Jorge Viana defende união política no Acre durante entrega de máquinas do Programa Inova

Jorge Viana defendeu nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, em Rio Branco, a união entre governo federal, bancada acreana e prefeituras durante a cerimônia de entrega de máquinas, veículos e equipamentos do Programa Inova. Ao falar no evento, que reuniu o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, além de autoridades estaduais e municipais, o ex-governador disse que o Acre depende de articulação política para ampliar investimentos e acelerar obras e ações no estado.

No discurso, Jorge Viana transformou a solenidade em um recado político e administrativo. Disse que “a causa tem que ser o Acre” e afirmou que divergências partidárias não podem se sobrepor aos interesses do estado. Também citou a necessidade de cooperação entre diferentes esferas de poder para garantir resultados em áreas como infraestrutura, produção rural, saúde e educação.

Ao comentar o lançamento do programa, Viana apresentou a entrega como exemplo de convergência institucional. Ele lembrou que já trabalhou com governos de partidos diferentes e afirmou que as principais obras e projetos executados no Acre dependeram de apoio federal. Em outro trecho, recorreu a um provérbio para reforçar a defesa da aliança entre lideranças políticas, ao dizer que quem quer avançar mais longe não consegue caminhar sozinho.

A agenda marcou o início da distribuição de centenas de equipamentos no estado dentro de um programa que prevê mais de 2 mil máquinas, veículos e equipamentos para os municípios acreanos, com investimentos acima de R$ 223 milhões. O pacote é voltado ao fortalecimento da produção rural, recuperação de ramais, mecanização agrícola e melhoria da infraestrutura local.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

Jorge Viana e Thor Dantas apontam aliança focada na recuperação da saúde e infraestrutura do Acre

O médico infectologista Thor Dantas e o ex-governador Jorge Viana oficializaram uma aliança para disputar as eleições majoritárias no Acre. O anúncio ocorreu durante o terceiro episódio do “Jorge Viana Podcast”, apresentado por Marcela e gravado em Rio Branco. O projeto lança Dantas como pré-candidato ao governo estadual e Viana ao Senado, tendo como prioridade reverter o déficit estrutural nos serviços de alta complexidade na saúde pública, recuperar o sucateamento da BR-364 e conter a fuga contínua de jovens profissionais da região.

A transição dos hospitais para a política partidária tem raízes na administração da pandemia de Covid-19. Thor atuou na linha de frente e viu o sistema colapsar pela ausência de planejamento e por decisões negacionistas que multiplicaram o número de mortes no país. A constatação de que o limite da medicina esbarra na ineficiência das políticas públicas o levou a buscar o comando do Executivo. A proposta da chapa é instaurar um modelo administrativo centrado em dados, formação de equipes técnicas e acompanhamento rigoroso de metas.

O principal projeto na área da saúde prevê a transformação da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundacre) em um Hospital Universitário. A iniciativa conta com uma estimativa de R$ 200 milhões do governo federal, investimento atualmente travado por articulações de políticos locais, de acordo com os pré-candidatos. A medida visa verticalizar o complexo, atrair novos profissionais e mitigar a crônica falta de leitos de internação e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que afeta a população de forma crônica. Além da saúde, a infraestrutura compõe o centro do debate. A rodovia BR-364 encontra-se tomada por buracos e sem manutenção constante, um gargalo logístico que a aliança promete solucionar via articulação conjunta entre o governo estadual e o Senado.

O ex-governador defende a reestruturação da máquina pública por meio de profissionais técnicos, sem loteamento de cargos. “O Acre está doente e a cura é Thor”, disse Jorge Viana, ao justificar o apoio ao médico em função de sua experiência diária na gestão de quadros clínicos de alta complexidade. Para Thor Dantas, a falta de capacidade gerencial comprometeu os alicerces do estado nos últimos anos. “Ser liderado pela ignorância é tudo que a gente não precisa”, pontuou o médico ao recordar as barreiras burocráticas no pico da crise sanitária. A motivação para a candidatura também se ampara em uma crise demográfica. “Eu não quero meus filhos indo embora e eu quero que esse Acre volte a dar certo”, afirmou Dantas, referindo-se à escassez de perspectivas para a juventude local.

A consolidação desta chapa reconfigura o cenário político acreano e antecipa um confronto eleitoral fundamentado em gestão e captação de recursos da União. O plano da dupla engloba a inserção do Acre na economia digital, com a promessa de fibrar o estado para conectar os municípios isolados e gerar negócios a partir de bases tecnológicas e florestais. A estratégia mira os eleitores prejudicados pela estagnação econômica, forçando o debate público a apresentar respostas imediatas para a manutenção logística, a modernização do ensino e a sobrevivência do comércio local.

Jorge Viana lidera corrida ao Senado no Acre e sai na frente em nova pesquisa do Paraná Pesquisas

Jorge Viana, do PT, apareceu na frente na disputa pelas duas vagas do Acre ao Senado em 2026, segundo pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira, 3. No cenário estimulado, o ex-governador e ex-senador marcou 34,7% das intenções de voto, à frente de Gladson Cameli, do PP, com 32,6%, e de Márcio Bittar, do PL, com 29,9%. Os três estão em empate técnico por causa da margem de erro de 3,2 pontos percentuais, mas o levantamento coloca Jorge Viana numericamente na liderança.

A pesquisa mostra um cenário aberto, mas com um dado político que chamou atenção: Jorge Viana reaparece no topo de uma disputa majoritária no Acre e entra no debate de 2026 com um sinal de força eleitoral. Atrás dos três primeiros colocados aparecem Coronel Ulysses, com 21,9%; Mara Rocha, com 21,6%; Sérgio Petecão, com 13,9%; Jéssica Sales, com 11,3%; Eduardo Velloso, com 9%; e Júnior Feitosa, com 1,6%.

Como cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado, a soma dos percentuais passa de 100%. O levantamento ouviu mil eleitores em 18 municípios do Acre entre os dias 31 de maio e 2 de junho. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número AC-01182/2026.

No comentário feito no Jornal da Manhã desta quarta-feira, Rogério Wenceslau tratou a liderança de Jorge Viana como a principal surpresa do levantamento. Para ele, o resultado muda o eixo inicial da disputa e recoloca o petista em posição central no tabuleiro político do Acre. A leitura é que, mesmo dentro do empate técnico, o fato de Jorge Viana aparecer na frente produz efeito político imediato, principalmente porque o cenário até aqui era de maior expectativa em torno dos nomes ligados à direita e ao grupo governista.

A dianteira de Jorge Viana também amplia o peso de sua possível candidatura num momento em que os partidos ainda fazem contas e ajustam estratégias para 2026. A pesquisa não define a eleição, mas entrega uma fotografia relevante do cenário atual e mostra que o petista largou à frente nesta rodada, com capital político para influenciar alianças, discursos e movimentos dos adversários.

No mesmo comentário, Wenceslau destacou ainda os números da corrida pelo governo do Acre, que também reforçam a antecipação da sucessão estadual. No cenário estimulado, Alan Rick aparece com 41,2%, Mailza Assis tem 24,4%, Tião Bocalom soma 16,1% e Thor Dantas registra 3,8%. A combinação dos dois quadros mostra que a disputa de 2026 já começou a ganhar forma no Estado.

Vale lembrar que Gladson Cameli ficou inelegível após ser condenado em 6 de maio de 2026 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e 9 meses de prisão, com perda do cargo, no processo que apurou corrupção, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Cameli nega irregularidades e afirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

Jorge Viana articula vinda de ministro de Lula ao Acre; 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos

Jorge Viana anunciou a vinda do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ao Acre na sexta-feira, 5 de junho, para o lançamento do Programa INOVA, iniciativa do governo federal voltada à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da infraestrutura produtiva dos estados e municípios. O evento será realizado às 10h, na Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Rio Branco, e deve marcar a entrega de cerca de 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos para prefeituras, governo do Estado e entidades do setor produtivo.

A confirmação da agenda ocorreu em Brasília, durante encontro entre Jorge Viana e Waldez Góes. Na ocasião, o ministro informou que o Acre está entre os primeiros estados contemplados pela iniciativa, criada para ampliar a produtividade, incentivar o uso de tecnologia no campo e reforçar a capacidade operacional das gestões municipais.

Ao comentar a agenda, Jorge Viana atribuiu o avanço do programa à articulação entre o governo federal e a bancada acreana. Ele afirmou que a liberação dos equipamentos representa um esforço conjunto para atender os municípios e apoiar a produção local. “São mais de 1.600 equipamentos que chegam graças a uma parceria entre o Governo Federal e a bancada federal do Acre, que se uniu em torno de um objetivo comum”, disse.

Jorge também afirmou que a chegada do programa ao estado é resultado de uma mobilização política voltada à liberação de investimentos para áreas consideradas estratégicas. Segundo ele, a prioridade foi garantir estrutura para as prefeituras, melhorar as condições de trabalho no interior e abrir espaço para geração de emprego e renda.

Waldez Góes afirmou que o Programa INOVA foi estruturado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar inovação, tecnologia e produtividade a estados e municípios. De acordo com o ministro, a proposta é facilitar o trabalho de quem atua no campo e de quem está à frente da gestão pública, com impacto direto sobre a produção e o desenvolvimento regional.

Os equipamentos previstos para o Acre devem ser usados no fortalecimento da infraestrutura produtiva dos municípios, no apoio às atividades agrícolas e na ampliação da capacidade de atendimento de órgãos públicos e entidades parceiras. A expectativa do governo federal é que a medida reforce a produção, melhore serviços e dê suporte a produtores, criadores e trabalhadores do estado.

O ato de lançamento em Rio Branco deverá reunir parlamentares da bancada federal, gestores públicos, representantes de associações e instituições beneficiadas pelo programa. Para Jorge Viana, a agenda simboliza uma convergência em torno de interesses comuns do Acre, com foco na estruturação dos municípios e no estímulo ao desenvolvimento regional.

Jorge e Binho avaliam crise na educação do Acre e apresentam projeto de conectividade escolar

O estado do Acre registra atualmente um de seus piores momentos nos índices nacionais de ensino e enfrenta problemas estruturais na rede pública, como escolas operando em instalações precárias e salários docentes defasados. O diagnóstico foi traçado pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques durante o segundo episódio do podcast “Aqui tem Acre”, conduzido pela apresentadora Marcela. O encontro abordou a crise no setor governamental e fundamentou a necessidade de um plano de reconstrução centrado na expansão da internet nas escolas e na recomposição salarial da categoria, visando reinserir o estado entre as dez melhores educações do país.

A situação do sistema de ensino contrasta com o cenário de gestões anteriores, quando o Acre saltou das últimas posições para o grupo dos dez primeiros colocados no ranking nacional do Ensino Fundamental e Médio. No passado, a estratégia envolveu a criação de um plano decenal, a construção de escolas em áreas rurais e indígenas por meio de mutirões, e o estabelecimento do maior piso salarial do país para os professores no ano de 2008. Naquele período, o investimento focou na formação superior para docentes de todos os 22 municípios acrianos, em parceria com a Universidade Federal do Acre, e na reestruturação do ambiente de sala de aula para reverter a evasão escolar.

Hoje, a realidade administrativa tomou outro rumo. As queixas apresentadas envolvem a falta de construção de novas unidades de ensino nos últimos oito anos e suspeitas de irregularidades ligadas à reforma contínua de prédios antigos e à compra de merenda escolar por meio de atravessadores. A deterioração estrutural chegou ao ponto de escolas funcionarem improvisadas em currais, demandando a intervenção de órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado. “O Acre paga hoje um dos piores salários do Brasil para os professores, mesmo o estado tendo muito mais recursos em caixa do que no passado”, afirmou Binho Marques. O ex-governador relatou o envio de um documento detalhado sobre as necessidades da área ao atual chefe do Executivo acriano no início de sua gestão, sem obter retorno ou implementação das medidas sugeridas.

A superação do quadro exige o restabelecimento de um pacto envolvendo professores, poder público e comunidade escolar, fugindo de decisões isoladas de gabinete. O plano estratégico desenhado para as próximas gestões abandona o foco exclusivo na alvenaria e volta a atenção para a infraestrutura digital. O projeto prevê a instalação de internet de banda larga de alta velocidade e baixa latência em todas as escolas da rede estadual, permitindo que os estudantes acrianos tenham paridade de aprendizado com alunos da Ásia e da América do Norte. A mesma rede de fibra ótica servirá de base tecnológica para a expansão da telemedicina nos municípios isolados do interior, conectando pacientes a médicos especialistas baseados na capital em tempo real.

A retomada dessa agenda educacional projeta impactos diretos na retenção de jovens no estado e no aquecimento da economia local. Com a reestruturação da carreira docente, a expectativa é devolver o poder de compra aos profissionais e frear o endividamento da categoria. No campo político e administrativo, a movimentação já estabelece as bases para o próximo ciclo eleitoral majoritário. Binho Marques colocou seu nome à disposição para assumir novamente a Secretaria de Estado de Educação em um eventual novo governo, com a missão de aplicar a experiência administrativa adquirida no Ministério da Educação e replicar o modelo de gestão que elaborou e que atualmente serve de base para o treinamento de secretários das maiores capitais do país.

Bittar acusa imprensa, mas é cobrado a provar quem recebeu dinheiro de ONGs no Acre

A resposta veio no ar, na manhã desta quarta-feira, 27 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul. No Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, Chico Melo e Rogério Wenceslau rebateram a fala do senador Márcio Bittar (PL-AC), que havia acusado parte da imprensa acreana de ser custeada por ONGs e chamado entrevistas feitas no Juruá de “quase combinadas”. A cobrança foi direta: se há jornalistas ou veículos pagos por ONGs para conduzir entrevistas, Bittar precisa apresentar nomes, valores, contratos e provas.

Chico abriu o programa colocando a acusação no centro da bancada. “A imprensa do Acre, em especial a imprensa do Juruá, é vendida, é comprada por ONGs”, disse ele, ao reproduzir o teor da fala de Bittar. Em seguida, marcou o ponto que atravessou toda a resposta: “Esse negócio de pagamento a jornalista, a veículo de imprensa, para fazer pauta combinada, é um negócio que tem que ser provado. Nem todo mundo está nesse balaio aí”.

Rogério Wenceslau respondeu com ironia, mas também com incômodo de quem viu uma categoria inteira ser colocada sob suspeita. “Me passa por favor o contato dessa ONG que você se vendeu, que eu quero me vender também”, disse. Chico manteve o tom e devolveu a provocação ao senador: “Eu quero saber onde depositaram essa grana. O meu extrato bancário está à disposição, senador Márcio Bittar. Será que o seu está à disposição?”.

A reação da bancada não foi uma defesa vazia da imprensa. Foi uma cobrança por prova. Bittar pode criticar entrevistas, cobrar perguntas mais duras e exigir que Jorge Viana responda sobre BR-364, ponte sobre o Rio Juruá, Serra do Divisor, ligação com o Peru e políticas ambientais. Esse debate é legítimo. O que não se sustenta é usar a tribuna do Senado para lançar suspeita sobre jornalistas e veículos sem dizer quem recebeu, quanto recebeu, de qual ONG recebeu e para fazer qual pauta.

Chico também fez questão de separar crítica política de acusação sem prova. “A imprensa do Juruá não está vendida. Eu não estou”, afirmou. Depois, cobrou que a fala de Bittar tenha consequência concreta: “Vai ter que provar”. A frase resume o ponto central da resposta. Em política, a palavra pode ser dura. Mas quando a palavra acusa, precisa vir acompanhada de documento.

A bancada levou ao ar um levantamento feito a partir da transparência do Senado. Entre maio de 2025 e março de 2026, aparecem pelo menos R$ 281.323,65 em gastos da cota parlamentar de Bittar com serviços ligados à divulgação da atividade parlamentar, imprensa, publicidade, marketing e comunicação. Desse total, R$ 198.933,65 são de 2025 e R$ 82.390,00 dos três primeiros meses de 2026. Janeiro de 2026 concentrou o maior volume, com R$ 55.390,00. O maior pagamento individual reunido no material foi de R$ 31.590,00, descrito como trabalho técnico de apoio ao mandato parlamentar.

Chico fez a ressalva necessária: o uso da cota parlamentar para divulgação do mandato não é ilegal por si só. “A legislação permite isso”, disse. Mas a pergunta política ficou de pé. Se Bittar acusa a imprensa de financiamento oculto, seus próprios gastos públicos com comunicação também podem ser examinados. O levantamento reúne repasses a serviços de comunicação, publicidade, produção, marketing, outdoor e impulsionamento em redes sociais.

O apresentador também deixou claro que a bancada não recebeu dinheiro do gabinete do senador. “Essa bancada não recebeu um real do senhor”, afirmou. Em seguida, reforçou o convite ao confronto público de informações: “Eu deixo à disposição meu extrato bancário”. A resposta mirou o ponto mais sensível da acusação: quem fala em dinheiro escondido precisa aceitar transparência total, inclusive sobre o próprio mandato.

A Rádio Integração não fechou portas. Fez o contrário. Bittar foi convidado a ir ao programa, sentar na bancada, tomar café e responder. “O senhor pode vir aqui tomar um cafezinho com a gente. Está convidado”, disse Chico. Ele lembrou que o senador já foi entrevistado gratuitamente na emissora e que nunca pagou nada por isso. “O senador já teve aqui, já tomou cafezinho com a gente, já tomou água e nunca pagou nada”, afirmou.

A resposta também devolveu a cobrança sobre infraestrutura. Se Bittar quer perguntar a Jorge Viana sobre a BR-364, a ponte e a ligação com o Peru, também deve responder o que fez quando teve força em Brasília, quando foi relator do Orçamento e quando dizia ter influência para mandar recursos ao Acre. “Como é que ele vai criticar a BR-364 se, quando teve a oportunidade de fazer, não fez?”, questionou Chico.

O Juruá não precisa apenas saber quem impediu obras. Precisa saber quem prometeu, quem teve caneta, quem tinha poder e quem não entregou. Foi esse o sentido da pauta que Chico disse que enviaria ao gabinete do senador. “Eu queria combinar aqui uma pauta com o senador Márcio Bittar. Tenho algumas perguntas aqui. Eu vou mandar para sua assessoria e, se o senhor tiver coragem, o senhor vem aqui e responde”, disse.

Chico também fez questão de preservar o tom institucional da cobrança. “Sem ranço, sem ofensa. A gente faz uma gozação porque também nós temos esse direito, já que fomos achincalhados publicamente”, afirmou. A frase mostra o limite da resposta: houve ironia, houve indignação, mas também houve convite ao contraditório. Bittar pode responder no Senado, por nota, pela assessoria ou no próprio Jornal da Manhã. O microfone está aberto.

No fim, o Jornal da Manhã colocou a discussão no lugar certo. A imprensa do Juruá não é extensão de gabinete, nem de Jorge, nem de Bittar, nem de qualquer outro grupo político. Ela existe para perguntar. Se há entrevista combinada, que se prove. Se há ONG pagando jornalista, que se mostre. Se não há prova, a acusação vira apenas tentativa de intimidar quem trabalha com microfone aberto diante da população.

Bittar acertou ao trazer a infraestrutura para o centro do debate. Errou ao atacar a imprensa sem apresentar provas. Quem cobra transparência precisa praticá-la. Quem exige perguntas duras precisa responder perguntas duras. E quem usa a tribuna do Senado para acusar jornalistas deve ter coragem de voltar ao Juruá, sentar diante dos microfones e explicar, com documentos na mão, exatamente o que quis dizer.

Bittar acusa imprensa do Acre de ser custeada por ONGs e mira entrevistas de Jorge Viana no Juruá

O senador Márcio Bittar (PL-AC) levou à tribuna do Senado, na tarde de segunda-feira, 25 de maio de 2026, uma ofensiva contra ONGs, políticas ambientais na Amazônia, gestões petistas no Acre e o ex-governador Jorge Viana, mas foi no trecho final do discurso que abriu uma nova frente de confronto: acusou parte da imprensa acreana de ser custeada por organizações não governamentais e insinuou que entrevistas concedidas por Jorge no Vale do Juruá seriam “quase combinadas”. A fala ocorreu em sessão não deliberativa, iniciada às 14h, no plenário do Senado.

Bittar começou a fala por volta de 14h36, depois de problemas de áudio na participação remota do senador Paulo Paim (PT-RS), e falou por cerca de 20 minutos. O senador partiu de um ponto sensível para qualquer acreano que conhece a distância entre o discurso nacional sobre a Amazônia e a vida concreta de quem mora na região: a floresta costuma ocupar o centro do debate, enquanto a população aparece como detalhe. “É muito comum discurso sobre a Amazônia, seminários, simpósios. A métrica sempre é a quantidade de floresta em pé nos nossos estados, mas é muito raro você ver uma nota, uma matéria falando dos 28 milhões de brasileiros que moram na Amazônia”, disse. Na mesma sequência, afirmou haver “um domínio das ONGs na mídia brasileira” e acusou esse campo de esconder a pobreza da região.

A fala ganhou contorno eleitoral quando Bittar passou a mirar Jorge Viana, figura central do PT acreano, ex-governador e ex-presidente da ApexBrasil. O senador tentou prender Jorge a três temas que devem atravessar a disputa de 2026 no Acre: a ligação rodoviária do Juruá com o Peru, a ponte sobre o Rio Juruá e a situação da BR-364. Para quem vive em Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo ou Porto Walter, essas não são siglas de gabinete. São caminhos de escoamento, preço de mercadoria, tempo de viagem, isolamento no inverno amazônico e a velha sensação de que o Juruá entra na política como promessa e sai dela como adiamento.

No encerramento, Bittar mirou diretamente os veículos de comunicação do estado. “E, para terminar, Sr. Presidente, a nossa imprensa, muitas delas custeadas por ONGs, outras ainda têm até medo, pavor do que Jorge Viana representou no Acre, um perseguidor…”, afirmou. Em seguida, atacou a cobertura das entrevistas de Jorge no interior: “Ele vai ao Juruá dar entrevista — tudo entrevista quase que combinada — e ninguém tem coragem de perguntar ao Jorge — lá em Cruzeiro do Sul —, quando o Governo dele aceita que uma ONG proíba de fazer a ponte sobre o Rio Juruá, que nos proíba de continuar a BR-364, que é a linha histórica, ligando Cruzeiro do Sul a Pucallpa, no Peru, porque passa na Serra do Divisor”, declarou.

O senador também colocou na mesma conta a discussão sobre ferrovia. Disse que o trajeto original passaria por Cruzeiro do Sul e acusou o governo federal, com Jorge na ApexBrasil e Marina Silva no campo ambiental do governo Lula, de deslocar esse eixo para a BR-317. “O trajeto original é por Cruzeiro do Sul. O Governo dele, com a Marina — ele sendo o Presidente da Apex —, tirou de lá e passou para a 317, onde já tem asfalto. Ele não toca no assunto, e muito menos alguém pergunta”, declarou.

A estratégia política de Bittar foi clara: transformar Jorge Viana em responsável por uma visão de desenvolvimento que, na leitura do senador, teria “engessado” o Acre em nome da preservação ambiental. Ao citar Marina Silva, a “florestania”, a Serra do Divisor, a BR-364 e a relação com Lula, Bittar tentou arrastar a pré-campanha de Jorge para o terreno onde a direita acreana se sente mais confortável: o embate entre preservação, infraestrutura, emprego e presença do Estado no interior.

A BR-364 apareceu como peça central desse tabuleiro. Bittar disse que a rodovia “nunca esteve pior” e cobrou o governo federal pela situação atual da estrada. Reconheceu que, no governo Jair Bolsonaro, não houve dinheiro suficiente para reconstruir a rodovia, mas atribuiu o período à pandemia. Depois, voltou a cobrar o PT: “Logo que eles voltam ao poder, o que eles dizem? ‘Agora nós vamos recuperar a BR-364’; ela nunca esteve pior do que está agora”.

A acusação contra a imprensa amplia o alcance do discurso. Bittar não atacou apenas Jorge Viana, Marina Silva ou o PT. Ao dizer que parte dos veículos seria custeada por ONGs e que outra parte teria medo de Jorge, o senador colocou jornalistas e empresas de comunicação dentro da disputa política. É uma cobrança pesada, porque mistura uma crítica legítima sobre perguntas não feitas com uma acusação grave sobre financiamento e independência editorial. Sem apresentação pública de provas no discurso, a fala fica no campo da acusação política, embora tenha força para alimentar a temperatura da pré-campanha.

O movimento de Jorge Viana pelo interior, especialmente no Juruá, virou o alvo principal. Bittar quer que cada entrevista do ex-governador carregue perguntas sobre a ponte, a estrada, a ferrovia, a Serra do Divisor e a relação do PT com o governo Lula. Quer impedir que Jorge caminhe pelo Acre apenas com discurso afetivo, de reencontro com a população e defesa do legado administrativo. Na prática, tenta trocar o cenário da memória política pelo cenário da cobrança concreta.

No Acre, onde a política costuma nascer em conversas de mercado, rádio local, beira de rio e estrada ruim, a fala de Bittar também expõe uma disputa maior sobre quem tem autoridade para falar em nome da Amazônia. De um lado, a narrativa ambiental, com a floresta como patrimônio global. Do outro, a narrativa da infraestrutura, com o morador amazônico no centro da conta. O problema é que, entre uma e outra, vive a população que paga caro pelo combustível, perde tempo na lama, depende da BR para circular e assiste, eleição após eleição, à mesma promessa voltar com roupa nova.

Ao usar a tribuna do Senado para acusar a imprensa e pressionar Jorge Viana, Bittar abriu uma frente que deve ecoar na eleição de 2026. O debate deixou de ser apenas sobre obras e meio ambiente. Passou também a envolver a forma como o Acre pergunta, cobra, entrevista e fiscaliza seus personagens políticos. No Juruá, onde a estrada é sempre mais que uma estrada, a pergunta que Bittar lançou agora mira Jorge, mas atravessa todos os lados: quem vai explicar, sem fuga e sem slogan, por que a integração prometida há décadas continua parada no mesmo lugar?

Jorge Viana diz que Acre vive crise de resultados e afirma que Gladson Cameli está inelegível após condenação no STJ

Jorge Viana afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta segunda-feira, 25 de maio, em Cruzeiro do Sul, que o Acre atravessa um momento de perda de capacidade política, concentração de poder sem entrega de resultados e abandono de prioridades estruturais, como a BR-364. Ao comentar a situação do ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça, o ex-governador e pré-candidato ao Senado disse lamentar o caso, negou qualquer participação do PT na origem do processo e afirmou que, na sua avaliação, a condenação em órgão colegiado torna Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

A avaliação de Jorge sobre o Acre partiu de uma comparação entre o volume de poder acumulado pelo grupo que venceu as últimas eleições e a situação concreta enfrentada pela população. Para ele, o estado deu a um mesmo campo político o controle do governo, da bancada federal, das prefeituras mais importantes e da representação no Senado, mas não recebeu em troca obras, serviços e respostas proporcionais. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou.

Jorge disse que pesquisas qualitativas feitas em Cruzeiro do Sul mostram uma cobrança direta da população por realizações. Segundo ele, o sentimento ouvido nas conversas é de frustração com promessas não cumpridas e com a falta de obras estruturantes. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

A BR-364 foi usada por Jorge como o exemplo mais visível da situação atual do Acre. Ele relatou ter chegado a Cruzeiro do Sul pela estrada, depois de passar por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano, e classificou a situação da rodovia como “uma verdadeira tragédia”. Para o ex-governador, o problema deveria unir governo, bancada federal e lideranças políticas, independentemente de partido. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou.

Mesmo aliado do presidente Lula, Jorge disse que também cobrará o governo federal pela situação da rodovia. Afirmou que os recursos voltaram a ser destinados à estrada, mas que a execução ainda não chegou ao resultado esperado pela população. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, disse. Para ele, a bancada federal deveria concentrar emendas e pressão política na recuperação da BR-364, em vez de pulverizar recursos em ações menores. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Ao falar sobre a crise política acreana, Jorge evitou reduzir o debate à disputa entre esquerda e direita. Disse que o eleitor quer entrega, presença do Estado e capacidade de resolver problemas concretos. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, afirmou. Em seguida, completou: “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”.

A fala mais sensível da entrevista veio quando Jorge foi questionado sobre Gladson Cameli. O ex-governador disse lamentar profundamente a condenação e afirmou que não celebra a queda de adversários políticos. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, disse. Em seguida, buscou afastar qualquer ligação entre o processo e o PT, lembrando que as investigações começaram em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou.

Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha ao tratar da origem política da denúncia contra Gladson. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, afirmou. Com essa fala, o pré-candidato tentou deslocar o caso do campo da disputa PT contra Gladson e situá-lo dentro das próprias rupturas internas do grupo político que governou o Acre nos últimos anos.

Sobre os efeitos eleitorais da condenação, Jorge foi direto ao afirmar que, em sua leitura, Gladson está inelegível. Ele citou a Lei da Ficha Limpa e disse que a decisão do STJ tem peso por ter sido tomada por um colegiado. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. Apesar disso, disse esperar que o ex-governador consiga recorrer.

Jorge negou que sua pré-candidatura dependa da retirada de Gladson da disputa. Segundo ele, estava preparado para enfrentar a eleição mesmo com o ex-governador no páreo, inclusive porque parte do eleitorado poderia votar nos dois para o Senado. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, afirmou.

Na avaliação de Jorge, o Acre precisa sair da paralisia política provocada por brigas, extremismos e disputas pessoais. Ele defendeu a recomposição de pontes, mas associou essa postura à cobrança por resultados. O ex-governador disse que não quer voltar ao Senado para atacar o estado ou alimentar conflitos, e sim para recuperar interlocução em Brasília, buscar investimentos e colocar a infraestrutura no centro da pauta. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.

Jorge Viana diz que vai procurar Zequinha e rejeita ser “senador de um pedaço do Acre”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta segunda-feira (25), em Cruzeiro do Sul, o ex-senador Jorge Viana afirmou que pretende pedir uma audiência com o prefeito Zequinha Lima na próxima visita ao município e disse que, se voltar ao Senado, atuará sem distinção política. No programa, ele afirmou que quer ser “solução do problema” e descartou a ideia de representar apenas parte do estado.

Ao falar sobre a agenda no Juruá, Jorge disse que retornará a Cruzeiro do Sul em cerca de uma semana para conversar com autoridades locais e incluiu Zequinha entre os encontros que quer fazer. “Vou pedir uma audiência com o prefeito Zequinha porque eu tô visitando todos os prefeitos”, declarou, ao defender uma atuação política voltada para todo o Acre.

Na entrevista, Jorge afirmou que um eventual mandato no Senado não pode ficar restrito a aliados. “Se eu quero ser senador, não é pra criar mais problema, é pra ser solução do problema”, disse. Em seguida, reforçou: “Se o prefeito lá tá com uma coisa, não importa se votou em mim ou não, porque eu tenho que defender, ou então eu não vou ser senador do Acre, vou ser senador de um pedaço do Acre.”

Jorge Viana defende união pelo Acre na Rádio Integração e cobra recuperação da BR-364

A Rádio Integração abriu, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Cruzeiro do Sul, uma nova etapa do Jornal da Manhã ao levar ao ar, também em vídeo pelo YouTube, Instagram e demais redes sociais, uma entrevista de mais de uma hora com Jorge Viana, ex-governador, ex-senador, ex-presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado. A conversa, conduzida por Chico Melo, Rogério Wenceslau, Gledson Albano e Mazinho Rogério, colocou no centro do debate a BR-364, a pré-candidatura de Jorge, a polarização política, o governo Lula, a situação jurídica e eleitoral de Gladson Cameli, a produção de café no Juruá, a exportação, a internet e a necessidade de recuperar o diálogo democrático no Acre. Logo na abertura, Chico Melo classificou o momento como “uma entrevista necessária” e reforçou o papel da emissora em receber lideranças políticas em diferentes ocasiões, dentro de uma linha editorial que busca ouvir todos os lados e oferecer ao público o mesmo espaço para que ideias, cobranças e projetos sejam confrontados diante da população.

A entrevista teve peso político também pelo contexto. O Juruá voltou a ser tratado como território decisivo para as eleições de 2026. Antes da entrada de Jorge Viana no estúdio, Rogério Wenceslau chamou atenção para a movimentação de lideranças na região e afirmou que Cruzeiro do Sul e os municípios vizinhos estão “muito cobiçados politicamente”. Ele citou agendas recentes de Alan Rick, Jorge Viana, Tião Viana e Virgílio Viana, além da disputa em torno do apoio do prefeito Zequinha Lima, hoje visto como peça importante no tabuleiro eleitoral.

Jorge Viana chegou ao estúdio depois de cruzar parte do Acre pela BR-364. Disse que passou por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano antes de chegar a Cruzeiro do Sul. A estrada, segundo ele, resume um dos maiores problemas do estado. “Eu estava numa viagem pela estrada e vocês sabem como é que está: é uma verdadeira tragédia essa situação da estrada”, afirmou. A frase abriu o tom da entrevista: Jorge procurou apresentar sua pré-candidatura como uma tentativa de recompor capacidade política em Brasília, sem poupar críticas à falta de articulação da bancada federal e sem aliviar a cobrança sobre o próprio governo Lula.

O ex-governador disse que voltou a percorrer o Acre porque já ajudou o estado em outro momento e quer “ajudar outra vez”. A fala buscou conectar sua trajetória administrativa ao momento atual, marcado por estradas precárias, baixa geração de oportunidades e forte disputa ideológica. “Eu estou na política, já estive para ajudar uma vez, estou para ajudar outra vez. Vim muito devagar, dormindo nos lugares, lá em Sena Madureira, lá em Feijó, fui lá no Gregório também, passei em Tarauacá, claro, em Manoel Urbano, e agora estou aqui em Cruzeiro para conversar com vocês”, disse.

A Rádio Integração, ao dar espaço para Jorge Viana, reforçou uma prática essencial em ano de pré-campanha: abrir o microfone para que lideranças de campos distintos sejam questionadas ao vivo, por jornalistas da região, diante de ouvintes e internautas. Não se tratou apenas de uma entrevista com um pré-candidato. O programa funcionou como uma arena pública em que temas concretos do Acre foram submetidos ao confronto direto: a estrada, o peso do Juruá, a relação com o governo federal, o legado dos governos petistas, os erros dos adversários, as mudanças no eleitorado, a produção regional e o futuro econômico do estado. Ao anunciar o novo formato com vídeo, Chico Melo situou a emissora em uma fase de expansão da audiência, mantendo o rádio como base e somando imagem, redes sociais e participação em tempo real. Ao longo desta semana a programação conta ainda com as entrevistas de Alan Rick, pré-candidato ao governo, e de Virgílio Viana, pré-candidato a deputado federal.

No ponto mais duro sobre infraestrutura, Jorge Viana cobrou unidade da bancada federal em torno da BR-364. Para ele, a estrada deixou de ser um problema administrativo e virou uma emergência política. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou. Em seguida, defendeu que os onze parlamentares acreanos concentrem emendas na rodovia e cobrem execução do DNIT. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Mesmo sendo aliado do presidente Lula, Jorge disse que pretende cobrar o governo federal. A fala buscou afastar a ideia de alinhamento automático. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, afirmou. A cobrança expõe um dos pontos mais sensíveis da disputa ao Senado: quem terá força política para transformar repasses, emendas e promessas em obra executada. Jorge tentou ocupar esse espaço ao dizer que mantém relação com diferentes campos em Brasília e que o Senado é o lugar onde o Acre pode ter o mesmo peso institucional de estados maiores.

A polarização política apareceu como outro eixo central. Chico Melo puxou o tema a partir do clima de divisão que tem atravessado famílias e relações pessoais no Brasil. Jorge concordou e disse que o país está cansado de um ambiente de guerra permanente. “O Brasil está cansado da polarização. Uma coisa é você fazer uma crítica como oposição, isso é bem-vindo, isso é legítimo e necessário. Outra coisa é se aproveitar disso e distorcer as coisas e tornar o Brasil um campo de guerra. Aí não”, disse. Ele comparou a disputa política com rivalidades do futebol, afirmando que divergência pode existir sem virar ódio. “Transformar a política, que é uma coisa muito importante, numa verdadeira guerra que divide as famílias no almoço de domingo, por ideologia, isso é terrível”, completou.

Na explicação sobre a demora para assumir a pré-candidatura, Jorge afirmou que aguardava uma definição do presidente Lula sobre sua saída da ApexBrasil. Disse que estava satisfeito com o trabalho no órgão, mas que aliados no Acre pediam sua volta à disputa. Segundo ele, Lula inicialmente demonstrou dúvida sobre liberá-lo, até chamá-lo ao gabinete e autorizar a caminhada. “Ele pegou no meu braço no gabinete e falou: Jorge, o povo do Acre está certo de te pedir para ir. Eu quero que você vá lá, ganhe esse mandato de senador, ajude o Acre, ajude o Brasil. O Acre e o Brasil estão precisando de um senador igual você lá”, contou. Depois da conversa, afirmou ter iniciado a pré-campanha com a missão de “unir os que estão desunidos”.

O tema do equilíbrio político no Acre foi provocado por Rogério Wenceslau, que apontou a concentração de poder em um mesmo campo político e a redução da fiscalização. Jorge respondeu afirmando que a oposição é importante para a democracia, mas disse que o grupo político que venceu as últimas eleições reuniu governo, prefeituras, Senado, Câmara Federal e Presidência da República, sem entregar os resultados esperados. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou. Segundo ele, pesquisas qualitativas em Cruzeiro do Sul mostram cobrança direta da população. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

Quando Gledson Albano perguntou sobre a perda de força da esquerda no Acre, Jorge evitou reduzir sua trajetória a um rótulo ideológico. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, disse. Para ele, o eleitor acreano quer resultado mais do que identificação partidária. “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”, completou.

A entrevista também teve espaço para memória administrativa. Jorge citou obras realizadas em seus governos e nos governos de Binho Marques e Tião Viana, especialmente no Juruá. Mencionou a Avenida Mâncio Lima, o porto, o aeroporto de Cruzeiro do Sul, a Avenida São Paulo, a eletrificação rural, o Hospital do Juruá, escolas e a chegada da universidade. Ao tratar do passado, tentou apresentar um contraste com o presente: não como nostalgia, mas como argumento eleitoral. A mensagem foi clara: sua pré-candidatura pretende disputar a lembrança concreta de obras e serviços contra o desgaste de um ciclo político que, segundo ele, concentrou poder e não produziu entregas compatíveis.

A situação do ex-governador Gladson Cameli ocupou a parte mais sensível da entrevista. Jorge disse lamentar a condenação no Superior Tribunal de Justiça e afirmou que não deseja prisão nem sofrimento a adversários. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, afirmou. Em seguida, rebateu qualquer tentativa de atribuir o processo ao PT. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou. Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha como autor da denúncia inicial. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, disse.

Ao avaliar o impacto eleitoral, Jorge disse considerar Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa, embora tenha afirmado torcer para que o ex-governador consiga recorrer. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. O pré-candidato disse ainda que estava preparado para disputar a eleição mesmo com Gladson na corrida. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, disse.

O café, levado por Jorge ao estúdio e passado durante o programa, abriu uma frente econômica da entrevista. O ex-governador apresentou o Ikiri, produto cultivado em sua propriedade em Rio Branco, e usou o momento informal para falar da cadeia produtiva no Juruá. Disse que pretende ajudar produtores de Mâncio Lima a exportar café para mercados de alto valor. “Vou ajudar os amigos de Mâncio Lima a exportar o café. Já falei isso com Jonas, com o pessoal da Cobra Café. Estou abrindo mercado dos Estados Unidos, da China, da Europa e do Japão para o café de Mâncio Lima, para o café do Juruá”, afirmou. Em seguida, antecipou que a exportação pode começar ainda nesta safra. “Talvez esse ano agora a safra já comece a exportar café de Mâncio Lima para os Estados Unidos. Estou dando aqui em primeira mão a notícia”, disse.

O tema da conectividade apareceu nos minutos finais. Jorge afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para melhorar a internet no Acre. “Uma das coisas que eu quero fazer é transformar o Acre para ter a melhor internet da Amazônia. Ter três cabos de fibra ótica de Rio Branco para Cruzeiro do Sul”, declarou. A proposta foi vinculada à permanência da juventude no estado e à criação de oportunidades. “Trinta e quatro mil pessoas foram embora do Acre nos últimos oito anos. Isso é uma loucura. E por que essas pessoas foram embora? Atrás de oportunidade. As oportunidades têm que estar aqui”, afirmou.

Jorge também criticou os juros no Brasil, especialmente o consignado. Ao falar sobre programas federais de renegociação e crédito, afirmou que o Senado precisa enfrentar o peso das taxas cobradas de trabalhadores e aposentados. “Esse tal consignado às vezes ajuda a pessoa a pegar dinheiro, mas ninguém consegue se livrar do consignado pela taxa de juro que cobra. É garantido, o cara desconta do salário da pessoa e a pessoa ainda paga uma taxa de juro dessa. Se eu estiver no Senado, é para lutar contra esse tipo de barbaridade”, disse.

A entrevista terminou com Jorge Viana tentando fixar uma imagem de pré-candidato conciliador, mas combativo nos temas de infraestrutura, economia e representação política. Ele disse não querer voltar ao Senado para alimentar brigas, mas para recuperar investimentos, defender o Acre em Brasília e reconstruir pontes com setores hoje separados pela polarização. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.