Um erro técnico no registro da candidatura impediu o ex-governador Binho Marques de integrar a chapa de Jorge Viana ao Senado nas eleições de 2026. Mesmo fora da suplência, ele confirmou que seguirá na campanha e atuará na coordenação das candidaturas de Jorge Viana ao Senado e de Thor Dantas ao governo do Acre.
Em carta aberta divulgada nesta sexta-feira, 7, Binho afirmou que o problema envolveu prazos e datas do registro eleitoral. Ele disse que reconhece o erro e que respeitará a decisão da Justiça.
“Houve um erro técnico no registro da minha candidatura como primeiro suplente do senador Jorge Viana. Um erro de prazos, de datas. Erramos”, afirmou.
Binho também reforçou que continuará diretamente envolvido na campanha. “Vou trabalhar mais ainda pela vitória da Frente Ampla, seja na coordenação das campanhas do Jorge e do Thor, seja nas ruas”, declarou.
O ex-governador ainda manifestou apoio a Jorge Viana para o Senado, Thor Dantas para o governo do Acre e Lula para a Presidência da República.
O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana defendeu maior foco da Expoacre na geração de negócios, anunciou planos de exportar café produzido no estado e comentou os embates políticos e ambientais no Acre durante entrevista ao ac24horas, na sexta noite da Expoacre 2026, em Rio Branco. Antes de chegar aos estúdios, ele enfrentou o trânsito intenso da Via Verde e recorreu a motocicletas para conseguir cumprir o horário da entrevista.
“Andreia, me põe um problema que a solução eu arrumo, eu sou nativo. Liga pro Gabriel, manda duas motos vir nos resgatar aqui”, contou Viana ao relatar o deslocamento. “É bom conhecer cada palmo desse chão que eu amo, que é o Acre”, acrescentou.
Na entrevista, o ex-governador relembrou a situação do Parque de Exposições Wildy Viana quando assumiu o governo estadual, em janeiro de 1999. Segundo ele, a feira agropecuária estava interrompida e o espaço permanecia sem atividades havia anos.
“Quando eu assumi o governo em janeiro de 99, não tinha Expoacre. O parque estava paralisado há anos”, afirmou. Para Viana, o evento deve conciliar entretenimento com atividades voltadas à economia e à geração de oportunidades.
“Sempre achei que é muito importante você ter o negócio e o entretenimento. Não gosto quando chamam de ‘arraialzão’. Se o pessoal tá chamando de arraial, é porque não tá legal”, disse. Ele também defendeu maior espaço para negócios durante a feira. “Tem que dar mais atenção aos negócios, focar na economia para que os nossos irmãos acrianos não tenham que ir embora buscar uma melhor sorte na vida em outro estado.”
Viana também falou sobre sua atuação como produtor rural. Há quatro anos, investe no cultivo de café clonal e mantém uma estrutura de produção com indústria própria. A expectativa é iniciar a venda do produto para o mercado internacional.
“Esse ano, se Deus quiser, eu pretendo ser o primeiro a exportar produção de um café de grande qualidade pros Estados Unidos, quem sabe à China”, afirmou. O ex-governador disse que pretende usar a experiência para ampliar a participação de outros produtores acreanos no mercado externo. “Eu tenho que ser pioneiro nisso, para depois dar a mão pros meus colegas cafeicultores e fazer o Acre ser exportador também de café.”
Ao tratar do cenário político, Viana afirmou que passou a evitar confrontos que, na avaliação dele, não contribuem para enfrentar os problemas do estado. A declaração ocorreu ao comentar divergências com adversários políticos, entre eles o senador Márcio Bittar.
“Eu mudei sem mudar de lado, mas eu acho que é triste uma pessoa que tem o privilégio de viver mais dias, mais janeiros, e não procura ficar um pouco melhor”, declarou. Viana afirmou que as dificuldades econômicas e sociais do Acre exigem menos confronto político. “O nosso estado tá passando por tanta dificuldade. Ter uma pessoa ou pessoas querendo acirrar as diferenças na hora da dificuldade não vai ajudar em nada.”
Ao falar sobre sua atuação política, o pré-candidato disse que pretende concentrar esforços na busca de soluções para problemas do estado. “Eu sou um resolvedor de problema, eu penso assim, e eu quero ser um resolvedor de problema do Acre. Eu não tenho mais tempo para gastar energia discutindo bobagem.”
A relação entre produção agropecuária e preservação ambiental também esteve entre os temas da entrevista. Viana, engenheiro florestal e relator do Código Florestal aprovado em 2012, comentou os embargos aplicados pelo Ibama no Acre e criticou posições radicalizadas no debate ambiental.
“Você acha que a pessoa vai resolver um problema ambiental tendo ódio do meio ambiente?”, questionou. Na sequência, defendeu medidas que conciliem preservação e atividade econômica. “Quem é que pode resolver? Quem conhece o assunto, quem quer proteger o meio ambiente, mas quer também criar condição pro produtor criar e produzir.”
Viana apontou áreas já desmatadas como alternativa para ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas de floresta. “Aqui no entorno de Rio Branco tem 400 mil hectares já desmatados que pode ser implantado milho mecanizado, soja, café, algodão, açaí”, afirmou.
Para o ex-governador, a expansão da produção depende ainda de crédito, assistência técnica e regularização das propriedades atingidas por embargos. “Falta política para a gente melhorar o juro, aplicar mais crédito barato pros pequenos, desembargar as propriedades e oferecer assistência técnica por parte do governo.”
A advogada Socorro Rodrigues, do Podemos, aceitou nesta quarta-feira, 29 de julho, o convite para ocupar a vaga de vice na chapa do médico Thor Dantas, pré-candidato do PSB ao Governo do Acre. A composição será oficializada nesta quinta-feira, 30, durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, marcada para as 17h, no Parque das Acácias, em Rio Branco.
Thor foi à casa de Socorro para formalizar o convite, que já havia sido discutido por telefone e em encontros anteriores. Ao confirmar a entrada na chapa, a advogada afirmou que recebe a decisão com responsabilidade e relacionou sua participação à presença das mulheres na política acreana.
“Recebo esse convite com muita alegria e confirmo minha total adesão. É motivo de muita honra”, declarou Socorro. Ela afirmou que pretende representar as mulheres do Acre e citou como características dessa representação a coragem, a força, a determinação e a sensibilidade.
A escolha de Socorro encerra a definição da chapa majoritária da aliança formada por PT, PCdoB, PV, PSB e Podemos. Thor afirmou que procurava uma candidata com experiência profissional, compromisso ético e atuação na defesa de direitos.
“Uma mulher forte, competente, experiente, que tem sólida atuação na advocacia e na luta pelos direitos fundamentais”, afirmou Thor ao justificar a escolha. O pré-candidato também relacionou a composição à união de experiências diferentes, com um médico e uma advogada na disputa pelo governo estadual.
Socorro atua nas áreas de Direito Tributário e Direito Eleitoral. Ela foi vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Acre e ocupa o cargo de conselheira federal da entidade. Também participa de ações de combate à violência contra as mulheres. A eleição de 2026 será sua primeira disputa por um cargo majoritário estadual.
A convenção desta quinta-feira também deverá oficializar a candidatura do ex-governador Jorge Viana ao Senado, além dos nomes da coligação para as disputas de deputado federal e deputado estadual. A Frente Ampla pelo Acre prevê apresentar cerca de 100 candidatos aos cargos proporcionais.
Depois de participar de uma missa, o pré-candidato ao Senado Jorge Viana sentou-se à mesa com padres da Diocese de Rio Branco na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, na Casa dos Padres, no bairro Calafate. Entre café, orações e conversas sobre os problemas enfrentados pela população, o encontro aproximou a linguagem da fé do debate político e colocou o diálogo, a esperança e o serviço aos mais pobres no centro da agenda apresentada para o Acre.
O café da manhã foi organizado pelo padre Antônio Menezes, licenciado das funções sacerdotais e pré-candidato a deputado estadual. Também participaram os padres Macoy Soares, ecônomo da Diocese de Rio Branco e reitor do Santuário da Divina Misericórdia; Matheus, da Paróquia do Bujari; Erenildo, da Paróquia São Felipe; e Júnior, da Paróquia São Paulo Apóstolo. Dona Nice, responsável pelo preparo da mesa, completou o grupo reunido após a celebração religiosa.
A cena mais simples daquela manhã ocorreu diante da cafeteira. Viana preparou a própria bebida e serviu os sacerdotes e Dona Nice. O gesto acompanhou o sentido que conduziu a conversa: a liderança política, na visão apresentada durante o encontro, precisa começar pelo cuidado com as pessoas e pela disposição de servir.
Ao redor da mesa, o diálogo avançou para questões que atravessam o cotidiano das famílias acreanas. Os participantes falaram sobre falta de oportunidades, saída de moradores para outros estados, desemprego, violência, desigualdade social e abandono das parcelas mais vulneráveis da população. A presença dos padres levou à conversa experiências vividas dentro das comunidades, onde a Igreja mantém contato diário com famílias atingidas pela pobreza e pela ausência de políticas públicas.
Viana afirmou que a missa e a recepção dos sacerdotes renovaram sua disposição para trabalhar pelo estado. Ao falar sobre uma possível volta ao Senado, pediu que não lhe faltasse o compromisso de “servir ao Acre com amor, humildade e compromisso com as pessoas”. Na fala do pré-candidato, fé e atuação pública apareceram unidas pela ideia de comunhão, palavra usada para defender uma política menos marcada pelo confronto e mais aberta à escuta.
Padre Antônio Menezes tratou a esperança cristã como uma responsabilidade diante da realidade. “A esperança nunca é passiva”, afirmou. Para ele, acreditar em dias melhores exige cuidar das pessoas, enfrentar as injustiças e colocar o interesse coletivo acima de projetos particulares. O sacerdote também defendeu que a política seja exercida como missão, especialmente quando as decisões atingem os mais pobres.
Padre Macoy Soares levou à conversa a preocupação com os acreanos que deixam o estado em busca de emprego, renda e segurança. Ele defendeu um Acre capaz de oferecer condições para que as famílias permaneçam perto de suas raízes, com dignidade e perspectivas de futuro. Também falou sobre o trabalho social desenvolvido pela Igreja e sobre a necessidade de parceria com agentes públicos comprometidos com quem costuma permanecer distante dos centros de decisão.
O encontro terminou com o compromisso de ampliar as conversas com diferentes setores da sociedade. Viana defendeu a escuta como parte da construção de respostas para os problemas do estado e voltou a relacionar desenvolvimento, união e atenção às pessoas. Em torno de uma mesa preparada sem cerimônia, a pré-campanha ganhou o vocabulário da fé: esperança como movimento, diálogo como método e poder como serviço.
O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana visitou o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, na segunda-feira, 27 de julho, no gabinete da Prefeitura. Durante o encontro, os dois defenderam o diálogo entre gestores e representantes políticos para buscar recursos e soluções para a capital e os demais municípios do Acre.
Viana preparou e serviu café ao prefeito antes da conversa. Ele afirmou que tem visitado as prefeituras durante viagens pelo estado, independentemente da filiação partidária dos gestores, e defendeu que o respeito às instituições deve prevalecer sobre as disputas políticas.
“Estou andando o estado inteiro e, como pré-candidato ao Senado, não tenho como deixar de respeitar quem está exercendo um mandato. Vim dar um abraço ao prefeito, como fiz em todas as prefeituras que visitei. Rio Branco é a cidade onde nasci e da qual também já fui prefeito. Quero desejar sucesso ao Alysson e colocar meu nome à disposição para ajudar no que for preciso”, declarou.
O ex-governador afirmou que pretende manter o diálogo com prefeitos e outras autoridades caso seja eleito senador. Entre as prioridades citadas estão a busca por recursos federais, o apoio aos municípios e a construção de soluções para problemas enfrentados pela população.
“A primeira coisa que farei, se eleito, será novamente visitar as autoridades para me colocar à disposição. Meu compromisso não é ideológico nem partidário. Meu compromisso é com o Acre. O senador precisa ajudar a resolver problemas, buscar recursos e construir soluções para melhorar a vida das pessoas”, disse Viana.
Alysson Bestene agradeceu a visita e afirmou que a Prefeitura de Rio Branco está aberta a parcerias que resultem em políticas públicas para a população.
“Nosso pensamento é colocar as pessoas em primeiro lugar. Quando fazemos política pensando na população, estamos sempre de portas abertas para construir políticas públicas que cheguem a quem mais precisa. Pode contar com a Prefeitura de Rio Branco para trabalharmos juntos em tudo aquilo que for importante para nossa cidade e para nosso povo”, declarou o prefeito.
Viana também citou sua experiência como prefeito de Rio Branco, governador do Acre e senador. Ele afirmou que pretende usar a trajetória política para colaborar com os gestores e ampliar a capacidade do estado de buscar investimentos e enfrentar problemas locais.
“Sei dos desafios e também conheço os caminhos para buscar soluções. Não acredito que o papel de um senador seja alimentar disputas ideológicas. O Acre precisa de união, diálogo e trabalho para enfrentar seus problemas e construir um futuro melhor para todos”, concluiu.
O pré-candidato ao Senado Jorge Viana (PT) recebeu o pré-candidato ao governo do Acre Thor Dantas (PSB), o ex-governador Binho Marques (PT) e o jornalista Toinho Alves para um café da tarde neste sábado (25). O encontro foi divulgado nas redes sociais e usado por Viana para defender uma mudança na condução política e administrativa do estado.
No vídeo, Viana aparece preparando e servindo café aos convidados. Ao entregar a bebida a Thor Dantas, afirmou que “o Acre precisa ter jeito” e associou a formação médica do pré-candidato à necessidade de recuperar o estado dos problemas que atribui à atual realidade acreana.
A reunião também reforçou a aproximação política entre Viana e Thor, apontado durante o encontro como candidato ao governo. O petista citou ainda a presença de Binho Marques e Toinho Alves ao falar sobre a construção de um projeto voltado ao futuro do Acre.
“A gente vai cuidar dele”, declarou Viana ao comentar os planos do grupo. A gravação terminou em clima descontraído, com brincadeiras sobre a qualidade do café, produzido na propriedade do próprio pré-candidato ao Senado.
Antes do brinde, Viana elogiou os convidados e afirmou que a bebida estava sendo preparada para pessoas exigentes. O encontro foi encerrado com a frase “celebrando o futuro do Acre”.
O Nosso Frigorífico realizou nesta quinta-feira, 23 de julho, a primeira exportação de carne bovina produzida no Acre para a Indonésia. O embarque abre uma nova frente comercial para a indústria acreana e resulta das negociações conduzidas junto ao país asiático, com participação do ex-presidente da ApexBrasil Jorge Viana, do governo federal e de representantes do setor produtivo.
A primeira carga reúne 28 toneladas de carne bovina. O produto saiu de Rio Branco por via terrestre com destino ao Porto de Navegantes, em Santa Catarina, de onde seguirá de navio até Jacarta, capital da Indonésia. A viagem marítima deve durar aproximadamente 35 dias.
O envio faz parte de um contrato firmado com uma empresa estatal indonésia para o fornecimento de cinco contêineres até o fim de agosto. Juntas, as cargas somarão 140 toneladas e movimentarão US$ 648,3 mil, cerca de R$ 3,6 milhões na conversão atual.
A habilitação do frigorífico acreano foi anunciada em janeiro por Jorge Viana, quando ele presidia a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. A autorização foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e incluiu a unidade da Frisacre, nome empresarial do Nosso Frigorífico, entre as plantas brasileiras liberadas para vender carne bovina ao mercado indonésio.
As negociações ganharam força durante missões empresariais e agendas internacionais organizadas pela ApexBrasil. Em outubro de 2025, empresários acreanos participaram de uma comitiva ao Sudeste Asiático durante viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O proprietário do frigorífico, Murilo Leite, integrou as agendas voltadas à aproximação entre produtores brasileiros e compradores estrangeiros.
Murilo atribuiu a abertura do novo mercado ao trabalho conjunto do setor privado com o governo federal e fez um reconhecimento especial à atuação de Jorge Viana. O empresário afirmou que a articulação conduzida pelo acreano foi decisiva para aproximar a indústria local dos compradores internacionais e concluir o processo de habilitação.
A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo e amplia as possibilidades de venda para o setor frigorífico porque compra diferentes cortes, além de miúdos e outras partes do animal. A característica permite melhor aproveitamento da produção e pode elevar a rentabilidade das empresas exportadoras.
Com o novo destino, o Nosso Frigorífico amplia sua presença internacional e reforça a carne bovina entre os principais produtos vendidos pelo Acre ao exterior. A abertura também cria oportunidades para pecuaristas, transportadores, trabalhadores da indústria e demais atividades ligadas à cadeia produtiva.
Autoridades, lideranças políticas e entidades de classe prestaram solidariedade ao jornalista Chico Melo e cobraram uma investigação rápida sobre a invasão de sua residência e as agressões sofridas durante a madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, em Cruzeiro do Sul. As manifestações trataram o episódio como uma ameaça à liberdade de imprensa e defenderam a identificação dos autores e de possíveis mandantes. O caso está sob investigação da Polícia Civil.
O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, suspendeu parte da agenda para prestar solidariedade pessoalmente ao jornalista. Ele afirmou conhecer Chico desde a infância e disse confiar no caráter e na seriedade do profissional.
“Eu suspendi minha agenda para vir aqui e dar um abraço no Chico. Conheço o Chico desde a infância e sei do caráter e da seriedade que ele sempre teve em sua vida”, declarou.
Zequinha afirmou que o ataque não deve ser tratado apenas como uma violência individual. Para o prefeito, a agressão alcança todos os profissionais que trabalham com informação no Acre.
“O Chico teve a liberdade de expressão ameaçada. Quando eu falo do Chico, falo de todos os jornalistas acreanos. A partir do momento em que um jornalista sofre violência por noticiar informações, todos estão ameaçados”, disse.
O prefeito cobrou uma resposta das instituições estaduais e afirmou que divergências políticas ou editoriais não podem transformar jornalistas em inimigos. “Quero cobrar do Estado uma resposta para esse episódio e para essa afronta à democracia. As instituições não podem se calar diante de um caso tão grave.”
Zequinha também pediu uma reação da sociedade. “Hoje aconteceu com o Chico, mas amanhã poderá acontecer com outras pessoas. A sociedade e as instituições precisam levantar a voz.”
O ex-governador e ex-senador Jorge Viana defendeu proteção para Chico Melo, sua residência e o exercício da atividade jornalística. Ele afirmou que profissionais da imprensa precisam ter liberdade para investigar e publicar informações sobre corrupção, irregularidades e outros temas de interesse público.
“Jornalista tem que ter total liberdade para denunciar e falar de todos os temas. O Chico Melo é uma pessoa que trabalhou comigo e nunca agiu fora dos princípios que devem orientar um servidor e um colaborador”, afirmou.
Jorge Viana questionou o que aconteceria caso jornalistas fossem impedidos de publicar denúncias. “Se os jornalistas não puderem denunciar corrupção e irregularidades, terão que ficar todos calados? Isso é gravíssimo.”
Ele também defendeu medidas concretas de segurança. “O Chico precisa de proteção para a sua casa, para a sua integridade e para o exercício do seu trabalho. Ele não está apenas se sentindo ameaçado: sofreu uma agressão.”
Para Jorge Viana, pessoas ou instituições que se sintam prejudicadas por uma reportagem devem recorrer ao Poder Judiciário. “Quem se sentir atingido por uma notícia deve procurar a Justiça. Agredir, ameaçar e praticar um atentado exige uma ação firme das autoridades.”
O senador Alan Rick afirmou que o ataque precisa ser apurado e que os responsáveis devem receber punição prevista em lei. Ele classificou como inadmissíveis ameaças, invasões e agressões contra Chico Melo e o jornalista Rogério Wenceslau.
“Isso precisa ser apurado e os culpados devem ser punidos com todo o rigor da lei. É inadmissível agir contra o Chico e o Rogério com ameaças, invasões e agressões”, declarou.
Alan Rick afirmou que divergências fazem parte da democracia, mas não podem resultar em violência. “As divergências e os pontos de vista diferentes fazem parte da democracia, mas partir para a agressão, como esses covardes fizeram, é uma barbárie.”
O senador pediu que Chico continue trabalhando. “Chico, não abaixe a cabeça. Siga em frente. Ninguém pode intimidar jornalistas que estão cumprindo o seu papel e mostrando aquilo que a sociedade espera deles.”
Alan Rick também colocou seu mandato à disposição para colaborar com providências relacionadas ao caso. “Conte com o meu total apoio e solidariedade. No que estiver ao meu alcance, estaremos contribuindo.” Ele ocupa uma das cadeiras do Acre no Senado Federal.
O senador Sérgio Petecão defendeu a participação das forças estaduais de segurança e, caso seja necessário, da Polícia Federal. “Isso é um absurdo e ultrapassa todos os limites. Precisamos envolver as polícias Civil, Militar e, se for necessário, a Polícia Federal.”
Petecão afirmou que a invasão de uma residência e a exposição da família da vítima criam um precedente perigoso. “As divergências políticas, ideológicas e partidárias não podem chegar à invasão da casa de uma pessoa e à colocação de sua família em risco.”
O senador disse que poderá ajudar no encaminhamento das denúncias. “Quero prestar minha solidariedade e me colocar à disposição para ajudar na apresentação das denúncias às autoridades.”
Ele encerrou a manifestação cobrando responsabilização. “Esse caso não pode ficar impune. Não podemos nos calar diante desses fatos.” Sérgio Petecão exerce mandato no Senado pelo Acre até 2027.
O deputado estadual Edvaldo Magalhães afirmou que o ataque atingiu o direito da sociedade acreana à informação. Ele também reconheceu o trabalho realizado pela equipe da Rádio Integração no Vale do Juruá.
“Vocês estão cumprindo o papel extraordinário de levar à população do Acre, especialmente ao Vale do Juruá, informações às quais antes não se tinha acesso”, afirmou.
Edvaldo declarou que a agressão não pode ser analisada somente como um crime contra Chico Melo. “O direito à informação é um dos princípios e pilares da democracia. Na madrugada desta quarta-feira, a democracia foi atingida.”
“O atentado não foi apenas contra a vida do Chico Melo. Foi contra o Estado Democrático de Direito”, acrescentou.
O parlamentar anunciou que pretende levar o caso à Assembleia Legislativa do Acre. “Apresentarei uma denúncia e pedirei que a Assembleia Legislativa vote uma moção de repúdio e solidariedade à equipe da Rádio Integração, cobrando a apuração imediata dos fatos.”
O jornalista Itaan Arruda também prestou solidariedade a Chico Melo, Rogério Wenceslau e aos demais profissionais do Jornal da Manhã. Ele afirmou que o episódio não pode ser normalizado e precisa ser investigado até que a motivação e a autoria sejam esclarecidas.
“Nós não podemos nos calar nem normalizar uma situação como essa. Eu me solidarizo com Chico Melo, com Rogério Wenceslau e com toda a equipe do Jornal da Manhã”, declarou.
Itaan defendeu uma resposta das instituições de segurança e afirmou que o Governo do Estado deveria ter interesse direto no esclarecimento do crime. “É preciso saber quem teria interesse em sufocar e calar a voz de jornalistas que estão trabalhando.”
“O que aconteceu com Chico Melo é gravíssimo. Antes da agressão física, a imprensa já vinha sofrendo uma agressão institucional”, afirmou.
O jornalista também alertou para o risco de novos casos. “Hoje foi a equipe do Jornal da Manhã. Amanhã poderá ser qualquer outro jornalista. As autoridades precisam dar uma resposta forte e verdadeira.”
O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom afirmou que recebeu com tristeza a notícia do ataque e defendeu o diálogo como caminho para resolver divergências.
“Esse não é o Acre com que sonhamos. Queremos um Acre de paz e sem violência, principalmente contra quem tem o dever de informar”, disse.
Bocalom prestou solidariedade em nome de amigos de Rio Branco e pediu que Chico continue exercendo seu trabalho. “Não abaixe a cabeça e não se intimide. Vamos continuar lutando para que o Acre se liberte desse tipo de comportamento.”
O Partido dos Trabalhadores do Acre também publicou uma nota de solidariedade ao jornalista, aos familiares e aos profissionais do Grupo Integração. O documento foi assinado pelo presidente estadual da legenda, André Kamai.
O partido afirmou que todas as possíveis motivações devem ser investigadas, inclusive uma eventual ligação com a atividade jornalística. O PT cobrou uma apuração “rápida, rigorosa e independente”, além da adoção de medidas de segurança para Chico Melo, seus familiares e os demais integrantes da emissora.
“Nenhuma divergência política ou editorial pode justificar ameaças, agressões ou perseguições. A imprensa deve exercer seu trabalho com liberdade e segurança”, afirmou o diretório estadual. André Kamai ocupa a presidência do PT no Acre.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas também repudiaram o ataque. As entidades cobraram da Polícia Civil uma investigação célere, transparente e independente para esclarecer a autoria, a motivação e todas as circunstâncias do crime.
A Fenaj informou que levará o caso ao Grupo de Trabalho Eleitoral do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“Informar não é crime. Questionar não é crime. Fazer jornalismo não é crime”, afirmaram o presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro de Souza, e a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.
As manifestações convergem na cobrança por uma investigação sem interferências, na proteção de Chico Melo e na defesa do direito dos jornalistas de trabalhar sem ameaças. Até o esclarecimento da autoria e da motivação, as declarações políticas sobre uma possível relação entre o ataque e a atividade profissional permanecem como hipóteses que dependem da apuração policial.
A Frente Ampla pelo Acre realizará, no dia 30 de julho, a convenção partidária que oficializará as candidaturas da aliança para as eleições de 2026. O evento será realizado a partir das 17h, no Parque das Acácias, em Rio Branco, reunindo dirigentes partidários, filiados, lideranças políticas, militantes e apoiadores de diversas regiões do estado.
Durante a convenção serão homologadas as candidaturas de Dr. Thor Dantas ao Governo do Acre e de Jorge Viana ao Senado Federal. Também serão oficializadas a candidatura a vice-governador e as chapas proporcionais para deputado federal e deputado estadual.
A Frente Ampla reúne os partidos PSB, PCdoB, PT, PV, PSOL, Rede e Podemos. Ao todo, a coligação prevê homologar cerca de 100 candidaturas aos cargos proporcionais, além das candidaturas majoritárias.
Segundo Jorge Viana, a convenção marcará o início da campanha da aliança e terá como foco a união das forças políticas em torno de um projeto para o estado.
“O encontro terá o lado formal, mas será uma grande festa, que procura retomar a boa política no Acre, reunindo pessoas que queiram ver o nosso estado voltando a dar certo e prosperando. A nossa candidatura é de amor e união pelo Acre. Queremos juntar pessoas de diferentes ideias, mas que compartilham o mesmo sonho de construir um estado mais justo e com oportunidades para todos. É esse espírito que queremos celebrar na convenção e levar para toda a campanha”, afirmou.
Serviço
Evento: Convenção da Frente Ampla pelo Acre Data: 30 de julho de 2026 (quinta-feira) Horário: 17h Local: Parque das Acácias, em Rio Branco (AC)
Entre 2022 e 7 de julho de 2026, a Secretaria de Indústria, Ciência, Tecnologia e Turismo do Acre pagou R$ 170,4 milhões. Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em históricos ligados à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, Carnaval, festas, festivais, shows, atrações nacionais, eventos e comemorações do Dia do Trabalhador. A execução financeira revela uma contradição que atravessa o governo Gladson Cameli e Mailza Assis: enquanto o discurso oficial fala em industrialização, inovação e geração de empregos, o orçamento concentrou seus maiores volumes na promoção comercial e na realização de eventos.
A discussão ganhou força após a conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, questionar os elevados gastos públicos com festas e shows. Durante sessão do TCE, ela afirmou que artistas “vêm aqui, cantam e vão embora”, enquanto permanecem desafios como emprego, renda e infraestrutura. A provocação serve como ponto de partida para uma pergunta maior: o que fica para o Acre depois que o palco é desmontado?
A resposta passa pela própria execução orçamentária da pasta.
A maior subfunção da despesa foi Promoção Comercial, que consumiu R$ 85,2 milhões. A Promoção Industrial recebeu R$ 16,5 milhões. Na prática, para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram direcionados à promoção comercial.
A diferença ajuda a explicar a prioridade construída ao longo do governo. Em vez de concentrar recursos na expansão da capacidade industrial, qualificação profissional, infraestrutura produtiva, inovação aplicada e fortalecimento das cadeias econômicas, a secretaria operou principalmente como organizadora de feiras, vitrines comerciais e grandes eventos.
A Expoacre tornou-se o principal símbolo dessa política. Os pagamentos que mencionam diretamente a feira somam R$ 50,9 milhões, sendo R$ 35,5 milhões relacionados à Expoacre Juruá. Entre os maiores beneficiários aparecem a Casa da Amizade e a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, em contratos destinados à promoção de eventos, estruturação de ambientes de negócios e contratação de atrações nacionais.
Em 2025, a Expoacre Juruá reuniu artistas como Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Raça Negra, Isaías Saad, Marcynho Sensação e Eric Land. Na edição de Rio Branco, Jorge & Mateus liderou a programação. O Carnaval da Família também recebeu recursos da estrutura responsável pela política de desenvolvimento econômico.
Os próprios editais mostram essa opção. O Chamamento Público nº 002 da SEICT teve como objeto a promoção de eventos com atrações nacionais durante a Expoacre Juruá e a Expoacre de Rio Branco. Em 2026, a Festa do Trabalhador foi apresentada como evento voltado ao comércio, tecnologia e cultura.
Nada disso significa que feiras e eventos não movimentem a economia. Movimentam hotéis, restaurantes, transporte, ambulantes, fornecedores e pequenos comerciantes. Também aproximam produtores, compradores e investidores. A diferença está entre estimular negócios por alguns dias e construir uma política industrial permanente.
O palco gera renda temporária. A indústria produz riqueza continuamente. Ela exige infraestrutura, energia, logística, qualificação profissional, crédito, pesquisa, tecnologia, mercado consumidor e segurança para investir.
É justamente esse discurso que o governo apresenta.
Em junho de 2025, anunciou um plano de fortalecimento industrial e reforçou a atuação da Comissão da Política de Incentivo às Atividades Industriais do Acre (Copiai), responsável pela concessão de incentivos tributários e áreas em distritos industriais. Também lançou o Comprac, programa destinado a ampliar as compras públicas de produtos fabricados no estado.
Meses antes, o governo informou ter atraído R$ 16,5 milhões em investimentos para novas indústrias instaladas em Rio Branco, Brasileia e Epitaciolândia. Também inaugurou o Hub de Inovação do Acre e ampliou a campanha Feito no Acre, desenvolvida em parceria com a Federação das Indústrias, Sebrae e Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento.
O problema não está na existência dessas iniciativas. Elas existem. A questão é que ocupam espaço muito menor na execução financeira do que as despesas destinadas à promoção comercial.
Apesar disso, o Acre demonstra possuir uma base industrial capaz de crescer.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o estado possui PIB industrial de R$ 1,9 bilhão e emprega 18.564 trabalhadores. Ainda representa apenas 0,1% da indústria nacional, mas reúne cadeias produtivas consolidadas na proteína animal, café, castanha, frutas, madeira manejada e bioeconomia.
A Dom Porquito é um dos exemplos mais conhecidos. Instalada em Brasileia, a agroindústria reúne 387 colaboradores, processa cerca de 20 toneladas de carne suína por dia, abate entre 350 e 380 animais diariamente e comercializa aproximadamente 60 produtos dentro e fora do Acre.
Em 2025, foi anunciado um pacote superior a R$ 200 milhões destinado à cadeia da proteína animal. O valor reúne diferentes fontes de investimento. Cerca de R$ 82 milhões correspondem a financiamentos do Banco da Amazônia destinados à construção de 250 galpões de suínos e 40 de aves. Outros investimentos privados foram anunciados para modernização da indústria frigorífica bovina.
Nesse processo, a ApexBrasil, presidida por Jorge Viana, participou da articulação institucional voltada à abertura de mercados, exportação e aproximação entre empresas e instituições financeiras. Não há elementos para atribuir integralmente à Apex ou a Jorge Viana os mais de R$ 200 milhões anunciados, mas houve participação relevante na construção desse ambiente de investimentos.
A Acreaves representa outro exemplo de industrialização permanente. O complexo instalado no Alto Acre foi estruturado para gerar cerca de 300 empregos diretos e aproximadamente 1,5 mil indiretos, fortalecendo a cadeia integrada da avicultura e reduzindo a dependência de produtos vindos de outros estados.
Outro caso emblemático é o da Cooperacre.
A cooperativa já atua no beneficiamento de castanha-do-Brasil, borracha, palmito, café e frutas, envolvendo milhares de famílias extrativistas e agricultores familiares. Agora decidiu ampliar essa estrutura utilizando recursos próprios.
Em Rio Branco, a Cooperacre investe R$ 60 milhões na implantação de uma nova agroindústria de frutas tropicais. A unidade terá capacidade para processar até 10 milhões de quilos de polpas por ano, dez vezes mais que a estrutura anterior, utilizando frutas como açaí, cupuaçu, cajá, maracujá, acerola, manga, goiaba, caju, abacaxi e graviola.
A nova planta utilizará envase asséptico, permitindo armazenamento sem refrigeração por até dois anos, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso aos mercados nacional e internacional. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 5 mil famílias produtoras.
Esse investimento evidencia uma diferença importante. Enquanto a feira apresenta produtos, a indústria compra matéria-prima, processa alimentos, gera empregos, movimenta fornecedores, amplia exportações e mantém renda circulando durante todo o ano.
O café acreano oferece outro exemplo de política industrial baseada em estrutura permanente.
Em Mâncio Lima, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) financiou R$ 8 milhões para a construção do Complexo Industrial do Café do Juruá. A Coopercafé investiu outros R$ 2 milhões. O empreendimento reúne secagem, classificação, armazenamento e beneficiamento do café produzido principalmente pela agricultura familiar.
A articulação foi conduzida dentro da ABDI pela diretora Perpétua Almeida. O complexo atende mais de 180 cooperados e integra uma cadeia produtiva formada por milhares de pessoas ligadas ao cultivo do café.
Posteriormente, a ABDI assinou novo convênio, desta vez com a Cooperacre, no valor de R$ 14,7 milhões, destinado à construção de dois novos complexos industriais de café em Capixaba e Acrelândia.
Os projetos demonstram que a industrialização acontece quando o investimento chega ao galpão, à máquina, ao laboratório e à cooperativa. É ali que a matéria-prima ganha valor antes de deixar o estado.
Os dados do comércio exterior reforçam esse potencial.
As exportações acreanas passaram a ser lideradas pela carne bovina, seguidas pela castanha-do-Brasil, carne suína, soja e outros produtos agroindustriais. Cada etapa de beneficiamento realizada dentro do estado amplia empregos, arrecadação e renda local.
Outro gargalo continua sendo a mão de obra.
O Senai calcula que o Acre precisará qualificar aproximadamente 23 mil profissionais entre 2025 e 2027, sendo cerca de 4 mil novos trabalhadores e outros 19 mil em requalificação profissional. São vagas ligadas à automação, manutenção industrial, alimentos, logística, refrigeração, tecnologia e produção.
Esse talvez seja um dos maiores desafios para qualquer política industrial consistente.
A execução financeira também desperta dúvidas sobre a transparência de alguns investimentos.
A secretaria destinou aproximadamente R$ 18 milhões para integralização de capital da Agência de Negócios do Acre (Anac). Em tese, trata-se de um importante instrumento de desenvolvimento econômico. Entretanto, os históricos dos pagamentos não permitem identificar claramente quais empresas foram financiadas, quantos empregos surgiram, quais cadeias produtivas foram fortalecidas ou qual retorno econômico efetivamente foi obtido.
Essa falta de transparência dificulta medir resultados.
O balanço final mostra uma realidade menos simples do que o debate político costuma apresentar.
Não é correto afirmar que o governo Gladson e Mailza abandonou completamente a indústria. Houve incentivos fiscais, distribuição de terrenos, campanhas de valorização da produção local, apoio institucional à exportação, inovação tecnológica e aproximação com investidores.
Também não seria correto ignorar investimentos estruturantes realizados por cooperativas, empresas privadas, instituições financeiras e órgãos federais que ampliaram a capacidade industrial do Acre.
A questão central está na prioridade orçamentária.
Quando Promoção Comercial recebe R$ 85,2 milhões e Promoção Industrial R$ 16,5 milhões, a execução financeira revela que a principal função da pasta deixou de ser construir indústria para organizar vitrines da indústria.
Uma feira pode abrir mercados.
Um show pode movimentar hotéis.
Um festival pode aquecer o comércio durante alguns dias.
Mas são as fábricas, as agroindústrias, as cooperativas, os frigoríficos, os laboratórios, os centros tecnológicos e os trabalhadores qualificados que permanecem produzindo riqueza quando tudo isso termina.
O legado industrial de um governo não é medido pelo tamanho do palco.
É medido pelo que continua funcionando depois que ele é desmontado.
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