam: “Zezinho Barbary, cadê o asfalto do Ramal 2?”.

O protesto ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores rurais em diferentes regiões do Acre pela recuperação das estradas vicinais. Nas últimas semanas, agricultores e lideranças comunitárias intensificaram as cobranças ao governo estadual, alegando que a demora na execução da Operação Verão compromete o transporte da produção, dificulta a mobilidade das famílias e gera prejuízos econômicos. O tema também tem sido debatido na Assembleia Legislativa, onde produtores cobram maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos destinados aos ramais e mais agilidade na execução das obras.

Em março deste ano, o Deracre apresentou a representantes de sindicatos rurais e lideranças de Cruzeiro do Sul o planejamento para recuperação dos ramais da região durante o período de estiagem. Os produtores, no entanto, afirmam que os serviços ainda não começaram nos trechos considerados prioritários, motivo que levou à interdição da BR-364 como forma de pressionar o Estado.

A recuperação dos ramais é considerada essencial para a economia do Vale do Juruá, onde milhares de famílias dependem das estradas vicinais para transportar a produção agrícola, acessar escolas, unidades de saúde e manter o abastecimento das comunidades rurais.

Até o momento, o Governo do Acre e o Deracre não haviam informado quando os serviços reivindicados pelos manifestantes serão iniciados na região.

Acredite estreia com proposta de inspirar o Acre pelas histórias de superação

A jornalista Lana Negreiros estreia na próxima segunda-feira o programa Acredite, na Rádio Integração FM, com a proposta de mostrar que o maior patrimônio do Acre está nas pessoas e em suas histórias de superação. Exibido de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30, o programa vai reunir entrevistas, comportamento, informação, entretenimento e exemplos de quem transformou dificuldades em oportunidades.

Segundo Lana Negreiros, o nome do programa carrega uma mensagem de esperança. Além do verbo acreditar, faz referência ao próprio Acre e convida o público a confiar no seu potencial. “Acredite que você pode sair de onde está, com o que tem, e chegar onde quer”, resumiu a apresentadora ao explicar a essência da atração.
Entre os destaques da programação está o quadro Diferente dos Iguais, dedicado a contar histórias de pessoas que inspiram pela trajetória de vida. O primeiro entrevistado será o comentarista Rogério Wenceslau.

Rio Branco busca recursos federais para criar reserva estratégica de água

A Prefeitura de Rio Branco iniciou articulações com o Governo Federal para captar recursos destinados ao estudo de viabilidade de uma reserva estratégica hídrica na capital acreana. Representantes do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco participaram de reuniões em Brasília, na quarta-feira, 8 de julho, para discutir apoio técnico e financeiro ao projeto.

A proposta prevê a elaboração de estudos técnicos, econômicos, ambientais e operacionais. O trabalho deverá definir as condições necessárias para implantar uma estrutura capaz de reforçar o abastecimento de água durante períodos de estiagem e outros eventos que reduzam a disponibilidade hídrica no município.

A primeira reunião ocorreu na Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, vinculada ao Ministério das Cidades. O diretor-presidente do Saerb, Enoque Pereira, apresentou o projeto ao secretário nacional Márcio Leão Coelho e ao coordenador-geral de Repasses a Empreendimentos de Água e Esgoto, Gilson Pires da Silva.

A comitiva também se reuniu com representantes da Secretaria Nacional de Segurança Hídrica, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. O grupo foi recebido pelo diretor do Departamento de Obras Hídricas e secretário nacional substituto, Marcus Vinicius.

As conversas trataram das formas de financiamento do estudo e da inclusão do projeto nas políticas federais de infraestrutura hídrica. A reserva funcionaria como uma alternativa de longo prazo para reduzir os riscos de interrupções no fornecimento de água, principalmente durante as secas mais intensas.

Enoque Pereira afirmou que o município pretende antecipar medidas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Segundo ele, a elaboração do estudo será o primeiro passo para organizar o projeto e ampliar a segurança do abastecimento para a população.

Também participaram das reuniões o procurador jurídico do Saerb, Alefe Santos; o engenheiro Falcão; a representante da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Maria Antônia; e o assessor parlamentar Marcos Alexandre, que acompanhou o encontro realizado no Ministério das Cidades.

Atlético Mutirão vence Corinthians CZS e conquista Campeonato Cruzeirense Feminino 2026

O Atlético Mutirão conquistou, neste sábado, 11 de julho, o título do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino 2026 ao vencer o Corinthians CZS por 2 a 1, no Estádio O Cruzeirão, em Cruzeiro do Sul. A final encerrou a competição promovida pela Prefeitura, por meio da Diretoria de Esportes e Lazer, com premiação em dinheiro para as quatro melhores equipes e para os destaques individuais.

Com a vitória, o Atlético Mutirão recebeu troféu, medalhas e R$ 7 mil. O Corinthians CZS ficou com o vice-campeonato e ganhou R$ 3,5 mil. Na disputa pelo terceiro lugar, o Flamengo derrotou o Igarapé Preto por 5 a 3 e garantiu a terceira colocação, com prêmio de R$ 1,5 mil. O Igarapé Preto terminou em quarto lugar e recebeu R$ 1 mil.

A competição também premiou atletas que se destacaram ao longo do campeonato. A artilheira, a melhor goleira, a craque da competição e a autora do gol mais bonito receberam R$ 500 cada.

O diretor de Esportes e Lazer, Gilvan Ferreira, afirmou que a edição reforçou o crescimento da modalidade no município. “Encerramos mais uma edição do Campeonato Cruzeirense de Futebol Feminino com excelente nível técnico e grande participação das equipes. Parabenizamos todas as atletas pelo desempenho, especialmente o Atlético Mutirão pela conquista do título. A gestão do prefeito Zequinha Lima continuará investindo e incentivando o esporte feminino, valorizando nossas atletas e ampliando as oportunidades para que a modalidade continue crescendo em Cruzeiro do Sul”, disse.

Francisco Piyãko alertou por anos sobre ameaças; “Proteger a floresta para nós é proteger a nossa própria vida”

A frase de Francisco Piyãko, registrada no documentário Povos do Juruá, ganha um novo significado diante da crise de segurança vivida nesta semana na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. O líder Ashaninka, que há décadas denuncia a pressão crescente sobre a fronteira entre Brasil e Peru, viu o território que sempre procurou proteger se tornar alvo da invasão de um grupo armado que procurava lideranças indígenas.

A resposta do Estado veio com a deflagração da Operação Ashaninka, coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre, com equipes do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e articulação com órgãos federais. Mas, para quem acompanha a trajetória de Francisco Piyãko, os acontecimentos desta semana não representam uma surpresa. Eles confirmam alertas feitos há anos e registrados em dois documentários lançados pelo portal Épop.

As produções Povos do Juruá (2024) e Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta (2025) ajudam a compreender por que o rio Amônia se tornou uma das regiões mais sensíveis da Amazônia brasileira. Mais do que contar a história dos povos indígenas do Vale do Juruá, os filmes mostram como a combinação entre ausência do Estado, pressão por grandes obras, exploração ilegal de recursos naturais e avanço do crime organizado vem transformando a fronteira em uma área de permanente tensão.

Um alerta construído ao longo de décadas

Em Povos do Juruá, Francisco Piyãko conduz o espectador por uma narrativa sobre a formação da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), a luta pela demarcação das terras indígenas e a defesa da floresta.

Ao recordar esse processo, ele afirma:

“Graças à nossa coragem, creio que a gente tem um lugar ainda. Nem que seja do tamanho da nossa força, mas é um lugar seguro para a gente morar com as nossas crianças.”

A declaração sintetiza uma ideia presente durante todo o documentário: o território não foi apenas demarcado pelo Estado, mas protegido pela mobilização permanente dos próprios povos indígenas.

Em outro momento, Francisco chama a atenção para um aspecto pouco conhecido da região. A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia está localizada em uma extensa faixa de fronteira, onde a presença permanente do poder público sempre foi limitada. Segundo ele, essa realidade faz com que as comunidades acabem exercendo um papel importante na proteção da floresta e até da própria fronteira brasileira.

Essa condição, no entanto, também expõe as aldeias aos impactos provocados por atividades ilegais que se expandem no lado peruano, como exploração clandestina de madeira, abertura de estradas, narcotráfico e circulação de grupos armados.

Estradas que preocupam as comunidades

Outro eixo central das falas de Francisco Piyãko diz respeito aos projetos de infraestrutura planejados para a região.

Nos documentários, ele questiona a narrativa de que as ligações rodoviárias entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, seriam necessariamente sinônimo de desenvolvimento para quem vive na floresta.

“Essa estrada não foi feita para atender nós, o povo da floresta.”

A preocupação apresentada por ele não se limita à construção de uma rodovia. O alerta é para os efeitos que essas ligações costumam provocar em áreas de floresta preservada: aumento da exploração ilegal de madeira, ocupações irregulares, conflitos fundiários e maior facilidade para a atuação de organizações criminosas.

Nos filmes, Francisco defende que qualquer empreendimento dessa natureza seja precedido por estudos ambientais, consulta aos povos indígenas e avaliação dos impactos sobre os territórios tradicionais.

O segundo documentário amplia o debate

Se Povos do Juruá apresenta a história e a identidade dos povos indígenas do Vale do Juruá, Opirj – A luta na defesa dos direitos e da floresta aprofunda a discussão sobre os conflitos atuais da região.

Lançado pelo portal Épop em 2025, o documentário reúne documentos, estudos técnicos, decisões judiciais e depoimentos de lideranças indígenas sobre as ameaças que cercam a fronteira Acre–Ucayali.

No filme, Francisco Piyãko reforça que a defesa feita pelas organizações indígenas não busca impedir o desenvolvimento econômico.

“O direito dos povos indígenas está reconhecido na Constituição Brasileira.”

Para ele, o debate precisa ser conduzido dentro das regras estabelecidas pela Constituição e pelos tratados internacionais, garantindo consulta prévia às comunidades e proteção dos territórios indígenas.

Essa posição também aparece em outro momento do documentário, quando afirma que a luta da Opirj busca apenas que a legislação existente seja efetivamente cumprida.

A realidade alcançou os documentários

Poucos meses depois do lançamento do segundo filme, os alertas registrados nas produções ganharam contornos concretos.

Segundo a denúncia apresentada por Francisco Piyãko às autoridades, homens armados entraram na Aldeia Apiwtxa nos dias 5 e 6 de julho procurando lideranças indígenas e ameaçando moradores.

Durante a chegada das equipes do Gefron, Francisco afirmou que a comunidade vivia um momento de tensão, mas destacou que as lideranças permaneceriam no território.

Também fez um apelo para que a presença das forças de segurança não seja apenas temporária, reforçando que o enfrentamento ao crime organizado depende da atuação permanente do Estado.

As declarações dialogam diretamente com os documentários, nos quais ele explica que os povos indígenas conhecem profundamente a floresta e colaboram com sua proteção, mas não podem ser deixados sozinhos diante da expansão de atividades criminosas na fronteira.

Um convite para conhecer a região

A crise vivida hoje no rio Amônia torna os dois documentários ainda mais relevantes.

Quem assistir às produções encontrará muito mais do que um registro sobre cultura indígena. Os filmes apresentam a história da organização dos povos do Juruá, explicam a importância estratégica da fronteira entre Brasil e Peru, mostram como nasceram as articulações entre comunidades dos dois países e ajudam a compreender por que Francisco Piyãko insiste, há tantos anos, que a proteção da floresta depende também da proteção dos povos que vivem nela.

Os acontecimentos desta semana mostram que os alertas feitos pelas lideranças Ashaninka não tratavam de um cenário hipotético. Eles descreviam uma realidade que se aproximava lentamente e que agora chegou ao coração da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.

Governo federal vai revisar tarifas de pedágio da BR-364 em Rondônia

O governo federal decidiu reavaliar os cálculos usados para definir as tarifas de pedágio no trecho concedido da BR-364, entre Vilhena e Porto Velho, em Rondônia. A medida foi anunciada neste fim de semana após uma reunião, em Brasília, entre a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, representantes do setor produtivo, empresários do transporte, vereadores de Vilhena e lideranças ligadas ao transporte de cargas.

A comitiva relatou problemas no funcionamento do sistema eletrônico de cobrança, como débitos em duplicidade, além dos atrasos provocados por trechos operados no sistema “pare e siga”. Transportadores afirmam que as falhas aumentam os custos das viagens e prejudicam o cumprimento dos prazos de entrega.

Empresários presentes no encontro informaram que as cobranças duplicadas podem superar R$ 100 mil por mês em algumas empresas. Os valores seriam devolvidos posteriormente, mas o período entre o débito e o ressarcimento compromete o fluxo de caixa das transportadoras.

Durante a reunião, Miriam Belchior entrou em contato com a direção da Agência Nacional de Transportes Terrestres. A ANTT deverá fazer uma nova análise dos parâmetros usados na composição das tarifas e concluir o trabalho em até 60 dias.

A revisão poderá reduzir os valores cobrados dos motoristas, caso sejam encontradas distorções nos cálculos. O procedimento também deverá avaliar as reclamações relacionadas ao reconhecimento de placas e ao processamento das cobranças pelo sistema de livre passagem, conhecido como free flow.

O encontro foi articulado pelo ex-senador Acir Gurgacz. “Nosso papel é levar os problemas de Rondônia diretamente a quem pode resolvê-los. Foi isso que fizemos, ao lado dos empresários, dos caminhoneiros e das lideranças de Vilhena”, afirmou.

A concessão administrada pela Nova 364 abrange 686,7 quilômetros da rodovia, entre Vilhena e Porto Velho. O contrato foi assinado em julho de 2025, tem duração de 30 anos e começou a operar em agosto daquele ano. A cobrança do pedágio eletrônico teve início em 12 de janeiro de 2026.