Jorge Viana chega ao Juruá e Alan Rick reorganiza agenda em meio à disputa por espaço político

A presença de Jorge Viana no Vale do Juruá e a movimentação de Alan Rick no interior do Acre entraram no centro dos comentários políticos do Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 22. Na avaliação feita durante o programa, o Juruá deixou de ser apenas uma região visitada por lideranças em agenda institucional e passou a ocupar lugar estratégico na disputa política que já movimenta o estado.

O tom foi dado logo no início da análise. Ao comentar a passagem de Alan Rick por Feijó, Rogério Wenceslau afirmou que a agenda teve aparência de campanha eleitoral. Segundo ele, o senador reuniu “centenas de carros” em uma cidade pequena, desfilou em carro aberto e foi acompanhado por uma multidão.

“Aquilo ali é carreata de sexta-feira antes do domingo da eleição”, disse Wenceslau. Para o jornalista, a movimentação ultrapassou o limite de uma visita política comum. “Não tem como o Ministério Público Eleitoral não enxergar aquilo como campanha antecipada. Não tem como. Impossível”, afirmou.

A partir daí, o debate se deslocou para o Juruá. Chico Melo observou que “já está todo mundo em campanha”, e Wenceslau completou que a região “virou a bola da vez”. O motivo é a chegada de Jorge Viana, que tem entrevista marcada para segunda-feira na Rádio Integração, em Cruzeiro do Sul. A presença do ex-governador, segundo os comentários feitos no programa, teria provocado uma reorganização da agenda de Alan Rick.

“O senador Alan Rick, que também viria para o Juruá, está refazendo a agenda dele. Ele tinha compromisso aqui na segunda-feira e cancelou esses compromissos em função da presença de Jorge Viana no Juruá”, disse Wenceslau. Chico Melo resumiu a leitura política do episódio: “Não quer dividir os holofotes”.

Durante o programa, Mazinho Rogério atualizou a agenda atribuída à assessoria de Alan Rick. O senador deve estar no sábado em Mâncio Lima, durante a programação de aniversário do município, e no domingo em Cruzeiro do Sul, na sede do PSD. A ida de segunda-feira, no entanto, foi cancelada.

“Alan Rick vai estar sábado em Mâncio Lima, na festa de aniversário, e domingo aqui em Cruzeiro do Sul, na sede do PSD. Mas os compromissos de segunda-feira foram cancelados”, informou Mazinho.

A leitura feita na bancada foi de que a disputa não envolve apenas presença física nos municípios, mas controle de narrativa, espaço de mídia e demonstração de força. Alan Rick tenta manter agenda no Juruá sem dividir o centro das atenções com Jorge Viana. Jorge, por sua vez, chega à região com entrevista marcada e peso político próprio, em um momento em que lideranças já se movimentam como se o calendário eleitoral estivesse aberto.

O programa também registrou uma cobrança direta à assessoria de Alan Rick. Chico Melo disse que a emissora tenta contato desde segunda-feira para entrevistar o senador e criticou a dificuldade de acesso.

“A gente quer também entrevistar o senador Alan Rick. Estamos aguardando a resposta”, afirmou. Em seguida, deixou um recado à equipe do parlamentar: “Você não pode fechar a porta para colega de imprensa. Você não pode criar dificuldade, porque nunca se sabe o dia de amanhã”.

Outro ponto do debate foi a relação entre Alan Rick e a governadora Mailza Assis. Rogério Wenceslau comentou que Mailza teria dito que não convidaria o senador para a inauguração do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. O jornalista lembrou que a obra recebeu emenda de R$ 17 milhões destinada por Alan Rick e interpretou a declaração como tentativa de confronto político.

“Ontem ela deu uma cacetada no Alan Rick. Disse que não vai convidar ele para a inauguração do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco”, afirmou. “Uma das principais obras da capital hoje, a emenda é do senador. Ele botou R$ 17 milhões nessa obra”, acrescentou.

Para Wenceslau, a governadora tenta abrir uma polarização com o nome que aparece na frente da corrida eleitoral. Ele comparou a movimentação à estratégia de Márcio Bittar em relação a Jorge Viana.

“Ela está tentando polarizar com quem está disputando a corrida eleitoral. Alan Rick está liderando. Já tem pesquisa que dá ele ganhando em primeiro turno”, disse. “Márcio Bittar faz isso toda hora com o Jorge Viana, tenta polarizar com quem está em cima, para puxar briga, para puxar mídia”, completou.

O debate no Jornal da Manhã mostrou um cenário em que o Vale do Juruá passa a ser tratado como território central da disputa política acreana. A chegada de Jorge Viana, a agenda de Alan Rick em Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul, a aproximação com o PSD, a cobrança por entrevista e as críticas sobre possível campanha antecipada formaram o pano de fundo de uma leitura comum entre os comentaristas: a campanha ainda não começou oficialmente, mas os movimentos já estão nas ruas, nas agendas e nos microfones.

Crise política e falta de planejamento aceleram saída de jovens do Acre, dizem Jorge Viana e Binho Marques

A crise política, a perda de capacidade de investimento do Estado e a ausência de um projeto de longo prazo estão empurrando jovens e famílias do Acre para outras regiões do país, sobretudo o Sul e o Sudeste. Essa foi a avaliação feita pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques na estreia do Podcast do Jorge Viana, apresentado por Marcela e pelo jornalista Toinho Alves, em um debate sobre o enfraquecimento da economia acreana e os caminhos para reter mão de obra e recuperar a atividade produtiva local.

Ao longo da conversa, os dois ex-governadores afirmaram que o Acre vive hoje um movimento oposto ao de décadas anteriores, quando o mercado de trabalho local absorvia trabalhadores e chegava a atrair profissionais de outros estados. Agora, segundo eles, moradores da periferia e jovens em idade produtiva estão deixando o estado para buscar emprego em cidades como Joinville, Chapecó e João Pessoa, muitas vezes em vagas de baixa qualificação e sob condições mais duras de adaptação.

Na avaliação de Binho Marques, a fragmentação da máquina pública entre grupos políticos comprometeu a capacidade de planejamento do Estado e travou políticas estruturantes. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos”, disse. Segundo ele, a ocupação de secretarias e órgãos estratégicos por indicações políticas substituiu metas permanentes de desenvolvimento por agendas imediatas, com impacto direto sobre a gestão pública e a execução de projetos.

O debate também apontou reflexos desse quadro sobre a economia interna. Jorge Viana e Binho citaram o abandono de polos produtivos e mudanças nas compras governamentais como sinais de enfraquecimento das cadeias locais. Um dos exemplos citados foi a redução da participação de cooperativas e agroindústrias acreanas no fornecimento de alimentos, inclusive para a merenda escolar, o que, segundo eles, reduz a circulação de renda dentro do próprio estado e enfraquece a produção regional.

Para os ex-governadores, a reversão desse cenário depende de um novo ciclo de investimentos e de uma estratégia capaz de conectar o Acre às transformações da economia digital. A ampliação da infraestrutura de internet, com fibra óptica alcançando municípios, comunidades rurais e aldeias indígenas, foi apontada como condição central para criar oportunidades de trabalho remoto, qualificação profissional e permanência da juventude no estado.

A aposta, segundo os debatedores, passa por combinar conectividade, formação técnica e inserção do Acre na agenda da bioeconomia. A avaliação apresentada no podcast é que, sem um programa consistente de compras públicas regionalizadas e sem expansão do acesso à internet de alta capacidade, o estado corre o risco de aprofundar a perda de população jovem e reduzir ainda mais sua base produtiva nos próximos anos.