Marcio Bittar vs. Jorge Viana: quando a irrelevância se incomoda com o prestígio

Por Daniel Sant’Ana*

A política tem uma forma simples de separar prestígio de mandato. Jorge Viana, mesmo sem cargo eletivo, chegou à presidência da ApexBrasil e passou a ocupar um espaço de articulação nacional que devolveu o Acre à mesa de conversas sobre exportações, investimentos e presença institucional em Brasília. Márcio Bittar, com oito anos de Senado e tendo ocupado a poderosa relatoria-geral do Orçamento da União de 2021, não conseguiu transformar essa posição em reconhecimento político proporcional dentro do próprio Estado.

A diferença não está apenas no cargo ocupado. Está no que cada um faz quando chega perto do centro das decisões. Jorge Viana, à frente da Apex, abriu diálogo com o governo acreano sobre exportações e desenvolvimento econômico logo no início de 2023, em uma agenda no Palácio Rio Branco voltada ao fortalecimento dos produtos do Acre no mercado externo. Esse tipo de articulação não rende apenas fotografia. Rende caminhos, relações institucionais, presença política e capacidade de fazer o Acre ser ouvido fora de suas fronteiras.

Márcio Bittar teve uma oportunidade ainda mais rara. Como relator do Orçamento, esteve no centro da disputa por bilhões de reais em Brasília. Era o momento em que poderia ter construído uma marca pública sólida, com projetos estruturantes, planejamento de longo prazo e obras capazes de melhorar a vida das pessoas de forma clara. O que ficou, no entanto, foi uma atuação cercada por controvérsias, disputas com a equipe econômica de Paulo Guedes e explicações sobre a distribuição de emendas em um orçamento que virou símbolo de tensão entre governo, Congresso e opinião pública.

Quando o senador presta contas de sua atuação, ele costuma recorrer aos números. Em 2023, na Câmara Municipal de Rio Branco, afirmou ter conseguido alocar R$ 720 milhões para o Acre por meio da relatoria do chamado orçamento secreto. O problema é que volume de dinheiro alocado não significa o mesmo volume de dinheiro liberado e, muito menos, executado. Ademais, isso não basta para construir prestígio. Recurso público precisa virar benefício público mensurável, precisa responder a prioridades reais e precisa sobreviver ao escrutínio da população. Caso contrário, a emenda vira apenas falatório e propaganda, sem virar legado.

O caso do viaduto Mamedio Bittar resume bem essa contradição. A obra, supostamente bancada por emenda do senador (há quem diga que o recurso não foi liberado, obrigando a Prefeitura a executar a obra com recursos próprios) e orçada em pouco mais de R$ 25 milhões pela Prefeitura de Rio Branco, recebeu o nome do pai de Márcio Bittar. A homenagem pode ter valor afetivo para a família, mas, politicamente, abriu uma pergunta legítima: quando um parlamentar direciona recursos para uma obra pública que pretende eternizar o nome do próprio pai, a fronteira entre interesse coletivo e capital político pessoal fica estreita demais.

Há ainda o episódio envolvendo recursos destinados às Santas Casas no Acre. Em julho de 2025, o Ministério Público Federal informou que a Justiça Federal impediu o repasse de recursos públicos às entidades após uma ação que apontou desvio de finalidade, fraude contra credores e promoção pessoal com verba pública ligada a emenda parlamentar. Em um ambiente político sério, esse tipo de caso não pode ser tratado como detalhe lateral. É matéria de interesse público e pesa sobre qualquer discurso de eficiência administrativa.

Por isso, quando Márcio Bittar reage com irritação aos movimentos de Jorge Viana, o problema parece ir além da disputa eleitoral. A irritação nasce do contraste. Um, sem mandato, abre portas nacionais e internacionais e ocupa espaços estratégicos. O outro, mesmo com mandato, mesmo tendo passado pela relatoria do Orçamento, ainda precisa explicar por que tanto poder formal não se converteu em reconhecimento amplo e benefícios concretos para o povo do Acre.

A política pune a irrelevância antes mesmo das urnas. Ela aparece nas pesquisas, nas ruas, nas conversas de bastidor e na dificuldade de transformar barulho em autoridade. Márcio Bittar recebeu do povo acreano mandatos sucessivos e oportunidades raras. Ainda assim, parece carregar a frustração de quem sabe que teve poder, teve dinheiro, teve acesso e não conseguiu construir uma entrega à altura da confiança recebida.

No fim, a diferença entre Jorge Viana e Márcio Bittar não está apenas no currículo. Está na capacidade de fazer o Acre aparecer com respeito onde as decisões são tomadas. Mandato se ganha nas urnas, relevância se prova no exercício do poder e prestígio não se improvisa. E é exatamente nessa diferença que Márcio se incomoda, reage, ataca e tenta transformar incômodo pessoal em debate público. Freud talvez explique. A política já explicou.

*Doutor (UnB) em Direito e Mestre (UFSC) em Relações Internacionais. Professor do Curso de Direito da UFAC com atuação em Direito Administrativo, Direito Internacional e Sociologia do Direito. Ex-diretor-presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, ex-secretário Estadual de Educação e ex-deputado estadual pelo PT do Acre.

Jorge Viana põe pré-candidatura ao Senado na estrada e anuncia agenda em Capixaba e Acrelândia

Pré-candidato ao Senado pelo PT no Acre, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana publicou nesta quarta-feira, 17, um vídeo nas redes sociais em que anuncia agenda no interior do estado, com passagem por Capixaba e Acrelândia. Na gravação, ele diz que a mobilização começa ainda nesta quarta e segue nos próximos dias, com deslocamento por estrada e pernoite fora de casa.

“Se o pessoal acha que o Acre tem problema, eu posso ajudar”, afirma Jorge Viana no vídeo. Em seguida, ele detalha o roteiro: “E vocês estão dormindo, a gente madruga. Já estamos aqui hoje e amanhã vamos para a estrada Capixaba dormir lá em plástico, depois Acrelândia, porque a nossa luta começa cedo e vai até tarde.”

Na mesma publicação, o petista também faz um chamado aos apoiadores e associa a agenda à defesa do estado. “É por isso que, graças a Deus, a gente está juntando cada vez mais amigos e amigas que têm amor pelo Acre. Aqui é pelo Acre, aqui tem Acre. Vambora”, diz.

Já em Capixaba, o petista se reuniu com o prefeito Manoel Maia e visitou lideranças locais. Durante a passagem pelo município, ele defendeu diálogo entre diferentes grupos políticos e afirmou que a prioridade deve ser os interesses do estado.

Na visita, Jorge Viana relembrou ações realizadas em Capixaba durante o período em que governou o Acre e citou obras e serviços nas áreas de energia, abastecimento de água, eletrificação rural e urbanização. “Capixaba é um lugar pelo qual tenho um carinho muito especial. Quando assumi o governo, a cidade ainda enfrentava muitas dificuldades. Trabalhamos para levar energia de forma permanente, água tratada, eletrificação rural e melhorias urbanas que ajudaram a transformar a realidade da população”, afirmou.

Jorge Viana diz que projeto da ponte de Rodrigues Alves fica pronto até o fim do ano

O ex-governador Jorge Viana afirmou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que o projeto da ponte de Rodrigues Alves deve ficar pronto até o fim deste ano e que a intenção do Ministério dos Transportes é licitar a obra no começo de 2027. A declaração foi dada durante deslocamento pela BR-364, a caminho de Sena Madureira, ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro.

Ao falar sobre a pauta de infraestrutura no Acre, Jorge Viana tratou a futura ponte como uma das obras estratégicas para a região do Juruá e disse que o avanço do projeto depende da articulação com o governo federal. “O projeto da ponte de Rodrigues Alves até o final do ano vai estar pronto” e “o ministro quer licitar no começo do ano que vem a obra da ponte de Rodrigues Alves”, afirmou.

Na entrevista, Viana vinculou o anúncio à retomada de investimentos federais no estado e reforçou o discurso de cooperação política. Segundo ele, o Acre precisa de entendimento institucional para tirar do papel obras consideradas prioritárias. A fala foi dada no mesmo contexto em que ele defendeu mais união entre as lideranças locais e atribuiu ao governo do presidente Lula a reativação de frentes importantes de infraestrutura.

A declaração sobre Rodrigues Alves entrou no pacote de anúncios e expectativas apresentado por Jorge Viana durante a agenda com o ministro no Acre. Ao citar a ponte, o ex-governador procurou mostrar que, além das ações emergenciais na BR-364, há também previsão de novos empreendimentos estruturantes para melhorar a ligação entre municípios e ampliar a mobilidade na região.

Jorge Viana defende união no Acre e atribui retomada da BR-364 à ação do governo Lula

O ex-governador Jorge Viana afirmou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que o Acre precisa de união política para enfrentar seus problemas mais urgentes e disse que a recuperação da BR-364 só avançou por causa da atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o deslocamento pela rodovia a caminho de Sena Madureira, ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, Viana disse que o momento exige articulação institucional e menos confronto político.

Ao defender a aproximação entre o governo federal e as lideranças locais, Jorge Viana afirmou que o Acre não tem espaço para disputas ideológicas em meio à crise de infraestrutura. “O povo do Acre não tá querendo saber nada de esquerda, direita. Ele quer saber que as coisas sejam feitas direito, feitas de forma correta”, disse. Na mesma fala, reforçou que a prioridade deve ser o resultado prático para a população.

Viana também resgatou a experiência de quando governou o estado para sustentar que o diálogo com Brasília é decisivo para viabilizar obras e investimentos. “Tudo que eu fiz no Acre começou numa parceria com o governo federal”, afirmou. Segundo ele, mesmo em períodos de forte disputa partidária, o entendimento institucional produziu resultados concretos e ajudou a transformar a realidade do estado.

Ao comentar a situação da BR-364, o ex-governador disse ter visto de perto o estado da estrada e afirmou que a resposta do governo federal começa a mudar esse cenário. “Eu andei na estrada e eu posso afirmar: eu vi a estrada, tá um caos, mas ela vai tá em situação regular já em setembro próximo”, declarou. Para Jorge Viana, a melhoria da trafegabilidade e a contratação de obras definitivas mostram que há uma ação efetiva em curso.

Na entrevista, ele atribuiu diretamente essa retomada ao presidente Lula e criticou o período em que, segundo ele, o Acre ficou sem a atenção necessária por parte da União. “O presidente Lula sempre teve uma atenção diferenciada com o Acre”, afirmou. Em seguida, acrescentou que, sem essa intervenção, o estado continuaria sem perspectiva de solução para a rodovia e outras obras consideradas estratégicas.

Jorge Viana também disse que a bancada federal terá papel importante na garantia de recursos para o Acre nos próximos orçamentos e voltou a defender a construção de uma agenda baseada em cooperação. “A minha tarefa é a seguinte: se eu puder ajudar, eu vou ajudar”, afirmou. Ao encerrar a participação, resumiu a mensagem que tentou transmitir ao longo da entrevista: “O Acre tá precisando de mais trabalho, mais união e menos confusão.”

Na rádio Integração, Ministro anuncia licitação da BR-364 e promete estrada em condição regular até setembro

O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que assinou a licitação para a reconstrução de 107 quilômetros da BR-364 e que o governo federal pretende avançar em novas etapas da obra no Acre. A conversa com os jornalistas Chico Melo e Rogério Wenceslau ocorreu durante o deslocamento de Santoro e do ex-governador Jorge Viana pela rodovia, a caminho de Sena Madureira. “Acabei de assinar a licitação da reconstrução de 107 quilômetros dessa rodovia”, disse o ministro.

Ao longo da entrevista, Santoro afirmou que a meta do governo federal é melhorar as condições de tráfego da estrada ainda neste ano. “Até setembro a gente vai assinar mais 200 quilômetros” e “tem que estar com pelo menos 60% da rodovia, no mínimo, regular”, declarou. Segundo ele, o trabalho vai ocorrer em duas frentes: a manutenção dos trechos mais críticos para garantir a trafegabilidade e a reconstrução definitiva da BR-364 em pontos considerados mais comprometidos.

O ministro também afirmou que colocou a equipe de engenharia do DNIT à disposição do governo do Acre para apoiar tecnicamente a resposta ao desabamento da ponte em Sena Madureira. Segundo George Santoro, o suporte é voltado à busca de soluções de engenharia para enfrentar o problema no município.

Jorge Viana reforçou o diagnóstico de precariedade da rodovia e disse que o trecho está em situação crítica, mas avaliou que a atuação do governo federal pode mudar esse cenário nos próximos meses. “Eu vi a estrada, tá um caos, mas ela vai tá em situação regular já em setembro próximo”, afirmou. Segundo ele, o esforço é garantir condições mínimas de circulação enquanto os trechos definitivos entram em execução.

Na entrevista, o ex-governador também associou o avanço das obras à articulação política entre o Acre e Brasília e defendeu uma relação institucional acima de disputas partidárias. “O povo do Acre não tá querendo saber nada de esquerda e direita, ele quer saber que as coisas sejam feitas direito”, disse. Em outro momento, acrescentou: “A minha tarefa é a seguinte: se eu puder ajudar, eu vou ajudar.”

Jorge Viana ainda afirmou que o governo federal tem retomado investimentos considerados estratégicos para o estado e citou a BR-364 como uma das prioridades. “O presidente Lula sempre teve uma atenção diferenciada com o Acre”, declarou. Ele também disse que o projeto da ponte de Rodrigues Alves deve ficar pronto até o fim do ano, com perspectiva de licitação da obra no começo de 2027.

URGENTE – Jorge Viana anuncia ida com ministro a Sena Madureira após queda de ponte e cobra solução para travessia

Jorge Viana anunciou que estará em Sena Madureira no próximo dia 15 ao lado do ministro dos Transportes, Renan Filho, para discutir uma resposta à queda da ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco. Em vídeo divulgado após o desabamento da estrutura, ele prestou solidariedade às famílias atingidas, disse que procurou o Ministério dos Transportes e afirmou que a visita terá conversas com autoridades e moradores para definir uma saída para a cidade, que perdeu a principal ligação entre o Primeiro e o Segundo Distrito.

“A minha palavra é a primeira de conforto para os irmãos de Sena Madureira que viveram essa tragédia”, disse Jorge Viana. Na mesma fala, ele citou as famílias atingidas e afirmou que o momento exige apoio imediato. “Procurei o Ministério do Transporte porque o presidente Lula sempre é solidário com o Acre. Falei com o ministro dos Transportes e no próximo dia quinze nós vamos estar lá em Sena Madureira. Eu vou estar junto com o ministro Transporte, falando com as autoridades, falando com a comunidade de Sena, para ajudar na solução.”

A queda da ponte interrompeu uma estrutura inaugurada em dezembro de 2023 para encerrar um problema histórico de mobilidade em Sena Madureira. Antes da obra, moradores do Segundo Distrito dependiam de embarcações para atravessar o Rio Iaco ou precisavam fazer deslocamentos mais longos pela BR-364. A ponte passou a ser apresentada como uma ligação definitiva entre as duas partes da cidade, com impacto direto na circulação de moradores, estudantes, trabalhadores e serviços.

A entrada de Jorge Viana no caso ocorre num momento em que Sena Madureira enfrenta uma crise concreta de mobilidade, e não apenas uma disputa política sobre a obra que caiu. A cidade já convive com outra frente sensível na infraestrutura rodoviária: a ponte sobre o Rio Caeté, na BR-364, está em obras de reforço estrutural sob responsabilidade do DNIT, com operação provisória para manter a passagem. Com a ponte sobre o Rio Iaco fora de uso, o debate sobre acessos, travessias e segurança das estruturas passou a envolver ao mesmo tempo o governo do Estado, o Ministério dos Transportes e o DNIT no Acre.

No vídeo, Jorge Viana também fez uma distinção entre a busca por ajuda e a responsabilidade pela obra. “É ajudar, mesmo sabendo que essa obra é de cem por cento de responsabilidade do governo do Estado”, afirmou. A fala combina solidariedade às vítimas com a tentativa de encaminhar uma resposta institucional para a cidade, ao colocar a agenda federal como parte da solução para restabelecer a travessia e reduzir o impacto sobre a rotina de Sena Madureira.

Ao final, ele defendeu que o Acre volte a priorizar obras bem executadas e menos confronto político. “O povo acreano não está interessado em direita, esquerda, briga ideológica. Ele está interessado que as coisas no Acre voltem a ser feita e bem feitas”, disse.

Jorge Viana defende união política no Acre durante entrega de máquinas do Programa Inova

Jorge Viana defendeu nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, em Rio Branco, a união entre governo federal, bancada acreana e prefeituras durante a cerimônia de entrega de máquinas, veículos e equipamentos do Programa Inova. Ao falar no evento, que reuniu o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, além de autoridades estaduais e municipais, o ex-governador disse que o Acre depende de articulação política para ampliar investimentos e acelerar obras e ações no estado.

No discurso, Jorge Viana transformou a solenidade em um recado político e administrativo. Disse que “a causa tem que ser o Acre” e afirmou que divergências partidárias não podem se sobrepor aos interesses do estado. Também citou a necessidade de cooperação entre diferentes esferas de poder para garantir resultados em áreas como infraestrutura, produção rural, saúde e educação.

Ao comentar o lançamento do programa, Viana apresentou a entrega como exemplo de convergência institucional. Ele lembrou que já trabalhou com governos de partidos diferentes e afirmou que as principais obras e projetos executados no Acre dependeram de apoio federal. Em outro trecho, recorreu a um provérbio para reforçar a defesa da aliança entre lideranças políticas, ao dizer que quem quer avançar mais longe não consegue caminhar sozinho.

A agenda marcou o início da distribuição de centenas de equipamentos no estado dentro de um programa que prevê mais de 2 mil máquinas, veículos e equipamentos para os municípios acreanos, com investimentos acima de R$ 223 milhões. O pacote é voltado ao fortalecimento da produção rural, recuperação de ramais, mecanização agrícola e melhoria da infraestrutura local.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Jorge Viana e Thor Dantas apontam aliança focada na recuperação da saúde e infraestrutura do Acre

O médico infectologista Thor Dantas e o ex-governador Jorge Viana oficializaram uma aliança para disputar as eleições majoritárias no Acre. O anúncio ocorreu durante o terceiro episódio do “Jorge Viana Podcast”, apresentado por Marcela e gravado em Rio Branco. O projeto lança Dantas como pré-candidato ao governo estadual e Viana ao Senado, tendo como prioridade reverter o déficit estrutural nos serviços de alta complexidade na saúde pública, recuperar o sucateamento da BR-364 e conter a fuga contínua de jovens profissionais da região.

A transição dos hospitais para a política partidária tem raízes na administração da pandemia de Covid-19. Thor atuou na linha de frente e viu o sistema colapsar pela ausência de planejamento e por decisões negacionistas que multiplicaram o número de mortes no país. A constatação de que o limite da medicina esbarra na ineficiência das políticas públicas o levou a buscar o comando do Executivo. A proposta da chapa é instaurar um modelo administrativo centrado em dados, formação de equipes técnicas e acompanhamento rigoroso de metas.

O principal projeto na área da saúde prevê a transformação da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundacre) em um Hospital Universitário. A iniciativa conta com uma estimativa de R$ 200 milhões do governo federal, investimento atualmente travado por articulações de políticos locais, de acordo com os pré-candidatos. A medida visa verticalizar o complexo, atrair novos profissionais e mitigar a crônica falta de leitos de internação e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que afeta a população de forma crônica. Além da saúde, a infraestrutura compõe o centro do debate. A rodovia BR-364 encontra-se tomada por buracos e sem manutenção constante, um gargalo logístico que a aliança promete solucionar via articulação conjunta entre o governo estadual e o Senado.

O ex-governador defende a reestruturação da máquina pública por meio de profissionais técnicos, sem loteamento de cargos. “O Acre está doente e a cura é Thor”, disse Jorge Viana, ao justificar o apoio ao médico em função de sua experiência diária na gestão de quadros clínicos de alta complexidade. Para Thor Dantas, a falta de capacidade gerencial comprometeu os alicerces do estado nos últimos anos. “Ser liderado pela ignorância é tudo que a gente não precisa”, pontuou o médico ao recordar as barreiras burocráticas no pico da crise sanitária. A motivação para a candidatura também se ampara em uma crise demográfica. “Eu não quero meus filhos indo embora e eu quero que esse Acre volte a dar certo”, afirmou Dantas, referindo-se à escassez de perspectivas para a juventude local.

A consolidação desta chapa reconfigura o cenário político acreano e antecipa um confronto eleitoral fundamentado em gestão e captação de recursos da União. O plano da dupla engloba a inserção do Acre na economia digital, com a promessa de fibrar o estado para conectar os municípios isolados e gerar negócios a partir de bases tecnológicas e florestais. A estratégia mira os eleitores prejudicados pela estagnação econômica, forçando o debate público a apresentar respostas imediatas para a manutenção logística, a modernização do ensino e a sobrevivência do comércio local.

Jorge Viana lidera corrida ao Senado no Acre e sai na frente em nova pesquisa do Paraná Pesquisas

Jorge Viana, do PT, apareceu na frente na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, 3. No cenário estimulado, o ex-governador e ex-senador marcou 34,7% das intenções de voto, à frente de Gladson Cameli, do PP, com 32,6%, e de Márcio Bittar, do PL, com 29,9%. Os três estão em empate técnico por causa da margem de erro de 3,2 pontos percentuais, mas o levantamento coloca Jorge Viana numericamente na liderança.

A pesquisa mostra um cenário aberto, mas com um dado político que chamou atenção: Jorge Viana reaparece no topo de uma disputa majoritária no Acre e entra no debate de 2026 com um sinal de força eleitoral. Atrás dos três primeiros colocados aparecem Coronel Ulysses, com 21,9%; Mara Rocha, com 21,6%; Sérgio Petecão, com 13,9%; Jéssica Sales, com 11,3%; Eduardo Velloso, com 9%; e Júnior Feitosa, com 1,6%.

Como cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a soma dos percentuais passa de 100%. O levantamento ouviu mil eleitores em 18 municípios do Acre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número AC-01182/2026.

No comentário feito no Jornal da Manhã desta quarta-feira, Rogério Wenceslau tratou a liderança de Jorge Viana como a principal surpresa do levantamento. Para ele, o resultado muda o eixo inicial da disputa e recoloca o petista em posição central no tabuleiro político do Acre. A leitura é que, mesmo dentro do empate técnico, o fato de Jorge Viana aparecer na frente produz efeito político imediato, principalmente porque o cenário até aqui era de maior expectativa em torno dos nomes ligados à direita e ao grupo governista.

A dianteira de Jorge Viana também amplia o peso de sua possível candidatura num momento em que os partidos ainda fazem contas e ajustam estratégias para 2026. A pesquisa não define a eleição, mas entrega uma fotografia relevante do cenário atual e mostra que o petista largou à frente nesta rodada, com capital político para influenciar alianças, discursos e movimentos dos adversários.

No mesmo comentário, Wenceslau destacou ainda os números da corrida pelo governo do Acre, que também reforçam a antecipação da sucessão estadual. No cenário estimulado, Alan Rick aparece com 41,2%, Mailza Assis tem 24,4%, Tião Bocalom soma 16,1% e Thor Dantas registra 3,8%. A combinação dos dois quadros mostra que a disputa de 2026 já começou a ganhar forma no Estado.

Vale lembrar que Gladson Cameli ficou inelegível após ser condenado em 6 de maio de 2026 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e 9 meses de prisão, com perda do cargo, no processo que apurou corrupção, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Cameli nega irregularidades e afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

Jorge Viana articula vinda de ministro de Lula ao Acre; 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos

Jorge Viana anunciou a vinda do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ao Acre na sexta-feira, 5 de junho, para o lançamento do Programa INOVA, iniciativa do governo federal voltada à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da infraestrutura produtiva dos estados e municípios. O evento será realizado às 10h, na Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Rio Branco, e deve marcar a entrega de cerca de 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos para prefeituras, governo do Estado e entidades do setor produtivo.

A confirmação da agenda ocorreu em Brasília, durante encontro entre Jorge Viana e Waldez Góes. Na ocasião, o ministro informou que o Acre está entre os primeiros estados contemplados pela iniciativa, criada para ampliar a produtividade, incentivar o uso de tecnologia no campo e reforçar a capacidade operacional das gestões municipais.

Ao comentar a agenda, Jorge Viana atribuiu o avanço do programa à articulação entre o governo federal e a bancada acreana. Ele afirmou que a liberação dos equipamentos representa um esforço conjunto para atender os municípios e apoiar a produção local. “São mais de 1.600 equipamentos que chegam graças a uma parceria entre o Governo Federal e a bancada federal do Acre, que se uniu em torno de um objetivo comum”, disse.

Jorge também afirmou que a chegada do programa ao estado é resultado de uma mobilização política voltada à liberação de investimentos para áreas consideradas estratégicas. Segundo ele, a prioridade foi garantir estrutura para as prefeituras, melhorar as condições de trabalho no interior e abrir espaço para geração de emprego e renda.

Waldez Góes afirmou que o Programa INOVA foi estruturado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar inovação, tecnologia e produtividade a estados e municípios. De acordo com o ministro, a proposta é facilitar o trabalho de quem atua no campo e de quem está à frente da gestão pública, com impacto direto sobre a produção e o desenvolvimento regional.

Os equipamentos previstos para o Acre devem ser usados no fortalecimento da infraestrutura produtiva dos municípios, no apoio às atividades agrícolas e na ampliação da capacidade de atendimento de órgãos públicos e entidades parceiras. A expectativa do governo federal é que a medida reforce a produção, melhore serviços e dê suporte a produtores, criadores e trabalhadores do estado.

O ato de lançamento em Rio Branco deverá reunir parlamentares da bancada federal, gestores públicos, representantes de associações e instituições beneficiadas pelo programa. Para Jorge Viana, a agenda simboliza uma convergência em torno de interesses comuns do Acre, com foco na estruturação dos municípios e no estímulo ao desenvolvimento regional.